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ESTILO ALIMENTAR: Adaptação e validação do Questionário Holandês do Comportamento Alimentar

Authors:

Abstract

The aim of this research was to validate de Dutch Eating Behaviour Questionnaire (DEBQ) for the Portuguese population. Participants were 192 subjects aged 18 to 52 years, from both gender. As the theory beyond proposed, factor analysis confirmed a structure with three factors that were restraint, emotional eating and external eating. The distribution of value of BMI by groups of subjects organized by results of the questionnaire confirmed the importance of the interaction of the three factors, and especially of restraint, in overweight. Conclusion is that this questionnaire seems to be adequate to the research of eating behaviour and eating style in the Portuguese population.
ESTILO ALIMENTAR: Adaptação e validação do Questionário Holandês do
Comportamento Alimentar ()
Publicado em: Psicologia: Teoria, Investigação e Prática, 2003, 8: 59 - 71.
Victor Viana
Susana Sinde
Professor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da
Universidade do Porto (FCNAUP), Psicólogo do Departamento de Pediatria
do H. S. João-Porto.
Aluna do Mestrado em Nutrição Clínica da FCNAUP, Nutricionista do
Departamento de Pediatria do H. S. João-Porto.
) Investigação realizada no âmbito da Unidade de Investigação em Nutrição
da FCNAUP.
Correspondência:
Victor M. C. Viana (victorviana@fcna.up.pt
Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da U. P.
Rua Dr. Roberto Frias
4200-465 Porto
1
INTRODUÇÃO
A importância que hoje têm as perturbações alimentares e a
obesidade, dada a sua crescente prevalência e as implicações para a saúde,
veio dar ênfase à investigação sobre o comportamento alimentar enquanto
elemento fundamental para a compreensão destas patologias. O
comportamento alimentar envolve não só o acto de ingestão mas também os
factores psicossociais associados à selecção e à decisão de quais alimentos
consumir. O conceito de estilo alimentar implica a categorização do
comportamento alimentar com o objectivo de serem estabelecidas diferenças
individuais tidas como determinantes do peso em excesso (obesidade) e do
peso deficitário.
Dada a importância da investigação dos factores comportamentais e
psicológicos em nutrição, e a quase inexistência de instrumentos adequados no
nosso país, propomo-nos neste trabalho validar a adaptação de um
questionário destinado ao estudo do estilo alimentar.
Têm sido colocadas diversas hipóteses para a obesidade que implicam
os estilos alimentares. Começou por se considerar que a ingestão em excesso
do obeso seria consequência do descontrolo provocado por estados
emocionais. Assim alguns indivíduos, em estados de ansiedade, medo e
angústia, responderiam com ingestão em excesso, enquanto o sujeito normal
tenderia a diminuir o apetite. Para Bruch (1961) esta resposta dever-se-ia a
uma confusão entre estes estados interiores e a fome, confusão esta adquirida
precocemente na infância.
2
Schachter (1968) propôs uma teoria da obesidade baseada na
dicotomia internalidade/externalidade. Enquanto que no sujeito de peso
adequado, o padrão alimentar seria determinado fundamentalmente por
indícios fisiológicos internos tais como as contracções gástricas, no sujeito
obeso o comportamento alimentar era predominantemente função de estímulos
externos como o aspecto, sabor e aroma dos alimentos. Em síntese, defendia-
se que o obeso era mais sensível aos estímulos do ambiente, relativos a
comida, do que os restantes sujeitos.
De acordo com a hipótese de Nisbett (1972), cada indivíduo possuiria um
peso fixo ideal (set point) dependente de mecanismos fisiológicos
homeostáticos. O peso ideal do obeso seria portanto superior ao peso ideal das
restantes pessoas. Pressionados por motivos sociais, alguns obesos tentariam
reduzir, através da dieta, o peso para níveis situados aquém do suposto peso
ideal. A fome provocada pela dieta tornaria, então, o obeso especialmente
sensível aos indícios do ambiente relativos à comida.
Alguns obesos insatisfeitos com o peso e com o aspecto do seu corpo
travam uma luta interna constante no sentido de controlar a ingestão,
independentemente da fome que sentem, visando manter um determinado
peso ou diminui-lo. Estas pessoas mantêm, por isso, uma preocupação
permanente com o corpo e com o que comem e resistem a comer aquilo que
desejam. Este estilo alimentar tem sido classificado como restritivo. O conceito
de restrição foi inicialmente proposto para explicar como e porquê o
comportamento alimentar dos obesos se distinguia dos padrões dos indivíduos
com peso normal (Herman & Mack, 1975).
3
O conceito de restrição contém dois aspectos da maior importância para a
compreensão do comportamento alimentar (Herman & Polivy, 1980). Um é que
os sujeitos restritivos apresentam, em geral, um padrão alimentar caracterizado
por ciclos de dieta e restrição intercalados por ciclos de desinibição. Ou seja,
os sujeitos conseguem controlar a fome e o desejo, com esforço da vontade,
mas de vez em quando deixam-se vencer pelo desejo e comem sem controlo.
Factores de ordem emocional como a ansiedade e a depressão, factores
cognitivos como a percepção de já terem ultrapassado o limite auto-imposto, e
compostos com efeito sedativo e desinibidores, como o álcool, têm um efeito
desinibidor da restrição. Enquanto alguns sujeitos restritivos comem mais
quando ansiosos ou deprimidos, os sujeitos não restritivos, no mesmo estado,
tendem a comer menos.
Outro aspecto do conceito de restrição refere-se à existência de
diferenças significativas quanto aos níveis de restrição. Nos obesos estes são
mais elevados do que nos sujeitos eutróficos. Em consequência, a maior
sensibilidade do obeso aos estímulos do ambiente (orientação externa) seria
resultante da restrição alimentar e do desejo ampliado pela carência não
satisfeita, não estando portanto associada à obesidade propriamente dita.
A excessiva apetência dos obesos pelos alimentos, atribuída a factores
externos e a factores emocionais, seria então o resultado directo da dieta
(Herman & Polivy, 1980).
Os restritivos e os não-restritivos distinguem-se ainda no modo como
reagem após uma primeira ingestão de nutrientes. Quando depois de ingerirem
uma refeição são novamente apresentados alimentos, os restritivos tendem a
comer demais. Este efeito foi denominado “contra-regulação”. Pelo contrário,
4
os não-restritivos tendem a comer menos após uma primeira ingestão,
regulando portanto a segunda ingestão em função da primeira (Wardle &
Beales, 1987; Herman & Polivy, 1980). A importância dos factores cognitivos é
realçada através da introdução de uma ligeira modificação desta situação e que
consiste em classificar, à posteriori, os alimentos ingeridos como “pouco
calóricos” ou “muito calóricos” (Polivy & Herman, 1985). Independentemente
desta classificação, os não-restritivos tendem a ingerir pouco na segunda
apresentação. Pelo contrário os restritivos tendem a ingerir mais quando
acreditam que ingeriram alimentos “muito calóricos” no primeiro ensaio. A
informação disponível sobre o hipotético potencial calórico da refeição, mais do
que o seu real conteúdo, parece ser o factor responsável pela contra-regulação
nos sujeitos restritivos (Pirke & Laessel, 1993).
