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Saúde e segurança alimentar: a questão dos agrotóxicos

Authors:

Abstract

The modern agriculture introduced besides new techniques, equipments and a higher number of agronomical researches, a diversity of new products, as pesticides and fertilizers. It also brought up changes in labor hours and working conditions, as well as risks linked to the new activities, that later reflected in health, especially for rural workers. World Health Organization believes that per year between 3 and 5 millions of people are intoxicated world wide and pesticide residue in food continues to preoccupy consumers that need more information about this theme. This article aims on gathering information about the theme and to support discussion among different social actors, also showing the Brazilian experience in health surveillance in its pathway to reach food security. Researches in Brazil and elsewhere were raised reporting occupational exposure and problems related to human and environmental health and data related to food analyses. Actions are suggested to minimize pesticide effect, for example the improvement on fiscalization over sales and use of these chemical products, changes in labels and safety equipments. The authors expect that the article may collaborate to preventive actions.
9 1
S a ú d e e s e g u r a n ç a a l i m en t a r :
a q u e s t ã o d o s a g r o t ó x i c o s
Health and food safety:
t h e p e s t i c i d e s i s s u e
1 Cen t r o de R ec u rs o s
H í d ri cos e Eco l ogi a
Ap l i c ada (CR H EA ),
D ep a rt a m en to de H i d r á u l i c a
e S a n e a m e n t o / S H S ,
E s col a de E ng en h a ri a de
S ã o C a r l o s / U S P, P r og r a m a
de s-Graduação em
Ciê n cias d a En gen h a r i a
Am b i en t a l .
Rua Perei ra da Si lva ,
25 1/ 80 4 b2 , L a r a n j ei r a s ,
2 2 2 2 1 - 1 4 0 , R i o d e J a n e i ro R J.
i l on a @ bo l . com . b r
2
Fac u l d a d e de Ci ê n c i a s
Fa rm ac ê uticas/USP e
Fac u l d ade JK, Brasília DF.
I l l o n a M a r i a d e B r i t o S á S to p p el l i
1
Cláudio Picanço Ma galhães
2
A b s t r a c t
T h e mo d e r n a g r i c u l t u r e i n t r o d u ced
besides new te ch n i q u e s , e q u i pm ents and a high er
nu m ber of a gronomical re se a rch e s , a divers i ty of
n ew produ ct s , as pe s ti cides and ferti l i zers . It also
b ro u g h t up ch a n g es in l abor hou rs an d wo r k i n g
c o n d i t i o n s , a s w e l l a s r is k s l i n k ed t o t h e n e w a c -
tivities, that later reflected in health, especially for
r u r a l w o r k e r s . Wo r l d H ea lt h O r g a n i z a t i o n b e -
l i eves that per year betwe en 3 and 5 millions of
pe ople are intoxi c a ted wo rld w ide and pe s ti ci d e
re s i due in food co n ti nues to pre o cc u py co n su m ers
t h a t n e e d m o r e i n fo r m a t i o n a b o u t t h i s t h e m e .
This arti cle aims on ga t h ering info rm a tion abou t
the theme and to su ppo rt discussion among dif-
ferent social actors, also showing the Brazilian ex-
per i en ce in health su r ve i ll a n ce in its pa t hway to
re a ch food se c u ri ty. Re se a rches in Brazil and el se-
w h e re were ra i s ed rep o rting o cc u pa t io na l ex po-
sure and problems related to human and environ-
m ental health and data rel a ted to food analyse s .
Actions are su gge s ted to minimize pe s ti cide ef fe ct ,
f o r e x a m p l e t h e i m pr o v e m e n t o n fi s c a l i z a t i o n
o v e r s a l e s a n d u s e o f t h e s e c h e m ic a l p r o d u c t s ,
ch a n ges in labels and safety equipm en t s . The au-
t h o r s e x p e c t t hat t h e a r t i c le m a y co ll a b o ra t e t o
preventive actions.
Key word s
Pe s ti ci d e s , In toxi c a ti o n , Food , Envi-
ronmental health
R e s u m o
A a g r i c u l t u ra m o d e r n a a p r e s e n tou ,
a l é m d e n o v a s t é c n i c a s , e q u i p a m en tos e e l e va ç ã o
do número de pe squisas agro n ô m i c a s , uma diver-
sidade de insu m o s , como agrot ó xi cos e ferti l i z a n-
te s . Trouxe também mudanças nas carga s , m od o s
de tra balho e ri scos inco rpo rados às novas ativi-
d a d e s , q u e m a i s t a r d e pa s s a r a m a s e r e f l e t ir n a
s a ú d e , e s pe ci a l m en te do tra balhador ru ra l . A Or-
ganização Mundial da Saúde acredita que, a nu a l-
m en te , en tre 3 e 5 milhões de pe s soas sejam into-
xicadas por agrot ó xi cos no mundo e re s í duos des-
tes produ tos nos alimen tos co n ti nuam a pre o c u-
p a r co n s u m i d o res q u e c a re c e m d e i n fo r m a ç õ e s .
Es te ensaio bu scou re aver maiores info rmações so-
b re o tema na litera tu ra exi s ten te , de fo rma a in-
cen tivar que o mesmo seja deba tido por diferen te s
a to res so ci a i s , assim como mostrar a experi ê n ci a
b ra s i l ei ra na bu sca da seg u rança alimen t a r, no se-
t o r d a v i g i l â n c i a à s a ú d e . F o ram l e v a n t a d a s pe s-
quisas realizadas no país e no exterior que rel a t a m
s i tuações de exposição ocupa ci o n a l , probl emas li-
gados à saúde humana e ambi ental e dados refe-
ren tes a análises de alimen to s . São su geridas di-
versas ações pa ra minimizar os efei tos dos agrot ó-
xi co s , como uma maior fiscalização na co m erci a-
lização e uso destes produ tos químico s , s i m pl i f i c a-
ção dostulos nas em ba l a gens e maior adequa-
ção dos equipa m en tos de prote ç ã o. Es pera - se que
o expo s to possa col a b o rar com ações preven tiva s .
Pa l a v r a s - ch a ve
Ag ro t ó xico s , In tox i c a ç ã o, Al i-
mentos, Saúde ambiental
9 29 29 29 29 29 29 29 2
In t r o d u ç ã o
Agro t ó x i co s , i m p a c tos nega tivos ao mei o
a m b i en te e r i s cos à saúde hu m a n a
A agri c u l tu ra atual é caracteri z ada pelo uso de
n ova s t é c ni c a s e e q u i p a m en t o s , e l e va çã o d o
n ú m ero de pe s quisas agronôm icas e o uso d e
u m a d iv e r s i d a d e d e i n s u m o s , c o m o a g r o t ó x i -
c os e f er t i l i z a n te s . O s ag r o t ó x i co s , t am bé m d e -
n o m i n a d o s d e p e s t i c i d a s o u p r a g u i c i d a s , s ã o
a tu a l m e n te re s p on s á veis p e lo co m é rcio d e bi -
lhões de dólares em todo o mu n do (Morei ra et
a l. , 2 0 0 2 ) . Foi du ra n te a Segunda Gu erra Mu n-
dial que ocorreu a produ ç ã o, expansão e sínte-
s e d e d i v er s o s c om p o s tos q u í m i c o s , c om p r o -
pri ed ades anti bi ó ticas ou inseti c i d a s .
A de s coberta que o dicl orod i ph en i l tri cl oroe-
tano (DDT) era capaz de evitar a con t a m i n a ç ã o
por ti fo e que os or ga n ocl orados tinham um
gra n de po tencial como pe s ticida prom overa m
uma dispersão de s tes com po s to s , s em nen hu m
con tro l e , em diversos locais do mu n do (Tu ru-
s ov et al. , 2 0 0 2 ) . A ação dos or ga n ocl orados co-
mo pe s ticida está baseada na neu ro tox i c i d adea
i n s eto s , i n f lu en c i a n do o balan ço Na
+
/ K
+
a o
l on g o d a m em b r a n a n e r v o s a . E s t e s p e s t i c i d a s
são com prados a um baixo custo e podem agi r
por vários anos.
O en tusiasmo inicial do efei to pe s ticida do s
or ga n ocl orados foi ao lon go dos anos perd i do,
m ed i a n te a ob s ervação de que os insetos de s en-
vo lviam resistência a estes com po s to s . Sua re-
sistência à bi odegradação prom ovia o ac ú mu l o
no meio ambi en te e ex peri m en tos com animais
m o s t r a r a m s u a c a rc i n o g e n i c i d a d e ( S m i t h &
G a n go ll i , 2 0 0 2 ) . E s tes fatos prom overam a ação
de diversos governos no sen ti do de banir ou
re s t ri n g i r o u so d e p e s ti c i d a s .
