ArticlePDF Available

As comunidades de aves em duas fisionomias da vegetação de Caatinga no estado do Piauí, Brasil

Authors:

Abstract

This work had as objective to analyze the communities of birds present in two distinct physiognomy in the domain of the Caatinga. Using the method of census for counting through fixed points, it was possible to register a total of 115 species of birds, distributed in 23 families. Arboreal caatinga presented in the study area 33 exclusive species, while in arbustive caatinga only 21 had been observed. Of the 18 considered species as endemic of the domain of Caatinga, 10 species (55.5%) are observed in the area of the study. Through cluster analysis ("to cluster"), it was possible to observe that the communities of birds are segregated in two distinct groups, a group related with caatinga arborea and another on catinga arbustiva. However, difference was not found significant among the average abundance of the species of birds of arboreal caatinga and arbustive caatinga (U = 6555; p 0,05). Also does not have differences verified between the six areas of sampling how much the relative abundance of the species of birds (H = 0.394; p 0,05). On the other hand, the data indicate that it has a distinction of which species are more abundant in each physiognomy. KEY-WORDS: Ecological analysis, Caatinga, Birds, Piaui. RESUMO. Este trabalho teve como objetivo analisar as comunidades de aves presentes em duas distintas fitofisionomias no domínio da Caatinga. Utilizando o método de censo por contagem através de pontos fixos, foi possível registrar um total de 115 espécies de aves, distribuídas em 23 famílias. A caatinga arbórea apresentou, na área de estudo, 33 espécies exclusivas, enquanto na caatinga arbustiva foram observadas somente 21. Das 18 espécies consideradas como endêmicas do Bioma Caatinga, 10 espécies (55.5%) estão presentes na área de estudo. Através de análise de agrupamento hierárquico ("cluster"), foi possível observar que as comunidades de aves estão segregadas em dois grupos distintos, um grupo relacionado com caatinga arbórea e outro ligado a caatinga arbustiva. Entretanto, não foi encontrada diferença significativa entre a abundância média das espécies de aves de caatinga arbórea e caatinga arbustiva (U = 6555; p 0,05). Também não há diferenças verificadas entre as seis áreas de amostragem quanto a abundância relativa das espécies de aves (H = 0.394; p 0,05). Por outro lado, os dados indicam que há uma distinção de quais espécies são mais abundantes em cada fitofisionomia. PALAVRAS-CHAVE: Análise Ecológica, Caatinga, Aves, Piauí.
A Caatinga ocupa grande parte do nordeste brasileiro,
cobrindo uma área em torno de 800.000 km2 (Ab’Saber 1974,
Fernandes 1999). Estende-se de 2º 54’ S até 17º 21’S
(Andrade-Lima 1981). O clima influencia bastante a
Caatinga, neste bioma foi assinalada a mais forte insolação e
a mais baixa nebulosidade; as mais altas médias térmicas
(26º-29ºC) e as mais baixas percentagens de umidade
relativa; as mais elevadas taxas de evaporação e, sobretudo,
as mais escassas e irregulares precipitações pluviais (250-800
mm anuais), que são extremamente sazonais e limitadas a um
curto período do ano (2 a 3 meses) (Nimer 1972, Reis 1976).
Especificamente no estado do Piauí, essa formação
vegetal ocupa grande parte da porção leste deste estado,
situando-se na sub-região da depressão periférica crateús-
Parnaguá e sub-região dos altos platôs Araripe-Ibiapaba,
junto a divisa com os estados do Ceará, Pernambuco e Bahia
(CEPRO 1984). A Caatinga representa cerca de 30% da área
total do estado Piauí (CEPRO 1996).
Estudos sobre preferências ecológicas de comunidades de
aves tem sido realizados em diversos biomas brasileiros nas
últimas décadas (Novaes 1970, Negret 1983, Silva e Cons-
tantino 1988, Bierregaard 1990, Aleixo e Vielliard 1995,
Santos 2001a). No entanto, a Caatinga continua sendo o Bioma
com menor grau de conhecimento biológico dentro do País.
As comunidades de aves em duas fisionomias da vegetação de Caatinga no
estado do Piauí, Brasil
Marcos Pérsio Dantas Santos
Universidade Federal do Piauí, Departamento de Biologia – TROPEN – Núcleo de Referência em Ciências Ambientais do Trópico Ecotonal
do Nordeste. Av. Universitária, 1310, Ininga, Teresina – Piauí, Brazil. 64.0449-550. persio@ufpi.br; marcospersio@uol.com.br
Recebido em 07 de maio de 2004; aceito em 19 de julho de 2004
Ararajuba 12 (2):113-123
Dezembro de 2004
ABSTRACT. This work had as objective to analyze the communities of birds present in two distinct physiognomy in the
domain of the Caatinga. Using the method of census for counting through fixed points, it was possible to register a total of
115 species of birds, distributed in 23 families. Arboreal caatinga presented in the study area 33 exclusive species, while in
arbustive caatinga only 21 had been observed. Of the 18 considered species as endemic of the domain of Caatinga, 10
species (55.5%) are observed in the area of the study. Through cluster analysis (“to cluster”), it was possible to observe that
the communities of birds are segregated in two distinct groups, a group related with caatinga arborea and another on catinga
arbustiva. However, difference was not found significant among the average abundance of the species of birds of arboreal
caatinga and arbustive caatinga (U = 6555; p 0,05). Also does not have differences verified between the six areas of
sampling how much the relative abundance of the species of birds (H = 0.394; p 0,05). On the other hand, the data indicate
that it has a distinction of which species are more abundant in each physiognomy.
KEY-WORDS: Ecological analysis, Caatinga, Birds, Piaui.
RESUMO. Este trabalho teve como objetivo analisar as comunidades de aves presentes em duas distintas fitofisionomias no
domínio da Caatinga. Utilizando o método de censo por contagem através de pontos fixos, foi possível registrar um total de
115 espécies de aves, distribuídas em 23 famílias. A caatinga arbórea apresentou, na área de estudo, 33 espécies exclusivas,
enquanto na caatinga arbustiva foram observadas somente 21. Das 18 espécies consideradas como endêmicas do Bioma
Caatinga, 10 espécies (55.5%) estão presentes na área de estudo. Através de análise de agrupamento hierárquico (“cluster”),
foi possível observar que as comunidades de aves estão segregadas em dois grupos distintos, um grupo relacionado com
caatinga arbórea e outro ligado a caatinga arbustiva. Entretanto, não foi encontrada diferença significativa entre a abundância
média das espécies de aves de caatinga arbórea e caatinga arbustiva (U = 6555; p 0,05). Também não há diferenças
verificadas entre as seis áreas de amostragem quanto a abundância relativa das espécies de aves (H = 0.394; p 0,05). Por
outro lado, os dados indicam que há uma distinção de quais espécies são mais abundantes em cada fitofisionomia.
PALAVRAS-CHAVE: Análise Ecológica, Caatinga, Aves, Piauí.
Especificamente com relação as aves, sabe-se que esse
grupo animal possui especializações únicas e aparentemente
responde, de forma diferente dos outros grupos de vertebra-
dos terrestres, às mudanças na composição e estrutura do
hábitat (MacArthur 1964, MacArthur et al. 1966, Karr e
Roth 1971, Wiens e Rotenberry 1981, Askins et al. 1987,
Wiens 1989, Sick 1997). Como a Caatinga é o bioma em que
se registra alguns dos valores meteorológicos mais extremos
dentro do Brasil, espera-se que a biota local apresente
adaptações peculiares a sobrevivência local, tornando-se uma
região especialmente importante para estudos sobre as inter-
relações das comunidades bióticas em um ambiente xérico.
Por outro lado, do ponto de vista da vegetação, existe
uma certa discussão sobre a caracterização fitogeográfica da
Caatinga. Brasil (1973) identificou apenas 03 fisionomias
para a Caatinga, arbórea, arbustiva e parque. Posteriormente
Rizzini (1979) detalhou essa caracterização fitogeográfica,
identificando cinco tipos fisionômicos principais de caatinga:
(a) caatinga agrupada; (b) caatinga arbustiva esparsa; (c)
caatinga arbustiva densa; (d) caatinga arbustiva com
suculentas, e (e) caatinga arbórea. Aumentando ainda mais o
nível de detalhamento, Andrade-Lima (1981) sugeriu seis
unidades de caatinga. Por fim, Fernandes e Bezerra (1990)
reconhecem apenas duas grandes fisionomias, a caatinga
114 Marcos Pérsio Dantas Santos
arbórea e a caatinga arbústica/subarbustiva. De um modo
geral, os autores em maior ou menor grau de detalhamento
perecem reconhecer duas grandes paisagens na Caatinga,
uma de porte florestal e outra de porte arbustiva.
