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CAPOEIRA NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA: ALGUNS APONTAMENTOS SOBRE PROCESSOS DE ENSINO-APRENDIZADO DE PROFESSORES

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Abstract

Este artigo trata da Capoeira e de seus processos de ensino-aprendizado a partir de uma investigação qualitativa que incluiu em sua primeira fase de pesquisa de campo um curso de formação continuada de Capoeira para professores. Nele destacamos a compreensão que temos sobre a Capoeira e a importância de sua inserção nas aulas de educação física escolar. Detalhamos como ocorreu o curso para os professores, no qual nos inserimos como participante observadora, e discutimos os processos de ensino-aprendizado nele desenvolvidos. Por fim, apontamos alguns indícios com relação às dificuldades apresentadas pelos participantes, as experiências positivas decorridas e a possibilidade de abordagem do ensino da Capoeira baseado nas interações gestuais.
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CAPOEIRA NAS AULAS
DE EDUCAÇÃO FÍSICA:
ALGUNS APONTAMENTOS SOBRE PROCESSOS DE
ENSINO-APRENDIZADO DE PROFESSORES
Dra. PAULA CRISTINA DA COSTA SILVA
Professora Adjunta do Centro de Educação Física e Desporto da
Universidade Federal do Espírito Santo (CEFD/UFES)
Pesquisadora do PRÁXIS (CEFD/UFES) e LABORARTE (Faculdade de Educação/UNICAMP)
(Vitória – Espírito Santo – Brasil)
E-mail: letpau@yahoo.com.br
RESUMO
Este artigo trata da capoeira e de seus processos de ensino-aprendizado a partir de uma
investigação qualitativa que incluiu em sua primeira fase de pesquisa de campo um curso de
formação continuada de Capoeira para professores. Nele destacamos a compreensão que
temos sobre a Capoeira e a importância de sua inserção nas aulas de educação física escolar.
Detalhamos como ocorreu o curso para os professores, no qual nos inserimos como partici-
pante observadora, e discutimos os processos de ensino-aprendizado nele desenvolvidos. Por
fim, apontamos alguns indícios com relação às dificuldades apresentadas pelos participantes,
as experiências positivas decorridas e a possibilidade de abordagem do ensino da Capoeira
baseado nas interações gestuais.
PALAVRAS-CHAVE: Capoeira; educação física escolar; formação continuada de docentes;
ensino-aprendizado.
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INTRODUÇÃO
Este trabalho apresenta parte da pesquisa desenvolvida no curso de doutorado
em Educação, na Faculdade de Educação, da Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP). Trata-se de um trabalho que teve como objetivo discutir possibilidades
do ensino-aprendizado da capoeira1 na educação física2 escolar compreendendo-a
como uma linguagem corporal na qual sua gestualidade, sua musicalidade, seus aspectos
históricos e sua ritualidade compõem um acervo a ser apropriado pelos alunos.
Para atingir esse objetivo foi realizada uma pesquisa qualitativa (BOGDAN;
BIKLEN, 1994) englobando um trabalho de campo dividido em duas fases, a saber:
acompanhamento de um Curso de Capoeira para professores de educação física
que atuam no ensino fundamental da rede pública da Região Metropolitana de
Campinas3; e o acompanhamento das aulas de capoeira desenvolvidas por duas
professoras no contexto da educação física, para turmas de 1ª a 4ª série do antigo
ensino fundamental. Em campo a pesquisadora atuou nas duas fases da investigação
como participante observadora (NEGRINE, 2004) registrando os acontecimentos
por meio de diário de campo, fotos e filmagens.
Neste texto nos deteremos somente ao processo de ensino-aprendizado
desenvolvido no curso de formação continuada de Capoeira para professores.
A CAPOEIRA NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Considerando a educação física, a partir dos pressupostos da metodologia
crítico-superadora, como uma disciplina escolar que trata pedagogicamente do que
denominamos de manifestações da cultura corporal (SOARES et al., 1992) podemos
pensar que o seu ensino é muito mais do que apenas executar exercícios corporais
repetitivos e sem sentido. Neste caso busca-se estudar as manifestações da cultura
corporal procurando compreender seus aspectos históricos, técnicos, sociológicos,
antropológicos, biológicos, enfim, situando-os no contexto social no qual encontram-
se inseridos e instigando os alunos a realizarem uma leitura de sua realidade.
1. Neste texto a palavra Capoeira, com iniciais maiúsculas, refere-se à manifestação cultural.
2. Quando tratamos da educação física como componente curricular utilizamos suas iniciais em mi-
núsculo, quando abordarmos a Educação Física como área do conhecimento ou campo profissional
usamos suas iniciais em letras maiúsculas.
3. A Região Metropolitana de Campinas (RMC) engloba dezenove municípios paulistas: Americana,
Artur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba,
Itatiba, Jaguariúna, Monte Mor, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d’Oeste, Santo An-
tônio de Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo. Possui uma população de 2.633.523 habitantes desse
total 39,5% são moradores da cidade de Campinas, sede dessa região. (SÃO PAULO, 2008).
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Pensamos que a educação física nesta perspectiva expressa diferentes tipos
de linguagem nas quais cada manifestação da cultura corporal possui seu repertório
próprio e específico. Assim, cabe à escola e às aulas de educação física o ensino de
diferentes linguagens ligadas à cultura corporal no sentido de democratizá-las.
No processo de ensino-aprendizado da capoeira devemos levar em conside-
ração a ambigüidade desta manifestação cultural. As pessoas lutam, jogam, brincam,
dançam capoeira e isso faz do seu aprendizado algo bastante enriquecedor. Além
disso, deve-se levar em conta sua historicidade contextualizando-a socialmente,
pois se trata de uma produção cultural. “[...] A Educação Física brasileira precisa,
assim, resgatar a capoeira enquanto manifestação cultural, ou seja, trabalhar com
sua historicidade, não desencarná-la do movimento cultural e político que a gerou
[...]” (SOARES et al., 1992, p. 76).
