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Organic geochemistry of petroleum source rock potential in the evolutional context of Lusitanian Basin, Portugal | Geoquímica orgânica de rochas potencialmente geradoras de petróleo no contexto evolutivo da Bacia Lusitânica, Portugal

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Organic geochemistry of petroleum source rock potential in the evolutional context of Lusitanian Basin, Portugal | Geoquímica orgânica de rochas potencialmente geradoras de petróleo no contexto evolutivo da Bacia Lusitânica, Portugal

Abstract and Figures

The Lusitanian Basin located along the western margin of the Iberian Peninsula is one of several rift basins of the Mesozoic Atlantic margin which had its origin related to fragmentation of the supercontinent Pangea in the Late Triassic, culminating in the opening of the North Atlantic (Wilson et al., 1989; Pinheiro et al., 1996; Pena dos Reis et al., 2000; Pena dos Reis et al., 2009; Pena dos Reis et al., 2010). The complex evolution of this basin is strongly linked to different geodynamic controls (tectonic, climatic and eustatic variation) that have occurred over time since the beginning of your configuration as intracontinental rift in the Upper Triassic, through the Atlantic and Tetyan marine influences in an extensional regimen during the Jurassic and Lower Cretaceous, passive margin development to tectonic inversion of the basin, resulting from the collision between the Iberian and African plates in the Late Cretaceous (Pena dos Reis e Pimentel, 2008; Pena dos Reis et al., 2009; Pena dos Reis et al., 2010). Important petroleum source rocks were deposited especially during the Jurassic represented by two main groups: Lower Jurassic, related to Água de Madeiros (Upper Sinemurian) and Vale das Fontes (Pliensbaquian) formation; Upper Jurassic, related to Vale Verde and Cabaços formations (Middle Oxfordian). All the samples are characterized by the low thermal evolution of organic matter compatible with diagenis. Geographically, the main intervals of the Lower Jurassic taken place in the north-central western edge of the basin, in Peniche and São Pedro de Moel regions, where depocenters developed with deeper marine conditions (disoxic-anoxic outer ramp). The lithotypes are represented by marls and shales with good to excellent potential for oil generation, usually related to a type II kerogen, which is characterized by the predominance of heterogeneous amorphous organic matter (AOM) derived from phytoplankton with a bacterial reworking and associated to palynomorphs and variables terrestrial components. These intervals of the Lower Jurassic are characterized by low ratios of H29/H30, HOP/EST, H35/H34, TET/26TRI and depleted δ13C values of bitumen around -29.5 ‰. They are inserted into a transgressive cycle of 1st order related to large expansion of epicontinental sea, in which it developed two episodes of maximum flooding surface linked to shorter cycles of 2nd order occurred in Upper Sinemurian (Polvoeira Member) and Pliensbachian (MLOF Member). The poorest levels of hydrogen are controlled by 2nd order regressive trend responsible for proximal and dysoxic-suboxic conditions with high input of terrestrial components, featuring a kerogen type III and potential for gas generation. In the Vale das Fontes Formation, this poor facies is controlled by humid weather and relatively proximal conditions during the 2nd order transgressive cicle. The major intervals in the Upper Jurassic, are related to the end of a regressive cycle of 1st order coupled with the beginning of a short transgressive cycle and under tectonic influence during the Middle Oxfordian, responsible for restricted conditions ranging laterally from continental to transitional in the northern sector (Vale Verde Fm.) to shallow marine conditions and anoxic carbonates in south-central sector (Cabaços Formation). Following the complexity of depositional systems in the Cabo Mondego and Pedógrão region (northern sector), the limestones, marls and lignites with good to excellent hydrocarbon generation potential is associated with kerogens type II, derived from phytoplankton and bacteria (heterogeneous AOM associated with Botryococcus algae), and type III, derived from continental organic matter. In the region of Montejunto Ridge (south-central sector), the black limestones are associated with a kerogen type I-II derived mainly from bacteria (homogeneous AOM). These carbonate and anoxic intervals developed in the Upper Jurassic are characterized by high ratios of H29/H30, HOP/ST, H35/ H34, TET/26TRI and enriched δ13C values of bitumen around -25.7 ‰. Facies with a predominance of terrestrial organic matter are characterized by high ratios of PRI/FHY, TET/26TRI, H29/H30, HOP/ST and DIA/C27 and enriched δ13C values of bitumen around -23.4 ‰. The sampling conducted in this study, although limited because of its regional character, provided a broad overview of the geochemical properties of the main source rock petroleum potential intervals from the Lusitanian Basin, corroborating in part the interpretations made by other authors (BEICIP -Franlab, 1996; Dias, 2005, Oliveira et al., 2006; Duarte et al., 2010; Spigolon et al., 2010). Moreover, it was found that the intervals of the Upper Jurassic are as important as the Lower Jurassic intervals due to better quality and state of preservation of organic matter mainly related to bacterial or phytoplankton associated with restricted facies carbonate (marine or lacustrine-lagoonal). This work could support inferences and predictions about the organic geochemistry characteristics and distribution of spatial and temporal source rocks in the offshore areas as well as oil-source rock correlations, provided it is properly integrated in terms of tectono-sedimentary in an evolutional framework of Western Iberian Margin in the Mesozoic.
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131
resumo
A Bacia Lusitânica, localizada na parte oeste da
margem Ibérica, representa uma das inúmeras bacias
riftes mesozoicas formadas em resposta a fragmen-
tação do Pangeia e subsequente abertura do Oceano
Atlântico Norte. Sua complexa evolução geológica,
iniciada no Neotriássico, permitiu a sedimentação de
níveis ricos em matéria orgânica e com potencial para
geração de petróleo. Apesar das evidências da pre-
sença de sistemas petrolíferos ativos, o seu potencial
não foi integralmente avaliado. Este estudo apresen-
ta uma abordagem do ponto de vista geoquímico,
visando a caracterização e avaliação dos intervalos
com potencial para geração de petróleo e seu nível de
maturação térmica dentro do contexto evolutivo da
Bacia Lusitânica. Foram obtidos parâmetros químicos,
petrográficos, moleculares e isotópicos da matéria
orgânica presente em 76 amostras de superfície rela-
cionadas a calcilutitos, margas, argilitos, folhelhos e
linhitos, com ampla distribuição cronoestratigráfica
e espacial. Os resultados mostraram baixa evolução
térmica da matéria orgânica e a existência de dois
intervalos potencialmente geradores de petróleo,
sendo um pertencente ao Jurássico Inferior (formações
Água de Madeiros e Vale das Fontes) e o outro, ao
Jurássico Superior (formações Cabaços e Vale Verde).
A deposição destes intervalos foi fortemente contro-
lada pelos diferentes contextos geodinâmicos e seus
paleoambientes relacionados que se sucederam ao
longo do tempo. Durante o evento transgressivo do
Eojurássico, as condições marinhas relativamente mais
profundas e anóxicas-disóxicas a noroeste foram res-
ponsáveis pelo bom estado de preservação da matéria
orgânica (tipo II), caracterizada pelo sinal isotópico
mais leve (δ13Cmédio = -29,5‰) e formada principalmente
de matéria orgânica amorfa (MOA), com alguma
contribuição de palinomorfos e elementos terrestres.
No Neojurássico, sob o domínio de águas atlânticas
e nível relativo do mar baixo, instalam-se condições
restritas, favorecendo a deposição e preservação da
matéria orgânica com sinal isotópico caracteristica-
mente mais pesado (δ13Cmédio = -25,0‰). Os intervalos
com excelente potencial e ricos em hidrogênio estão
associados à matéria orgânica bacteriana (tipo I-II),
depositada em condições marinhas carbonáticas
anóxicas relativamente rasas, que gradam em direção
ao norte para condições continentais-transicionais
deltaico-lacustre-lagunares (querogênio do tipo II-III),
com maior influência de matéria orgânica terrestre.
Palavras-chave: Bacia Lusitânica | rochas potencialmente geradoras de petróleo |
geoquímica orgânica | Jurássico Inferior | Jurássico Superior
Geoquímica orgânica de rochas potencialmente
geradoras de petróleo no contexto evolutivo da
Bacia Lusitânica, Portugal
Organic geochemistry of petroleum source rock potential in the evolutional context of Lusitanian Basin, Portugal
André Luiz Durante Spigolon | Rui Paulo Bento Pena dos Reis | Nuno Lamas Pimentel |
Vasco Gonçalo Alves Esteves de Matos
132
abstract
The Lusitanian Basin, located in the west part of
the Iberian margin, represents one of many Mesozoic
rift basins formed in response to fragmentation of
Pangea and subsequent opening of the North Atlan-
tic Ocean. Its complex geological evolution, which
started in the Upper Triassic, led to the sedimentation
of levels rich in organic matter with a potential to
generate petroleum. Despite the presence of active
petroleum systems, its potential has not been fully
evaluated. This study presents an approach from the
geochemical standpoint aimed at the characterization
and evaluation of ranges with potential for petroleum
generation and their level of thermal maturity within
the evolutionary context of the Lusitanian Basin. The
study obtained chemical, petrographic, isotopic and
molecular parameters of organic matter from 76
surface samples related to limestone, marls, mud-
stones, shales and lignites, with a wide spatial and
chronostratigraphic distribution. The results showed
low thermal evolution of organic matter and the
existence of two main intervals of petroleum source
rock potential, one belonging to the Lower Jurassic
(Água de Madeiros and Vale das Fontes formations)
and the other to the Upper Jurassic (Cabaços and Vale
Verde formations). The deposition of these intervals
was strongly controlled by different geodynamic
contexts and their associated paleoenvironments
which followed over time. During the transgressive
event in the Lower Jurassic, the anoxic-disoxic and
relatively deeper marine conditions developed in the
northwest edge of the basin were responsible for the
good preservation of organic matter (type II), charac-
terized by lighter isotopic signal (δ13C mean = -29.5 ‰)
and predominance of amorphous organic matter
(AOM) with some contribution of palynomorphs
and terrestrial elements. In the Upper Jurassic,
under the control of Atlantic waters and low relative
sea level were installed restrict conditions favoring
the deposition and preservation of organic matter
with the isotopic signal characteristically heavier
(δ13C mean = -25.0 ‰). The intervals with high potential
for petroleum generation and rich in hydrogen are
associated with bacterial organic matter (type I-II)
deposited in anoxic marine carbonate conditions rela-
tively shallow, that passing in northward to continental-
transitional conditions related to a complex system
deltaic-lacustrine-lagoonal (kerogen type II- III) with
stronger contribution of terrestrial organic matter.
(Expanded abstract available at the end of the paper).
Keywords: Lusitanian Basin | petroleum source rock potential | organic g eochemistry |
Lower Jurassic | Upper Jurassic
133
introdução
A exploração de petróleo nas bacias portuguesas
remonta do século passado mais especificamente a
partir do final da década de 30, quando foram emi-
tidos diversos alvarás de concessão para pesquisas
envolvendo aquisição de dados geológico-geofísicos.
Desde então, foram realizados uma série de levanta-
mentos sísmicos, gravimétricos e magnetométricos,
bem como a perfuração de mais de uma centena de
poços exploratórios na área terrestre e marítima, dos
quais muitos deles apresentaram fortes indícios de óleo
e gás, indicando a presença de sistemas petrolíferos
ativos. No entanto, mesmo com uma extensiva cam-
panha exploratória, apenas duas sondagens produ-
ziram quantidades subcomerciais na Bacia Lusitânica, o
que inibiu significativamente os investimentos por parte
das grandes companhias a partir do final de década
de 70 (Fonte: DPEP, História da Pesquisa).
Diante da necessidade de uma avaliação mais
criteriosa a respeito dos sistemas petrolíferos das
bacias portuguesas, em meados da década de 90,
a Divisão para Pesquisa e Exploração de Petróleo do
Governo Português (DPEP) encomendou ao Beicip
Franlab Petroleum Consultant (IFP) um estudo geo-
químico detalhado baseado em amostras de rocha,
óleo e indícios coletados em afloramentos e poços
localizados tanto na parte emersa quanto submersa.
Os resultados mostraram a existência de dois prin-
cipais intervalos de rochas geradoras jurássicas em con-
textos geográficos distintos e com maturação térmica
elevada. Baseado na correlação óleo-rocha geradora,
os óleos encontrados na parte norte da Bacia Lusitânica
foram interpretados como gerados por folhelhos mari-
nhos do Jurássico Inferior correspondendo ao intervalo
Sinemuriano Superior-Pliensbaquiano, enquanto que
os óleos da parte sul foram gerados por carbonatos
marinhos do Jurássico Superior correspondendo ao
intervalo Oxfordiano Médio (BEICIP-FRANLAB, 1996).
Após a década de 90, diversos autores entre eles
Dias (2005), Oliveira et al. (2006), Duarte et al. (2010)
e Spigolon et al. (2010) destacaram o potencial
petrolífero da Bacia Lusitânica, especialmente com
relação a qualidade e elevado conteúdo orgânico
encontrado nos sedimentos marinhos jurássicos
das formações Água de Madeiros (Sinemuriano
Superior), Vale das Fontes (Pliensbaquiano) e Cabaços
(Oxfordiano). Teores elevados de carbono orgânico
também foram encontrados em rochas paleozóicas
(Upoff, 2005).
Atualmente, mesmo diante de um histórico de
insucesso exploratório sem descobertas econômicas,
diversas companhias, incluindo a PETROBRAS num
consórcio com a GALP ENERGIA e PARTEX, têm de-
monstrado interesse comercial na busca de novos
objetivos, sobretudo em áreas de águas profundas a
ultraprofundas consideradas como fronteira explora-
tória de alto risco, onde a recompensa pode ser alta.
Este trabalho tem como principal objetivo apre-
sentar uma visão regional das propriedades organo-
geoquímicas de rochas potencialmente geradoras
de petróleo dentro do contexto evolutivo da Bacia
Lusitânica em sua parte emersa, baseado na coleta
de 76 amostras. Foram integrados parâmetros quí-
micos e petrográficos da matéria orgânica, incluindo
parâmetros moleculares (biomarcadores saturados) e
isotópicos (𝛿13C-‰) medidos no betume extraído das
rochas. Com isto, foi possível compreender melhor as
variações nas propriedades geoquímicas dos principais
intervalos geradores, bem como, suas distribuições
espaciais (geográfica e estratigráfica), visando auxiliar
de forma preditiva as atividades de exploração nas
bacias offshore portuguesas. Os resultados obtidos
neste trabalho também foram correlacionados com
uma vasta base de dados obtidas por diversos traba-
lhos anteriores (BEICIP-FRANLAB, 1996; Dias, 2005;
Oliveira et al., 2006; Duarte et al., 2010).
contexto geológico
e amostragem
A Bacia Lusitânica, localizada ao longo da margem
oeste da Península Ibérica, ocupa cerca de 22.000km²,
sendo que 75% da área aflora na parte continental
emersa e o restante encontra-se na parte imersa
da plataforma continental. Sua forma alongada se
estende por cerca de 220km na direção NNE-SSW,
com aproximadamente 100km de largura (Kullberg
et al., 2006; fig. 1).
Representa uma das inúmeras bacias riftes mezo-
soicas da margem atlântica, que tiveram sua origem
relacionada à fragmentação do Supercontinente
Pangeia no final do Neotriássico, culminando na
abertura do Oceano Atlântico Norte (Wilson, 1975;
Wilson et al., 1989; Pinheiro et al., 1996; Pena dos
Reis et al., 2000; Kullberg et al., 2006; Pena dos Reis
et al., 2009; Pena dos Reis et al., 2010).
134
A complexa evolução desta bacia está fortemente
ligada aos distintos controles geodinâmicos que se
sucederam ao longo do tempo, desde o início de sua
configuração de rifte intracontinental no Neotriássico,
passando pelas influências marinhas tetianas e atlânticas
ainda em regime extensional ao longo do Jurássico e
Eocretáceo e desenvolvimento de margem passiva até a
inversão tectônica da bacia, resultado da colisão entre
as placas Ibérica e Africana no Neocretáceo (Pena dos
Reis e Pimentel, 2008; Pena dos Reis et al., 2009; Pena
dos Reis et al., 2010; fig. 2).
O seu registro sedimentar inicia-se com depósitos
continentais siliciclásticos do Triássico Superior (for-
mações Conraria e Castelo Viegas), que gradam para
sedimentos predominantemente argilo-evaporíticos,
depositados em ambientes transicionais de sabkas a
lagunares e se estendendo até o Hetangiano (formações
Dagorda e Pereiros) no início do Jurássico (Palain, 1976;
Azerêdo et al., 2003; Pena dos Reis e Pimentel, 2006).
