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Significados e sentidos da música: uma breve "composição" a partir da psicologia histórico-cultural

Abstract

Este artigo discute a construção dos significados e sentidos da música a partir da Psicologia Histórico-Cultural, principalmente com a contribuição de L. S. Vygotski, buscando tecer uma interface com as idéias dos musicoterapeutas noruegueses Even Ruud e Brynjulf Stige, com base na filosofia de Ludwig Wittgenstein. Quando se vivencia a música, não se estabelece relação apenas com a matéria musical em si, mas com toda uma rede de significados construídos no mundo social, em contextos coletivos mais amplos e em contextos singulares. Dessa forma, os significados e sentidos da música são construídos a partir do contexto social, econômico, político, de vivências concretas e da “utilização viva” da música por sujeitos em relação, onde articulam sua dimensão afetiva, desejos e motivações.
Psicologia em Estudo, Maringá, v. 12, n. 1, p. 105-113, jan./abr. 2007
SIGNIFICADOS E SENTIDOS DA MÚSICA: UMA BREVE “COMPOSIÇÃO” A PARTIR
DA PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL
1
Patrícia Wazlawick
*
Denise de Camargo
#
Kátia Maheirie
RESUMO. Este artigo discute a construção dos significados e sentidos da música a partir da Psicologia Histórico-Cultural,
principalmente com a contribuição de L. S. Vygotski, buscando tecer uma interface com as idéias dos musicoterapeutas
noruegueses Even Ruud e Brynjulf Stige, com base na filosofia de Ludwig Wittgenstein. Quando se vivencia a música, não se
estabelece relação apenas com a matéria musical em si, mas com toda uma rede de significados construídos no mundo social,
em contextos coletivos mais amplos e em contextos singulares. Dessa forma, os significados e sentidos da música são
construídos a partir do contexto social, econômico, político, de vivências concretas e da “utilização viva” da música por
sujeitos em relação, onde articulam sua dimensão afetiva, desejos e motivações.
Palavras-chave: significados e sentidos da música, musicoterapia, psicologia histórico-cultural.
MEANINGS AND SENSES OF MUSIC: A BRIEF COMPOSITION FROM CULTURAL-
HISTORICAL PSYCHOLOGY
ABSTRACT. The construction of meanings and senses in music from the point of view of Cultural-Historical Psychology,
with special reference to L. S. VygotskI, is discussed. An interface with the ideas of Norwegian music-therapists Even Ruud
and Brynjulf Stige, grounded on Ludwig Wittgenstein's philosophy, is highlighted. The experience of music brings about not
merely a relationship with the musical matter itself, but with a whole network of meanings built in the social world within
wider collective contexts and in more particular contexts. Meanings and senses of music are built from political, economical
and social contexts, from concrete existences and from the “living use” of music by involved people. Actually this is where
they articulate their affection, desires and motivations.
Key words: Meanings and senses of music; music therapy; cultural-historical psychology.
SIGNIFICADOS Y SENTIDOS DE LA MÚSICA: UNA BREVE “COMPOSICIÓN” A
PARTIR DE LA PSICOLOGÍA HISTÓRICO-CULTURAL
RESUMEN. Este artículo discute la construcción de los significados y sentidos de la música a partir de la Psicología Histórico
Cultural, principalmente con la contribución de L. S. Vygotski, buscando formar una conexión con las ideas de los
musicoterapeutas noruegos Even Ruud y Brynjulf Stige, en base a la filosofía de Ludwig Wittgenstein. Cuando se vivencia la
música, no sólo se relaciona con la materia musical en sí, sino con toda una red de significados construidos en el mundo
social, en contextos colectivos más amplios y en contextos singulares. De esa forma, los significados y sentidos de la música
son construidos a partir del contexto social, económico, político, de vivencias concretas y de la “utilización viva” de la música
por sujetos interrelacionados, donde articulan su dimensión afectiva, deseos y motivaciones.
Palabras-clave: significados y sentidos de la música; musicoterapia; psicología histórico-cultural.
1
Apoio: CAPES.
* Musicoterapeuta. Doutora em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC.
#
Psicóloga. Doutora em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica-PUC-SP.
Psicóloga. Doutora em Psicologia Social pela PUC-SP. Professora do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em
Psicologia da UFSC.
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Este texto pretende discutir a questão dos
significados e sentidos da música a partir da
perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural, ao buscar
tecer uma interface com temáticas da Musicoterapia.
A Musicoterapia é uma ciência recente, que
começou a ser sistematizada a partir de meados do
século XX. Historicamente, buscou possibilidades de
fundamentação partindo do modelo médico-biologicista
e nas linhas da Psicologia - Psicanálise, Psicologia
Comportamental e Psicologia Humanista -, o que
muitas vezes provocou confusões teóricas e um
ecletismo”, que vinham a se refletir em sua própria
prática. Foram buscas importantes que orientam o
modo de ver e conceber o homem, a música e a saúde,
na prática da musicoterapia; no entanto, percebe-se que
este caminho de fundamentação e esclarecimento
teórico deve ser coerente, para uma melhor definição e
estruturão dos conhecimentos musicoterápicos.
Estes aspectos levaram a conceber a idéia de
que a musicoterapia é transdisciplinar por natureza,
ou seja, é uma ciência híbrida. O musicoterapeuta
norte americano, Ph.D. Kenneth Bruscia (2000), diz
que a musicoterapia o é uma disciplina isolada e
singular claramente definida e com fronteiras
imutáveis. Ao contrário, ela é uma combinação
dinâmica de muitas disciplinas em torno de duas
áreas: música e terapia (p. 8).
Nesta possibilidade transdisciplinar, de
combinação dinâmica de disciplinas, justamente
analisando a trajetória teórica que a musicoterapia veio
construindo junto com outros saberes ao longo de sua
história, encontra-se atualmente um outro movimento
na construção teórica desta ciência. Tal movimento
poderia ser considerado como uma modulação
2
, isto
é, uma aproximão e diálogos da musicoterapia com o
contexto sócio-histórico e cultural, como se pode
evidenciar nos estudos dos musicoterapeutas
noruegueses Ruud (1990, 1991, 1997, 1998) e Stige
(1998), ao articularem discussões principalmente com
o filósofo Ludwig Wittgenstein (1975), e também em
estudos dos musicoterapeutas Grebe de Vicuña (1977),
Milleco (1996), Barcellos (1992) e Santos (2002).
A discussão da constituão do sujeito em meio a
suas relações com o contexto social e os movimentos
daí decorrentes, bem como dos aspectos de significados
e sentidos da música, pouco se faz presente na
musicoterapia. Santos (2002) relembra que são poucas
as abordagens nesta área que tecem este tipo de olhar, e
questiona se esta falta de perspectiva social não estaria
2
Modulação: passagem ou passagens de um tom para outro,
numa mesma peça musical (Alonso Pimentel, 1988).
prejudicando a análise e compreensão do fenômeno
musical na práxis da musicoterapia.
Ao direcionarmos a compreensão pelo vs da
Psicologia Histórico-Cultural, percebemos que a
música é criada pela utilização cultural e pessoal dos
sons. A música age sobre a cultura que lhe forma e
da qual ela deriva, ao mesmo tempo em que se insere
na estrutura dinâmica onde ela própria se formou
(Tomatis & Vilain, 1991). Está inserida nas várias
atividades sociais, do que decorrem múltiplos
significados. A cultura dá os referenciais, bem como os
instrumentos materiais e simbólicos de que cada sujeito
se apropria para criar, tecer e orientar suas construções
- neste caso, as atividades criadoras e musicais.
