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Metodologia para a definição das áreas prioritárias para aplicação de medidas com vista à recuperação do estado “Bom” do meio hídrico superficial e subterrâneo: o caso de estudo da bacia hidrográfica de Melides (litoral Alentejano – Portugal)

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Metodologia para a definição das áreas prioritárias para aplicação de medidas com vista à recuperação do estado "Bom" do meio hídrico superficial e subterrâneo: o caso de estudo da bacia hidrográfica de Melides (litoral Alentejano – Portugal) Palavras-chave: lagoa costeira, recuperação de massas de água superficiais e subterrâneas, áreas prioritárias, índice de prioridade de intervenção Tema: Sub-tema 1 – Governança, planeamento e ordenamento das zonas costeiras Tipo de comunicação: Oral Resumo: Para uma aplicação optimizada dos recursos com vista a recuperar as massas de água ao estado Bom conforme exigido pela Diretiva da Água da EU, têm de se identificar as áreas que exigem intervenção prioritária. Por vezes esta identificação não é evidente pelo que foi desenvolvida uma metodologia para a sua identificação e delimitação, que se aplicou ao caso de estudo de Melides, e que considera o tipo de fonte poluente, sua distribuição espacial, carga poluente, existência de ligações hidráulicas entre o meio superficial e subterrâneo, no âmbito do projeto PROWATERMAN financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT -PTDC/AAC-AMB/105061/2008).. Neste caso de estudo os meios hídricos a recuperar são a rede hidrográfica e a lagoa costeira de Melides, ambos parcialmente dependentes das águas subterrâneas, sendo afectados pela poluição existente no aquífero. A metodologia desenvolveu-se em duas vertentes – meios superficiais; meio subterrâneo – sendo o seu resultado final um zonamento de áreas prioritárias para aplicação das medidas de intervenção e que no caso de estudo se traduz em dois mapas: (1) áreas prioritárias de intervenção para controlo da poluição entrada no meio hídrico superficial por via superficial e (2) áreas prioritárias de intervenção para controlo da poluição entrada no meio hídrico superficial por via subterrânea. Este zonamento classifica as áreas em termos de prioridade a qual vai de "Prioridade Imediata" a "Prioridade Muito Baixa". Esta metodologia permitiu definir: áreas para intervenção imediata (envolvente da lagoa e rede hidrográfica na zona vestibular); áreas para intervenção urgente (focadas na redução das cargas poluentes vindas do aquífero e com tempos de percurso inferiores ou iguais a 3 anos); áreas para intervenção secundária; áreas onde é mais viável actuar sobre as zonas de descarga do aquífero que sobre a fonte poluente; áreas que não necessitam de intervenção.
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1
Metodologia para a definição das áreas prioritárias para aplicação de
medidas com vista à recuperação do estado “Bom” do meio hídrico
superficial e subterrâneo: o caso de estudo da bacia hidrográfica de Melides
(litoral Alentejano – Portugal)
Emília Novo
1
, Luís Oliveira
2
, João P. Lobo Ferreira
3
, Maria J. Henriques
4
1 Geóloga, Dr. Engenharia do Ambiente, Investigadora auxiliar, Núcleo de Águas Subterrâneas, LNEC, Av. do
Brasil, 101, 1700-066 Lisboa, enovo@lnec.pt
2 Mestre em Engenharia do Ambiente, Núcleo de Águas Subterrâneas, LNEC, Av. do Brasil, 101, 1700-066 Lisboa,
lgsoliveira@gmail.com
3 Doutor em Engenharia Civil, Investigador-coordenador e chefe do Núcleo de Águas Subterrâneas, LNEC, Av. do
Brasil, 101, 1700-066 Lisboa, lferreira@lnec.pt
4 Geóloga, Técnica de Experimentação, Núcleo de Águas Subterrâneas, LNEC, Av. do Brasil, 101, 1700-066
Lisboa, mjhenriques@lnec.pt
Palavras-chave: lagoa costeira, recuperação de massas de água superficiais e subterrâneas, áreas
prioritárias, índice de prioridade de intervenção
Tema: Sub-tema 1 – Governança, planeamento e ordenamento das zonas costeiras
Tipo de comunicação: Oral
Resumo: Para uma aplicação optimizada dos recursos com vista a recuperar as massas de água ao
estado Bom conforme exigido pela Diretiva da Água da EU, têm de se identificar as áreas que exigem
intervenção prioritária. Por vezes esta identificação não é evidente pelo que foi desenvolvida uma
metodologia para a sua identificação e delimitação, que se aplicou ao caso de estudo de Melides, e que
considera o tipo de fonte poluente, sua distribuição espacial, carga poluente, existência de ligações
hidráulicas entre o meio superficial e subterrâneo, no âmbito do projeto PROWATERMAN financiado pela
Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT - PTDC/AAC-AMB/105061/2008).. Neste caso de estudo
os meios hídricos a recuperar são a rede hidrográfica e a lagoa costeira de Melides, ambos parcialmente
dependentes das águas subterrâneas, sendo afectados pela poluição existente no aquífero. A
metodologia desenvolveu-se em duas vertentes – meios superficiais; meio subterrâneo – sendo o seu
resultado final um zonamento de áreas prioritárias para aplicação das medidas de intervenção e que no
caso de estudo se traduz em dois mapas: (1) áreas prioritárias de intervenção para controlo da poluição
entrada no meio hídrico superficial por via superficial e (2) áreas prioritárias de intervenção para controlo
da poluição entrada no meio hídrico superficial por via subterrânea. Este zonamento classifica as áreas
em termos de prioridade a qual vai de “Prioridade Imediata” a “Prioridade Muito Baixa”. Esta metodologia
permitiu definir: áreas para intervenção imediata (envolvente da lagoa e rede hidrográfica na zona
vestibular); áreas para intervenção urgente (focadas na redução das cargas poluentes vindas do aquífero
e com tempos de percurso inferiores ou iguais a 3 anos); áreas para intervenção secundária; áreas onde
é mais viável actuar sobre as zonas de descarga do aquífero que sobre a fonte poluente; áreas que não
necessitam de intervenção.