A partir daí, as invasões marinhas provocaram um afo-
gamento generalizado, que culminou inicialmente no
desenvolvimento de um sistema de rampa carbonática
rasa com sedimentação dolomítica (Fm. Coimbra) e pas-
sando a uma rampa carbonática relativamente profunda
(hemipelágica), onde ocorrem depósitos margo-calcários
com níveis ricos em matéria orgânica, representados
pelas formações Água de Madeiros-Sinemuriano
Superior e Vale das Fontes-Pliensbaquiano (Mouterde et
al., 1979; Duarte e Soares, 2002; Azerêdo et al., 2003;
Duarte et al., 2004; Oliveira et al., 2006; Pena dos Reis
et al., 2009; Duarte et al., 2010). Estes depósitos estão
associados a eventos de inundação máxima que foram
depositados durante ciclos transgressivos de 2a ordem,
onde ocorrem importantes intervalos de rochas poten-
cialmente geradoras de petróleo (Duarte et al., 2004;
Oliveira et al., 2006; Duarte et al., 2010). Fácies margo-
calcárias prevalecem durante o Eojurássico.
No Mesojurássico, acentua-se gradativamente a
tendência regressiva na bacia, com significativa dimi-
nuição do nível do mar. O sistema de rampa carbo-
nática evolui para depósitos de águas rasas de alta
energia, integrados na Formação Candeeiros e com
barreiras recifais e oolíticas no Caloviano (Azerêdo et
al., 2002; Azerêdo et al., 2003). O raseamento gene-
ralizado culmina em uma importante descontinuidade
no topo do Caloviano, que se traduz em um hiato
deposicional e marca o início de uma segunda fase
rifte, condicionada a um forte controle tectônico da
subsidência e desenvolvimento de sub-bacias (Pena
dos Reis et al., 2010). A deposição se retoma no
Oxfordiano médio, com ambientes marinhos rasos
a transicionais (lacustre-lagunares com inflluxo del-
taico) sob fortes variações de salinidade e evidências
de exposição subaérea em diversos locais da bacia
(Azerêdo et al., 2002; Azerêdo et al., 2003). Estes
depósitos de natureza margo-calcárea, associados a
níveis ricos em matéria orgânica (formações Cabaços
e Vale Verde), gradam para sedimentos marinhos
carbonáticos rasos a profundos, representados pela
Formação Montejunto. Neste estágio, há uma reor-
ganização geotectônica que coloca a Bacia Lusitânica
alinhada ao Atlântico Central e aberta para sul (Pena
dos Reis et al., 2009; Pena dos Reis et al., 2010).
A partir do Kimmeridgiano, a sedimentação passa
a ser predominantemente siliciclástica, representada
pela progradação de espessos corpos alúvio-fluvio-
deltaicos (formações Boa Viagem e Alcobaça) e leques
turbidíticos (Fm. Abadia), sugerindo eventos de reati-
vação tectônica com forte subsidência e significativo
preenchimento, culminando na colmatação e rasea-
mento da bacia durante o Titoniano (Fm. Lourinha).
Este período é marcado pela atividade tectônica
do sal (halocinese), que influenciou muitas vezes a
Figura 1
Distribuição espacial e loca-
lização dos pontos amos-
trados (Mapa modicado de
Silva, 20 07).
Figure 1
Location and spatial distribution
of sampling points (map modi-
fied from Silva, 2007).
135
sedimentação no Neojurássico (Alves et al., 2002;
Pena dos Reis et al., 2009; Pena dos Reis et al., 2010).
O início do Cretáceo é caracterizado por uma
importante descontinuidade que marca o início da fase
drifte em ambiente de deriva continental e sob influ-
ência de mar aberto (Neoberriasiano-Eovalanginiano).
Durante este período até o Turoniano, ocorre a expansão
do Atlântico Norte, que se propaga de sul para
norte em três segmentos diácronos, os quais estão
associados a soerguimentos e erosão generalizada
(Alves et al., 2002; Rey et al., 2006; Pena dos Reis et al.,
2009; Pena dos Reis et al., 2010). A sedimentação fica
restrita a porção centro-sul da bacia, representada por
depósitos fluvio-estuarinos (formações Vale de Lobos,
Regatão e Almargem Inferior) a marinho-carbonático
costeiros (formações Guincho e Crismina), que estão
inseridos em um ciclo regressivo de 1ª ordem (fig. 2).
No Neoptiano, o rompimento do segmento da Galiza
e desenvolvimento de uma margem passiva são mar-
cados por progradações de sedimentos siliciclásticos
grossos, associados a sistemas fluviais entrelaçados
(formações Rodízio e Figueira da Foz), seguidos pelo
desenvolvimento de uma plataforma carbonática rasa
com barreiras recifais de rudistas em regime trans-
gressivo (Fm. Costa de Arnes). No final do Cretáceo,
inicia-se uma fase de inversão tectônica com exposição
generalizada e intenso vulcanismo (Pena dos Reis et
al., 2009; Pena dos Reis et al., 2010).
Dentro deste contexto geológico e evolutivo
conhecido, foram coletadas 76 amostras de super-
fície relacionadas a calcilutitos, margas, argilitos,
folhelhos e linhitos, com ampla distribuição crono-
estratigráfica e espacial (figs. 1 e 2).
A amostragem procurou dar ênfase ao intervalo
de idade que compreende o Jurássico, onde ocorrem
as principais rochas geradoras da bacia (tabela 1).
Figura 2
Distribuição cronoestrati-
gráca e contexto evolutivo
das amostras coletadas.
Figure 2
Chronostratigraphic distri-
bution and evolutional con-
text of the colected samples.
136
métodos
Para a obtenção dos parâmetros geoquímicos
das rochas estudadas, foi empregado um conjunto
de técnicas analíticas incluindo carbono orgânico
total, pirólise Rock-Eval e petrografia orgânica, jun-
tamente com um protocolo específico para a extra-
ção do betume e determinação de sua composição
molecular (biomarcadores saturados) e isotópica
(δ13C-‰) (fig. 3).
As amostras foram pulverizadas e peneiradas em
uma granulometria de 80 mesh para as análises de
carbono orgânico total (COT-%), pirólise Rock-Eval e
extração do betume.
A riqueza ou quantidade de matéria orgânica,
representada pelo teor de COT, foi determinada
utilizando-se um analisador LECO SC-144 com detec-
tor infravermelho, a partir de amostras previamente
acidificadas com ácido clorídrico (HCl) para remoção
do conteúdo carbonático.
A alíquota de amostra não eliminada pelo ataque
ácido foi utilizada para a análise de COT, bem como
para o cálculo do resíduo insolúvel (%RI = [peso do
insolúvel – PI / peso da amostra – PA] * 100). O resí-
duo insolúvel foi utilizado para discriminar o tipo de
rocha, sendo que valores acima de 65% indicam fácies
siliciclásticas, enquanto valores inferiores a 35% carac-
terizam fácies carbonáticas. Os valores intermediários
correspondem a margas (35<RI%<65).
As amostras com teores acima de 0,5% de COT
foram submetidas à análise de pirólise Rock- Eval, a fim
de quantificar os hidrocarbonetos livres (S
1
– mg HC/g
rocha), o potencial gerador (S2 – mg HC/g rocha), a
temperatura máxima de geração medida no pico S2
(Tmáx - oC) e a quantidade de CO2 liberado (S3 – mg
HC/g rocha). Estes parâmetros permitem calcular os
índices de hidrogênio (S2/COT=IH – mg HC/g COT) e
oxigênio (S
3
/COT=IO – mg CO
2
/ g COT), que fornecem
informações a respeito do tipo de matéria orgânica e
do potencial de geração de hidrocarbonetos (Espitalié
et al., 1977; Tissot e Welte, 1984).
Para o estudo microscópico da matéria orgânica,
as amostras foram fragmentadas em tamanhos infe-
riores a 5mm e, posteriormente, acidificadas para o
isolamento do querogênio. O isolamento do quero-
gênio seguiu os procedimentos de ataque ácido não
oxidativo descritos por Oliveira et al. (2004). A análise
visual do querogênio foi feita em microscópio ótico
de luz branca transmitida com fonte halogênica de
100 watts e luz azul incidente (fluorescência) com
fonte de mercúrio tipo HBO 100 watts, a fim de
determinar a origem e estado de preservação dos
componentes orgânicos (Tyson, 1995; Mendonça
Filho, 1999). Nas amostras muito ricas em matéria
orgânica (COT>20%), optou-se pela confecção de
plugs de rocha total, que foram observados em
microscópio de luz refletida e luz fluorescente.
Dependendo da quantidade de hidrocarbonetos
livres (S1), o betume foi recuperado da rocha geradora
a partir da extração acelerada com solvente (ASE -
Accelerated Solvent Extractor; Jansen et al., 2006).
O solvente utilizado foi o diclorometano (DCM).
Após a extração, uma alíquota do betume foi
analisada por meio de um espectrômetro de massa
(EA-IRMS) para a determinação da composição
isotópica de carbono (δ13C – ‰). Outra alíquota
foi fracionada por cromatografia líquida de média
pressão para a separação das frações represen-
tadas pelos compostos saturados, aromáticos e
resinas+asfaltenos.
Os compostos saturados foram utilizados para as
análises de geoquímica molecular, que envolvem a
composição global obtida por meio de cromatografia
a gás (GC) e a composição dos biomarcadores terpa-
nos (m/z 191) e esteranos (m/z 217) por meio de cro-
matografia a gás acoplada a espectrometria de massas
(GC-MS). Os resultados foram reportados em altura
de pico e os parâmetros geoquímicos moleculares
foram calculados na forma de razão entre compostos.
TOTAL IDADE LITOESTRATIGRAFIA
(nº): número de amostras coletadas por Formação
1Cretáceo Superior Formação Costa de Arnes (1)
28 Jurássico Superior fms. Cabaços (7), Vale Verde (9), Montejunto (1), Abadia (9),
Lorinhã (2)
1Jurássico Médio Formação Cabo Mondego (1)
45 Jurássico Inferior fms. Dagorda (5), Coimbra (1), Pereiros (1), Água de Madeiros (13)
Vale das Fonte (20), São Gião (4), Póvoa da Lomba (1)
1Triássico Superior Formação Conraria (1)
Tabela 1
Total de amostras estudadas
por idade e formação.
Table 1
Total of studied samples for
age and formation.
137
As razões de biomarcadores saturados foram utili-
zadas para determinar o grau de maturação térmica
e caracterizar os ambientes deposicionais quanto a
origem e condições de deposição da matéria orgânica.
Para tanto, foram escolhidas algumas razões diag-
nósticas tais como: pritano/fitano (PRI/FIT), hopanos/
esteranos (HOP/EST), C29 norhopano/C30 hopano (H29/
H30), C35 homohopano/C34 homohopano (H35/H34),
C24 tetracíclico/C26 tricíclico (TET/26TRI), diasteranos/
C27 ααα esteranos (DIA/C27), C27 trisnorneohopano/
C
27
trisnorneohopano+trisnorhopano (Ts/Ts+Tm) e C
29
norneohopano/C29 norhopano (C29Ts/H29) (Peters
et al., 2005).
Os dados adquiridos por estas técnicas ana-
líticas foram integrados, permitindo uma visão
mais completa do ponto de vista geoquímico e de
fácies orgânicas para cada unidade litoestratigráfica
estudada (Menezes et al., 2008).
resultados e discussões
Os resultados geoquímicos médios obtidos para
cada intervalo de idade ou formação são apresen-
tados na tabela 2.
De maneira geral, os valores de Tmáx inferiores
a 440°C, juntamente com os elevados percentuais
de resinas+asfaltenos encontrados nos betumes
extraídos das rochas (>60%), indicam que todas
as amostras estudadas encontram-se no estágio
imaturo de geração de petróleo. No caso do carvão
(fig. 10b, amostra PN-4), o baixo grau de carbonifi-
cação o caracteriza como um linhito.
A evolução térmica relacionada a condições
de mais baixa temperatura, compatível com a
diagênese, também pode ser comprovada pela
fluorescência amarela-laranja intensa que os com-
ponentes orgânicos ricos em hidrogênio exibem,
bem como pela composição dos biomarcadores
representada pelos baixos valores das razões
Ts/Ts+Tm e C29Ts/H29 (figs. 4 e 5). Contudo, regiões
maturas foram identificadas pelo BEICIP-FRANLAB
(1996) a partir da análise de poços, tanto na parte
submersa do setor norte quanto na parte emersa
do setor central da Bacia Lusitânica. Além disso, a
ocorrência de oil seeps evidencia um processo ativo
de migração a partir de cozinhas posicionadas dentro
da zona de óleo (Spigolon et al., 2010). Estes fatos
permitem supor que os dados de maturação obtidos
neste trabalho estão condicionados pelo processo de
amostragem, focada em áreas com menor soterra-
mento, localizadas na proximidade de domos salinos.
Em termos composicionais, as melhores fácies orgâ-
nicas (ricas em hidrogênio e com elevado potencial de
geração de petróleo) estão associadas principalmente
às formações Água de Madeiros, Vale das Fontes,
Cabaços e Vale Verde, onde ocorrem valores de IH
variando de 664mg a 250mg HC/g COT e valores de
IO abaixo de 70mg CO
2
/g COT, caracterizando um
querogênio do tipo I-II, quase sempre formado pelo
predomínio de matéria orgânica amorfa com elevada
fluorescência, associado a componentes orgânicos
terrestres variáveis (fig. 5 e tabela 2). É importante
destacar que a Formação Montejunto apresentou
Figura 3
Protocolo analítico empre-
gado neste trabalho para
caracterização geoquímica.
Figure 3
Analytical protocol used in
this work for geochemical
characterization.
138
uma única amostra rica em hidrogênio com excelente
potencial de geração de petróleo, entretanto, é ne-
cessário aumentar o universo amostral visando uma
avaliação mais ampla e conclusiva. As demais amostras
apresentaram baixos valores de IH, caracterizando um
querogênio do tipo III-IV com predomínio de matéria
orgânica lenhosa, mais propensa a geração de gás
(fig. 5 e tabela 2).
De acordo com os resultados geoquímicos obti-
dos a partir desta amostragem, dois grandes grupos
de rochas potencialmente geradoras podem ser defi-
nidos: um formado por folhelhos e margas marinhas
depositadas no Eojurássico (Sinemuriano Superior-
Pliensbaquiano) e o outro formado por uma ampla
variedade de litotipos, desde calcilutitos e margas
até linhitos depositados em um contexto complexo
de paleoambientes transicionais (lacustre-lagunares
pantanosos) a marinho carbonático anóxico no
Neojurássico (Oxfordiano Médio). Os parâmetros
moleculares e isotópicos são diagnósticos de cada
grupo e reforçam as diferentes fontes de matéria
orgânica e condições paleoambientais desenvol-
vidas ao longo de cada período de tempo. O grupo
do Jurássico Inferior é caracterizado por valores
isotopicamente mais leves de carbono do betume
(δ
13
C
médio
= -29,50‰) juntamente com os valores mais
baixos das razões H29/H30, HOP/EST, H35/H34 e
TET/26TRI, enquanto o grupo do Jurássico Superior
apresenta valores isotopicamente mais pesados de
carbono (δ13Cmédio = -24,96‰), juntamente com os
valores mais elevados das razões H29/H30,
HOP/EST, H35/H34 e TET/26TRI (tabela 2 e fig. 6).
Estes resultados apontam no sentido semelhante
aos obtidos pelo BEICIP-FRANLAB (1996) para a
Bacia Lusitânica. Subgrupos com características geo-
químicas peculiares (isotópicas, petrográficas e mo-
leculares) podem ser definidos de acordo com o tipo
de matéria orgânica, sendo esta última controlada
PERÍODO IDADE
FORMAÇ ÃO
COT RI S2 IH Tmax δ13 CPRI/FIT H29/H30 HOP/ES T H35/H34
TET/26TRI
DIA/C27 TIPO DE
QUEROGÊNIO
Cretác eo
Superior
Cenoma-
niano
Costa
d'Arnes 0,3 68 – – – –
Jurássico
Superior
Titoniano
Lourinhã 2,1 68 0,4 19,0 438 –25,90 1,5 0,6 5,4 0,6 0,9 0,6 IV
Kimerid-
giano Abadia 1,0 74 0,4 40,0 434 –26,42 1,7 0,5 6,5 0,6 0,9 0,5 III-IV
Oxfor-
diano
Vale Verde
1,2 13 5,8 483,3 432 –26, 47 1,0 0,7 4,6 1,0 3,4 0 ,1 II
28,6 65 96,8 338,5 423 –23,36 5,2 0,9 6,6 0,5 4,5 0,8 III
Cabaços 2,8 14 16,0 563,9 429 –25,07 0,6 1,0 9,1 0,9 9,4 0,2 I-II
Jurássico
Médio
Aaleniano
Cabo
Mondengo 0,4 60 ––––26,45 – – – –
Jurássico
Inferior
Toarciano
Póvoa de
Lomba 0,5 36 0,2 44,0 425 26, 41 – – – – III-IV
São Gião 0,2 58 ––– 27,1 2 – – – –
Pliensba-
quiano
Vale das
Fontes 2,9 51 9,3 320,7 429 –28,67 2,2 0,5 2,7 0,6 2,0 0,5 II-III
Sinemu-
riano
Água de
Madeiros 3,3 58 12,3 365,9 425 –30,30 1,2 0,5 1,0 0,7 1,6 0,2 II-III
Coimbra 0 ,1 8 – – – – –
Hetan-
giano
Pereiros 0,6 96 0,1 16,7 426 –26,36 – – – – IV
Dagorda 1,0 84 0,3 30,9 427 26,06 1,0 0,6 6,9 0,6 2,6 0,4 III
Triássico
Superior Carniano Conraria 0,9 96 0,3 33,3 430 –24,25 – – – – III
Legenda COT: carbono orgânico
tot al (%)
RI: resíduo in solúvel (%)
Tmax: temperatura
máxima (ºC)
S2: potencial gerador (mg HC/g rocha)
IH: índice de hidrogênio (mg HC/g COT)
δ13C: isótopo de carbono de betume (‰)
PRI/FIT: razão pristano/tano
H35/H34: C35 / C34 homohopanos (R + S)
H29/H30: C29 norhopano / C30 hopano
HOP/ES T: total de hopan os / total de esteranos
TET/26TRI: C24 terpano tetra cíclico / C26 terpano tricíclico (R + S)
DIA/C27: C27 βα diasterano (S + R) / C27 ααα este rano (20S + 2 0R)
Tabela 2
Sumário dos resultados geo -
químicos da Bacia Lusitânica
e tipos de querogênio.