A busca por agro t ó x i cosmenos pers i s ten te s
n o m e i o a m bi e n te e m a i s p o t e n tes e m r e l a ç ã o
à s p r a g a s p ro m o veu o u s o d o s o r g a n of o s f a t a -
d os e c ar b a m a to s . A a ç ão d e s t es com p o s t os s e
c a racteriza por ser um po ten te inibi dor irrever-
s í ve l da aceti l co l i n e s tera s e , prom oven do a fo s -
forilação d e u m re s í d uo de s eri n a n o c en tro
a tivo da enzima (Sungur & Guven , 2 0 0 1 ; Mi l e-
s on et al. , 1 9 9 8 ) . Esta enzima é re s pon s á vel pel a
tra n s formação da aceti l colina em co l i n a , f a zen-
do com que os impulsos nervosos não se inter-
rompam en tre as sinapses, l eva n do a convu l-
sões e morte do inseto (Corbett et al. , 1 9 8 4 ) . O
l a r go u s o d e s t e s c o m p o s to s e s t á r e l a c i o n a d o
com sua baixa permanência no ambi en te .
Pa ra a pro teção con tra doenças fúngi c a s , o s
benzimidazóis são com po s tos va s t a m en te uti l i-
z ado s na pr é e n a pós-co l h ei t a . S ão instá ve is a
altas tem pera tu ras e afetam o mecanismo de
d ivisão celular do fungo (Th a rsis et al. , 1 9 9 7 ) .
No caso de contaminação hu m a n a , o DDT
e outros or ga n ocl orados agem como neu ro t ó-
x i co s , como também na função en d ó c ri n a . Por
i s s o, i n d i v í d u o s q u e c o n t ê m a l t a s c o n cen t r a -
ções de Di el d rin no sangue, por exem p l o, po s-
su em maior qu a n ti d ade do hormônio esti mu-
l ador da ti re ó i de TS H , a pre s en t a n do qu ad ro
de hipo ti reoidismo (Ra t h ore et al. , 2 0 0 2 ) .
E s tu d o s e p i d e m i o l ó g i c o s d e e x p o s i ç ã o a o
D D T v e r i f i c a r a m u m a u m e n t o d e c ân c e r d e
mama em mu l h eres com altas taxas plasmáti-
c a s d e D D E , u m m e t a b ó l i t o d o D D T. E s s a a ç ã o
e s t á r e l a c i o n a d a c o m a l i g a ç ã o d e s t e c o m p o -
n en te a receptore s de estr ó gen o, m i m e ti z a n do
a a ç ã o d e s t e h o r m ô n i o ( Ja g a et al. , 2 0 0 0 ) . O u -
tr as ações cau sadas p elo efei to e strog ê n i co de
or ga n ocl orados in clu em : d i m i nuição da qu a n-
ti d adedesêmenecâncerdetestículonosho-
m e n s ; i n duç ã o d e a n o r m a l i d a d e s n o c i c l o
m e n s t r u a l e a b o r t o e s p o n t â n e o e m m u l h e re s ;
d i m i nuição d o p es o ao n as cer e al tera çã o no
a m a d u r e c i m en t o s e x u a l ( C a r l s en et al. a p u d
Meyer et al. , 1 9 9 9 ; To f t et al. , 2 0 0 4 ) .
Já que a a ce ti l co l i n e s teras e é também u ma
e nz im a pre s e n te e m hu m a n o s , d ive rsos c as o s
d e c o n t a m i n a ç ã o o c u p a c i ona l p o r o r g a n o f o s -
f a t ados têm sido rel a t ado s , s en do o enven en a-
m en to bastante letal (Sungur & Guven , 2 0 0 1 ) .
A l é m d i s s o, f o i v er i f i c ada a m o r t e d e c r i a n ç a s
p r em a t u r a s , q u a n do mu l h e r e s f o r a m ex p o s t a s
em lon go pra zo aos inibi dores da aceti l co l i n e s-
terase (Heeren et al. , 2 0 0 3 ) . A análise tox i co l ó-
gica dos fungicidas mostrou um po tencial mu-
t a g ê n i co e tera tog ê n i co em lulas de mafe-
ros e linfócitos humanos (Perocco et al. , 1 9 9 7 ) .
No m eio a mb i en te o u so a bu s ivo de a gro-
t ó x i cos tem tra z i do com prom eti m en tos rel a ti-
vos à contaminação do ar, s o l o, água e dos se-
res vivo s , determ i n a n do a e x tinção de espécie s
de men or amplitu de eco l ó gi c a . Um estu do evi-
denciou a feminização das gônadas em sapo s
m achos (pre s ença de oócitos) nos Estados Un i-
dos (Hayes et al. , 2002 a p u d Koifman & Ha t a-
g i m a , 2 0 0 3 ) .
A ac u m u l aç ã o d e a g ro t ó x i cos a o lo n go d a
c adeia alimen t a r, a exemplo dos inseticidas or-
g a n o c l o r a d o s , l e v a a u m f en ô m e n o e c o l ó g i co
ch a m ado de bi om a gn i f i c a ç ã o, que é o aum en to
d as c o n cen tr a ç õ e s d e u m a d e t e r m i n a d a s u b s -
tância de acordo com o aumen to do nível tr ó-
f i co ( Ber g on , 1 9 9 0 a pu d Peres et al. , 2 0 0 3 ) . Um
e s t u d o co n d u z i d o e m C l e a r L a ke , Ca l i f ó r n i a ,
9 3
m o s trou que a con cen tração de um met a b ó l i to
de DDT, o DDD, foi de 0,02 ppm na água, 5 , 3
ppm no plâncton , 10 ppm em pei xes pequ en o s
h erb í voro s , 1.500 ppm em pei xes carn í voros e
1.600 ppm em patos (Flint & Van Der Bo s ch ,
1981 a pu d Peres et al. , 2 0 0 3 ) . C o m o a l i m en t o s
de ori gem animal e vegetal são usados para o
con sumo hu m a n o, a análise da pre s ença de re-
s í duo s de a g ro t ó x i co s q ue p o de m s e a c u mu l a r
ao lon go da cadeia alimentar é útil para a seg u-
rança no uso de s tes alimen to s .
Q u a n to ao s a lim e n t o s , mu i tos ag ro t ó x i co s
re p o u s a m n a s c a s c a s d a s f r u t a s e l e g u m e s . A
g r a n d e m a i o r i a , n o e n t a n t o, j á a g e s i s t e m i c a -
m en te por toda a planta, i n clu s ive nos fruto s . A
s a n i d a d e d o a l i m e n to é u m f a t o r d e qu a l i d a d e
que d eve s er ate s t ado por m ei o d e c er t i f i c a ç ã o.
As análises podem denunciar re s í duos de agro-
t ó x i cos não autori z ados para as cultu ras deter-
m i n ad a s . O ri s co é que se o agro t ó x i co não está
re g i s t r a d o p a r a u m a c u l t u r a e s p e c í f i c a , e n t ã o
s eu limite de to l erância para tal é inex i s ten te .
Sem parâmetro s , a classificação é invi á vel .
A comissão do Codex Al i m en t a rius das Na-
ç õ e s Un i d a s p a r a a Ag r i c u l t u r a e A l i m e n t o
( FAO) e da Organizão Mundial de Sa ú de
(OMS) estabel ece o limite máximo de re s í du o s
de pe s ticidas em diversos alimen to s . Na Eu ro-
p a , o nível de re s í duo de pe s ticidas em alimen-
t os d e o r i g e m a n i m a l e v e g e t a l f o i d e f i n i d o d e
acordo com o cri t é rio propo s to pelo Con s el h o
Eu r o p e u e m 1 9 9 7 . Po r t a n t o , a a n á l i s e d a p r e -
s ençadospe s ticidasemalimen tosrepre s en t a
uma pr á tica bastante comum nos países de s en-
vo lvi dos e níveis cada vez men ores têm sido to-
l erad o s .
E n t r e t a n to, D o l l & Pe t o ( a p u d Caldas &
S o u z a , 2 0 0 0 ) e s t i m a r a m q u e 3 5 % d o s c a s o s d e
c â n cer na população norte - a m ericana tem ori-
gem na diet a , s en do os pe s ticidas pre s en tes nos
a l i m en tos os maiores re s pon s á vei s .