1. INTRODUÇÃO
A necessidade da aplicação de medidas destinadas a repor as massas de água no estado “Bom”,
nas suas vertentes quantitativas e qualitativas, como resultado da Lei da Água, até mais tardar 2027, com
2
exceção dos casos em que seja tecnicamente inviável, ou por razões naturais (ex.: características
hidrogeoquímicas específicas, no caso dos aquíferos) leva por um lado a identificar as medidas mais
viáveis para alcançar esse objetivo e por outro a definir que áreas deverão ter intervenções prioritárias na
aplicação destas medidas de modo a que com o mínimo de recursos se obtenham os melhores
resultados. Para a definição das medidas – tema que foi tratado em Novo et al., (2013 a) – é necessário
conhecer (1) as condicionantes geológicas e hidrogeológicas para cada massa de águas, (2) o
funcionamento hidráulico dos diferentes meios hídricos e eventuais ligações hidráulicas entre estes, (3) a
quantificação das diferentes componentes do ciclo hidrológico e os volumes que circulam em cada massa
de águas, (4) tipos de fontes poluentes presentes na área a intervencionar, (5) distribuição das fontes
poluentes, (6) carga poluente associada a cada fonte, (7) massa de água que cada fonte poluente afeta,
(8) importância de cada fonte poluente para a carga poluente em cada massa de água, (9) áreas de
transferência da poluição e de fluxos entre massas de água, (10) regimes naturais e/ou antrópicos de
remoção atual de poluentes de cada massa de água, (11) identificação de quais fontes afetam cada
região de cada massa de águas e qual a proporção da carga total de cada fonte poluente que afeta cada
região, (12) volumes de consumos associados a cada atividade económica e fonte poluente, (13) taxas
de exploração de cada massa de águas (haverá atividades abastecidas por massas de águas superficiais
e atividades abastecidas por águas subterrâneas), (14) avaliação da evolução das pressões qualitativas
(fontes poluentes) e quantitativas (consumos) sobre as massas de água em cenários de mudança, sejam
estes sócio-económicos, de alterações climáticas ou outros. Uma vez realizada a análise de todos estes
elementos e definido o conjunto de medidas a implementar – o que se faz com recurso a uma matriz de
decisão (Novo et al. 2013b; Novo e Oliveira, 2013c) – é necessário definir que áreas serão prioritárias
para a aplicação destas medidas ou porque o estado de poluição é aí mais gravoso ou porque a
intervenção nessas regiões potencia uma mais rápida recuperação das massas de água. Uma
metodologia para a identificação e delimitação destas áreas foi desenvolvida no âmbito do estudo
PROWATERMAN e é a que seguidamente se apresenta.
2. CARACTERIZAÇÃO GERAL DA ÁREA DE APLICAÇÃO DA METODOLOGIA
A região onde a metodologia foi desenvolvida corresponde à bacia hidrográfica de Melides, sita na
zona litoral alentejana, Portugal e pertence à Região Hidrográfica 6. No seu troço de montante
encontram-se litologias de xistos e grauvaques, considerados basicamente impermeáveis e onde a rede
de drenagem tem uma densidade acentuada, face à densidade de jusante; no sector jusante encontram-
se terrenos detríticos terciários e quaternários, dominados por arenitos e areias de origem marinha e
litoral, por vezes com seixos e com níveis locais intercalados de argilitos ou carbonatados (Fig.1).
3
Fig. 1 – Geologia da bacia de Melides
A área de estudo é constituída, em termos de massas de água, pelo aquífero de Sines, rede
hidrográfica de Melides e Lagoa de Melides, que corresponde à zona vestibular da referida rede
hidrográfica. Sendo as massas de água a recuperar a rede hidrográfica e especialmente a lagoa, e sendo
que o aquífero superficial tem ligação hidráulica com estas duas massas de água, este teve de ser
considerado aquando da identificação e estabelecimento das áreas prioritárias para atuação.
O aquífero superficial desenvolve-se nas formações detríticas terciárias e quaternárias. É um
aquífero poroso, freático, pouco profundo, com ligações hidráulicas com a rede hidrográfica superficial,
descarregando para as linhas de água. De acordo com os balanços hídricos realizados no estudo
PROWATERMAN cerca de 26,5% do volume que entra no meio hídrico superficial (ribeiras e lagoa)
provém do meio subterrâneo, dos quais cerca de 90% provêm das águas subterrâneas da zona arenosa
da bacia, dado que as formações xistosas contribuem essencialmente com escoamento superficial direto
para a alimentação da rede de drenagem (cf. Oliveira et al., 2012). A importância da contribuição das
fontes superficiais e subterrâneas para a alimentação da Lagoa, no sector xistoso e no sector arenoso da
bacia, é apresentada na Fig. 2. Os volumes totais de água que alimentam a Lagoa são da ordem de 20
hm
3
/ano, (total de contribuições superficiais + e subterrâneas).
Fonte: Henriques e Martins (2012)
Sector de montante
Limite
do sector de
montante
4
Fig. 2 – Origens da água que alimentam a Lagoa e sua importância relativa
As contribuições de água para a lagoa estão assim distribuídas (Oliveira e Novo, 2012):
Origem superficial: (1) ribeira de Melides e seus afluentes (principal alimentação na área
xistosa de montante da bacia; o escoamento superficial na área xistosa constitui cerca de 57%
da alimentação da Lagoa de Melides); (2) excedentes das águas de rega, com especial
destaque para os arrozais; (3) água das ETARs de Melides e de Vale Figueira; (4) excedentes
da Fonte de Olhos (Melides).
Origem subterrânea: (1) água subterrânea que aflui diretamente à lagoa; (2) água subterrânea
que aflui à ribeira; (3) recarga por rega das áreas agrícolas.
De acordo com o levantamento efetuado no projeto PROWATERMAN, as fontes de poluição
distribuem-se pelas origens (1) agrícola, (2) agropecuária e (3) urbana, estando essencialmente
concentradas na zona de jusante (região arenosa) da bacia hidrográfica (Fig. 3). A área das formações
xistentas (zona de montante da bacia) é caracterizada por uma muito reduzida ocorrência de fontes de
poluição. As fontes de poluição afetam o meio subterrâneo e superficial, algumas afetando sobretudo o
meio superficial (ex.: ETAR) e outras afetam sobretudo o meio subterrâneo (ex.: áreas agrícolas). No
entanto, como grande parte do volume de água que entra no aquífero retorna ao meio superficial, as
fontes poluentes subterrâneas podem ser encaradas como fontes de poluição do meio superficial a mais
ou menos médio prazo. Nalguns casos este médio prazo corresponde a períodos algo longos, pelo que
os poluentes atualmente infiltrados atingem o meio superficial após 2027, causando dificuldades
acrescidas à reposição do bom estado das massas de água. De acordo com a monitorização
desenvolvida no estudo PROWATERMAN existem os seguintes pontos com estado de qualidade
medíocre (Oliveira et al., 2011; Novo et al., 2013a) e os seguintes pontos em estado mesotrófico (Leitão
et al., 2012; Novo et al., 2013a):
o Meio subterrâneo – P3, P9, P10, P15, P23.
o Meio superficial – MSup_13 (devido a compostos fosfatados).
o Estado mesotrófico – MSup_4, MSup_5 e MSup_6.