Quando se vivencia a música se estabelece uma relação
com a matéria musical em si (resultado da relação de
seus elementos) e com toda uma rede de significados
construídos no mundo social.
A atividade musical, enquanto integrante de uma
cultura, criada e recriada pelo fazer reflexivo-afetivo
do homem, é vivida no contexto social, histórico,
localizado no tempo e no espaço, na dimensão coletiva,
onde pode receber significações que são partilhadas
socialmente e sentidos singulares que são tecidos a
partir da dimensão afetivo-volitiva e dos significados
compartilhados. Desta forma, falamos de vivências
coletivas e singulares da música, sempre em meio ao
contexto histórico-social.
Entendendo a música como um fazer que se
constrói pela ação do sujeito em relação com o
contexto histórico-cultural, entendemos o sujeito como
constituído e constituinte do contexto no qual está
inserido. De acordo com Zanella (1999), todo
indivíduo enquanto ser social insere-se, desde o
momento em que nasce, em um contexto cultural,
apropriando-se dele e modificando-o ativamente, ao
mesmo tempo em que é por ele modificado...” (p. 153).
As manifestações culturais derivam da atividade
humana conjunta, assim como as características
singulares do sujeito, sendo social e historicamente
constituídas. As atividades culturais contribuem, em
relação às significações engendradas e apropriadas
pelos sujeitos que as executam, para a constituão dos
sujeitos (Zanella, 1999). Configura-se, então, uma
dinâmica entre sujeito, contextos sociais, cultura,
linguagem, pensamento, atividade, emoções,
sentimentos e dimensão artístico-criadora, como visto
em Vygotski (1987, 1930/2003), Geertz (1989), Caroll
(1987), Maheirie (2001, 2003).
Sendo assim, discutiremos neste artigo os
significados e sentidos de acordo com a Psicologia
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Histórico-Cultural que depois vêm somar-se para a
compreensão de como ocorre a construção da
significação musical - em contrapartida às concepções
estéticas da música, nas posições absolutista e
referencialista -, tendo em vista ampliar a compreeno
da significação em música. Os significados e sentidos
demonstram a utilização viva da música e a constante
movimentação de sujeitos implicados com a atividade
musical, que constituem esta atividade enquanto ela
tamm se faz constituinte deles.
Antes de adentrarmos diretamente na categoria de
significados e sentidos, vamos relatar os achados” na
pesquisa realizada no Banco de Teses da Capes (entre
maio e junho de 2006), no site
http://www.periodicos.capes.gov.br - que contempla a
produção brasileira nos cursos de pós-graduação desde
o ano de 1987 -, para localizarmos e situarmos nosso
trabalho entre as produções que vêm sendo objetivadas
nos programas de pós-graduação em nível de mestrado
e de doutorado no âmbito brasileiro, principalmente no
que diz respeito às áreas de música, psicologia e
musicoterapia.
Com o assuntoMúsica e Psicologia Histórico-
Cultural” encontramos seis dissertações de mestrado e
nenhuma tese de doutorado. Entre aquelas, uma trata de
problemas e reflexões da voz cantada em contextos
socioculturais, artísticos e educacionais (Fischer,
2004); quatro discorrem sobre criação e composição
musical de compositores específicos ou gêneros
específicos de música (Oliveira, 2002; Azevedo, 2003;
Weinreb, 2003; Mendes, 2001); e uma sobre a
identidade profissional com predomínio de valores –
focada na prática da atividade musical de um músico
(Lucheci, 1997).
Com o assunto Música e Psicologia Sócio-
Histórica” encontramos duas dissertações de mestrado
e nenhuma tese de doutorado. Das dissertações, uma
discorre sobre meios de comunicação e ensino da
linguagem estrangeira moderna (Moreira, 2001), e a
outra é a de Mendes (2001), conforme descrito no
parágrafo acima.
Com a expressão Significados e Sentidos da
Música”, encontramos 47 dissertações de mestrado,
entre as áreas de letras, lingüística, sociologia, artes,
história da arte, educação, música, psicologia.
Destacamos os trabalhos de: Fernandes Júnior (2002)
acerca da intertextualidade e movimentos de leitura em
canções, com fundamentação teórica em Bakhtin, do
mestrado em Letras (UNESP); a dissertação de Talina
(2003), sobre música e simbolismo, que faz uma
análise do sentido extramusical, abordando temáticas
da música e da semiótica musical do mestrado em
ciências da arte (UFF); e a pesquisa de Cunha (2003),
que, ao realizar um trabalho em grupo
musicoterapêutico com jovens, analisou o que estes
jovens objetivam por meio da linguagem musical
mestrado em Psicologia (UFPR). Nesta autora
encontramos aproximões da temática dos
significados e sentidos na música na musicoterapia,
com fundamentação em Vygotski.
Esta mesma expressão nas teses de doutorado
apontou 23 trabalhos, entre as áreas: psicologia,
lingüística, artes, educação, comunicação e semiótica,
história, literatura, saúde pública. O trabalho que mais
se aproxima de nossa temática é a tese de Maheirie
(2001), de doutorado em Psicologia Social (PUC-SP),
onde a temática dos significados e sentidos está
atrelada ao estudo que faz sobre músicos e bandas,
trabalho acústico e projeto de ser” (tal como é
compreendido pelo filósofo Jean-Paul Sartre).
Este panorama de pesquisas, tal como descrito
acima, com poucos trabalhos enfocando diretamente a
discussão da significação musical a partir da temática
dos significados e sentidos da música, tendo sua
fundamentação em Vygotski e articulando a discussão
entre as áreas da Psicologia Histórico-Cultural e da
Musicoterapia, justifica tamm a objetivação da
compreensão que aqui buscamos.
SIGNIFICADOS E SENTIDOS
Para discutirmos a significação musical partiremos
da compreensão dos conceitos de significados” e
sentidos”, tal como propostos por Vygotski (1987,
1992) e Luria (1986).
Camargo, Cunha e Bulgacov (2003), a partir da
compreensão do pensamento de Vygotski (1992),
dizem que o pensamento verbal possui desde planos
internos até os mais externos. Os planos internos, onde
o “sentido se configura, relaciona-se aos motivos,
intenções, necessidades, interesses, impulsos e
emoções do sujeito. Seria o ponto de origem do
pensamento, ainda sem uma forma lingüística
específica, a linguagem interna”, onde as palavras
adquirem sentidos particulares que são intraduzíveis
na língua externa. A linguagem não teria ainda, nesse
momento, uma função comunicativa em palavras, mas
cumpriria a função de ser a mediação do próprio
comportamento, em que existe a fala para si mesmo.
A partir do momento em que se inicia a formalização
do pensamento se a formação na linguagem
externa, mediada pelo significado” das palavras. Este
não é um processo linear, mas um processo que ocorre
de modo contínuo e integrado. O pensamento precisa
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da palavra para se realizar, o caminho do pensamento
para a palavra passa pela mediação do significado.