No B r a s i l , a l e i f e d e r a l n
o
7 . 8 0 2 , d e 1 1 d e
julho de 1989, reg u l a m en t ada por meio do de-
c reto 4.074, de 4 de ja n ei ro de 2002, ( a n tes re-
g u l a m e n t a d a p e l o d e c r e t o n
o
98.816) no seu
a r t i g o 2
o
, i nc is o I, define a gro t ó x i cos com o
produtos e com pon en tes de processos físico s ,
qu í m i c o s e b i o l ó g i cos d e s t i n a d o s a o u s o n o s
s etores de produ ç ã o, a rm a zen a m en to e ben ef i-
c i a m en tode produtos agr í co l a s , nas pastagen s ,
na pro teção de florestas nativas ou implanta-
das e de outros eco s s i s tem a s , a m bi en tes urb a-
n o s , h í d r i c o s e i n d u s t ri a i s , c u j a f i n a l i d a d e s e j a
a l terar a com posão da flora e da fauna, a fim
depre s ervá-ladaaçãodanosadeseresvivo s
con s i d erados n oc ivo s . In clui t am bém su b s t â n-
c i a s e p r o d u t o s e m pre ga d o s c o m o d e s f o l h a n-
t e s , d e s s e c a n t e s , e s t i mu l a d o r e s e i n i bi d o re s d e
c re s c i m en to. E ssa d e fin i ç ão e xc lu i f e rti l i z a n te s
e qu í m i cos ad m i n i s t r ado s a a n im ai s p ar a e s ti-
m u la r c re s c i m en t o o u mo di fi c a r co m por t a-
m en t o r e p r o d u t iv o ( F ioc r u z , 2 0 0 1 ) . O r e c o l h i-
m e n to e a d e s t i n a ç ã o a d e q u a d o s d a s e m b a l a -
gens vazias tornou-se obri gão dos usu á ri o s ,
com erc i a n tes e fabri c a n te s , de s de 6 de junho de
2 0 0 0 , q u a n d o d a p u b l i c a ç ã o d a l e i f e d e r a l n
o
9 . 9 7 4 .
Co m p e t e a o M i n i s t é r i o d a Ag r i c u l tu r a e
A b a s tec i m en t o rea li za r a av a lia ç ão d a ef i c á c i a
a gronômica dos agro t ó x i cos (produtos formu-
l a do s ) ; a o M i n i s t é r i o d a S a ú de e x e c uta r a a v a -
liação e classificação tox i co l ó gi c a ; e ao Mi n i s t é-
riodoMeio Am bi en te ,pormeiodoIn s ti tuto
B r a s i l e i ro d o M e i o A m b i e n t e e d o s R e c u r s o s
Ren ov á veis (Ib a m a ) , avaliar e classificar o po-
t e n c i a l d e p e r i c u l o s i d a d e a m b i en t a l . A f i s c a l i -
zação nas vendas e no uso deve ser feita pel o s
ó r g ã o s e s t a d u a i s , d e n t r o d a s d e v i d a s c o m p e -
tências (Peres et al. , 2 0 0 3 ) . N o B r a s i l , a Ag ê n c i a
Nac i onal de Vi gilância Sa n i t á ria (Anvisa) bu s-
ca acompanhar este processo e mon i torar re s í-
duos nos alimen to s .
Q u a n to à pra ga qu e con t ro l a m , os agro t ó-
x i c o s s ã o c l a s s i f i c a d o s e m i n s e t i c i d a s , f u n g i c i-
d a s , h er bi c i d a s , d e s f o l h a n t e s , f u m i g a n t e s , r o -
den t ici das e ra ti c i d a s , m o lu s coc i d a s , n em a t i c i-
d a s e ac a r i c i d a s . A s c l a s s e s t ox i co l ó g i c a s s ã o i n -
d i c a d a s p o r m e i o d a s c o r es d o s r ó t u l o s , s e n do
c lasse I f ai x a v erm elha ( ex t rem a m en te t ó xi -
c o ) ; c l a s s e I I f a i x a a m a r e l a ( a l t a m e n te t ó x i -
co ) ; classe III faixa azul (med i a n a m en te tóxi-
co ) ; e classe IV faixa verde (po u co ou mu i to
po u co tóxico ) . Ex i s tem cerca de 3 00 p ri n c í p i o s
a tivos em duas mil formulações com ercia is di-
f eren tes n o Br a s i l , cl a s s i f i c a d os q u a n to à s u a
ação e ao gru po qu í m i coa que perten cem (Fio-
c r u z , 2 0 0 1 ) .
E s te trabalho visa traçar um panorama da
s i tuação dos agro t ó x i cos no Brasil e no mu n do,
i n clu i n do os métodos de análise, as estra t é gi a s
de seg u rança alimentar e os ri s cos para a saúde
do tr a b a l h ador.
Análises de re s í duos
de agro t ó x i cos nos alimen to s
É m u i t o d i s p e n d i o s a a a n á l i s e d e r e s í d u o s d e
a gro t ó x i cos em amostras ambi entais ou de ali-
m e n to s , p r i n c i p a l m en t e qu a n d o o n ú m er o d e
9 49 49 49 4
con t a m i n a n tes é el evado. Além de ex i gir a apli-
cação de técnicas el a boradas e on ero s a s , ex i s te
um número gra n de de agro t ó x i cos no com é r-
cio e carência de dados dos produtos uti l i-
z ados por lavo u ra , o que acaba por requ erer o
te s te de vários padrões e diferen tes metodo l o-
gias analíticas (Fa ri a , 2 0 0 3 ) .
A m e t o d o l o g i a u t i l i z a d a d e v e m e n s u r a r a
pre s ença de re s í duos em baixos níveis e dar re s-
postas inequ í vocas da iden ti d ade e qu a n ti d ade
do re s í d uo d etect ado ( San n in o et al. , 2 0 0 4 ) . A
análise inclui várias etapas como a ex tra ç ã o, re-
ti rada de con t a m i n a n tes interferen te s , determ i-
nação do tipo de resíduos, confirmação e quan-
tificação (Tadeo et al. , 2 0 0 0 ) .
In i c i a l m en teos re s í duos de pe s ticidas era m
a n a l i s a d o s p o r m é t o d o s co l o r i m é t r i cos e c r o -
m a togr á f i cos não mu i tosof i s ti c ado s . A análise
de re s í duo s de agro t ó x i cos em alimen tos pode
s er efetu ada atu a l m en teuti l i z a n do-se de ri a s
t é c n i c a s , a t r a v é s d e m é t o d o s r á p i d o s , e m q u e
l i m i tes mínimos são determ i n ado s . A evo lu ç ã o
d u r a n t e e s t e s ú l t i m o s c i n c o a n o s s e d e u p e l o
d e s e nv o l v i m e n to d e d iv e r s a s ár e a s c o m o a
c i ê n c i a d a v i d a , a s í n t e s e d e n o v os m a t e r i a i s , a
en gen h a ria de instru m en to s , técnicas de ex tra-
ç ã o e o d e s e nv o l v i m e n to d e sof twares ( Gu i o -
ch o n & Be a v er, 2 0 0 4 ) .
O s m é t o d o s c r o m a tog r á f i c o s s ã o o s m a i s
u t i l i z a d o s p o r a p re s e n t a rem u m a l t o g r a u d e
precisão e determinação de níveis na ordem de
n a n o g r a m a s . Mu i t o s p e s t i c i d a s s ã o v o l á tei s e
e s t á veis term i c a m en te . E s tes s ão s ep a rad os p or
c rom a tografia gasosa e detect ada com método s
s el etivos e sen s i tivo s , como a deteão de cap-
tu ra de el é tron s , detecção de nitrog ê n i o - f ó s fo-
ro e espectrom etria de massa (Sannino et al. ,
2 0 0 4 ) .
Pe s t i c i d a s n ã o - vo l á t e i s t e r m o l á b e i s e a l t a -
m en te po l a res têm su r gi do, por é m , nos últi m o s
a n o s , i n c l u i n do c a r b ox i a m i d a s , qu i n a z o l i n a s ,
p i r i m i d i n a s , t i a zo l , c a r b a m a t o s , n eon i co t i n oi-
d es e m or fo l i n a . Ne s tes c as o s, a c ro m a tog r a f i a
l í q ui d a a c op l a d a à e s p e c t r o m e t r i a d e m a s s a é
l a r ga m en te uti l i z ad a . A técnica uti l i z a n do pre s-
são at m o s f é r ica ion i z a n a n te p rop orc i ona g r a n-
d e s e n s i t i v i d a d e e s e l e t i v i d a d e . T é c n i c a s u t i l i -
z a n do e q u i p a m e n t o s e m s e q ü ê n c i a , c o m o a e s -
p e c t r o m e t r i a d e m a s s a a co p l a d a à i o n i z a ç ã o
com el etro s pray, têm dem on s trado ser úteis na
determinação de diferen tes pe s ti c i d a s , uti l i z a n-
do métodos simples de ex tração (Sannino et
a l. , 2 0 0 4 ) .