5
Fig. 3 – Distribuição das fontes poluentes
Definida a situação atual, e também a sua evolução futura em termos de cenários de mudanças, é
necessário definir as áreas prioritárias onde se deverá atuar. A metodologia de definição de áreas
prioritárias de intervenção com vista à recuperação não apenas destes pontos mas de todo o sistema
aquífero e posterior controlo das cargas poluentes é seguidamente apresentada.
3. METODOLOGIA PARA DEFINIÇÃO DAS ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA A APLICAÇÃO DE
MEDIDAS PARA RECUPERAR O ESTADO BOM DAS MASSAS DE ÁGUA
Esta metodologia para a definição de áreas prioritárias de intervenção para a recuperação do
estado, e sua posterior manutenção, foi desenvolvida em duas componentes distintas: (1) áreas
prioritárias de atuação no meio superficial, (2) áreas prioritárias de atuação no meio subterrâneo. Tal
abordagem foi escolhida porque não só o estado dos meios superficiais, na área de estudo, depende do
estado do meio subterrâneo mas porque se pretendeu que esta metodologia seja aplicada a um vasto
conjunto de situações e meios hídricos. Nos casos em que existe ligação hidráulica entre os dois meios, e
estes estejam em estado inferior a Bom, então a definição de áreas de atuação deverá ser realizada para
os meios superficial e subterrâneo será realizada a definição; nos casos em que apenas o meio
superficial esteja em mau estado e/ou não haja ligação hidráulica com o meio subterrânea aplica-se a
metodologia apenas na sua componente para os meios superficiais; no caso em que seja o aquífero a
estar em mau estado e/ou não tenha ligação com o meio superficial, aplica-se a metodologia apenas na
sua componente subterrânea. Esta metodologia foi estruturada para ambientes SIG.
3.1. Metodologia de definição das áreas prioritárias de intervenção: componente superficial
A definição das áreas prioritárias de intervenção com vista à recuperação das massas de água
superficiais considera diversos tipos de corpos de água superficial, tais como rios, lagos e lagoas,
costeiras ou interiores, e realiza-se em função de um conjunto de parâmetros, que são ponderados para
6
se obter um índice final de prioridade de intervenção por cada área na envolvente das massas de água a
recuperar. Os parâmetros considerados são os seguintes:
a) Distância ao corpo de água quanto maior a distância do foco de poluição ao corpo de água
superficial, maior a possibilidade de atenuação natural das cargas poluentes, ou por retenção
pela vegetação e microrelevos ou pela infiltração das águas de escorrência. Fontes que
descarregam diretamente na massa de água constituirão áreas prioritárias de atuação. Zonas
progressivamente mais afastadas terão progressivamente menos impacto pelo que a
necessidade de atuação será progressivamente menos prioritária. A classificação deste
parâmetro é apresentada no Quadro 1 e o respetivo zonamento para a área de estudo é
ilustrado na Fig. 4.
Quadro 1 – Classes de distâncias ao corpo de água superficial
Corpo hídrico
Distância ao corpo de água
Índice
Envolvente do corpo lagunar
≤ 50 m
10
50
100 m
9
101
200 m
8
201
300 m
7
301
500 m
6
> 500 m
4
Margens da linha de água
(permanente ou temporária)
≤ 50 m
9
50
100 m
8
101
200 m
5
201
300 m
3
301
500 m
2
> 500 m
1
Fig. 4 – Classificação do parâmetro distância ao corpo de água
b) Distribuição espacial das fontes poluentes serão prioritárias as áreas onde se encontre o
maior número de fontes poluentes, e/ou as fontes com maior perigosidade. A classificação deste
7
parâmetro é apresentada no Quadro 2, que na área de estudo tem a distribuição cuja
classificação é apresentada na Fig. 5.
Quadro 2 – Classes de distribuição espacial das fontes poluentes
N.º de fontes poluentes
Perigosidade do poluente
Índice
Mais de 10 fontes
Pesticidas e metais pesados + fertilizantes
10
Fertilizantes (NO
3
, P
2
O
5
) e/ou coliformes
9
Poluentes
de baixo impacto no ecossistema
8
Entre 5 a 10 fontes
Pesticidas e metais pesados + fertilizantes
7
Fertilizantes (NO
3
, P
2
O
5
) e/ou coliformes
6
Poluentes de baixo impacto no ecossistema
5
Menos de 5 fontes
Pesticidas e metais pesados + fertilizantes
4
Fertilizantes (NO
3
, P
2
O
5
) e/ou coliformes
3
Poluentes de baixo impacto no ecossistema
2
Sem fontes poluentes
Sem poluentes
1
Fig. 5 – Classificação do parâmetro distribuição das fontes poluentes
c) Cargas poluentes – serão prioritárias as áreas associadas a fontes poluentes com maior carga
por parcela (fontes agrícolas) ou por instalação (pecuárias, fossas). No Quadro 3 é apresentada
a classificação para os nitratos, devendo os limiares das classes serem ajustados consoante o
tipo de poluente em análise. O zonamento obtido para a área de estudo apresenta-se na Fig. 6.
