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Ensino do marketing empreendedor: descrição e análise comparativa de experiências realizadas em duas regiões brasileiras

Authors:

Abstract

Os métodos instrucionais no processo de ensino do empreendedorismo têm sido questionados na literatura sobre educação empreendedora por serem basicamente de reprodução (BÉCHARD, 2000; SOUZA et al., 2004), o que contraria a necessidade de criação de um ambiente propício à aprendizagem do empreendedorismo, por meio da utilização de técnicas alternativas como estudos de casos, jogos e teatro popular (SOUZA et al., 2004). A partir dessa discussão sobre a educação empreendedora e as contribuições de novas técnicas de ensino, o presente artigo tem como objetivo descrever e avaliar dois projetos de ensino do empreendedorismo, mais especificamente, do marketing empreendedor (MORRIS; SCHINDEHUTTE; LAFORGE, 2002). O primeiro realizado em 2009 na Universidade Federal de Rondônia envolvendo 90 alunos, e outro realizado em 2011, com 38 alunos da Universidade Federal de Goiás. Para a investigação científica do trabalho optou-se pela abordagem metodológica de estudo exploratório e descritivo para avaliar, por meio de questionário estruturado, a percepção dos estudantes sobre os projetos analisados. Dessa forma os resultados obtidos demonstraram que as experiências vivenciais contribuem de maneira significativa para a formação de estudantes do ensino superior em Administração ou representam uma opção efetiva de ensino do empreendedorismo.
Ensino do marketing empreendedor: descrição e análise comparativa de experiências realizadas
em duas regiões brasileiras / Education marketing entrepreneur: description and comparative
analysis of experiments conducted in two brazilian regions
Revista da Micro e Pequena Empresa, Campo Limpo Paulista, v.6, n.3, p.58-73, 2012 (Set/Dez)
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Ensino do marketing empreendedor: descrição e análise comparativa de experiências
realizadas em duas regiões brasileiras
Education marketing entrepreneur: description and comparative analysis of experiments
conducted in two brazilian regions
Ricardo Limongi
Universidade Federal de Goiás
ricardolimongi@gmail.com
Marcelo Ferreira Tet
Universidade Federal de Goiás
mftete2003@yahoo.com.br
Marcos Inacio Severo de Almeida
Universidade Federal de Goiás
misevero@yahoo.com.br
Candido Borges
Universidade Federal de Goiás
candidoborges@gmail.com
Resumo
Os métodos instrucionais no processo de ensino do empreendedorismo têm sido questionados na
literatura sobre educação empreendedora por serem basicamente de reprodução (BÉCHARD,
2000; SOUZA et al., 2004), o que contraria a necessidade de criação de um ambiente propício à
aprendizagem do empreendedorismo, por meio da utilização de técnicas alternativas como estudos
de casos, jogos e teatro popular (SOUZA et al., 2004). A partir dessa discussão sobre a educação
empreendedora e as contribuições de novas técnicas de ensino, o presente artigo tem como
objetivo descrever e avaliar dois projetos de ensino do empreendedorismo, mais especificamente,
do marketing empreendedor (MORRIS; SCHINDEHUTTE; LAFORGE, 2002). O primeiro
realizado em 2009 na Universidade Federal de Rondônia envolvendo 90 alunos, e outro realizado
em 2011, com 38 alunos da Universidade Federal de Goiás. Para a investigação científica do
trabalho optou-se pela abordagem metodológica de estudo exploratório e descritivo para avaliar,
por meio de questionário estruturado, a percepção dos estudantes sobre os projetos analisados.
Dessa forma os resultados obtidos demonstraram que as experiências vivenciais contribuem de
maneira significativa para a formação de estudantes do ensino superior em Administração ou
representam uma opção efetiva de ensino do empreendedorismo.
Palavras chave: Empreendedorismo; Educação Empreendedora; Marketing Empreendedor
Abstract
The instructional methods in the teaching of entrepreneurship have been questioned in the
literature on entrepreneurial education because they basically play (BECHARD, 2000; SOUZA et
al., 2004), which contradicts the need for creating an environment conducive to learning
entrepreneurship , through the use of alternative techniques such as case studies, and theater
popular games (SOUZA et al. 2004). From this discussion on entrepreneurial education and the
contributions of new teaching techniques, this article aims to describe and evaluate two projects of
Ricardo Limongi, Marcelo Ferreira Tete, Marcos Inácio Severo de Almeida, Cândido Borges
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entrepreneurship education, more specifically, the marketing entrepreneur (MORRIS;
SCHINDEHUTTE; LAFORGE, 2002). First held in 2009 at the Federal University of Rondonia
involving 90 students, and another conducted in 2011 with 38 students of the Federal University
of Goiás For scientific research work was chosen methodological approach of exploratory and
descriptive study to evaluate, through structured questionnaire, students' perceptions about the
projects analyzed. Thus the results demonstrated that the life experiences contribute significantly
to the training of students in higher education administration or represent an effective option of
entrepreneurship education.
Keywords: Entrepreneurship, Entrepreneurial Education; Marketing Entrepreneur
1. INTRODUÇÃO
O crescimento da demanda pela aprendizagem do empreendedorismo é cada vez maior no
ensino superior (KATZ, 2003) e a tendência nas universidades é ampliar seus programas de ensino
do empreendedorismo e elaborar currículos especificamente concebidos para os estudantes dessa
disciplina (KURATKO, 2004). Essas constatações podem também ser evidenciadas após a
publicação de Entrepreneurship and Higher Education (POTTER, 2008), obra patrocinada pela
OCDE que trata especificamente do papel das instituições de ensino superior na educação
empreendedora.
O empreendedor pode ser identificado, segundo Shook et al. (2003), como alguém cujo
comportamento é associado à inovação, à ação e à criação de novos produtos e negócios. No
entanto, essas características parecem não fazer parte dos métodos de ensino de
empreendedorismo abordados nas instituições universitárias, onde ainda prevalecem as técnicas
tradicionais de transmissão de conhecimento (ANDERSON et al., 2001; MCKEACHIE; HOFER,
2002). Béchard (2000), em uma avaliação de 146 cursos em países de cinco continentes, assim
como Souza et al. (2004), em uma pesquisa acerca dos métodos e técnicas de ensino do
empreendedorismo adotados em universidades brasileiras, chegaram à essa mesma conclusão.