Co n t u d o, o s f a t o re s l i m i t a n t e s d o u s o d a
c rom a tografia são o alto custo das análises e o
us o d e s olv en tes al t ame n te p o lu en te s . T é c n i c a s
m enos on erosas e mais rápidas foram de s en-
vo lvidas nos últimos anos como altern a tiva aos
m é tod os c ro m a tog r á f i co s . O u s o d e bi o s s en s o -
re s p a r a a d e t e r m i n a ç ão d e o r g a n o f o s f o r a d o s
está b a s e ad o n a i n ib i çã o a ce t i l co l i n e s te r as e o u
usodaenzimaor ga n ofo s forohidrolasequ e
produz ácido e álcool na pre s ença do pe s ti c i d a .
O uso de plataformas com p ut adori z adas para
análise e prep a ração de amostras tem ga n h ado
e s p a ç o, d i m i nu i n do o tem po de a nál ise e o er -
ro na manipulação das amostras (Wang et al. ,
2 0 0 4 ) .
A l i m p e z a d o s b i o s s e n s o re s , p o r é m , é u m
f a tor limitante qu a n do se de s eja analisar amos-
t r a s d i f eren t e s . A l é m d i s s o , m ú l t i p l o s co m p o s -
tos são capazes de inibir a enzima aceti l co l i n e s-
tera s e , não sen do po s s í vel determinar com pre-
c i s ã o o t i p o d e p e s t i c i d a . O s i m u n o e n s a io s r e -
pre s ent am também u ma forma b arat a e m ai s
s of i s ti c ada para analise de amostras ambi en t a i s
e d e a l i m e n to s . E s t a d e t e c ç ã o i m u n o q u í m i c a ,
b a s e a d a n a a d a p t a ç ã o d e t é c n i c a s d e E L I S A
(enzyme-linked immunosorbent assay) vem tam-
m cre s cen do nos últimos 15 anos. Uma ve z
p ro d u z i do s o s a n t i cor p o s e s p e c í f i c o s p a r a o s
h a ptenos dos pe s ti c i d a s , a técnica se torna rápi-
da e bastante sensível (Belleville et al., 2004).
A com p a ração de métodos de crom a togra-
fia gasosa e imu n oensaios em amostras de solo,
a l i m en tos e urina co n ten do or g a n ofo s f a t ado s
m o s tro u u m a g r a n d e r e l a ç ã o n o s re s u l t a d o s .
Em algun s mét odos i mu n o l ó gi cos o lim it e d e-
tecçã o d o a g ro t ó x i co f oi ai nda m en or d o qu e
os da crom a tografia gasosa (Chuang et al. ,
2 0 0 4 ) . O fator limitante das cnicas imu n o l ó-
gicas é o aparec i m en to de reações cru z ad a s , n a s
quais os com po s tos com estrutu ras sem el h a n-
tes podem re a gir com um mesmo anti corpo,
não sen do assim po s s í vel determinar com pre-
cisão o agro t ó x i co pre s en te .
Pa ra uma análise pr é via de muitas amos-
tra s , os métodos imu n o l ó gi cos e o uso de bi o s-
s en s o res a pr e s ent a m u m a v a n t a g em p a r a a
an ál is e de co n t a m i n a n tes e m am ostr as d e ur i -
n a , s o l o e a l i m e n t o s . U m a v e z d e t e r m i n a d a s
qu a i s a m o s t r a s e s t ã o c o n t a m i n a d a s , p o d e - s e
p a rtir para as cnicas crom a togr á f i c a s .
Seg u rança alimentar no Brasil
e no mu n do
Diversos pses m implantado programas de
análise de re s í duos nos alimen to s . Nos Estado s
9 5
Un i do s , n u m er oso s p ro gr am as d e a nál is es d e
re s í d u o s t ê m s i d o i m p l a n t a d o s , p o d e n d o - s e
d e s t a c a r o p r o g r a m a d o D e p a r t a m e n t o d e
Ag r i c u l t u r a d o s E s t a d o s Un i d o s ( U S DA ) , o
programa da As s ociação Nac i onal dos Al i m en-
tos Proce s s ados (NFPA) e o programa da Ad-
m i n i s tração de Drogas e Al i m en tos (FDA ) . E s-
te ú lti m o , i m p l a n t ado em 1 987 e re s p on s á vel
pela publicação de rel a t ó rios anu a i s , usa com o
í n d i ce to l er á vel de 0,1 a 5 0 p ar tes p or milh ão
( p p m ) , d e p en den d o d o t i po d e p e s t i c i d a . O ú l -
timo rel a t ó ri o, referen te ao ano de 2002, a n a l i-
sou 6.766 amostras de lei te , gr ã o s , c a rn e s , ovo s ,
f rutas e outros vegetais produ z i dos no merc a-
do interno e amostras import adas (FDA ,
2 0 0 4 ) . Dos gru pos de amostras analisadas vi n-
das do merc ado intern o, todas con tinham re s í-
duo s d e a g ro t ó x i co s , poré m a pena s os g ru p o s
d e a m o s t r a s d e o r i g e m v e g e t a l ( g r ã o s , f rut a s e
vege tai s) c on tinh am re s í d u os d e a g r o t ó x i co s
acima do vel to l erado. Já as amostras vi n d a s
do m er c a do e x ter n o a pre s en t a r a m í nd ice s d e
contaminação acima do to l erado em amostra s
do gru po de vegetais e em amostras de pei xe . A
União Eu ropéia po s sui trabalho similar de aná-
lise de alimen to s . No ano de 2002 foram anali-
s a d as 4 . 6 0 0 a m o s t r a s , e m 1 5 p a í s e s m e m bro s ,
qu a n to à pre s e nça d e 1 70 t i p o s d e a gro t ó x i co s .
O n í v e l m á x i m o d e t o l e r â n c i a v a r i a d e 0 , 0 1 a
0,2 ppm , depen den do do ti po de re s í duo de
a g ro t ó x i c o . O s re s u l t a d os o b t i d o s m o s t r a ra m
que 54% das amostras estavam livres de pe s ti-
c i d a s , en q u a n to 3 7 % a p r e s e n t a r a m n í v e i s re s i -
d u a is a b a i xo d o l i m i t e t o l e r á v e l . C e r c a d e 6 %
das amostr as ac u s a r am a pre s enç a d e re s í d u o s
de a gro t ó x i cos ac ima do nível per m i ti do, s en-
do a maior incidência em frutas e verdu ra s . O
n í vel d e re s í d uos d ete ct ado s n o ú lt imo ano fo i
o maior se com p a rado com os índices de con-
taminação dos seis anos anteri ore s . Cerca de
2 1 % d a s a m o s t r a s c o n t a m i n a d as c on t i n h a m
mais de um ti po de pe s ticida (Eu ropean Co-
m i s s i on , 2 0 0 4 ) .
A a nál ise dos re s í duos de agro t ó x i cos nos
Brasil vem passando por uma mudança sign i f i-
c a t i v a . A n te s , o q u e e r a u m a a t i v i d a d e a c a d ê -
m i c a e s e r e s t r i n g i a a a t i t u d e s d e a l g u n s E s t a -
do s , passou a fazer parte de um programa na-
c i ona l d e v i g i l â n c i a . O P r o g r a m a d e A n á l i s e d e
Re s í duos de Agrot ó xi cos (PA RA) foi idealizado
em 2001 com o objetivo de cumprir a legi s l a ç ã o
d i s posta no Dec reto 4.074/02 e na Re s o lução
R D C n
o
4 4 / 0 0 . Os obj etivos espec í f i cos do PA-
RA são (1) analisar re s í duos de agro t ó x i cos in
n a t u r a ; ( 2 ) ve r i f i c a r s e o s a l i m en t o s c o n t a m i -
n ados ultrapassam o limite máximo de re s í du o
( L M R ) ; ( 3 ) v e r i f i c a r a p re s enç a d e re s í d u o s d e
a gro t ó x i cos não autori z ados pela legislação em
v i gor ; ( 4 ) ra s t r e a r p o s s í v eis p r o bl emas e s u b s i-
diar ações de fiscalização de vi gilância sanitá-
ri a ; (5) mel h orar a esti m a tiva de ex posição por
m e i o d a d i e t a , c o m o p a r t e d a re av a l i a ç ã o d o s
a gro t ó x i cos já regi s trado s ; (6) mon i torar o uso
de produtos agro t ó x i cos re a l i z a n do um mape a-
m en to de ri s co ; (7) subsidiar com base cien ti f i-
ca e informações labora toriais con c retas as ne-
g o c i a ç õ e s i n t e r n a c i o n a i s , p r i n c i p a l m e n te , n o
â m b i to do Codex Al i m en t a riu s e do Merco su l ;
( 8 ) f o r n e c e r s u b s í d i o s a o M i n i s t é r i o d a A g r i -
c u l t u r a q u e p e r m i t a m o r i e n t a r e f i s c a l i z a r o s
produtores na utilização dos agro t ó x i co s ; e (9)
d i s pon i bilizar informações à soc i ed ade .