Diante desse contexto, esse estudo tem como objetivo
analisar as comunidades de aves presentes em duas fisiono-
mias distintas da Caatinga, aqui tratadas de caatinga arbórea
e caatinga arbustiva, a fim de verificar suas relações ecoló-
gicas quanto a composição de espécies, abundância relativa e
estrutura trófica.
ÁREA DE ESTUDO E MÉTODOS
O local escolhido para a realização deste trabalho com-
preende as formações de caatinga arbórea e caatinga arbus-
tiva encontradas nos Municípios de Curimatá, Morro Cabeça
no Tempo e Parnaguá, limite sul da distribuição da Caatinga
dentro do estado do Piauí (Figura 1). Essa área foi escolhida
por ainda apresentar um relativo grau de integridade na
cobertura vegetal nativa, haver baixo índice de ocupação
humana e facilidade de acesso.
O presente trabalho foi realizado no período de fevereiro
a abril de 2000, coincidindo com a época chuvosa na região,
período em que se verifica o pico do período reprodutivo das
comunidades de aves na região da caatinga no sul do estado
do Piauí.
Classificação das paisagens
No sul do estado do Piauí, Brasil (1973) reconheceu duas
unidades fitofisionômicas de caatingas: (a) caatinga arbórea
e (b) caatinga arbustiva. A seguir cada uma dessas classes será
descrita conforma a classificação proposta por Brasil (1973):
(a) Caatinga Arbórea – Fisionomia de porte florestal,
com árvores cujas copas tocam-se, não permitindo
assim a visualização dos estratos inferiores. Apresen-
tam caducifolia durante o período de seca. Schnopsis
brasiliensis, Astronium urundeuva, Ziziphus joazeiro
e Caesalpinia pyramidalis, são os elementos típicos
dessa classe.
(b) Caatinga Arbustiva – Caracteriza-se pela uniformi-
dade do estrato arbustivo, entremeadas por plantas
espinhosas como cactáceas e bromeliáceas. Apresenta
como espécies mais representativas Mimosa acusti-
pula, Leocereus squamosus, Anadenanthera macro-
carpa, Bromelia laciniosa, Pilocereus gounellii e
Caesalpinia microphylla.
Análise quantitativa
Para o levantamento das espécies foram realizadas conta-
gens através do método de pontos com raio fixo (Bibby et al.
1992). Com base no estado de conservação e acesso, foram
selecionadas 3 áreas de amostragem para cada um dos dois
tipos de caatingas diagnosticadas na região, totalizando,
portanto, 6 áreas (Figura 2; Tabela 1). Em cada área, foram
Figura 1. Localização da área de estudo, no sul do Estado do Piauí.
Figura 2. As regiões
de caatinga arbórea e
caatinga arbustiva no
sul do Estado do
Piauí, com as seis lo-
calidades estudadas.
115
As comunidades de aves em duas fisionomias da vegetação de Caatinga no estado do Piauí, Brasil
Tabela 1. Localidades analisadas por tipo fisionômico de caatinga.
Localidades Município Latitude Longitude Paisagem
Faz. Espinhos Curimatá 10º 07´ 44º 13´ Caatinga Arbórea (1)
Faz. Coqueirinho Parnaguá 10º 07´ 44º 28´ Caatinga Arbórea (2)
Faz. Serra Negra Morro Cabeça no Tempo 09º 48´ 44º 04´ Caatinga Arbórea (3)
Faz. Pedrinhas Parnaguá 10º 14´ 44º 42´ Caatinga Arbustiva (1)
Faz. Tábua Lascada Parnaguá 10º 12´ 44º 44´ Caatinga Arbustiva (2)
Faz. Jatobá Parnaguá 10º 24´ 44º 43´ Caatinga Arbustiva (3)
estabelecidos 30 pontos de contagem, os quais eram separa-
dos entre si por pelo menos 200 m e trabalhados por dois dias
consecutivos. Esses pontos foram escolhidos a fim de
amostrar a maior parte da diversidade de hábitats existente
dentro de cada área. O raio estabelecido foi de 25 metros. Os
pontos eram demarcados previamente e marcas de referência
(fitas plásticas coloridas) eram colocadas em árvores pró-
ximas para auxiliar a estimativa da distância da ave em rela-
ção ao centro do ponto. A duração de cada contagem foi de
10 minutos, sendo realizada entre 6h:00min às 10h:30min.
Foram sorteados 15 pontos em cada um dos dois dias de
amostragem em cada área. Durante as contagens foram
registrados os nomes e número de indivíduos de cada espécie
encontrada dentro e fora do raio fixo. O índice de abundância
foi calculado, dividindo-se o número total de indivíduos
registrados dentro do raio de 25 metros, pelo total de pontos
realizados em cada área de amostragem (Wunderle 1994).
Guildas tróficas
As dietas foram determinadas através de três dados
básicos: (1) registro de campo, (2) fezes coletadas através das
capturas com redes, e (3) bibliografia (Moojen et al. 1941,
Hempel 1949, Schubart et al. 1965, Silva e Oniki 1988, Sick
1997). As categorias tróficas consideradas foram: F (frugí-
voro), O (onívoro), C (carnívoro/vertebrado), Cp (carnívoro/
piscívoro), Ci (carnívoro/invertebrado), D (detritívoro), G
(granívoro), N (nectarívoro). Em cada local de amostragem
por censos, utilizou-se de forma paralela, redes de neblina
(36mm 12 x 2,5m) de modo a obter dados complementares
sobre a composição de espécies e dados sobre vestígios
alimentares contidos nas fezes depositadas nos sacos de
contenção. Para esse procedimento foram utilizadas 10 redes
de neblina, distribuídas em duas baterias de 5 redes cada. As
redes eram abertas as 6:00 e fechadas as 11:00 e reabertas as
16:00 e fechadas as 18:00 diariamente.
Estimativa de riqueza de espécies
A riqueza de espécies foi definida como o número de
espécies amostradas através do censo e a estimativa de
espécies esperadas foi calculada através do estimador de
primeira ordem Jackknife (Burham e Overton 1978). Foram
verificadas as espécies com apenas um ou dois indivíduos no
total de amostras (Singletons e Doubletons respectivamente).
E ainda as espécies que ocorrem em apenas uma ou duas
amostras (Únicos e Duplos, respectivamente).
Para estas análises utilizou-se o programa ESTIMATES
6b1.
Análises estatísticas
A análise de similaridade entre os hábitats foi realizada
com auxílio do software MVSP (Multivariate Statistical
Package 3.1.), utilizando-se o índice de Sorensen (inci-
dência) para composição de espécies e o índice de Morisita-
Horn (abundância) para análise da abundância. Ambos foram
realizadas pelo método de ligação pela média de grupos
(UPGMA).
O teste de Kruskal-Wallis (H) (teste de variância não
paramétrico para análise de médias de k amostras indepen-
dentes), foi utilizado para verificar se haviam diferenças na
abundância entre as diferentes áreas de amostragem. O teste
de Mann-Whitney (U) (teste estatístico não-paramétrico para
duas amostras independentes) foi utilizado para verificar se
haviam diferenças na abundância entre as fisionomias,
caatinga arbórea e arbustiva.
Todos os testes estatísticos foram realizados com auxílio
dos programas BIOESTAT 2.0 e SYSTAT 6.0.1.
A seqüência taxonômica segue a lista oficial de aves
brasileiras, normalizada pelo Comitê Brasileiro de Registros
Ornitológicos (CBRO).
RESULTADOS
Riqueza e composição de espécies
Um total de 115 espécies de aves, distribuídas em 23
famílias, foi registradas para a área de estudo. A caatinga
arbórea apresentou 33 espécies exclusivas, enquanto a
Caatinga arbustiva apresentou apenas 21 (Apêndice 1). Do
total de espécies observadas na área de estudo, apenas 13
(3,38%) não estão presentes na lista de 384 espécies de aves
registradas para a Caatinga (Pacheco e Bauer 2000), mas
constam na mais recente atualização da lista de aves da
Caatinga (Silva et al. 2003). As famílias com maior riqueza
de espécies foram Tyrannidae (26 spp.), Emberizidae (18
spp.), Formicariidae (8 spp) e Furnariidae (7 spp).
Das 18 espécies consideradas como endêmicas da
caatinga (Stotz et al. 1996, Pacheco e Bauer 2000), 10
116 Marcos Pérsio Dantas Santos
espécies (55,5%) estão presentes na área de estudo. São elas:
Penelope jacucaca, Aratinga cactorum, Anopetia gounellei,
Caprimulgus hirundinaceus, Picumnus pygmaeus, Herpsi-
lochmus sellowi, Hylopezus ochroleucus, Gyalophylax
hellmayri, Megaxenops parnaguae e Paroaria dominicana.