Diante dessa realidade, alguns pesquisadores da educação empreendedora apontam a
necessidade e a importância do desenvolvimento e aplicação de métodos e técnicas de ensino
alternativos, capazes de facilitar a experiência empreendedora, em vez da simples reprodução de
conteúdos (BÉCHARD, 2000; KATZ, 2003; RAMOS; FERREIRA, 2004; SOUZA et al., 2004).
Nesse sentido, surgem como opções técnicas vivenciais de ensino, tais como os modelos de
aprendizagem experiencial (DALY, 2001; LEITCH; HARRISON, 1999; SEXTON; UPTON,
1987) e simulações de criação de novos negócios (CLOUSE, 1990; KELMAR, 1992).
Especificamente no Brasil, a literatura sobre educação empreendedora parece estar limitada
ao estudo do processo de aprendizagem das habilidades empreendedoras (CARVALHO FILHO et
al., 2005; PEÑALOZA et al., 2008; PERERA et al., 2008), em vez da descrição ou avaliação da
aplicação e efetividade de técnicas não tradicionais de ensino do empreendedorismo. Outra
constatação diz respeito à ausência de pesquisas que procurem verificar a influência das técnicas
de ensino sobre a propensão de empreender, bem como sobre a aquisição e desenvolvimento de
conhecimentos, habilidades e atitudes.
Com o propósito de preencher essa lacuna na pesquisa acadêmica brasileira, o presente
artigo tem como objetivo descrever e avaliar comparativamente dois projetos de ensino do
empreendedorismo, baseados em técnicas experienciais, que foram desenvolvidos em estados e
regiões diferentes do país. Um dos projetos foi conduzido em 2009 e envolveu 90 alunos de
graduação de duas turmas distintas do curso de Administração da Universidade Federal de
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Rondônia; o outro foi realizado em 2011, com 38 alunos da graduação em Administração da
Universidade Federal de Goiás.
Em comum, esses projetos tiveram a característica de explorar a interface do
empreendedorismo com o marketing que, gradualmente, vem dando corpo a uma literatura
acadêmica específica: o marketing empreendedor (CARSON, 1999; CARSON, 2010; GILMORE;
COVIELLO, 1999; MORRIS et al., 2002; STOKES, 2000b; USLAY; TEACH, 2008). Entretanto,
cada um deles foi desenvolvido em contextos e com objetivos e conteúdos diferentes.
Assim, com base na observação de Pittaway e Cope (2007), de que faltam pesquisas que
comparem métodos de ensino do empreendedorismo em diferentes contextos, um estudo
descritivo e exploratório foi levado a efeito, utilizando um questionário ex-post facto, com o
objetivo de avaliar o impacto dessas experiências na aquisição de conhecimentos e na modificação
de atitudes relacionadas ao empreendedorismo e ao marketing pelos alunos envolvidos em ambos
os projetos. Os resultados obtidos de cada projeto foram, então, comparados a partir de três
principais momentos: antes, durante e depois dos projetos, com o foco em encontrar semelhanças
e discrepâncias.
O artigo está estruturado da seguinte forma: no aspecto teórico, discute-se a fronteira
integradora entre empreendedorismo e marketing e, ainda, a evolução da educação empreendedora
e as metodologias de ensino do empreendedorismo estudadas. Os projetos de ensino conduzidos
em 2009 e 2011, respectivamente, são apresentados na seção seguinte. A metodologia adotada
para realização da pesquisa é apresentada na quarta seção do artigo e, na seção seguinte, são
discutidos os resultados obtidos a partir das duas experiências. A última seção aponta as principais
contribuições da pesquisa, bem como oportunidades para trabalhos futuros.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 A interface entre os campos do Empreendedorismo e do Marketing: o Marketing
Empreendedor
Mudanças no cenário macro ambiental foram responsáveis por uma reconfiguração das
práticas mercadológicas adotadas pelas organizações. Fatores emergentes como a economia do
conhecimento, globalização de indústrias, fragmentação de mercados e a transferência de poder
aos consumidores indicaram os caminhos de novas trajetórias para a disciplina de marketing
(DAY; MONTGOMERY, 1999), que incluem novas arquiteturas organizacionais, sob formas de
parcerias estratégicas e formação de redes para entrega de valor superior (WEBSTER, 1992).
Esses fatores desencadearam questionamentos sobre a aplicabilidade prática de pesquisas
científicas sobre o assunto (TAPP, 2004) e esforços no sentido de compreender a gestão das
atividades mercadológicas em contextos específicos como, por exemplo, no contexto
empreendedor (COLLINSON; SHAW, 2001; HILLS; HULTMAN; MILES, 2008; MORRIS;
SCHINDEHUTTE; LAFORGE, 2002; STOKES, 2000b).
Desse modo, um tema que recebe cada vez mais destaque é a interface entre os campos de
estudo do marketing e do empreendedorismo (CARSON, 1999; CARSON, 2010; GILMORE;
COVIELLO, 1999; MORRIS; SCHINDEHUTTE; LAFORGE, 2002; STOKES, 2000b; USLAY;
TEACH, 2008). As gradativas contribuições do empreendedorismo e da inovação para o
marketing consolidaram tentativas de combinar as duas disciplinas em um só constructo, que
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alguns autores classificaram como marketing empreendedor (MORRIS; SCHINDEHUTTE;
LAFORGE, 2002; STOKES, 2000a). Definido como:
“[...] a identificação proativa e exploração de oportunidades para adquirir e reter
consumidores rentáveis através de abordagens inovadoras de gestão do risco,
alavancagem de recursos e criação de valor” (MORRIS; SCHINDEHUTTE;
LAFORGE, 2002, p. 5), o marketing empreendedor envolve processos de
decisão mais curtos, precedidos por poucos procedimentos formalizados
(COLLINSON; SHAW, 2001; FILLIS, 2002), que diferem do
conhecimento consolidado em livros-texto do que se conhece como
“marketing tradicional” (HILLS; HULTMAN; MILES, 2008; STOKES,
2000b).
Carson (1999) e Collinson e Shaw (2001) revelam a existência de três áreas de interface
nos dois campos do conhecimento. Ambos são orientados para a mudança e para a oportunidade e
são inovadores nas abordagens de gestão. Essa aproximação aponta para duas necessidades,
relacionadas à pesquisa e ao ensino do marketing empreendedor: pesquisadores devem construir
metodologias que sejam capazes de permitir a observação do fenômeno de perto (GILMORE;
COVIELLO, 1999) e educadores devem elaborar procedimentos de ensino participativos, que
possam encorajar estudantes a lidar com a mudança, identificar oportunidades e desenvolver
habilidades (COLLINSON; SHAW, 2001).