A Capoeira, manifestação de origem escrava, que no Brasil faz-se presente
desde no mínimo, o início do século XIX, ocupou na sociedade colonial e imperial
um papel ligado à marginalidade sendo perseguida e reprimida. Nesse período, sua
prática era feita, majoritariamente, por escravos favorecendo sua resistência cultural.
Duramente perseguida com o início da República, numa proporção maior
que nos anos anteriores, esta manifestação conseguiu se perpetuar até a década
de 1930, quando o momento político favoreceu a Capoeira com o abrandamento
da perseguição e com o olhar diferenciado do Governo de Getúlio Vargas sobre
as práticas culturais populares. Nesse período uma parcela de seus praticantes
adequou-se aos discursos esportivos e a Capoeira tomou novos rumos.
O processo denominado de “reinvenção da tradição”4 da capoeira, termo
cunhado por Letícia Reis (1997), que deu origem ao que se considera hoje a Capoeira
Moderna5, foi encabeçado por inúmeros capoeiras que ensinavam essa manifestação
no início do século XX, o qual desembocou na criação de duas modalidades de
capoeira até hoje conhecidas: a Capoeira Regional e a Capoeira Angola.
4. O termo reinvenção da tradição é utilizado por Letícia Reis (1997, p. 100), baseado nos estudos do
historiador Hobsbawn (1984), e trata do conceito de “tradição inventada”, que é definida como
>...@ um conjunto de práticas sociais de natureza ritual ou simbólica, que visam inculcar valores e
comportamentos por intermédio da repetição o que implica uma continuidade em relação a um
passado histórico apropriado".
5. Este termo utilizado pioneiramente por Letícia Reis (1997) é adotado para designar o período após
a década de 1930 que se caracterizou pelas transformações as quais a Capoeira passou ao longo
dos anos. Estas mudanças, por sua vez, englobam a formulação da Capoeira Regional e da Angola
e sua hibridização a partir da migração de capoeiristas baianos para o sudeste e, mais atualmente,
pode-se considerar sua internacionalização e as metamorfoses daí decorridas como parte constituinte
da Capoeira Moderna.
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Não elencaremos neste momento as diferenças entre estas modalidades,
porém Vieira e Assunção (2008, p. 13), analisando os estilos da capoeira atual,
afirmam:
[...] é preciso lembrar que a capoeira baiana antes da modernização não era homogênea e
uniforme, mas que cada mestre ensinava um conjunto específico de movimentos, ritmos e
rituais. Tanto que a capoeira de outros mestres antigos como Waldemar, Cobrinha Verde ou
Canjiquinha podia ter características bastante distintas da forma ensinada por Pastinha.
Dessa maneira, nunca houve tradição única e monolítica na capoeira baiana antiga, o que,
por sua vez, facilitou que posteriormente cada grupo ressaltasse elementos diversos e
mesmo conflitantes da ‘tradição’.
Com a descriminalização da capoeira ocorreram ao longo dos anos inúmeros
movimentos para sua inclusão em espaços sociais como em escolas, universidades,
clubes e academias. A própria área da educação física tentou apropriar-se desta
manifestação cultural, porém as apropriações entre capoeira e educação física foram
recíprocas e geraram diferentes frutos (SILVA, 2002).
Houve ao longo dos anos vários estudos que pensaram e propuseram mé-
todos e reflexões sobre a capoeira nas aulas de educação física. Neste estudo foi
possível levantar bibliograficamente o número de quinze obras6 que abordaram este
tema, dentre estas, quatro delas foram eleitas para servir de base para a elaboração
dos planejamentos do trabalho de campo desta investigação. Como critério de es-
colha foi levado em consideração a sua relevância e a familiaridade que obtivemos
ao longo de nossas experiências didáticas com o material selecionado, foram eles:
Capoeira uma proposta para a educação física escolar (ROCHA, 1990); Capoeira:
do engenho à universidade (SILVA, 1995); Brincando de capoeira: recreação e lazer
na escola (REIS, 1997) e Iê, viva meu mestre: a Capoeira Angola da Escola Pastiniana
como práxis educativa, (ARAÚJO, 2004).
Com base nessas referências e adotando os pressupostos da concepção
crítico-superadora da educação física pensamos em uma proposta de ensino-
aprendizado da capoeira que fosse inédita, diante dos demais trabalhos estudados.
Neste sentido, buscamos desenvolver um trabalho focado nas experiências desen-
volvidas por professores de educação física, da rede pública de ensino, contando
com a mediação de um Mestre de Capoeira convidado para compor o quadro de
atores reflexivos deste processo. Dessa forma, a capoeira foi compreendida como
uma manifestação imersa socialmente e construída coletivamente pelos alunos,
professores, Mestre de Capoeira convidado e pesquisadora.
6. Os nomes das obras encontram-se na tese de doutorado de Silva (2009).
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Nossa intenção, portanto, foi contribuir com alguns indícios, apreendidos no
trabalho de campo, em como a capoeira, por possuir seu acervo gestual próprio,
pode ser ensinada e aprendida como um tipo de linguagem.
O CURSO DE CAPOEIRA PARA OS PROFESSORES, O MESTRE
CONVIDADO E OS PLANEJAMENTOS DAS AULAS
O curso para os professores foi realizado de março a junho de 2007, com
encontros semanais (totalizando 15 encontros), às sextas-feiras, das 19:30h às
22:00h, em uma quadra externa, da Faculdade de Educação Física, da UNICAMP. O
planejamento das aulas de Capoeira foi feito pelo Mestre convidado e pela pesqui-
sadora e as aulas foram ministradas pelo Mestre com a participação da pesquisadora
como auxiliar-docente. A divulgação do curso foi realizada aos professores do Grupo
de Estudos e Pesquisas sobre Educação Física Escolar (GEPEFE)7 e a inscrição dos
interessados ocorreu via internet.
A maioria dos professores, dezesseis, era da rede estadual de ensino do Estado
de São Paulo e desenvolviam seus trabalhos nas cidades de Campinas, Paulínia e
Nova Odessa. Duas professoras eram de redes municipais de ensino, englobando
os municípios de Campinas e Vinhedo.