Vygotski (1987, 1992) e Luria (1986), no estudo
do pensamento e da linguagem como funções
psicológicas superiores, apontam para a mediação
semiótica e a constituição da consciência humana. A
palavra é tomada como a unidade fundamental da
linguagem. Nesta posição ela apresenta dois
componentes principais: o primeiro é sua referência
objetal, pois designa um objeto, traço, ação ou relação;
o segundo é o seu significado, compreendido como a
função de separação de determinados traços no objeto,
sua generalização e a introdução em determinado
sistema de categorias (Luria, 1986).
Tanto Vygotski (1987, 1992) quanto Luria (1986)
observaram que estes dois componentes da palavra não
permanecem imutáveis. A palavra constitui-se em um
aparelho que reflete o mundo externo em seus enlaces e
relações (...) à medida que a criança se desenvolve,
muda o significado da palavra, quer dizer que também
muda o reflexo daqueles enlaces e relações que,
através da palavra, determinam a estrutura de sua
consciência” (Vygotski citado por Luria, 1986, p. 44).
Segundo Luria (1986), o significado é “o sistema
de relações que se formou objetivamente no processo
histórico e que está encerado na palavra” (p. 45).
Quando se assimila o significado da palavra, domina-se
a experiência social, refletindo o mundo com plenitude
e profundidade diferentes.
Para Vygotski (1992), o significado de uma
palavra reflete a união ou a unidade do pensamento e
da linguagem. Diz ele: ...uma palavra carente de
significado não é uma palavra, é um som vazio...” (p.
289). O significado é o traço necessário que se faz
constitutivo da própria palavra, é uma generalização ou
um conceito conferido por sua utilização no contexto
histórico-social, que surge como um fenômeno do
pensamento, construído e compartilhado em uma
coletividade. Sendo assim, o significado não é
permanente, é uma formão dinâmica, porquanto varia
de acordo com a mudança das formas de funcionamento
do pensamento.
O sentido, por sua vez, configura o significado
individual da palavra, separado deste sistema
objetivo de enlaces; está composto por aqueles
enlaces que têm relação com o momento e a situação
dados (Luria, 1986, p. 45). O sentido pode
designar algo completamente diferente de pessoa
para pessoa e em circunstâncias diversas, pois do
significado objetivo da palavra a pessoa separa
aquela parte” que lhe interessa, de acordo com a
situação, e configura o sentido. Este es
diretamente ligado ao uso da palavra, de modo
idiossincrático:
...A mesma palavra possui um significado,
formado objetivamente ao longo da história e
que, em forma potencial, conserva-se para
todas as pessoas, refletindo as coisas com
diferente profundidade e amplitude. Porém,
junto com o significado, cada palavra tem um
sentido, que entendemos como a separação,
neste significado, daqueles aspectos ligados à
situação dada e com as vivências afetivas
[grifo nosso] do sujeito (Luria, 1986, p. 45).
Na base do sentido encontra-se a percepção do que
o falante quer precisamente dizer, bem como dos
motivos que o levam a efetuar a alocução verbal.
Assim, o sentido é o elemento fundamental da
utilização viva”, ligada a uma situação concreta
afetiva (emoções e sentimentos) por parte do sujeito.
Relacionando significado e sentido, Maheirie
(2003) aponta, com base em Vygotski, que o
significado engloba a dimensão coletiva, ou seja, as
significações que são vividas coletivamente. O sentido,
por sua vez, envolve o vivido de forma singular. Ambos
são produzidos no contexto social, uma vez que é
impossível descolar o sujeito de seus contextos.
Nas palavras de Vygotski (1992), encontra-se que
...o sentido da palavra é uma soma de todos os
acontecimentos psicológicos evocados em nossa
consciência graças à palavra...” (p. 333). O sentido é
uma formação dinâmica e complexa que tem zonas de
estabilidade diferentes, sendo o significado uma dessas
zonas de sentido, aquela mais estável, um pouco mais
precisa. Ao estar de acordo com as vivências nos
diferentes contextos, o sentido que a palavra adquire
pode transformar-se.
Existe, segundo Vygotski (1992), um dinamismo
entre significados e sentidos das palavras. Compreende
o autor que ...a palavra em sua singularidade tem
um significado. Mas este significado não é mais que
uma potência que se realiza na linguagem viva e no
qual este significado é tão somente uma pedra no
edifício do sentido(p. 333). O significado da palavra
pode, então, ser enriquecido com o acréscimo dos
sentidos procedentes do contexto, que mudam
constantemente de um sujeito a outro, inclusive para o
mesmo sujeito em diferentes situações.
A palavra cobra sentido no contexto da frase,
mas a frase o toma por sua vez no contexto do
parágrafo, o parágrafo o deve ao contexto
do livro e o livro o adquire no contexto de
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toda a criação do autor. O verdadeiro sentido
de cada palavra está determinado, em
definitivo, pela abundância dos elementos
existentes na consciência referidos ao
expresso pela palavra em questão. Segundo
Paulhan
3
, o sentido da Terra está no Sistema
Solar, que complementa a idéia de Terra; o
Sistema Solar tem sentido na Via Láctea e o
sentido da Via Láctea..., quer dizer que nunca
abarcamos o sentido completo das palavras.
A palavra é uma fonte inesgotável de novos
problemas, seu sentido nunca está acabado.
Em definitivo, o sentido das palavras depende
conjuntamente da interpretação do mundo de
cada qual e da estrutura interna da
personalidade (Vygotski, 1992, p. 334).
A partir desta citação percebemos que o sentido
requer e pressupõe que exista “relação”, e aí vários
movimentos o possíveis: as palavras podem
dissociar-se de seu sentido; podem mudar de sentido; os
sentidos podem modificar as palavras; o sentido pode
separar-se de uma palavra e somar-se a outras; as
palavras podem ser substituídas sem alterar-se o
sentido. Tais movimentos apontam para relações entre
sentido e palavra, no plano que interliga estes signos, e
são possíveis graças aos movimentos engendrados por
sujeitos que estão em relação, articulando-os em
contextos de vida.
Nesta dinâmica entre sentidos e significados, a
dimensão objetiva não pode ser descolada da dimeno
subjetiva, pois a pessoa significa em meio aos seus
sentidos. O sujeito existe e relaciona-se no todo das
dimensões objetivas e subjetivas, que se entrecruzam,
que se afirmam, que se formam uma na outra, que se
negam, onde suas ações são sentidas, significadas;
onde existe a estreita relação entre pensamento,
emoção e sentimento, onde a vida se realiza e é
possível nesta totalidade dialética.
SIGNIFICAÇÃO EM MÚSICA
Concepções advindas da área da Musicologia e
Estética sobre a experiência musical remetem ao fato
de que a música tem um significado e este significado é
3
“Frederic Paulhan (1856-1931): Psicólogo francês. Se
ocupou das questões da psicologia dos processos
cognitivos (concretamente do pensamento, a memória e a
linguagem), e da psicologia dos afetos. Vygotski utilizou
os trabalhos de Paulhan sobre psicologia da linguagem (em
“Notas de la edición rusa”, Pensamiento y Palabra,
Vygotski, 1992, p. 334). Este autor está citado no texto de
Vygotski, “Pensamiento y Palabra” (1992). Nota
acrecentada pelas autoras deste artigo.
comunicado para quem a faz e para quem a ouve.
