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Evaluation of wheat cultivars in three seeding time at Capão Bonito, State of São Paulo, Brazil, during the period 1981-1985

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Evaluation of wheat cultivars in three seeding time at Capão Bonito, State of São Paulo, Brazil, during the period 1981-1985

Abstract

Neste trabalho, procurou-se estudar o comportamento de dezoito cultivares de trigo semeados em três épocas (3º decêndio de março, 2º decêndio de abril e 3º decêndio de maio) na Estação Experimental de Capão Bonito, região Sul do Estado de São Paulo, no qüinqüênio 1981-85. Efetuaram-se, em cada época de semeadura, avaliações de rendimento de grãos, resistência às doenças, altura das plantas, peso hectolítrico e de mil grãos. Estudou-se a disponibilidade hídrica do solo, através de balanços hídricos decendiais, considerando 125mm como a capacidade de retenção de água no solo. Os resultados indicaram como melhor época de semeadura 21 a 31 de março. A ocorrência de moléstias foi altamente influenciada pelas condições climáticas verificadas em cada ano, sobretudo a helmintosporiose. Os cultivares CNT 7, BR 1, Paraguay 281, CNT 8, BH 1146, IAC 18 e IAC 5 apresentaram as maiores produções de grãos nas semeaduras de 21 a 31 de março, não diferindo estatisticamente entre si. As correlações entre altura média e produção de grãos na primeira e na segunda época foram significativas, mostrando que, nessas condições, os cultivares de porte mais alto foram também os mais produtivos. O peso de mil grãos foi o componente da produção que melhor expressou as diferenças de comportamento entre os cultivares estudados nas diferentes épocas de semeadura em todo o período.
TRIGO: TRÊS ÉPOCAS DE SEMEADURA
EM CAPÃO BONITO, SP, NO PERÍODO 1981-85 (
1
)
JOÃO CARLOS FELÍCIO
(2.
6), CARLOS EDUARDO DE OLIVEIRA CAMARGO
(2.
6),
MARCELO BENTO PAES DE CAMARGO
(3,
6),
JAIRO LOPES DE CASTRO
(4,
6)
e BENEDITO DE CAMARGO BARROS
(5,
6)
C) Parcialmente financiado pelo Convénio lAC/Cooperativas dos Produtores Rurais do Vale do Para-
napanema/SA. Recebido para publicação em 16
de
junho de 1987 e aceito em 16 de maio de 1988.
(2) Seção de Arroz e Cereais de Inverno, Instituto Agronómico (IAC), Caixa Postal 28, 13001 Cam-
pinas (SP).
(
3
) Seção de Climatologia
Agrícola,
IAC.
(
4
) Estação Experimental de Capão
Bonito,
IAC.
(5) Seção de Doenças das Plantas Alimentícias Básicas e Olerícolas, Instituto Biológico, 13093 Cam-
pinas (SP).
(6) Com bolsa de pesquisa do CNPq.
RESUMO
Neste trabalho, procurou-se estudar o comportamento de dezoito
cultivares de trigo semeados em três épocas (3
9
decêfidio de março, 2
9
de-
cêndio de abril e 3
9
decêndio de maio) na Estação Experimental de Capão
Bonito, região Sul do Estado deo Paulo, no quinquénio 1981-85. Efetua-
ram-se,
em cada época de semeadura, avaliações de rendimento de grãos,
resistência às doenças, altura das plantas, peso hectolltrico e de mil grãos.
Estudou-se a disponibilidade hídrica do solo, através de balanços hídricos
decendiais, considerando 125mm como a capacidade de retenção de água
no solo. Os resultados indicaram como melhor época de semeadura
21
a 31
de março. A ocorrência de moléstias foi altamente influenciada pelas condi-
ções climáticas verificadas em cada ano, sobretudo a helmintosporiose. Os
cultivares CNT 7, BR 1, Paraguay 281, CNT 8, BH 1146, IAC 18 e IAC 5
apresentaram as maiores produções de grãos nas semeaduras de 21 a 31
de março,o diferindo estatisticamente entre si. As correlações entre altura
média e produção de grãos na primeira e na segunda época foram significa-
tivas,
mostrando que, nessas condições, os cultivares de porte mais alto fo-
ram também os mais produtivos. O peso de mil grãos foi o componente da
produção que melhor expresseu as diferenças de comportamento entre os
cultivares estudados nas diferentes épocas de semeadura
em
todo o período.