A explicação para esta reacção poderá ser que os sujeitos restritivos
acreditam ter perdido o controlo da dieta, aquando da primeira ingestão, e
desinibem a sua resposta aos alimentos na segunda apresentação (Ruderman,
1986). Aparentam, então, funcionar num registo dicotómico, de “tudo ou nada”,
com os alimentos divididos em “bons” e “maus” e em que ou há controlo e “boa
dieta” ou, se algo provoca a perda de controlo, sobrevem um padrão
compulsivo (Polivy & Herman, 1985). É curioso notar que padrão de ingestão
dos restritivos apresenta similaridades com o padrão das anorécticas e
bulímicas, sendo até comuns alguns dos traços psicológicos característicos
destes grupos (Taylor et al., 1998; Polivy & Herman, 1987).
Reconhecendo que o aspecto mais importante da obesidade, em termos
comportamentais e psicológicos, parece ser a tendência para dieta, alguns
5
autores consideram ser mais relevante falar de uma “psicologia da dieta” do
que de uma “psicologia do ser gordo versus magro” (Contento et al., 1995).
Métodos de avaliação do Estilo Alimentar
Existem diversos questionários destinados à investigação dos estilos e
comportamento alimentar. Entre estes merecem particular referência o
Questionário Alimentar dos Três Factores (TFEQ, Stunkard & Messick, 1985) e
o Questionário Holandês do Comportamento Alimentar (Dutch Eating Behavior
Questionnaire - DEBQ) (Van Strien, et al., 1986 a), pois são os mais referidos
na literatura e, consequentemente, os mais investigados do ponto de vista
psicométrico. O TFEQ é composto por 51 itens que se distribuem por três
escalas: Restrição Cognitiva Alimentar, Desinibição, e Sensibilidade à Fome.
Este questionário já foi usado em Portugal e aplicado a adolescentes, jovens
adultos e mulheres, no entanto a investigação da sua validade estrutural
revelou que esta era mais complexa do que o constructo original previa (Viana,
2000; Moreira et al.,1997).
O Questionário Holandês do Comportamento Alimentar (na versão
original “Nederlandse Vragenlijst Voor Eetgedrag – NVVE”, Van strien et al.,
1986 b), objecto da presente investigação, foi obtido através da junção de
algumas perguntas de três questionários já existentes, o “Eating Patterns
Questionnaire” (EPQ – Wollersheim, 1970), o “Fragenbogen fur Latente
Adipositas” (Questionário para a Obesidade Latente - Pudel et al., 1975) e o
“Eating Behavior Inventory” (EBDI – O’Neil et al., 1979). Foi concebido de
modo a incluir alguns os aspectos da teoria já referidos. A sua elaboração
obedeceu a uma metodologia complexa que envolveu diversos passos e
6
diferentes grupos de sujeitos, cuja constituição ia das dezenas até algumas
centenas de indivíduos, que permitiram alcançar a versão final. A estrutura
factorial desta versão foi obtida através dos resultados de uma amostra de 657
sujeitos. O questionário é composto por 33 itens, avaliados numa escala de 5
pontos (nunca/raramente/às vezes/frequentemente/muito frequentemente),
distribuídos por três escalas: a escala de Restrição inclui 10 itens, a escala de
Ingestão Externa é também composta por 10 itens, e a escala de Ingestão
Emocional composta por 13 itens. Esta última subdivide-se ainda, no
questionário original, em Emoções Precisas, com 9 itens e Emoções Difusas,
com 4 itens. A adaptação inglesa deste questionário foi alvo de uma
investigação que confirmou a sua validade e robustez (Wardle, 1987), e cujos
procedimentos repetimos, em parte, neste trabalho.
MATERIAL E MÉTODOS
Os itens da versão inglesa foram traduzidos e confrontados com uma
tradução da versão holandesa, da comparação entre as duas versões e
respectiva adaptação surgiu a forma portuguesa.
Esta versão foi administrada a uma amostra intencional de 191 jovens e
adultos dos dois sexos.
Num primeiro passo os resultados foram sujeitos à análise factorial de
modo a ser verificada a validade de constructo. A homogeneidade de cada
escala foi estudada assim como sua a fiabilidade. Esta foi investigada através
da análise da consistência interna das escalas. Foram obtidas as médias e
desvios padrão dos resultados obtidos nas três escalas em que se divide o
questionário.
7
Num segundo passo foi investigada a relação dos resultados, obtidos
em cada uma das três escalas, com os valores da distribuição do IMC. Foi
ainda estudada a associação entre o IMC e os valores conjugados das três
escalas.
RESULTADOS I
Os participantes foram 191 sujeitos dos quais 114 (59.7%) eram do
sexo feminino e 77 (40.3%) do sexo masculino. As idades distribuíam-se entre
os 18 e os 52 anos, sendo a média 30,9 (DP 8,8).
Com os valores de peso e altura foi calculado o Índice de Massa
Corporal (IMC) através da fórmula de Quetelet: IMC= Peso/estatura ² (Garrow
& Webster, 1985). O valor médio de IMC foi 24.2 (D.P. 4.36).
A idade média do grupo feminino foi 30.5 (D.P. 8.8) e o IMC médio 23.5
(D.P. 4.6). A idade média do grupo masculino foi 31.7 (D.P. 7.5) e o IMC 25.2
(D.P. 3.8).
Validade de Constructo
Análise Factorial
Foram Analisados o índice de adequação da amostra de Kaiser-Meyer-
Olkin (KMO) e o teste de esfericidade de Bartlett. O KMO foi de .90 e o Qui ²
do teste de Bartlett 4111.49 (p>.000), sugerindo ambos a possibilidade de os
dados serem sujeitos à análise factorial.
Na análise factorial utilizamos o procedimento dos “eixos principais” com
rotação varimax. Numa análise inicial foram extraídos os factores com
eigenvalue superior a 1, de acordo com a definição prévia do programa
8
estatístico. Obtiveram-se assim 6 factores que explicavam respectivamente
30.8%, 16.2%, 8.4%, 4.1%, 3.8%, e 3.3% da variância, no total estes factores
explicavam 66.6% da variância. O primeiro factor incluía os 13 itens da escala
de Ingestão Emocional e o segundo incluía os 10 itens da escala de Restrição
Alimentar. Os itens da escala de Ingestão Externa distribuíam-se pelo terceiro
factor (itens 15, 21 e 24), quarto (itens 2, 6, 9, e 12), quinto (item 33) e sexto
factor (itens 18 e 27). Esta solução estava muito próxima da solução proposta
pelos autores particularmente no caso dos 2 primeiros factores, o terceiro
(Ingestão Externa), no entanto, encontrava-se fragmentado.