Quadro 3 – Classes das cargas poluentes
Tipo de fonte poluente
Carga poluente
Índice
Agrícola
> 500 kg N
8
200
500 kg N
7
100
200 kg N
6
70
100 kg N
5
40
70
kg N
4
20
40 kg N
3
8
10
20 kg N
2
< 20 kg N
1
Tipo de fonte poluente
Carga poluente
Índice
Pecuária
> 700 kg N
8
60
0
700 kg N
7
50
0
600 kg N
6
40
0
500 kg N
5
30
0
400 kg N
4
20
0
300 kg N
3
100
200 kg N
2
< 100 kg N
1
Urbana
> 500 kg N
8
20
0
500 kg N
7
10
0
200 kg N
6
5
0
100 kg N
4
20
50 kg N
3
< 20 kg N
1
Fig. 6 – Classificação do parâmetro cargas poluentes
d) Zonas de descarga para o meio superficial – todas as zonas de descarga de direta dos
campos agrícolas, com especial destaque para aqueles associados a culturas com maiores
cargas poluentes, e estruturas de tratamento e/ou armazenamento de resíduos (ETARs, tanques
de retenção de escorrências de pecuárias, etc.) definem áreas prioritárias. Áreas de descarga
onde ocorra grande carga poluente serão também áreas prioritárias. As zonas de descarga do
meio subterrâneo para o superficial têm maior prioridade se as cargas poluentes são maiores e
se os tempos de percurso desde a fonte até às zonas de descarga são mais curtos. Ressalve-se
9
o caso especial das zonas associadas a tempos de percurso compreendidos entre 15 e 70 anos,
a que se atribuiu um índice relativamente elevado. Tal deve-se a que qualquer intervenção de
controlo da poluição na fonte não terá resultados senão depois de 2027 (tais fontes poluentes
poderiam ser chamadas de “bombas-relógio” porque o impacto dos poluentes sobre o meio
hídrico superficial é algo dilatado no tempo; tal poderá ser um aspeto positivo se se estiver a
lidar com poluentes não conservativos mas, se os poluentes forem conservativos, essa
vantagem é pouco expressiva). Por esta razão é prioritário atuar sobre estas zonas de descarga
– muito mais do que sobre as respetivas fontes poluentes associadas – e deste modo o valor do
índice que lhes foi atribuído é médio a alto, dependendo esta última gradação das cargas
poluentes que aí sejam descarregadas. Os pesos atribuídos às diferentes categorias deste
parâmetro são apresentados no Quadro 4 e o zonamento para a área de estudo apresenta-se na
Fig. 7.
Quadro 4 – Classes de zonas de descarga para as águas superficiais
Tipos de zonas de descarga
Tempos de percurso / Localização da fonte
Carga poluente
Índice
Zonas de descarga de
escorrências para o meio
hídrico superficial
< 1 ano
Margens de corpos lagunares (ex.:
lagoa de Melides)
> 40 kg N
10
20
40 kg N
9
< 20 kg N
8
Troços de jusante de linhas de água
(ex.: sector a jusante da ponte Melides)
>
40 kg N
9
20
40 kg N
8
< 20 kg N
7
Troços intermédios das linhas de água
(ex.: sector entre ponte e Melides)
> 40 kg N
8
20
40 kg N
7
< 20 kg N
6
Troços de montante das linhas de água
(ex.: sector a montante Melides até aos
xistos)
> 40 kg N
5
20
40 kg N
4
< 20 kg N
3
Zonas de cabeceira das linhas de água
(ex.: zona dos xistos)
> 40 kg N
4
20
40 kg N
3
< 20 kg N
2
Zonas de descarga do meio
hídrico subterrâneo para o
meio hídrico superficial
< 1 ano
> 500 kg N
10
10
0
500 kg N
9
5
0
100 kg N
8
20
50 kg N
7
< 20 kg N
6
1 – 3 anos
> 300 kg N
9
10
0
300 kg N
8
5
0
100 kg N
7
20
50 kg N
6
< 20 kg N
5
3 – 15 anos
>
500 kg N
8
10
0
500 kg N
7
5
0
100 kg N
6
20
50 kg N
5
< 20 kg N
4
15 – 25 anos
> 500 kg N
8
20
0
500 kg N
7
15
0
200 kg N
6
50
150 kg N
5
< 50 kg N
4
Zonas de descarga do meio
25
70 anos
> 500 kg N
7
10
hídrico subterrâneo para o
meio hídrico superficial
20
0
500 kg N
6
15
0
200 kg N
5
50
150 kg N
4
< 50 kg N
3
> 70 anos
Qualquer carga
2
Zonas de não descarga
Não se aplica
0
1
Fig. 7 – Classificação do parâmetro zonas de descarga
Finalmente o Índice de Prioridade de Intervenção, que definirá quais as áreas a exigirem intervenção
mais prioritária é calculado pela expressão abaixo sendo as prioridades definidas pelos valores deste
índice segundo o expresso no Quadro 5. Para a área de estudo o zonamento obtido de áreas prioritárias
para recuperação dos meios hídricos superficiais apresenta-se na Fig. 8.
Quadro 5 – Classificação do índice de prioridade de intervenção no meio hídrico superficial
Valor do índice
Prioridade de intervenção
> 100
Imediata
75
100
Urgente
55
75
Moderada
37
54
Baixa
25
36
Muito baixa
8
24
Sem necessidade de
atuação
IPr
Sup
= 3 x D
Sup
+ 2 x Nf
Sup
+ 3 x C
Sup
+ 1 x Zd
Sup
Onde:
IP
Sup
= índice de prioridade de intervenção nas águas superficiais
D
Sup
= parâmetro da distância ao corpo de água
Nf
Sup
= parâmetro da distribuição espacial das fontes poluentes
11
C
Sup
= parâmetro das cargas poluentes
Zd
Sup
= parâmetro das zonas de descarga para as águas superficiais
Fig. 8 – Índice de Prioridade de Intervenção no Meio Hídrico Superficial
3.2. Metodologia de definição das áreas prioritárias de intervenção: componente subterrânea
A definição das áreas prioritárias de intervenção com vista à recuperação das massas de água
subterrânea ou superficiais com ligações hidráulicas com massas de água subterrâneas considera, nesta
fase do seu desenvolvimento, apenas os aquíferos mais superficiais, ignorando situações de eventuais
ligações verticais entre aquíferos, situação a ser incluída em desenvolvimentos futuros. Para a definição
das áreas prioritárias de atuação considera-se um conjunto de parâmetros, que são ponderados para se
obter um índice final de prioridade de intervenção por cada área de terreno sobrejacente a estas massas
de água.
a) Profundidade ao nível de água – as zonas onde a massa poluente chega menos atenuada ao
meio hídrico subterrâneo correspondem àquelas cujo nível piezométrico é mais superficial,
sendo as de maior prioridade de atuação. Este parâmetro representa na realidade a distância da
fonte poluente ao corpo de água, em similitude com o que foi considerado para a componente
superficial desta metodologia. Adotando o intervalo de profundidades adaptado do parâmetro
Profundidade ao Nível de Água da metodologia DRASTIC de Aller et al. (1977), a classificação
deste parâmetro é a apresentada no Quadro 6 e o zonamento para a área de estudo na Fig. 9.