Termos de indexação: trigo, cultivar, balanços hfdricos.ferrugens-do-colmoeda-folha,
helmintosporiose, altura das plantas, peso de mil grãos.
1.
INTRODUÇÃO
A época de semeadura do trigo no Brasil tem sido alvo de controvérsias
entre os técnicos, constituindo uma das causas do malogro de inúmeras campa-
nhas promovidas no passado entre nós, com a finalidade da implantação da
triti-
cultura.
Dessa maneira, se o agricultor se dispuser a cultivar trigo e solicitar uma
informação no extremo Sul do Brasil, ele a obterá imediatamente, pois o período
mais aconselhável para semeadura na região Sul, na fronteira com o Uruguai, é
junho.
Se, porém, ele fizer a mesma pergunta em outros Estados, segundo
TEI-
XEIRA (1958), ficará meio desorientado: há partidários da semeadura cedo,
enquanto outros continuam a aconselhar um largo espaço de meses que vai de
fevereiro até agosto.
As maiores áreas mundiais de cultivo do trigo estão concentradas entre
30 e 35° de latitude em ambos os hemisférios, de acordo com MOTA (1982), em
climas considerados moderadamente secos, moderadamente úmidos e tempera-
dos.
KALCKMANN et ai. (1965) consideram que o clima das regiões tritícolas bra-
sileiras tem sido um dos principais responsáveis pela instabilidade da produção;
consideram também que a faixa paulista de trigo situa-se no Sul e Sudoeste do
Estado, abrangendo os municípios de Assis,
Buri,
Itaberá, Itapeva, Itaporanga,
Ita-
raré,
Maracaí, Regente Feijó e Rio Branco. Seu clima é classificado como Cfa,
mesotérmico úmido sem estiagens, em que a temperatura média dos mais
quente é 22°C, apresentando os mais seco 30mm de chuvas.
Seria utopia dar condições rígidas ou pouco variáveis para uma planta
de trigo (BAYMA, 1960), deo vasta área de distribuição geográfica. É possível
afirmar, entretanto, que na germinação da semente e no início do crescimento da
planta,
m grande importância a temperatura e a umidade do ar e do solo, estas
dependentes das chuvas.
A resistência às geadas é pequena após a mudança fisiológica para a
iniciação da inflorescência e emersão da espiga (PAULSEN, 1968). As temperatu-
ras de 1-2°C abaixo de zero causam, segundo BURGOS (1963), danos aos
grãos,
pois o trigo é suscetível a essas condições.
Os principais problemas climáticos da triticultura na região temperada,
abaixo do paralelo 24° Sul,o o excesso de umidade relativa do ar em setem-
bro-outubro, a ocorrência de geadas no éspigamento, de chuvas na colheita e de
granizo, sendo as duas primeiras muito mais importantes que as duas últimas
(MOTA, 1982).
Estudos para determinação das melhores épocas de semeadura de trigo
emo Paulo, com base na probabilidade do atendimento e demanda hídrica
(CAMARGO et ai., 1985), mostraram que, para a região Sudoeste, a melhor épo-
ca seriam as semeaduras precoces, ou seja, efetuadas de março até início de
abril.
Na região Sul do Estado deo Paulo, a cultura de trigo (FELÍCIO et
ai.,
1986) vem apresentando grande variação de produtividade por ser semeada
em
abril,
coincidindo o seu florescimento, em junho, com a época que apresenta
as maiores probabilidades de geadas.
