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Distorção da imagem corporal em adolescentes: um estudo de comparação entre dois instrumentos [Adolescents’ body image distortion: a comparison study between two instruments]

Authors:

Abstract

Objective: to compare two instruments classically utilized by the literature and indicated to evaluate possible distortions of body image in adolescents and adults of both sexes. Method: the Body Shape Questionnaire (BSQ) and the Silhouette Figure Scale (SFS) was applied in 118 students, aged 16.5 ± 1.2 years, 62 boys and 56 girls of 4 public schools. The BSQ measures body shape concerns and the feeling of being "fat"; while the SFS evaluates the actual shape perception and the desirable shape, based on 15 silhouettes of each sex, presented in individual cards, with progressive variations, from the thinner (BMI = 12.5 Kg/m2) to the larger (BMI = 47.5 Kg/m2). Besides that, weight and height were measured for the Body Mass Index (BMI) calculation and posterior comparison with the SFS. The data were submitted to the statistical treatment consisted in a descriptive analysis, a Pearson's correlation test between the instruments and the Student's T-Test for comparison between the sexes. Results: The BSQ showed that 14.5% of the boys and 60.7% of the girls presented some level of body image distortion. The SFS on girls showed a "actual" BMI of 26.9 Kg/m2 while the real BMI were 21.5 Kg/m2. The EFS on boys showed a "actual" BMI of 23.7 Kg/m2, while the real BMI were 21.0 Kg/m2, indicating a prevalence of body image distortion in both sexes. The statistical analysis showed a significant positive correlation (r=0.8) between the two instruments, however, the SFS did not presented differences between the sexes (p=0.93), while the BSQ detected a higher level of distortion by the girls [F(1,110)=13.80; p<0.001)]. Conclusion: the body image distortion was detected by both instruments, however, the BSQ detected differences due to sex, while SFS appears not sufficiently sensible to detect sex differences in adolescents.
Medicina (Ribeirão Preto) 2009;42(3): 358-65
Correspondência:
Maria Fernanda Laus
Laboratório de Nutrição e Comportamento
Departamento de Psicologia e Educação – FFCLRP/USP.
Av. Bandeirantes, 3900. Monte Alegre
14040-901. Ribeirão Preto – SP.
e-mail: fernandalaus@yahoo.com.br
Artigo recebido em 23/07/2008
Aprovado em 30/06/2009
1. Nutricionista. Pós-graduanda - Departamento de Psicologia e
Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de
Ribeirão Preto - USP (FFCLRP-USP)
2. Docente. Coordenadora do Curso de Nutrição da Universida-
de de Ribeirão Preto (UNAERP)
3. Docente. Departamento de Psicologia e Educação da FFCLRP/
USP
Distorção da imaDistorção da ima
Distorção da imaDistorção da ima
Distorção da imagg
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instrinstr
instrumentosumentos
umentosumentos
umentos
Adolescents’ body image distortion: a comparison study
between two instruments
Maria Fernanda Laus1, Telma M. Braga Costa2, Sebastião S. Almeida3
RESUMO
Objetivo: comparar dois instrumentos classicamente utilizados pela literatura especializada, indicados
para avaliar possíveis distorções da imagem corporal em adolescentes e adultos de ambos os sexos.
Metodologia: aplicou-se o Questionário de Imagem Corporal (BSQ) e a Escala de Figuras de Silhuetas
(EFS) em 118 estudantes, com idade média de 16,5 anos (± 1,2), sendo 62 meninos e 56 meninas, de
4 escolas públicas estaduais. O primeiro instrumento mede as preocupações com a forma do corpo, a
auto-depreciação devido à aparência física e a sensação de estar “gordo”; enquanto o segundo avalia
a percepção do estado atual e do estado desejado, através de 15 silhuetas de cada gênero, apresenta-
das em cartões individuais, com variações progressivas na escala de medidas, da figura mais magra
(IMC = 12,5 Kg/m2) para a mais larga (IMC = 47,5 Kg/m2). Além disso, aferiu-se peso e altura para cálculo
do Índice de Massa Corporal (IMC) e posterior comparação com a EFS. A análise dos resultados foi
realizada através da escala de avaliação do BSQ e o tratamento estatístico consistiu na análise descri-
tiva dos resultados, além da aplicação de um teste de correlação de Pearson entre os instrumentos e
do Teste t de Student para comparação entre os sexos. Resultados: através do BSQ observou-se que
14,5% dos meninos e 60,7% das meninas apresentaram algum grau de distorção da imagem corporal.