Realizamos uma segunda análise, forçando agora uma solução com três
factores apenas, seguindo o procedimento de Wardle (1987). O resultado
obtido mostrou-se coincidente com a solução obtida pelos autores, em que os
itens se distribuíram pelos factores correspondentes às três escalas (van Strien
et al. 1986; Wardle, 1987). No quadro I podem observar-se estes resultados
assim como os valores de saturação de cada item.
9
Quadro I. Índices de saturação dos 33 itens do questionário organizados
pelas três escalas e distribuídos pelos respectivos factores.
ESCALA DE INGESTÃO EMOCIONAL FACTOR I FACTOR II FACTOR III
1. Tem desejo de comer quando se sente irritado?
3. Sente desejo de comer quando não tem nada que
fazer?
5.Tem desejo de comer quando se sente deprimido
ou desanimado ?
8. Tem desejo de comer quando se sente sozinho?
10. Sente desejo de comer quando alguém o deixa “em
baixo” ?
13. Tem desejo de comer quando se sente zangado?
16. Sente desejo de comer quando alguma coisa
desagradável está prestes a acontecer ?
20. Tem desejo de comer quando se sente ansioso,
preocupado ou tenso ?
23. Sente desejo de comer quando as coisas lhe
correm mal ou não lhe correm de feição ?
25. Tem desejo de comer quando se sente impaciente?
28. Tem desejo de comer quando se sente aborrecido?
30. Tem desejo de comer quando se sente
amedrontado?
32. Tem desejo de comer quando se sente
desapontado ou desiludido ?
.703
.449
.746
.567
.809
.766
.747
.810
.860
.744
.896
.656
.827
.163
.044
.269
.146
.122
.106
.112
.165
.072
.061
.098
.052
.130
.105
.319
.048
.166
.132
.089
.206
.060
.019
.213
.121
.184
.048
ESCALA DE RESTRIÇÃO ALIMENTAR
4. Quando o seu peso aumenta come menos do que o
habitual?
7. Com que frequência recusa comida ou bebidas, por
estar preocupado com o seu peso?
11. Durante as refeições tenta comer menos do que
gostaria de comer?
14. Controla minuciosamente o que come ?
17. Come propositadamente alimentos que fazem
emagrecer?
19. Quando come demasiado procura comer menos no
dia seguinte?
22. Come menos propositadamente para não aumentar
o seu peso?
26. Com que frequência tenta não comer entre as
refeições porque está a controlar o seu peso ?
29. Com que frequência tenta não comer, durante a
tarde, porque está a controlar o seu peso ?
31.Toma em consideração o seu peso quando escolhe
o que vai comer ?
.079
.143
.179
-.018
.309
.166
.090
.162
.095
.084
.731
.829
.768
.467
.598
.744
.938
.752
.691
.808
.094
-.041
-.069
-.045
.045
.059
-.046
-.064
-.038
-.020
ESCALA DE INGESTÃO EXTERNA
2. Se a comida lhe sabe bem, come mais do que o
habitual?
6. Se a comida cheira bem ou tem bom aspecto, come
mais do que o habitual?
9. Se vê ou cheira algo delicioso, sente desejo de o
comer?
12. Se tem alguma coisa deliciosa para comer come-a
de imediato ?
15. Quando passa por uma padaria apetece-lhe
comprar algo delicioso?
18. Se vê alguém a comer sente também desejo de
comer?
21. Consegue resistir a comer alimentos deliciosos? (*)
24. Quando passa por uma confeitaria ou “snack-bar”
sente desejo de comprar alguma coisa deliciosa ?
27. Come mais do que o habitual quando vê alguém a
comer?
33. Quando está a preparar uma refeição apetece-lhe
comer (petiscar) alguma coisa ?
-.010
-.000
.153
.106
.283
.240
.056
.379
.369
.052
-.021
-.075
-.034
-.015
-.035
.006
.004
.073
.110
-.037
.547
.592
.580
.621
.566
.547
.409
.569
.436
.409
(*) Este item é cotado numa escala inversa dos restantes.
10
Homogeneidade e fiabilidade
A homogeneidade de cada escala foi investigada recorrendo a nova
análise factorial realizada apenas com os itens dessa escala (Wardle et al.,
2001). Assim para a escala de Ingestão Emocional foi extraído um só factor
com eigenvalue superior a 1, este factor explicava 61.8% da variância dos
resultados da escala. Na escala de Restrição foi obtida, também, uma solução
de um só factor que explicava 60.6% da variância. Na escala de Ingestão
Externa foram extraídos três factores com eigenvalue superior a 1 que no
conjunto explicavam 61.9% da variância da escala. O primeiro destes factores
incluía os itens 15, 18, 24 e 27, o segundo os itens 2, 6 e 33, e o terceiro factor
agrupava os itens 9, 12 e 21.
Foi investigada a fiabilidade de cada uma das três escalas do
questionário através do coeficiente de consistência interna alpha de Crombach.
O valor de alpha na escala de Ingestão Emocional, foi .94, na escala de
Restrição .92, e na escala de Ingestão Externa .81. É de notar que nenhum dos
itens do questionário fazia variar de modo significativo o alpha da respectiva
escala.
Resultados Médios
Apresentam-se os resultados médios obtidos para a idade, IMC, e em
cada uma das escalas do questionário, no total e nos grupos masculino e
feminino separadamente (Quadro II). Testadas as diferenças de médias entre
os dois grupos e utilizando o teste “t” de Student, verificamos serem
11
estatisticamente significativas as diferenças entre as médias do IMC (t = 2.8, p<
.006) da escala de restrição (t = 3.1, p< 0.002) e ingestão emocional (t = 4.5,
p< 0.000). Na idade e na escala de ingestão externa não se verificaram
diferença significativa atribuída ao género.
Quadro II. Valores da Idade, IMC e de cada escala (Média e Desvio
Padrão) no Total e nos grupos de Mulheres e Homens.
Total
(N = 191) Mulheres
(n=114) Homens
(n=77)
Idade 31.0 (± 8.3) 30.5 (± 8.9) 31.7 (± 7.5)
IMC 24.2 (± 4.2) 23.5 (± 4.4) 25.2 (± 3.8)
Restrição Alimentar 2.06 (± .85) 2.22 (± .88) 1.84 (± .88)
Ingestão Emocional 1.95 (± .76) 2.14 (±.78) 1.67 (± .78)
Ingestão Externa 2.76 (± .55) 2.74 (±.57) 2.78 (± .57)
Foi, também, estudada a associação entre as diversas escalas. Para o
efeito calculamos os índices de correlação no total da amostra e
separadamente para os dois sexos. No quadro III verifica-se que em todos os
grupos a restrição alimentar se correlaciona positivamente com a ingestão
emocional mas não com a ingestão externa. Esta última correlaciona-se
positivamente com a ingestão emocional.
Quadro III. Valores da correlação (“r” de Pearson) entre os resultados
das escalas no Total e por sexos.
Total
(n=191) Mulheres
(n=114) Homens
(n=77)
Restrição Alimentar/
Ingestão Emocional
.30 p< .000
.23 p< .013
.29 p< .012
Restrição Alimentar/
Ingestão Externa
.02 N.S.