O presente trabalho foi conduzido de 1981 a 1985 na Estação Experi-
mental de Capão Bonito, com a finalidade de avaliar a melhor época de semea-
dura na região Sul do Estado deo Paulo, localizada na faixa do trigo que, se-
gundo KALCKMANN et ai. (1965), é de três milhões de hectares, dos quais pode-
rá ser cultivado um milhão de hectares, sendo que, deste, trezentos mil hectares
apresentam condições favoráveis à cultura.
2.
MATERIAL E MÉTODOS
Dezoito cultivares de trigo foram ensaiados em três épocas de semea-
dura;
para a primeira, considerou-se o período compreendido pelo 3
g
decêndio do
s de março; para a segunda, o 2
9
decêndio de abril e, para a terceira, o 3
9
de-
cêndio de maio, abrangendo o quinquénio 1981-85, no município de Capão
Bonito, região Sul do Estado deo Paulo, localizado na latitude de 24°02'S.,
longitude 48
C
22'W. e altitude de 702m.
Os cultivares estudados foram divididos quanto ao ciclo vegetativo da
emergência à maturação, sendo considerados precoces os seguintes: BH 1146,
IAC 13, IAC 17, IAC 18, INI A 66, Nambu e El Pato, com ciclo de até 120 dias; de
ciclo médio, com maturação de 121 a 135 dias: Alondra 46, IAC 5, IAPAR 1,
PAT 24, PAT 7219 e BR 2, e acima de 136 dias: CNT 7, CNT 8, Moncho BSB,
Paraguay
281
e BR 1.
Retiraram-se amostras do solo dos locais estudados e, de acordo com os
resultados analíticos, efetuou-se a adubação através dos seguintes adubos: sulfa-
to de amónio com 20% de N, superfosfato simples com 20% de
P
2
0
5
e cloreto de
potássio com 60% de K
2
0, aplicados a lanço antes da semeadura e, posterior-
mente,
incorporados ao solo.
A quantidade de fertilizante empregado nas diferentes épocas e anos
Daseou-se nas tabelas de adubação e calagem do Instituto Agronómico.
O delineamento estatístico empregado foi de blocos ao acaso com qua-
tro repetições por época no mesmo locai.
As parcelas de cada ensaio foram constituídas de cinco linhas de 5m de
comprimento, espaçadas de 0,20m, deixando-se um espaço lateral entre cada
parcela de 0,60m e de 1m entre blocos.
A semeadura foi feita na base de 80 sementes viáveis por metro linear
de sulco, equivalendo a 400 sementes por metro quadrado.
Os dados termopluviométricos diários relativos aos períodos conside-
rados foram obtidos no Posto Meteorológico da Estação Experimental de Capão
Bonito, SP, representativo de toda a região estudada.
Efetuou-se a caracterização da disponibilidade hídrica no solo através de
balanços hídricos decendiais (dez dias), segundo o método de THORNTHWAITE
& MATHER (1955), considerando 125mm como capacidade de retenção de água
no solo, e calcularam-se os balanços hídricos para os meses de março a outubro,
referentes ao período 1981-85 (Figuras 1 a 5).
Para avaliar o comportamento dos cultivares com relação às principais
doenças em condições naturais de infecção, empregaram-se as seguintes escalas
de leitura: para a ferrugem-do-colmo {Puccinia graminis Pers. f. sp. tritici Eriks et
Henn.) e ferrugem-da-folha (Puccinia recôndita Rob. ex. Desm. f. sp. tritici Eriks),
efetuaram-se avaliações em planta adulta usando a escala modificada de Cobb,
empregada por SCHRAM et ai. (1974). É composta por um número que estima o
ataque da moléstia no colmo e na folha, acrescido de uma letra simbolizando o
tipo de reação: S = suscetível (uredossoro grande, coalescente, sem clorose); MS
= moderadamente suscetível (uredossoro médio); M = intermediário (diversos ti-
pos de reação); MR = moderadamente resistente (uredossoro pequeno); R = re-
sistente (uredossoro minúsculo rodeado de áreas necróticas). As doenças que
causam manchas nas folhas devido ao complexo septoriose mais helmintosporiose
(Septoria sp. e Helminthosporium sp.) foram estimadas em porcentagem de área
foliar infectada, observando-se as folhas superiores das plantas.