Métodos de aprendizagem inovadores que estimulam experiências práticas de transferência
de habilidades para futura inserção no mercado de trabalho são importantes para a educação em
administração em geral (O’BRIEN; HART, 1999) e para o marketing empreendedor no particular,
principalmente se for levado em consideração que as decisões mercadológicas nesse contexto
fazem parte de um conjunto, concomitantes à gestão holística do negócio (GILMORE;
COVIELLO, 1999).
2.2 Reflexões sobre a evolução da Educação Empreendedora
Como fenômeno paralelo ao reconhecimento do marketing empreendedor como um campo
de estudo emergente, determinados autores argumentam que o empreendedorismo representa o
motor que impulsiona a economia de diversas nações. Como consequência, programas
educacionais vêm sendo desenvolvidos em todo o mundo, que de alguma forma procuram
encorajar e fomentar a cultura empreendedora (GORMAN; HANLON; KATZ, 2003; KING,
1997). Essa evolução foi acompanhada de modificações estruturais na educação, como a
reorganização de fluxos curriculares, criação de programas, disciplinas e cursos relacionados à
atividade empreendedora (KURATKO, 2004; PEÑALOZA et al., 2008). A justificativa para esse
fenômeno encontra respaldo na investigação científica acerca do fato de que o empreendedorismo
possa ser positivamente influenciado por programas educacionais ou ensinado de alguma forma
(GORMAN; HANLON; KING, 1997; RONSTADT, 1985).
Há, no entanto, um questionamento na literatura acadêmica sobre as formas de transmissão
de conhecimentos do empreendedorismo por meio de métodos instrucionais. A preferência por
procedimentos tradicionais no ensino universitário, que não dão espaço para a inovação e a criação
(ANDERSON et al., 2001; MCKEACHIE; HOFER, 2002), se estendeu para o ensino específico
do empreendedorismo, segundo avaliação realizada por Béchard (2000) na França, Solomon,
Duffy e Tarabishy (2002) nos Estados Unidos e por Souza et al. (2004) no Brasil. Os métodos
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instrucionais no processo de ensino do empreendedorismo são basicamente de reprodução, como
aulas expositivas, conteúdos modulares, exercícios repetitivos e recomendações de leituras
(BÉCHARD, 2000; SOUZA et al., 2004), que contrariam a necessidade de criação de um
ambiente propício ao empreendedorismo, por meio da utilização de técnicas como estudos de
casos, jogos e teatro popular (SOUZA et al., 2004). Ou seja: as duas questões relacionadas a essa
temática propostas por Ronstadt (1985) permanecem em aberto: quais os conteúdos apropriados e
como estes devem ser ensinados?
Não causa estranheza, portanto, o fato de um grupo de pesquisadores defenderem a
incorporação de métodos instrucionais alternativos ou inovadores capazes de facilitar a vivência
do processo de empreender e desenvolver competências atitudinais e cognitivas do indivíduo
empreendedor (ARONSSON, 2004; BÉCHARD, 2000; KATZ, 2003; RAMOS; FERREIRA,
2004; SOUZA et al., 2004). Entre as técnicas aplicadas no contexto do ensino do
empreendedorismo destacam-se, por exemplo, diferentes modelos de aprendizagem experiencial
(DALY, 2001; LEITCH; HARRISON, 1999; SEXTON; UPTON, 1987) e simulações práticas de
desenvolvimento de novos negócios (CLOUSE, 1990; KELMAR, 1992).
No Brasil, pesquisadores iniciaram tentativas de compreender o processo de aprendizagem
de habilidades e características empreendedoras de estudantes do ensino superior. Carvalho Filho
et al. (2005) identificaram a presença de um grupo de características comportamentais no grupo de
alunos com intenção de empreender. Perera et al. (2008) concluíram que estudantes do curso de
administração são capazes de adquirir características empreendedoras através de ensinamentos
acadêmicos e que estes são responsáveis por influenciar, parcialmente, capacidade de liderança e
habilidades para geração de novos negócios. Em investigação semelhante conduzida na cidade de
Fortaleza, Peñaloza et al. (2008) identificaram o que pode ser considerado um paradoxo: alunos do
curso de graduação em Gestão Empreendedora perceberam negativamente fatores associados aos
tipos de atividades empreendedoras e positivamente fatores que representam remuneração como
principal incentivo e estabilidade no emprego.
Os resultados dessas pesquisas revelam que, no Brasil, a preocupação se limita ao processo
de aprendizagem de habilidades empreendedoras. Não são encontradas na literatura acadêmica
nacional investigações que descrevam o uso ou avaliam a efetividade de métodos alternativos de
ensino do empreendedorismo. Uma segunda consideração sobre o campo temático é a inexistência
de estudos que determinem a influência de técnicas instrucionais sobre a propensão de empreender
e aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes. Se por um lado o conhecimento produzido
admite que a educação empreendedora promove impactos na propensão e intenção de empreender,
por outro permanece obscuro o grau de contribuição para a atuação efetiva desses estudantes no
contexto empreendedor (PITTAWAY; COPE, 2007). Um dos motivos, segundo Pittaway e Cope
(2007), seria a ausência de pesquisas destinadas a comparar a aplicação de métodos instrucionais
em diferentes contextos, como regiões ou países.
3. MÉTODO
O objetivo principal da pesquisa consistiu em comparar duas experiências de ensino do
empreendedorismo realizadas em instituições de ensino superior, no caso uma em Rondônia
(Projeto FEIMARC) e outra em Goiás (Projeto Empadão Goiano).
Ricardo Limongi, Marcelo Ferreira Tete, Marcos Inácio Severo de Almeida, Cândido Borges
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Para que a comparação entre as experiências pudessem ser observadas, foi estabelecida a
premissa de que os projetos deveriam ter envolvimento de alunos do mesmo curso – no caso
graduação em Administração, como forma de corroborar os estudos de Perera et al. (2008), que
afirmam que os estudantes deste curso podem desenvolver características empreendedoras a partir
de ensinamentos acadêmicos.
A abordagem metodológica utilizada para a investigação foi um estudo exploratório, cujo
objetivo foi compreender o fenômeno investigado, e posteriormente descritivo, para avaliar a
percepção dos projetos analisados a partir do envio de questionários.