O número de espécies esperadas através do estimador de
primeira ordem Jackknife é de 146 espécies (Figura 3). Como
foram registradas 115 espécies e estimadas 146, segundo o
estimador de riqueza 31 espécies ainda não teriam sido
registradas.
Os “Singletons” e “ Dubletons” representaram 14 e 5
espécies, respectivamente e os “Únicos” e “Duplos” repre-
sentam respectivamente 36 e 27 espécies da amostra total.
As espécies representadas por apenas um ou dois indivíduos
nas amostras (Singletons e doubletons) representam 16,52 %
das espécies. E as espécies que ocorrem em apenas uma ou
duas amostras (únicos e duplos) representam 54,78% (Figura
4). Há uma tendência de estabilização das curvas de
acumulação de “Singletons”, “Doubletons”, Únicos e duplos,
mas essa tendência é quebrada quando há uma mudança na
fisionomia, indicando um incremento de novas espécies, e
conseqüentemente uma diferença na composição de espécies
de aves entre as fisionomias de caatinga estudadas (Figura 4).
Através da análise da composição de espécies por agru-
pamento hierárquico aglomerativo utilizando-se o índice de
similaridade de Sorensen (Incidência), foi possível observar
que as comunidades de aves reúnem-se em dois grupos
distintos, caatinga arbórea e caatinga arbustiva (Figura 5).
Figura 4. Curva de acu-
mulação de espécies
(Singletons, Double-
tons, Únicos e Duplos).
Figura 3. Curva de acu-
mulação de espécies
para os três locais de
amostragem em caatin-
ga arbórea e três em ca-
atinga arbustiva, no sul
do Estado do Piauí
(Utilizando o estimador
de riqueza de espécies
Jackknife 1).
117
As comunidades de aves em duas fisionomias da vegetação de Caatinga no estado do Piauí, Brasil
Figura 5. Análise de agrupamento hierárquico da ordenação e clas-
sificação dos locais de amostragem (caatinga arbórea e caatinga
arbustiva), baseada na incidência das espécies. Método de média de
grupo (UPGMA), índice de Sorensen.
Figura 6. Abundância relati-
va da avifauna em caatinga
arbórea no sul do estado do
Piauí, Brasil.
Figura 7 – Abundância relati-
va da avifauna em caatinga
arbustiva no sul do estado do
Piauí, Brasil.
Abundância relativa
Não há diferença significativa entre a abundância média
das espécies da caatinga arbórea e caatinga arbustiva (U =
6555; p>0,05). Também não foram verificadas diferenças
entre as seis áreas de amostragem quanto a abundância
relativa das espécies de aves (H = 0,394; gl = 5; p > 0,05).
A curva de abundância das espécies para a caatinga
arbórea demonstrou haver pouca dominância de uma só
espécie, e uma distribuição mais eqüitativa dentro da comu-
nidade (Figura 6). A curva para as espécies da caatinga
arbustiva demonstra que neste ambiente há uma dominância
de duas espécies e conseqüentemente uma menor diversidade
(Figura 7).
Utilizando os dados de abundância relativa realizou-se
uma análise de agrupamento hierárquico aglomerativo
0,000
0,200
0,400
0,600
0,800
1,000
1,200
1,400
1 21416181101
Espécies
Abundãncia relativa
118 Marcos Pérsio Dantas Santos
utilizando-se o índice de similaridade de Morisita-Horn
(Abundância), através do qual foi possível observar que os
locais de amostragem igualmente ao dados de incidência
também reúnem-se em dois grupos distintos, caatinga arbórea
e caatinga arbustiva (Figura 8).
Entre as 10 espécies com maior abundância relativa na
caatinga arbórea e caatinga arbustiva há uma diferença de
seis espécies (Tabela 2). Na caatinga arbórea, Furnarius
figulus é a espécie com maior abundância, seguido por
Columbina squammata e Cyanocorax cyanopogon. Já na
caatinga arbustiva, Cyanocorax cyanopogon é a espécie com
maior abundância, seguida por Columbina squammata e
Thamnophilus pelzelni.
Análise das comunidades de aves por guildas tróficas
A análise das guildas tróficas ocupadas pelas espécies de
aves registradas na região da Caatinga, sul do estado Piauí,
demonstrou um predomínio das espécies carnívoro/inverte-
brado (39%), seguidas das onívoras (25,2%), frugívoras (22
spp.; 9%) e granívoras (16 spp.; 6,3%), para ambas as
fisionomias de caatinga encontradas na região. As menos
representativas se encontram nas espécies com sobreposição
de guildas, onívora detritivoras e frugívoro granívoras (01 sp,
0,4%) (Figura 9 e 10).
DISCUSSÃO
O número total de aves registradas na caatinga é de
aproximadamente 510 espécies (Silva et al. 2003). Se
considerarmos a estimativa do método Jacknife com 146
espécies para a região de estudo, teríamos então uma riqueza
de espécies dentro dos padrões esperados para sítios dentro
do bioma Caatinga, uma vez que existe grande variação no
número de espécies entre os locais inventariados até o
momento dentro desse bioma. A Estação Ecológica do
Seridó, (RN) com 116 spp., Estação Ecológica de Aiuaba,
(CE) com 154 spp. (Nascimento 2000), a Floresta Nacional
do Araripe, (CE) com 155 spp. (Nascimento & Neto 1996), o
Parque Nacional da Serra da Capivara, (PI) 208 spp. (Olmos
1993), e o Parque Nacional da Serra das Confusões, (PI) com
222 spp. (Silveira & Santos em preparação).
Apesar da curva de acumulação de espécie indicar uma
tendência a estabilização, o número relativamente baixo de
espécies registradas através do censo pode estar relacionado
com o alto percentual de “Singletons” e “ Dubletons
(16,52%), sugerindo a presença de muitas espécies de hábitos
conspícuos ou discretos, as quais são menos suscetíveis a
registros por este tipo de metodologia.
Quanto a composição de espécies envolvendo as duas
fisionomias de caatinga estudadas, houve uma clara separa-
ção entre as comunidades de aves presente na caatinga
arbórea e caatinga arbustiva. A Caatinga arbórea apresenta
uma comunidade vegetal mais complexa e estruturalmente
mais diversificada em relação a caatinga arbustiva (Andrade-
Lima 1981). Como as espécies de aves da Caatinga são
essencialmente independentes ou semi-dependentes de
Figura 8. Análise de agrupamento hierárquico da ordenação e clas-
sificação dos locais de amostragem (caatinga arbórea e caatinga
arbustiva), baseada na abundância relativa das espécies. Método de
média de grupo (UPGMA), índice de Morisita-Horn.
CAATINGA ARBÓREA CAATINGA ARBUSTIVA
A. R. Espécie A. R. Espécie
1.278 Furnarius figulus 1.067 Cyanocorax cyanopogon
1.011 Columbina squammata 1.011 Columbina squammata
1.000 Cyanocorax cyanopogon 0.733 Thamnophilus pelzelni
0.956 Paroaria dominicana 0.622 Conirostrum speciosum
0.933 Thamnophilus pelzelni 0.600 Aratinga cactorum
0.911 Leptotila verreauxi 0.511 Nemosia pileata
0.789 Coryphospingus pileatus 0.389 Leptotila verreauxi
0.700 Pseudoseisura cristata 0.389 Myiarchus tyrannulus
0.622 Pitangus sulphuratus 0.378 Tolmomyias flaviventris
0.522 Formicivora grisea 0.367 Brotogeris chiriri
* A. R. – Abundância Relativa
Tabela 2. Lista das 10 espécies com maior abundância relativa na caatinga arbórea e caatinga arbustiva, sul do Piauí, Brasil.
119
As comunidades de aves em duas fisionomias da vegetação de Caatinga no estado do Piauí, Brasil
0
10
20
30
40
50
C i O G F N F; G O ;D C F;C i C ;C i
Gu idas tróficas
Percentual de espécies
0
10
20
30
40
50
60
Ci O G F N F;G C;Ci O;D C F;Ci
Categorias tróficas
Percentual de espécies
Figura 9. Distribuição das guildas tróficas das espécies registradas
na fisionomia de caatinga arbórea, sul do Piauí, Brasil. F:
frugívoro; O: onívoro; C: carnívoro; Ci: carnívoro/invertebrado; D:
detritívoro; G: granívoro; N: nectarívoro.
Figura 10. Distribuição das guildas tróficas das espécies registradas
na fisionomia de caatinga arbustiva, sul do Piauí, Brasil. F:
frugívoro; O: onívoro; C: carnívoro; Ci: carnívoro/invertebrado; D:
detritívoro; G: granívoro; N: nectarívoro.
formações florestais (Santos 2001b), os resultados encontra-
dos possivelmente refletem um padrão de distinção das
comunidades de aves presentes em uma formação de porte
arbóreo (florestal) de outra formação de porte arbustivo.