Na colheita, tomaram-se cinco linhas de cada parcela, área útil de 5m
2
,
submetendo-se os dados de produção à análise estatística, segundo o modelo
para grupos de experimentos, de acordo com GOMES (1970).
A altura das plantas de cada cultivar foi medida no campo, levando-se
em consideração a distância do nível do solo ao ápice da espiga, mantendo-se a
planta esticada.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A indefinição específica de nossas condições meteorológicas entre os
anos limita ou favorece a produção paulista de trigo, como mostram os balanços
hídricos decendiais referentes aos anos de 1981 a 1985 (Figuras
1
a
5).
Verifica-se
que,
em
1981,
ocorreram períodos com deficiências hídricas mais acentuadas em
meados de agosto e setembro e, em junho e julho, períodos chuvosos, sem apre-
sentarem,
no entanto, excedentes hídricos acentuados. De 1982 a 1983, verificou-
-se um período de umidade excessiva respectivamente em junho-julho e
maio-junho. Podem-se considerar como bem características as condições climá-
ticas ocorridas em 1984 e 1985. O excesso de umidade para a triticultura se
apresenta prejudicial, quanto aos períodos de estiagens prolongadas.
No quadro 1, encontram-se os rendimentos médios de grãos de dezoito
cultivares de trigo estudados em três épocas de semeadura, no município de Ca-
o Bonito, no quinquénio 1981-85. Pelo quadro 2 - resultados da análise da va-
riância dos ensaios - verifica-se que, entre as causas da variação estudadas,
destacaram-se os efeitos altamente significativos obtidos para a época de se-
meadura (•») = 35,90) e para anos (•& = 45,68). Esses dados demonstram a va-
riação que ocorre durante o período em que o trigo pode ser semeado na região.
Verifica-se também que houve efeitos altamente significativos para os cultivares
estudados e para as interações cultivar x época, época x ano e cultivar x ano.
Para entender melhor o estabelecimento da cultura e suas diversas fa-
ses até a colheita, serão considerados para análise quatro cultivares de trigo
utili-
zados pelos agricultores na região (Figs. 1 a 5). O 'IAC 17', considerado de ciclo
precoce, apresentou produtividade média de grãos, em quiíogràmá/héctare, de-
crescente da
1
- para a 2- época, enquanto na semeadura de 3- época a sua produ-
tividade foi 48,52% inferior à da primeira. O mesmo ocorreu com o 'IAC 5', conside-
rado de ciclo médio. O BR 2', de ciclo médio, revelou melhor estabilidade em sua
produção, sendo a diferença da 1
§
para a 3- época apenas de 22%. A maior
diferença ficou, entretanto, para os cultivares de ciclo tardio, representados pelo
CNT 8, que apresentou uma redução de produtividade de 28,84 e 61,37% entre a
1-
e a 2- época e a 1
§
e a 3- respectivamente.
No quadro 3 encontram-se as temperaturas mínimas absolutas, em nível
decendial,
de abril a setembro, para o quinquénio 1981-85: verifica-se que as
temperaturas mais baixas ocorreram do 1
9
decêndio de junho ao 1
9
decêndio de
agosto, podendo aparecer eventuais geadas no final de agosto, consideradas
como tardias, porém com menor probabilidade de ocorrência.
De acordo com o exposto, as culturas semeadas no 3
9
decêndio de
março e de maio apresentam probabilidade de escape das geadas; segundo da-
dos de Burgos, citado por MOTA (1982), o trigo é suscetível a danos por tempe-
ratura de 1 aC abaixo de zero durante a floração e de 2 aC abaixo de zero
durante a formação do grão, condições essas com maior probabilidade de ocor-
rência das semeaduras do 2
9
decêndio de
abril,
quando as plantas se encontra-
vam no estádio de pleno florescimento em junho-julho.
Verificou-se, portanto, que a primeira época de semeadura representou
as condições ideais quanto ao clima da região para a produtividade de grãos, pois
apresentou uma produtividade média de 1.449kg/ha, diferindo das outras épocas
pelo teste de Duncan a 5% (Quadro 1).