Du ra n te o pri m ei ro ano de ativi d ade , o PA-
RA analisou nove produto s : a l f ace , b a n a n a , b a-
t a t a , ce n o u r a , l a ra n j a , m a ç ã , m a m ã o , m ora n go
e t om a t e . E s t e s a l i m e n t o s f o r a m s e l e c i o n a d o s
com base no con sumo anual per capita em kg,
nos sistemas de cultivo e de manejo de pra ga s
d a s d i f e r e n t e s c u l t u r a s e n a d i s p o n i b i l i d a d e
d e s t e s a l i m e n tos n o c o m é r c i o d o s d i f e r e n t e s
E s t ados en ga jados no Progra m a . Os nove pro-
dutos foram analisados em relão à pre s en ç a
d e 9 1 d if er en tes i ng r e d i en t e s a t iv o s . E s tes a l i-
m en tos foram co l et ados no com é rcio das cida-
d e s d e B e l o Ho r i z o n te , Cu r i t i b a , R e c i f e e S ã o
Pa u l o. Q u a t r o l a b o r a t ó r i o s f o r a m e n vo l v i d o s
na análise dos re s í duos com o obj etivo de ga-
ra n tir uma maior uniform i d ade dos re su l t ado s
e pad ronização das análises. As determ i n a ç õ e s
foram efetu adas em labora t ó rios perten cen te s
a o S i s t e m a Ú n i co d e S a ú d e ( S U S ) , q u e d e -
m on s tra ram capac i d ade analíti c a . O Labtox , do
I n s t i t u t o Te c n o l ó g i co d e Pe r n a m b u co, f o i o
ú n i co n ão per ten cen te ao SUS sel ec i on a do p or
s er o único da região Norte e Norde s te com ca-
p ac i d ade analítica instalada (Anvi s a , 2 0 0 3 a ) .
Ne s te pri m ei ro ano, as amostras de mora n-
go apre s en t a ram o maior índice de con t a m i n a-
ç ã o , s e n d o d e t er m i n a d a a p re s e n ç a d o s i n g r e -
d i en tes a tivos Azox i s trob i n a , Ca pt a n a , D i cl or-
v ó s , D i cofo l , D i m e toa to, D i ti o c a r b a m a t o s , E n-
do su l f a m , Fen ti on a , Fora to, Iprod i on a , P i r a zo-
f ó s , Proc i m i don a , Procl ora z , Tetrad i fona e Vi n-
c l o zo l i n a . A lgumas v e ze s , c i n co d ifere n tes in-
gred i en tes ativos estavam pre s en tes na mesma
a m o s t r a . Um a l t o g r au d e c o n t a m i n a ç ã o f o i
t a m b é m v e r i f i c a d o e m a m o s t r a s d e t o m a te ,
maçã e mamão. Dos alimen tos analisados ape-
n a s a c e n o u r a n ã o i n d i co u a p re s e n ç a d e r e s í-
d u os d e a g ro t ó x i c o s , e n q u a n to n o ca s o d a l a-
9 6
r a n j a , b a t a t a e b a n a n a o s í n d i c e s d e c o n t a m i -
nação foram baixo s . No seg u n do ano de ativi-
d a d e , f o r a m i n c l u í d a s a m o s t r a s co l h i d a s n o s
E s t ados de Ma to Grosso do Su l , E s p í ri to Sa n to,
Pa r á , Ac re , G oi á s , Santa Ca t a ri n a , Rio de Ja n ei-
ro, R i o G r a n d e d o S u l e To c a n t i n s ( A nv i s a ,
2 0 0 3 b ) . A a n á l i s e d a s a m o s t r a s m o s t r o u u m a
d i m i n u iç ã o d r á s t i c a n a p re s e n ç a d e a g r o t ó x i -
cos em tom a te , não sen do detect ada nen hu m a
a m o s t r a c on t a m i n a d a . A c e n o u r a c o n t i n u o u
s em ap re s ent ar con t a m i n a ç ã o. Um aumen to n o
í n d i c e d e c o n t a m i n a ç ã o f o i v e r i f i c a d o e m
a m o s t r a s d e m a m ã o e m o r a n g o, o n de h o u v e
a u m en to de 19,50% para 37,66%, no mamão, e
um aumen to de 46% para 54,44% no mora n go
( Anv i s a , 2 0 0 4 ) .
A atuação do PARA foi apenas de caráter in-
form a tivo, l eva n do a questão para o Mi n i s t é ri o
d a Ag r i c u l tu r a , Ab a s t ec i m en to e Pe c u á r i a e a o
Ibama, para medidas de controle e prevenção.
Os esforços do Mi n i s t é rio da Sa ú de , Mi n i s-
t é rio d a Ag r i c u l tu ra , Pe c u á ria e Ab a s te c i m en to,
da Anvisa e do Ibama vêm cre s cen do, i n clu s ive
com a d i sp o n i bi l i d a d e d o S IA , S i s tem a d e I n -
formação sobre Agro t ó x i co s , nos meios el etr ô-
n i co s . Ma s , é n ece s s á rio o re sga te da prom o ç ã o
à s a ú d e e , n e s t e s e n t i d o, a S a ú d e A m b i e n t a l ,
á rea d e p e s qui s a e m a b e r t u r a n o B r a s i l , p a rec e
con s ti tuir o mel h or caminho para reen con tra r,
de forma efetiva , as idéias que norteiam as pr á-
ticas preven tivas rel ac i on adas à saúde hu m a n a .
Contaminão oc u p a c i onal
po r ag ro t ó x i co s
Os ag ro t ó x i cos torn a ram-se um probl ema em
termos ambi entais e de saúde . Mesmo com a
e x i s t ê n c i a d e u m Rec e i tu á r i o A g r o n ô m i c o, a
fiscalização sobre as vendas e sobre a aplicação
é d e f i c i t á r i a . P r o d u to s co m p r e ç o s a t r a t i v o s
tamm ch egam de outros pses por fron tei-
r as e camin h os n ã o t r ad i c i on a i s , o s ch a m a d o s
a g ro t ó x i c o s p i r a t a s. O t r a b a l h a d or r u r a l ,
muitas ve zes por de s i n formação ou por falta de
r e c u r s o s , n ã o u t i l i z a o s e qu i p a m e n tos d e p r o -
teçãoindivi dual(EPIs)nomom en todapre-
p a ração e utilização do produto qu í m i co. E s te s
a p a relhos não são adequ ados ao clima e à carga
l a boral bra s i l ei ra .
As principais vias de pen etrão no corpo
do ser hu m a n o, em o rdem cre s cen te , s ã o : por
i n ge s t ã o, pela re s p i ração e por absorção dérm i-
c a . A pen etração pela pele vai va riar com a for-
mulação em pregad a , tem pera tu ra , u m i d ade re-
l a tiva do ar, regiões do corpo (verso das mãos,
p u l s o s , n u c a , p é s , a x i l a s e v i r i l h a s a b s o r v e m
m a i s ) , t e m po d e c on t a t o , e x i s t ê n c i a d e f e r i d a s
e t c (Garc i a , 2 0 0 1 ) .
A intoxicação aguda é aqu ela na qual os
s i n tom as s u r g e m r a p i d a m e n te a l g u m a s h o r a s
após a ex posição exce s s iva , por cur to per í odo,
a produtos altamen te tóxico s . Pode ocorrer de
forma leve , m oderada ou grave e os sinais e sin-
tomas s ão n ít i dos e o bj eti vo s . A i n tox i c a ç ã o
crônica caracteriza-se por su r gi m en to tard i o,
em meses ou anos, por ex posição pequ ena ou
m o d e r a d a a p ro d u t o s t ó x i c o s o u a m ú l t i p l o s
p ro d u t o s , a c a r r e t a n do d a n o s i r r e v e r s í vei s , d o
ti po paralisias e neoplasias (Pere s , 1 9 9 9 ) .