Nos projetos analisados foram identificados o total de 128 alunos, cuja distribuição obtida
foi a seguinte: 90 estudantes do Projeto FEIMARC, sendo 41 do 6º período e 49 do 8º período, e
38 estudantes do Projeto Empadão Goiano.
A partir do total de alunos envolvidos, foi encaminhado via e-mail um endereço de acesso
on-line para preenchimento de um formulário eletrônico, que disponibilizava aos participantes um
questionário estruturado, mensurado através de escala Likert de cinco pontos e questões com
respostas binárias. O objetivo foi proporcionar análise da experiência e suas implicações em três
principais momentos: antes, durante e após o evento, tendo como viés principal o processo
empreendedor e de marketing. No Quadro 2, as categorias e escalas do questionário enviado são
apresentadas com o objetivo de elucidar os aspectos investigados na pesquisa.
Tabela 2- Categorias e escalas do questionário enviado
Categoria
Questões
Escala
Antes do projeto
Antes de participar do projeto
você havia participado de alguma
outra atividade de educação
empreendedora com a mesma
metodologia de ensino?
Binária: sim e não.
Antes de participar do projeto
você havia trabalhado em
alguma pequena empresa?
Binária: sim e não.
Antes de participar do projeto
você havia empreendido
algum negócio próprio?
Binária: sim e não.
Antes de participar do projeto
você havia participado da
criação de algum negócio de
outra pessoa?
Binária: sim e não.
Antes de participar do projeto
você havia participado da
criação de algum novo produto,
serviço ou processo em uma
organização para a qual você
trabalhou ou trabalha?
Binária: sim e não.
Durante o projeto
Ao longo da execução do
projeto...(FEIMARC OU
Empadão Goiano)
i) O desenvolvimento do produto
foi baseado em pesquisas formais
de necessidades do consumidor
ii) O desenvolvimento do
produto foi baseado em
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experiências de tentativa e erro
Ao longo do projeto...
(FEIMARC OU Empadão
Goiano)
i) Houve segmentação de
mercado, definição do mercado-
alvo e posicionamento do
produto/marca antes do
desenvolvimento do produto
ii) Houve a definição e
compreensão das necessidades
do consumidor de maneira
informal e somente após o
desenvolvimento do produto
Ao longo da execução do
projeto...
(FEIMARC OU Empadão
Goiano)
i) As ações foram desenvolvidas
com base na sequência
estruturada do marketing mix:
produto/preço praça/promoção
ii) As ações de marketing foram
definidas aleatoriamente,
baseadas no uso não estruturado
dos 4 P’s
Depois do projeto
Indique o grau de importância do
projeto para a sua formação
profissional como administrador
Extremamente Importante=5;
Totalmente sem importância=0
Indique o grau de importância do
projeto para a sua formação
empreendedora
Extremamente Importante=5;
Totalmente sem importância=0
Após sua participação no projeto
você participou da criação de
algum novo produto, serviço ou
processo em uma organização
para a qual você trabalhou ou
trabalha?
Binária: sim e não.
Após sua participação no projeto
o quanto você se sente capaz
para aplicar os conceitos de
empreendedorismo em sua vida
profissional?
Plenamente capaz=5; Totalmente
incapaz=0
Indique o seu grau de
concordância com a seguinte
afirmação: “A minha
participação no projeto
modificou positivamente a minha
atitude em relação ao
empreendedorismo”.
Concordo Plenamente=5;
Discordo Completamente=0
Indique o seu grau de
concordância com a seguinte
afirmação: “A minha
participação no projeto
modificou positivamente a minha
atitude em relação ao
Concordo Plenamente=5;
Discordo Completamente=0
Ricardo Limongi, Marcelo Ferreira Tete, Marcos Inácio Severo de Almeida, Cândido Borges
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marketing”.
Fonte: Dados da pesquisa
O total de respondentes foi de 74 alunos, o que representou aproximadamente 58% dos
estudantes envolvidos no projeto. Esse quantitativo foi considerado satisfatório pelos
pesquisadores, em virtude da dificuldade de retorno dos participantes. No entanto, a quantidade
obtida não se configura como uma amostra estatisticamente significativa.
4. ANÁLISE DOS RESULTADOS
Para a análise das experiências, os pesquisadores verificaram os resultados a partir dos três
principais grupos enviados no questionário: antes, durante e após o projeto, conforme sequência
discutida abaixo.
4.1 O Projeto Feira de Marketing de Cacoal (FEIMARC) em Rondônia
No início do segundo semestre letivo de 2009, foi proposto aos alunos do sexto e oitavo
períodos do curso de Administração da Universidade Federal de Rondônia respectivamente
matriculados nas disciplinas Pesquisa Mercadológica e Consultoria Empresarial, a realização de
um trabalho de aprendizagem experiencial batizado de Projeto FEIMARC (Feira de Marketing de
Cacoal). Baseado no conceito de learning by doing, o trabalho teve como objetivo geral integrar,
na prática, os campos do marketing e do empreendedorismo. Como objetivos específicos, buscou-
se aplicar as técnicas de pesquisa de marketing ao desenvolvimento de novos produtos, baseados
na sócio biodiversidade rondoniense, bem como à confecção dos respectivos planos de negócio
desses produtos. Como resultado final do trabalho, esperava-se o desenvolvimento de produtos de
valor agregado suficientemente apresentáveis para serem expostos e comercializados numa
pequena feira de negócios.
Essa atividade de aprendizagem experiencial foi idealizada e coordenada por apenas um
professor que, à época, ministrava ambas as disciplinas envolvidas. A proposta do Projeto
FEIMARC foi elaborada segundo a lógica “objetivo e tarefa”, ou seja, tanto as matérias-primas
quanto os produtos finais (chamados de produtos principais) foram previamente definidos pelo
professor com o objetivo de estabelecer um desafio que deveria ser superado pelos estudantes.
Desse modo, os estudantes do sexto período, matriculados na disciplina Pesquisa
Mercadológica, foram divididos em nove grupos, cada um ficando responsável pela transformação
de uma matéria-prima específica em um produto final principal. Adicionalmente, o professor
sugeriu aos grupos produtos secundários opcionais (não obrigatórios), que poderiam ser
desenvolvidos com base nas mesmas matérias-primas dos produtos principais, se assim os grupos
desejassem. A partir dessas definições, os grupos foram desafiados a elaborar e colocar em prática
projetos de pesquisa de marketing, a fim de coletar dados e informações sobre o processo
produtivo de seus produtos principais, bem como sobre o mercado-alvo destes. O Qudro 1
apresenta a lista de matérias-primas, produtos principais e produtos secundários idealizados para o
Projeto Feira de Marketing de Cacoal (FEIMARC).