Table 2
Summary of geochemical
results from Lusitanian Basin
and kerogen types.
139
Figura 4
Grau de maturação térmica
e origem da matéria orgâ-
nica baseado nas razões de
biomarcadores hopanos
Ts/ Ts+Tm e C2 9Ts /H29.
Figure 4
Thermal maturation degree
and origin of organic mat-
ter based on the Ts/Ts+Tm
and C29Ts/H29 hopane bio -
marker ratios.
pelas variações nas proporções dos compo nentes
orgânicos de origem continental (derivados de
plantas terrestes superiores) ou aquática (derivada
de bactérias e/ou algas). Em geral, as fácies com
grande contribuição continental e siliciclástica são
caracterizadas pelo predomínio de fitoclastos não-
opacos, por valores isotopicamente mais pesados
e pelos valores muito baixos da razão Ts/Ts+Tm,
associados ao predomínio de C
29
esteranos e aos
valores mais elevados das razões PRI/FIT e DIA/C27
(tabela 2 e figs. 4, 5 e 6).
A seguir, os apectos geoquímicos das amostras
estudadas serão apresentados e discutidos, consi-
derando os trabalhos anteriores e seguindo uma
ordem geocronológica dentro do contexto evolutivo
da Bacia Lusitânica.
Triássico-Jurássico Médio
No estágio rifte 1 (fig. 2), as argilas cinzentas
(RI>84) relacionadas às formações Conraria (Triássico
Superior), Dagorda e Pereiros (Hetangiano, Jurássico
Inferior) apresentaram baixo a médio conteúdo de
carbono orgânico, variando de 0,45% a 1,46% e
muito pobre potencial de geração de hidrocarbo-
netos, inferior a 0,3mg HC/g de rocha. Os valores
baixos de IH inferior a 34mg HC/g COT caracterizam
um querogênio do tipo III-IV, pobre em hidrogênio
e mais propenso a geração de gás (tabela 2; fig. 5).
A associação de componentes orgânicos, tal como
fitoclastos opacos e não-opacos, cutículas, esporomor-
fos e resinas, permite inferir um paleoambiente essen-
cialmente continental para o intervalo estudado, como
já havia sido afirmado por outros autores (fig. 7; Palain,
1976; Azerêdo et al., 2003). Os valores isotópicos de
carbono do betume encontrados para o intervalo
são caracteristicamente mais pesados, variando de
-24,25‰ a -26,06‰. A presença de políades, tétrades
e cutículas, aliada ao baixo estado de preservação des-
tes componetes que exibem fluorescência esmaecida
laranja ou em tons castanhos, indicam condições de
deposição oxidantes e relativamente proximais à área-
fonte da flora que os produziu (fig. 7). O predomínio
de grãos de pólen do gênero Classópolis, associado a
depósitos evaporíticos presentes neste intervalo, pode
sugerir um clima quente e árido associado à restrição
de corpos aquosos e elevada evaporação. Estas fá-
cies ocorrem especialmente na região de Coimbra e
Penela, borda leste do setor norte da Bacia Lusitânica
(figs. 1 e 2). Os resul tados obtidos foram similares
aos encontrados pelo BEICIP-FRANLAB (1996) para a
Formação Dagorda, caracterizando o pobre potencial
de geração de petróleo. Porém, fácies mais distais e
com melhor potencial de geração de hidrocarbonetos
não podem ser descartadas, visto que, localmente, em
quatro poços (Pe-1, 17C-1, 13 E-1 e Mo-1) na parte
submersa da bacia, alguns níveis apresentaram poten-
cial gerador de petróleo acima de 2kg HC/ton rocha
(BEICIP-FRANLAB, 1996).
A primeira grande abertura da bacia em ambiente
marinho epicontinental com a instalação de uma rampa
carbonatada homoclinal inclinada para noroeste com
baixo gradiente ocorreu no Eojurássico, mais especifi-
camente no Sinemuriano (Azerêdo et al., 2003; Duarte
et al., 2004; Pena dos Reis et al., 2010).
Nesta fase, foram avaliados depósitos de carbona-
tos e margas do Sinemuriano (Fm. Coimbra) na região
de Sesimbra, os quais apresentaram muito baixo con-
teúdo de carbono orgânico (tabela 2), evidenciando
as condições marinhas rasas, proximais e oxidantes
da borda sul-sudeste da bacia. Estes resultados com-
plementam as indicações feitas pelo BEICIP-FRANLAB
(1996) para a mesma porção sul da bacia.
No setor norte, especialmente na região de São
Pedro de Moel, os moderados a elevados teores de
COT (1,16% a 9,89%) e S2 (1,9mg a 52mg HC/g
rocha) indicam que as margas e folhelhos marinhos
do Sinemuriano Superior pertencentes à Formação
Água de Madeiros (membros Praia da Pedra Lisa
e Polvoeira) apresentam desde pobre a excelente
potencial de geração de hidrocarbonetos. Os va-
lores de IH e IO sugerem um querogênio do tipo II
140
Figura 5 - Diagrama tipo Van Krevelen mostrando
a composição química do querogênio e sua relação
com o tipo de particulado orgânico obser vado em
microscópio de luz branca e uorescente. ( VR-1)
Matéria orgânica amorfa homogênea derivada de
bactérias com elevada uorescência (querogênio
do tipo I-II, elevado IH), representando fragmentos
de tapetes microbianos associados a calcilutitos
negros da Formação Cabaços. (RA-1) Predomínio de
matéria orgânica amorfa heterogênea uorescente
derivada do toplancton e bactérias , com to-
clastos e palinomorfos subordinados (querogênio
do tipo II, moderado IH), relacionados a margas da
Formação Vale das Fontes. (PN-1) Predomínio de
toclastos não opacos com cutículas degradadas de
fraca uorescência (querogênio do tipo III, baixo
IH), relacionados a margas da Formação Vale Verde.
Figure 5 - Van Krevelen-type diagram showing
the chemical composition of kerogen and its
relationship with the types of organic particles
observed in microscopy of transmitted and fluo-
rescence lights. (VR-1) Homogeneous amorphous
organic mat ter derived from bacteria with high
fluorescence (type I-II kerogen, high hydrogen
index), representing microbial mats fragments
associated with black limestones of the Cabaços
Formation. (RA-1) Predominance of fluores-
cent heterogenous amorphous organic matter
derived from phytoplankton and bac teria, with
presence of phytoclasts and palynomorphs (type
II kerogen, moderate hydrogen index), related
to marls of the Vale das Fontes Formation. (PN-1)
Predominance of non-opaque phytoclasts with
degraded cuticles of low fluorescence (type III
kerogen, low hydrogen index), related to marls
of the Vale Verde Formation.
141
a III, propenso a geração de óleo e gás (tabela 2;
figs. 5 e 8).
Como assinalado por Duarte et al. (2004; 2010), o
comportamento contrastante com os baixos teores de
COT encontrados na parte sudeste da bacia indicam
que a região de São Pedro de Moel se comportou como
um depocentro durante o Sinemuriano Superior, sendo
que o sistema em rampa se aprofundava para noroeste.
A variação composicional do querogênio encon-
trada para a Formação Água de Madeiros se deve a
diferentes fácies orgânicas controladas principalmente
pelas condições de oxi-redução e aporte continental no
paleoambiente deposicional, em geral, ligadas a varia-
ções relativas no nível do mar. As fácies mais ricas em
hidrogênio estão relacionadas às condições disóxicas-
anóxicas de deposição ocasionadas pela eficiente
estratificação da coluna de água (circulação restrita),
as quais condicionam uma melhor preser vação da
matéria orgânica que, por sua vez, é formada pre-
dominantemente por material amorfo hetero gêneo
fluorescente (MOA), provavelmente derivado do fito-
plâncton com retrabalhamento bacteriano. Ocorrem
palinomorfos marinhos como prasinophytas e acri-
tarcos, além de esporomofos diversos. Estes intervalos
Figura 7
Depósitos continentais
siliciclásticos da fase rifte 1.
(CBR1-1) Argilito cinza da For-
mação Conraria (Triássico),
associados ao predomínio de
matéria orgânica cuticular
degradada com uorescenia
fraca. (PNL-1) Argilito cinza
escuro da Formação Dagor-
da associado a toclastos;
cutículas e esporomorfos su-
gerindo condições de depo-
sição próximas a área-fonte
terrestre.
Figure 7
Continental siliciclastic depos-
its of rif te 1 phase. (CBR1-1)
Gray mudstone of Conraria
Formation (Triassic) associated
to predominance of cuticular
organic mat ter with low fluo-
rescence. (PNL-1) Dark gray
mudstone of Dagorda Forma-
tion associated to phytoclasts,
cuticles and sporomorphs sug-
gesting deposition of proxi-
mal conditions to terrestrial
source area.
Figura 6 - Gráco mostrando os dois princi-
pais grupos de rochas potencialmente gera-
doras de petróleo, baseado na composição
isotópica de carbono do betume (δ13C) e na
razão de biomarcadores hopanos H29/H30.
Figure 6 - Graph showing the two main
groups of petroleum source rocks based
on the carbon isotopic composition of
bitumen (δ13C) and the H29/H30 bio-
marker ratio.
142
ricos em matéria orgânica foram interpretados por
Duarte et al. (2004; 2010) como correlacionados a
um evento de inundação máxima, associado a uma
fase transgressiva de amonites 2ª ordem localizada na
parte superior da biozona oxynotum e grande parte
da biozona raricostatum, correspondendo ao Membro
Polvoeira. Além dos elevados valores de COT, que
podem alcançar até 22,5%, este importante episódio
de inundação também é confirmado pelo aumento
da componente lamosa e pela diminuição da macro-
fauna bentônica (bivalves e braquiópodes), passando
para uma abundante macrofauna nectônica formada
por amonites e beleminites (Duarte et al., 2004;
2010). Por outro lado, as fácies com pobre potencial
de geração de hidrocarbonetos tendem a ser deposi-
tadas em condições oxidantes, proximais e com maior
contribuição continental. Estudos detalhados de pa-
linofácies realizados por Matos (2009) corroboram
esta interpretação, mostrando variações nas fácies
orgânicas indicadas pela diminuição dos valores
de COT, pelo aumento no percentual de fitoclastos
(matéria orgânica terrestre) e diminuição no percen-
tual de matéria orgânica amorfa (MOA).
As distribuições dos parâmetros geoquímicos
das amostras estudadas pertencentes à Formação
Água de Madeiros (membros da Polvoeira e Praia da
Pedra Lisa) encontram-se na figura 8. Este intervalo
com acurado controle bioestratigráfico baseado em
amonites representa a seção tipo, definida por Duarte
e Soares (2002). Foram analisadas 13 amostras cole-
tadas a partir da parte superior do Membro Polvoeira
(biozona raricostatum).
Os resultados mais elevados de COT, S2 e IH
econtram-se exclusivamente no Membro Polvoeira,
onde Duarte et al. (2004; 2010) assinalaram um in-
tervalo de máxima inundação (biozona raricostatum).
Em direção ao topo deste membro, observa-se uma
clara tendência de diminuição dos valores de COT, S2
e IH, marcando a passagem de condições disóxicas-
anóxicas mais profundas para condições proximais
subóxicas-disóxicas no Membro Praia da Pedra Lisa
(fig. 8). De acordo com Duarte et al. (2004; 2010),
esta passagem está ligada a uma fase progradacional
dentro de um pequeno ciclo com tendência regressiva
de 2ª ordem, localizada na parte superior da biozona
raricostatum. Além disso, a ocorrência de ostracodes
e radiolários no Membro Praia da Pedra Lisa suporta
a interpretação de um paleoambiente marinho raso
em contexto deposicional regressivo, mesmo sem a
presença de uma abundante fauna bentônica (Duarte
et al., 2004).
A partir da parte superior do Membro Praia da
Pedra Lisa, o aumento da componente lamosa dá
lugar a um novo ciclo transgressivo de 2ª ordem
que se extende até o topo da Formação Vale das
Fontes. Neste intervalo, observa-se predomínio de
fácies com pobre potencial de geração de petróleo
associado à maior contribuição de matéria orgânica
continental (figs. 5 e 8; querogênio tipo III). Contudo,
em direção ao topo do Membro Praia da Pedra Lisa,
as alternâncias de fácies pobres e ricas são fortemen-
te controladas pelas oscilações de maior frequência
do nível relativo do mar e, consequentemente, das
condições de oxi-redução do paleoambiente depo-
sicional. Os parâmetros moleculares e isotópicos
obtidos reforçam estas interpretações.
A correlação positiva entre as razões de biomarca-
dores HOP/EST, PRI/FIT e TET/26TRI reflete uma com-
binação de fatores relacionados à origem da matéria
orgânica e condições de oxi-redução do paleoambiente
deposicional (Peters et al., 2005). Em geral, o aumento
destas razões em direção ao topo da Formação Água
de Madeiros e Vale das Fontes reforçam a tendência de
diminuição do nível relativo do mar, acompanhado pela
mudança gradativa das fácies orgânicas, inicialmente
caracterizadas pelo predomínio de matéria orgânica
derivada de algas (baixas razões HOP/EST e TET/26TRI)
associadas a condições disóxicas-anóxicas (baixa razão
PRI/FIT), passando para uma maior influência de ma-
téria orgânica continental e bacteriana associada a
condições disóxicas-subóxicas. As razões H29/H30,
DIA/EST e H35/H34 não apresentaram significativas
variações, mostrando um comportamento homogêneo
para o intervalo com valores mais baixos inferiores a 1,
compatíveis com a geoquímica molecular de folhelhos e
margas depositados em condições anóxicas-subóxicas,
segundo Peters et al. (2005) (fig. 8). Os valores isotó-
picos de carbono do betume (δ13C) encontrados para
o intervalo são caracteristicamente mais negativos e
variam de -29,78‰ a -30,79‰, com valores médios de
-30,30‰ (tabela 2; fig. 8). Os valores isotopicamente
menos negativos são controlados principalmente pela
entrada de material continental no ambiente marinho.
Em geral, estes valores apresentam boa correlação
com fácies orgânicas de pobre potencial de geração
de petróleo, relacionadas a uma maior componente
siliciclástica e input continental em ambiente mais
oxidante (RI>75 e IH<250; fig. 8). Entretanto, na base
do intervalo (Mb. Polvoeira), os valores mais positivos
da razão δ13C parecem estar associados localmente à
combinação de elevada produtividade e anoxia, cor-
roborada pelos maiores valores de COT, S2, IH (fig. 8).
143
Por outro lado, os valores mais negativos estão asso-
ciados a intervalos de maior preservação da matéria
orgânica, provavelmente relacionados à eficiência de
estratificação da coluna de água (circulação restrita
de fundo), provocando condições disóxicas-anóxicas
desenvolvidas durante períodos de nível relativo do
mar mais elevado. Em direção ao topo do Membro
Praia da Pedra Lisa, nota-se uma clara tendência
dos valores isotópicos de carbono se tornarem
mais negativos, marcando uma nova subida rela-
tiva do nível do mar, relacionada a um novo ciclo
transgressivo-regressivo de 2ª ordem (fig. 8). Esta
interpretação é confirmada pelo aumento da com-
ponente lamosa, associada à ocorrência de valores
mais elevados de COT, S2 e IH na parte superior
do Membro Praia da Pedra Lisa, que se extendem
Figura 8
Visão geral da sequência de
carbonatos, margas e folhe-
lhos das formações Água de
Madeiros e Vale das Fontes
que aoram na região costeira
de São Pedro de Moel. (a1)
Detalhe do Membro Polvoeira.
(a2) Detalhe do Membro Praia
da Pedra Lisa. (a3) Detalhe da
Formação Vale das Fontes. (b)
Distribuição estratigráca dos
parâmetros geoquímicos.
Figure 8
Overview of the carbonate se -
quence, marls and shales from
Água de Madeiros e Vale
das Fontes formations in the
coastal region of São Pedro
de Moel. (a1) Detail of Pol-
voeira Member. (a2) Detail of
Praia da Pedra Lisa Member.
(a3) Detail of Vale das Fontes
Formation. (b) Stratigraphic
distribution of geochemical
parameters.