Meyer (1956), ao estudar o tema das emoções e
significados na música, retoma as conhecidas idéias
estéticas que prevaleceram e ainda prevalecem -,
sobre a posição absolutista e referencialista do
significado musical.
Reimer (1970), compartilhando das idéias de
Meyer (1956), ressalta que os termos absolutismo” e
referencialismoindicam aonde ir” para encontrar o
significado e o valor da obra de arte.
A posição absolutista indica que a significação
musical encontra-se exclusivamente no próprio
trabalho de arte, nas relações estabelecidas
intrinsecamente na composição musical. Esta posição
prima por um significado abstrato, intelectual,
intramusical (Meyer, 1956). Reimer (1970)
complementa que no absolutismo o significado da obra
está nela mesma, é para ser encontrado dentro dela.
A posição referencialista explica que a música
comunica significados que se referem ao mundo
extramusical dos conceitos, idéias, emoções, eventos,
ou seja, significados que seriam encontrados fora da
composição, fora das qualidades puramente artísticas
da obra.
A posição absolutista admite outras duas posições,
a saber, a formalista e a expressionista. O formalismo
absoluto diz que o significado da música é puramente
intelectual, existindo a partir da percepção e da
compreensão das relações musicais na composição. Os
sons na música significam “somente eles próprios”
(Reimer, 1970, p. 20). Por reconhecer e apreciar a
forma pela forma”, prima pelo aspecto do significado
advindo de uma compreensão intelectual-racional. Os
sentimentos e emoções definidos não são suscetíveis de
serem personificados na música. Ao contrário, as idéias
expressas pelo compositor são inicialmente e
principalmente de natureza puramente musical”
(Reimer, 1970, p. 21).
O expressionismo vinculado ao absolutismo
defende a idéia de que o significado da música reside
na percepção e compreensão das relações musicais do
trabalho artístico, sendo estas relações capazes de
estimular sentimentos e emoções no ouvinte. Meyer
(1956) concorda com o formalismo quando diz que o
significado e o valor da obra de arte devem ser
encontrados nas qualidades estéticas da obra. o
aceita os significados extramusicais do
referencialismo, mas aponta que a relação da arte com
a vida deveria ser reconhecida (Reimer, 1970). Os
expressionistas absolutos acreditam que os
significados emocionais expressivos emergem em
respostas à música e que estes existem sem referência
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ao mundo extramusical de conceitos, ões e estados
emocionais humanos” (Meyer, 1956, p. 04).
Os expressionistas referenciais dizem que a
expressão emocional depende da compreeno do
conteúdo a que a música se refere fora dela.
Mesmo com todas estas tentativas de explicação
sobre o que a música venha a significar, percebe-se que
não existem significados naturais ou universais da
música. Ao se considerar a existência de significados
específicos excluem-se as características culturais bem
como espaço-temporais presentes nos diversos
momentos da história humana. Além disso, não se pode
esquecer que estes estudos acerca da significação
musical baseiam-se no mundo sonoro da música
ocidental.
Alguns pontos falhos podem ser encontrados nestas
posições. Meyer (1956) salienta que a posição
expressionista absolutista não conseguiu explicar os
processos nos quais padrões sonoros percebidos são
experienciados enquanto sentimentos e emoções. Já os
formalistas apresentam dificuldade em explicar como
uma sucessão abstrata, não referencial de notas, torna-
se significativa; ou seja, não conseguem explicar em
que sentido tais padrões musicais podem ter
significado, ao mesmo tempo em que não explicam a
relação que possa existir entre a passagem do
significado musical para o significado em geral.
Meyer indica que uma possibilidade para este
impasse seria as duas posições absolutista e
referencialista deixarem de ser oponentes e tornarem-se
aliadas, uma vez que os mesmos processos musicais e
comportamentos psicológicos similares originam ambos
os tipos de significado, sendo que ambos deveriam ser
analisados caso se queira entender as variedades da
experiência musical” (Meyer, 1956, p. 4).
Em contraponto a estas posições, percebe-se que
os sentimentos e as reações despertadas pela música
não são iguais para todas as pessoas nas diversas
épocas e lugares, mas seriam produtos do experienciar
humano. É difícil haver uma generalização que
explique a comunicação e a significação musical,
que este processo é dialético e acontece inserido na
dimensão cultural, por meio da ação dos sujeitos.
Esta idéia também pode ser verificada em
Maheirie (2003). De acordo com a autora, “as músicas,
na medida em que provocam no fisiológico
determinadas reações, podem, a partir daí, nos remeter
a estados emocionais intensos, em que só as ações
poderão lhes dar uma significação. Esta, não sendo
estabelecida a priori na música, tamm não o é nas
emoções, posto que o que nos emociona não
emocionará necessariamente os outros” (p. 150).
Aponta Meyer que, em um sentido geral, teóricos
da música se preocupam mais com a gramática e a
sintaxe da música do que com seu significado ou a
experiência afetiva que emerge de tal experiência”
(1956, p. 6).
Se assim for, de que forma se pode olhar esta
questão? Como compreender os aspectos de
significação e comunicação em música? Realmente, a
partir de uma busca centrada apenas nos aspectos
intramusicais isso não será possível. O direcionamento
destes estudos aponta que é importante se voltar
tamm para os significados e experiências afetivas a
partir da relação vivida com a música.
Talvez fosse o momento de se voltar para a
construção pessoal e social do significado musical, para
as ações que cada pessoa, em relação à música,
estabelece ao longo de sua vida. Nesta perspectiva, é
preciso atentar para os aspectos que permitem
compreender que a música tem significado para cada
pessoa na medida em que se vincula à experiência
vivida, passada e/ou presente, também em relação a um
devir, e quando proporciona articular o vivido junto aos
sentimentos e emoções à própria música.
Em termos de construção social do significado
musical, Martin aponta que os significados da música
não são nem inerentes nem reconhecidos
intuitivamente, mas emergem e tornam-se estabelecidos
(ou transformados, ou esquecidos) como uma
conseqüência das atividades de grupos de pessoas e
contextos culturais particulares” (Martin, 1995, p. 57).
As pessoas, em grupos, em relações, de acordo
com contextos históricos, culturais e pessoais, atribuem
e constroem significados à música a partir de suas
vivências e experiências. Salienta Martin (1995), que
são os sujeitos, como seres humanos criadores e
sociais, que dotam as coisas - e neste caso, tamm os
sons e a música - de significados, em um processo no
qual a construção da realidade acontece nos níveis
coletivo e individual.
Pode-se, então, visualizar outra direção para esta
discussão. A música, enquanto uma produção,
enquanto resultado da ação criadora do homem no meio
social, histórico e cultural deve ser compreendida em
todas as instâncias deste próprio mundo, construído
pelo fazer humano, impulsionado por suas
necessidades, mas também por sua busca de beleza, de
criatividade, permeada pela dimeno afetiva e pelo
sentir, dimensões que estão interligadas. Não se pode
se restringir ao olhar unidirecionado da partitura
musical de modo técnico, enquanto única e
exclusivamente estrutura musical. Esta é a matéria
concreta da música, e junto dela encontra-se também
Significados e sentidos da música 111
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um mundo de movimentos, de dinâmicas e de
significados construídos pelo sujeito que vibram nele
próprio, nos quais a música toca e os quais busca
compreender.