Já a EFS demonstrou que no grupo feminino, o IMC médio escolhido como “atual” foi de 26,9 Kg/m2,
enquanto o IMC médio real foi de 21,5 Kg/m2 e no grupo masculino, o IMC médio “atual” escolhido foi
23,7 Kg/m2, enquanto a média do IMC real foi de 21,0 Kg/m2, indicando uma prevalência de distorção da
imagem corporal em ambos os sexos. A análise estatística mostrou uma correlação positiva significa-
tiva (r=0,38) entre os dois instrumentos, entretanto, a EFS não apresentou diferença devido ao sexo
(p=0,93), enquanto o BSQ detectou um maior grau de distorção no sexo feminino [F(1,110)=13,80;
p<0,001)]. Conclusão: ambos os instrumentos detectaram distorções da imagem corporal, porém, o
BSQ conseguiu detectar diferenças devido ao sexo enquanto a EFS parece não ser suficientemente
sensível para diferenciar os dois sexos.
Palavras-chave: Adolescente. Imagem Corporal. Distorção da Percepção. Métodos de Avaliação.
ARTIGO ORIGINAL
Laus MF, Braga Costa TM, Almeida SS. Comparação
entre instrumentos de avaliação da imagem corporal
Medicina (Ribeirão Preto) 2009;42(3): 358-65
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IntroduçãoIntrodução
IntroduçãoIntrodução
Introdução
A imagem corporal tem sido descrita como a
capacidade de representação mental do próprio corpo
pertinente a cada indivíduo, sendo que esta imagem
envolve aspectos relacionados à estrutura (como ta-
manho, dimensões) e à aparência (forma, aspecto),
entre vários outros componentes psicológicos e físi-
cos da imagem corporal.1
Estudos realizados em diferentes países nos di-
versos estágios de desenvolvimento sugerem que gru-
pos jovens apresentam com frequência: insatisfação
com a imagem corporal, imagem negativa, temor à
obesidade e tendência a utilizarem diferentes técnicas
para controle de peso.2,3
Dessa forma, torna-se cada vez mais impor-
tante o desenvolvimento de instrumentos capazes de
detectar possíveis distorções da imagem corporal nos
diferentes grupos populacionais, e a escolha adequa-
da deste instrumento é imprescindível para a validade
dos resultados.
Os instrumentos mais citados atualmente na li-
teratura para avaliação de distorção da imagem cor-
poral em adolescentes são: o Questionário sobre a
Imagem Corporal (BSQ) e a Escala de Figuras de
Silhuetas (EFS).
O BSQ foi inicialmente proposto por Cooper et
al4 para avaliar distorção da imagem corporal em
mulheres com transtornos alimentares (TA), entretan-
to, já existem estudos que comprovam sua adequada
utilização na mensuração da preocupação com a for-
ma corporal e com o peso, especialmente a frequên-
cia com que indivíduos de ambos os sexos, com e sem
TA, experimentam a sensação de se “sentirem gor-
dos”4. Ele fornece uma avaliação dos distúrbios da
imagem corporal tanto em população clínica quanto
em população não clínica e pode ser utilizado para
avaliar o papel deste distúrbio no desenvolvimento, na
manutenção e na resposta ao tratamento de transtor-
nos alimentares.5
Um estudo conduzido por Rosen et al6 avaliou
as propriedades psicométricas do instrumento em 466
indivíduos de ambos os sexos e encontrou, no teste-
reteste, um coeficiente de fidedignidade r=0,88
(p<0,001) e uma forte correlação com outros instru-
mentos de avaliação da imagem corporal, concluindo
que o BSQ é uma medida válida e confiável deste
constructo.
A primeira tradução do BSQ para o português
foi realizada por Cordás e Castilho7 com aplicação
destinada ao sexo feminino. Em 2001 Di Pietro8 tes-
tou sua validade interna, dimensionalidade e desem-
penho em uma população de 164 estudantes universi-
tários e o questionário demonstrou uma adequada con-
sistência interna (alfa de Cronbach = 0,96) e manteve
as características da escala original.
Outros estudos também têm sido realizados para
avaliar a utilização do BSQ em diferentes populações
sem TA, e todos têm encontrado bons índices de valida-
de discriminante e concorrente e boa confiabilidade tes-
te-reteste, bem como adequada consistência interna4,6.