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Quadro 1. Lista de matérias-primas, produtos principais e produtos secundários
Matéria Prima
Produto Principal
Cacau
Chocolate artesanal
Bambu
Móveis (cadeira, sofá)
Banana
Banana palha
Couro de peixe
Calçados
Babaçú/Buriti/Tucumã/Castanha
do Brasil
Óleo essencial
Palha de Buriti
Roupas
Cará/Batata doce
Fécula
Araçá-Boi/Cupuaçú/Polpa de
Tucumã
Suco concentrado
Café Conillon
Oleo essencial
Fonte: Dados do projeto
A opção por essas matérias-primas objetivou incorporar ao trabalho, ainda que de forma
discreta, a perspectiva do desenvolvimento sustentável, uma vez que o estado de Rondônia está
localizado na Amazônia Legal e é um dos mais desflorestados dessa região.
Lançado o desafio, os grupos do sexto período foram orientados a pesquisar sobre os
processos necessários para a produção dos produtos finais nas seguintes fontes de informação: i)
SBRT (Serviço Brasileiro de Normas Técnicas); ii) artigos científicos, livros e relatórios técnicos;
iii) websites de universidades e empresas; iv) contato com pesquisadores ou professores de
universidades da região; v) entrevistas pessoais com empreendedores e executivos locais com
experiência ou na produção/marketing de produtos similares ou em algum estágio do processo de
fabricação do produto final em questão.
Paralelamente às tarefas atribuídas aos nove grupos do sexto período, outros nove grupos
correspondentes foram formados na turma do oitavo período. A estes foi atribuído o desafio de
prestar serviços de consultoria aos primeiros. Ou seja, com base nos conceitos apreendidos na
disciplina Consultoria Empresarial, esses grupos receberam duas responsabilidades: i) apoiar os
grupos do sexto período nas atividades de pesquisa relativas ao processo de fabricação do produto
final (coleta de dados e informações) e; ii) redigir os planos de negócios para cada produto final
desenvolvido.
As duas turmas tiveram o semestre letivo para dar forma aos seus produtos e elaborar os
planos de negócios. A última fase do Projeto FEIMARC foi a organização da feira de negócios, o
evento culminante da aprendizagem experiencial idealizada para compartilhar com o corpo
discente da universidade e com a comunidade local os resultados dos esforços integrados de
marketing e empreendedorismo dos estudantes envolvidos na atividade. Graças a diversas ações
de divulgação promovidas pelos grupos de alunos (convites pessoais formais e informais,
informes em rádios e televisão e propagandas), mais de 300 visitantes compareceram à feira,
número que excedeu as expectativas de público. Além da exposição dos produtos principais e
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secundários desenvolvidos, os grupos tiveram que vendê-los e apresentar aos visitantes
interessados os detalhes dos planos de negócios.
Como última tarefa, os grupos do sexto período designaram membros específicos para
pesquisar o comportamento de compra dos visitantes, bem como seu nível de satisfação e intenção
de compra dos produtos expostos na feira. Após a feira, o professor coordenador do trabalho
recebeu cópias dos planos de negócios elaborados e a tabulação das pesquisas realizadas durante a
exposição dos produtos, para fins de correção e avaliação.
4.2 Projeto Empadão Goiano
Ao longo do primeiro semestre do ano de 2011, dois professores do curso de
Administração da Universidade Federal de Goiás, que lecionavam as disciplinas de Fundamentos
de Marketing e Administração da Produção e Operações para os alunos do quinto período do
curso, decidiram elaborar um projeto que pudesse inicialmente colocar em prática o conhecimento
das disciplinas supracitadas e contemplar as principais funções do Administrador, com um viés
prático e integrado com o processo empreendedor.
Para a realização do projeto, a primeira etapa foi a definição do segmento que os alunos
deveriam atender. O segmento escolhido foi o de fast food, mais especificamente o de venda de
empadões goianos (iguaria típica da culinária do estado de Goiás), em razão de dois principais
motivos: i) facilidade em trabalhar a identidade regional do produto; e ii) possuir características de
produção artesanal. Dessa forma, o produto fim esperado pelo projeto seria o empadão goiano e
deveria constar necessariamente entre seus ingredientes finais produtos regionais, como a
guariroba.
A partir da definição do segmento e produto a ser desenvolvido, os objetivos principais
definidos foram: i) elaborar um plano de marketing para viabilização e implementação de uma
rede de franquias de lojas e quiosques de empadão goiano em cidades do estado de Goiás com
potencial de mercado para o produto; ii) elaborar um plano de produção centralizada de empadões
para abastecimento da rede franqueada; e por fim iii) apresentar o conceito de franquia do
empadão goiano sob a forma de estande ou quiosque tematizado para exposição e comercialização
para um público estimado de 300 alunos da universidade, que compartilhavam o mesmo prédio de
salas de aula da turma envolvida no projeto.
O quinto período do curso de graduação em Administração possuía um total de 38 alunos
durante o projeto e, para operacionalizar as atividades, os professores dividiram a turma em três
grupos: planejamento, produção e marketing. O objetivo do grupo de planejamento foi elaborar
um plano das atividades de todo o projeto e gerenciar o cronograma de sua execução. O segundo
grupo (responsável pelas atividades de produção) se encarregou de desenvolver o empadão
goiano, desde a elaboração da massa até o teste com os diversos ingredientes. O terceiro grupo
(responsável pelas atividades de marketing) atuou na elaboração e tabulação das pesquisas
necessárias para o produto e sua comercialização, bem como na confecção do plano de marketing.
A partir do referencial teórico apresentado em sala de aula, os alunos começaram a
desenvolver o projeto, visando atender a etapa final: produção e comercialização para a
comunidade acadêmica. Para a comercialização dos produtos, algumas exigências foram feitas: a
matéria-prima do empadão e a massa não poderiam ser terceirizadas e sim elaboradas pelos
próprios alunos, de modo que estes pudessem vivenciar a elaboração de um produto da sua fase de
concepção até a sua venda. Como forma de proporcionar a visibilidade dessa etapa, foram
solicitados aos alunos o registro em vídeo e sua posterior divulgação em redes sociais.