144
em parte para a base da Formação Vale das Fontes
localizada na biozona jamesoni (fig. 8).
Acoplada a esta evolução e seguindo a tendência
transgressiva de 1ª ordem que se perdura até o final
do Jurássico Inferior (fig. 2), deposita-se uma nova
sequência de carbonatos e margas representada pela
Formação Vale das Fontes, as quais estão amplamente
distribuídas na bacia e datadas por amonites como
pertencentes ao Pliensbaquiano (Duarte e Soares,
2002; Duarte et al., 2004; 2010). Sua seção tipo foi
definida na região de Peniche, sendo subdividida em
três membros, seguindo sua distribuição vertical de
fácies: Membro Margas e Calcários com Uptonia e
Pentacrinus (MCUP), Membro Margas e Calcários Gru-
mosos (MCG) e Membro Margo-Calcários com Níveis
Betuminosos (MCNB; fig. 9; Duarte e Soares, 2002).
De acordo com Duarte et al. (2004), a Formação
Vale das Fontes está associada a uma nova fase trans-
gressiva de 2ª ordem, na qual se registra um aumento
da componente margosa para o topo da unidade e do
conteúdo de matéria orgânica, ambos relacionados
a franca expansão deste mar epicontinental (Oliveira
et al., 2006; Silva, 2007).
Este intervalo foi amostrado em diversos pontos
da bacia, tanto na borda sudeste do setor sul (região
de Sesimbra) quanto nas suas porções centro-norte
da borda oeste (regiões de Peniche e São Pedro de
Moel) e borda leste (regiões de Coimbra e Rabaçal;
figs. 1 e 2). As médias dos parâmetros geoquímicos
obtidos para a Fm. Vale das Fontes, especialmente no
que diz respeito ao membro potencilamente gerador
(MCNB), encontram-se na tabela 2.
De maneira geral, os resultados mostram pobre
potencial de geração de hidrocarbonetos, princi-
palmente para a borda sudeste e leste da bacia.
Os valores de IH e IO sugerem um predomínio de
um querogênio do tipo III mais propenso a gera-
ção de gás, localmente com alguma contribuição
de querogênio do tipo II relacionada ao Membro
MCNB (fig. 5). Esta composição química está de
acordo com os resultados de palinofácies obtidos por
Matos (2009) para as margas da Formação Vale das
Fontes, os quais mostraram a presença dominante
de componentes orgânicos do grupo do fitoclasto,
mais especificamente nos membros MCUP e MCG.
A dominância destes componentes, associado
ao baixo conteúdo orgânico (0,5<COT< 2,7%) e
pobre potencial de geração de hidrocarbonetos
(40<IH<150mg HC/g COT), indicam grande contri-
buição de matéria orgânica continental relacionada
à maior proximidade com fontes flúvio-deltaicas,
sugerindo fácies orgânica de plataforma proximal
óxica-subóxica. Contudo, na região de Rabaçal, a
ocorrência de um querogênio do tipo II no Membro
MCNB, caracterizado pelo predomínio de MOA hete-
rogênea, fluorescente e valores de IH, que podem
chegar até 330mg HC/g COT, sugere que condições
disóxicas-anóxicas também se desenvolveram na borda
leste, especificamente durante a biozona margari tatus,
refletindo a magnitude desta transgressão marinha
que afetou áreas mais próximas e marginais à fonte
continental posicionadas na borda leste (fig. 5).
Nas regiões de Peniche (Membro MCNB) e São
Pedro de Moel (Membro MCUP), os parâmetros geo-
químicos são mais otimistas, indicando bom a exce-
lente potencial de geração de petróleo com valores
de S2 podendo alcançar até 27mg HC/g rocha (figs.
8 e 9). Os valores mais elevados de IH (300<IH<465)
indicam um predomínio de um querogênio do tipo II
propenso a geração de óleo, formado por MOA he-
terogênea, fluorescente e com presença variável de
fitoclastos e palinomorfos (esporomorfos, acritarcos,
prasinophytas e palinoforaminíferos). Esta composição
mais rica em hidrogênio é compatível com condições
de fundo disóxico-anóxicas, responsáveis pela maior
preservação da matéria orgânica provavelmente
relacionada à estratificação da coluna de água, bem
como por condições mais distais relativas à borda
leste, como interpretado por outros autores (Duarte
et al., 2004; 2010). As evidências sedimentológicas,
como a variação lateral de fácies relacionadas ao
espessamento das sequências margo-calcáreas para
oeste, as quais são controladas bioestratigraficamente
por amonites e nanofósseis, suportam a interpretação
de uma rampa mais profunda e distal em direção ao
ocidente (Duarte et al., 2010). No entanto, os estudos
de Matos (2009) apontam para a possibilidade da
influência de outra fonte de caráter mais proximal,
possivelmente localizada na borda oeste (Horst das
Berlengas) devido à ocorrência de tétrades, políades
e fitoclastos de dimensões maiores, muito comuns
nas proximidades da flora fonte. Esta interpretação
também é valida para a Fm. Água de Madeiros na
região de São Pedro de Moel.
Outros autores também encontraram elevados
teores de carbono orgânico e bom a excelente
potencial de geração de hidrocarbonetos para a
Formação Vale das Fontes, principalmente no setor
centro-norte da bacia, sendo que os valores de
COT aumentam para o topo desta formação e em
direção as partes mais distais a oeste, o que cor-
responde estratigraficamente ao Membro MCNB
145
(BEICIP FRANLAB, 1996; Oliveira et al., 2006; Silva,
2007; Duarte et al., 2010).
Com base nisto, Oliveira et al. (2006), ao estudarem
em detalhes a Fm. Vale das Fontes na região de Peniche,
posicionaram o pico de inundação máxima deste ciclo
transgressivo de 2ª ordem no Membro MCNB, mais
especificamente na biozona margaritatus, onde os
valores de COT alcançaram até 15%, associado a um
excelente potencial gerador de até 50mg HC/g rocha.
A figura 9 apresenta os parâmetros geoquímicos
obtidos neste trabalho para o Membro MCNB na região
de Peniche. Apesar de uma amostragem pouco deta-
lhada, os resultados de COT, S2 e IH são análogos aos
valores elevados obtidos por Oliveira et al. (2006), bem
como seu grande potencial para a geração de petróleo.
A amostragem realizada por este trabalho na
seção de Peniche apresentou teores significativos
de carbono orgânico (2,6<COT<5,7%), juntamente
com bom a excelente potencial gerador de petróleo
(6<S2<27mg HC/g rocha). Os valores mais elevados
de IH (290<IH<465mg HC/g COT) caracterizam um
querogênio do tipo II, mais propenso a geração de
petróleo. Estes intervalos potencialmente geradores
de petróleo estão localizados nas biozonas ibex,
davoei e margaritatus pertencentes ao Membro
MCNB, sendo que os maiores valores encontram-se
nesta última (fig. 9; Oliveira et al., 2006; Duarte et
al., 2010; Silva et al., 2011).
De maneira geral, os parâmetros moleculares e iso-
tópicos obtidos para a Formação Vale das Fontes são
ligeiramente diferentes dos encontrados na Formação
Água de Madeiros (tabela 2; figs. 4 e 6). Os valores
mais elevados das razões HOP/EST, PRI/FIT e TET/26TRI,
quando comparados aos valores da Formação Água de
Madeiros, podem sugerir maior contribuição de matéria
orgânica continental, porém, ainda com predomínio de
matéria orgânica derivada de algas especialmente no
Membro MCNB, como observado anteriormente por
outros autores, caracterizando um querogênio do tipo II
(Oliveira et al., 2006; Matos, 2009). Além disso, os
valores mais elevados da razão DIA/C27 e sua cor-
relação positiva com o resíduo insolúvel sugerem
aporte silicilástico no paleoambiente deposicional
(fig. 9). De acordo com Peters et al. (2005), elevados
valores desta razão são típicos de rochas geradoras
ricas em argila.
Os valores isotópicos de carbono do betume (δ13C)
encontrados para o intervalo são caracteristicamente
mais negativos, variando entre -28,0‰ e -29,0‰
(fig. 9) e podendo chegar até -30,0‰ em São Pedro de
Moel, com condições de fundo anóxico e estratificado
associado à elevada preservação da matéria orgânica e
a valores mais pesados da ordem de -27,0‰ na região
de Coimbra, devido à grande influência continental
e oxidação heterotrófica em ambientes proximais
mais oxidantes (águas aeróbicas). Os valores médios
calculados para a Fm. Vale das Fontes ficaram em
torno de -28,67‰ (tabela 2).
Estes valores isotopicamente leves, assim como os
encontrados na Fm. Água de Madeiros, apresentam
similaridades aos obtidos por Hesselbo et al. (2007)
e por Silva et al. (2010) para o Jurássico Inferior da
Bacia Lusitânica. De acordo com Hesselbo et al.
(2007), apesar do Toarciano da Bacia Lusitânica não
apresentar uma seção rica em matéria orgânica devido
a uma particularidade local, as incursões negativas
de δ
13
C da matéria orgânica foram relacionadas ao
evento anóxico global (OAE) do Toarciano que, por
sua vez, está bem registrado de forma mais ou menos
síncrona na Europa Central e Ocidental com ampla
sedimentação orgânica. O claro paralelismo entre
os registros de δ13C medidos na matéria orgânica
terrestre (tecidos lenhosos) e em carbonatos marinhos
reforçam a característica global dos reservatórios
de carbono da atmosfera/biosfera/oceano. Dados
experimentais e relativos a esta observação mostram
que, segundo o caminho da fotossíntese, o controle
dominante na composição isotópica de carbono dos
tecidos de plantas modernas é a composição isotó-
pica do CO
2
atmosférico (Arens et al., 2000). No caso
dos intervalos do Sinemuriano Superior (biozona
raricostatum) e Pliensbaquiano (biozonas ibex, davoei,
margaritatus), a falta de evidências globais não nos
permite associar definitivamente a um OAE. Porém,
pelo menos para o Pliensbaquiano, a ocorrência de
intervalos ricos em matéria orgânica em outras bacias
do norte da Espanha e Escócia sugere, no mínimo,
um controle regional (Oliveira et al., 2006; Silva et
al., 2011). Neste caso, os intervalos com elevada pre-
servação orgânica e isotopicamente negativos estão
associados a incursões positivas de δ
13
C medidas
nos carbonatos marinhos. O aumento nos valores de
δ
13
C dos carbonatos marinhos tem sido associado ao
processo de fracionamento da fotossíntese, que gera
um enriquecimento de
13
C no carbono inorgânico
dissolvido na água do mar.
Os dois intervalos potencialmente geradores do
Jurássico Inferior foram depositados em condições
quentes subtropicais, porém, variando de semiáridas a
áridas para a Formação Água de Madeiros até úmidas
para a Formação Vale das Fontes (Matos, 2009). Diver-
sos aspectos geoquímicos (petrográficos, moleculares e
146
isotópicos) suportam esta interpretação. A distribuição
de grãos de pólen do gênero Classopollis tem sido
usada como um indicador climático, sendo que sua
abundância decresce em direção aos pólos com valores
de 1-10% para condições temperadas, 20-50% para
condições quentes subtropicais e valores de 60-90%
para condições semiáridas a áridas (Vakhrameev, 1981
in Tyson, 1995). Matos (2009), ao analisar a população
de grãos de pólens do gênero Classopollis em relação
ao grupo de esporomorfos, verificou que as proporções
elevadas (11-53%) encontradas na Formação Água de
Madeiros foram diminuindo em direção a Formação
Vale das Fontes (0-36%), também associado a um
aumento no percentual de esporos, sugerindo condi-
ções mais úmidas no Pliensbaquiano.
Supostamente, estas variações climáticas podem ter
sido provocadas pela maior influência marinha desen-
volvida durante o Pliensbaquiano, fator que poderia
Figura 9
(a) Vista geral de parte das
formações Vale das Fontes
e Lemede na região de Pe-
niche, setor centro-norte.
(a1) Detalhe da passagem do
Membro de Margas e carbo-
natos grumosos (MCG) para o
Membro de Margas e carbo-
natos com níveis betumino-
sos (MNCB). (b) Distribuição
estratigráca dos parâmetros
geoquímicos.
Figure 9
(a) Overview of part of the
Vale das Fontes and Lemede
formations in Peniche re-
gion, central-north sec tor.
(a1) Detail of the passage of
Lumpy marls and limestones
Member (LML) to Marls and
limestones with organic-rich
facies Member (MLOF). (b)
Stratigraphic distribution of
geochemical parameters.
147
diminuir a aridez que se verificava no Sinemuriano e
aumentar o aporte de material continental no ambiente
marinho (Matos, 2009). De todo modo, as variações
climáticas no Jurássico Inferior parecem ser o principal
fator que controla a composição dos intervalos poten-
cialmente geradores, sendo que na Formação Vale das
Fontes nota-se um maior incremento siliciclástico asso-
ciado à matéria orgânica continental, provavelmente
relacionada à maior atividade de fontes flúvio-deltaicas
durante um clima mais úmido (tabela 2 e figs. 4 e 6;
Matos, 2009).
No final do Jurássico Inferior e início do Jurássico
Médio inicia-se uma tendência regressiva de
1ª ordem, onde retornam condições de sedimenta-
ção calcária associada a uma macrofauna bentônica
na borda SE que gradam para fácies mais profundas
em direção a NW (Azerêdo et al., 2003; Duarte et
al., 2004; fig. 2). Neste intervalo, foram avaliados
carbonatos e margas marinhas das formações São
Gião e Povoa da Lomba (Toarciano), que apresen-
taram pobre potencial de geração de hidrocarbo-
netos caracterizados por valores muito baixos de
COT, S2 e IH, principalmente nas regiões de Rabaçal
e Porto de Mós, setor norte da bacia (tabela 2;
figs. 1, 2 e 5). Os dados petrográficos mostram pre-
domínio de fitoclastos não-opacos bioestruturados
associados à presença de fitoclastos opacos alonga-
dos e raros esporomorfos, sugerindo condições de
rampa externa óxica com transporte da matéria or-
gânica continental para áreas relativamente distais.
Os valores isotópicos de carbono do betume va-
riam de -27,12‰ a -26,41‰, sendo mais pesados
quando comparadas às fácies betuminosas das
formações Vale das Fontes e Água de Madeiros.
Provavelmente, estes valores refletem, em parte,
uma atmosfera mais pobre em 12C, associado a um
contexto sedimentar tendencialmente regressivo.
Na região de Cabo Mondego (fig. 10a), as margas
da formação homônima (Aaleniano) mostraram um
padrão de sedimentação mais distal associado às
fácies oxidantes de bacia/rampa externa, como in-
terpretado anteriormente por Azerêdo et al. (2003).
De fato, parece que o Jurássico Inferior foi um
importante período de estocagem de carbono orgâ-
nico com valores isotopicamente leves, o que sugere
um sistema atmosfera/oceano enriquecido em CO2.
A ocorrência sucessiva e diácrona destes eventos
podem ser, em parte, a causa ou a força motriz para
desencadear o início de uma tendência regressiva de
1ª ordem que se extende desde o Toarciano até o iní-
cio do Oxfordiano (Jurássico Superior), causando um
resfriamento global associado a um sistema atmos-
fera/oceano cada vez mais pobre em CO2 (Azevedo
et al., 2002; Dromart et al., 2003; Suan et al., 2010).
Jurássico Superior-Cretáceo
Durante a fase rifte II (fig. 2), deposita-se uma
nova sequência de rochas potencialmente geradoras
(Jurássico Superior - Oxfordiano Médio).
A variação composicional deste intervalo reflete
a complexidade paleoambiental controlada por um
contexto geodinâmico particular, representado por
um conjunto de fatores tectônicos, climáticos e eus-
táticos atuantes de caráter local, regional e global
(Azerêdo et al., 2002; Pena dos Reis et al., 2010).
Esta fase evolutiva da Bacia Lusitânica é caracterizada
por um segundo evento extensional, que desenca-
deou a reorientação atlântica da bacia a partir do
Neojurássico, evoluindo durante o Eocretáceo para
uma margem passiva ao longo de três segmentos
alinhados de sul para norte e temporalmente suces-
sivos (fig. 2; Dinis et al., 2008; Pena dos Reis et al.,
2000; 2010). A distribuição faciológica contrastante
evidencia uma paleogeografia que traduz o desen-
volvimento de um sulco orientado para NNE-SSW,
bordejado por áreas emersas soerguidas a ocidente
e oriente, com espessuras variáveis e que aumentam
para SW, refletindo o forte controle tectônico da sub-
sidência organizado na forma de sub-bacias (Wilson
et al., 1989; Pena dos Reis et al., 2000; 2010). Esta
nova fase rifte é precedida por um ciclo regressivo de
1ª ordem com significativa queda do nível relativo do
mar, provavelmente relacionada a um resfriamento
global, que afetou o sistema de rampa carbonática
pré-existente, resultando em uma ampla descon-
tinuidade que se traduz em um hiato deposicional
de cerca de 3 Ma (final do Caloviano – início do
Oxfordiano), podendo ser observada também ao
longo de outras bacias atlânticas. Posteriormente,
durante o Meso-oxfordiano, se estabelecem con-
dições climáticas mais quentes e úmidas a áridas,
associadas a um ciclo transgressivo de 1ª ordem
(Mouterde et al., 1979; Azerêdo et al., 2002; Dromart
et al., 2003; Pena dos Reis et al., 2010).