Quadro 6 – Classes de profundidades
Profundidade ao nível de água
Índice
< 1,5 m
10
1,5
4,5 m
9
4,5
9,0 m
7
9,0
15,0
m
5
15,0
23,0 m
3
23,0
30,0 m
2
12
> 30 m
1
Fig. 9 – Classificação do parâmetro profundidade ao nível de água
b) Distribuição espacial das fontes poluentes serão prioritárias as áreas onde se encontre o
maior número de fontes poluentes, e/ou as fontes com maior perigosidade. Os valores deste
parâmetro apresentam-se no Quadro 7 e o zonamento para a área de estudo na Fig. 10.
Quadro 7 – Classes de distribuição espacial das fontes poluentes
N.º de fontes poluentes
Perigosidade do poluente
Índice
Mais de 10 fontes
Pesticidas e metais pesados +
fertilizantes
10
Fertilizantes (NO
3
, P
2
O
5
) e/ou coliformes
9
Poluentes de baixo impacto no ecossistema
8
Entre 5 a 10 fontes
Pesticidas e metais pesados + fertilizantes
7
Fertilizantes (NO
3
, P
2
O
5
) e/ou coliformes
6
Poluentes de baixo impacto no
ecossistema
5
Menos de 5 fontes
Pesticidas e metais pesados + fertilizantes
4
Fertilizantes (NO
3
, P
2
O
5
) e/ou coliformes
3
Poluentes de baixo impacto no ecossistema
2
Sem fontes poluentes
Sem poluentes
1
13
Fig. 10 – Classificação do parâmetro distribuição das fontes poluentes
c) Cargas poluentes serão prioritárias as áreas com fontes poluentes de maior carga poluente
por parcela (fontes agrícolas) ou por instalação (pecuárias, fossas). No Quadro 8 é apresentada
a classificação para os nitratos, devendo os limiares das classes serem ajustados consoante o
tipo de poluente em análise. O zonamento obtido para a área de estudo apresenta-se na Fig. 11.
Quadro 8 – Classes de distribuição das cargas poluentes
Tipo de fonte p
oluente
Carga poluente
Índice
Agrícola
> 500 kg N
8
200
500 kg N
7
100
200 kg N
6
70
100 kg N
5
40
70 kg N
4
20
40 kg N
3
10
20 kg N
2
< 10 kg N
1
Pecuária
> 700 kg N
8
600
700 kg N
7
500
600 kg N
6
400
500 kg N
5
300
400 kg N
4
200
300 kg N
3
100
200 kg N
2
< 100 kg N
1
Urbana
> 1000 kg N
8
500
1000 kg N
7
100
500 kg N
6
80
100 kg N
5
60
80 kg N
4
40
60 kg N
3
20
40 kg N
2
< 20 kg N
1
14
Fig. 11 – Classificação do parâmetro cargas poluentes
d) Tempos de percurso – serão prioritárias as áreas associadas às fontes poluentes cujos tempos
de percurso até atingirem zonas sensíveis (ex.: zonas de descarga do aquífero, poços e furos,
etc.) seja o mais curto. Os valores atribuídos a este parâmetro constam do Quadro 9 e o
respetivo zonamento para a área de estudo apresenta-se na Fig. 12.
Quadro 9 – Classes de tempos de percurso
Tempo de percurso
Índice
< 1 ano
7
1
3 anos (horizonte temporal 2015)
6
3
15 anos (horizonte temporal 2027)
5
15
25 anos
3
25
70 anos
2
> 70 anos
1
15
Fig. 12 – Classificação do parâmetro tempos de percurso
e) Índice de Facilidade de Infiltração serão prioritárias as zonas definidas como de índice de
facilidade de infiltração (IFI) mais elevado, dado que nestas zonas o poluente atingirá o aquífero
mais rapidamente e de forma menos atenuada. O índice IFI foi desenvolvido por Oliveira e Lobo
Ferreira (2002), o qual define espacialmente as zonas mais favoráveis à infiltração, pela análise
conjugada de 3 parâmetros, que se apresentam no Quadro 10. Para a área de estudo de
Melides o zonamento deste índice é apresentado na Fig. 13.
Quadro 10 – Parâmetros IFI
Parâmetro
Classe
Índice
Tipo de solo
A
10
B
8
C
4
D
1
Declive (%)
< 2
10
2
6
9
6
12
5
12
18
3
> 18
1
Parâmetro
Classe
Índice
AGUT (mm)
< 50
10
51
100
9
101
150
8
151
200
7
201
250
6
251
300
5
301
350
4
16
351
400
3
401
450
2
> 450
1
Fig. 13 – Classificação do parâmetro IFI
f) Zonas de descarga para o meio superficial parâmetro desenvolvido para os casos em que
exista descargas dos aquíferos para as massas de água superficiais, condicionando o estado
destas. Nestes casos, para recuperar as massas de água superficial, se estas forem o alvo da
intervenção, é necessário intervir no aquífero. Assim, todas as zonas de descarga do meio
subterrâneo para o superficial serão, à partida, prioritárias, embora o grau de prioridade varie
com o tempo de percurso no aquífero e as cargas poluentes das fontes a que estas zonas estão
associadas. Este parâmetro foi dividido em classes dependentes das cargas poluentes e tempos
de percurso (Até às zonas de descarga) e os respetivos valores apresentam-se no Quadro 11.
Os valores mais elevados correspondem às zonas de descarga associadas a fontes com grande
carga poluente e curtos tempos de percurso pois são zonas de elevado risco para o meio hídrico
superficial; os valores mais baixos atribuíram-se às zonas de não descarga ou de descarga
associadas a tempos de percurso superiores a 70 anos. Para as zonas de descarga associadas
a tempos de percurso compreendidos entre 25 e 70 anos atribuíram-se valores intermédios dado
que nestes casos é mais favorável atuar sobre a área de descarga do que sobre a fonte, para se
alcançar rapidamente um melhor estado do meio hídrico superficial. Para a área de estudo o
zonamento em função deste parâmetro é apresentado na Fig. 14.