Ensino do marketing empreendedor: descrição e análise comparativa de experiências realizadas
em duas regiões brasileiras / Education marketing entrepreneur: description and comparative
analysis of experiments conducted in two brazilian regions
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A produção e venda dos empadões ocorreram no final do semestre letivo, e o resultado foi
considerado satisfatório. Primeiramente, pelos estudantes terem comercializado todos os
empadões fabricados; por fim, pelo alto nível de satisfação dos consumidores com o produto e
com o modelo de comercialização (empadões personalizados preparados com combinações de
recheios ao gosto de cada cliente) e a formatação do ponto de venda, conforme apontou a pesquisa
feita pelos alunos durante a exposição do trabalho.
4.3. Antes do Projeto
Nesse grupo foram desenvolvidas cinco questões que abordavam o perfil dos alunos, bem
como experiências prévias com a metodologia e experiências empreendedoras. No aspecto de
experiência em atividades empreendedoras com a metodologia utilizada, obteve-se que a maioria
dos alunos envolvidos não teve contato prévio com a experiência, sendo um percentual de 95%, o
que tornou a técnica de ensino uma novidade na grade curricular dos cursos.
Em relação à experiência profissional prévia dos alunos, o resultado obtido foi divergente
entre as turmas no projeto FEIMARC. Para os alunos respondentes do sexto período, 52% não
tinha experiência anterior, enquanto 56% dos estudantes do oitavo período possuíam experiência
profissional; no caso dos estudantes de Goiás, 70% possuíam experiência profissional prévia. A
importância da experiência profissional, na visão dos pesquisadores, relaciona-se à existência de
opiniões e vivências diferentes, fato que pode ser considerado um ponto positivo para a
experiência.
A maioria dos alunos também não teve experiências empreendedoras, seja nos âmbitos do
próprio negócio, criação de produto ou processo de outra pessoa ou criação de novo produto na
empresa que trabalha. Para os alunos do Projeto FEIMARC, mais de 80% não tiveram contato
com o empreendedorismo, no âmbito da criação de negócio ou produtos, enquanto que 62% dos
participantes do Projeto Empadão Goiano não haviam empreendido um negócio próprio e 75%
não haviam participado da criação de novos produtos ou processos.
A partir dos resultados obtidos nessa categoria, foi possível verificar que estudantes do
curso de Administração possuem, em geral, pouca experiência profissional, seja própria ou com
terceiros. Esses dados sugerem a importância significativa dos Projetos FEIMARC e Empadão
Goiano duas técnicas de ensino que permitem vivência do processo de empreender para a
formação profissional, fato discutido na literatura em estudos anteriores (ARONSSON, 2004;
BÉCHARD, 2000; KATZ, 2003; RAMOS; FERREIRA, 2004; SOUZA et al., 2004).
4.4. Durante o projeto
Para identificar como os alunos tomaram decisões em relação aos negócios propostos nos
projetos, três questões foram levantadas. A primeira questão se referia ao desenvolvimento dos
produtos (se por tentativa e erro ou através de pesquisas formais).
Por se tratar de projetos aplicados a partir das disciplinas teóricas, esperava-se um alto
percentual de alunos que tomassem as decisões inerentes ao projeto a partir de estudos e
informações direcionadas pelo professor, porém outro resultado foi encontrado. Na turma do
sexto período do Projeto FEIMARC obteve-se que 85% dos alunos decidiram a elaboração dos
produtos através do processo de tentativa e erro, enquanto metade da turma dos estudantes que
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Revista da Micro e Pequena Empresa, Campo Limpo Paulista, v.6, n.3, p.58-73, 2012 (Set/Dez)
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estavam no final do curso oitavo período - afirmou que tal processo decisório ocorreu por meio
de pesquisas formais. Nesse caso específico, mesmo tendo cursado diversas disciplinas teóricas da
Administração nas quais se discute a importância das pesquisas, inclusive a disciplina de Pesquisa
Mercadológica, os estudantes não levaram em consideração as pesquisas formais para o
desenvolvimento do produto.
A segunda questão abordava se os alunos se preocuparam em desenvolver o projeto a partir
da segmentação a priori do mercado ou da compreensão das características do consumidor de
maneira informal e somente após a elaboração dos produtos. Como resultado, foi obtido que mais
de 70% dos alunos envolvidos nos dois projetos optaram por desenvolver os produtos a partir da
segmentação de mercado e definição do público-alvo, o que pode ser explicado pelas
características específicas propostas no projeto a partir dos produtos regionais propostos.
O aspecto mercadológico foi contemplado na terceira questão, que teve como foco
verificar se as ações de marketing foram estruturadas a partir de sua sequência estruturada os
4P’s (Praça; Preço; Produto; Promoção).
O resultado obtido foi que 60% dos alunos do sexto período e mais de 70% dos alunos do
oitavo período do Projeto FEIMARC desenvolveram seus produtos se preocupando com o
marketing mix produto/preço e praça/promoção. Resultado semelhante foi encontrado com os
estudantes do Projeto Empadão Goiano. Segundo opinião dos pesquisadores, esse resultado
demonstra que houve preocupação dos estudantes em alinhar o que seria comercializado para o
público discente ou a comunidade em geral.
4.5. Depois do projeto
O último grupo de questões avaliadas nos questionários teve como principal objetivo
identificar a contribuição da metodologia de ensino do empreendedorismo com os estudantes de
ambos os projetos.
As duas primeiras questões questionavam os alunos sobre o grau de importância do projeto
na formação profissional como administrador e empreendedor. Tais questões foram desenvolvidas
com o objetivo de identificar se o foco dos projetos contemplava as principais funções do
Administrador, a partir de um viés prático e integrado com o processo empreendedor.
Os resultados obtidos nessas duas questões indicaram que aproximadamente 60% de todos
os estudantes classificaram os projetos como importante, o que sugere que os participantes
conseguiram relacionar a experiência com as necessidades de sua formação profissional, bem
como a empreendedora.
Após identificar a contribuição da experiência através da metodologia dos projetos, os
alunos foram indagados se, após a experiência, haviam empreendido algum negócio próprio ou se
conseguiriam aplicar os conceitos de empreendedorismo e marketing vivenciados no decorrer dos
projetos. No quesito participação de algum novo produto após os projetos, aproximadamente 80%
do total continuou não tendo essa experiência profissional, enquanto que aproximadamente 57%
se sentiam relativamente capazes para aplicar os conceitos de empreendedorismo na vida
profissional; 61% se sentiam relativamente capazes no aspecto mercadológico.