Entre os cultivares estudados, pode-se destacar, na 1
§
época, CNT 7,
BR 1, Paraguay
281,
CNT 8, BH 1146, IAC 18 e IAC 5, queo diferiram entre si
pelo teste de Duncan a 5%.
A correlação entre as produções médias de grãos dos cultivares
estu-
dados, em 1981-85, nas três épocas de semeadura consideradas, apresentou r =
0,673 significativo a
1%
entre a 1
ã
e a 2- época; entretanto, entre a1
?
ea3-,e
entre a2-ea 3
§
, as correlaçõeso foram significativas: r = 0,107 e r = 0,296
respectivamente.
A maior produtividade média de grãos para os anos em estudo, inde-
pendente das épocas, foi de
1.910kg/ha
para o de 1981, diferindo das demais
médias pelo teste de Duncan a 5%, seguida de 1985, com 1.508kg/ha, e de 1984,
com 1.005kg/ha, que diferiram de 1983 e 1982, considerados climaticamente
inaptos à cultura devido ao excesso de umídade, 766kg/ha e
741
kg/ha respecti-
vamente.
As leituras de 1983 foram muito prejudicadas devido â ocorrência acima dos índices normais de helmintospo-
riose;
portanto,o foram incluídas no quadro; em 1985, na semeadura de 1- e 3
?
época,o
ocorreu
a
doença.
S = suscetfvel; MS = moderadamente suscetfvel; MR = moderadamente resistente; t = traço.
No quadro 4 encontra-se a frequência da ferrugem-da-folha no período:
somente o cultivar IAPAR 1 apresentou resistência à patogenicidade da moléstia,
considerando que ataques severos ocorreram em 1983 e, principalmente, em
1982 (BARCELLOS, 1985). Os cultivares que apresentaram maior suscetibilidade
ao patógeno causador da moléstia foram o IAC 5, IAC 13, IAC 17, INIA 66 e PAT
24.
A ocorrência de ferrugem-do-colmo - Quadro 5 - de acordo com as
lei-
turas realizadas no período, confirma os resultados obtidos por COELHO (1986),
que mostrou existir nas diferentes regiões alterações de frequência do agente
causal da moléstia de acordo com o ano, podendo ocorrer o aparecimento de no-
vas raças.o apareceu a moléstia quando o experimento foi semeado nas três
épocas de plantio de 1983 e 1984 e nas duas primeiras de 1985. Nas semeadu-
ras efetuadas no 2
9
decêndio de abril {2- época de plantio), em 1981 e 1982, no
3
9
decêndio de março, em 1982, e no 3
9
decêndio de maio de 1981-85, ocorreu
com maior intensidade o ataque do fungo causador da ferrugem-do-colmo. Entre
os cultivares que apresentaram maior suscetibilidade, aparecem o BH 1146, IAC
5, IAC 17, IAC 18, Nambu e BR 1; com resistência moderada ao agente causal,
os cultivares CNT 8, INIA 66 e PAT 24.
A ocorrência de manchas foliares, causadas por Helminthosporium sp.,
Septoria nodorum Berk.e Septoria tritici Rob. ex. Desm., sofre muita influência da
umidade na resistência dos cultivares aos organismos que causam essas molés-
tias,
segundo LUZ (1982) e FELÍCIO et ai. (1986). No quadro 6, verifica-se que a
presença dos agentes causais de manchas foliares nas plantas de trigo foram
muito mais intensas na 3
§
época de semeadura de 1982 e 1
§
época de 1983,
quando apareceram também nas espigas. Essas observações coincidiram nos pe-
ríodos com precipitações consideradas fora da média da região para a época,
proporcionando umidade excessiva que veio favorecer a incidência dessas molés-
tias acima dos seus índices normais anuais'(Figuras 1 a 5).o se verificou, por-
tanto,
resistência dos cultivares estudados a essa condição de ataque dos agen-
tes causais das manchas foliares.