- .04 N.S.
.15 N.S.
Ingestão Emocional /
Ingestão Externa
.40 p< .000
.46 p< .000
.37 p< .001
12
RESULTADOS II
A validação externa foi investigada através do estudo da associação
entre os resultados de IMC e as três escalas de estilo alimentar. No quadro IV
pode observar-se que, em qualquer dos grupos, existe uma correlação positiva
significativa apenas entre o IMC e o resultado da escala Restrição.
Quadro IV. Coeficientes de correlação (“r” de Pearson) entre o IMC e os
resultados das escalas de estilo alimentar, no total e nos dois
sexos.
Total
(n = 191) Mulheres
(n = 114) Homens
(n = 77)
IMC IMC IMC
Restrição Alimentar .30 p< .000 .37 p< .000 .39 p< .001
Ingestão Emocional .06 N.S. .09 N.S. .14 N.S.
Ingestão Externa -.10 N.S. -.22 N.S. .01 N.S.
Foi ainda investigada a relação entre os valores obtidos nas três escalas
do questionário tomadas em conjunto e os valores do IMC. Os resultados das
escalas foram, para o efeito, categorizadas através do recurso a uma análise
de clusters (K-Means Cluster Analysis). Desta forma obtivemos quatro grupos
que identificamos como: - Cluster 1, com 40 indivíduos dos quais 23 são do
sexo feminino, neste conjunto estão os sujeitos que apresentam valores
médios elevados apenas na escala de Restrição,. - Cluster 2, com 44 sujeitos
dos quais 36 são do sexo feminino, aqui agrupam-se os indivíduos que
obtiveram valores médios elevados nas três escalas. - Cluster 3, incluem-se
aqui os participantes que obtiveram médias baixos nas três escalas num total
63 sujeitos dos quais 28 são mulheres. - Cluster 4, juntam-se neste conjunto os
restantes 44 participantes 27 dos quais são mulheres, que obtiveram médias
elevadas nas escalas de Ingestão Emocional e Ingestão Externa. A análise da
13
distribuição dos sujeitos pelos quatro grupos separados por sexos, revelou
diferenças significativas (Qui ²= 15.17, p< .002), pelo que se conclui que no
Cluster 2 há significativamente mais mulheres do que homens e o contrário no
Cluster 3.
Foram observadas as relações considerando a amostra na totalidade e,
também, separada em função do sexo dos participantes. Nas distribuições no
total e por sexos dos participantes a análise de variância univariada sugere que
os valores de IMC divergem significativamente ao longo dos Clusters. O teste
de Bonferoni mostra, no entanto, que no que se refere à amostra no seu todo,
apenas são significativas as diferenças de IMC entre os Clusters 1 versus 3 (p<
.02) e 1 versus 4 (p< .02), e ainda 2 versus 3 (p< .02) e 2 versus 4 (p< .01). No
sexo feminino, apenas as diferenças entre Cluster 2 versus 3 (p< .02) e 2
versus 4 (p< .01). No sexo masculino apenas a diferença entre o IMC do
Cluster 1 versus 3 era, no limite, estatisticamente significativa (p< . 056). Os
resultados descritos verificam-se no quadro V.
Quadro V. Análise da variância da distribuição do IMC em função da
categorização do estilo alimentar em clusters no total da
amostra e nos dois sexos.
Total
N= 191 Mulheres
N = 114 Homens
N = 77
IMC F IMC F IMC F
Cluster 1 Média
D.P. 25.6
(±3.9) 24.6
(±3.9) 26.9
(±3.5)
Cluster 2 Média
D.P. 25.6
(±4.3)
6.15 25.2
(±4.5)
5.14 27.6
(±3.2)
3.74
Cluster 3 Média
D.P. 23.2
(±3.5) p< .001 22.1
(±3.7) p< .002 24.1
(±3.2) P< .015
Cluster 4 Média
D.P. 22.9
(±4.6) 21.8
(±4.3) 24.7
(±4.7)
14
DISCUSSÃO
Os resultados da análise factorial confirmam a validade e robustez deste
instrumento e a sua aplicabilidade a uma população portuguesa. Em
comparação com os pressupostos originais, não se confirmou, no entanto, a
hipótese da separação da escala Ingestão Emocional em dois factores,
Emoções Precisas e Emoções Difusas, tal como tinha sido descrito pelos
autores (van Strien et al., 1986), mas não replicada na validação inglesa
(wardle, 1987). Embora a solução inicialmente encontrada neste trabalho
implicasse a existência de 6 factores, os quatro últimos eram todos relativos à
mesma escala (Ingestão Externa). A utilização de uma solução forçada de 3
factores permitiu encontrar uma distribuição de itens/factores perfeitamente
coincidente com a solução original. A investigação da homogeneidade,
realizada através da análise factorial e da análise da consistência interna,
realizadas para cada escala, confirmou que a solução de três factores era
pertinente
Os resultados médios encontrados na nossa amostra são sobreponíveis
aos resultados referidos no estudo original e idênticos aos da validação inglesa
(Wardle, 1987). O grupo feminino apresenta níveis mais elevados de restrição
e também de ingestão emocional do que o grupo masculino, não se tendo
verificado diferenças nos valores de ingestão externa. A correlação significativa
encontrada entre as escalas I. Emocional e I. Externa vai de encontro à
hipótese que refere que a ingestão desinibida em situação de “stress” estará
associada a indicios fornecidos pelos alimentos – hipótese de externalidade. A
grande emotividade em situações de “stress” é, em geral, considerada um
15
atributo das pessoas com grande reactividade aos estímulos externos (Wardle,
1987).
Verificamos também uma correlação significativa entre Restrição e I.
Emocional. Uma associação deste tipo está descrita no trabalho original (van
Strien et al., 1986) e é atribuída ao efeito do “stress” e instabilidade emocional
causado pelo envolvimento em dietas restritivas. Esta relação entre restrição e
Ingestão emocional pode dever-se à possibilidade do factor “restrição” poder
não ser um constructo unidimensional (apesar nos nossos resultados sobre
homogeneidade de cada escala). Ogden (1993) considera que temos de
distinguir dois tipos de restritivos, os que conseguem fazer dieta e os que
tentam mas não conseguem. Os do último grupo serão provavelmente também
desinibidos e, portanto, quando sujeitos a situações emotivas tenderão a
descontrolar-se e a romper com a dieta (van Strien, 1996). Em sujeitos
altamente restritivos, aqueles que apresentam baixos valores na escala I.
Emocional do DEBQ ou na escala de Desinibição do TFEQ, não aumentam a
ingestão quando lhes são apresentados alimentos após uma primeira ingestão.
Pelo contrário, os sujeitos altamente restritivos que tem resultados elevados
também na escala I. Emocional, tendem a manifestar o efeito de “contra-
regulação” anteriormente descrito (van Strien, 1999).