Para este estudo, a amostragem geoquímica foi
feita em diferentes posições geográficas da bacia,
abrangendo desde a parte norte, regiões de Cabo
Mondego, Pedrógão, São Martinho do Porto e Fátima
até a parte centro-sul, regiões da Serra de Montejunto,
Torres Vedras e Santa Cruz (figs. 1 e 2).
148
Os valores médios obtidos para os parâmetros geo-
químicos do Jurássico Superior e Cretáceo encontram-se
na tabela 2.
De modo geral, o conteúdo de carbono orgâ-
nico variando de 0,5% a 57%, associado a valores
de S2 variando de 0,15mg a 195mg HC/g rocha,
indicam fácies desde pobre até excelente poten-
cial de geração de hidrocarbonetos. Os valores de
IH e IO caracterizam um querogênio do tipo I até
IV (tabela 2 e fig. 5). As melhores fácies orgâni-
cas ricas em hidrogênio e potencialmente gera-
doras de petróleo estão associadas a calcilutitos
pertencentes às formações Cabaços na Serra de
Montejunto (Sub-bacia de Arruda) e Vale Verde na
região de Cabo Mondego e Pedrógão, sendo que
esta primeira apresenta os maiores valores de índice
de hidrogênio, podendo chegar até 664mg HC/g
COT, indicando elevada preservação da matéria
orgânica (figs. 5, 10, 12 e 13). Adicionalmente, um
calcilutito cinza escuro (amostra PN-7) relacionado à
Formação Montejunto apresentou moderado valor
de COT (2,77%) e elevados valores de S2 (17mg
HC/g rocha) e IH (622mg HC/g COT), sugerindo
que esta formação também apresenta potencial de
geração de petróleo (figs. 5 e 10). Os dados petro-
gráficos confirmam a composição moderada a rica
em hidrogênio, representada pelo predomínio de
matéria orgânica amorfa em grumos densos com
fluorescência amarela-laranja, associada à presença
de fitoclastos e esporomorfos.
Em função deste complexo cenário controlado
por muitos fatores, as diferenças observadas nas
propriedades geoquímicas permitem separar esta
sequência em pelo menos três subgrupos de rochas
potencialmente geradoras, de acordo com sua posição
geográfica e tipo de matéria orgânica.
No norte da bacia predominam fácies tipicamente
continentais a transicionais, representadas por calcilu-
titos, margas carbonosas e linhitos da Formação Vale
Verde, enquanto no sul predominam fácies marinhas
anóxicas associadas à matéria orgânica bacteriana,
representadas por calcilutitos da Formação Cabaços
(tabela 2; figs. 1, 2, 4, 5 e 6).
Principalmente na região de Cabo Mondego
(setor norte), estas variações de fácies da Formação
Vale Verde (cronoequivalentes à Fm. Cabaços;
Azerêdo et al., 2002) são claramente observadas
em uma sequência com valores de COT, S2 e IH
mais heterogêneos, refletindo os diferentes litotipos
associados, tais como margas carbonosas, linhitos
e calcilutitos (fig. 10).
De modo geral, a figura 10 mostra a passagem
de uma sedimentação carbonática mais rasa, asso-
ciada a barreiras recifais e oolíticas no Caloviano (Fm.
Candeeiros) para uma sedimentação continental em
um complexo sistema deltaico-lacustre-lagunar no
Oxfordiano Médio (Fm. Vale Verde). A primeira linha
azul (que separa estes dois intervalos) representa uma
importante discordância de caráter regional, prece-
dida por uma regressão forçada relacionada a uma
rápida queda relativa do nível do mar, que afetou o
sistema de rampa marcado por uma superfície paleo-
cárstica, sugerindo exposição subaérea e sobreposta
por corpos arenosos (Azerêdo et al., 2002; 2003).
Logo acima desta descontinuidade (fig. 10b), a asso-
ciação de arenitos, bancos de ostras e corais e margas
pobres em matéria orgânica continental denotam con-
dições de maior energia e águas rasas, com influência
marinha associada a influxos siliciclásticos, provavel-
mente relacionados a incursões deltaicas (Wright, 1985;
Azerêdo et al., 2002).
Inicialmente, estas margas (amostra PN-01)
pobres em matéria orgânica (COT=0,5%) são repre-
sentadas essencialmente por um querogênio do
tipo III (IH=80mg HC/g COT), formado por material
continental derivado de plantas terrestres superiores.
O predomínio de fitoclastos não-opacos bioestru-
turados com borda corroída, associados a cutículas
degradadas com fluorescencia esmaecida, sugerem
condições de deposição óxicas, com relativo trans-
porte a partir de áreas proximais relacionadas a
fontes deltáicas.
A maior influência dos sistemas continentais sobre
estes ambientes marinhos litorâneos de maior energia
é muito bem marcada pelo significativo aporte siliciclás-
tico, indicado pelo aumento dos valores de resíduo inso-
lúvel (RI) e pela elevada razão DIA/C27, juntamente com
o aumento nos valores de COT, S2 e IH (fig. 10d). Neste
intervalo particular, desenvolve-se um complexo sis-
tema deltaico-lagunar raso, densamente vegetado com
predomínio de condições de baixa energia associada a
fácies pantanosas (parálicas), responsáveis pelo elevado
potencial de geração de petróleo (22<S2<195mg HC/g
de rocha). Os litotipos, representados por um conjunto
de margas carbonosas e linhitos (amostras PN-2 a 4;
figs. 10b1 e 11), são compostos por matéria orgânica
derivada de plantas terrestes, ora pouco transportada
pela atividade deltaica ora in situ, sendo em sua maioria
relacionados a tecidos lenhosos e de folhas (fitoclastos
não-opacos amorfos, fitoclastos não-opacos bioestrutu-
rados e cutículas) e associados a esporomorfos (esporos
e grãos de pólen). Apesar do predomínio de matéria
149
Figura 10
Visão aérea das sequências do
Jurássico Médio e Superior na
região de Cabo Mondego,
setor norte. (a) Depósitos
mais profundos de margas
cinzentas da Formação
Candeeiros. (b e b1) Depósitos
continentais-transicionais de
margas e linhito da Formação
Vale Verde. (c) Depósitos
lacustres associados a calcilu-
titos da Formação Vale Verde.
(d) Distribuição estratigráca
dos parâmetros geoquímicos.
Fig ure 10
Aerial view of the Middle
and Upper Jurassic sequences
in the Cabo Mondego region,
north sector. (a) Deeper
deposit s of gray marls of the
Candeeiros Formation. (b and
b1) Continental-transitional
deposit s of marls and lignites
of the Vale Verde Formation.
(c) Lacustrine deposits associ-
ated to gray limestones of
the Vale Verde Formation.
(d) Stratigraphic distribution
of geochemical parameters.
150
orgânica continental, as condições disóxicas-subóxicas
foram responsáveis pelo bom estado de preservação,
confirmado pelos moderados valores de IH em torno
de 300mg HC/g COT (figs. 5, 10 e 11). Além disso, a
presença abundante de tecidos epidermais e cuticulares
derivados de folhas, com fluorescência marrom fraca a
amarela intensa, favorecem uma composição química
mais rica em hidrogênio e pobre em oxigênio, podendo
ser considerada como um querogênio do tipo III, com
potencial para geração de petróleo (figs. 5 e 11).
Em termos moleculares, estas fácies mostram ele-
vada abundância relativa de C
29
entre os compostos
esteranos, C19 e C20 entre os terpanos tricíclicos e
C27 trisnorhopano (Tm), C29 norhopano (H29) e C30
hopano (H30) entre os hopanos, com distribuição
normal dos compostos C31-35 homohopanos. Aliado
a baixas razões Ts/Ts+Tm e metilesteranos/esteranos
e a elevadas razões PRI/FIT, HOP/EST e TET/26TRI,
estas características têm sido associadas a turfeiras
ricas em material derivado de plantas terrestres
superiores (Peters et al., 2005; tabela 2; figs. 4 e 10).
De maneira geral, a presença de esporos indica
um paleoambiente relativamente úmido. No entanto,
os baixos valores de RI, associados a elevada razão
H29/H30 nas margas carbonosas, pode sugerir con-
dições salobras, enquanto nos linhitos prevalecem
condições de água doce atestadas pelos elevados
valores de RI e da razão DIA/C27, associados a mais
baixa razão H29/H30 (tabela 2; fig. 10). Inunda-
ções associadas a frequentes períodos de chuva e
maior atividade de fontes deltaicas poderiam favo-
recer estas condições. A vegetação seria afogada
em parte, preservando-a in situ sob condições de
baixa energia e salinidade. Os valores muito baixos
das razões gamacerano/hopano (0,02) e a elevada
riqueza orgânica destes intervalos suportam esta
interpretação. Adicionalmente, esta associação de
fácies descrita detalhadamente por Azerêdo et al.
(2002) mostra menor influência marinha atestada
pela presença de ostracodes e bivalves não-marinhos
localmente abundantes.
Os valores isotópicos de carbono do betume (δ
13
C)
encontrados para este intervalo são bem positivos e
variam entre -22,60‰ e -24,64‰ (fig. 10). Apesar
do forte controle local/regional tectonoclimático na
deposição destas fácies potencialmente geradoras,
os valores isotopicamente pesados relacionados em
boa parte a tecidos de plantas terrestres superiores
Figura 11
Principais diferenças entre o
tipo de matéria orgânica dos
intervalos potencialmente
geradores de petróleo do
Jurássico Superior relacio-
nados a Formação Vale Verde,
setor norte da bacia. (PN- 02)
Matéria orgânica continental
derivada de plantas terrestres
superiores. (PN-06) Matéria
orgânica amorfa provavel-
mente derivada de bactérias,
com contribuição de algas.
Fi gu re 11
Main diferences between the
types of organic mat ter from
petroleum source rock inter-
vals of the Upper Jurassic
related to the Vale Verde
Formation, north sector of
the basin. (PN-2) Continental
organic mat ter derived of
terrestrial higher plants.
(PN-6) Amorphous organic
matter probably derived
of bacteria and with algae
contribution.
151
podem sugerir um sistema atmosfera/oceano/biofesra
mais pobre em CO2, ainda reflexo de um período de
resfriamento global característico deste período. Estas
plantas costumam registrar a composição isotópica do
CO2 atmosférico através do processo de fotossíntese
(Arens et al., 2000). De acordo com Dromart et al.
(2003) e Scotese (2008), o final do Mesojurássico e o
início do Neojurássico foram marcados por uma signi-
ficativa queda do nível relativo do mar, associado a um
resfriamento global com formação de gelo continental
de altitude. Os valores de CO2 atmosférico chegaram
a valores inferiores a 500ppmv (Dromart et al., 2003).
Constantes afogamentos em direção ao topo da
seção em um contexto transgressivo de 1ª ordem mar-
cam a deposição de uma nova fácies potencialmente
geradora, formada predominantemente por calcilutitos
associados à matéria orgânica bacteriana-algal (figs. 4,
5, 6 e 10c).
Estas fácies carbonáticas, também presentes nas
regiões de Pedrógão (fig. 12) e São Martinho do
Porto, apesar de serem mais pobres em matéria or-
gânica (1,0<COT<2,9%), o bom a excelente potencial
de geração de petróleo (5<S2<15mg HC/g rocha)
aliado aos valores elevados de índice de hidrogênio
(467<IH<622mg HC/g COT) podem ser atribuídos a
boa qualidade e estado de preservação da matéria
orgânica (querogênio do tipo II), formada basicamente
por matéria orgânica amorfa (MOA heterogênea com
fluorescência amarela-laranja) derivada de retraba-
lhamanto microbiano, associada a algas do gênero
Botryococcus com fluorescência amarela intensa (figs.
4, 5, 6, 10d e 11). A abundância exclusiva destas
algas indica condições lacustres de baixa salinidade a
salobras. Wright (1985), ao estudar estes depósitos,
os comparou a pântanos algálicos recentes, tais como
aqueles que ocorrem no Everglades da Flórida e no
interior da Ilha de Andros, nas Bahamas.
Em termos de biomarcadores, estes calci-
lutitos são caracterizados por apresentarem
elevadas razões Ts/Ts+Tm, HOP/EST, TET/26TRI,
sugerindo contribuição bacteriana da matéria or-
gânica, aliada a abundância de C
27
esteranos e ele-
vada razão metilesteranos/esteranos, indicativas de
contribuição algal como já descrito anteriormente
por Peters et al. (2005). A elevada razão H29/H30
é atribuída ao caráter carbonático do paleoam-
biente, enquanto as variações encontradas nas
razões H35/H34 e PRIT/FIT sugerem condições
variáveis de oxi-redução, desde subóxicas a anó-
xicas (Peters et al., 2005). Em geral, a baixa razão
DIA/C27 pode ser interpretada como resultado
do pouco influxo silicilástico no paleoambiente
deposicional durante os períodos mais semiáridos,
favoráveis de deposição e preservação da matéria
orgânica (fig. 10d).
As elevadas proporções relativas de C24 tetracíclicos
em relação aos C
26
terpanos tricíclicos foram observadas
tanto em fácies de MOA bacteriana quanto em fácies
de matéria orgânica continental derivada de plantas
terrestres, sugerindo várias fontes para este composto.
Isotopicamente, estes níveis são mais leves que
os intervalos potencialmente geradores derivados de
plantas terrestres superiores, mostrando valores de
δ
13
C da ordem de -26,0‰ a -27,0‰. Os valores médios
de δ13C calculados para a Fm. Vale Verde ficaram em
torno de -24,91‰ (tabela 2). Aparentemente, estes
valores podem estar influenciados localmente pelo
retrabalhamento da biomassa primária por parte de
bactérias, tendendo a valores mais leves de isótopos
de carbono. Contudo, é possível que estes valores
também possam, em parte, estar influenciados por
um sistema atmosfera-oceano cada vez mais rico
em CO
2
e sob condições climáticas mais quentes,
desenvolvidas durante um ciclo transgressivo de
1ª ordem durante o Oxfordiano Médio-Superior (fig. 2).
As mudanças climáticas locais foram frequentes
durante este intervalo e alternaram desde um clima
mais úmido, semiárido até árido. Condições restritas,
rasas e de extrema aridez são marcadas pela frequen-
te presença de gretas de ressecamento e pegadas de
dinossauro, associadas a laminitos microbiais e even-
tualmente evaporitos (fig. 12; Azerêdo et al., 2002).
Juntamente com isto, frequentes variações de salini-
dade desde marinha normal a baixa e elevada salinida-
de foram observadas com a presença de ostracodes,
carófitas, moluscos, foraminíferos bentônicos e proto-
zoas planctônicos (Azerêdo et al., 2002). É mais rara
a presença de equinodermos, corais e braquiópodes.
Esta associação suporta um paleoambiente transicional
com influência marinha para a Formação Vale Verde.
Tempestades não periódicas poderiam aumentar a
influência marinha sobre áreas lacustre-lagunares mar-
ginais mais protegidas conectadas a pequenos deltas
(Azerêdo et al., 2002).
Provavelmente, a deposição destes calcilutitos
potencialmente geradores de petróleo foi controlada
por condições climáticas semiáridas a úmidas, com
pouco influxo silicilástico no paleoambiente lacustre-
lagunar, sugerido pela baixa razão DIA/C27 e menor
frequência de esporos e matéria orgânica lenhosa.
A associação de componentes orgânicos permite infe-
rir condições relativamente distais em relação à fonte
152
deltaica (fig. 12). Porém, frequentes períodos úmidos
realimentam o sistema com água doce, favorecendo
localmente a formação de linhitos, mas não permi-
tindo exposições frequentes de pântanos algálicos
associados. Estes períodos, onde prevalecem condi-
ções não marinhas, estão profundamente ligados a
descargas deltaicas, introduzindo matéria orgânica
continental derivada de plantas terrestres superiores
dentro do sistema lacustre-lagunar de baixa energia
(amostra PDR-2). Consequentemente, depositam-se
fácies com pobre potencial de geração de petróleo,
observadas frequentemente em Pedrógão (fig. 12).
Eventualmente, nos períodos mais áridos asso-
ciados à exposição subaérea, a matéria orgânica
amorfa (MOA) pode ser oxidada, influenciando
na qualidade da fácies potencialmente geradora,
reduzindo para moderados valores de IH e bom po-
tencial de geração (amostra PDR-01). Em Pedrógão,
é comum a ocor rência de MOA com fluorescência
castanha esmaecida, provavelmente resultado de
condições óxicas durante a exposição dos tapetes
microbianos. Os moderados valores de IH e o bom
potencial de geração de petróleo são assegurados
pelo predomínio de algas Botryococcus, indicando
o reestabelecimento das condições lacustre de
água-doce a salobra (fig. 12).