A Organização Mundial da Sa ú de OMS
estima que 70% das intoxicações agudas por ex-
posição oc u p ac i onal são causadas por inseti c i-
d a s o r ga n o fo s f o r a d o s ( G arc i a , 2 0 0 1 ) . O s c o m -
pro m et i m en t os à s aú de co m o con t a to co n t i-
nu ado ao s ag ro t ó x i cos podem va riar inten s a-
m en te , depen den do de car acter í s tica s do indi -
v í du o, com o , p o r exem p l o , e s t a d o n u t r i c i o n a l ,
idade e sexo. Contudo são genericamente deno-
m i n ado s : (1) intoxicação aguda, s en do caracte-
ri z a d a p o r f r a qu e z a , v ô m i to s , n á u s e a s , c o nv u l-
s õ e s , c on t r a ç ões m u s c u l a re s , d o re s d e c ab e ç a ,
d i f i c u l d a d e re s p i r a t ó r i a , s a n g r a m en to n a s al ,
d e s m a i o ; ( 2 ) i n t ox i c a ç ã o c r ô n i c a , ac a r r e t a n do
derm a ti tes de con t a to, lesões renais e hep á ti c a s ,
efei tos neu ro t ó x i cos ret a rd ado s , a l terações cro-
m o s s om i a i s , D o en ça d e Pa r k i n s on , c â n cer e s e
teratogêneses (Wilson & Otsuki, 2004).
O estabel ec i m en to da relação en tre o su r gi-
m en to de câncer en tre os tra b a l h adores e o ma-
nu s eio de agro t ó x i cosé dificultado pelo de s co-
n h ec i m en t o d a d u ra ção d o t em p o à ex p o s i ç ã o
e dos produtos uti l i z ado s . Soma-se a isto o fato
da ausên ci a d e um regi s tro de ba se p op u l ac i o -
n a l r u r a l n a c i o n a l e s i t u a ç õ e s o u t r a s , c o m o a s
m i g r a ç õ e s e e x p o s i ç õ e s a m b i e n t ai s a o s o l e à
fumaça de qu ei m ad a s .
Algumas subsncias de ação sobre o siste-
ma en d ó c rino de larga distri buição no ambi en-
te por meio dos agro t ó x i cos estão con tidas em
h erbicidas como o 2,4-D e a Atra z i n a ; f u n gi c i-
das como o Hex acl oroben zeno e o Ma n eb ; e in-
s et i c i d a s c o m o o D i e l d r i n , M i rex e Pa r a t i on ,
po s s í veis disru ptores en d ó c ri n o s , ao passo qu e
suas moléculas poderiam mimetizar horm ô-
n i o s h u m a n o s , a s s u m i n d o o u a n i q u i l a n do o
p a pel que seria de s em pen h ado por estes (Me-
yer et al. 1 9 9 9 ) . F o i d e s c r i t a p o r Ko i f m a n &
Meyer (2002) a ocorrência de taxas el evadas de
i n ferti l i d ade e ncer de testículo (horm ô n i o -
9 7
Con treras et al. , 1 9 9 8 ; Ma t o s , Vi l e n s k i & B o f -
f e t t a , 1 9 9 8 ) , e v i den c i a n d o c â n c e r o c u p ac i o n a l
e a m b i e n t a l . O l aya - C on t r e r a s et al. (1998) de-
s e n vo l v e r a m u m e s t u d o e p i d e m i o l ó g i c o e m
B o g o t á , Co l ô m b i a , c o m u m t o t a l d e 3 0 6 m u -
l h e re s , 1 5 3 c as o s c o m c â n c e r d e m a m a e 1 5 3
com con troles de mesma idade . O obj etivo do
e s t u d o f o i a va l i a r a a s s o c i a ç ã o e n t r e o r i s c o
de s te ti po de neoplasia e níveis de DDE – dicl o-
r o d i fen i l d i c l o r o e t en o ( p e s t i c i d a o r g a n o cl o r a -
do) no soro sangüíneo, a s s ociação que su ge-
riu um aumen to do ri s co rel a tivo de 1,95 atra-
vés da ex po s i ç ã o.
Ma to s , Vi l en s ky & Bof fetta (1998) analisa-
ram os ri s cos de câncer de pulmão assoc i ado s
à s ex p o s i ç õ e s o c u p a c i o n a i s e m p a í s e s e m d e -
s e nvo lvi m en to, env o lven d o 2 00 hom e ns com o
casos e 397 con troles de vias hospitalare s . E s t a s
pe s s oas de s envo lviam ativi d ades diversas liga-
d as à s i ndúst ri as d e b ebi d a s , p l á s ti c o s , qu í m i -
c o s , c o u r o, v i d ro, a g r i c u l t u ra e n tre o u t r a s . A
análise obtida foi que os agricultores apresenta-
ram ch a n ce 2.4 ve zes maior de ad qu i rir ncer
de pulmão do que os não expostos a este fator.
S toppelli (2005), l eva n t a n dodados sobre o
uso de agro t ó x i cos na região cen tral paulista e
m a pe a n do casos de câncer en tre tra b a l h adore s
r u r a i s d o m u n i c í pi o d e B a r i r i , s e g u n d a b a s e
hospitalar de referência no país, en con trou um
Ri s co Rel a tivo de 1.6, i n d i c a n doquase duas ve-
zes mais ch a n ces de de s envo lver câncer em tra-
b a l h adores ru rais qu a n do com p a rado com ou-
t r a s p r o f i s s õ e s l o c a i s , p a r a o g r u p o e p e r í o d o
e s t u d ado s .
Fa m í l i as d e t r a b a l h a d o r e s r u r a i s e o ut r o s
r e s i d e n te s r u r a i s p o d e m e s t a r e x p o s t o s a o s
a g ro t ó x i co s i nd ire t a m en te d e m odo s ig n i f i c a n-
te . Nos estados americ ano s de Iow a e Ca ro l i n a
do Norte , on de muitas cidades ru rais e vilas são
c i rc u n d adas por cultu ra s , en tre fazen dei ros qu e
a p l i c avam p e s ti c i d a s , 4 0 a 5 0 % t in h am s u as c a-
sasemumraiode91metrosdaslavo u ra s .A
aplicação de agro t ó x i cos pode re sultar num es-
p a l h a m e n t o a d i s t â n c i a s d e a t é 9 0 0 m e t r o s ,
ac a rret a n doaltos níveis dos pe s ticidas na poei-
r a d om é s t i c a e e m a m o s t r a s d e s a n g u e d e
c rianças (Wa rd et al. , 2 0 0 0 ) . E s tes autores con-
d u z i r a m u m e s t u d o d e i d e n t i f i c a ç ã o d e p o p u-
l a ções e x p os ta s a o s a g ro t ó x i co s , c om u s o d e
s en s ori a m en to rem o to e um sistema geogr á f i co
de inform a ç ã o, em três mu n i c i p a l i d ades de Ne-
b r as k a ( E UA ) . E s te t r aba l ho foi re a l i z a do c om
re s i den tes or i g i n a dos de u m e stu do ep i dem i o-
l ó gi co de base pop u l ac i onal sobre linfoma não-
Hod gkin e as ocorrências foram georreferen-
depen den te) em municípios com níveis alto s
de produção agr í cola nos Estados de São Pa u l o
e do Rio Gra n de do Su l .
Um estu do re a l i z ado com 101 tra b a l h ado-
res ru rais e crianças moradores da Mi c rob ac i a
d o C ó r r e g o d e S ã o L o u r e n ç o, N ov a F r i b u r g o -
R J, analisou o grau de contaminação por agro-
t ó x i co s , f a tores s oc i o econ ô m i co s e de com u n i -
c aç ã o d a p o p u l a ç ã o . F o r a m rel a t a d o s p o r 9 8 %
dos tra b a l h adores e 78% das crianças os con t a-
to s do ag ro t ó x i co com a p ele du r a n te os m o-
m en tos de aplicação, s en do que apenas a met a-
de deles recebeu algum ti po de trei n a m en to
p a ra a manipulação dos agro t ó x i co s . Além dis-
s o, os tra b a l h adores rel a t a ram a dificuldade de
en ten d i m en to das informaçõ es de seg u rança e
f i g u r a s con t i d a s n o s r ó t u l o s d o s p r o d ut o s . E m
relação ao índice de con t a m i n a ç ã o, 31 apre s en-
t a r a m s i n t o m a s t í p i c os d e c o n t a m i n a ç ã o, s e n -
do uma aguda e os outro s , crônica (Morei ra et
a l. , 2 0 0 2 ) . Um o u t r o e s t u do re a l i z a d o n a s e r r a
g a ú c h a c o m t r a b a l h a d o re s r u r a i s m o s t r o u qu e
75% usavam a gro t ó x i cos em suas ativ i d a de s ,
ver i f i c a n do-se u ma a lta incidê nc ia d e d oe n ç a
m ent a l ( Fa r i a , 2 0 0 0 ) . O a u t o r r e l ac i o n a a p r e -
valência desta doença com a ex posição aos or-
ga n ofo s f a t ado s .