Quando associamos o IMC aos resultados das diversas escalas nos dois
sexos encontramos correlações positivas significativas entre o IMC e os valores
da escala Restrição. Esta relação está de acordo com a grande importância
atribuída ao factor restrição como preditor do peso em excesso ( e. g. Pirke &
Laessel, 1993).
16
Tendo em consideração que o comportamento e estilo alimentar devem
ser estudados do ponto de vista multidimensional, como resultado da
interacção de todos os factores (Wardle, et al., 2001), decidimos utilizar este
critério como forma de reforçar a investigação da validade externa do
questionário. A categorização de diversos tipos de estilo alimentar tendo em
conta a combinação entre os resultados das três escalas, foi a forma que
encontramos para por em prática este critério. Esta metodologia já se tinha
revelado valida e dado frutos (Viana, 2000). Os 4 clusters de estilo alimentar
implicam combinações em que, num caso só o resultado em Restrição é
elevado (C 1), noutro ainda todos os resultados são elevados (C 2), no terceiro
caso todos os resultados são baixos (C 3) e, por fim, só os resultados de I.
Emocional e I. Externa são elevados (C 4). Os resultados da distribuição do
IMC por estes quatro grupos demonstram que esta categorização é pertinente.
As diferenças são significativas particularmente no sexo feminino e quando se
compara o grupo que apresenta valores elevados nas três escalas (CL 2) e
com IMC mais elevado, com o grupo que apresenta valores baixos em todas as
escalas (CL 3) ou com o grupo com valores elevados em I. Emocional e
também I. Externa (CL 4), estes últimos com IMC mais baixo. No grupo
masculino, a diferença estatisticamente significativa entre os valores de IMC
verifica-se quando se compara o grupo com valores elevados na escala
Restrição (CL 1) apresentando este IMC mais elevado, com o grupo com
valores baixos em todas as escalas (CL 3) e IMC mais baixo.
Comprova-se, assim, a grande importância de restrição e também dos
factores emocional e externalidade, estes mais no género feminino, enquanto
determinantes do IMC.
17
CONCLUSÃO
A importância do constructo “estilo alimentar” reside no seu potencial
contributo para a investigação sobre o comportamento alimentar especialmente
quando estão implicadas dietas, o que se nos afigura como fundamental na
educação e prevenção no âmbito da saúde. As dietas como forma de
emagrecer, entre outras estratégias, são muito comuns entre os jovens mas
são também tratamentos necessários em certos casos, por exemplo entre os
diabéticos e outros grupos com doença crónica, em regra têm implicações
positivas e negativas para a saúde. É curiosos notar que as anorécticas e as
bulímicas apresentam índices elevados de restrição alimentar tal como se
verifica, paradoxalmente, com os obesos. Em investigações recentes concluiu-
se que entre os adolescentes (Viana, 2000) e os jovens adultos (Moreira, 2001)
os mais restritivos eram os que apresentavam IMC mais elevado, em acordo
com a bibliografia sobre o assunto.
O estilo alimentar pode, até certo ponto, ser alterado Os sujeitos
“restritivos” são sensíveis à informação nutricional, especialmente a que se
refere à composição energética dos alimentos, e respondem bem às técnicas
de modificação do comportamento que envolvem o controlo de estímulos. Os
“desinibidos” respondem bem às técnicas de reestruturação cognitiva que
visam habilitar o sujeito para lidar com os alimentos e procedimentos
“proibidos” e com a ansiedade e o “stress”. Os indivíduos sensíveis aos sinais
externos reagem eficazmente a técnicas que ajudem a interpretar e lidar com
18
sensações identificadas com a fome ou a saciedade (Stunkard & Messick,
1985).
O questionário que apresentamos, após análise das suas características
psicométricas, revelou ser um instrumento adequado ao estudo do
comportamento alimentar da população portuguesa. Apesar de nesta
investigação termos utilizado um grupo de participantes onde se identificava
um grupo com obesidade, o questionário foi criado para investigar também
grupos com perturbações como bulimia e anorexia.
19
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PALAVRAS CHAVE
Comportamento alimentar, estilo alimentar, restrição, perturbações alimentares,
excesso de peso.
23
RESUMO
Este trabalho visa validar o Questionário Holandês do Comportamento
Alimentar para a população portuguesa.
Os participantes foram 192 sujeitos dos dois sexos de idades entre 18 e
52 anos. A análise dos resultados confirmou a existência de uma estrutura de
três factores, de acordo com a hipótese teórica subjacente, que são: restrição,
ingestão emocional e ingestão externa. A comparação entre os valores do IMC
distribuídos por quatro grupos de sujeitos, estabelecidos em função dos
resultados obtidos no questionário, confirmou a importância da interacção entre
os três factores e, em especial, da restrição alimentar enquanto determinantes
do peso.
Conclui-se que o instrumento é adequado ao estudo do comportamento
e estilo alimentar na população portuguesa.
ABSTRACT
The aim of this research was to validate de Dutch Eating Behaviour
Questionnaire (DEBQ) for the Portuguese population.
Participants were 192 subjects aged 18 to 52 years, from both gender.
As the theory beyond proposed, factor analysis confirmed a structure with three
factors that were restraint, emotional eating and external eating. The distribution
of value of BMI by groups of subjects organized by results of the questionnaire
confirmed the importance of the interaction of the three factors, and especially
of restraint, in overweight.
Conclusion is that this questionnaire seems to be adequate to the
research of eating behaviour and eating style in the Portuguese population.
... Estado nutricional e consumo alimentar O comportamento alimentar em toda sua complexidade de fatores envolvidos e fatores influenciadores exerce forte e importante efeito no estado nutricional do indivíduo, seja na direção do sobrepeso e obesidade ou na perspectiva de perda de peso. 19 Nesse contexto, as três mais estudadas esferas do comportamento alimentar: restrição alimentar, ingestão emocional e ingestão externa estão sendo intensamente investigadas no sentido de explicar o estado nutricional e as mudanças de peso corporal em indivíduos adultos. 20 Essas três vertentes do comportamento alimentar mostraram contribuir de forma positiva em aumentar o IMC. ...
... No entanto, também pode ser utilizado no intuito de avaliar o estilo alimentar de indivíduos saudáveis ou grupos de indivíduos que frequentemente se submetem a dietas, como atletas e bailarinos. 19 A versão original do questionário desenvolvida por Van Strien et al., 58 foi adaptada e validada para a população inglesa por Wardle, 59 o qual demonstrou que o questionário é extremamente útil em identificar os estilos alimentares que caracterizam os pacientes diagnosticados com bulimia ou anorexia nervosa ou os pacientes sobrepesados. Assim, o instrumento mostrouse eficaz para avaliar pacientes com desordens alimentares e de peso. ...