Para a altura média das plantas - Quadro 7 - a análise estatística apre-
sentou efeito altamente significativo para tratamento,& = 4,36, mostrando que
pelo menos um contraste entre médiaso é nulo; 'PAT 24' apresentou o porte
mais alto, 104cm, e o 'El Pato', o mais baixo, 63cm. O efeito das épocas de
semeadura apresentou-se altamente significativo, # =
2,31.
A maior altura das
plantas foi encontrada para a 2
5
época, queo diferiu da 1
§
pelo teste de Dun-
can a 5%. Ao correlacionar-se a altura média dos cultivares com a produção de
grãos para cada época, obtiveram-se somente associações significativas para a
1§
e
2- época, mostrando que os cultivares que apresentaram porte mais alto
foram também os de melhores produções. Considerando a 3- época,o houve
correlação significativa (r = 0,256), indicando que a altura da plantao influen-
ciou na produtividade.
A análise conjunta das épocas estudadas - Quadro 8 - quanto ao peso
hectolítrico, apresentou efeitos altamente significativos para cultivares e para
épocas. As médias da 1
§
e da 2- épocao diferiram entre si, sendo que a 3-
apresentou o índice de peso hectolítrico mais baixo, diferindo, portanto, das outras
pelo teste de Duncan a 5%.
No quadro 9, encontra-se o peso de mil sementes obtido dos ensaios
semeados entre 1981 e 1984. A análise conjunta desses dados demonstrou efeito
altamente significativo para cultivares e época. O peso médio de mil grãos, na
primeira época, foi de 34,22 gramas, diferindo da 2- época, com um peso médio
de 32,00 gramas, e esta diferiu da 3- época, com peso médio de 27,01 gramas,
pelo teste de Duncan a 5%. Entre os cultivares estudados o 'El Pato' apresentou
o menor peso de mil sementes e o 'PAT 24', o maior.
No quadro 10, encontram-se as correlações entre as médias de produ-
ção de grãos dos cultivares no quinquénio, independente da época de plantio, e a
altura média, o peso hectolítrico e o peso de mil sementes e as correlações entre
o peso de mil sementes e o peso hectolítrico. Considerando a correlação entre a
produção de grãos e a altura média das piantas, os cultivares IAC 17 e BR 1
apresentaram correlações positivas e significativas ao nível de 5%, demonstrando
que,
para esses cultivares, a altura da planta influenciou no rendimento de grão.
Por outro lado, a correlação obtida entre a produção de grãos e o peso hectolítrico
demonstrou que o peso hectolítricoo influenciou no rendimento dos cultivares
BH 1146, CNT 8, El Pato, IAC 18, INIA 66, Moncho BSB e PAT 7219. A corre-
lação entre a produção e o peso de mil sementes apresentou resultado significa-
tivo para todos os cultivares, mostrando ser o peso de mil sementes um dos
componentes da produção para o qual se deve dar maior atenção. A correlação
entre o peso hectolítrico e o peso de mil sementes no quinquénio somenteo foi
significativa para o 'El Pato'. Este cultivar apresentou correlação significativa entre
produção e peso de mil sementes. O peso de mil sementes, à vista dos dados ob-
tidos no presente trabalho, seria o componente da produção que melhor poderia
expressar uma diferença entre os componentes em estudo, para definir o melhor
cultivar para determinada época de semeadura.
4.
CONCLUSÕES
1) A melhor época de semeadura para a cultura do trigo na região de
Capão Bonito foi representada pelo 3
9
decêndio de março
(1
9
época).
2) Os cultivares de trigo CNT 7, BR 1, Paraguay
281,
CNT 8, BH 1146,
IAC 18 e IAC 5 apresentaram as melhores produções de grãos na 1
§
época de
semeadura.
3) O melhor ano entre os cinco estudados foi o de
1981,
que apresentou
as condições climáticas ideais na região para a triticultura.
4) O 1APAR 1' apresentou resistência ao agente causal da ferrugem-da-
folha,
enquanto os cultivares IAC 5, IAC 13, INIA 66 e PAT 24 exibiram a maior
suscetibilidade.