Ensino do marketing empreendedor: descrição e análise comparativa de experiências realizadas
em duas regiões brasileiras / Education marketing entrepreneur: description and comparative
analysis of experiments conducted in two brazilian regions
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A questão referente à avaliação da contribuição das experiências para a modificação das
atitudes sobre empreendedorismo e marketing, 62% do total assinalou que as experiências
modificaram positivamente suas atitudes. Esse dado sugere que os projetos desenvolvidos
contribuíram, de alguma forma, para o modo como julgam ou lidam com o empreendedorismo e o
marketing
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O debate sobre o futuro das formas de educação empreendedora encontra respaldo na
literatura acadêmica internacional. Luczkiw (2008), por exemplo, aponta para uma mudança de
paradigma, que deve reconhecer a estrutura dinâmica do cenário global e o impacto dessa
mudança no ensino e no aprendizado. Essa constatação é compartilhada por Katz (2003), que
revela a existência de uma incerteza sobre a natureza desse novo paradigma. Esses argumentos
também despertam o interesse de pesquisadores brasileiros: em linhas gerais, uma demanda
pela aplicação de metodologias instrucionais favoráveis ao contexto empreendedor, baseadas na
discussão, reflexão (SOUZA et al., 2004) e experimentação, cujos resultados sejam mensurados
em termos de satisfação dos estudantes (RAMOS; FERREIRA, 2004).
O presente artigo contribui para essa discussão ao relatar duas experiências de ensino do
empreendedorismo baseadas em métodos vivenciais. Como tais experiências foram conduzidas em
contextos regionais distintos (nos estados de Rondônia e Goiás), a análise comparativa das
mesmas contribui, adicionalmente, para a diminuição da lacuna apontada por Pittaway e Cope
(2007), isto é, de que uma carência de pesquisas que comparem a aplicação de métodos de
ensino em diferentes contextos, como regiões ou países. Para esses autores, a realização de estudos
com esse foco pode ajudar a compreender como a educação empreendedora promove impactos na
propensão em empreender e na efetividade dos estudantes no contexto empreendedor.
Os dois projetos foram operacionalizados com um viés da formação do Administrador
para proporcionar o desenvolvimento de características empreendedoras. Desse modo, a aplicação
de questionários após a realização dos projetos de ensino permitiu que os resultados contribuíssem
também com a apresentação da percepção dos estudantes sobre as experiências de ensino.
Todavia, mesmo se tratando de projetos com objetivos diferentes, a experiência pode ser
interpretada como satisfatória pelos pesquisadores. Afinal, os projetos em sua execução contaram
com a participação maciça dos alunos, o que levanta a possibilidade de experiências vivenciais
contribuírem de maneira significativa para a formação de estudantes do ensino superior ou
representarem uma opção promissora para o ensino do empreendedorismo.
Como sugestão para futuros trabalhos, os autores destacam a importância de mensurar o
grau de contribuição de experiências de ensino desse gênero após a saída dos estudantes da
universidade: estudos comparativos seriam adequados para apresentar a evolução de
conhecimentos, habilidades e atitudes relacionadas ao empreendedorismo de acordo com a
formação profissional do estudante.
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Ricardo Limongi, Marcelo Ferreira Tete, Marcos Inácio Severo de Almeida, Cândido Borges
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... Conforme Limongi et al. (2012), quando questiona-se os motivos pelo qual algumas pessoas se destacam, conseguimos descobrir oportunidades empreendedoras enquanto outras não. ...
... Em inglês, utiliza-se o vocábulo francês para denominar novos empresários e pessoas que se estabelecem por conta própria (Pimentel, et al., 2012). Limongi et al. (2012), faz uma referência importante sobre a primeira e a segunda categoria. ...
Conference Paper
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Os novos empreendedores no ramo de Pet Shop enfrentam um mercado bastante concorrido, tendo como seu maior obstáculo, a falta de conhecimento do negócio e do mercado em que está atuando. Esta pesquisa teve como objetivo investigar como se prepararam os gestores dos PETS SHOPS no início de suas atividades e quais as diferenças para o momento atual. Para isso foi realizado um survey com 100 empresas do ramo de Pet Shop no grande ABC. Com este estudo foi possível verificar que os principais aspectos do plano de negócio que estavam presentes no início eram: Lucratividade, total de investimento, sistema de informação, layout do local, serviços que serão oferecido, oportunidades e ameaças da região do ABC. Com a pesquisa, também foi possível observar que os itens mais presentes e mais importantes no início do negócio não são os itens mais presentes e mais importantes da atualidade. Palavras-chave: Empreendedorismo. Empreendedor, Pet Shop.
... No contexto da educação empreendedora, a experiência permite que um estudante execute uma ação e aprenda um princípio ou conceito a partir desta ação e depois reforce o que aprendeu, aplicando-o em alguma situação do mundo real (Morris et al., 2013). A concepção de experiência na educação empreendedora pode ser alimentada por ambientes de aprendizagem que são ricos em diversidade de experiência, de possibilidade de exploração de habilidades pessoais e orientados à geração de novos horizontes de conhecimento (Lima et al., 2014b;Limongi et al., 2012;Oliveira, 2005;Schaefer & Minello, 2016). ...
Article
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As pesquisas sobre educação empreendedora reconhecem a importância da experiência como um processo baseado na ação, na prática e na aprendizagem. Todavia, essas pesquisas desconsideram as teorias de experiência no campo da Educação. O objetivo deste artigo é fundamentar a educação empreendedora na teoria educacional de John Dewey que privilegia o conceito de experiência. Essa fundamentação enfoca o contexto do empreendedorismo cultural e se beneficia de uma pesquisa empírica realizada junto a estudantes de graduação em Administração da Universidade Federal de Sergipe. Os resultados da pesquisa definem e discutem quatro dimensões-chave da experiência (dinamismo, reflexão, integração e liberdade) no processo de educação empreendedora. Dessa forma, a pesquisa contribui para aprimorar o registro teórico que orienta as pesquisas sobre educação empreendedora e, por conseguinte, fornece possibilidades de melhor qualificar educadores que se preocupam com a formação de futuros empreendedores.