A CONSTRUÇÃO DOS SIGNIFICADOS E
SENTIDOS DA MÚSICA NO CONTEXTO SOCIAL
Aqui se parte da compreeno do Dr. Brynjulf
Stige (1998), musicoterapeuta norueguês, junto com
Ludwig Wittgenstein (1975), quando este estudou
aspectos da linguagem, das palavras e do significado
em sua obra Investigações Filosóficas”, acerca do uso
das palavras. Wittgenstein dizia que a função principal
da linguagem não era nenhuma representação lógica, e
sim, a comunicação social. Se tivéssemos que nomear
qualquer coisa que é a vida da palavra, do signo, nós
deveríamos dizer que era o seu uso (Wittgenstein
citado por Stige, 1998). Para Wittgenstein, os sinais, os
signos adquirem vida no uso. A palavra, no jogo da
linguagem, adquire o seu significado como um
movimento em um processo comunicativo. A linguagem
depende dos usos que as pessoas, os grupos, as
comunidades e sociedades fazem dela.
Wittgenstein (1975) via o significado vinculado ao
uso, ou seja, o significado não era compreendido por
ele como algo pré-fixado, rígido, imutável,
universalizado. O significado da palavra, justamente
pelo seu uso, devia ser entendido como algo dinâmico,
em constante movimento. Ao se perguntar pelo
significado fixo da palavra, tomado como único, estar-
se-ia paralisando a investigação. A questão seria
voltar-se para os sentidos atribuídos pelas pessoas,
pelos grupos, de acordo com suas formas de vida.
Seriam estas formas de vidaque levariam aos “jogos
de linguagem”, de acordo com os usos das palavras,
que não o os mesmos entre as diferentes
comunidades. Trabalhar-se-ia, então, com significados
permeados pelos sentidos atribuídos pelas pessoas de
acordo com o uso das palavras, em seus contextos.
Assim Stige (1998) aponta que a linguagem e o
contexto não podem ser separados, e que o significado
é um conhecimento local. O autor faz este novo
percurso teórico, especificamente, para compreender a
significação da música na musicoterapia articulada ao
contexto social, onde então se poderia compreender que
a música terá o seu significado, assim como a
linguagem, a partir de seu uso, a partir do contexto, do
jogo e dos jogadores particulares que trazem para estes
contextos de jogos de sons, de vibrações, de ondas
sonoras, de canções e músicas a sua utilização, os seus
significados e sentidos. A música teria o seu
significado local em nada descolado do seu contexto.
O significado como uso, seja das palavras seja da
música, é um significado social e também singular
(sentido), construído, criado e recriado nas relações e
ações pessoais e sociais condizentes com o que é vivido
e experienciado.
Even Ruud, musicoterapeuta norueguês,
compartilha da idéia de Wittgenstein (1975) na
compreensão do significado da música. Segundo Ruud,
a filosofia de Wittgenstein é pertinente para a
compreensão do significado musical, visto que a
música sempre está em um contexto e, como tal, é uma
parte de um processo produtor de significado. O
significado da música tem como foco a situação
particular dentro do contexto cultural particular (Ruud,
1998).
Como dizia Wittgenstein (1975), o significado
depende do jogo”, o significado verbal é uma
construção social. Assim, o significado da música
depende do jogo, da cena, do cenário, do contexto, dos
personagens, dos músicos, instrumentistas, cantores,
ouvintes, suas canções e suas narrativas. Depende do
sujeito que utiliza a música, que com ela se relaciona e
com ela está implicado, que constrói seus significados
com base nesta relação. Existe uma construção social e
particular do significar em música, sempre em um
contexto social.
Strathern (1997), ao discutir as idéias de
Wittgenstein, diz que a linguagem da arte é metafórica.
Sendo metafórica, uma obra de arte é ao mesmo
tempo ela própria e algo mais. Dizer de uma obra de
arte que o que ela exprime é inexprimível é uma
contradição” (p. 36). Por perceber a obra de arte e
este algo mais”, que pode se relacionar com os seus
sentidos, o sujeito constrói o significado da música
onde a música é” para ele, faz parte de sua vivência,
significa para ele.
Stige (1998) destaca da obra de Wittgenstein um
trecho onde este filósofo, ao invés de sublinhar
diferenças entre palavras e música, indicou
semelhanças entre elas: palavras e música poderiam ser
polissêmicas, abertas e preservar a possibilidade de um
significado que muda. Palavras e música apresentam
construções mútuas de significados. São vários
significados, cambiáveis, não fixos, abertos,
condizentes com os sentidos do sujeito, que permitem
compreender o que almeja este sujeito, que permitem
compreender sua implicação com a música.
Para Maheirie (2003), a música carrega um
significado social, por estar em relação com o
contexto social onde está inserida, ao mesmo tempo
112 Wazlawick e cols.
Psicologia em Estudo, Maringá, v. 12, n. 1, p. 105-113, jan./abr. 2007
em que possibilita aos sujeitos a construção de
múltiplos sentidos singulares e coletivos.
O sentido da música (...) é sempre permeado
pela afetividade. Em primeiro lugar,
percebemos sua sonoridade, depois
degradamos um saber anterior que tenha uma
relação com os elementos percebidos deste
som para, em seguida, transformarmos este
saber e constituirmos um sentido àquela
música. Posteriormente, estabelecemos, de
forma singular, um significado para a
música, compactuando ou não com seu
significado coletivo. As características
daquela sonoridade surgem como um
complexo representativo que aparece
determinado pela consciência afetiva
4
, a qual,
por sua vez, lhes nova significação
(Maheirie, 2003, p. 150).
Para compreendermos a significação musical, na
musicoterapia, precisamos fazer a leitura a partir do
resgate dos movimentos e momentos que compõem a
história de vida de um sujeito. Este resgate permeia o
vivido, ou seja, a dimeno do passado, o presente – os
momentos atuais de vida, e as projeções futuras, as
orientações para o devir. Nesta temporalidade
histórica, a partir do discurso verbal e musical do
sujeito, é possível aproximar-se dos significados
compartilhados coletivamente por estes sujeitos em
relação, bem como dos sentidos singulares construídos
para suas vivências pessoais nas histórias de relação
com a música, que passam a configurar uma
significação musical que é construída, é histórica, é
temporal, é provisória e diz respeito a este sujeito, que
vivencia determinadas relações em um determinado
contexto social, histórico e cultural de vida. Isto
permite identificar que a significação musical é sempre
local” e depende das vivências que o sujeito
estabelece com a música, em sua história.
Na prática da musicoterapia esta compreensão é
fundamental. Para conhecer” o sujeito (o momento de
anamnese no processo musicoterápico) pode-se lançar
mão deste recurso, que permite conhecê-lo a partir das
narrativas que ele constrói sobre sua história de relação
com a música. Tamm com esta compreeno é
possível aproximar-se, de forma mais coerente, de seus
significados e sentidos, a partir do modo como vivencia
a atividade e a experiência musical em um contexto
musicoterapêutico, por exemplo. Cumpre lembrar que a
compreensão desta dinâmica deve levar em conta a
4
Consciência afetiva: verificar Sartre (1938/1965) e
Maheirie (2002, 2003).
leitura da música e da dimeno afetiva no contexto
cultural onde ocorrem, onde o sujeito encontra-se
situado historicamente; ou seja, não basta que o
profissional musicoterapeuta faça análises musicais
centradas apenas na partitura para conhecer a relação
do sujeito com a música e como isto se dá em sua vida,
mas é necessário que ele articule a esta análise a
dinâmica entre significados e sentidos construídos na
história de vida do sujeito, plenamente situado em um
contexto histórico-cultural, o qual tamm contempla
uma história de relação com a música.