Fluxos deltaicos mais possantes também são mar-
cados pela deposição de arenitos microconglomerá-
ticos sobre os calcilutitos, evidenciando o aumento
da sedimentação silicilástica controlada por aspectos
tectonoclimáticos (fig. 10c). A passagem dos sedimen-
tos carbonáticos da Formação Montejunto para os
sedimentos siliciclásticos flúvio-deltaicos da Formação
Boa Viagem marcam o clímax da fase rifte II durante
o Kimmeridgiano no setor norte da bacia (Pena dos
Reis et al., 2000; 2010).
Mais a sul, na região de Fátima, foram encon-
tradas condições plenamente marinhas abertas de
plataforma proximal óxica, responsáveis pelo pobre
potencial de geração destes calcilutitos, em geral,
associados a uma matéria orgânica do tipo III, com
baixo IH em torno de 163mg HC/g COT, represen-
tada pelo predomínio de fitoclastos não-opacos
bioestruturados, com presença de palinomorfos
continentais (esporomorfos) e marinhos (dinocistos)
e palinoforaminíferos.
No setor centro-sul da bacia, onde a sedimen-
tação foi controlada basicamente por uma tectô-
nica de sub-bacias (Arruda, Turcifal e Bombarral), a
subsidência foi acentuada, proporcionando matu-
ração suficiente para atingir a zona de óleo. Nessa
região, ocorrem diversas acumulações de petróleo,
associadas a fácies marinhas carbonáticas anóxicas
(BEICIP-FRANLAB, 1996; Spigolon et al., 2010).
No entanto, na Sub-bacia de Arruda, região da
Serra de Montejunto (Vale das Rosas), os intervalos
amostrados apresentaram um grau mais elevado de
maturação térmica, mas, ainda assim, compatível com
o final da diagênese. Este fato pode ser atribuído à po-
sição deste ponto de amostragem, situado no flanco
de um amplo domo salino não aflorante, cuja ascensão
teria impedido localmente um maior soterramento já
no Jurássico Superior.
Os valores de COT, S2 e IH encontrados para a
Formação Cabaços são mais homogêneos e caracte-
rizam fácies ricas em matéria orgânica, com excelente
potencial de geração de hidrocarbonetos correspon-
dendo a calcilutitos negros laminados (2,87<COT<4,93
e 17<S2<32). Os valores de IH em torno de 564mg
HC/g COT indicam um querogênio do tipo I-II, com
elevado estado de preservação, representado pelo
predomínio de matéria orgânica amorfa com fluores-
cência amarela-laranja intensa derivada de bactérias
(MOA homogênea), provavelmente representando
tapetes microbianos em condições relativamente rasas
(tabela 2 e figs. 4, 5 e 13).
Nesta fácies, predominam os esteranos C29 em
relação aos C
27
, além de abundantes proporções
relativas dos esteranos de baixo peso molecular,
representados pelo C21 pregnano e C22 homopreg-
nano. Entre os hopanos, as maiores proporções
relativas referem-se aos compostos C
29
norhopano
(H29), C30 hopano (H30) e C27 trisnorhopano (Tm),
associados a uma distribuição irregular de homo-
hopanos, em geral associados a uma maior abun-
dância de H
35
em relação ao H
34
. Entre os terpanos
tricíclicos predomina o composto C24 tetracíclico.
As elevadas razões HOP/EST, H29/H30, H35/H34,
TET24/TRI26, aliadas a muito baixa razão DIA/C27
encontradas para os intervalos potencialmente gera-
dores de petróleo, são diagnósticas de paleoambien-
tes marinhos carbonáticos (Peters et al., 2005). Além
disso, a razão mais baixa de PRI/FIT (<1), juntamente
com a elevada razão H35/H34, sugerem condições
de fundo anóxicas responsáveis pelo excelente es-
tado de preservação da matéria orgânica (tabela 2;
figs. 5, 6 e 13).
Isotopicamente, estes níveis são caracterizados
por valores mais pesados de δ
13
C da ordem de
-24,83‰ a -25,10‰. Os valores médios de δ
13
C
calculados para a Fm. Cabaços ficaram em torno
de -25,07‰ (tabela 2; figs. 6 e 13).
153
Figura 12
Visão geral dos intervalos
carbonáticos associados a
tapetes microbianos da For-
mação Vale Verde na região
de Pedrogão. (PDR-1) Fácies
orgânica com bom potencial
de geração associada a cal-
cilutitos com predomínio de
algas do gênero Botryococ-
cus. (PDR-2) Fácies orgânicas
com pobre potencial de ge-
ração de petróleo associada
ao predomínio de matéria
orgânica derivada de plantas
terrestres superiores.
Figura 12
Overview of carbonate inter-
vals associated to microbial
laminites of the Vale Verde
Formation in the Pedrógão
region. (PDR-01) Organic
facies with good petroleum
potential associated to lime-
stones with the predomi-
nance of Botryococcus algae.
(PDR- 02) Organic facies with
poor petroleum potential
associated to predominance
of terres trial higher plants
fragments.
154
Figura 13
Visão geral mostrando a
passagem dos depósitos
carbonáticos para siliciclásti-
cos do Jurássico Superior na
região da Serra de Monte-
junto, setor centro-sul.
(a) Calcilutitos negros ricos
em matéria orgânica de
origem bacteriana, pro -
vavelmente relacionados
a esteiras microbiais em
ambiente marinho restrito.
(b) Depósitos de margas
relacionados ao Membro
Casal da Ramada, Forma-
ção Abadia. (c) Folhelhos
associados a turbiditos do
Membro Cabrito, Formação
Abadia e (d) Distribuição es-
tratigráca dos parâmetros
geoquímicos.
Figura 13
General view showing the
passage of carbonate to
siliciclastic deposits of the
Upper Jurassic in the Monte-
junto Ridge region. (a) Black
limestones rich in organic
matter derived from bacteria
probably related to microbial
mats in marine restrict envi-
ronment. (b) Marls deposits
related to Casa da Ramada
Member, Abadia Formation.
(c) Shales associated with
turbidites of Cabrito Mem-
ber, Abadia Formation (d)
Stratigraphic distribution of
geochemical parameters.
155
A passagem para os sistemas silicilásticos da
Formação Abadia é marcada pela significativa dimi-
nuição nos valores de COT, S2 e IH, associado aos
valores mais leves de δ13C em torno de -26,50‰
encontrados nas margas do Membro Casal da
Ramada (fig. 13). A progradação dos sistemas tur-
bidíticos representa o clímax da fase rifte II durante
o Kimmeridgiano no setor centro-sul da bacia (Pena
dos Reis et al., 2000; 2010).
Quanto ao potencial petrolífero, também foram
avaliados os sedimentos turbidíticos relacionados
às fácies finas da Formação Abadia (Kimeridgiano),
os sedimentos deltaicos da Formação Lourinhã
(Tithoniano) e um folhelho carbonático do Cretáceo
Superior pertencente à Formação Costa d’Arnes.
Todas as amostras apresentaram valores de S2 e IH
pouco expressivos, caracterizando fácies com pobre
potencial de geração de hidrocarbonetos e predo-
mínio de um querogênio do tipo III-IV, relacionado
à matéria orgânica continental derivada de plantas
terrestres superiores (tabela 2; figs. 5 e 13). Nas fá-
cies turbiditicas finas da Formação Abadia, predo-
minantemente compostas por folhelhos e margas,
os elevados valores de COT estão associados predo-
minantemente a um material refratário formado
por fitoclastos opacos e não-opacos, relacionados
a tecidos lenhosos que são ricos em carbono e oxi-
gênio (fig. 5). As bordas corroídas destes fitoclastos
sugerem condições atuantes de processos físicos de
transporte em ambientes oxidantes. Devido à maior
resistência relacionada à composição ligno-celulósica
destes tecidos lenhosos, eles são comums em fácies
finas distais de ambientes de maior energia, como
é o caso dos turbiditos.
A fácies carbonática da Fm. Costa d’Arnes,
amostrada neste trabalho na região de Coimbra
(porção emersa), representa condições proximais de
deposição. Contudo, não se descarta a possibilidade
de fácies distais geradoras de petróleo na porção
submersa da bacia e adjacências, as quais podem
representar a seção condensada associada ao evento
transgressivo do Cretáceo (fig. 2).
conclusões
A amostragem realizada neste trabalho, ape-
sar de limitada, proporcionou uma visão geral das
propriedades geoquímicas (bulk, moleculares e
isotópicas) dos intervalos ricos em matéria orgânica
e potencialmente geradores de petróleo da Bacia
Lusitânica, complementando os resultados obtidos
em diversos trabalhos anteriores (BEICIP-FRANLAB,
1996; Dias, 2005; Oliveira et al., 2006; Duarte et al.,
2010; Spigolon et al., 2010).
O intervalo do Jurássico Superior apresenta uma
variabilidade de rochas potencialmente geradoras
de petróleo com propriedades geoquímicas mais
heterogênas quando comparadas ao intervalo do
Jurássico Inferior, o que reflete em grande parte a
complexidade paleoambiental encontrada durante
o Oxfordiano Médio.
Os litotipos do Jurássico Inferior são represen-
tados por margas e folhelhos com bom a excelen-
te potencial de geração de petróleo, geralmente
relacionados a um querogênio do tipo II, predomi-
nantemente formado por matéria orgânica amorfa
heterogêna (MOA), derivada do fitoplâncton com
contribuição bacteriana e associada a palinomorfos
e componentes terrestres variáveis. Estes intervalos
do Jurássico Inferior são caracterizados por apresen-
tarem baixas razões H29/H30, HOP/EST, H35/H34 e
TET/26TRI, além de valores leves de δ
13
C
da matéria
orgânica da ordem de -29,5‰. Eles estão inseridos
em um ciclo transgressivo de 1ª ordem, relacionado
à franca expansão do mar epicontinental, na qual
se desenvolveram dois episódios de inundação
máxima relacionada a ciclos menores de 2ª ordem
que ocorreram no Sinemuriano Superior (Mem-
bro Polvoeira) e Pliensbaquiano (Membro MCNB).
Os níveis mais pobres em hidrogênio são contro-
lados por uma tendência regressiva de 2ª ordem
(Membro Praia da Pedra Lisa), responsável por con-
dições de rampa disóxica-subóxica e proximal com
elevado aporte de componentes terrestres, caracte-
rizando um querogênio do tipo III potencialmente
gerador de gás. Na Formação Vale das Fontes,
esta fácies mais pobre é controlada por condições
climáticas mais úmidas e relativamente proximais
durante um ciclo transgressivo de 2ª ordem.
Os litotipos do Jurássico Superior na região de Cabo
Mondego e Pedógrão (setor norte) são representados
por calicilutitos, margas e linhitos com bom a excelente
potencial de geração de petróleo. Ora estão associados
à matéria orgânica continental derivada de plantas ter-
restres superiores (querogênio do tipo III) ora à matéria
orgânica amorfa derivada do retrabalhamento bacteria-
no com contribuição de algas Botryococcus (querogênio
do tipo II). Na região da Serra de Montejunto (setor
centro-sul), os calcilutitos negros apresentam excelente
156
potencial de geração e são associados a um querogênio
do tipo I-II, derivado predominantemente de bactérias
(MOA homogênea). Estes intervalos carbonáticos e
anóxicos-disóxicos desenvolvidos no Jurássico Superior
são caracterizados por apresentarem elevadas razões
H29/H30, HOP/EST, H35/H34 e TET/26TRI, além de uma
excursão positiva média de δ13C do betume da ordem
de -25,7‰. As fácies com maior influência siliciclástica
juntamente com contribuição de matéria orgânica con-
tinental são diferenciadas principalmente pelas elevadas
razões PRI/FIT e DIA/C27 aliadas às mais baixas razões
Ts/Ts+Tm e H35/H34, além de valores mais positivos
de δ
13
C
do betume da ordem de -23,36‰, quando
comparados às fácies ricas em matéria orgânica amorfa
relacionada a calcilutitos.
Com base nos resultados deste estudo, pre-
supõem-se que os intervalos do Jurássico Supe-
rior são tão importantes quanto os intervalos
do Jurássico Inferior, devido à maior qualidade e
estado de preservação da matéria orgânica, prin-
cipalmente relacionada à origem bacteriana ou
fitoplanctônica associada a fácies carbonáticas
restritas (marinhas ou lacustre lagunares), quando
comparados aos intervalos do Jurássico Inferior.
É importante ressaltar que os linhitos apresenta-
ram teores moderados de hidrogênio, em grande
parte associados a tecidos de folhas. Sendo que
a natureza parálica do paleoambiente deposicio-
nal permitiu a preservação da matéria orgânica,
assegurando elevado potencial de geração de
petróleo para esta fácies, podendo chegar até
195kg HC/ton de rocha, o mais elevado encontrado
até o momento na Bacia Lusitânica.
agradecimentos
Nossos sinceros agradecimentos à Petrobras
pelo financiamento desta pesquisa no âmbito do
Programa de Fronteiras Exploratórias através do
Projeto Atlantis “Modelo Geológico Evolutivo para
os Riftes Marinhos do Jurássico da Bacia Lusitânica,
Portugal” e a Edison José Milani pelo incentivo
para publicação deste trabalho. Agradecemos em
especial a Gilmar Vital Bueno, Adriano Viana e Luiz
Antônio Freitas Trindade por todo apoio e a toda a
equipe da Gerência de Geoquí mica do Centro de
Pesquisas pelas análises realizadas. Agradecemos
também ao Laboratório de Palinofácies e Faciologia
Orgânica da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ/LAFO) pela preparação das amostras para isola-
mento do querogênio. Também somos gratos a João
Graciano Mendonça Filho, Taíssa Rego Menezes e
Joalice Oliveira Mendonça pelo auxílio e discussões
sobre as análises visuais do querogênio. Por fim,
gostaríamos de agradecer aos revisores pelas cons-
trutivas sugestões.
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MARGINS CONFERENCE, 2., 2010, Lisbon. Expanded
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em: <http://metododirecto.pt/CM2010/index.php/vol/
article/viewFile/181/29>. Acesso em: 2010.
160
expanded abstract
The Lusitanian Basin located along the western
margin of the Iberian Peninsula is one of several rift
basins of the Mesozoic Atlantic margin which had its
origin related to fragmentation of the supercontinent
Pangea in the Late Triassic, culminating in the opening
of the North Atlantic (Wilson et al., 1989; Pinheiro et
al., 1996; Pena dos Reis et al., 2000; Pena dos Reis et
al., 2009; Pena dos Reis et al., 2010).
The complex evolution of this basin is strongly linked
to different geodynamic controls (tectonic, climatic and
eustatic variation) that have occurred over time since the
beginning of your configuration as intracontinental rift
in the Upper Triassic, through the Atlantic and Tetyan
marine influences in an extensional regimen during the
Jurassic and Lower Cretaceous, passive margin develop-
ment to tectonic inversion of the basin, resulting from
the collision between the Iberian and African plates in
the Late Cretaceous (Pena dos Reis e Pimentel, 2008;
Pena dos Reis et al., 2009; Pena dos Reis et al., 2010).
Important petroleum source rocks were deposited
especially during the Jurassic represented by two main
groups: Lower Jurassic, related to Água de Madeiros
(Upper Sinemurian) and Vale das Fontes (Pliensbaquian)
formation; Upper Jurassic, related to Vale Verde and
Cabaços formations (Middle Oxfordian).
All the samples are characterized by the low thermal
evolution of organic matter compatible with diagenis.
Geographically, the main intervals of the Lower Jurassic
taken place in the north-central western edge of the
basin, in Peniche and São Pedro de Moel regions, where
depocenters developed with deeper marine conditions
(disoxic-anoxic outer ramp). The lithotypes are represented
by marls and shales with good to excellent potential for
oil generation, usually related to a type II kerogen, which
is characterized by the predominance of heterogeneous
amorphous organic matter (AOM) derived from phy-
toplankton with a bacterial reworking and associated
to palynomorphs and variables terrestrial components.
These intervals of the Lower Jurassic are characterized
by low ratios of H29/H30, HOP/EST, H35/H34, TET/26TRI
and depleted δ13C values of bitumen around -29.5 ‰.
They are inserted into a transgressive cycle of 1
st
order
related to large expansion of epicontinental sea, in which
it developed two episodes of maximum flooding surface
linked to shorter cycles of 2
nd
order occurred in Upper
Sinemurian (Polvoeira Member) and Pliensbachian (MLOF
Member). The poorest levels of hydrogen are controlled
by 2
nd
order regressive trend responsible for proximal and
dysoxic-suboxic conditions with high input of terrestrial
components, featuring a kerogen type III and potential
for gas generation. In the Vale das Fontes Formation, this
poor facies is controlled by humid weather and relatively
proximal conditions during the 2
nd
order transgressive
cicle. The major intervals in the Upper Jurassic, are related
to the end of a regressive cycle of 1st order coupled with
the beginning of a short transgressive cycle and under
tectonic influence during the Middle Oxfordian, respon-
sible for restricted conditions ranging laterally from con-
tinental to transitional in the northern sector (Vale Verde
Fm.) to shallow marine conditions and anoxic carbonates
in south-central sector (Cabaços Formation).