Com relação à participação do Mestre convidado como o responsável em
ministrar as aulas e não de outro Mestre, sua escolha deu-se devido à sua vivência
no mundo capoeirístico e acadêmico sendo que esse tipo de formação não é muito
convencional entre os Mestres de Capoeira. Além disso, Rocha (1990) menciona
em seu estudo a importância do trabalho conjunto entre o professor de educação
física e o Mestre de Capoeira nas aulas sobre esse conhecimento.
O pressuposto adotado para os planejamentos era que “[...] o planejamento
define-se como um instrumento didático necessário, flexível e inacabado.” (GUE-
DES-PINTO et al, 2008, p. 24). Nesse caso buscamos abordar em, um primeiro
momento, o ensino-aprendizado da musicalidade e da gestualidade da capoeira,
sua história e as reflexões em torno de temas que perpassam sua prática como, por
exemplo, preconceitos relacionados à etnia, gênero e classe social e a violência, por
vezes, presente nas rodas de capoeira.
As estratégias propostas eram de aulas com dramatização; apresentação de
documentários, jogos e vivências da gestualidade, musicalidade, das danças relaciona-
das à capoeira e de rodas de capoeira, sendo a avaliação processual e dialogada.
7. Grupo de estudos vinculado ao Laboratório de Estudos sobre Corpo, Arte e Linguagem (LABO-
RARTE), da Faculdade de Educação, da UNICAMP/SP.
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Após as oito primeiras aulas, considerando essa perspectiva de flexibilidade
e com base numa avaliação realizada entre os docentes e os professores-alunos, o
planejamento foi alterado.
Foram acrescentadas mais referências bibliográficas, uma vez que os
professores-alunos demonstraram interesse na leitura de artigos de revistas es-
pecializadas sobre o assunto e retiramos do cronograma a abordagem de danças
ligadas à capoeira.
É interessante colocarmos que à medida que o trabalho foi sendo desenvol-
vido o que foi sistematizado e apresentado nos planejamentos, tanto no primeiro
como no segundo, ganhou novas dimensões. Se, primeiramente a idéia era a de
tentar seguir certa ordem na abordagem da gestualidade, musicalidade, ritualidade e
dos aspectos históricos da capoeira, o que ocorreu foi a simultaneidade do processo
de ensino-aprendizado dos conhecimentos considerados como relevantes. Isso
porque determinados temas eram demandados pelos professores-alunos, ou então,
o Mestre e a pesquisadora atentavam para a necessidade de estudar um aspecto
que em princípio não estava no planejamento na ordem prevista.
Foi na perspectiva dialética que se desenvolveu os temas relativos ao ensino-
aprendizado da capoeira. A partir do princípio da “[...] espiralidade da incorporação
das referências do pensamento” (SOARES et al., 1992, p. 33) foi possível constatar
que os professores-alunos compreendiam determinados assuntos estudados e esse
tema tornava-se um trampolim para novos temas relacionados, circunstanciando-os
no entendimento ampliado da Capoeira. Por exemplo, o jogo da capoeira faz parte
do aprendizado de seus gestos, não é necessário que primeiro se aprenda todo
o repertório gestual da capoeira para jogá-la, basta que se domine um repertório
gestual básico e entenda suas regras e rituais. Assim, o aprendizado da Capoeira
se dá durante o fluir do próprio jogo de capoeira, num processo em que jogo e
aprendizado mesclam-se reciprocamente.
O curso iniciou-se, a partir do pressuposto de reflexão pedagógica diagnóstica
de ensino da cultura corporal enunciado por Soares et al. (1992) investigando o
que os professores-alunos sabiam sobre capoeira: se conheciam algum trabalho
nas aulas de educação física ou em escolas; se tinham praticado-a e, em caso
afirmativo, em qual grupo e modalidade de Capoeira; indagamos também quais as
expectativas que tinham sobre o curso. Essas perguntas foram realizadas através
de um questionário estruturado8, com perguntas abertas, as quais os professores
8. O questionário respondido pelos professores foi validado em 2006, por ocasião de um projeto
piloto da abordagem do conteúdo Capoeira, nas aulas de educação física, em uma escola pública
de Campinas/SP, e contou com a participação de quatro professores que ministravam aulas de
educação física nessa escola e que responderam ao questionário.
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responderam e da filmagem da apresentação de cada um deles realizada para o
grupo no primeiro encontro.
A primeira aula consistiu na apresentação do plano de aulas do curso, dos
docentes e dos professores-alunos, bem como, na apresentação de um pouco da
história da capoeira através de um documentário. Já no segundo encontro houve
a dramatização das leituras realizadas, em sala de aula, baseadas em artigos de
revistas especializadas no tema, seguido de discussões sobre os textos e de mitos
da tradição oral dessa manifestação. A partir do terceiro encontro até o final do
curso, a regência das aulas concentrou-se com o mestre convidado e foi ele quem
coordenou os trabalhos cabendo a pesquisadora, a filmagem e a colaboração naquilo
que se fazia necessário.
A rotina das aulas seguia um ritual que se iniciava com o exercício de tocar os
instrumentos musicais da capoeira e cantar. Nesse momento, os professores-alunos
eram orientados a revezarem-se no aprendizado dos instrumentos, de modo que
todos vivenciassem um pouco cada instrumento. O mestre demonstrava como
deveria ser tocado cada um, o ritmo de cada “toque”9, explicava o seu significado,
realizava exercícios de cantos para que os professores-alunos pudessem conhecer
um pouco do repertório da capoeira.
A aula continuava com a vivência da gestualidade. Nessa parte, as estratégias
de ensino pautavam-se na demonstração dos gestos e imitação destes. Inicial-
mente, o mestre ensinava os golpes, contragolpes, defesas ou acrobacias, fora do
contexto de jogo, para que os professores pudessem perceber a técnica do gesto
e executá-lo.