As emoções e os sentimentos, integrantes da
atividade humana juntamente com o agir e o pensar,
configuram a construção dos significados singulares da
música, de acordo com a vivência do sujeito e com sua
própria reflexão acerca de si e de suas experiências. A
música, despertando a afetividade, pode construir a
forma como o sujeito significa o mundo que o cerca
(Maheirie, 2003). É de modo emocionado que o sujeito
constrói os significados da música, em sua vivência, a
partir de seus sentidos, objetivando sua subjetividade,
tornando-a “audível para ele e para os outros. Os
significados e sentidos ressoam nas vivências do sujeito
e o construídos na sua relação com a música. Estes
significados partem das vivências afetivas do sujeito,
demonstrando a utilização viva da música, uma vez que
mudam, desconstroem-se e são recriados, porque
tamm são constituídos pelos sentidos, ligados ao uso
da música de modo idiossincrático e em relação.
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Recebido em 28/10/2005
Aceito em 09/08/2006
Endereço para correspondência: Patrícia Wazlawick. Rua: Gastão Câmara, 645 ap. 403, Bairro: Bigorrilho, CEP 80730-300,
Curitiba-PR. E-mail: patricia.wazla@terra.com.br
... A música, como atividade social e produção da cultura humana, é datada, histórica e contém uma dimensão coletiva da qual decorrem significados e sentidos (Wazlawick, Camargo & Maheirie, 2007) e, por essa razão, cria condições de promover desenvolvimento cognitivo e expressão emocional (Tunes & Pederiva, 2013). Neste caso, a (. . ...
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Este artigo apresenta parte de uma pesquisa em que se investiga o potencial da música, neste recorte o rap, na mobilização de processos imaginativos e criativos de estudantes do Ensino Médio de uma escola pública. Abordando uma visão de adolescência como produção histórica e cultural, visa por em relevo a importância em dar voz aos adolescentes quando se trata de pensar/agir sobre suas condições de vida atuais e futuras. De modo subjacente o artigo permite refletir sobre a atuação do psicólogo na escola, quando ancorado em uma perspectiva crítica que focaliza o coletivo como potência para a transformação da realidade. A análise realizada se sustenta nos pressupostos teórico-metodológicos da Psicologia Histórico-Cultural, priorizando os conceitos de imaginação e pensamento por conceito, funções psicológicas que assumem prevalência na adolescência. Elegeu-se como objeto da presente análise dois encontros envolvendo 40 estudantes em atividades de apreciação musical, reflexão sobre a biografia de dois rappers e sobre suas músicas e produção de músicas. Os resultados demonstram que a experiência com a música, sobretudo o rap, parece potente na promoção de significados e sentidos sobre a vida dos adolescentes, podendo promover novas relações e percepções sobre seus modos atuais de vida e suas possibilidades futuras.
... Essa questão pode não ser tão simples de ser respondida, pois a MT tem natureza híbrida, reunindo em si componentes das Artes -música -e das Ciências -como saúde e educação. E, de fato, a formação do arcabouço teórico próprio da MT teve por base e até hoje é informado por conceitos da Biologia e da Psicologia, assim como da Sociologia, da Antropologia e da Educação, o que a marca como um ramo da Ciência assumidamente transdisciplinar (LEINIG, 2009;WAZLAWICK;CAMARGO;MAHEIRIE, 2007). ...
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Resumo: Conquanto presente no Brasil há mais de 50 anos e internacionalmente reconhecida como atividade terapêutica regulamentada no âmbito das profissões da Saúde – que, baseada em evidências científicas, utiliza a música como terapia, com atuações não só na área da Saúde, mas também, nas áreas Social e Educacional, sempre com intuito terapêutico –, a profissão de musicoterapeuta ainda não foi regulamentada por lei. Talvez em parte por isso, a Musicoterapia (MT) é, senão desconhecida de porção significativa da população brasileira (incluindo parte daqueles que exercem funções no campo jurídico), confundida com as profissões de músico, ou de educador musical. Porém, mais preocupante do que isso, a lacuna legis resulta no risco atual e real do uso da música como terapia na área da Saúde, inclusive no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), por profissionais sem formação superior em MT, além da realização de pesquisas em MT sem a participação de musicoterapeuta – quando não referenciam como “musicoterapia” atividades que, simplesmente, empregam a música como intervenções musicais na terapia – dado que o uso indevido da música pode causar danos à saúde, segurança e bem-estar da coletividade. Este estudo tem, pois, como objetivos: (a) esclarecer a respeito do surgimento, definição e características da MT (ou música como terapia), sua distinção com a utilização de intervenções musicais em terapia (ou música em terapia), suas áreas de atuação, os riscos do uso indevido da música e a necessidade de formação de nível superior para sua prática; (b) situar a MT na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e nas políticas públicas das áreas da Saúde e da Assistência Social; (c) verificar o tratamento doutrinário e jurisprudencial da regulamentação do exercício profissional e, presentes os limites impostos ao legislador, se a profissão de musicoterapeuta é passível de regulamentação, assim como as tentativas já levadas a efeito de regulamentá-la; e (d) analisar as consequências da ausência de regulamentação legal da profissão de musicoterapeuta, no que tange à responsabilidade do Estado e daqueles que atuam em MT sem a necessária formação superior, bem assim daqueles que conduzem, autorizam e divulgam pesquisas que utilizam a música como terapia sem a participação de musicoterapeuta.
... Segundo Tiebau (2006), a música deve ser mais trabalhada juntamente com atividades físicas, pois englobam as quatro naturezas do ser humano, cognitiva, afetiva, emocional e motora, relacionando-se diretamente com melodia, harmonia, ritmo e andamento. Wazlawick ET AL (2007), afirma, quanto ao significado da psicologia na música, que na a base do sentido (música) encontra-se a percepção do que o falante quer precisamente dizer, bem como dos motivos que o levam a efetuar a alocução verbal. Assim, o sentido é o elemento fundamental da "utilização viva", ligada a uma situação concreta afetiva (emoções e sentimentos) por parte do sujeito. ...
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O ritmo se faz presente em todas as manifestações do movimento humano, a música relaciona as quatro naturezas do ser humano com melodia, harmonia, ritmo e andamento podendo gerar através da captação de estímulos exteriores pelas células do sistema nervoso, uma resposta correspondente podendo assim melhorar o desempenho. Deste modo o trabalho objetivou verificar a incidência do uso e tipo de música pré-provas e a influência, da mesma, pós-provas em atletas da natação paulista,através de um questionário aplicado em atletas de natação de ambos os sexos de idade entre 13 e 25 anos. Conclui-se que os atletas que escutavam música até instantes antes de uma prova, sentiam-se mais confiantes e concentrados para nadar e o estilo preferido é o Rock and Roll ou com batidas fortes. E ainda que o uso de método sonoro pode ser muito válido para a melhora do desempenho.