Muitas espécies possuem hábitos e hábitats específicos
dentro da caatinga, Gyalophylax hellmayri por exemplo, que
é uma espécie de hábitos discretos prefere a caatinga
arbustiva com bromélias. Outras espécies típicas da Caatinga
também apresentam especificidade por hábitats, Herpsi-
lochmus sellowi esta relacionado com a caatinga arbórea,
estando sempre no dossel dessa fisionomia, enquanto
Hylopezus ochroleucus é encontrado preferencialmente no
solo da caatinga arbórea, mesmo que eventualmente seja
observado em caatinga arbustiva.
Com relação a abundância relativa, apesar da análise de
agrupamento hierárquico e classificação dos locais de amos-
tragem haver demonstrado uma distinção entre caatinga
arbórea e arbustiva, estatisticamente não há diferença
significativa entre as duas fisionomias. As curvas de abun-
dância revelam que na caatinga arbórea tem-se uma
distribuição mais eqüitativa entre as espécies com uma menor
dominância específica quando comparado com a curva
gerada para a caatinga arbustiva que além de apresentar uma
distribuição menos eqüitativa tem uma dominância específica
relativamente alta.
É possível que a variação da abundância relativa das
espécies de aves presentes na Caatinga, esteja mais relacio-
nada com a sazonalidade ao longo do ano (seca e chuva) do
que por questões de complexidade do hábitat. Há na Caatinga
uma dependência das espécies pelo clima. É marcante a
explosão reprodutiva no período chuvoso, no qual as espécies
tem três a quatro meses para realizar todas as etapas de
procriação. Infelizmente ainda não há trabalhos envolvendo
esta questão, e ausência de dados que comprovem essa
característica peculiar de uma fauna adaptada para regiões
xéricas.
A análise das guildas tróficas ocupadas pelas espécies de
aves registradas tanto na caatinga arbórea quanto na caatinga
arbustiva, revelaram que ambas as fisionomias apresentam
um predomínio de carnívoros/insetívoros, seguido por
onívoros, frugívoros e granívoros. Esse padrão na composição
das guidas tróficas é semelhante ao registrado por Almeida
(1982) em matas ciliares no estado de São Paulo, Motta-
Júnior (1990) também em São Paulo, Negret (1983) na região
do cerrado no Distrito Federal, e Terborgh et al. (1990) em
área da floresta Amazônica.
De modo geral, os resultados apontaram para uma
distinção na composição entre os dois tipos fisionômicos de
caatinga, porém não sugerem diferenças significativas tanto
na abundância relativa quanto na composição das guildas
tróficas.
Este trabalho é pioneiro a tratar especificamente sobre as
preferências ecológicas das aves da Caatinga. Espera-se que
os resultados aqui apresentados sirvam de base para futuras
comparações, de modo a permitir que em algum tempo seja
possível traçar o padrão ecológico geral das aves da Caatinga,
e que tais dados possam influenciar na tomada de decisões
sobre políticas públicas que gerem recursos efetivos para a
conservação desse que, apesar de exclusivamente brasileiro, é
o menos conhecido dentre os biomas do país.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a José Maria Cardoso da Silva pela orientação
e críticas, a José Fernando Pacheco pelo apoio e sugestões ao
manuscrito, ao revisor anônimo pelas valiosas críticas e
correções, a Elinete Batista Rodrigues e Carlos Alberto pela
ajuda em campo. Agradeço também ao IBAMA/PI pelo apoio
e logística, ao WWF-Brasil pelo suporte financeiro (CSR-
178-00) e CAPES por conceder bolsa de mestrado.
REFERÊNCIAS
Ab’saber, A. N. (1974) O domínio morfoclimático semi-árido das
caatingas brasileiras. Geomorfologia. Universidade de São
Paulo – Instituto de Geografia, São Paulo, 1-39p.
Aleixo, A. e , J. M. E. Vielliard (1995) Composição e dinâmica da
120 Marcos Pérsio Dantas Santos
avifauna da mata de Santa Genebra, Campinas, São Paulo,
Brasil. Rev. Bras. Zool. 12:493-511.
Almeida, A. F. (1982) Análise das categorias de nichos tróficos das
aves de matas ciliares em Anhembi, estado de São Paulo.
Silvic. SP., São Paulo 15:1787-1795.
Andrade-Lima, D. (1981) The caatingas dominium. Rev. Bras. Bot.
4:149-153.
Askins, R. A., M. J. Philbrick, e D. S. Sugeno (1987) Relationship
between the regional abundance of forest and the composition
of forest bird communities. Biological Conservation. 39:129-
152.
Bibby, C. J., N. D. Burgess, e D. A. Hill (1992) Bird census
techniques. Orlando: Academic Press. 280p.
Bierregaard, R. O. (1990) Species composition and trophic
organization of the understory burd community in a central
Amazonian terra firme forest. p. 217-234. IN: A. Gentry, (ed.)
Four Neotropical rainforests. New Haven: Yale University
Press.
Brasil. (1973) Parte das Folhas SC 23 Rio são Francisco e SC 24
Aracaju. Departamento Nacional de Produção Mineral. Projeto
RADAM (Levantamento dos recursos Naturais) Vol. 1.
Burnham, K. P. e W. S. Overton (1978) Estimation of the size of a
closed population when capture probalities vary among animals.
Biometrika 65:623-633.
Cepro, (1984) Diagnóstico das condições ambientais do estado do
Piauí. Teresina, PI. P. 191-277.
Cepro, (1996) Piauí: Caracterização do quadro natural. Teresina,
Fundação CEPRO. 116p.
Fernandes, A. (1999) Província das Caatingas ou Nordestinas.
Anais da Academia Brasileira de Ciências 71:299-310.
Fernandes, A. e P. Bezerra, (1990) Estudo fitogeográfico do Brasil.
Fortaleza, Stylus Comunicações, 205p.
Hempel, A. (1949). Estudo da alimentação natural das aves
silvestres do Brasil. Arq. Inst. Biol. S. Paulo. 19:237-268.
Karr, J.R. e R. Roth, (1971) Vegetation structure and avian
diversity in several new areas. The American Naturalist.
105:423-435.
Macarthur, R. (1964) Environmenatl factors affecting bird species
diversity. The American Naturalist. 48(903):387-397.
Macarthur, R.; H. E. Recher e M. Cody (1966) On the relation
between habitat selection and species diversity. American
Naturalist. 100:319-332.
Moojen, J.; J. C. M. Carvalho e H. S. Lopes, (1941) Observações
sobre o conteúdo gástrico das aves brasileiras. Mem. Inst.
Oswaldo Cruz 36:405-444.
Motta-Júnior, J. C. (1990) Estrutura trófica e composição das
avifaunas de três hábitats terrestres na região central do estado
de São Paulo. Ararajuba 1:65-71.
Nascimento, J. L. X. (2000). Estudo comparativo da avifauna em
duas Estações Ecológicas da Caatinga: Aiuaba e Seridó.
Melopsittacus. 3:12-35.
Nascimento, J. L. X. e A. S. Neto (1996) Aves da Estação
Ecológica de Aiuaba, Ceará. Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. IBAMA –
Brasília. 28p.
Negret, A. J. (1983) Diversidade e abundância da avifauna na
Reserva Ecológica do IBGE – Brasília/DF. Tese de mestrado
em ecologia. Brasília, Universidade de Brasília.
Nimer, E. (1972) Climatologia da Região Nordeste do Brasil:
introdução à climatologia Dinâmica. R. Bras. Geog. 34:3-51.
Novaes, F. C. (1970) Distribuição ecológica e abundância das aves
em um trecho da mata do baixo Rio Guamá, Pará. Bol. Mus.
Paraense E. Goeldi, sér. Zool. 71:1-54.
Olmos, F. (1993) Birds of Serra da Capivara National Park, in the
“Caatinga” of north-eastern Brazil. Bird Conservation Interna-
tional 3:21-36.
Pacheco, J. F. e C. Bauer (2000) As aves da Caatinga – Apreciação
histórica do processo de conhecimento. Workshop Avaliação e
identificação de ações prioritárias para a conservação,
utilização sustentável e repartição de benefícios da biodiver-
sidade do bioma Caatinga. Relatório do Grupo Temático Aves.
Petrolina. 60p.
Reis, A. C. S. (1976) Clima da caatinga. Anais da Academia
Brasileira de Ciências 48: 325-335.
Rizzini, C. T. (1979) Tratado de fitogeografia do Brasil. Editora de
Humanismo, Ciências e Tecnologia Hugitec LTDA e Editora da
Universidade de São Paulo. S. Paulo – Brasil.