Quadro 11 – Classes de zonas de descarga para as águas superficiais
Tipos de zonas de descarga
Tempos de percurso
Carga poluente
Índice
Zonas de descarga do meio
subterrâneo para o superficial < 1 ano
> 500 kg N
10
10
0
500 kg N
9
5
0
100 kg N
8
20
50 kg N
7
17
< 20 kg N
6
1 – 3 anos
> 300 kg N
9
10
0
300 kg N
8
5
0
100 kg N
7
20
50 kg N
6
< 20 kg N
5
3 – 15 anos
> 500 kg N
8
10
0
500 kg N
7
5
0
100 kg N
6
20
50 kg N
5
< 20 kg N
4
15 – 25 anos
> 500 kg N
6
20
0
500 kg N
5
15
0
200 kg N
4
50
150 kg N
3
< 50 kg N
2
25 – 70 anos
> 500 kg N
7
20
0
500 kg N
6
15
0
200 kg N
5
50
150 kg N
4
< 50 kg N
3
> 70 anos
Qualquer carga
2
Zonas de não descarga
Não se aplica
0
1
Fig. 14 – Classificação do parâmetro zonas de descarga
Finalmente o Índice de Prioridade de Intervenção, que definirá efetivamente quais as áreas a
exigirem intervenção mais prioritária é calculado pela expressão abaixo, sendo as prioridades definidas
pelos valores deste índice segundo o expresso no Quadro 12. Para a área de estudo o zonamento obtido
de áreas prioritárias para recuperação dos meios hídricos superficiais apresenta-se na Fig. 15.
18
Quadro 12 – Classificação do índice de prioridade de intervenção no meio hídrico subterrâneo
Valor do índice
Prioridade de intervenção
189
270
Imediata
149
188
Urgente
112
148
Moderada
76
111
Baixa
24
75
Muito baixa
IPr
Subt
= 3 x D
Subt
+ 2 x Nf
Subt
+ 3 x C
Subt
+ 3 x TP
Subt
+ 4 x IFI + 1 x Zd
Subt
Onde:
IPr
Subt
= índice de prioridade de intervenção nas águas subterrâneas
D
Subt
= parâmetro de profundidade ao nível de água
Nf
Subt
= parâmetro da distribuição espacial das fontes poluentes
C
Subt
= parâmetro das cargas poluentes
TP
Subt
= parâmetro tempos de percurso
IFI = índice IFI
Zd
Subt
= parâmetro das zonas de descarga para as águas superficiais
Fig. 15 – Índice de Prioridade de Intervenção no Meio Hídrico Subterrâneo
4. DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
19
Esta metodologia foi desenvolvida com vista à identificação e delimitação das áreas
prioritárias para intervenção com vista à recuperação das massas de água para o estado Bom,
no período mais curto de tempo (antes de 2027) e com a melhor otimização possível dos
recursos alocados a essa intervenção. Esta recuperação pode ser necessária quer em massas
de água superficiais quer em massas de água subterrâneas sendo por vezes necessário, para
melhorar o estado duma massa de água, realizar intervenções nas massas de água que com ela
estabelecem ligações hidráulicas, sejam estas superficiais ou subterrâneas.
Com vista à sua aplicação ao maior número possível de casos – os quais podem ser agrupados em
(a) recuperação de corpos de águas superficiais, (b) recuperação de corpos de água subterrânea, (c)
recuperação de corpos de água superficial e/ou subterrânea em ligação hidráulica entre si – foi esta
metodologia desenvolvida em duas componentes independentes: (1) componente superficial, (2)
componente subterrânea.
Quando a massa de águas a recuperar é superficial e não possui quaisquer ligações hidráulicas
com o meio subterrâneo, aplica-se exclusivamente a componente superficial. Quando a massa de águas
a recuperar é subterrânea sem ligações hidráulicas significativas aplica-se exclusivamente a componente
subterrânea. Quando a massa de águas a recuperar tem ligações hidráulicas com o meio subterrâneo (no
caso da massa a recuperar ser de água superficial) ou superficial (quando a massa de água a recuperar é
subterrânea) ambas as componentes da metodologia devem ser usadas.
Cada componente tem o seu Índice de prioridade de intervenção independente: (1) índice de
prioridade de intervenção para componente superficial, o qual classifica as áreas envolventes do corpo de
água superficial a recuperar em distintos graus de prioridade para intervenção; (2) índice de intervenção
para a componente subterrânea, o qual faz uma classificação similar de prioridade para as áreas sitas
acima e na envolvente imediata dos limites do aquífero a intervencionar, sendo as áreas limítrofes
consideradas apenas quando o aquífero recebe contribuições externas à sua área.
Nesta fase do desenvolvimento da metodologia as situações que podem ser abordadas são:
1. Recuperação de massas de água superficial sofrendo descargas poluentes de origem
exclusivamente superficial.
2. Recuperação de massas de água subterrânea sofrendo descargas de poluentes diretamente
sobre a sua superfície (sem contribuições a partir de corpos de água superficial).
3. Recuperação de massas de águas superficiais sofrendo descargas poluentes de origem
superficial + descargas poluentes provindas do meio subterrâneo. O presente caso de estudo
(bacia hidrográfica de Melides) inclui-se nesta categoria.
Está atualmente em desenvolvimento a aplicação desta metodologia às seguintes situações de
recuperação de massas de águas subterrâneas com ligação hidráulica a outras massas de água, sejam
estas superficiais ou subterrâneas:
(1) Aquíferos em ligação hidráulica por via apenas de descargas subterrâneas (ex.: aquíferos
superiores com drenância para aquíferos inferiores ou o caso inverso, como seja o devido a
inversão dos potenciais hidráulicos por sobre-exploração do aquífero superior);
(2) Aquíferos em ligação hidráulica através de corpos de água superficial (ex.: aquíferos que
descarregam em ribeiras, as quais por sua vez se infiltram a jusante noutros aquíferos como é
por exemplo o caso dos aquíferos Querença-Silves e Albufeira-Ribeira de Quarteira; cf.
Monteiro et al., 2007);
(3) Aquífero que recebe contribuições externas à sua área provindas não de outros aquíferos mas
de regiões dominadas por escoamento superficial. Nestes casos o escoamento superficial
20
direto vindo de montante infiltra-se total ou parcialmente quando atinge os aquíferos em
questão (ex.: zonas de cabeceiras das ribeiras algarvias que descem da Serra para o aquífero
Querença-Silves).
No que concerne à área de estudo, a metodologia identificou as seguintes áreas para intervenção
prioritária: margem sul da Ribeira de Melides, núcleo de Vale Travesso e Vale Travesso-Outeiro, núcleo
da Aderneira-Sancha-Palhota, margem norte da ribeira de Melides no sector de Alpendre, Carregueira e
Moinho dos Ventos-Vale da Lagoa, núcleo de Melides. Como segunda prioridade de intervenção as áreas
da margem norte da ribeira de Melides na zona dos campos de arroz e o núcleo da Saibreira. Foi ainda
possível identificar dentro destas zonas as parcelas mais prioritárias:
Margem sul da Lagoa – Arrozais, Pomar P1, fossas do Parque de Campismo e Sesmarias.