Brega et al. ( 1 9 9 8 ) i n ve s t i g a r a m 2 4 t r a b a -
l h adores ex po s tos a pe s ti c i d a s , nos quais fora m
exec ut ados exames cl í n i cos e te s tes citogen é ti-
cos e tox i co l ó gi co s . Dez in div í duos não ex p o s-
tos foram usados como con tro l e s . Do s a gens to-
x i co l ó g i c as d e c o b re , z i n c o , m a n g a n ê s , d o s a -
gem de enzimas hep á ticas e ativi d ade da aceti l-
co l i n e s tera se f o ram e xec ut ad as n o s 1 6 t r a b a -
l h ado r e s e 8 c o n t r o l e s . N o s t r a b a l h a d o re s e x -
p o s t o s , o s s i n t o m a s c l í n i c o s m a i s p e r t i n en t e s
foram digestão pobre , com sensão de plen i-
tu de a pós a limen t a ç ã o, o lh os i rri t a do s , e n x a-
qu eca e fasciculações. E m bora usassem ve s tu á-
r i o p ro tet o r con t r a n é vo a d e p e s ti c i d a s , o s t r a -
b a l h ador es f or am con t a m i n a do s , re vel a r am os
re su l t ados cl í n i co s .
O utro es tu do, c a s o - con t ro l e , foi re a l i z ad o
com cas o s d e t u m or d e Wi l m s , d i a g n o s ti c a d o s
em São Pa u l o, Belo Hori zon te , Sa lvador e Ja ú ,
bu s c a n d o d eterminar a a sso cia ç ão e n tre a e x-
po sição dos pais a ag ro t ó x i cos e o de s envo lvi-
m e n to d o c â n c e r. F o r a m ob s e r v a d a s e s t i m a t i -
vas de ri s co el evadas para a ex posição tanto pa-
terna (O R 3,24) qu a n tomatern a , decorren te do
trabalho agr í cola (Sharpe et al. , 1 9 9 5 a p u d
Ko i f m a n & H a t a g i m a , 2 0 0 3 ) .
D a m e s m a f o r m a , a l g u m a s p e s q u i s a s v ê m
s en d o c on d uzidas e m outros p aíses ( Ol aya -
9 8
c i a d a s e m u m m a p a d e l a v o u r a s , d e t e r m i n a n -
do-se a proporção da população que morava
den tro de uma área sob influência da nuvem de
co n t am i n açã o d e p e s ti c i d a s .
Fo r a m id e n t i f i c a d o s o s p e s t i c i d a s u s a d o s ,
c l a s s i f i c a d o s q u a n to a s u a p r o b a bi l i d a d e d e
u s o. Em três con d ado s , 22% da população ru-
ral po s suía lavo u ras a 500 metros de casa, com
al ta p o s s i bi l i d ade de ex po s i ç ã o.
E s t r a t é g i a s p a r a s e g u r a n ç a a l i me n t a r
e minimização de impactos nega tivo s
p a ra o produtor e con su m i dor
No intu i to de minimizar os efei tos dos agro t ó-
x i cos n a s a úde a m bi e n ta l e n a s aú d e hu m a n a
sãosu geridascomoaçõesaosórgãoscom pe-
ten te s :
Ma i or f is cal i za çã o d a fa bri c a ç ã o, i m por t a -
ç ã o, e x p or tação e qu a l i d a d e , as si m com da s
vendas de produto s ;
Ma i or fiscalização sobre o uso, i n clu i n do a
correta de s tinação final das em b a l a gens va z i a s
e d o s r e s í du o s ;
A p l i c a ç ã o a p e n a s q u a n d o n e c e s s á r i a , n a
dose correta e dando-se preferência a formu l a-
ções menos tóxicas;
Ma i or fiscalização nos alimen tos com erc i a-
l i z ado s ;
Re s trições pelos órgãos re s pon s á veis àqu e-
les produtos sem com p l etos estu dos ep i dem i o-
l ó gi cos e ambi en t a i s ;
B a n i m e n t o, qu a n d o n e c e s s á r i o, d e c l a s s e s
d e a g ro t ó x i co s ;
Simplificão dos rótulos nas em b a l a gen s ,
torn a n do o modo de uso mais fac i l m en te com-
preen s í vel , i n depen den tem en te do nível de ins-
trução do usu á ri o ;
Comunicação de ri s co s ;
Mudanças no modelo de produção e de tra-
b a l h o ;
Ma i o r a de qua çã o d o s e qu i p a m en t os d e
pro teção ao calor exce s s ivo dos países trop i c a i s ;
P a r t i c i p a ç ã o d o s t r a b a l h a d o r e s r u r a i s e d a
comu n i d ade nas discuses inform a tiva s , ava-
l i a tiv as e d ec i s ó ri a s ;
In cen tivo à po l í tica govern a m ental que in-
co r p o r a r, a n t e s d o c r é d i t o a e s t e s p r o d u to s ,
uma anteri or estrutu ração do sistem a , como o
prep a ro da o-de- obra , a certificação de
B oas Pr á t ic as Agr í c ola s e o c um pri m e n to da s
l eis ( e d e s u a m o d i f i c a ç ã o , qu a n do n ece s s á r i a )
e mel h orias na fiscalização.
Con s i derações finais
A evo lução de técnicas e uso de insumos agr í-
colas na ag ri c u l tu r a t ro u xe m udan ça s nas c ar -
gas e modos de trabalho e ri s cos incorporado s
às novas ativi d ade s , que mais tarde passaram a
se ref l etir na saúde , e s pec i a l m en te do tra b a l h a-
dor ru ra l . Mu i tos pe s ticidas se modern i z a ram e
tiveram seu poder de persistência diminu í do
no m eio a mbi en t e . Met a b ó l i tos dess es pro du-
tos qu í m i c os p od em ter aç õe s t ão d an osa s
qu a n to as dos produtos que os ori gi n a ra m , a t é
m e s m o c o m m a i o r p o d e r d e a ç ã o s i n e r g í s t i c a
co m o u t r o s c o m p o s t o s qu í m i c o s . E s t e e n s a i o
bu s cou re aver maiores informações sobre o te-
ma na litera tu ra ex i s ten te , de fo rma a incen ti -
v ar q u e o m e s m o s e j a d e b a t i d o p o r d i f e re n t e s
a tores soc i a i s , assim como mostrar a ex peri ê n-
cia bra s i l ei ra na busca da seg u rança alimen t a r,
nosetordavi gilânciaàsaúde .Avastreade
s a ú de ambi ental tornou-se mu i to mais do qu e
u m a á r e a d e p e s q u i s a . Tr a t a - s e , f u n d a m e n t a l -
m en te , de um universo de apren d i z ado e de es-
perança para ati n gir as diversas esferas da so-
c i ed ade , t ra n s form a n d o d a d o s e m i n f o r m a ç ã o
l eg í vel e su b s i d i a n do ações, n e s te te x to ex p l i c i-
tadas quanto à saúde do consumidor e, mais es-
p e c i f i c a m e n te , d o t r a b a l h a d o r r u r a l . F o r a m
m o s t r a d a s e x p e r i ê n c i a s m u n d i a i s , b e m c o m o
al g u m a s i n i c i a t i v a s b r a s i l e i r a s , n a b u s c a d o
con trole e prevenção de ri s cos rel a tivos ao con-
sumo de alimen tos e as análises de re s í duos de
a gro t ó x i co s . Vi mo s que a pre s e nç a d e re s í du o s
nos alimen tos não é re s trita ao Brasil nem aos
países em de s envo lvi m en to. Além dos progra-
mas do Governo Federa l , como o PA RA , é sabi-
do que diversos gru pos da soc i ed ade , como or-
ga ni za çõ es n ã o -govern a m en t a i s , c e n t ro s d e
pe s qu i s a , s ec ret a rias e núcl eos municipais pro-
c u r a m , e m e s c a l a r e d u z i d a , m i n i m i z a r o s i m -
p a c t o s n e g a t i v o s d o u s o d e p e s t i c i d a s n o a m -
bi en te . A exisncia de um programa de análi-
s es d e re s í duo s d e a g ro t ó x i c os n o B ra sil é l ou -
v á vel e deve ser ampliada para outros Estados e
i n c l u i r n ov o s a l i m e n tos d e o r i g e m v e g e t a l e
a n i m a l . O a u m e n to d o c on s um o d e a g r o t ó x i -
cos no Brasil se con s ti tui uma amostra que de-
veria causar preocupão aos governos qu e
m se su ceden do na busca por recordes de
pro d uçã o e , p r i n c i p a l m en te , d e ex p or t a ç ão d e
produtos agr í co l a s . As s i m , vemos gra n des def i-
c iê n c ias n a r o tu l a g e m dos a g ro t ó x i co s , co m
uma falta de linguagem mais ace s s í vel . Di a n te
de um qu ad ro de muitas dificuldades na co l e-
t a , a n á l i s e , detec ç ã o, i n terpretação e mon i tora-
9 9
m en t o rel a t ivo ao u s o i n te n so d e ag r o t ó x i co s
n o B r a s i l , e s p e r a - s e q u e o e x p o s to n e s t e t ex t o
p o s s a co l a b o r a r co m o d e b a te e a p a r t i c i p a ç ã o
de diferen tes atores sociais na busca do disci-
p l i n a m en to do uso, de ações preven tivas e mu-
d an ç a p a r a u m a a g r i c u l t u r a m a i s p r e o c u p a d a
co m a s aú de a m bi en t a l , do co n s u m i dor e d o
tra b a l h ador ru ra l .