À medida que o repertório gestual era ampliado, a complexidade da demons-
tração dos exercícios a serem executados era aumentada, como por exemplo, a
do mestre demonstrar um golpe e a pesquisadora um contragolpe ou defesa. Essa
lógica de ensino-aprendizado prosseguia com a execução de um golpe (realizado
pela pesquisadora ou pelo mestre), uma defesa, um contragolpe, outra defesa
ou uma acrobacia. Os professores-alunos, ao verem a execução dos gestos, no
caso das interações gestuais, como perguntas e respostas, tentavam, em duplas,
reproduzir o que viram. Enquanto os professores-alunos exercitavam-se, o Mestre
acompanhava-os e corrigia a execução dos gestos das duplas. Esse exercício das
interações gestuais é um dos caminhos para o aprendizado do jogo da capoeira,
pois a partir de algumas seqüências, predeterminadas pelo Mestre, os professores
percebiam que é possível combinar os diferentes gestos e elaborar jogadas. Desse
9. No mundo capoeirístico o “toque” determina a dinâmica do jogo e pode ou não denominar o tipo
de jogo ou modalidade da capoeira.
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modo, podemos comparar a capoeira a um jogo de xadrez, no qual existem várias
peças e, de acordo com as jogadas realizadas pelo parceiro, escolhe-se a peça
favorável e o caminho a ser seguido visando a uma boa jogada e desencadeando
novas respostas, continuamente, até o final do jogo.
O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZADO DOS PROFESSORES-ALUNOS
Um dos métodos de ensino-aprendizado utilizado no curso foi a da demons-
tração, seguida da repetição do que foi proposto pelo mestre. Na maioria das vezes,
a execução do que havia sido demonstrado, tinha o auxílio dos mais experientes,
aqueles professores-alunos que já praticaram Capoeira ou que tinham maior facili-
dade em aprender o que estava sendo ensinado. Além disso, a execução dos gestos
ensinados em duplas, como em um jogo, também mostrou-se como uma forma
bastante presente nos processos de ensino-aprendizado do mestre. No decorrer dos
exercícios em duplas ou individuais a correção do gesto, ao longo do aprendizado,
foi uma tarefa constante do Mestre que, eventualmente, contou com a ajuda da
pesquisadora. Neste caso, podemos considerar esse modo de ensino-aprendizado
como sócio-interacionista, no qual o Mestre, os colegas de turma, a pesquisadora, as
leituras e os documentários fazem a mediação do que é ensinado. De acordo com
Vygostky (1991, p. 99): “[...] os animais são incapazes de aprendizado no sentido
humano do termo; o aprendizado humano pressupõe uma natureza social específica
e um processo através do qual as crianças penetram na vida intelectual daquelas
que as cercam”. Isso que distingue o processo de imitação que um macaco pode
fazer, com a imitação que o ser humano faz. Entre essas ações imitativas existe uma
grande diferença que é a produção de cultura, as intervenções dos que participam
das aulas produzindo mudanças mediadas pela convivência social e da linguagem,
algo que os animais não são capazes de elaborar.
No decorrer do curso houve situações muito interessantes que demonstram
os diferentes sentidos e significados de cada gesto da capoeira apreendido pelos
professores, como as descrições a seguir.
No quinto encontro, foi pedido aos professores, após tentarem executar os
gestos da negativa10 individualmente, que realizassem em duplas essa proposta. Os
participantes realizaram os gestos por aproximadamente cinco minutos, de forma
tranqüila, pois muitos descansavam os braços entre uma tentativa e outra.
Aproveitando o cansaço dos alunos, o mestre pôs-se a nomear os gestos e
a explicá-los através de uma demonstração resumida de tudo que foi aprendido nas
10. Defesa da capoeira, no qual o capoeirista apóia o peso de seu corpo em uma flexão de um dos
braços, apoiado lateralmente no chão, estendendo uma das pernas à frente.
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aulas anteriores. Nesse momento houve a recuperação dos “conteúdos” gestuais
e o início das interações entre os gestos.
Ginga, negativas, esquivas, giros, meia lua de frente11, tudo se misturando num
improviso. O mestre chamou duas professoras, uma de cada vez, e mostrou a cada
uma delas, e ao grupo, o que poderia ser feito com aqueles movimentos aprendidos,
mostrando que o gesto corporal, muitas vezes não precisava ser executado, mas a
intenção demonstrada determinava a reação do parceiro de jogo.
Ele destacou a importância de exibir a intenção do gesto que constrói o sentido
que as jogadas vão adquirindo construindo significados diferentes.
No caso da meia lua de frente, por exemplo, ele enfatizou que a perna
não precisava ser erguida muito alto, bastava ser levantada próxima ao solo, mas
a perna de apoio deveria estar flexionada e o tronco insinuaria a deflagração do
gesto, com velocidade ou não, dando a intensidade que se desejaria, de acordo
com a gestualidade. A segurança demonstrada pelo Mestre refletia em seu corpo a
intenção, tanto que na exemplificação do gesto, a professora que o acompanhava
era “convencida”, gestualmente, do golpe a ser desferido, respondendo com uma
esquiva. Entretanto, dissimuladamente, ele “desmontava” o gesto e partia para
outro movimento. A construção gestual era pautada na intenção, muito mais do
que na execução.
Então, ele solicitou que, em duplas, os professores exercitassem os gestos
aprendidos buscando fazer um pequeno jogo. Em meio aos alunos o Mestre ia
corrigindo, orientando e jogando com os participantes.
Em seguida, chamou os professores para uma roda de conversa e falou:
Vamos falar uma coisa para todos. Taí algumas informações! E a gente começou a montar o
nosso quebra-cabeça, várias peças, umas vão encaixando e a gente vai... Eu vou começar
a trabalhar com vocês, como lição de casa, porque a gente não vai se ver mais, nem na
segunda, nem na quarta, na outra sexta, porque a gente começou a fazer um movimento,
na aula passada, uma esquiva (ele mostrou o movimento) a partir da esquiva a gente fazia
assim (e mostrou uma inversão do corpo, pés para cima e as duas mãos no chão), ia e
virava de costas para o outro e parava em pé. Aqui está o tal de aú, se eu falasse que a
gente estava começando a fazer o aú [...] Nossa ![...] (MESTRE CONVIDADO)
Então, ele fez um gesto para fazer uma estrela, que é um gesto característico
da ginástica artística, de forma bem marcada, com a ponta dos pés bem estendidos,
com os braços estendidos para cima da cabeça e uma postura de ginasta, os pro-
fessores riram e comentavam várias coisas juntas, incompreensíveis.