Following the complexity of depositional systems
in the Cabo Mondego and Pedógrão region (northern
sector), the limestones, marls and lignites with good to
excellent hydrocarbon generation potential is associ-
ated with kerogens type II, derived from phytoplankton
and bacteria (heterogeneous AOM associated with
Botryococcus algae), and type III, derived from con-
tinental organic matter. In the region of Montejunto
Ridge (south-central sector), the black limestones are
associated with a kerogen type I-II derived mainly from
bacteria (homogeneous AOM). These carbonate and
anoxic intervals developed in the Upper Jurassic are
characterized by high ratios of H29/H30, HOP/ST, H35/
H34, TET/26TRI and enriched δ13C values of bitumen
around -25.7 ‰. Facies with a predominance of ter-
restrial organic matter are characterized by high ratios
of PRI/FHY, TET/26TRI, H29/H30, HOP/ST and DIA/C27
and enriched δ13C values of bitumen around -23.4 ‰.
The sampling conducted in this study, although
limited because of its regional character, provided a
broad overview of the geochemical properties of the
main source rock petroleum potential intervals from
the Lusitanian Basin, corroborating in part the interpre-
tations made by other authors (BEICIP -Franlab, 1996;
Dias, 2005, Oliveira et al., 2006; Duarte et al., 2010;
Spigolon et al., 2010). Moreover, it was found that the
intervals of the Upper Jurassic are as important as the
Lower Jurassic intervals due to better quality and state
of preservation of organic matter mainly related to bac-
terial or phytoplankton associated with restricted facies
carbonate (marine or lacustrine-lagoonal).
This work could support inferences and predictions
about the organic geochemistry characteristics and
distribution of spatial and temporal source rocks in
the offshore areas as well as oil-source rock correla-
tions, provided it is properly integrated in terms of
tectono-sedimentary in an evolutional framework of
Western Iberian Margin in the Mesozoic.
161
autores
André Luiz Durante Spigolon
Centro de Pesquisa da Petrobras - Cenpes
Gerência de Geoquímica
andrespigolon@petrobras.com.br
André Luiz Durante Spigolon nasceu no dia 12 de
abril de 1978, em Jaú, São Paulo. Graduou-se pela
Universidade de Brasília em 2000 e obteve o título de
mestre pela mesma universidade em 2003, com foco
em geologia do petróleo e caracterização de fácies
orgânicas do intervalo Alagoas (Aptiano) da Bacia
Potiguar. Ingressou na PETROBRAS em 2003 como
geofísico, porém, desde 2004, atua pela Gerência de
Geoquímica do CENPES na avaliação e caracterização
de sistemas petrolíferos. Atualmente, está desenvol-
vendo sua tese de doutorado na Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ) em cooperação com o United
States of Geological Survey (USGS) utilizando méto-
dos de maturação artifi cial (hidropirólise e pirólise
Rock-Eval) para obtenção de modelos cinéticos de
geração de petróleo, bem como, avaliação e predição
da qualidade do fl uido.
Rui Paulo Bento Pena dos Reis
Universidade de Coimbra
Faculdade de Ciências e Tecnologia
Departamento de Ciências da Terra
penareis@dct.uc.pt
Rui Paulo Bento Pena dos Reis nasceu em Assentis-
Torres Novas em 15 de junho de 1952. Pela Universi-
dade de Coimbra licenciou-se em Geologia em 1976,
doutorou-se em Estratigrafi a em 1984 e fez a agre-
gação em 2001. Desde 1977 lecciona e desde 1984
supervisiona projetos de mestrado, de doutoramento
e de pós-doutoramento em Estratigrafi a, Sedimen-
tologia e Geologia de Petróleo no Departamento de
Ciências da Terra da Faculdade de Ciências e Tecno-
logia da Universidade de Coimbra. Especialista em
estratigrafi a e análise de bacias é autor ou coautor
de um grande número de capítulos de livros e artigos
científi cos, fundamentalmente relacionados à Estrati-
grafi a de Sequências e Análise de Sistemas Petrolíferos
em Bacias Atlânticas. Desde 1992, coordena projectos
exploratórios de I&D com a indústria.
162
Nuno Lamas Pimentel
Universidade de Lisboa
Faculdade de Ciências
Departamento de Geologia
Pimentel@fc.ul.pt
Nuno Lamas Pimentel é nascido em Lisboa em 1963.
Obteve a Graduação em Geologia e Doutorado em
Estrati grafi a e Sedimentologia pela Universidade de
Lisboa em 1997, sendo docente desta universidade
desde 1987. Colaborou em diversos projetos de
pesquisa na área sedimentar em Portugal e no Brasil
desde 2000. Foi membro coordenador do Projeto
Atlantis (2007-2010) e actualmente do Projeto Sagres
(2011-2013), ambos para o Centro de Pesquisas da
Petrobras. Co-organizou a “II Conjugate Margins
Conference, Lisbon-2010” e diversos Cursos de Campo
na Bacia Lusitânica para a Petrobras a partir de 2006.
Vasco Gonçalo Alves Esteves de Matos
Universidade de Coimbra
Faculdade de Ciências e Tecnologia
Departamento de Ciências da Terra
v.estevesmatos@gmail.com
Vasco Gonçalo Alves Esteves de Matos nasceu no
dia 12 de novembro de 1979 em Coimbra. Graduou-se
em Geologia em 2006 pela Universidade de Coimbra.
Mestre em Geociências, especialidade em Geologia
do Petróleo pela Universidade de Coimbra em 2009.
Entre 2007 e 2009 foi bolsista de investigação do
Projeto: Modelo Geológico Evolutivo de Riftes
Marinhos no Jurássico da Bacia Lusitânica (Portugal).
Projeto de investigação ATLANTIS – FAPESE (Brasil)
e PTDC/CTE-GEX/64966/2006, da Fundação para a
Ciência e a Tecnologia (Portugal) da instituição Fun-
dação da Faculdade de Ciências de Lisboa, onde foi
responsável pela área de Investigação da Geoquímica
Orgânica. Desde 2010 atua como bolsista de inves-
tigação do Projeto: PTDC/CTE-GEX/72694/2006 -
“Hydrocarbon Source-Rock Potential of the Algarve
Basin – Southern Portugal”, realizado em todos os
domínios da Fundação para a Ciência e a Tecnologia
na Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências
do Mar e Ambiente, Centro de Investigação Marinha
e Ambiental (CIMA), onde exerceu atividades nas
áreas de petrografi a orgânica, maturação orgânica,
palinofácies, estratigrafi a, sedimentologia e argilas.
... The sources of such occurrences have been chiefly ascribed to two Jurassic organicrich intervals, which display the highest potential for hydrocarbon generation in LB: (i) the latest Sinemurian to late Pliensbachian in the Lower Jurassic (Água de Madeiros and Vale das Fontes Formations); and (ii) the Early(?)-Middle Oxfordian in the Upper Jurassic (Cabaços Formation) (Beicip-Franlab, 1996;Oliveira et al., 2006;Duarte et al., 2010Duarte et al., , 2012Spigolon et al., 2010;Silva et al., 2014;Brito et al., 2017). Previous studies of these organic-rich intervals focused on issues related to sedimentology, (bio)stratigraphy, palynology, stable isotopes and organic geochemistry (Azerêdo et al., 2002a;Oliveira et al., 2006;Duarte et al., 2010Duarte et al., , 2012Spigolon et al., 2010;Silva et al., 2011Silva et al., , 2012Poças-Ribeiro et al., 2013;Gonçalves et al., 2015;Brito et al., 2017). ...
... Oxfordian in the Upper Jurassic (Cabaços Formation) (Beicip-Franlab, 1996;Oliveira et al., 2006;Duarte et al., 2010Duarte et al., , 2012Spigolon et al., 2010;Silva et al., 2014;Brito et al., 2017). Previous studies of these organic-rich intervals focused on issues related to sedimentology, (bio)stratigraphy, palynology, stable isotopes and organic geochemistry (Azerêdo et al., 2002a;Oliveira et al., 2006;Duarte et al., 2010Duarte et al., , 2012Spigolon et al., 2010;Silva et al., 2011Silva et al., , 2012Poças-Ribeiro et al., 2013;Gonçalves et al., 2015;Brito et al., 2017). In this study, we present multi-element geochemical data for the main Jurassic organic-rich intervals of LB and take a multi-proxy approach to assess the paleo-depositional conditions that may have ruled their OM accumulation, namely bottom-water redox conditions, primary productivity and paleo-hydrography. ...
... As a result of the carbonate-ramp morphology, controlled by regional tectonics and relative sea-level changes, these units increase in thickness, marly character and OM content towards the WNW-NW, where the maximum depth of the water column should have not have exceeded 200 m (N'zaba-Makaya et al., 2003;. The Água de Madeiros and Vale das Fontes formations are the main Lower Jurassic units with hydrocarbon source-rock potential in LB (Oliveira et al., 2006;Duarte et al., 2010Duarte et al., , 2012Spigolon et al., 2010;Poças Ribeiro et al., 2013;Sêco et al., 2018). ...
Presentation
The Iberian Pyrite Belt (IPB) is a world-class metallogenic district of Paleozoic age in the SW Variscides. Recent revitalization of exploration surveys in the IPB has renewed the interest in developing a systematic study of the Volcano-Sedimentary Complex (VSC), which typically hosts polymetallic massive sulphides. My PhD project intends to detail metallogenic models and mineral exploration surveys in the metasedimentary sequences of the IPB by discriminating provenances and sedimentation environments, as well as overprinting by exhalative-hydrothermal activity. Sampling surveys on active mines (Aljustrel and Neves Corvo) and exploration drilling were carried out (e.g. Gavião and Sesmarias), as well as regional outcrop samples. The PhD dataset includes 262 samples (outcrops, drill-cores and underground mine) that covered the IPB’s Portuguese segment. From an extensive database of whole-rock chemistry (~262) and multi-system (Pb-Sr-Nd), isotopic geochemistry (~98) was used to define new geochemical and mineralogical pathfinders for mineral exploration in Iberian Pyrite Belt.
... The sources of such occurrences have been chiefly ascribed to two Jurassic organicrich intervals, which display the highest potential for hydrocarbon generation in LB: (i) the latest Sinemurian to late Pliensbachian in the Lower Jurassic (Água de Madeiros and Vale das Fontes Formations); and (ii) the Early(?)-Middle Oxfordian in the Upper Jurassic (Cabaços Formation) (Beicip-Franlab, 1996;Oliveira et al., 2006;Duarte et al., 2010Duarte et al., , 2012Spigolon et al., 2010;Silva et al., 2014;Brito et al., 2017). Previous studies of these organic-rich intervals focused on issues related to sedimentology, (bio)stratigraphy, palynology, stable isotopes and organic geochemistry (Azerêdo et al., 2002a;Oliveira et al., 2006;Duarte et al., 2010Duarte et al., , 2012Spigolon et al., 2010;Silva et al., 2011Silva et al., , 2012Poças-Ribeiro et al., 2013;Gonçalves et al., 2015;Brito et al., 2017). ...
... Oxfordian in the Upper Jurassic (Cabaços Formation) (Beicip-Franlab, 1996;Oliveira et al., 2006;Duarte et al., 2010Duarte et al., , 2012Spigolon et al., 2010;Silva et al., 2014;Brito et al., 2017). Previous studies of these organic-rich intervals focused on issues related to sedimentology, (bio)stratigraphy, palynology, stable isotopes and organic geochemistry (Azerêdo et al., 2002a;Oliveira et al., 2006;Duarte et al., 2010Duarte et al., , 2012Spigolon et al., 2010;Silva et al., 2011Silva et al., , 2012Poças-Ribeiro et al., 2013;Gonçalves et al., 2015;Brito et al., 2017). In this study, we present multi-element geochemical data for the main Jurassic organic-rich intervals of LB and take a multi-proxy approach to assess the paleo-depositional conditions that may have ruled their OM accumulation, namely bottom-water redox conditions, primary productivity and paleo-hydrography. ...
... As a result of the carbonate-ramp morphology, controlled by regional tectonics and relative sea-level changes, these units increase in thickness, marly character and OM content towards the WNW-NW, where the maximum depth of the water column should have not have exceeded 200 m (N'zaba-Makaya et al., 2003;. The Água de Madeiros and Vale das Fontes formations are the main Lower Jurassic units with hydrocarbon source-rock potential in LB (Oliveira et al., 2006;Duarte et al., 2010Duarte et al., , 2012Spigolon et al., 2010;Poças Ribeiro et al., 2013;Sêco et al., 2018). ...
Article
The Lower Jurassic Água de Madeiros (AM Fm) and Vale das Fontes (VF Fm) Formations, and the Upper Jurassic Cabaços Formation (Cab Fm) are considered the most important units with petroleum source-rock potential in the Lusitanian Basin, and the likely sources for its widespread hydrocarbon occurrences. Nonetheless, the bottom-water redox conditions during their deposition remain debatable. To resolve this controversy, we investigated whole-rock inorganic geochemical data of the most significant organic-rich levels of the AM, VF and Cab Fms cropping out at basin scale. Significant variations in TOC, TS and redox-sensitive elements contents and their ratios are evident within and between the organic-rich levels of the studied units. A positive covariation between primary productivity proxies, TOC enrichment and paleo-redox proxies for the Lower Jurassic units clearly suggest an interdependence between enhanced primary productivity, organic matter accumulation and bottom-water redox conditions. For the AM Fm, the paleo-redox proxies indicate that the black shales deposition took place beneath bottom-waters that ranged from suboxic to strongly euxinic conditions, with a clear predominance of the latter. A TOC threshold of ∼6–7 wt% clearly separates samples deposited under suboxic to anoxic conditions from those deposited under true euxinic conditions, and is interpreted as the minimum amount of organic matter (OM) accumulation within sediments required to sustain H2S production at rates that outpaced its consumption through precipitation of sulphides and/or OM sulphurization, allowing the diffusion of H2S to the bottom-waters. For the Vale das Fontes Fm, the paleo-redox proxies suggest a prevalence of suboxic to anoxic bottom-waters, despite all black shales displaying TOC contents greater than the above threshold. The less reducing conditions relative to the AM Fm euxinic black shales are attributed to: i) a larger proportion of continental OM; ii) lower reactivity of the OM reaching the sediment-water interface (decreasing oxygen consumption); and iii) higher availability of reactive iron (increasing the buffer effect to H2S produced through OM remineralization by sulphate-reducing bacteria). Both units display Mo-EF vs U-EF covariation patterns that deviate from the field of sediments deposited under unrestricted open-marine conditions, towards higher Mo enrichment relative to that of U, indicating an accelerated transport of aqueous Mo to the sediments, consistent with the operation of a metal-oxyhydroxide particulate shuttle linked to Mn and Fe redox cycling within the water column in a weakly-restricted basin. The Mo-COT regression-line slope indicates a moderate degree of bottom-water mass restriction, with [Mo]aq concentration of ∼60–70% of the present-day seawater value and bottom-water renewal times of ∼10–20 years, akin to the present-day Cariaco Basin. The redox conditions of the Cab Fm organic-rich levels are dependent on the location of the depositional environment in the basin, with deposition taking place beneath oxygenated bottom-waters at Cabo Mondego, and under suboxic conditions at Vale de Ventos and Pedrógão, the latter denoting a larger degree of oxygen depletion than the former. In this context, the overall potential for OM preservation should increase from Cabo Mondego to Vale de Ventos and Pedrógão. Free access to the article until May 27 using the following link: https://authors.elsevier.com/a/1asOOyDcGMB7G
... Based on these studies, petroleum systems and elements in the Lusitanian Basin were reviewed. Previous petroleum systems studies include that produced by the National Oil Agency (GPEP, 1986), and the reviews prepared by Pena dos Reis andPimentel (2010a, 2010b) and Spigolon et al. (2011) which are updated in this paper. ...
... In Pliensbachian times, deep-marine marly limestones were deposited on a homoclinal ramp which extended over most of the Lusitanian Basin (Brenha Group; Witt, 1977). Sediments include some 100 m of alternating cm-thick marls and limestones (Vale das Fontes Formation: Rocha et al., 1996;Azerêdo et al., 2003) with source rock potential in OM-rich intervals (Oliveira et al., 2006;Silva et al., 2007: Duarte et al., 2010Spigolon et al., 2010Spigolon et al., , 2011 (Fig. 6c). ...
... Basal-Oxfordian sediments correspond to laminated marly limestones a few hundred metres thick (Cabaços Formation: Azerêdo et al., 2002) deposited in coastal to transitional environments (Fig. 6e). Organic-rich intervals have good source rock potential (Spigolon et al., 2011;Duarte et al., 2012;Silva et al., 2013). The formation is overlain by a few hundred metres of grey, fullymarine marly limestones (Montejunto Formation; Atrops and Marques, 1988) deposited during a rapid marine transgression. ...