Já a EFS constitui um instrumento bastante efi-
caz para avaliar o grau de distorção e insatisfação
com o peso e as dimensões corporais, como larga-
mente aceito e aplicado por outros pesquisadores9,10,11
sendo válida para estudos quantitativos da percepção
da imagem corporal em ambos os sexos.12 Inicialmente
ela foi desenvolvida por Stunkard et al13 e posterior-
mente, Thompson e Gray14 desenvolveram uma nova
versão que consistia em 9 silhuetas de cada gênero e
a administração do teste-reteste demonstrou uma fi-
dedignidade r=0,78 (p<0,05) e uma validade de 98%.
O estudo de validação da versão brasileira da escala
foi realizado por Kakeshita e Almeida15 e demonstrou
alta fidedignidade no teste-reteste obtida com as silhu-
etas com valores de 0,87 para o coeficiente de corre-
lação (IC 95%: 0,79-0,91), indicando que as medidas
se mantêm no reteste realizado mesmo depois de de-
corrido um mês do teste. Estes resultados comprovam
a validade interna do instrumento, uma vez que o con-
trole do procedimento empregado resultou em dados
pouco variáveis e, portanto, confiáveis e fidedignos. A
versão da escala adaptada para o Brasil manteve as
características da escala original desenvolvida para o
estudo de sujeitos de outras nacionalidades, culturas,
idades e nível socioeconômico e a manutenção das
características originais exprime razoável segurança
na generalização dos achados para outras amostras,
conferindo validade externa ao instrumento15.
Segundo Leonhard e Barry16 os estudos mais
antigos relacionados à imagem corporal focavam-se
em indivíduos obesos. Mais recentemente, com o au-
mento da incidência de anorexia e bulimia nervosas,
as pesquisas se focaram na imagem corporal desta
população. Entretanto, nos últimos anos, distúrbios de
imagem corporal têm sido encontrados também em
populações eutróficas, sem transtornos alimentares e
cada vez mais jovens e vários estudos já foram con-
duzidos utilizando os instrumentos em questão neste
tipo de população.
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entre instrumentos de avaliação da imagem corporal
Para Thompson et al17, a escolha do instrumento
a ser utilizado em cada situação específica deve se
pautar nos índices psicométricos dessas escalas, as-
sim como em sua adequação à amostra a ser estuda-
da, na medida em que todas elas se assemelham, no
que diz respeito a seus pressupostos teóricos.
Uma vez que não há estudos na literatura com-
parando diferentes instrumentos em adolescentes, o
objetivo do presente estudo foi verificar se os dois ins-
trumentos mais utilizados na avaliação de distorções
da percepção da imagem corporal (BSQ e EFS) po-
dem indicar diferenças de gênero nesta população.
MetodologiaMetodologia
MetodologiaMetodologia
Metodologia
Casuística
Primeiramente o Projeto foi submetido ao Co-
mitê de Ética da Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras de Ribeirão Preto – USP e após a aprovação
foram entrevistados 118 adolescentes matriculados no
ensino médio, de ambos os sexos, com idade média
de 16,5 anos (±1,2), sendo 62 meninos e 56 meninas,
selecionados aleatoriamente para participar como vo-
luntários do estudo, de quatro escolas públicas esco-
lhidas através de sorteio, situadas nas regiões norte,
sul, leste e oeste da cidade de Ribeirão Preto, SP. Como
alunos de escolas públicas, a condição socioeconômi-
ca dos adolescentes caracteriza uma amostra de bai-
xo poder aquisitivo. Adolescentes com transtornos ali-
mentares ou com algum grau de deficiência física fo-
ram excluídos do estudo, uma vez estes podem ter a
percepção da imagem corporal alterada em função
de sua situação. Não houve recusa por nenhum parti-
cipante durante a coleta dos dados.
Instrumentos
Índice de Massa Corporal (IMC)
É uma medida que expressa a relação entre o
peso do sujeito em quilos dividido pela altura em metros
ao quadrado (IMC=Kg/m2), preconizado pela Orga-
nização Mundial de Saúde.18 O IMC é um recomen-
dável índice de avaliação do peso corporal, uma vez
que tem mostrado uma boa correlação com medidas
mais precisas realizadas em laboratório sobre tecido
adiposo, além de ser um bom indicador do estado nu-
tricional de um indivíduo.19 A análise foi realizada de
acordo com a classificação preconizada pelo National
Center for Chronic Disease Prevention and Health
Promotion.20 Para tal, os dados de peso e altura fo-
ram colocados no programa EpiInfo, que classificou
cada indivíduo de acordo com os limites de Percentis
sendo Baixo Peso P<5; Eutrofia P5 – P<85; Sobrepeso
P85 – P<95 e Obesidade P95.