... Posteriormente, o instrumento foi traduzido para o português e dois anos mais tarde foi validado e considerado adequado ao estudo do comportamento alimentar em população portuguesa por meio de uma amostra composta por 191 jovens e adultos de ambos os sexos. 19 Estudo realizado com 1562 funcionários de um banco da Holanda utilizou o DEBQ no intuito de, através de sua aplicação, revelar diferentes comportamentos alimentares e posteriormente associá-los a fatores de estilo de vida e mudanças no IMC. 21 O DEBQ foi também utilizado em estudo que comparou o comportamento alimentar, o estilo de vida, a compulsão alimentar e a história de peso entre indivíduos obesos e indivíduos que obtiveram sucesso na perda de peso, no intuito de identificar as diferenças desses aspectos nos distintos grupos. ...
Article
Introdução: O comportamento alimentar é definido como um conjunto de ações realizadas desde o momento da escolha do alimento a ser consumido. Comportamentos alimentares de risco podem desencadear o desenvolvimento de patologias e transtornos alimentares. Objetivo: refletir e discutir sobre o comportamento alimentar e os fatores associados em servidores. Método: Trata-se de uma revisão narrativa realizada com base em periódicos nacionais e internacionais abordando assuntos relacionados ao tema. As bases consultadas foram Bireme, LILACS, SciELO, Pubmed e portal de periódicos CAPES. Resultados: A pesquisa bibliográfica revelou que fatores relacionados ao estresse frequente derivado da rotina e pressão em relação ao desempenho no trabalho são indicativos de que alguns trabalhadores sejam um grupo susceptível a comportamentos alimentares de risco. A associação bidirecional entre qualidade de vida e desordens do comportamento alimentar vem sendo evidenciada e o estresse psicológico e a qualidade de vida referente ao bem-estar mental estiveram relacionados com a piora dos sintomas de desordens alimentares. Além disso, revelou-se que sintomas de desordens alimentares contribuíram em intensificar o estresse psicológico e reduzir os níveis de qualidade de vida. Conclusões: Através do estudo reforça-se que os distúrbios no comportamento alimentar provenientes de alterações psicológicas como ansiedade, estresse e atitudes alimentares a fim de reduzir tensões, podem ocasionar o consumo excessivo de alimentos resultando em obesidade. Assim, o ambiente de trabalho é o local ideal para o desenvolvimento de estudos investigativos, diagnósticos e de intervenção para doenças, pois o indivíduo passa a maior parte da sua vida nesse ambiente.
... Em síntese, indivíduos comem para resolver ou compensar problemas, tanto para os quais não têm consciência, como para solucionar sentimentos de rejeição e/ou discriminação sentidos nas diferentes relações sociais, tornando a comida importante fonte de prazer 4,18 . Nestas situações, indivíduos não propensos à ingestão emocional, tendem a apresentar o apetite diminuído 19 . Nesse contexto, o chamado apetite emocional pode atuar sobre as escolhas alimentares quali-quantitativamente, seja nas situações negativas, seja nas positivas 20 . ...
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Resumo A obesidade e seus determinantes são foco de amplas pesquisas, dentre tais determinantes, encontra-se o apetite emocional, definido como a tendência a comer em excesso em reposta às emoções negativas. Alguns instrumentos foram criados para mensurar esse constructo, dentre eles o “Emotional Appetite Questionnaire” (EMAQ). O objetivo deste estudo foi realizar adaptação transcultural e avaliação de propriedades psicométricas do EMAQ em mulheres de língua portuguesa. Realizou-se uma pesquisa com 450 mulheres, mediante a adaptação transcultural e avaliação de propriedades psicométricas do instrumento (validade e confiabilidade). A consistência interna do instrumento foi medida pelo Alfa de Cronbach e a estabilidade foi feita por meio do teste-reteste. O instrumento demonstrou boa consistência interna e correlação intraclasse. As entrevistadas não referiram alteração do consumo alimentar frente às emoções e situações positivas. Houve tendência a redução do apetite emocional quando submetidas a emoções e situações negativas. O Questionário de Apetite Emocional (QUEAPEM) apresentou-se como um instrumento confiável, de fácil aplicação e administração, para avaliação do apetite emocional na língua portuguesa.
... Eating Behavior Assessment: The Dutch Eating Behavior Questionnaire (DEBQ) (17) evaluates emotional, external, and restrained eating behaviors (18). This instrument has been validated for use in Brazil (19). ...
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Our aim was to analyze and compare the effects of three different long-term treatments on anthropometric profiles, eating behaviors, anxiety and depression levels, and quality of life of groups of adults with obesity. Methods: The 43 participants in the study were randomly assigned to one of three groups: the education and health group (EH, n = 12), which received lectures on health topics; the physical exercise group (PE, n = 13), which underwent physical training; and the interdisciplinary therapy plus cognitive behavioral therapy (IT + CBT) ( n = 18) group, which received physical training, nutritional advice, and physical and psychological therapy. Results: Total quality of life increased significantly in the EH group (△ = 2.00); in the PE group, body weight significantly decreased (△ = −1.42) and the physical domain of quality of life improved (△ = 1.05). However, the most significant changes were seen in the IT + CBT group, in which the anthropometric profile improved; there were an increase in quality of life in all domains (physical, psychological, social, and environmental), an improvement in eating behaviors [Dutch Eating Behavior Questionnaire (DEBQ), total △ = −8.39], and a reduction in depression [Beck Depression Inventory (BDI), △ = −10.13). Conclusion: The IT + CBT program was more effective than the PE and EH programs. Clinical Trial Registration Number: NCT02573688 .
... The DEBQ (van Strien et al., 1986;Viana and Sinde, 2003) is composed of a 33-item measure assessing emotional eating (occurrence of overeating as a way to cope with emotions), external eating (eating in response to the sight or smell of food), and restrained eating behavior (pattern of dietary restraint that is followed by increased consumption and binge eating). Each item is rated on a 5-point scale ranging from 1 (never) to 5 (very often). ...
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Obesity coupled with binge eating disorder (BED) is an increasing problem. Incorporation of treatment strategies that address both problems in people with comorbid symptoms is of major interest. This study aimed to investigate the feasibility and preliminary long-term outcomes of a brief emotion-focused cognitive behavioral therapy (EF-CBT) program. Seven out of 10 women with obesity and BED completed the intervention. Standardized outcome measures to assess the intensity of distress caused by complaints, psychological distress, emotional processing, eating behavior, and weight loss were completed at baseline, end-of-treatment, 6-and 18-month follow-ups. Individualized outcome measures were also applied to describe the personal experiences during the intervention. Findings suggest the program's long-term efficacy for improving psychological distress, emotional processing, and alexithymia. Positive reliable changes in emotional processing and alexithymia were observed in almost all participants. The mean intensity of distress caused by complaints also decreased at the end of the intervention, with a large effect size (d = 0.89). Reliable changes in these outcome measures were observed at all time-points, despite the mean scores for the 18-month follow-up suggest a retraction in improvement. Weight loss was below expectations at all time-points, as were changes in emotional and external eating. Restrained eating mean scores remained stable throughout the study. Participants perceived the program to be useful in improving emotional awareness and eating control. Program feasibility was supported by the retention rate (70%) and the average number of attended sessions (M = 9.71; SD = 2.06). Further studies are needed to examine the effectiveness of EF-CBT interventions.