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Os comportamentos de automutilação cresceram de forma dramática nas últimas décadas e são cada vez mais comuns entre os adolescentes da sociedade contemporânea. Este estudo trata-se de uma pesquisa de intervenção do tipo antes e depois, de metodologia mista, que busca investigar as possíveis contribuições da Musicoterapia no tratamento de um grupo de adolescentes automutiladores acolhidos no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil Água Viva, Goiânia, Goiás. Para a coleta de dados quantitativos foram utilizadas a Escala de Impulsividade de Barrat - versão 11 (Barrat Impulsivity Scale - BIS-11) e a Escala de Comportamento de Automutilação (Functional Assessment of Self-Mutilation- FASM). As intervenções musicoterapêuticas foram realizadas em grupo fechado de nove participantes, em um período de três meses. Durante os encontros, foram utilizadas as experiências musicais de recriação, audição e composição. Conclui-se que as experiências de recriação e audição musical contribuíram efetivamente para diminuição dos comportamentos de automutilação, bem como diminuição da impulsividade. Quanto à experiência de composição musical contribuiu para a regulação, estruturação, expressão, comunicação e ressignificação dos sentimentos e emoções, além de ampliar a interação interpessoal por meio de identificação.
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A Sociologia da Música de Adorno pretende estudar os constituintes formais internos da música como vestígios do momento social e sua tarefa consiste em demonstrar a relação entre esses constituintes e a sociedade. Partindo da tese do fetichismo da música e regressão da audição e do conceito de música ligeira, Adorno afirma a existência de um momento social regressivo da constituição subjetiva do indivíduo, pautada pela dificuldade de elaboração da experiência interna como duração organizada, o que se reflete no hit como forma. Mais importante do que as leituras que estratificam a música em “séria” e “ligeira”, segundo os mecanismos de status social, é a interpretação que a classifica entre a capacidade de contar o não uma estória como organização de um tempo subjetivo, composto em sons ou em palavras, abrindo possibilidades para que o ouvinte se oriente em termos do vínculo destas estórias musicais com sua história social com indivíduo.
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O objetivo do presente estudo é realizar uma breve revisão acerca dos impactos da musicoterapia no bem-estar subjetivo, considerando as descobertas e limitações da literatura contemporânea acerca do tema. Quanto ao método, foi selecionada a plataforma Scopus como base de dados para o estudo. Em seu mecanismo de busca, foi utilizada a combinação de palavras chave “Music+Therapy AND Well-being” (e seu equivalente em português), onde estas palavras deveriam constar no título, resumo ou palavras-chave da publicação. Foram considerados estudos empíricos publicados nos últimos cinco anos (2017-2021), em inglês e português. Após análises mais detalhadas dos estudos, 15 se adequaram aos objetivos da presente discussão. A seguir, os resumos desses estudos foram analisados de modo a observar as palavras mais frequentemente utilizadas: Musicoterapia (frequência = 42), intervenção (frequência = 30), e música (frequência = 30) foram os termos mais citados, fazendo referência a técnica terapêutica utilizada. Termos como sintomas e ansiedade (ambos aparecendo 26 vezes) também foram frequentes, representando o contexto dos alvos e resultados da aplicação da musicoterapia. Prosseguindo as análises, foram observados os benefícios da musicoterapia apontados pelos estudos. Esses foram sumarizados em duas grandes categorias, de acordo com a prevalência nos estudos: Impacto no bem-estar através da melhora de sintomas (como sintomas depressivos e redução da dor); e Impacto no bem-estar através da melhora em índices de bem-estar subjetivo (como o aumento dos afetos positivos). De tudo que foi discutido até aqui, podemos depreender que a musicoterapia possui influência no bem estar das pessoas, mas também cabe destacar que ainda existe um caminho a ser percorrido, especialmente na ampliação de amostras e também de um maior controle experimental em estudos acerca do tema, possibilitando uma exploração mais abrangente dos efeitos da musicoterapia. Considera-se importante ainda, intervenções com a musicoterapia por um período de tempo mais prolongado, para resultados mais concretos. Finalmente, sugerem-se que estudos futuros tenham em seu escopo uma maior utilização e ampliação de medidas quantificáveis. English: This study aimed to carry out a brief review of the impacts of music therapy in subjective well-being, considering the discoveries and limitations of contemporary literature on the subject. As for the method, the Scopus platform was selected as the main database for the study. In its search engine, the combination of keywords “Music+Therapy AND Well-being” (and its equivalent in Portuguese) was used, where these words should appear in the title, abstract or keywords of the publication. Empirical studies published in the last five years (2017-2021), in English and Portuguese, were considered. After more detailed analysis of the studies, 15 fit the goals of this discussion. The abstracts of these studies were analyzed in order to observe the most frequently used words: Music therapy (frequency = 42), intervention (frequency = 30), and music (frequency = 30) were the most cited terms, making reference the therapeutic technique used. Terms such as symptoms and anxiety (both appearing 26 times) were also frequent, representing the context of the goals and results of music therapy application. Continuing the analyses, the benefits of music therapy pointed out by the studies were observed. These were summarized into two broad categories, according to study prevalence: Impact on well-being through symptom improvement (such as depressive symptoms and pain reduction); and Impact on well-being through improvement in subjective well-being indices (such as increased positive affects). From everything discussed so far, we can infer that music therapy has an positive influence on people's well-being, but it is also worth noting the limitations, especially in sample size and experimental control, enabling a more comprehensive exploration of the effects of music therapy. Finally, it is suggested that future studies could use more quantifiable measures.
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Este artigo tem o objetivo de discutir resultados parciais de uma pesquisa de doutorado que se referem às experiências com a música e o seu ensino em contextos informais e religiosos materializadas em narrativas musicais. Tal investigação adotou, como aporte teórico, as discussões sobre os conceitos formação (BRAGANÇA, 2011; CHIENÉ, 2010; CUNHA, 2010; DELORY-MOMBERGER, 2006; JOSSO, 2004; 2010a; 2010b; PASSEGGI, 2011b), história de vida e narrativa (ABRAHÃO, 2004; BOLÍVAR; DOMINGO; FERNÁNDEZ, 2001; DELORY-MOMBERGER, 2011; 2014; FERRAROTTI, 2010; 2014; JOSSO, 1999; 2016; PASSEGGI, 2011a; PINEAU; LEGRAND, 2012, e outros), principalmente, considerando que visou compreender as maneiras por meios das quais acadêmicos de um Curso de Licenciatura em Música produziriam sentidos para seus processos formativos a partir do desenvolvimento de biografias músico-educativas. Espera-se contribuir com o debate sobre as implicações de abordagens (auto)biográficas em processos formativos de professores, sobretudo, nas inter-relações entre esses e memórias com a música.