Questionário sobre a Imagem Corporal (BSQ)
Mede as preocupações com a forma do corpo,
auto-depreciação devido à aparência física e a sensa-
ção de estar “gordo”.12 Cada questão é composta por
seis alternativas de resposta, que variam do “sempre”
ao “nunca”. Para cada alternativa escolhida são con-
feridos pontos que variam de 1 a 6 (sempre = 6; muito
frequentemente = 5; frequentemente = 4; às vezes =
3; raramente = 2; nunca = 1). O resultado do teste é a
somatória dos 34 itens contidos no questionário, e a
classificação dos resultados reflete os níveis de preo-
cupação com a imagem corporal. Obtendo resultado
menor que 70 pontos, é constatado um padrão de nor-
malidade e tido como ausência de distorção da ima-
gem corporal. Resultados entre 70 e 90 pontos são
classificados como leve distorção da imagem corpo-
ral; entre 91 e 110 como moderada distorção; e acima
de 110 pontos a classificação é de presença de grave
distorção da imagem corporal.21,22
Escala de Figuras de Silhuetas (EFS)
Avalia a percepção do estado atual através de
15 silhuetas de cada gênero. Ela é apresentada em
cartões individuais, com variações progressivas na es-
cala de medidas, da figura mais magra (IMC=12,5 Kg/
m2) à mais larga (IMC=47,5 Kg/m2). Neste teste o
sujeito é solicitado a escolher um cartão, dentre os
dispostos em série ordenada ascendente, com a silhu-
eta que mais se aproxima da imagem que tem de seu
próprio corpo no momento. A presença de distorção
da imagem corporal é verificada subtraindo-se o IMC
“atual” (escolhido através da escala) do IMC “real”
(aferido).12
Distorção = IMC “Atual” – IMC Real
Procedimentos
A coleta de dados foi realizada em salas cedi-
das pelas próprias escolas, durante os intervalos das
aulas, e os participantes foram divididos em grupos de
cinco alunos. Cada sessão durou em média 20 minu-
tos e consistiu na tomada das medidas de peso e esta-
tura, seguida pela aplicação do teste de figuras de si-
lhuetas e auto-aplicação do BSQ após instrução para
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entre instrumentos de avaliação da imagem corporal
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o preenchimento do mesmo. Toda a coleta foi realiza-
da em 2008 pela pesquisadora, previamente treinada
para a utilização dos instrumentos.
O peso foi aferido em balança de plataforma
da marca Kratos-Cas (carga máxima de 150 Kg e
precisão de 100g), com os alunos posicionados em pé,
descalços e trajando roupas leves. A estatura foi afe-
rida em antropômetro vertical, com os alunos também
descalços, com os pés paralelos e tornozelos unidos;
as nádegas, os ombros e a parte posterior da cabeça
encostados em uma parede, estando os braços soltos
ao longo do corpo. O aluno permaneceu em pé, ereto,
sem encolher ou esticar, olhando para frente. A barra
horizontal foi abaixada até repousar no topo da cabe-
ça. A leitura foi efetuada o mais próximo de 0,5 cm.
Análise estatística
A análise dos resultados foi realizada através
da escala de avaliação dos testes e o tratamento esta-
tístico, feito através do software SPSS – versão 8.0,
consistiu na aplicação de um teste de normalidade dos
dados, seguido de uma análise descritiva dos resulta-
dos, além da aplicação de um teste de Correlação de
Perason entre os instrumentos e do Teste t de Student
para comparação entre os sexos. O nível de signifi-
cância utilizado foi de p<0,05.
ResultadosResultados
ResultadosResultados
Resultados
A aplicação do BSQ demonstrou que 14,5% dos
meninos (n=9) e 60,7% das meninas (n=34) apresen-
taram algum grau de distorção da imagem de acordo
com o BSQ (Figura 1). A média de pontos (± desvio
padrão) encontrada pelo questionário foi de 53,8 (±20,4)
para os meninos e de 86,2 (±34,4) para as meninas.