Article
While classically linked to memory, the hippocampus is also a feeding behavior modulator due to its multiple interconnected pathways with other brain regions and expression of receptor for metabolic hormones. Here we tested whether variations in insulin sensitivity would be correlated with differential brain activation following exposure to palatable food cues, as well as with variations in implicit food memory in a cohort of healthy adolescents, some of whom were born small for gestational age (SGA). Homeostatic Model Assessment of Insulin Resistance (HOMA-IR) was positively correlated with activation in the cuneus, and negatively correlated with activation in the middle frontal lobe, superior frontal gyrus and precuneus when presented with palatable food images versus non-food images in healthy adolescents. Additionally, HOMA-IR and insulinemia were higher in participants with impaired food memory. SGA individuals had higher snack caloric density and greater chance for impaired food memory. There was also an interaction between the HOMA-IR and birth weight ratio influencing external eating behavior. We suggest that diminished insulin sensitivity correlates with activation in visual attention areas and inactivation in inhibitory control areas in healthy adolescents. Insulin resistance also associated with less consistency in implicit memory for a consumed meal, which may suggest lower ability to establish a dietary pattern, and can contribute to obesity. Differences in feeding behavior in SGA individuals were associated with insulin sensitivity and hippocampal alterations, suggesting that cognition and hormonal regulation are important components involved in food intake modifications throughout life.
Article
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Many studies have sought to understand what makes people choose and eat certain types of food. It is known that human eating behavior is influenced by a number of factors, and among these, physiological and emotional factors have been highlighted by their potential to trigger two distinct types of eating styles: intuitive and emotional feeding, respectively. In order to promote healthy habits and minimize pathological eating behaviors, Mindfulness's ability has been shown to be an accessible tool to assist individuals in the context of food choices. However, the way these relationships occur remains unclear in the Brazilian scenario, as well as their observation in the general population. Thus, from a quantitative and explicative design, the present research sought to investigate the relationships and predictive values of this ability and its dimensions for higher levels of intuitive feeding and for lower levels of emotional feeding. The sample consisted of 209 participants aged over 18 years. The results indicated that higher levels of Mindfulness as a total score and, mainly, higher levels in the 'observe' and 'not react' dimensions predicted the total of the intuitive feeding, while higher Mindfulness scores and in the dimensions 'acting with conscience' not react’ predicted lower rates of emotional eating. It is concluded, therefore, that the ability of Mindfulness, in fact, contributes to the variation of these food styles, however, new research is necessary in order to verify the impact of mediating variables of this relation.
Article
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Background Neurobehavioral decision profiles have often been neglected in chronic diseases despite their direct impact on major public health issues such as treatment adherence. This remains a major concern in diabetes, despite intensive efforts and public awareness initiatives regarding its complications. We hypothesized that high rates of low adherence are related to risk-taking profiles associated with decision-making phenotypes. If this hypothesis is correct, it should be possible to define these endophenotypes independently based both on dynamic measures of metabolic control (HbA1C) and multidimensional behavioral profiles. Methods In this study, 91 participants with early-stage type 1 diabetes fulfilled a battery of self-reported real-world risk behaviors and they performed an experimental task, the Balloon Analogue Risk Task (BART). Results K -means and two-step cluster analysis suggest a two-cluster solution providing information of distinct decision profiles (concerning multiple domains of risk-taking behavior) which almost perfectly match the biological partition, based on the division between stable or improving metabolic control (MC, N = 49) v. unstably high or deteriorating states (NoMC, N = 42). This surprising dichotomy of behavioral phenotypes predicted by the dynamics of HbA1C was further corroborated by standard statistical testing. Finally, the BART game enabled to identify groups differences in feedback learning and consequent behavioral choices under ambiguity, showing distinct group choice behavioral patterns. Conclusions These findings suggest that distinct biobehavioral endophenotypes can be related to the success of metabolic control. These findings also have strong implications for programs to improve patient adherence, directly addressing risk-taking profiles.
Article
O objetivo da pesquisa foi avaliar o estilo alimentar, a qualidade de vida e o nível de estresse em um grupo de indivíduos praticantes de atividades física e de sedentários e, ainda, verificar se estes se diferenciam no que diz respeito às variáveis analisadas. Participaram desta pesquisa 135 pessoas que foram agrupadas em dois grupos. O grupo 0 composto por 66 praticantes de atividade física, e o grupo 1 por 69 sedentárias. Do total, 81 são do sexo masculino e 54 do feminino, com idade mínima de 20 anos e máxima de 72 anos. Os instrumentos utilizados foram: Questionário Sociodemográfico, Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), WHOQOL-Bref Questionnaire e Questionário dos Três Fatores (TFEQ-R21). Os resultados indicaram que o estresse está mais presente e de forma mais grave nos sedentários, assim como a alimentação descontrolada e direcionada pelas emoções, o que, consequentemente, está relacionado à uma pior qualidade de vida, comparados aos que praticam atividade física. Ou seja, aquele que faz da atividade física, imprescindível para a sua saúde, possui diversos benefícios, como estresse reduzido, alimentação balanceada e melhor qualidade de vida. Dessa forma, existe uma interrelação importante entre os construtos qualidade de vida, estilo alimentar e estresse.
Article
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Emotional eating: historical narrative and a current panorama Introduction: The food intake when used to deal with negative emotions, as a form of response to them, is called emotional eating. Objective: Demonstrate the history and direction of research related to emotional eating. Materials and Methods: A narrative review of the literature was performed in the electronic databases (Pubmed and Scielo), using the descriptors: "emotional eating", "restrained eating", "dietary restraint", "negative affect" and "negative mood". In this review, papers since 1983 have been included. Results: The studies found relate the emotional eating with biopsychosocial factors related to emotional alteration and consequent influence on food intake, such as obesity and eating disorders, besides evaluation instruments and intervention to deal with this behavior. There has been an increase in the availability of papers on the theme over the years, most of them being developed in English-speaking countries. Conclusion: Interest in the topic has been increased throughout the review period and will likely remain in the next years due to the modern lifestyle with emotional impact, such as increased levels of stress, anxiety and depression, as well as increased cases of obesity and eating disorders. Key words: Emotions. Appetite regulation. Feeding behavior
Article
The development of the Dutch Eating Behaviour Questionnaire (DEBQ) with scales for restrained, emotional, and external eating is described. Factor analyses have shown that all items on restrained and external eating each have high loadings on one factor, but items on emotional eating have two dimensions, one dealing with eating in response to diffuse emotions, and the other with eating in response to clearly labelled emotions. The pattern of corrected item-total correlation coefficients and of the factors was very similar for various subsamples, which indicates a high degree of stability of dimensions on the eating behavior scales. The norms and Cronbach's alpha coefficients of the scales and also the Pearson's correlation coefficients to assess interrelationships between scales indicate that the scales have a high internal consistency and factorial validity. However, their external validity has yet to be investigated.