11. Todos são nomes de gestos do repertório do jogo da capoeira.
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Então, veja o que a gente vai fazer pra descansar... (MESTRE CONVIDADO)
E, então, o mestre mostrou o gesto da esquiva com o giro, mas ao invés de
passar as pernas, de um lado para o outro, pisando no chão, ele deu um saltito.
Mostrou para os professores o mesmo gesto, mas partindo do lado contrário e
comentou rindo, com ar irônico:
Tem um lado que é maravilhoso, eu sei, mas tem que tentar dos dois lados. (MESTRE
CONVIDADO)
O significado do gesto do da capoeira e da estrela da ginástica artística são
díspares, apesar de terem uma técnica gestual muito parecida. Conforme a narra-
tiva, percebe-se que o aú, no caso descrito, teve a intenção de dar continuidade a
uma jogada da capoeira, podendo servir como uma defesa ou uma aproximação
ao parceiro para a execução de um golpe. a estrela da ginástica tem uma ação
definida que é a de demonstrar sua execução plasticamente perfeita, dentro das
regras dessa modalidade esportiva. Percebe-se mais um diferencial na execução
destes gestos, a estrela pode fazer parte de uma composição coreográfica da ginástica
artística que será treinada e repetida do mesmo modo, para que sua execução seja
a mais correta possível dentro do que é estabelecido pelas regras. Já o aú pode ser
executado a qualquer momento dentro do jogo da capoeira, desde que faça parte
de um contexto no qual tenha sentido, seja como uma defesa ou como uma apro-
ximação ou até mesmo a indução a outro gesto, como por exemplo, mostrar certa
vulnerabilidade para que o parceiro faça um golpe e contra atacá-lo desarmando o
aú fazendo um contra golpe.
Percebendo a capoeira como uma linguagem corporal, podemos observar
na descrição feita da aula que a execução dos gestos encadeados entre si, em
interação com o parceiro, cria um diálogo corporal. A vivência desse processo foi
sendo apropriado pelos professores, apesar das dificuldades relativas à execução
dos gestos e daquilo que poderíamos chamar de linguagem do jogo.
É como se as palavras fossem os gestos da capoeira e que quando se enca-
deia uma palavra à outra é possível construir uma frase que dentro de determinado
contexto tem um sentido e significado. Porém, se não sabemos executar o gesto não
é possível construir uma jogada e, consequentemente, o “diálogo” fica prejudicado,
pois faltam os “recursos linguísticos”. Ou então, quem domina mais o gesto acaba
dominando o diálogo.
Percebendo esse modo de encadeamento dos gestos e os diálogos que são
possíveis de serem realizados no jogo da capoeira houve uma roda de conversa
bastante interessante na oitava aula.
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A Profa. M12 contou que começou a trabalhar com suas turmas elementos
que estavam sendo desenvolvidos no curso. Ela declarou que já tinha uma experi-
ência de cinco anos com o conteúdo capoeira em suas aulas, pois é capoeirista e,
a partir de suas vivências, abordou alguns pontos para o ensino-aprendizado dessa
manifestação. De acordo com suas colocações, o que ela havia considerado mais
relevante das aulas do mestre foi a continuidade dos gestos da capoeira. Ela disse
que partindo do que já trabalhava anteriormente, ela passou a acrescentar a conti-
nuidade dos gestos. E, concomitantemente à capoeira, ela traçou paralelos em suas
aulas, com os conhecimentos da ginástica, uma vez que seus alunos questionavam
sobre os nomes dos gestos e similaridades em sua execução na Ginástica Artística
e na Capoeira. Ela reinventou ou adaptou algumas brincadeiras com o que estava
aprendendo no curso e com a experiência que desenvolveu ao longo dos anos
percebeu que o resultado obtido estava muito bom.
O mestre fez o seguinte comentário:
O que é interessante [...] Primeiro [...] quando você vai fazendo blocos e depois tentando
ligar fica muito mais difícil. (MESTRE CONVIDADO)
Estes blocos referem-se aos exercícios em duplas nos quais a execução dos
golpes e contragolpes ficam restritos, não se continuidade aos movimentos para
se formar novas jogadas. Os jogadores executam somente dois gestos de cada vez,
ou em cada bloco, golpe e contra golpe, que terminam em si mesmos, sem dar
continuidade ou fazer o aluno refletir acerca da possibilidade de novos gestos a
serem incorporados aos dois iniciais. Esta forma de ensino-aprendizado da capoeira
é adotado por vários mestres, inclusive por aqueles que ensinaram Capoeira ao
nosso mestre convidado, de acordo com seus depoimentos em aulas.
Entretanto, a metodologia que o mestre convidado desenvolveu também
contemplava esse tipo de exercício. A diferença é que, após a execução do que é
denominado de “blocos”, ele dava continuidade à seqüência de movimentos, ou
seja, o desdobramento dos gestos que ao invés de formarem uma “pequena
frase gestual” formam “longas frases gestuais”, pois mais gestos para formar
novas interações.
O mestre prossegue seu raciocínio sobre o que disse a Profa. M:
[...] O aú, que é diferente da estrela (da Ginástica Artística), (sua) postura. Não! Faz es-
trela para depois fazer aú. Você constrói uma coisa para depois desconstruir... (MESTRE
CONVIDADO)
12. Os professores neste artigo são identificados por letras para preservar sua identidade.
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Nesse momento, outra professora que tem uma vivência no campo da
Ginástica Artística e na Ginástica Geral colocou:
Estava comentando com a Profa. G, a minha vivência, na minha cabeça já está partindo de
uma desconstrução, porque eu tenho um corpo construído na ginástica. (PROFA. C)
O mestre completou:
Encaixado [...] e aqui a gente vai desencaixar. (MESTRE CONVIDADO)
Essa forma de compreensão das diferentes linguagens que compõe o acervo
da cultura corporal é que fez dos debates do curso um material riquíssimo no pro-
cesso de ensino-aprendizado da capoeira para os professores e que mais adiante
lhes serviu como referências para a abordagem da capoeira em suas aulas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O propósito desse texto foi o de discutir possibilidades de ensino-aprendizado
da capoeira na educação física escolar compreendendo-a como uma manifestação
cultural composta por gestualidade, musicalidade, aspectos históricos e ritualísticos
com base nas experiências desenvolvidas em um curso de formação continuada
de capoeira para professores.