Santos, M. P. D. (2001a) Composição da avifauna nas áreas de
proteção ambiental Serra da Tabatinga e Chapada das Manga-
beiras, Brasil. Bol. Mus. Paraense E. Goeldi, sér. Zool. 17:43-
67.
Santos, M. P. D. (2001b). Análise biogeográfica da avifauna de um
área de tansição Cerrado-Caatinga no centro sul do Piauí,
Brasil. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação
em Zoologia do MPEG/UFPA. 103p.
Schubbart, O., A. C. Aguirre e H. Sick (1965) Contribuição para o
conhecimento da alimentação das aves brasileiras. Arq. Zool.
São Paulo 12:95-249.
Sick, H. (1997) Ornitologia Brasileira: uma introdução. Nova
Fronteira, Ed, Rev. Amp. por José Fernado Pacheco. Nova
Fronteira, Rio de Janeiro 912p.
Silva, J. M. C. e R. Constantino (1988) Aves de um trecho de mata
no baixo rio Guamá – uma reanálise: riqueza, raridade,
diversidade, similaridade e preferências ecológicas. Bol. Mus.
Paraense E. Goeldi, sér. Zool. 4:201-210.
Silva, J. M. C e Y. Oniki, (1988) Lista Preliminar da Avifauna da
Estação Ecológica Serra das Araras, Mato Grosso, Brasil. Bol.
Mus. Para. Emílio Goeldi, sér. Zool., 4:123-143.
Silva, J. M. C., M.A. Souza, A.G.D. Bieber e C.J. Carlos (2003).
Aves da Caatinga: Status, uso do habitat e sensitividade, p.237-
273. Em: I. R Leal, M. Tabarelli e J. M. C. Silva (eds.)
Ecologia e conservação da Caatinga . Recife, PE. Ed.
Universitária da UFPE.
Stotz, D. F., J. W. Fitzpatrick, T. A. Parker e D. K. Moskovits
(1996) Neotropical Birds: Ecology and Conservation. The
University of Chicago Press. 478p.
Terborgh, J., S. K. Robinson, T. A. Parker, C. A. Munn e N.
Pierpont, (1990) Structure and organization of amazonian forest
bird community. Ecological Monographs. 60:213-238.
Wiens, J. A. e J. Rotenberry (1981) Habitat associations and
community structure of bird in shrubsteppe environments.
Ecological Monographs. 51:21-41.
Wiens, J. A. (1989) The ecology of bird communities. Cambridge
University Press. Vols. 1 e 2.
Wunderle, J. M. (1994) Census methods for caribben land birds.
General Technical Report SO-98. New Orleans, LA: U.S.
Department of Agriculture, Forest Service, Southern Forest
Experiment Station. 26p.
121
As comunidades de aves em duas fisionomias da vegetação de Caatinga no estado do Piauí, Brasil
Família TINAMIDAE
Crypturellus noctivagus 1 0 O 0.033 0.000
Crypturellus parvirostris 1 0 O 0.100 0.000
Crypturellus tataupa 1 0 F 0.022 0.000
Nothura boraquira 0 1 F;Ci 0.000 0.011
Família ACCIPITRIDAE
Gampsonys swainsonii 1 0 C;Ci 0.011 0.000
Rupornis magnirostris 1 0 C;Ci 0.500 0.000
Família FALCONIDAE
Micrastur semitorquatus 1 0 C 0.011 0.000
Milvago chimachima 1 1 O;D 0.022 0.011
Caracara plancus 0 1 O 0.000 0.011
Falco femoralis 1 0 C;Ci 0.011 0.000
Família CRACIDAE
Penelope jacucaca *1 0 F 0.033 0.000
Família RALLIDAE
Aramides cajanea 0 1 O 0.000 0.011
Família COLUMBIDAE
Columba picazuro 1 1 G;F 0.022 0.011
Columbina minuta 1 0 G 0.178 0.000
Columbina talpacoti 1 1 G 0.356 0.211
Claravis pretiosa 1 0 G;F 0.022 0.000
Columbina squammata 1 1 G 1.011 1.011
Leptotila verreauxi 1 1 G;F 0.911 0.389
Família PSITTACIDAE
Aratinga cactorum *1 1 F;G 0.189 0.600
Aratinga aurea 0 1 F;G 0.000 0.033
Forpus xanthopterygius 1 1 F 0.211 0.111
Brotogeris chiriri 1 1 F 0.022 0.367
Família CUCULIDAE
Piaya cayana 1 1 Ci 0.100 0.100
Crotophaga ani 1 1 O 0.089 0.100
Crotophaga major 1 1 O 0.500 0.033
Guira guira 1 0 Ci 0.056 0.000
Tapera naevia 1 0 Ci 0.011 0.000
Família CAPRIMULGIDAE
Podager nacunda 1 0 Ci 0.011 0.000
Caprimulgus hirundinaceus *1 0 Ci 0.022 0.000
Família TROCHILIDAE
Phaethornis pretei 1 1 N 0.089 0.033
Anopetia gounellei *1 1 N 0.011 0.022
Campylopterus largipennis 1 0 N 0.056 0.000
Chrysolampis mosquitus 1 1 N 0.044 0.022
Chlorostilbon aureoventris 1 1 N 0.067 0.133
Família TROGONIDAE
Trogon curucui 0 1 O 0.000 0.078
APÊNDICE 1 - Lista geral de espécies. Legenda. Guilda: F (frugívoro), O (onívoro), C (carnívoro/vertebrados), Cp (carnívoro/piscívoro), Ci
(carnívoro/invertebrado), D (detritívoro), G (granívoro), N (nectarívoro).
Ocorrência Abundância Relativa
Taxon Arbórea Arbustiva Guilda Arbórea Arbustiva
122 Marcos Pérsio Dantas Santos
Família BUCCONIDAE
Nystalus maculatus 0 1 Ci 0.000 0.033
Família PICIDAE
Picumnus pigmaeus *0 1 Ci 0.000 0.044
Colaptes melanochloros 1 1 Ci 0.044 0.033
Piculus chrysochloros 0 1 Ci 0.000 0.122
Dryocopus lineatus 1 1 O 0.044 0.056
Melanerpes candidus 1 0 Ci 0.033 0.000
Veniliornis passerinus 0 1 Ci 0.000 0.111
Campephilus melanoleucos 0 1 Ci 0.000 0.067
Família FORMICARIIDAE
Taraba major 1 1 Ci 0.144 0.189
Thamnophilus doliatus 1 1 Ci 0.244 0.044
Thamnophilus pelzelni 1 1 Ci 0.933 0.733
Myrmorchilus strigilatus 1 1 Ci 0.344 0.311
Herpsilochmus atricapillus 0 1 Ci 0.000 0.133
Herpsilochmus sellowi *0 1 Ci 0.000 0.056
Formicivora grisea 1 1 Ci 0.522 0.167
Hylopezus ochroleucus *1 1 Ci 0.011 0.078
Família FURNARIIDAE
Furnarius figulus 1 1 Ci 1.278 0.011
Gyalophylax hellmayri *0 1 Ci 0.000 0.011
Poecilurus scutata 1 0 Ci 0.033 0.000
Certhiaxis cinnamomea 0 1 Ci 0.000 0.267
Pseudoseisura cristata 1 0 Ci 0.700 0.000
Megaxenops parnaguae *0 1 Ci 0.000 0.033
Xenops rutilans 0 1 G 0.000 0.044
Família DENDROCOLAPTIDAE
Sittasomus griseicapillus 1 1 Ci 0.056 0.167
Dendrocolaptes platyrostris 1 1 Ci 0.022 0.011
Xiphorhynchus picus 1 0 Ci 0.011 0.000
Lepidocolaptes angustirostris 1 1 Ci 0.100 0.122
Família TYRANNIDAE
Myiopagis caniceps 1 0 Ci 0.089 0.000
Elaenia flavogaster 0 1 O 0.000 0.011
Elaenia cristata 0 1 Ci 0.000 0.011
Leptopogon amaurocephalus 1 1 Ci 0.122 0.111
Hemitriccus margaritaceiventer 1 1 Ci 0.011 0.211
Hemitriccus striaticollis 1 0 Ci 0.022 0.000
Todirostrum cinereum 1 0 Ci 0.067 0.000
Tolmomyias flaviventris 0 1 Ci 0.000 0.378
Platyrinchus mystaceus 0 1 Ci 0.000 0.022
Myiobius barbatus 0 1 Ci 0.000 0.033
Cnemotriccus fuscatus 1 1 Ci 0.067 0.122
Fluvicola nengeta 1 1 Ci 0.067 0.022
Hirundinea ferruginea 1 1 Ci 0.044 0.022
Casiornis fusca 1 1 Ci 0.211 0.256
Myiarchus tyrannulus 1 1 Ci 0.167 0.389
Ocorrência Abundância Relativa
Taxon Arbórea Arbustiva Guilda Arbórea Arbustiva
123
As comunidades de aves em duas fisionomias da vegetação de Caatinga no estado do Piauí, Brasil
Ocorrência Abundância Relativa
Taxon Arbórea Arbustiva Guilda Arbórea Arbustiva
Myiarchus swainsoni 1 1 Ci 0.156 0.178
Pitangus sulphuratus 1 1 O 0.622 0.056
Pitangus lictor 1 0 Ci 0.022 0.000
Megarynchus pitangua 1 1 Ci 0.011 0.178
Myiozetetes similis 1 1 Ci 0.056 0.111
Myiodynastes maculatus 1 1 O 0.056 0.100
Empidonomus varius 0 1 Ci 0.000 0.056
Tyrannus melancholicus 1 0 Ci 0.044 0.000
Pachyramphus polychopterus 1 0 Ci 0.044 0.000
Tityra cayana 0 1 O 0.000 0.111
Tityra inquisitor 0 1 O 0.000 0.011
Família CORVIDAE
Cyanocorax cyanopogon 1 1 O 1.000 1.067
Famíia TROGLODYTIDAE
Thryothorus leucotis 1 1 Ci 0.022 0.011
Troglodytes musculus 1 1 Ci 0.078 0.033
Família MUSCICAPIDAE
Polioptila plumbea 1 0 Ci 0.444 0.000
Turdus rufiventris 1 1 O 0.167 0.011
Turdus leucomelas 1 1 O 0.189 0.144
Família MIMIDAE
Mimus saturninus 1 0 O 0.122 0.000
Família VIREONIDAE
Cyclarhis gujanensis 1 0 Ci 0.111 0.000
Vireo olivaceus 1 1 Ci 0.111 0.122
Família EMBERIZIDAE
Basileuterus flaveolus 1 1 Ci 0.056 0.011
Basileuterus culicivorus 0 1 Ci 0.000 0.111
Coereba flaveola 1 0 O 0.133 0.000
Compsothraupis loricata 1 0 O 0.400 0.000
Hemithraupis guira 0 1 O 0.000 0.067
Nemosia pileata 1 1 O 0.144 0.511
Thraupis sayaca 1 0 O 0.200 0.000
Thraupis palmarum 1 0 O 0.178 0.000
Euphonia chlorotica 1 1 O 0.067 0.022
Conirostrum speciosum 1 1 O 0.100 0.622
Sicalis flaveola 1 0 G 0.011 0.000
Volatinia jacarina 1 1 Ci 0.067 0.067