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Resumo O ritmo se faz presente em todas as manifestações do movimento humano, a música relaciona as quatro naturezas do ser humano com melodia, harmonia, ritmo e andamento podendo gerar através da captação de estímulos exteriores pelas células do sistema nervoso, uma resposta correspondente podendo assim melhorar o desempenho. Deste modo o trabalho objetivou verificar a incidência do uso e tipo de música pré-provas e a influência, da mesma, pós-provas em atletas da natação paulista,através de um questionário aplicado em atletas de natação de ambos os sexos de idade entre 13 e 25 anos. Conclui-se que os atletas que escutavam música até instantes antes de uma prova, sentiam-se mais confiantes e concentrados para nadar e o estilo preferido é o Rock and Roll ou com batidas fortes. E ainda que o uso de método sonoro pode ser muito válido para a melhora do desempenho. Unitermos: Música. Desempenho. Atletas. Resumen El ritmo está presente en todas las formas de movimiento humano, la música relaciona los tipos de seres humanos con melodía, armonía, ritmo y tempo puede generar a través de la captación de estímulos externos por las células del sistema nervioso, una respuesta correspondiente, que puede mejorar rendimiento. Así, el objetivo del estudio fue determinar la incidencia de uso y el tipo de música previo a las pruebas y su influencia en el post-test en nadadores de Sao Paulo, a través de un cuestionario aplicado a los sujetos de ambos sexos con edades comprendidas entre 13 y 25 años. Se concluye que los nadadores que escuchaban música hasta momentos antes de un examen, se sintieron más seguros y enfocados a nadar y el ritmo preferido es el rock and roll o ritmos fuertes. Y también que la utilización de un método sonoro puede ser muy valioso para mejorar el rendimiento. Palabras clave: Música. Performance. Nadadores. Abstract The rhythm is present in all forms of human movement, music lists four kinds of human beings with melody, harmony, rhythm and tempo can generate through the uptake of external stimuli by cells of the nervous system, a corresponding response which may improve performance. Thus the study aimed to determine the incidence of use and type of music pre-tests and the influence thereof on post-tests in athletes swimming São Paulo, through a questionnaire given to swimmers of both sexes aged between 13 and 25. It is concluded that athletes who listened to music until moments before an exam, felt more confident and focused to swim and preferred style is rock and roll or heavy beats. Even though the use of sound method can be very valuable for improving performance. Introdução O ritmo está presente em todas as manifestações da motricidade humana, é universal e o percebemos em todos os movimentos da vida. O ritmo e o movimento humano se desenvolvem simultaneamente no tempo e no espaço. Desta forma, confirmamos nossa consideração de que o RITMO é MOVIMENTO, que o MOVIMENTO é RITMO e que ambos estão ligados à percepção temporal, espacial e proprioceptiva. Movimento aqui entendido como a capacidade do Homem
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Este trabalho faz parte de uma série de estudos que tem por objetivo adentrar nas discussões acerca das representações sociais sobre os fazeres musicais no que diz respeito ao contexto da Orquestra Popular de uma universidade no sul de Minas Gerais. Pretende, assim, compreender de modo mais amplo a relação entre vivência e os fazeres musicais. Como desdobramento de um estudo maior, o presente texto almeja compreender melhor, através do trabalho de campo enquanto membro ativo do grupo, a maneira como um grupo pode se organizar, criar padrões de comportamento e regras - seja a disposição dos lugares dos integrantes ou as inversões inconscientes nos papéis dos atores - ou seja, uma “cultura”, em torno de qualquer âmbito da vida social. Buscou-se, também, observar os motivos que levaram à escolha – seja ela pessoal ou no intuito de viabilizar o Projeto - do estilo musical conhecido como “música sertaneja”, como sendo o objeto principal para o desenvolvimento de um projeto de extensão como a Orquestra. Para tanto foi realizada uma entrevista com o coordenador institucional do Projeto. Este estudo busca também incentivar a criação de novos projetos de extensão voltados para outros estilos musicais.
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A proposta deste trabalho foi interpretar as imagens de propagandas de festas veiculadas em um campus universitário em relação ao consumo de álcool por estudantes. Os elementos plásticos, icônicos e linguísticos das propagandas foram submetidos a uma análise semiótica de imagens. Organizaram-se os 85 temas levantados em seis categorias: bebidas alcoólicas, sexualidade, gênero, produção das festas, estilos musicais e estilo de vida-grupos-comportamento. Foram veiculados diversas motivações festivas, atrações, questões de gênero, valores, tradições e finalidades econômicas. Menções a bebidas alcoólicas foram praticamente ubíquas. Os elementos persuasivos ao consumo de álcool foram variados, envolvendo a associação álcool-sexualidade e a apresentação de novos comportamentos e estilos de vida relacionados à bebida. A indústria de produção e comércio de bebidas parece inserir-se mercadologicamente no território do campus, de modo informal e quase sempre sem seguir a legislação de marketing desses produtos.
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Este trabalho é um estudo de caso que busca relacionar a narrativa musical de uma senhora idosa e sua história de vida. Os dados foram coletados num processo de musicoterapia, num interjogo entre imaginação e emoção. O objetivo da reflexão é entender como as atividades criativas podem comunicar significados e sentidos construídos nas interações sociais. O trabalho apóia-se na teoria sócio-histórica e pretende contribuir para a construção teórica da Psicologia e da Musicoterapia contemporâneas. Vygotsky e Bruner foram os autores que embasaram as presentes reflexões, como também Bruscia e Ruud, teóricos da musicoterapia. Os resultados demonstram que as atividades expressivas na forma de narrativa musical possibilitam a expressão dos sentidos constituídos nas interações sociais e a organização das experiências do ser humano. Palavras-chave: narrativa musical; musicoterapia; imaginação e emoção.
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Capítulo II: IMAGINACIÓN Y REALIDAD * Cabe, sin embargo, interrogar: ¿Cómo se produce esta actividad creadora basada en la combinación? ¿De dónde surge, a qué está condicionada y a qué leyes se subordina en su desarrollo? El análisis psicológico de esta actividad pone de relieve su desmedida complejidad. No aparece repentinamente, sino lenta y paulatinamente, progresando desde formas elementales y simples a otras más complicadas. En cada nivel de su crecimiento adquiere su propia expresión, a cada periodo infantil corresponde su propia forma de creación. Posteriormente no se compartimenta en la conducta del hombre, sino que se mantiene en dependencia inmediata de otras formas de nuestra actividad y, especialmente, de las experiencias acumuladas. Para comprender mejor el mecanismo psicológico de la imaginación y de la actividad creadora con ella relacionada, es conveniente empezar explicando la vinculación existente entre la fantasía y la realidad en la conducta humana. Advertimos ya lo incorrecto del criterio vulgar que traza una frontera impenetrable entre fantasía y realidad. Ahora trataremos de mostrar las cuatro formas básicas que ligan la actividad imaginadora con la realidad, ya que su comprensión nos permitirá ver en la imaginación no un divertimiento caprichoso del cerebro, algo prendido del aire, sino como una función vital y necesaria. La primera forma de vinculación de fantasía y realidad consiste en que toda elucubración se compone siempre de elementos tomados de la realidad extraídos de la experiencia anterior del hombre. Sería un milagro que la imaginación pudiese crear algo de la nada, o dispusiera de otras fuentes de conocimiento distinta de la experiencia pasada. Sólo las ideas religiosas o mitológicas acerca de la naturaleza humana podrían implicar a los frutos de la fantasía un origen sobrenatural, distinto de la experiencia anterior.
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Abstract: Abstract: Abstract: This paper considers that concepts as identity, subjectivity and constitution of subject need an ontological discussion as a condition to their truly understanding. Beginning with a dialectical point of view of the understanding of man and his/ her social relationships, it is possible to indicate that "identity" can be understood as constitution of subject, of its meaning points to an open and unfinished state of affairs. On this view, subjectivity appears as a dimension of the subject, as the objectivity which, based on the experienced relations, make itself as constructing affective and reflexive experiences, producing particular and collective meanings.