Article
Full-text available
The relatively well-studied Lusitanian Basin in coastal west-central Portugal can be used as an analogue for the less well-known Peniche Basin in the deep offshore. In this paper the Lusitanian Basin is reviewed in terms of stratigraphy, sedimentology, evolution and petroleum systems. Data comes from published papers and technical reports as well as original research and field observations. The integration and interpretation of these data is used to build up an updated petroleum systems analysis of the basin. Petroleum systems elements include Palaeozoic and Mesozoic source rocks, siliciclastic and carbonate reservoir rocks, and Mesozoic and Tertiary seals. Traps are in general controlled by diapiric movement of Hettangian clays and evaporites during the Late Jurassic, Late Cretaceous and Late Miocene. Organic matter maturation, mainly due to Late Jurassic rift-related subsidence and burial, is described together with hydrocarbon migration and trapping. Three main petroleum systems may be defined, sourced respectively by Palaeozoic shales, Early Jurassic marly shales and Late Jurassic marls. These elements and systems can tentatively be extrapolated offshore into the deep-water Peniche Basin, where no exploration wells have so far been drilled. There are both similarities and differences between the Lusitanian and Peniche Basins, the differences being mainly related to the more distal position of the Peniche Basin and the later onset of the main rift phase which was accompanied by Early Cretaceous subsidence and burial. The main exploration risks are related to overburden and maturation timing versus trap formation associated both with diapiric movement of Hettangian salt and Cenozoic inversion. ON-LINE FULL VERSION http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jpg.12648/epdf
... wt% at Cabo Mondego (material heavily impregnated with hydrocarbons) and 0.43-11.64 wt% at Vale de Ventos, whereas Spigolon et al. (2011) indicate 2.87-4.93 wt% (outcrop samples) and Gonçalves et al. (2015) < 1 wt% (borehole samples) at different places in the Montejunto region. ...
... wt% (outcrop samples) and Gonçalves et al. (2015) < 1 wt% (borehole samples) at different places in the Montejunto region. The palynofacies is also variable but overall data show that the particulate organic matter is mostly of continental origin, punctuated by minor events of marine-influence, which increases towards the upper part of the unit (Barron and Azerêdo, 2003;Spigolon et al., 2011;Silva et al., 2014;Gonçalves et al., 2015). ...
Article
This study tests the hypothesis that the early diagenesis of aragonite shells should differ fundamentally between marine and freshwater environments. This is predicted to be the case because aragonite is highly susceptible to dissolution in the TAZ (Taphonomically Active Zone) in low energy marine settings due to acidity caused largely by the oxidation of H2S generated by sulphate-reducing bacteria, but reduced sulphide activity in freshwater settings should result in less early dissolution of aragonite. To test this hypothesis a range of fresh-brackish-hypersaline and marine limestones were sampled from the Upper Jurassic (mid Oxfordian) Cabaços Formation of central western Portugal. In these freshwater and brackish deposits, molluscs are preserved mostly as sparite shell replacements indicating that the original aragonite was preserved through the TAZ and was later replaced during subsequent burial by calcite cement. In limestones deposited in more marine to hypersaline settings, molluscan remains mostly consist of the calcitic layers of bimineralic bivalves, as shell where the original was wholly calcitic, or as gastropod steinkerns. Exceptions occur and reflect other factors such as higher energy conditions during deposition whereby organic matter, as the drive for microbial decay processes, was removed. The implications for molluscan preservation including some hydrocarbon reservoirs are discussed.
... A existência de unidades com potencial gerador na Bacia Lusitânica é reconhecida desde o século passado, correspondendo essencialmente a duas unidades jurássicas (BEICIP, 1996;Pena dos Reis & Pimentel, 2010;Spigolon et al., 2011). No Jurássico Inferior temse atribuído ao Grupo Brenha características favoráveis à preservação de matéria orgânica e geração de hidrocarbonetos. ...
... Na realidade, é a parte inferior desse Grupo que apresenta melhores propriedades, nomeadamente a Formação de Água de Madeiros e a Formação de Vale das Fontes (Duarte et al., , 2012. No Jurássico Superior, a Formação de Cabaços e o seu equivalente lateral Formação de Vale Verde, têm sido apontadas como unidades com melhor potencial (Spigolon et al., 2011;Silva et al., 2014). ...
Article
Full-text available
This paper addresses the modeling of thermal maturation of two potential source-rock units of the Lusitanian Basin, Lower Jurassic and Upper Jurassic, also interpreted in the Peniche Basin. Ten wells in Lusitanian basin and 15 pseudo- wells in the Peniche basin have been analyzed and modeled with PetroMod software. Pseudo - wells were built based on the interpretation of seismostratigraphic units, identified in 28 regional seismic lines, by correlation with the onshore units. The modeling indicates maturation conditions of both source-rocks for oil in both basins, with the possibility of gas generation in the most subsiding sectors. Maturation in the Peniche Basin appears to be more extensive and also more recent, as a result of its outermost position in the geodynamic context of the opening of the North Atlantic Ocean. © 2014 LNEG – Laboratório Nacional de Geologia e Energia IP.
... 3), the phytoclast group content is always above *80 %, but from CM4 to CM6 AOM and palynomorph contents decrease. The most distinctive feature of this section is the massive presence of particles belonging to the phytoclast group, made up of cuticle layer fragments associated with the innermost part of epidermis (Fig. 10a, b) (Mendonça Filho et al. 2011; Spigolon et al. 2011). In optical observation, these particles appear as phytoclasts coated with a thin fluorescent cuticle, occasionally with stomata. ...
... In fact, most of the studied samples from the Vale de Ventos, Pedrógão, and Cabo Mondego sections confirm its marginal value as a prospect, being dominated by woody particles with potential for gas generation (equivalent to type III and IV kerogens, van Krevelen 1961; Tissot et al. 1974 ; Tyson 1995 and references therein). Nevertheless, a few samples have significant amounts of kerogen particles included in the kerogen groups type I (e.g., Botryococcus) and type II (e.g., leaf remains) (van Krevelen 1961; Tissot et al. 1974; Tyson 1995 and references therein) and, although spatially restricted, there are some indications of the existence of nearby environments dominated by microbial components (see also Spigolon et al. 2011 for Rock–Eval data from the Cabo Mondego section). All these observations suggest that the studied units may be considered as potential source-rocks and this must be considered in future studies regarding the discrimination of the petroleum systems of the Lusitanian Basin. ...
Article
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The Middle–Upper Jurassic transition is a geodynamic benchmark in the evolutionary history of several peri-Atlantic basins. Contrary to the vast Tethyan and peri-Tethyan areas, in the Lusitanian Basin (Portugal), this interval corresponds to a major basin-wide disconformity preceded by a complex forced regression that induced sharp facies variations across the depositional systems. The Middle Jurassic units below are fully marine, whereas the Upper Jurassic sediments (Lower?-Middle Oxfordian), correspond to freshwater/brackish lacustrine, grading into punctuated brackish-restricted lagoonal and shallow-marine paleoenvironments. This study presents total organic carbon and palynofacies data of 34 samples (total analyzed thickness about 85 m) collected from three key sections encompassing the Middle–Upper Jurassic transition in the central-northern sector of the Lusitanian Basin. The palynofacies of the analyzed part of Middle Jurassic units (Cabo Mondego Formation) are characteristic of marine environments at their base, evidencing upwards a regressive trend of the depositional systems. Total organic carbon content is generally low, reaching up to 1.94 wt%. The Upper Jurassic Cabaços Formation presents kerogen assemblages mostly of continental origin, although punctuated by minor intervals of marine influence. Total organic carbon content is more variable, reaching up to 30.56 wt%. Intraclasts of re-deposited fragments of microbial mats were found incorporated in the kerogen assemblages, which point to highly dynamic erosional and depositional processes. Diversity of Botryococcus sp. occurrences was confirmed as an indicator of the degree of paleoenvironmental stability. The vertical distribution and comparison of the kerogen assemblages of the different sections indicate major changes of these parameters among relatively close settings and along narrow vertical intervals, attesting to the high sedimentary dynamics observed in the Lusitanian Basin.
... Loughbrough, 1993;Lisboa et al., 2011;Carvalho et al., 2013Carvalho and Lisboa, 2018), besides numerous hydrocarbon shows and seepages (e.g. GPEP, 1986;Baptista, 2002;Spigolon et al., 2011). A few iron occurrences are indicated in the national inventory of mineral resources (http://geoportal.lneg.pt/ ...
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The present work reports the first study on fault-controlled breccias cemented by low-Ti iron-oxides cropping out in Valverde (Maciço Calcário Estremenho, Lusitanian Basin, Portugal). The mineralized bodies: (i) occur in jogs of a WNW-ESE fault zone that comprises four segments, forming an irregular en échelon array of arched geometry; and (ii) are hosted in Jurassic limestones affected by a prominent metasomatic alteration halo macroscopically characterized by darker coloring, higher hardness and disseminations of pyrite, pyrrhotite, hematite and magnetite. Breccias are mainly composed of heterometric and variably modified angular clasts of limestone rocks along with minor dolerite clasts recording intense hydrothermal carbonate alteration. The breccia cements include magnetite and calcite, besides variable amounts of hematite, mixed-layered chlorite-smectite-mica, Ba-bearing phlogopite, fluorapatite, pyrite and chalcopyrite. These features are comparable with some types of Ti-poor iron oxide ores included in the “copper-deficient end-members” of the IOCG clan generated during the Phanerozoic. However, as far as can be observed, the hosting limestones at Valverde do not show calcic or magnesium skarn assemblages and massive Fe-oxide stratabound replacements are also absent. The evolution of the Valverde system can be synthetically described as a succession of two main ore-forming stages during which all of the aforementioned authigenic mineral phases grew in the following sequence: phyllosilicates, iron-oxides and redox reactions, and sulfides. Compared to the hosting limestones, the mineralized fault breccias display strong enrichments in Fe and Co (up to ≈200 times), Ba, Cu, P, Cr, Mn, Si and V (up to ≈33 times) and Rb, K, Zn, Mo, Al, Na, Pb, Mg, Sc, Zr and S (up to ≈8 times). Quantitatively, the iron grades are quite significant (rising up to ≈85 wt% Fe2O3) and the abundances in other base metals are anomalous (≈61 ≤ (Cu + Co + Zn) ≤ 280 ppm). The recognition of this exotic ore-system opens new mineral exploration perspectives for the Lusitanian Basin and other basins with similar characteristics.
... No entanto, podemos identificar outros fatores, nomeadamente os científicos, que foram igualmente relevantes para o atraso da indústria petrolífera em Portugal. Vejamos, por exemplo, o artigo de Spigolon et al. (2011), em que se refere: "A exploração de petróleo nas bacias portuguesas remonta ao século passado, mais especificamente a partir do final da década de 30, quando foram emitidos diversos alvarás de concessão para pesquisas envolvendo aquisição de dados geológico-geofísicos. Desde então, foram realizados uma série de levantamentos sísmicos, gravimétricos e magnetométricos, bem como a perfuração de mais de uma centena de poços exploratórios na área terrestre e marítima, dos quais muitos deles apresentaram fortes indícios de óleo e gás, indicando a presença de sistemas petrolíferos ativos. No entanto, mesmo com uma extensiva campanha exploratória, apenas duas sondagens produziram quantidades subcomerciais na Bacia Lusitânica, o que inibiu significativamente os investimentos por parte das grandes companhias a partir do final de década de 70 (p. ...
Technical Report
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Esta Recensão pretende ser uma análise constructiva ao Livro indicado em Título, e que corresponde a um convite do Eng.º Ferreira de Oliveira, então presidente da Galp Energia, que pretendia “um estudo de carácter científico sobre as mudanças de propriedade no sector dos petróleos em Portugal”, tal como descrito pelos autores, na parte dos Agradecimentos. Daqui resultou um livro cujo objetivo de estudo é a História dos Petróleos em Portugal, desde 1937 a 2012.
... Until the end of 1930, Portugal was supply by oil products essentially from foreign companies, such as Shell. Then, in 1933, the company Queiroz Pereira (with a Portuguese majority capital) joined with the Sonap (Portuguese Society of Petroleum) in order to overcome this problem [5], although the Portuguese oil market continued to be operated in the same way. ...
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This essay is intended to be a review of the main events that contributed to the appearance of the first Portuguese oil companies (Sonap, Sacor, Cidla, Petrosul), as well as to the creation and development of Petrogal (Portuguese oil company) which led to the emergence of Galp Energy (current Portuguese oil company).
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De entre as sucessões sedimentares do Meso-Cenozoico português, as séries carbonatadas de origem marinha do Jurássico Inferior da Bacia Lusitânica são das que registam maior conteúdo em matéria orgânica, reconhecendo-se o seu potencial petrolífero. Como tal, são as que mostram particular interesse no potencial de geração de hidrocarbonetos, evidências suportadas por várias publicações da especialidade. Neste âmbito, faz-se aqui uma caracterização atualizada das principais unidades ricas em matéria orgânica, que incluem as formações de Coimbra, Água de Madeiros e Vale das Fontes. Tendo em conta a expressão estratigráfica vertical e lateral destas unidades, bem como os aspetos da natureza e qualidade do querogénio, discute-se o seu potencial de geração de hidrocarbonetos.
Chapter
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The second rifting episode of Lusitanian Basin reached a climax during Upper Jurassic. After a transgressive event during Oxfordian, an intense tectonic subsidence lead to the definition of three sub-basins in the central region. In the Montejunto area, the edge of the rupture was studied. Different depositional geometries were defined as related to an interpreted fault, which bounded a platform realm to NE from a deep basin situation to SW. The associated processes are interpreted and discussed.
Conference Paper
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The Lusitanian Basin is located at the western Atlantic edge of Iberia, representing the response to the Cretaceous opening of the North Atlantic. It is a conjugate to other basins in northeast North America. However, its Late Triassic to Early Cretaceous evolution reveals important relations with both the Central Atlantic and the Alpine Tethys oceans. This fact can be better understood by looking at other nearby basins, such as the Cacém and Algarve basins (100 and 200 km to the south), and the Moroccan basins of the Atlas (700 km to the southeast). The comparison of the sedimentary infilling of these basins is reviewed, focusing on their paleoenvironmental significance and geodynamic correlation. Opening of the Central Atlantic, Alpine Tethys spreading, linkage with the Central Atlantic and spreading of the North Atlantic, are discussed as the main controls of the Lusitanian Basin’s evolution. FOR FULL TEXT, GO TO (pg.348-354) http://www.conjugatemargins.com/downloads/publications/Extended%20Abstracts-Revised.pdf
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The Mesozoic and Tertiary structural and sedimentological evolution of the western Iberian margin can be related to the reactivation of structures within the Hercynian basement. Sedimentary basins probably formed by extensional collapse of the hanging walls of Hercynian thrust sheets. Within the Lusitanian basin, and also offshore, reactivation of north-northeast to south-southwest- and northeast to southwest-trending late Hercynian orogenic strike-slip faults in the basement strongly controlled basin geometry, facies distributions, the site of salt structures, and the location of extensional and compressional faults. The Mesozoic of the Lusitanian basin comprises four unconformity-bounded sequences which are related to extensional events in the evolution of the North Atlantic. Two inversion episodes resulted in the reversal of Mesozoic tensional/transtensional features and were related to the Pyrenean and Betic orogenies. -from Authors
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Production and Accumulation of Organic Matter: A Geological Perspective.- Production and Accumulation of Organic Matter The Organic Carbon Cycle.- Evolution of the Biosphere.- Biological Productivity of Modern Aquatic Environments.- Chemical Composition of the Biomass: Bacteria, Phytoplankton, Zooplankton, Higher Plants.- Sedimentary Processes and the Accumulation of Organic Matter.- The Fate of Organic Matter in Sedimentary Basins: Generation of Oil and Gas.- Diagenesis, Catagenesis and Metagenesis of Organic Matter.- Early Transformation of Organic Matter: The Diagenetic Pathway from Organisms to Geochemical Fossils and Kerogen.- Geochemical Fossils and Their Significance in Petroleum Formation.- Kerogen: Composition and Classification.- From Kerogen to Petroleum.- Formation of Gas.- Formation of Petroleum in Relation to Geological Processes. Timing of Oil and Gas Generation.- Coal and its Relation to Oil and Gas.- Oil Shales: A Kerogen-Rich Sediment with Potential Economic Value.- The Migration and Accumulation of Oil and Gas.- An Introduction to Migration and Accumulation of Oil and Gas.- Physicochemical Aspects of Primary Migration.- Geological and Geochemical Aspects of Primary Migration.- Secondary Migration and Accumulation.- Reservoir Rocks and Traps, the Sites of Oil and Gas Pools.- The Composition and Classification of Crude Oils and the Influence of Geological Factors.- Composition of Crude Oils.- Classification of Crude Oils.- Geochemical Fossils in Crude Oils and Sediments as Indicators of Depositional Environment and Geological History.- Geological Control of Petroleum Type.- Petroleum Alteration.- Heavy Oils and Tar Sands.- Oil and Gas Exploration: Application of the Principles of Petroleum Generation and Migration.- Identification of Source Rocks.- Oil and Source Rock Correlation.- Locating Petroleum Prospects: Application of Principle of Petroleum Generation and Migration - Geological Modeling.- Geochemical Modeling: A Quantitative Approach to the Evaluation of Oil and Gas Prospects.- Habitat of Petroleum.- The Distribution of World Oil and G