Sporophila albogularis 1 1 G 0.033 0.022
Coryphospingus pileatus 1 1 G 0.789 0.111
Paroaria dominicana *1 1 G 0.956 0.089
Icterus cayanensis 1 1 F 0.033 0.044
Icterus icterus 1 1 F 0.356 0.233
Gnorimopsar chopi 1 1 F 0.278 0.222
* Espécies endêmicas da Caatinga.
... In fact, few data are available in general on the effects of extreme weather events on the biodiversity of the semiarid Caatinga domain. While there is a growing database on the diversity of Caatinga bird communities (e.g., Albuquerque et al. 2012;Araujo and Silva 2017), most studies have focused on the effects of landscape heterogeneity or climatic seasonality on bird diversity (e.g., Santos 2004;Araujo et al. 2012;Gonçalves et al. 2017), and no studies, up to now, have assessed changes in Caatinga bird community structure provoked by droughts. ...
... Squares and circles represent values obtained for the savanna plot and shrubby-woodland plot, respectively. The vertical bars are standard errors northeastern Brazil, highlighting the importance of landscape heterogeneity as a mechanism shaping bird communities in the Caatinga (Santos 2004;Araujo et al. 2012;Gonçalves et al. 2017). Landscape heterogeneity is one of the main sources of variation in bird diversity (Heezik and Seddon 1999;Gillespie and Walter 2001;Smith 2015) and its influence is not limited to arid and semiarid environments, or extreme climatic events (Wiens 1989). ...
Article
Full-text available
Droughts typically result in a widespread decline in many vertebrate populations and even the local extinction of some species. However, different species vary considerably in their resistance to the effects of drought. This study aimed to estimate the relative species richness and the colonization and extinction rates in a bird community during an acute drought event in the Brazilian Caatinga. We mist-netted birds during 3 years throughout seven field seasons in two sampling plots to estimate community parameters using multi-season dynamic occupancy models. The relative richness to the regional species pool varied considerably during the study period (16–49%) with markedly low values in the severe onset of the drought. The estimates in the savanna were higher than those in the shrubby-woodland plot (~ 42 vs ~ 31 species, respectively). Pollinators and seed dispersers were characterized by median to high colonization (30–69%) and local extinction rates (37–69%), indicating low site fidelity. By contrast, granivores and insectivores made up the resident component of the community, with low local extinction and colonization rates (< 30%). Our results indicate that the diversity of Caatinga bird assemblages may decline markedly during severe droughts, primarily as a result of the displacement of species that exploit resources whose availability decreases drastically in abnormally dry years. Considering the climate scenarios predicted for tropical arid and semiarid regions worldwide, we believe that pollinators and seed dispersers will be especially vulnerable to population decline and local extinctions, which will alter community structure and the persistence of ecosystem services.
... A proteção das nascentes e dos cursos d'água por meio das unidades de conservação é imprescindível para a dinâmica territorial das sub-regiões das bacias, as quais garantem o abastecimento de água para a população (MAGALHÃES JÚNIOR et al., 2007) O número de espécies lenhosas encontradas no MONA Grota do Angico foi consideravelmente alto em relação a outras áreas de Caatinga (AMORIM et al., 2005;LACERDA et al., 2005;COSTA et al., 2009;ARAÚJO et al., 2010;SANTOS;MELO, 2010), amostradas com semelhante metodologia. A presença de uma espécie rara no local a torna vulnerável a distúrbios antrópicos e, consequentemente, à extinção (GIULIETTI et al., 2009), necessitando urgentemente de proteção. ...
... Apesar de o local ter histórico de degradação, a vegetação encontra-se em estado de regeneração. Por isso, os diferentes tipos de hábitats encontrados nesse fragmento florestal são imprescindíveis para a manutenção das populações, já que muitas espécies de aves(SANTOS, 2004), de répteis (SANTANA et al., 2011) e de mamíferos de pequeno porte(FREITAS et al., 2005) possuem hábitos e hábitats específicos dentro da Caatinga. ...
Article
Full-text available
RESUMO-A criação de unidades de conservação nem sempre é determinada por critérios técnicos e/ou socioambientais, comprometendo, assim, sua efetividade na proteção da biodiversidade local. Este estudo analisou a potencialidade do Monumento Natural Grota do Angico, localizado no Alto Sertão do Estado de Sergipe, em relação aos aspectos de paisagem, além de analisar possíveis ameaças, de forma a subsidiar estratégias de conservação para a manutenção da biodiversidade local. Para o estudo foi adaptado um protocolo de avaliação de fragmentos prioritários para a conservação do Cerrado. Os indicadores foram obtidos a partir de estudos feitos no local e de um levantamento das espécies vegetais exóticas invasoras, realizado em uma área de 251 ha, sendo adicionalmente calculado o índice de circularidade para o Monumento. Os valores obtidos pelo protocolo foram considerados típicos de áreas com baixos riscos à conservação. As características do MONA Grota do Angico são pouco satisfatórias para manutenção da diversidade de espécies, apresentando área total pequena em relação a outras áreas, formato alongado e índice de circularidade de apenas 0,17 (de uma escala de 0 a 1). Entretanto, a reserva protege a calha do Baixo São Francisco e na região há mais duas unidades de conservação que fazem parte de um corredor ecológico. As ameaças encontradas, como queimadas, desmatamento, espécies exóticas invasoras e gado, requerem monitoramento. Conclui-se que, de forma geral, o MONA Grota do Angico possui condições de abrigar uma biodiversidade considerável, desde que as ameaças sejam monitoradas e geridas. Palavras-chave: Áreas protegidas; Impactos antrópicos; Planejamento. ABSTRACT-The creation of protected areas is not always determined by technical and/or environmental criteria, thereby undermining their effectiveness in protecting local biodiversity. The aim of this study was to check the potentiality of the protected area named Monumento Natural Grota do Angico, in the state of Sergipe, for aspects of landscape and to point possible threats, in order to support conservation strategies for maintaining biodiversity in this protected area. A protocol for the evaluation of priority fragments for conservation has been adapted. The indicators were derived from studies carried out on site and a survey of invasive alien plant species conducted in an area of 251 ha. Then, the circularity index was calculated for the Monument. The values obtained by the protocol were considered typical for areas with low risks to conservation. The landscape structure of the MONA Grota do Angico proved to be unsatisfactory for the maintenance of a large species diversity, being small as compared to other areas and elongated, showing a circularity index of only 0.17 (on scale of 0 to 1). However, the preserve protects part of the São Francisco River Valley and connects with two local protected areas that are part of an important regional ecological corridor. Some threats found, such as wildfires, deforestation, invasive alien species and cattle, demand monitoring. We conclude that in general the MONA Grota do Angico shows conditions to house considerable biodiversity, since threats are monitored and managed.