Núcleo de Vale Travesso e Vale Travesso-Outeiro – Vinha V1, Pomar P2, Sistema cultural misto
SC3 e SC1, fossas de Vale Travesso, Moinho do Vau e Valença, bovinicultura BOV1 e
suinicultura SUI1.
Núcleo de Aderneira-Sancha-Palhota – Arrozais, Pomar P10, Hortas, bovinicultura BOV2, fossas
de Aderneira e Sancha.
Núcleo de Melides ETAR (essencialmente medidas de prevenção, e em particular prevenção
de acidentes), Sistema cultural misto SC9.
Margem norte da ribeira de Melides no sector de Alpendre, Carregueira e Moinho dos Ventos-
Vale da Lagoa – Arrozais.
Áreas de intervenção prioritária de segunda fase: restante margem Norte da lagoa e ribeira de
Melides – Arrozais.
Áreas de intervenção prioritária de segunda fase: núcleo da Saibreira parcela PV, e
secundariamente a horta CT3.
Destas fontes, considerando as cargas poluentes envolvidas e os tempos de percurso associados
são de especial importância as intervenções sobre as fossas do Parque de Campismo e de Sesmarias, a
bovinicultura BOV1, arrozais, pomar P2 e Pomar + Vinha PV1.
AGRADECIMENTOS
O trabalho que se apresenta foi realizado no âmbito do projecto PTDC/AAC-AMB/105061/2008,
financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a quem se agradece, e do estudo “Protecção e
Gestão Sustentável Qualitativa dos Recursos Hídricos Subterrâneos”, do Plano de Investigação
Programada do LNEC, quadriénio 2009/12.
Bibliografia:
Leitão, T., Oliveira, L., Lobo Ferreira, J.P., Vilhena, J., Almeida, A., Tomé, M., Pires, A.M. (2012). Análise
Integrada da Qualidade da Água e dos Ecossistemas na Bacia Hidrográfica da Ribeira de Melides. Artigo
apresentado ao 11.º Congresso da Água Valorizar a água num contexto de incerteza, Porto, 6 a 8 de
Fevereiro, pp. 15.
Monteiro, J.P., Silva, J.M., Guerreiro, P., Martins, J., Reis, E. (2907). Modelação de Relações entre Águas
Superficiais e Subterrâneas nos Aquíferos do Algarve Central. Artigo apresentado ao Seminários sobre
Águas Subterrâneas, Lisboa, 1 e 2 Março, pp. 8.
21
Novo, M.E., Oliveira, L., Leitão, T., Oliveira, M.M., Lobo Ferreira, J.P. (2013a). Metodologia para a
Definição de Medidas de Intervenção para a Recuperação do Estado “Bom” do Meio Hídrico Superficial e
Subterrâneo: o Caso de Estudo da Bacia Hidrográfica de Melides. Artigo submetido ao 11º SILUSBA,
Maputo, pp. 20 (in press).
Novo, M.E., Oliveira, L., Lobo Ferreira, J.P., Henriques, M.J. (2013b). Água, Ecossistemas Aquáticos e
Actividade Humana Projecto PROWATERMAN. Relatório Temático: Estratégias e Medidas de Gestão
dos Recursos Hídricos da Bacia de Melides (Quantidade e Qualidade Química e Biológica). LNEC,
Lisboa, Relatório DHA/NAS, pp. 190 (in press).
Novo, M.E., Oliveira, L., (2013c). Matrizes de Decisão como Ferramenta de Apoio à Selecção de Medidas
de Recuperação do estado das Massas de Água. 15 pp (in press).
Oliveira, L., Martins, T., Lobo Ferreira, J.P., Oliveira, M.M., Novo. M.E., Leitão, T. (2012). Água,
Ecossistemas Aquáticos e Actividade Humana – Projecto PROWATERMAN. 4º Relatório Temático –
Contributos para o Desenvolvimento de Medidas para uma Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos no
Sul de Portugal. LNEC, Lisboa, Relatório 153/2012-DHA/NAS, pp. 44.
Oliveira, L., Novo, M. E. (2012). Água, Ecossistemas Aquáticos e Actividade Humana – Projecto
PROWATERMAN. Componente do Núcleo de Águas Subterrâneas para o Enquadramento das Medidas
de Mitigação em Melides. LNEC, Lisboa, Relatório 182/2011-DHA/NAS, pp. 35.
... Com vista a definir o tipo de medidas mais adequados e os meios em que se deve realizar a intervenção foi desenvolvida a metodologia que abaixo se apresenta. Para definição das áreas em que se deverá actuar prioritariamente foi também desenvolvida uma metodologia, em ambiente SIG Novo et al., 2013a;Novo et al., 2013b). ...
Conference Paper
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Metodologia para a definição de medidas de intervenção para a recuperação do estado "Bom" do meio hídrico superficial e subterrâneo: o caso de estudo da bacia hidrográfica de Melides Tema: Sub-tema 8 – Água e meio ambiente pela busca do balanço entre as necessidades do homem e dos ecossistemas terrestres e aquáticos Tipo de comunicação: Oral Resumo: Apresenta-se uma metodologia para a definição de medidas de recuperação das massas de água ao estado qualitativo e quantitativo bom, que aborda holisticamente os meios hídricos superficial e subterrâneo, permitindo lidar com situações em que ocorre transferência de poluição entre estes dois meios, desenvolvida no âmbito do projeto PROWATERMAN financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT -PTDC/AAC-AMB/105061/2008). A metodologia considera as condicionantes geológicas e hidrogeológicas, traduzidas em modelos matemáticos que lhe servem de suporte, para avaliar das reduções de cargas poluentes e/ou consumos em face de: fontes de poluição actuais e cargas poluentes associadas, áreas de entrada das cargas poluentes nas diferentes massas de água, tempos de percurso, estado actual das massas de água, contribuição de cada fonte poluente para a carga total e estado actual das diferentes áreas das massas de água, consumos associados a cada unidade agrícola, pecuária, doméstica e outras, evolução das taxas de exploração e cargas poluentes em cenários de mudança (sócio-económicos, alterações climáticas) e a consequente evolução do estado das massas de água. As reduções de consumos e cargas poluentes a efectuar são assim definidas para as condições actuais e futuras, constituindo valores-guia para as medidas de recuperação, servindo também de base à escolha destas. A aplicação da metodologia ao caso de estudo de Melides permitiu verificar que a poluição da lagoa se deve: prioritariamente à agricultura, não apenas pelas descargas superficiais dos arrozais mas também por uma até agora insuspeita e significativa contribuição subterrânea (> 50% da carga poluente); as fossas na envolvente da lagoa são o segundo maior problema; uma parcela significativa da poluição tem tempos de percurso suficientemente longos para surgir na lagoa após 2027; num futuro próximo a carga poluente aumentará um pouco devido a estas cargas, tornando-se mais dominada pela componente fossas. Deste modo as medidas de recuperação devem definir-se para os arrozais mas também para a componente subterrânea (poluição agrícola e doméstica).