Ainda através da Figura 1, observa-se que a EFS de-
monstrou que no grupo feminino o IMC médio esco-
lhido como “atual” foi de 26,9 Kg/m2, enquanto o IMC
médio real foi de 21,5 Kg/m2 e no grupo masculino, o
IMC médio “atual” escolhido foi 23,7 Kg/m2, enquan-
to a média do IMC real foi de 21,0 Kg/m2. Assim,
entre as meninas a distorção da imagem corporal (IMC
“Atual” – IMC Real) foi, em média, de 5,47 Kg/m2,
enquanto entre os meninos, este valor ficou em torno
de 2,74 Kg/m2.
Uma análise estatística mais detalhada demons-
trou uma diferença significativa na distorção da ima-
gem corporal entre os sexos pelo BSQ, com maior
grau no sexo feminino [F(1,110)=13,80; p<0,001)].
Entretanto, a EFS não apresentou esta diferença
(p>0,05). (Figura 2).
A aplicação de uma análise de correlação de-
monstrou uma correlação positiva significativa entre
IMC e distorção da imagem pelo BSQ (r=0,31) e pela
EFS (r=0,30), indicando que quanto maior o IMC, maior
é a distorção independente do instrumento utilizado
(p<0,05) (Figura 3), e também entre a distorção da
imagem corporal pelo BSQ e pela EFS (r=0,38; p<0,05)
(Figura 4).
DiscussãoDiscussão
DiscussãoDiscussão
Discussão
No presente estudo os resultados da aplicação
do BSQ demonstraram que 14,5% dos meninos e
Figura 1. a) Classificação da distorção da imagem corporal dos alunos (n=118), segundo o BSQ e b) Média (± EPM) do IMC Real e “Atual”
dos alunos (n=118), segundo a Escala de Figuras de Silhuetas.
0
20
40
60
80
100
Sem Leve Moderada Intensa
Meninos
Meninas
Grau de Distorção
0
5
10
15
20
25
30
Meninos Meninas
IMC Real IMC "Atual"
Média IMC
Média
a) b)
Porcentagem
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*
0
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120
150
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Presen
ç
a de Distor
ç
ão
p
elo BS
Q
Meninos
Meninas
0
2
4
6
8
10
Presenç a de Dist orção p e la Esca la Silh u et a
Meninos
Meninas
Média Distorção (Kg/m2)
Média Pontuação BSQ
Presença de Distorção pelo BSQ Presença de Distorção pela Escala Silhueta
Figura 2. a) Média (± EPM) da distorção da imagem corporal pelo Questionário sobre a Imagem Corporal (BSQ) alunos (n=118). *p<0,05
em relação ao grupo dos meninos (Newman-Keuls) e b) Média (± EPM) da distorção da imagem corporal (IMC “Atual” – IMC Real) pela
Escala de Figuras de Silhuetas (EFS) nos alunos (n=118). (p>0,05).
a) b)
0
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0 5 10 15 20 25 30 35 40
Figura 3. a) Correlação entre o Questionário sobre a Imagem Corporal (BSQ) e o Índice de Massa Corporal (IMC). (r=0,31) (p<0,05) e
b) Correlação entre a Escala de Figuras de Silhuetas (EFS) e o Índice de Massa Corporal (IMC). (r=0,30) (p<0,05).
-9
-7
-5
-3
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1
3
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7
9
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13
15
0 5 10 15 20 25 30 35 40
Índice de Massa Corporal Índice de Massa Corporal
Pontuação BSQ
Distorção EFSl (Kg/m2)
a) b)
-9
-7
-5
-3
-1
1
3
5
7
9
11
13
15
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180
Distorção EFS (Kg/m2)
Pontuação BSQ
Figura 4. Correlação entre a distorção da imagem corporal medida pelo Questionário sobre a
Imagem Corporal (BSQ) e pela Escala de Figuras de Silhuetas (EFS). (r=0,38) (p<0,05).
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entre instrumentos de avaliação da imagem corporal
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60,7% das meninas apresentaram algum grau de
distorção da imagem. Observa-se que, entre as meni-
nas, a distorção intensa foi mais prevalente (25%),
enquanto nos meninos, houve prevalência da distorção
leve (6%).