É importante mencionarmos que tanto a pesquisadora, como o Mestre
convidado, tiveram o cuidado de planejar aulas nas quais os professores-alunos se
sentissem motivados a participar e adquirir gosto pela capoeira. Isso porque pensa-
mos que se as pessoas tiverem a chance de praticá-la de forma prazerosa, poderão
divulgá-la e, no caso dos professores-alunos, ensiná-la democratizando, assim, este
conhecimento. Sabemos que se em um primeiro momento, essa manifestação
cultural pode causar estranheza, devido às suas peculiaridades, esse sentimento
pode ser dissipado a partir de uma vivência que favoreça a produção de sentidos e
significados por parte de quem a estuda/pratica.
De acordo com o depoimento dos professores-alunos este objetivo foi
alcançado, pois muitos avaliaram as aulas e o processo de ensino-aprendizado de
forma positiva. Entretanto, foi relatado pelo grupo que mesmo apreendendo o jogo
da capoeira e sua gestualidade, os professores-alunos tiveram dificuldades quanto ao
aprendizado da musicalidade e a insuficiência de tempo para as vivências gestuais.
Na roda de conversa, a maioria alegou que somente um encontro semanal não era
suficiente para exercitar o que era trabalhado nos encontros.
Com relação a musicalidade eles consideraram seu aprendizado de extrema
importância, seus depoimentos apontaram grande interesse e prazer no exercício do
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canto e do toque dos instrumentos musicais, mas, muitos deles relataram que não
conseguiriam sozinhos ministrar esse tipo de vivência em suas aulas na escola.
No que diz respeito à apreensão da gestualidade, percebemos que foi bastante
difícil este aprendizado para alguns que não estavam acostumados com atividades
que demandassem um aprimoramento rítmico. para outros, a dificuldade foi a
execução das acrobacias, como aquelas que englobavam as inversões corporais.
Mas, o ponto positivo e principal que foi notado refere-se à apreensão dos sentidos
e significados dos gestos da capoeira demonstrado pelos professores-alunos. Este
fato pode ser visto a partir da participação dos professores em jogos de Capoeira
e de suas falas registradas ao longo do curso.
O contato com um Mestre de Capoeira como mediador do curso repercutiu
de forma bastante positiva. Entretanto, fica a dúvida se essa parceria entre o professor
de educação física e o Mestre de Capoeira poderia ocorrer no cotidiano escolar.
Talvez não seria inviável, mas haveria uma série de dificuldades para a implantação
de um trabalho nesse nível que englobaria desde a falta de verbas para a contratação
de Mestres de Capoeira para as escolas, como o modo de ensino-aprendizado que
cada Mestre adotaria, pois não há uma uniformidade com relação à abordagem da
Capoeira no meio capoeirístico.
Com relação ao tipo de formação do professor para o ensino da Capoeira
nas aulas de educação física não foi possível estabelecer um consenso. Pelo que
vimos, é possível ponderar que o contato do estudante de educação física com a
Capoeira possa ocorrer por meio de uma disciplina na graduação e assim ele teria
acesso a este tipo de conhecimento. Entretanto, essa experiência pode não ser
determinante para que ele ministre aulas de Capoeira na escola. Na pesquisa nem
todos os professores que tiveram contato com esta manifestação, anteriormente
ao curso, desenvolviam aulas sobre esse conhecimento e, por outro lado, havia
professores que sem nunca terem feito um curso ou uma disciplina que tratasse
especificamente da Capoeira ministravam aulas sobre esse tema.
Entendemos que são as condições sociais de produção na qual o professor
encontra-se inserido que vão impulsionar a escolha (ou não) da Capoeira para compor
o rol das manifestações da cultura corporal a serem estudadas em suas aulas. Dentre
tantos condicionantes, pode-se considerar a estrutura e organização da escola, incluindo
espaço físico, gestão, comunidade escolar, alunos, políticas educacionais, etc.
Por fim, vemos que a Capoeira pode ser ensinada e apreendida, com base
nas interações gestuais, configurando um tipo de linguagem, inserida em determi-
nado contexto social e histórico. Cada jogada, cada gesto e resposta gestual ganha
um diferente sentido e significado expressados por meio dos corpos que travam
diálogos diferentes, próprios e singulares.
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Capoeira classes in physical education: some notes on processes for
teaching-learning for teachers
ABSTRACT: This article talk about Capoeira and its processes of teaching and learning from a
qualitative research which included in the first stage of fieldwork a continued course of educa-
tion for Capoeira’s teachers. We highlighted the understanding that we have about Capoeira
and the importance of their inclusion in physical education classes at school. We detail how
the course was for teachers in which we incluided as a participant observer, and discuss the
teaching-learning processes developed. Finally, we point out some evidences about the diffi-
culties presented by the participants, the positives experiences elapsed and the possibility of
approaching the teaching of Capoeira based on gestural interaction.
KEYWORDS: Capoeira; physical education; continuing education of teachers; teaching and
learning.
Capoeira en las clases de educación física: algunas notas sobre los
procesos del enseñanza-aprendizaje de profesores
RESUMEN: Este artículo es sobre la capoeira y sus procesos de enseñanza y aprendizaje a
partir de una investigación cualitativa que incluyó en su primera fase de trabajo de campo un
curso de formación continuada de Capoeira para profesores. En el se destaca la comprensión
que tenemos acerca de la Capoeira y la importancia de su inclusión en las clases de educación
física en la escuela. Se detallan cómo el curso fue para los profesores, en los que se le incluyen
como observadora participante, y se discuti los procesos de enseñanza-aprendizaje que se
desarrolló. Por último, señalamos algunas evidencias en relación a las dificultades presentadas
por los participantes, las experiencias positivas transcurridas y la posibilidad de acercarse a
la enseñanza de la Capoeira basada en la interacción gestual.