5) Para o agente causal da ferrugem-do-colmo, apresentaram resistên-
cia moderada os cultivares CNT 8, INIA 66 e PAT 24, e suscetibilidade, BH 1146',
'IAC 5', 'IAC 17', 'IAC 18', 'Nambu' e 'BR 1'.
6) A ocorrência dos agentes causais de manchas foliares nas plantas
de trigo foram mais intensas na 3- época de semeadura de 1982 e na 1
ã
época
de 1983, quando se verificaram as maiores precipitações pluviais na região.
7) As plantas de trigo apresentaram diferença quanto ao porte (altura)
em função da época de semeadura.
8) Entre os componentes da produção, peso hectolítrico e peso de mil
sementes, este último foi o componente da produção que melhor expressou dife-
renças entre os cultivares estudados.
SUMMARY
EVALUATION OF WHEAT CULTIVARS IN THREE SEEDING TIME
AT CAPÃO BONITO, STATE
OF
O PAULO, BRAZIL,
DURING THE PERIOD 1981-1985
This paper presents
the
behaviour
of
eighleen wheat cultivars
at
three seeding times
(21.
st
to
31
.
st
of
March,
10.
th
to
20.
th
of
April
and
20.
tn
to
30.
tn
of May) in
experiments carried
out at
Capão Bonito Experi-
mental Station, State
ofo
Paulo, Brazil,
in the
period 1981-1985. Grain
yield,
disease resistance, plant height, hectolitric weight, 1000 grain weight
wére evaluated
for
each experiment. Soil water availability was obtained
by
water balances taken
at
each ten days, considering 125 mm
as
the soil water
retention capacity.
The
results showed that
the
seeding time from
21.
st
to
31
.
st
of
March was the best considering grain
yield.
The disease occurrence
was influenced
too
much
by
climatic conditions, meanly caused
by
Helmin-
thosporium sp.
The
cultivars
CNT 7, BR 1,
Paraguay
281,
CNT 8, BH 1146,
IAC
18
and
IAC 5
presented high grain yield
at
the seeding time from
21
.
st
to
-
-
i3t.^ncrHv1arctr,~aTTdTf was
^
Tatl
varieties exhibited
the
best grain yield
at he
first and second seeding times.
Grain yield
was
correíated positively with
1000
grain weight, showing this
character
to be a
good paramether
to
express
the
yield potential
of a
wheat
cultivar seeded at three different times.
Index
terms:
wheat
cultivar,
water
balance,
leaf and stem rust,
Helminthosporium
sp.,
plant
height, 1000 grain weight
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Article
Full-text available
O objetivo deste trabalho foi estudar o processo germinativo dos grãos na espiga, o rendimento de grãos, a adaptabilidade e a estabilidade em genótipos de trigo (Triticum aestivum L.) sensíveis às variações ambientais. Os experimentos foram instalados no Núcleo Experimental do Instituto Agronômico, em Campinas, SP, no período de 1996 a 1998. A germinação na espiga foi avaliada pelo método do "Falling Number", que consiste em determinar o nível de atividade da alfa-amilase nos grãos. A segunda e a terceira colheitas foram realizadas ao sete e quatorze dias após a primeira colheita. O atraso da colheita determinou redução no rendimento, notadamente na terceira colheita; os teores de alfa-amilase foram maiores também na terceira colheita, em virtude da degradação dos grãos expostos ao tempo. O genótipo IAC 289 apresentou adaptabilidade a ambientes favoráveis, mas apresentou suscetibilidade à ocorrência de germinação dos grãos na espiga. Os genótipos IAC 24, Mochis, IAC 370 e IAC 351 foram os mais resistentes à germinação dos grãos na espiga, apresentando baixa atividade de alfa-amilase.