Um estudo realizado por Di Pietro8 com 164
estudantes universitários demonstrou que a média dos
escores do BSQ foi 58,7 (±25,1) para o sexo masculi-
no e 89,7 (±31,3) para o sexo feminino. Outro estudo,
realizado por Vieira et al23 com 101 indivíduos de am-
bos os sexos, encontrou uma pontuação média para o
BSQ de 55,2 (±22,1) para os meninos e 85,5 (±34,8)
para as meninas, corroborando dados da presente pes-
quisa.
Branco et al24 encontraram em seu estudo com
1009 adolescentes entre 14 e 19 anos que 90,3% dos
meninos não apresentavam distorção da imagem por
este instrumento, enquanto 41% das meninas apre-
sentavam algum grau de distorção, sendo a distorção
leve a mais prevalente (22,7%).
Neste estudo a EFS não apontou uma diferen-
ça estatisticamente significante na distorção da ima-
gem corporal entre meninos e meninas, diferentemente
dos dados encontrados por Branco et al24, onde a EFS
encontrou uma percepção mais comprometida nas
meninas (n=1009). Uma possível explicação para esta
diferença nos resultados pode estar na escala utiliza-
da. Segundo Thompson,25 existem mais de 50 escalas
que avaliam a percepção da imagem corporal, mas
apenas poucas foram validadas.
A exceção da escala de Stunkard et al13, que
foi validada para adultos brasileiros por Scagliusi et
al,26 não foram encontrados na literatura trabalhos de
validação para o Brasil das escalas de Thompson e
Gray14 e Madrigal et al, 27 largamente usadas por pes-
quisadores brasileiros, enquanto a escala utilizada nesta
pesquisa foi adaptada e validada para nossa popula-
ção, inclusive para adolescentes.
É importante ressaltar que a validade é a ques-
tão mais importante a ser proposta com relação a qual-
quer teste psicológico, uma vez que apresenta uma
verificação direta do teste satisfazer sua função.28 Não
promover estudos nesse sentido é não garantir se o
instrumento atendeu às expectativas iniciais.29 Além
disso, de acordo com Scagliusi et al26 uma crítica re-
corrente ao uso das Escalas de Silhuetas disponíveis
na literatura está no pequeno número de figuras apre-
sentadas e consequentemente na restrição da gama
de valores que os indivíduos podem selecionar. É pos-
sível que um maior número de silhuetas, como é o
caso da escala utilizada nesta pesquisa, proporcione
mais opções de escolhas, o que pode ter ocasionado a
obtenção dos altos índices de distorção encontrados,
especialmente no sexo masculino.
Uma vez que, conforme já mencionado, o BSQ
foi inicialmente proposto para a avaliação apenas em
mulheres, é provável que ele capte melhor a distorção
neste sexo. Isto porque a avaliação da percepção da
imagem corporal através da Escala de Figuras de Si-
lhuetas não demonstrou diferença entre sexos, indi-
cando que tanto meninos quanto meninas apresentam
altos índices de distorção da própria imagem. Esta di-
vergência nos achados poderia ser atribuída a sensibi-
lidades diferentes dos procedimentos utilizados. Uma
tentativa de interpretação das diferenças encontradas
pode ser feita analisando os instrumentos. O BSQ é
um questionário de perguntas diretas mais explícitas
que mede cognições e atitudes, enquanto a EFS mede
percepção corporal. Ou seja, escalas medindo dife-
rentes componentes da imagem corporal poderiam
mostrar resultados diferentes quando utilizadas.30
De acordo com Conti et al.31 a distorção da
percepção corporal não constitui característica parti-
cular de adolescentes que desenvolvem algum tipo de
TA, uma vez que se torna cada vez mais presente na
dinâmica vivencial dos indivíduos dessa faixa etária.
Fatores sociais, influências sócio-culturais, pressões
da mídia e a busca incessante por um padrão de corpo
ideal associado às realizações e felicidade estão entre
as causas das alterações da percepção da imagem
corporal.
A positividade significativa encontrada na aná-
lise de correlação entre os dois instrumentos e entre
eles e o IMC demonstra que ambos atuam na detec-
ção do construto estudado. Dessa forma, conforme
citado anteriormente, a escolha do instrumento a ser
utilizado em cada situação específica deve se pautar
na adequação à amostra a ser estudada17, uma vez
que ambos se assemelham no que diz respeito a seus
pressupostos teóricos.