Article
Reports studies to examine the hypothesis that obese persons are more responsive to external cues and less to internal physiological cues associated with hunger, than nonobese persons. Various experiments were carried out in which preliminary eating, fear, circumstances of eating, and manipulating time were related to amounts eaten by normal and obese Ss under controlled conditions. In addition, other studies on effects of taste, fasting, choice of eating place, and time-zone changes on eating patterns of obese and nonobese Ss are reviewed. Results consistently support the finding that the obese are "relatively insensitive to variations in the physiological correlates of food deprivation but highly sensitive to environmental, food-related cues . . . ." These findings help to explain why many weight control programs for the obese are temporary in their effectiveness. (18 ref.) (PsycINFO Database Record (c) 2012 APA, all rights reserved)
Article
Individual differences in several aspects of eating style have been implicated in the development of weight problems in children and adults, but there are presently no reliable and valid scales that assess a range of dimensions of eating style. This paper describes the development and preliminary validation of a parent-rated instrument to assess eight dimensions of eating style in children; the Children's Eating Behaviour Questionnaire (CEBQ). Constructs for inclusion were derived both from the existing literature on eating behaviour in children and adults, and from interviews with parents. They included reponsiveness to food, enjoyment of food, satiety responsiveness, slowness in eating, fussiness, emotional overeating, emotional undereating, and desire for drinks. A large pool of items covering each of these constructs was developed. The number of items was then successively culled through analysis of responses from three samples of families of young children (N= 131; N= 187; N= 218), to produce a 35-item instrument with eight scales which were internally valid and had good test-retest reliability. Investigation of variations by gender and age revealed only minimal gender differences in any aspect of eating style. Satiety responsiveness and slowness in eating diminished from age 3 to 8. Enjoyment of food and food responsiveness increased over this age range. The CEBQ should provide a useful measure of eating style for research into the early precursors of obesity or eating disorders. This is especially important in relation to the growing evidence for the heritability of obesity, where good measurement of the associated behavioural phenotype will be crucial in investigating the contribution of inherited variations in eating behaviour to the process of weight gain.
Article
The Eating Behavior Inventory (EBI) is a self-report instrument for assessing behaviors that have been theoretically implicated in weight loss, e.g., self-monitoring of food intake and of weight, refusing offers of food, eating at only one place, shopping from a list, eating in response to emotions. Thirty items were constructed in the form of first-person statements, e.g., I eat in the middle of the night. Each item was to be rated with a 5-point scale according to how often it was true for the respondent. Items were scored such that higher scores always reflected more appropriate (theoretically facilitative of weight control) eating patterns. Validity of individual items and total score was assessed in four studies. Twenty-six of the original items appeared valid and were retained. The resulting total score demonstrated validity in these studies and in two cross-validational comparisons. Internal consistency as measured by split-half reliability and correlations of item scores with total score was acceptable. One month test-retest reliability of item and total scores was satisfactory. Clinical and research applications of the EBI are discussed.
Article
The development of the Dutch Eating Behaviour Questionnaire (DEBQ) with scales for restrained, emotional, and external eating is described. Factor analyses have shown that all items on restrained and external eating each have high loadings on one factor, but items on emotional eating have two dimensions, one dealing with eating in reponse to diffuse emotions, and the other with eating in response to clearly labelled emotions. The pattern of corrected item-total correlation coefficients and of the factors was very similar for various subsamples, which indicates a high degree of stability of dimensions on the eating behavior scales. The norms and Cronbach's alpha coefficients of the scales and also the Pearson's correlation coefficients to assess interrelationships between scales indicate that the scales have a high internal consistency and factorial validity. However, their external validity has yet to be investigated.
Article
Nisbett's (1972) model of obesity implies that individual differences in relative deprivation (relative to set-point weight) within obese and normal weight groups should produce corresponding within-group differences in eating behavior. Normal weight subjects were separated into hypothetically deprived (high restraint) and non-deprived (low restraint) groups. The expectation that high restraint subjects' intake would vary directly with preload size while low restraint subjects would eat in inverse proportion to preload size, was confirmed. It was concluded that relative deprivation rather than obesity per se may be the cirtical determinant of individual differences in eating behavior. Consideration was given to the concept of "restraint" as an important behavioral mechanism affecting the expression of physiologically-based hungar.
Article
The shift in societal preference toward a thin physique has led to an increasing prevalence of dieting such that "normal" eating for North American women is now characterized by dieting. In this article, we explore similarities between such normal dieters and individuals with an eating disorder and question whether a continuity exists between normal and abnormal eating behavior. The regulation of intake among normal dieter and patient populations is compared and is explained by the boundary model of consumption, which leads to the conclusion that in neither group is eating technically disordered, although it does depart from appropriate physiological norms. We conclude that many normal eaters (i.e., dieters or restrained eaters) display characteristics of eating-disorder pathologies and should be treated accordingly. Such treatment involves changing both the patient and the environment, especially societal attitudes toward body weight and shape.
Article
This study is a validation of the Dutch Eating Behaviour Questionnaire (DEBQ). Results from normal men and women confirmed the presence of three robust factors of restraint, emotional eating and external eating. Data from women attending 'weightwatchers', and patients with diagnoses of anorexia nervosa and bulimia indicated that the DEBQ was largely successful in identifying the eating styles which are thought to characterise these three client groups. The results were also evaluated in the light of predictions from restraint theory which suggest that chronic restraint is causally related to higher levels of externality and emotional eating.
Article
This article critically examines two basic hypotheses concerning dietary restraint. One hypothesis focuses on "disinhibition" or loss of control among dieters and the other focuses on the relations between obesity and restraint. It is concluded that the "disinhibition hypothesis," which proposes that dieters overeat after disruptions in self-control, has been supported. Both perceptions of having overeaten and dysphoric mood precipitate high consumption among restrained eaters. Research is needed to establish the processes underlying these effects. It is also concluded that the "obesity and restraint hypothesis," which proposes that differences in level of restraint underlie differences between obese and normal weight people’s eating patterns, has not been supported. Although obese people have higher average restraint scores than normal weight people do, they do not show the disinhibited eating patterns that characterize normal weight, restrained eaters. Studies of the restraint scale have indicated that the high scores found among obese people may be due to psychometric problems in the scale. Overall, it is concluded that although the hypotheses concerning restraint, and the recent extension of them into a boundary model of food regulation, do not seem useful in understanding obesity; they appear to be relevant to understanding binge eating and related disorders, such as bulimia.
Article
We first establish the association between binge eating and dieting and present sequence data indicating that dieting usually precedes binging, chronologically. We propose that dieting causes binging by promoting the adoption of a cognitively regulated eating style, which is necessary if the physiological defense of body weight is to be overcome. The defense of body weight entails various metabolic adjustments that assist energy conservation, but the behavioral reaction of binge eating is best understood in cognitive, not physiological, terms. By supplanting physiological regulatory controls with cognitive controls, dieting makes the dieter vulnerable to disinhibition and consequent overeating. Implications for therapy are discussed, as are the societal consequences of regarding dieting as a "solution" to the problem of binging.