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Arti go apre s en t ado em 13/11/2004
Aprovado em 24/02/2005
Versão final apre s en t ada em 11/04/2005
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The Food Quality Protection Act of 1996 (FQPA) requires the EPA to consider "available information concerning the cumulative effects of such residues and other substances that have a common mechanism of toxicity...in establishing, modifying, leaving in effect, or revoking a tolerance for a pesticide chemical residue." This directive raises a number of scientific questions to be answered before the FQPA can be implemented. Among these questions is: What constitutes a common mechanism of toxicity? The ILSI Risk Science Institute (RSI) convened a group of experts to examine this and other scientific questions using the organophosphorus (OF) pesticides as the case study. OP pesticides share some characteristics attributed to compounds that act by a common mechanism, but produce a variety of clinical signs of toxicity not identical for all OP pesticides. The Working Group generated a testable hypothesis, anticholinesterase OP pesticides act by a common mechanism of toxicity, and generated alternative hypotheses that, if true, would cause rejection of the initial hypothesis and provide criteria for subgrouping OP compounds. Some of the alternate hypotheses were rejected outright and the rest were not supported by adequate data. The Working Group concluded that OP pesticides act by a common mechanism of toxicity if they inhibit acetylcholinesterase by phosphorylation and elicit any spectrum of cholinergic effects. An approach similar to that developed for OP pesticides could be used to determine if other classes or groups of pesticides that share structural and toxicological characteristics act by a common mechanism of toxicity or by distinct mechanisms. (C) 1998 Society of Toxicology.
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O impacto do uso de agrotóxicos sobre a saúde humana é um problema que tem merecido atenção da comunidade científica em todo o mundo, sobretudo nos países em desenvolvimento. O consumo de agrotóxicos na região sudeste do Brasil está estimado em 12kg de agrotóxico/trabalhador/ano. Em algumas áreas agrícolas do Estado do Rio de Janeiro, como na região da Microbacia do Córrego de São Lourenço, Nova Friburgo, o consumo de agrotóxico foi estimado em 56kg de agrotóxico/trabalhador/ano. Elevados níveis de contaminação humana e ambiental foram encontrados nesta região, como decorrência do uso extensivo destes agentes químicos. A avaliação do impacto sobre a saúde humana implica o conhecimento e a visualização da importância/magnitude relativa de cada uma das vias de contaminação. Inúmeros fatores, que, em geral, encontram-se inter-relacionados, contribuem para a situação encontrada na Microbacia do Córrego de São Lourenço e a forma mais adequada de se avaliar toda a dimensão deste problema é o uso de uma abordagem integrada.
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Realizou-se um estudo transversal entre trabalhadores rurais na região serrana do Rio Grande do Sul. O objetivo foi estudar o perfil sócio-demográfico da população, conhecer as características do trabalho rural e descrever a prevalência de algumas patologias na população referida. A amostra foi de 1.479 trabalhadores, em 495 estabelecimentos agrícolas. Nesta amostra, a idade média foi de 41 anos, 56% eram do sexo masculino, com escolaridade média de cinco anos, sendo 87% da família proprietária. Os estabelecimentos tinham área média de 37 ha, 50% tinham pelo menos um tipo de máquina agrícola e a principal produção era a fruticultura. Cerca 75% dos trabalhadores lidavam com agrotóxicos de vários tipos e 12% referiram intoxicação por estes produtos em algum momento da vida. A prevalência de transtornos psiquiátricos menores foi de 36%, a freqüência anual de acidentes de trabalho foi 10%. Os dados revelam a diversidade de atividades e de riscos ocupacionais. As altas prevalências dos problemas de saúde avaliados alertam para a necessidade de se priorizar ações de proteção para a saúde do trabalhador rural.
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Várias substâncias químicas com atividade sobre o sistema endócrino têm sido amplamente utilizadas no Brasil tanto em atividades industriais quanto em outros ramos, como por exemplo, na agricultura. Alguns dados mostrando a contaminação de grupos populacionais brasileiros por substâncias supostamente possuidoras destas propriedades são apresentados neste trabalho. Entretanto, muito pouco, ou mesmo nada, se sabe sobre os efeitos que as mesmas têm sobre a saúde destas populações expostas, mostrando claramente a necessidade urgente de implementação de um programa destinado a esta finalidade.
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An analytical method was developed for determination of benzimidazole fungicides (carbendazim and thiabendazole) in fruits. Analyses were performed by HPLC with simple operating conditions. The use of a Kromasil new-generation silica-based stationary phase needed neither pH regulators nor competing compounds, usually added to the mobile phase to analyse basic compounds on reversed stationary phase. Validation studies proved that the chromatographic method had good repeatability, reproducibility and limit of detection. Sample preparation involved extraction with acetone followed by solvent partitioning with dichloromethane and petroleum ether. Extracts were purified through selective diol-bonded silica cartridges, replacing the usual laborious liquid-liquid partitioning procedure. Validation studies proved that the global method had satisfactory repeatability and recovery. Limits of detection were about 0.06 mg/kg.
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An on-chip enzymatic assay for screening organophosphate (OP) nerve agents, based on a pre-column reaction of organophosphorus hydrolase (OPH), electrophoretic separation of the phosphonic acid products, and their contactless-conductivity detection, is described. Factors affecting the enzymatic reaction, the separation and detection processes have been assessed and optimized. The complete bioassay requires 1 min of the OPH reaction, along with 1–2 min for the separation and detection of the reaction products. The response is linear, with detection limits of 5 and 3 mg/l for paraoxon and methyl parathion, respectively. Compared to conventional OPH-based biosensors, the OPH-biochip can differentiate between the individual OP substrates. The attractive behavior of the new OPH-based biochip indicates great promise for field screening of OP pesticides and nerve agents. The study demonstrates also for the first time the suitability of the contactless-conductivity detection for on-chip monitoring of enzymatic reactions.
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Two enzyme-linked immunosorbent assay (ELISA) methods were evaluated for the determination of 3,5,6-trichloro-2-pyridinol (3,5,6-TCP) in multiple sample media (dust, soil, food, and urine). The dust and soil samples were analyzed by a commercial RaPID immunoassay testing kit. The food and urine samples were analyzed by a laboratory-based 96-microwell plate immunoassay format. Methanol was used as the extraction solvent for the preparation of the dust and soil samples for analysis by both the ELISA and gas chromatography/mass spectrometry (GC/MS) procedures. Chlorobutane was used for extraction of the urine samples for each method. The food samples were extracted with methanol for GC/MS and with acidic methanol for ELISA. The percent difference of the duplicate RaPID assays ranged from 0 to 43.4% for dust and from 0 to 47.9% for soil. The percent relative standard deviation of the 96-microwell plate triplicate assays was 15% or less for food and urine samples. Quantitative recoveries of 3,5,6-TCP were obtained for the spiked dust, soil, food and urine samples by ELISA ranging from 71 to 102%. Quantitative recoveries (>90%) of 3,5,6-TCP were also obtained for these samples by the GC/MS procedure. The overall method precision of these samples was within ±10% using the GC/MS procedure. The immunoassay and GC/MS data were highly correlated, with correlation coefficients of 0.98 for dust, 0.98 for soil, 0.93 for food, and 0.98 for urine. Both ELISA methods can be used as quantitative monitoring tools for 3,5,6-TCP concentrations in dust, soil, food, and urine samples.
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The recent trends in the development of environmental analysis are reviewed with emphasis on the progress of extraction techniques, of methods of analysis of pesticide residues in food, of the search for chemical and biological agents released into the environment, and of analytical instrumentation. A variety of new sorbents have been synthesized for the extraction and concentration of pollutants, including general purpose adsorbents (e.g., porous polystyrene/divinylbenzene resins) and polymers imprinted for specific compounds. New, faster, more selective and sensitive methods have been developed to improve analytical performance, e.g., synthetic fibers in the air pollution, stirbars coated with polymethylsiloxane. Bidimensional gas chromatography has brought a considerable leap in separation power and sensitivity. Finally the combination of open tubular columns and miniaturized quadrupole mass spectrometer allows the rapid identification of viral agents or a wide variety of chemicals.
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How governments regulate food safety and environmental protection, including pesticide resi