PALABRAS CLAVE: Capoeira; educación física; formación continuada de profesores; enseñanza-
-aprendizaje.
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Recebido: 14 maio 2010
Aprovado: 29 dez. 2010
Endereço para correspondência
Paula Cristina da Costa Silva
Rua Prof. Elpídio Pimentel, 401 – ap. 202 – Jd. da Penha
Vitória/ES – CEP: 29.060-170
... Al especificar los ejes temáticos del tratamiento pedagógico de la Capoeira, varios trabajos coinciden en mencionar la historicidad, la musicalidad, la gestualidad y la organización social (Almeida & Nunes, 2004;Barbosa, 2005a;Breda, 2010Breda, , 2013Breda, , 2015Campos, 2001;Da Costa, 2011). Estas propuestas coinciden en dar énfasis a aspectos culturales y sociales de la Capoeira, que solo con el trabajo de estos aspectos, el movimiento, el juego-lucha y la música, tendrán un sentido íntegro de la Capoeira. ...
... A la hora de valorar el CUFOPEPCA, la mayoría del profesorado reflexiona en los aportes personales atribuibles a la Capoeira, destacando especialmente las emociones positivas que provoca su práctica. Se puede interpretar que estas emociones positivas son generadas especialmente por la música (Decanio, 2005;Lewis, 1992;Pamfilio, 2008;Rego, 1968) y el trabajo en equipo, la cohesión de grupo y camaradería desarrollada durante las actividades (Breda, 2010(Breda, , 2015Castro et al., 2000;Da Costa, 2011;Geererghese, 2013;Mello, 2010;Oliveira & Heine, 2008;Sepúlveda, 2019). ...
Thesis
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La capoeira como herramienta pedagógica en la educación física. Un estudio de caso sobre la formación permanente del profesorado Evelyn Ríos Valdés Aquesta tesi doctoral està subjecta a la llicència Reconeixement-NoComercial 4.0. Espanya de Creative Commons. Esta tesis doctoral está sujeta a la licencia Reconocimiento-NoComercial 4.0. España de Creative Commons. This doctoral thesis is licensed under the Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0. Spain License.
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Este artículo presenta los hallazgos de la primera etapa de la investigación en curso “El dispositivo del espacio público la Ciclovía de Bogotá como productor de subjetividades”. Este documento plantea el contexto de la investigación (desde 1970 al presente), sus principales referentes conceptuales (la producción de subjetividad como fabricación y el espacio público como espacio de poder y gobernanza) y un análisis de la masa documental (revisión del periódico El Tiempo entre 1970 y 2013, y entrevistas a usuarios, directores y promotores de la Ciclovía). Se establece al espacio público como dispositivo usado como medio para ejemplificar y gestionar formas de vivir. Asimismo, se evidencian las tres líneas discursivas que prevalecen en la configuración histórica de este espacio público recreativo.
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RESUMO O objetivo foi averiguar investigações sobre a formação continuada e permanente de professores de Educação Física, por meio de uma revisão sistemática. A busca dos artigos foi realizada na base de indexação Lilacs. Os termos utilizados para a busca foram " formação continuada " AND " educação física " , " formação permanente " AND " educação física " , " formação continuada " AND " professores " AND " educação física " , " formação continuada " AND " docente " AND " educação física ". A busca efetuada resultou em 114 registros. Após o processo de inclusão e exclusão dos estudos, 22 artigos foram selecionados para a análise final. Após a análise constatou-se que a partir de 2009 houve um aumento nas publicações tendo o seu ápice de publicações em 2012. Os resultados demonstram que existe uma distância entre o que é oferecido nos cursos de formação continuada e a realidade vivida nas escolas, pois ainda são oferecidos cursos padronizados não levando em consideração a especificidade de cada comunidade escolar Palavras-chave: Formação Continuada; Educação Física; Formação Permanente. ABSTRACT The aim of this study was to examine the investigations of continuing education and ongoing training of Physical Education teachers, through a systematic review of the literature. The electronic search of articles was held in the database Lilacs. The terms used for the search were " formação continuada " AND " educação física " , " formação permanente " AND " educação física " , " formação continuada " AND " professores " AND " educação física " , " formação continuada " AND " docente " AND " educação física ". The performed search resulted in 114 records. After the process of inclusion and exclusion of studies, 22 were selected for the final analysis. After analyzing the results, it was found that after 2009 there was an increase in publications on this subject with its apex publications in 2012. Our results demonstrate that there is still a gap between what is offered in continuing education courses and the reality in schools, because it is still offered standardized courses, which do not take into account the specificity of each school community.
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RESUMO Este estudo tem como objetivo analisar e discutir de que forma a temática da diversidade racial e Educação Física escolar é contextualizada na Revista Brasileira de Ciências do Esporte (RBCE) no período de 1979 a 2013 e verificar se com a criação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a homologação da lei federal 10.639/2003 provocou alterações nos aspectos quantitativos e qualitativos da inserção da temática racial na RBCE. Trata-se de uma pesquisa indireta e de abordagem quanti-qualitativa. Foram encontrados na RBCE vinte e cinco produções enfocando a temática diversidade racial e Educação Física, dos quais oito destacam o contexto escolar. Evidenciou-se que essa temática permeia esse periódico timidamente e quea criação dos PCN e a homologação da lei 10.639/2003 não provocaram indícios de alterações nos aspectos quantitativos e qualitativos da inserção da relação diversidade raciale Educação Física escolar na RBCE. Palavras-chave: Lei 10.639/003; diversidade racial; Educação Física escolar; RBCE. RACIAL DIVERSITY AND SCHOOL PHYSICAL EDUCATION IN THE BRAZILIANMAGAZINE OF SPORTSCIENCES (1979-2013) ABSTRACT This study aims to analyze and discuss how the issue of racial diversity and Physical Education is contextualized in the Brazilian Magazine of Sports Science (BMSS) from 1979 to 2013 and check with the creation of the National Curriculum Parameters (NCP) and the approval of federal law 10.639/2003 caused quantitative and qualitative changes in the insertion of the race issue in BMSS aspects. This is an indirect research and quantitative and qualitative approach. Were found in BMSS twenty-five productions focusing on the theme racial diversity and Physical Education.eight of which highlight the school context.Was evidenced that this theme permeates this journal shyly and that the creation of the NCP and the approval of the law 10.639/2003 caused no indications of changes in the quantitative and qualitative aspects of the relationship of insertion and racial diversity andPhysical Education in BMSS. Keywords: Law 10.639/003; racial diversity; School Physical Education; BMSS. DIVERSIDAD RACIAL Y EDUCACIÓN FÍSICA ESCOLAR EN LA REVISTA BRASILEÑA DE CIENCIAS DEL DEPORTE (1979-2013) RESUMEN Este estudio analiza y discute de que forma la temática de la diversidad racial y Educación Física escolar es contextualizada en la Revista Brasileña de Ciencias del Deporte (RBCE) en el periodo de 1979 a 2013 y verificar si con la creación de los Parámetros Curriculares Nacionales (PCN) y la homologación de la ley federal 10.639/2003 provocó alteraciones en los aspectos cuantitativos y cualitativos de la inserción de la temática racial en la RBCE. Se trata de una investigación indirecta y de abordaje quanti-cualitativa. Fueron encontrados en la RBCE veinticinco producciones enfocando la temática diversidad racial y Educación Física, de los cuales ocho destacan el contexto escolar. Evidenciou que esa temática permeia ese periódico tímidamente y que la creación de los PCN y la homologación de la ley 10.639/2003 no provocaron indicios de alteraciones en los aspectos cuantitativos y cualitativos de la inserción de la relación diversidad racial y Educación Física escolar. Palabras-clave: ley 10.639/2003; diversidad racial; Educación Física escolar; RBCE.