Article
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Visando estudar o comportamento de cultivares de trigo recomendados para solos com ou sem alumínio nocivo na camada arável, juntamente com outros cultivares comerciais, foram realizados vários ensaios nas regiões tritícolas paulistas no biênio 1979/80. Nos experimentos em solos com alumínio, somente 'IAC-21' e 'BR-4' apresentaram produções médias superiores à testemunha 'BH-1146', enquanto nos solos sem alumínio os cultivares Tucano, Anahuac, El Pato, Mitacoré, Aracatu, Sema 220, MR 74042 e MR 74501 alcançaram as melhores médias de produção. Entre os cultivares comerciais testados, IAC-13, INIA-66, Itapua-5, PAT-24, IAC-17, IAC-5, BH-1146 e Tobari-66 revelaram as melhores produções, variando de acordo com a região. De maneira geral, em condições de campo, os cultivares PAT-24, IAC-13, INIA-66, CNT-8, Alondra, MR-74044, MR 74501 e Sparrow "S" apresentaram os menores índices de infecção de Puccinia graminis f. sp. tritici. Com relação à ferrugem da folha (P. recondita), os cultivares IAPAR-1 (Mitacoré), IAPAR-3 (Aracatu), Alondra e CNT-8 tiveram os mais baixos índices de infecção.
Article
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A caracterização da ocorrência de veranicos para o trigo baseou-se no atendimento da demanda hídrica "ideal" nas diversas fases fenológicas da cultura. Essa demanda foi estimada para períodos de dez dias, variando-se a época de plantio de março a maio, para diferentes regiões paulistas. Considerando-se o déficit de água no solo, caracterizado pela menor probabilidade de atendimento da demanda ideal, como fator limitante à produtividade, foi possível, em primeira aproximação, comparar em nível de região essas probabilidades de atendimento hídrico durante o ciclo da cultura. Para o cálculo dessas probabilidades, foi utilizada a distribuição gama-reduzida, com o parâmetro de forma g = 1 (distribuição tipo jota invertido). As regiões de Vale do Paranapanema e do Sudoeste do Estado de São Paulo apresentaram probabilidades de atendimento hídrico superiores às demais, indicando como melhor época de plantio o período 11 de março - 1° de abril.
Resistência de cultivares de trigo em experimentação ou cultivo no Rio Grande do Sul, às principais doenças fúngicas
  • W Scharam
  • W S Fulco
  • M H G Soares
  • A W Almeida
SCHARAM, W.; FULCO, W.S.; SOARES, M.H.G. & ALMEIDA, A.W.P. Resistência de cultivares de trigo em experimentação ou cultivo no Rio Grande do Sul, às principais doenças fúngicas. Agronomia Sul Rio-Grandense, Porto Alegre, 10:31-39, 1974.
Las heladas em la Argentina
  • J J Burgos
BURGOS, JJ. Las heladas em la Argentina. Buenos Aires, INTA, 1963. 388p. (Colec¬ ción Científica del INTA)
Curso de estatística experimental. Piracicaba, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz
  • F P Gomes
GOMES, F.P. Curso de estatística experimental. Piracicaba, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", 1970. 430p.
Regiões de trigo no Brasil. 1 ? aproximação agrícola. Pelotas, Serviço Gráfico do IBGE
  • R E Kalckmann
  • A A G Arruda
  • F Hoetgebaum
  • W Popa
  • G Baldanzi
  • L C Godoy
  • De
KALCKMANN, R.E.; ARRUDA, A.A.G.; HOETGEBAUM, F.; POPA, W.; BALDANZI, G. & GODOY, L.C. de. Regiões de trigo no Brasil. 1 ? aproximação agrícola. Pelotas, Serviço Gráfico do IBGE, 1965. 104p. (Estudos técnicos, 28)
Influência do período de umidificação pós-inoculação na reação de cultivares de trigo à mancha foliar (Cochliobolus sativus)
  • W C Luz
  • Da
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Clima e zoneamento para a triticultura no Brasil
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MOTA, F.F. da. Clima e zoneamento para a triticultura no Brasil. In: TRIGO no Brasil. Campinas, Fundação Cargill, 1982. v.1, p.29-92.
Resistência de cultivares de trigo em experimentação ou cultivo no Rio Grande do Sul, às principais doenças fúngicas
  • SCHARAM W