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Metodologia para a definição de medidas de intervenção para a recuperação do estado "Bom" do meio hídrico superficial e subterrâneo: o caso de estudo da bacia hidrográfica de Melides Tema: Sub-tema 8 – Água e meio ambiente pela busca do balanço entre as necessidades do homem e dos ecossistemas terrestres e aquáticos Tipo de comunicação: Oral Resumo: Apresenta-se uma metodologia para a definição de medidas de recuperação das massas de água ao estado qualitativo e quantitativo bom, que aborda holisticamente os meios hídricos superficial e subterrâneo, permitindo lidar com situações em que ocorre transferência de poluição entre estes dois meios, desenvolvida no âmbito do projeto PROWATERMAN financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT -PTDC/AAC-AMB/105061/2008). A metodologia considera as condicionantes geológicas e hidrogeológicas, traduzidas em modelos matemáticos que lhe servem de suporte, para avaliar das reduções de cargas poluentes e/ou consumos em face de: fontes de poluição actuais e cargas poluentes associadas, áreas de entrada das cargas poluentes nas diferentes massas de água, tempos de percurso, estado actual das massas de água, contribuição de cada fonte poluente para a carga total e estado actual das diferentes áreas das massas de água, consumos associados a cada unidade agrícola, pecuária, doméstica e outras, evolução das taxas de exploração e cargas poluentes em cenários de mudança (sócio-económicos, alterações climáticas) e a consequente evolução do estado das massas de água. As reduções de consumos e cargas poluentes a efectuar são assim definidas para as condições actuais e futuras, constituindo valores-guia para as medidas de recuperação, servindo também de base à escolha destas. A aplicação da metodologia ao caso de estudo de Melides permitiu verificar que a poluição da lagoa se deve: prioritariamente à agricultura, não apenas pelas descargas superficiais dos arrozais mas também por uma até agora insuspeita e significativa contribuição subterrânea (> 50% da carga poluente); as fossas na envolvente da lagoa são o segundo maior problema; uma parcela significativa da poluição tem tempos de percurso suficientemente longos para surgir na lagoa após 2027; num futuro próximo a carga poluente aumentará um pouco devido a estas cargas, tornando-se mais dominada pela componente fossas. Deste modo as medidas de recuperação devem definir-se para os arrozais mas também para a componente subterrânea (poluição agrícola e doméstica).
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A grande diversidade de litologias presentes no Algarve é responsável por interacções muito diversificadas e complexas entre águas superficiais e subterrâneas. Apesar disso, o conhecimento acerca da hidrologia superficial e da hidrogeologia desta região tem evoluído de forma relativamenteindependente. No entanto, existem nos diversos estudos hidrogeológicos que foram efectuados nas últimas décadas no Algarve, numerosas referências acerca da localização e características dos locais onde se estabelece conexão hidráulica entre águas subterrâneas e águas superficiais. Sob o ponto de vista hidrogeológico, o interesse prático da referenciação destes locais, bem como a caracterização das relações "águas subterrâneas-águas superficiais" que neles se estabelecem, tem um interesse prático imediato: a definição das condições de fronteira que permitem interpretar o funcionamento hidráulico dos grandes reservatórios dinâmicos de água subterrânea que são os sistemas aquíferos. No presente texto sintetiza-se brevemente parte do conhecimento existente sobre as interacções entre as águas subterrâneas e superficiais no Algarve central e apresentam-se alguns resultados preliminares de modelos de escoamento que constituem uma primeira tentativa de simular a sua ocorrência. A fiabilidade dos resultados obtidos é difícil de avaliar, sobretudo porque os dados existentes para calibrar e validar as simulações efectuadas são insuficientes. Por outro lado, a realização dos exercícios de modelação apresentados permite a definição de um conjunto de acções que, a ser empreendidas, poderão contribuir para melhorar a compreensão das relações entre as águas subterrâneas e superficiais no Algarve.
Água, Ecossistemas Aquáticos e Actividade Humana – Projecto PROWATERMAN
  • L Oliveira
  • M E Novo
Oliveira, L., Novo, M. E. (2012). Água, Ecossistemas Aquáticos e Actividade Humana – Projecto PROWATERMAN. Componente do Núcleo de Águas Subterrâneas para o Enquadramento das Medidas de Mitigação em Melides. LNEC, Lisboa, Relatório 182/2011-DHA/NAS, pp. 35.
financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a quem se agradece, e do estudo
  • Agradecimentos O Trabalho Que Se Apresenta Foi Realizado No Âmbito Do Projecto
AGRADECIMENTOS O trabalho que se apresenta foi realizado no âmbito do projecto PTDC/AAC-AMB/105061/2008, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a quem se agradece, e do estudo " Protecção e Gestão Sustentável Qualitativa dos Recursos Hídricos Subterrâneos ", do Plano de Investigação Programada do LNEC, quadriénio 2009/12.
Matrizes de Decisão como Ferramenta de Apoio à Selecção de Medidas de Recuperação do estado das Massas de Água
  • M E Novo
  • L Oliveira
Novo, M.E., Oliveira, L., (2013c). Matrizes de Decisão como Ferramenta de Apoio à Selecção de Medidas de Recuperação do estado das Massas de Água. 15 pp (in press).
Componente do Núcleo de Águas Subterrâneas para o Enquadramento das Medidas de Mitigação em Melides
  • L Oliveira
  • M E Novo
Oliveira, L., Novo, M. E. (2012). Água, Ecossistemas Aquáticos e Actividade Humana -Projecto PROWATERMAN. Componente do Núcleo de Águas Subterrâneas para o Enquadramento das Medidas de Mitigação em Melides. LNEC, Lisboa, Relatório 182/2011-DHA/NAS, pp. 35.