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Este trabalho apresenta a Capoeira Angola proposta pela escola pastiniana como uma práxis pedagógica articulada a ancestralidade e que toma a ancestralidade, a oralidade e a comunidade como paradigmas de pertencimento à dinâmica das tradições africanas no Brasil, dialogando permanentemente com o entendimento sobre a resistência negra e sua permanência nos fazeres educacionais destas matrizes, e apresentando-se sob a forma de comunidades culturais. Este trabalho lida com uma realidade, marcada não apenas pelo ressurgimento, mas pelo crescimento do estilo Capoeira Angola, tida como a capoeira tradicional, africana, através de novas gerações de mestres e contramestres originários da linhagem pastiniana (Mestre Pastinha, 1889-1981), e orientados por ela, buscando apresentar os resultados das suas práticas como um rico material para se repensar o lugar das tradições quando em constante entrosamento com os saberes produzidos nos sistemas oficiais de ensino. Desta forma, busca encaminhar ao campo da Educação a proposta de ampliar as bases de entendimento destas tradições fazendo-as migrar do lugar ingênuo e fossilizado da sua folclorização, e também do seu entendimento (continua). (Continuação) meramente desportivo, para dialogar com professores, educadores e movimentos sociais, outros entendimentos - filosóficos, espirituais, políticos, etc. - sobre os saberes tradicionais africanos na formação do conhecimento e demais códigos civilizatórios brasileiros. Aqui, apontamos o lugar da identidade na compreensão sobre a importância da alteridade a partir de um exemplo que transcende barreiras culturais e geográficas, sócio-econômicas, religiosas, etárias e, mais recentemente, de gênero, como um enfoque pertinente à contemplação do corpo como espaço sagrado onde é possível elaborar estruturas de autoconhecimento e de construção reflexiva da sociedade mais ampla. Para isto, este trabalho recorreu à análise de materiais produzidos em algumas organizações de Capoeira Angola pertencentes a uma mesma linhagem, embora em localidades distintas, concluindo a existência de um conhecimento cujas bases de continuidade estão assentadas na pertença à escola pastiniana como aspecto de resistência cultural frente aos processos de massificação verificados sobre a capoeira hegemônica, conhecida como Capoeira Regional. Tese (Doutorado).
Os desafios contemporâneos da capoeira. Revista Textos do Brasil, Brasília, v. 1, n. 14
  • L R Vieira
  • M R Assunção
VIEIRA, L. R.; ASSUNÇÃO, M. R. Os desafios contemporâneos da capoeira. Revista Textos do Brasil, Brasília, v. 1, n. 14, 2008. p.7-19.
Capoeira: do engenho à universidade. 2. ed. São Paulo: CEPEUSP
  • G De O
SILVA, G. de O. Capoeira: do engenho à universidade. 2. ed. São Paulo: CEPEUSP, 1995.
Instrumentos de coleta de informações na pesquisa qualitativa
  • A Negrine
NEGRINE, A. Instrumentos de coleta de informações na pesquisa qualitativa. In: MOLINA NETO, V.; TRIVIÑOS, A. N. S. (Org.). A pesquisa qualitativa na Educação Física. 2. ed. Porto Alegre: Ed. da UFRGS, 2004. p. 61-93.
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Campinas: UNICAMP: Centro de Pesquisa em História Social da Cultura, 2001.
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  • Coord
GUEDES-PINTO, A. L. (Coord.). A organização do tempo pedagógico e o planejamento de ensino. In: BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Pró-Letramento: Programa de Formação Continuada de Professores das Séries Iniciais do Ensino Fundamental: alfabetização e linguagem. Brasília: MEC/SEB/SEED, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index. php?option=com_content&view=article&id=12616%3Aformacao&Itemid=698. Acesso em: 4 ago. 2011. 31f.
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  • Endereço Para Correspondência Paula Cristina Da Costa Silva Rua
  • Prof
Endereço para correspondência Paula Cristina da Costa Silva Rua Prof. Elpídio Pimentel, 401-ap. 202-Jd. da Penha Vitória/ES-CEP: 29.060-170
Acesso em: 24 de set
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SÃO PAULO. Governo do Estado de São Paulo. Secretaria de Economia e Planejamento. Disponível em: <http://www.ppa.sp.gov.br/perfis/PerfilRMCampinas.pdf>. Acesso em: 24 de set. 2008.
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SILVA, P. C. da C. O ensino-aprendizado da Capoeira nas aulas de Educação Física escolar. 2009. 261 f. Tese (Doutorado em Educação)-Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2009.