... Esta ave está associada a formações florestadas de Caatinga e Cerrado (GUZZI et al., [s. d.]; SANTOS, 2004). Isso demonstra que a reserva oferece condições propícias para estabelecimento e reprodução de parte da avifauna nativa e biodiversidade associada. ...
Conference Paper
Full-text available
Introdução: Altas habilidades ou Superdotação pode ser definido como a elevada potencialidade de habilidades, competências e talentos que um indivíduo tem em desenvolver determinadas atividades. Há índices que apontam que cerca de 15.995 estudantes no Brasil apontam essas características e assim, fazem parte deste perfil. Entretanto, na prática docente e no chão-de-sala, repercute-se sobre os alunos com déficit de aprendizagens e similares. Objetivo: Dessa forma, o presente estudo teve por objetivo investigar artigos publicados com a temática de Altas Habilidades e Superdotação entre os anos 2020 e 2022 a fim de responder o seguinte questionamento: “O que se produz academicamente no Brasil, concernentes à temática Altas Habilidades e Superdotação?”. A partir dos descritores “Altas Habilidades” e “Superdotação”. Metodologia: Os artigos foram buscados no Google Acadêmico, com o recorte temporal entre os anos de 2020 e 2022. Foram obtidos 15 artigos. Resultados: A partir da categorização, percebeu-se que as principais contribuições foram relacionadas a caracterização ao perfil deste grupo de alunado, como os mesmo são descritos nas leis que normativa a Educação e consequentemente como os mesmo são atendidos baseados nestas Políticas Públicas, assim como possíveis mecanismos que devem serem usados pelos educandos para a identificação. Foi possível evidenciar que as produções dentro da temática Altas Habilidades e Superdotação são ainda escassas se comparada a outros grupos da educação inclusiva. Conclusão: De modo geral, trata-se de caracterizações e possíveis discussões de como devem ser os atendimentos no contexto escolar. Entretanto, é preciso uma maior discussão da temática para que os educandos tenham um maior conhecimento e assim proporcione o atendimento significativo a estes estudantes.
... Esta ave está associada a formações florestadas de Caatinga e Cerrado (GUZZI et al., [s. d.]; SANTOS, 2004). Isso demonstra que a reserva oferece condições propícias para estabelecimento e reprodução de parte da avifauna nativa e biodiversidade associada. ...
Conference Paper
Full-text available
Introdução: Histologia é a área da ciência que estuda os tecidos. Tecidos, por sua vez, são um conjuntos de células com morfologia e fisiologia semelhantes e, de um modo geral, estão divididos em epitelial, conjuntivo ou conectivo, nervoso e muscular. Tanto os Parâmetros Curriculares Nacionais, previstos desde 1997 quanto a Base Nacional Comum Curricular, homologada em 2018, preveem que o ensino de Ciências e Biologia deve ter a finalidade de alfabetizar cientificamente, os estudantes. Objetivo: Assim, o objetivo deste trabalho foi analisar artigos acadêmicos que versem sobre a temática a fim de responder a seguinte pergunta: “Em artigos acadêmicos sobre ensino de histologia para educação básica, quais são os objetivos gerais prevalentes?”. Metodologia: A partir dos descritores: ‘histologia’; ‘tecido’; ‘ensino de histologia’ e ‘tecido epitelial’ foram feitas buscas nos periódicos: ‘Revista Brasileira de Educação Médica’; ‘Revista Brasileira de Ensino Superior’; ‘Revista Ciência em Extensão – UNESP’ e ‘Debates em Educação Científica e Tecnológica’. Delineados os objetivos, os dados foram transcritos e categorizados. Resultados: Foram obtidos quatro artigos. A partir da categorização, percebeu-se que os artigos estão nas áreas de Ciências Biológicas, Odontologia, Educação Básica, Medicina e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Diante das informações apresentadas, evidencia-se que ocorreu uma mudança significativa nas metodologias de ensino de Histologia, que deixou de apresentar caráter memorístico, já demarcado, assumindo uma metodologia participativa, através da inserção de tecnologias de informação e comunicação (TIC´s), utilização de modelos tridimensionais e contextualização com o conhecimento empírico dos alunos. Conclusão: Diante do exposto é preciso investir cada vez mais em metodologias alternativas e práticas como estratégia para ensino de Histologia e, sobretudo, publicizar as produções feitas para os segmentos do Ensino Fundamental e Médio.
... A composição da comunidade de aves de determinadas fitofisionomias semiabertas brasileiras é um tema recorrente na literatura, tais como as encontradas nas distintas formações do Cerrado (Tubelis & Cavalcanti 2000, Tubelis & Cavalcanti 2001, Cardoso da Silva & Battes 2002, Willis 2004, Straube et al. 2005, Piratelli & Blake 2006, Motta-Junior et al. 2008, Tubelis 2009, Lopes et al. 2010, Dornas & Crozariol 2012, Kanegae et al. 2012, Fieker et al. 2013, Rodrigues et al. 2016, Cavarzere & Arantes 2017, da Caatinga (Silva et al. 2003, Pacheco 2004, Santos 2004, Olmos et al. 2005, Ruiz-Esparza et al. 2011), e dos Pampas (Di Giacomo & Krapovickas 2005, Azpiroz et al. 2012, além de restingas (Gonzaga et al. 2000, Rocha et al. 2005, Gomes et al. 2008, Lima 2010, Almeida et al. 2012, Mota et al. 2012. Porém são mais escassas informações sobre as aves de formações semiabertas que ocorrem como enclaves em regiões florestais, como as campinaranas amazônicas (Aleixo & Poletto 2007, Guilherme & Borges 2011, cangas (Pacheco et al. 2007) e as muçunungas dos tabuleiros costeiros do leste do Brasil (Cordeiro 2003, Venturini & Paz 2005, Faria et al. 2016. ...
Article
Full-text available
AVIFAUNA ASSOCIATED WITH MUÇUNUNGAS: COMPOSITION AND USE OF THE HABITAT: Muçunungas are vegetation formations in sandy soils, similar to restingas in structure and composition, ranging from grassy woody (GL) to low-density trees or muçununga forests (FM). Although some birds are known for this phytophysiognomy, few data are availableon the structure of their communities, and on the ecological resources' use. This research aims topresent the first commented list on the birdlife of muçunungas, and to describe how they share the ecological resources in different formations. Five areas of muçunungas having different vegetation structures were sampled in southern Bahia, Brazil, between 2011 and 2019. We recorded 216 species; 32 endemics to the Atlantic Forest and 14 threatened with extinction. The most abundant feeding guilds were insectivores (77 species), omnivores (53), and frugivores (32).A total of 109 species were recorded in FM and 183 in GL. Strictly forest birds prevailed in FM (66 %), and forest, semi-forest, and open-area species were detected in similar amounts in GL. Generalist birds have prevailed in muçunungas, sharing many species with the surrounding environments, as in restingas. Due to the paucity of specific public policies, and similarities of muçunungas and restingas, we suggest that similar conservationist strategies could be applied to birds in these two environments of the Atlantic Forest. Keywords: Atlantic forest; endemism; grasslands; restingas.o
... In addition to extrinsic factors, some intrinsic factors may be important sources of variation in nest predation rates in the Caatinga. The high local richness of bird species in Caatinga (from 70 to 145 species: Santos 2004, Farias et al. 2005, Olmos et al. 2005, Telino-Júnior et al. 2005, Farias 2007, Araujo & Rodrigues 2011) when compared to other semi-arid environments (e.g. n ≤ 25, northeastern Venezuela, Poulin et al. 1993;n ≤ 54, western Mexico, Del-R & Butterfield 1999;n ≤ 61, northcentral Chile, Jaksic & Lazo 1999) can result in greater variability of such intrinsic factors as nest type, breeding and social behavior, and generate particular predation patterns not found in other tropical semiarid areas. ...