Conference Paper
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O objetivo deste caso de ensino é promover a discussão do dilema de pequenos empresários em relação a escolha de influenciadores digitais para otimizar os investimentos em marketing e o retorno nas redes sociais e no desempenho financeiro. Um shopping de moda no atacado localizada no centro-oeste, foi escolhida para o caso pois frequentemente os gestores tomam decisões sobre quais mídias devem investir. Para facilitar a avaliação das estratégias adotadas pela empresa foram promovidas discussões sobre as recentes mudanças no mercado da moda, em especial, a influência dos negócios locais e internacionais. Dessa forma, o dilema do caso gira em torno da discussão se o influenciador digital seria o melhor investimento para o negócio diante das suas limitações orçamentárias para investimento na divulgação. Por meio de dados coletados em redes sociais ao longo de um ano foi possível avaliar variáveis referentes ao desempenho financeiro e o retorno para o shopping, e assim, estimular o debate sobre as estratégias de marketing em pequenas empresas.
Article
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A educação empreendedora (EE) é um tema de destaque para pensar os currículos das Escolas de Administração e o desenvolvimento da sociedade como um todo. No entanto, ainda não dispomos de uma visão atual e consolidada sobre a EE: os conhecimentos ainda são fragmentados e dispersos. O objetivo deste artigo é sistematizar um entendimento atualizado e integrado dos conhecimentos produzidos sobre EE. A análise de material publicado (artigos, livros, teses, dissertações) e de documentos institucionais (de centros de pesquisa e ensino do empreendedorismo) permitiu a categorização de institucionalidades, focos e de pedagogias de EE. Os resultados da pesquisa demonstram que as instituições de EE possuem uma predominância do plano de negócios como pedagogia. Os conteúdos ministrados nas disciplinas de empreendedorismo têm um perfil preocupado com a formação de habilidades, competências empreendedoras e intenção empreendedora. Diante desta análise, propomos e discutimos três desafios e perspectivas para a EE: (a) o contexto da economia criativa e cultural; (b) o conceito do empreendedorismo como prática, processo e construção social, (c) a pedagogia da aprendizagem baseada na prática.
Article
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A literatura acerca de marketing empreendedor apresenta como o marketing pode contribuir na gestao das micro e pequenas empresas (MPEs) (CARSON, 1990; STOKES, 2000). Dessa forma, este estudo identificou as estrategias da gestao de marketing em MPEs a partir da aprendizagem dos gerentes-proprietarios de 40 empresas localizadas em Goiânia e regiao metropolitana. A analise de dados ocorreu por meio da analise de discurso e a analise de conglomerados. Foi identificado que a aprendizagem dos gerentes-proprietarios ocorre por meio da observacao da dinâmica do mercado e por meio de experiencias realizadas no cotidiano. Concluiu-se, ainda, que os aspectos como o relacionamento, comunicacao boca a boca e o dialogo com o cliente sao praticados nas MPEs sem a consciencia de serem acoes de marketing sistematizadas.
Article
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The purpose of this paper is to critically explore the construct of entrepreneurial marketing (EM). This term is used as an integrative conceptualization that reflects such alternative perspectives as guerrilla marketing, radical marketing, expeditionary marketing, disruptive marketing and others. Seven core dimensions of EM are identified, and an underlying theoretical foundation based on resource advantage theory is proposed. A conceptual model is introduced of key factors surrounding the phenomenon of entrepreneurial marketing. Conclusions and implications are drawn for theory and practice, and priorities are proposed for continuing research.
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Can entrepreneurship be taught? Can it be learned? The debate continues unabated in the press, at academic conferences, and even meetings of successful practitioners.
Chapter
The first part of this chapter seeks to identify four fundamental themes that underline a need for leaders and policy makers to venture outside existing industrial age worldviews in order to develop a new framework with its own distinct sets of rules and regulations. These call for a new paradigm for teaching and learning about entrepreneurship. The second part of this chapter examines the conditions and cultures needed to nurture and sustain enterprising behaviours. It provides global case studies and materials related to development of entrepreneurial ecologies and their networks. The conclusion calls for adaptation of this emerging ecological paradigm by means of collaborations among government policy makers, entrepreneurs and educational leaders. This collaboration requires a strong sense of trust, a diversity of ideas, adaptability, flexibility, and a compelling vision of achievement, improvisation, communication and inspiration.
Article
Venture creation is at the heart of entrepreneurship. Enterprising individuals or groups start new ventures and, thus, we must understand the role of individuals if we are to understand venture creation. In this article, we review and critique the venture creation literature that has examined the role of the individual, with an eye toward identifying under-researched topics and improving research designs. We then highlight individual judgment as a particularly important future direction for research on the role of enterprising individuals in venture creation. We also discuss techniques for accessing entrepreneurs and for evaluating entrepreneurial judgments.
Article
For most entrepreneurship scholars and quite a few policy makers David Birch is well known, even though very few of today's scholars in the field have actually met him. His research in neighborhood and community development in the late seventies paved the way for the work of many of today's entrepreneurship scholars. In essence his findings were simple and easy to understand for policy makers: New and small businesses create the lion's share of new jobs. His finding became the foundation for government initiatives to support growing high-growth small firms-what Birch called "gazelles." To be able to continue research and to build his database in order to analyze the development of businesses, Birch left MIT in 1983 to set up his own research company, Cognetics, Inc. Cognetics was subsequently sold to Publicis 3 years ago and became Arc Analytics. In 1996, David Birch was named the first recipient of the International Award for Entrepreneurship and Small Business Research.
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The business plan is shown to be a useful approach to teaching the application of theoretical concepts to a student population who must confront the realities of the business world upon graduation. This concept takes the latent entrepreneur through the rigours of a real‐life exercise, under the guidance of facilitators having a deft knowledge of theory and practice. Examples show results which can be expected from such an approach.
Article
Using the Internet, students can create and carry through to completion their own business plans, from product development to marketing and promotions to operations. As measured by student satisfaction and content analysis of student reflection papers, this new technique is an effective way to study “real-world” entrepreneurship and retail management, especially in terms of developing Internet skills. Side benefits include increased fund-raising and membership for student organizations, increased community interaction, and free publicity for the host institution. The author provides observations and recommendations concerning the successful operation of student-operated Internet businesses.
Article
GARY GORMAN IS AN ASSOCIATE DEAN AND associate professor and Dennis Hanlon an assistant professor at the Faculty of Business Administration, Memorial University ofNewfoundland, Canada, and Wayne King is director of the P. J. Gardiner Institute for Small Business Studies as well as an assistant professor at Memorial University of Newfoundland. This paper reviews the literature in the areas of entrepreneurship education, enterprise education and education for small business management. The review covers the period from 1985 to 1994 inclusive and is limited to mainstream journals that focus on entrepreneurship and small business. Theoretical and empirical papers are examined from the perspective of content and market focus. The paper also suggests directions for future research.