Article
Full-text available
Nest predation is a determinant of reproductive success of tropical birds and its effects can vary in space, time and due to intrinsic factors of the species. In this study, we conducted a preliminary investigation on changes in the risk of nest predation on Caatinga birds due to intrinsic factors (nest type and taxonomic group) and time-specific factors (breeding season and nest abundance). We located and monitored bird nests during the breeding seasons of 2012 (n = 33 nests) and 2013 (n = 45) in a mixed landscape of anthropogenic and natural sites. We use the MARK program that uses known-fate models to calculate Daily Nest Survival Estimates (DNS) and evaluate the effect of covariates on DNS estimates. Predation was the main cause of nest loss (n = 54). In the analysis of intrinsic factors, the best model included the type of nest to explain variation in estimates. DNS declined across the breeding season for all nest types, but estimates of closed nests (between 0.996 and 0.851) were higher than those of open nests (between 0.985 and 0.629). For time-specific factors, the best models for each breeding season included the quadratic effect of nest abundance to explain the variation in DNS. There was an inverse relationship between the abundance of nests and nest predation. The high importance of predation and the effect of the type of nest showed that the reproductive success of the birds studied is due to similar factors to those found in other Neotropical environments. On the other hand, locally-specific effects, such as low reproductive success and inverse relationship between abundance and nest predation risk, demonstrate the need for further exploration of this theme within the Caatinga avifauna.
... Icterus jamacaii is strictly frugivorous (Motta-Junior 1990;Sick 1997;Santos 2004;Araujo 2009) and can disperse seeds of P. chrysostele and P. gounellei at distances greater than 40 meters from the parent plant (Gomes VGN, unpubl. data). ...
Article
Full-text available
This study evaluates the fruiting phenology, fruit traits, and seed dispersal in two Pilosocereus (Cactaceae) species that are widely distributed in Caatinga vegetation. We monitored the fruiting phenology of Pilosocereus gounellei and Pilosocereus chrysostele on a monthly basis for a period of 4 years (45 months from March 2009 to November 2012), including 30 individuals of each species. We also carried out focal observations, captured dispersers, and conducted germination tests, to identify the effective seed dispersers of these species. Both species exhibited sub-annual fruiting patterns and high fruiting synchrony index (Ojk 0.62), with peaks occurring from February to May for P. gounellei and February to April for P. chrysostele. In all, 248 visits by seven bird and two lizard species were recorded for P. gounellei, and 104 visits by five bird species were recorded for P. chrysostele. The two species shared five seed dispersers. The finch Lanio pileatus was the most frequently visiting bird species. The number of visits to the fruits of P. gounellei was higher than to the fruits of P. chrysostele. Passage of seeds through the digestive tracts of all bird species significantly increased the germination rate for P. chrysostele, whereas for P. gounellei, the birds Forpus xanthopterygius and L. pileatus decreased germination rates. Sub-annual fruiting patterns, similar fruit morphology, and high synchronous fruiting are factors that favor resource sharing among the dispersers of Pilosocereus in the Caatinga.
... However, all our records of this species are in the Atlantic Forest domain. In studies conducted in other areas of Caatinga this species is registered (Santos 2004, Olmos et al. 2005, but in the RN state, recorded only had been made in restingas, open savannas, deciduous and semideciduous forests. ...
Article
Full-text available
The Pectoral Antwren (Herpsilochmus pectoralis) and Caatinga Antwren (H. sellowi) are thamnophilids endemic to northeastern Brazil. The Pectoral Antwren is considered an “endangered” species by the IUCN. The present study aimed at providing data on the distribution, abundance, habitat, and conservation status of these species in Rio Grande do Norte state (RN), Brazil, in order to help define conservation strategies for the species. Thirty-three sites in the Atlantic Forest domain were sampled between November 2005 and March 2008, for a total sampling effort of 414 h. Observations took place mainly between 5:30 h and 12:00 h, and records were based on visual and/or auditory detections. Standardized censuses were conducted in four different phytophysiognomies to determine abundance and density. Herpsilochmus pectoralis was found in 73% (n = 24) of the sampled areas, mean density was estimated at 89.1 individuals.km² and population size was approximately 13,921 individuals for the state. Available area of occupancy was 156.25 km². Herpsilochmus sellowi was present in 39% (n = 13) of the areas, with mean density of 60.4 individuals.km², estimated population of 7202 and area of occupancy of 119.25 km². The population estimate found in this study for H. pectoralis is high for a small geographical area, thus demonstrate that BirdLife International information is underestimated. These data widen knowledge of the species at local and national levels, in addition to confirming the importance of H. pectoralis in RN state. The low number of protected areas in the region is alarming, given that privately-owned areas face fragmentation, selective deforesting, burnings and significant real estate development. © 2017, Sociedade Brasileira de Ornitologia. All rights reserved.
Article
Full-text available
The Yellow-legged Tinamou (Crypturellus noctivagus) is a terrestrial forest bird endemic to Brazil currently threatened with extinction. We aimed to update and predict the potential distribution of the species in Brazil. We thus reviewed an array of scientific publications, field reports and a scitizen science database to compile available data on the occurrence of C. noctivagus in Brazil. We built a predictive distribution model using the MaxEnt algorithm and the variables temperature seasonality, percent arboreal coverage, isothermality, precipitation of driest quarter, precipitation seasonality, precipitation of wettest month and topography. The Yellow-legged Tinamou was found in 114 municipalities belonging to 11 states. The predictive model presented a distribution scenario mostly associated with the Atlantic Forest, although it also suggested the occurrence of suitable areas in the Cerrado and Pampa Biomes. The records show that some, but not all populations of C. noctivagus are currently within protected areas. This study brought together all available knowledge regarding the distribution of C. noctivagus in the wild. Ecological information regarding this group, along with the spatial distribution patterns described here, may be useful tools for the development and implementation of conservation and management actions for the species, in both regional and global scales.
Article
Access link: https://rdcu.be/UGRv In tropical dry environments rainfall periodicity may affect demographic parameters, resulting in fluctuations in bird abundance. We used capture–recapture data for the Grey Pileated Finch from a Neotropical dry forest to evaluate the hypothesis that intra- and inter-annual survival, individuals entrance and population abundance, are related to local rainfall. Sampling occurred across 3 years, with individuals captured, tagged and evaluated for age and presence of brood patch every 14 days. Using the POPAN formulation, we generated demographic models to evaluate study population temporal dynamics. Best-fit models indicated a low apparent annual survival in the first year (16%) compared to other years (between 47 and 62%), with this low value associated with an extreme drought. The abundance of juveniles at each capture occasion was significantly dependent on the accumulated precipitation in the previous 14 days, and the juvenile covariate was a strong predictor of the intra-annual entrance probability (natality). Individuals entrance during the reproductive period corresponded to 53, 52 and 75% of total ingress for each year, respectively. The trend in sampled population size indicated positive exponential growth (Ninitial = 50, Nlast = 600), with intra-annual fluctuations becoming progressively more intense. Low survival was relevant during population decline at study onset, while at study end intense Individuals entrance promoted rapid population growth. Thus, the indirect effects of rainfall and the combined effect of two demographic rates operated synergistically on the immediate population abundance of Grey Pileated Finch, an abundant bird in a Neotropical dry forest.
Article
Full-text available
RESUMO-Um estudo das comunidade de aves das Áreas de Proteção Ambiental Serra da Tabatinga e Chapada das Mangabeiras, localiza­ das na divisa dos estados do Pia:uí, Maranhão e Tocantins, para o in­ ventário da avifauna dos diversos tipos de habitats existentes nesta área, revelou 254 espécies, distribuídas em 50famílias. Elanus leucurus, Elanoides forficatus e Colonia colonus são registros novos para o Es­ tado do Piauí. Três espécies ameaçadas de extinção foram registradas: Penelope jacucaca; Anodorhynchus hyacinthinus e Procnias averano. Comentam-se também, aspectos relevantes para a conservação da área e suas implicações para a avifauna da região. PALAVRAS-CHAVE: Brasil (pI, MA, TO): Aves, Cerrado, Ecologia, Biogeografia, Conservação. ABSTRACT-A study of the bird communities in the Environmental Protection Areas of the Serra da Tabatinga and Chapada das Mangabeiras, located at the convergence ofthe Brazilian states ofPiauí, Maranhão and Tocantins, to survey the avifauna in the different habitats type ofthe study area, registered a total of254 avian species, distributed in 50families. Elanus leucurus, Elanoides forficatus and Colonia colonus represent new records for the state ofPiauí. Three endangered species were also found: Penelope jacucaca; Anodorhynchus hyacinthinus e Procnias averano. Aspects relevant to the biological conservation of this area and implications for the regional bird fauna are also discussed.
Article
In this paper are presented details about the Province of "Caatingas", according to the present qualifications in order to give it a better standardization. Here are also discussed paleobotanical facts and ecological conditions to justify the vegetation and the flora of the semi-arid.