A análise de correlação significativa entre os
dois instrumentos obtida no presente estudo é um dado
relevante para a literatura da área, visto que não se
dispõe de dados anteriores que sugiram que os dois
instrumentos possam medir construtos semelhantes.
ConclusãoConclusão
ConclusãoConclusão
Conclusão
Desta forma, com base no exposto, conclui-se
que a percepção distorcida da auto-imagem atinge os
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Laus MF, Braga Costa TM, Almeida SS. Comparação
entre instrumentos de avaliação da imagem corporal
ABSTRACT
Objective: to compare two instruments classically utilized by the literature and indicated to evaluate
possible distortions of body image in adolescents and adults of both sexes. Method: the Body Shape
Questionnaire (BSQ) and the Silhouette Figure Scale (SFS) was applied in 118 students, aged 16.5 ± 1.2
years, 62 boys and 56 girls of 4 public schools. The BSQ measures body shape concerns and the feeling
of being “fat”; while the SFS evaluates the actual shape perception and the desirable shape, based on 15
silhouettes of each sex, presented in individual cards, with progressive variations, from the thinner (BMI
= 12.5 Kg/m2) to the larger (BMI = 47.5 Kg/m2). Besides that, weight and height were measured for the
Body Mass Index (BMI) calculation and posterior comparison with the SFS. The data were submitted to
the statistical treatment consisted in a descriptive analysis, a Pearson’s correlation test between the
instruments and the Student’s T-Test for comparison between the sexes. Results: The BSQ showed that
14.5% of the boys and 60.7% of the girls presented some level of body image distortion. The SFS on girls
showed a “actual” BMI of 26.9 Kg/m2 while the real BMI were 21.5 Kg/m2. The EFS on boys showed a
“actual” BMI of 23.7 Kg/m2, while the real BMI were 21.0 Kg/m2, indicating a prevalence of body image
distortion in both sexes. The statistical analysis showed a significant positive correlation (r=0.8) between
the two instruments, however, the SFS did not presented differences between the sexes (p=0.93), while
the BSQ detected a higher level of distortion by the girls [F(1,110)=13.80; p<0.001)]. Conclusion: the body
image distortion was detected by both instruments, however, the BSQ detected differences due to sex,
while SFS appears not sufficiently sensible to detect sex differences in adolescents.
Keywords: Adolescent. Body Image. Perceptual Distortion. Evaluation Methods.
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adolescentes, independentemente do sexo. Entretan-
to, a detecção exata desta distorção só é possível com
a escolha correta do instrumento de avaliação. Am-
bos os instrumentos estudados atuam na detecção de
possíveis distorções da imagem corporal, porém, o BSQ
conseguiu detectar diferenças devido ao sexo enquanto
a EFS parece não ser suficientemente sensível para
diferenciar os dois sexos.
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... Fidelix e cols., 7 por sua vez, relataram em seu estudo que meninos apresentaram uma probabilidade 1,2 vezes maior de apresentar insatisfação com a imagem corporal, na comparação com as meninas. Segundo Laus e cols., 27 a insatisfação com a imagem corporal pode atingir os adolescentes independentemente do sexo. Entretanto, a insatisfação com a imagem apresenta explicações diferenciadas entre os sexos: enquanto as meninas se preocupam em atingir corpos mais magros, os meninos focam sua aparência em corpos mais volumosos e maior definição de musculatura. ...
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OBJETIVO: investigar a prevalência de insatisfação com a imagem corporal e fatores associados, entre adolescentes do Ensino Médio de zona rural do estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em 2012. MÉTODOS: estudo transversal realizado em escolas da zona rural pertencentes à 5a Coordenadoria Regional de Educação (5a CRE/RS); foi aplicado questionário com informações demográficas, comportamentais e nutricionais, e insatisfação com imagem corporal, esta mensurada pelo Body Shape Questionnarie (BSQ-34); para a análise multivariável, foi aplicada a regressão de Poisson. RESULTADOS: foram estudados 510 adolescentes; a prevalência de insatisfação com a imagem corporal foi de 16,9%; na análise multivariável, os fatores associados foram sexo feminino (RP=3,1; IC95% 1,8-5,2), sobrepeso (RP=3,4; IC95% 2,3-5,0), obesidade (RP=3,2; IC95% 1,7-5,7) e atividade física suficiente no lazer (RP=1,5; IC95% 1,1-2,2). CONCLUSÃO: o nível de insatisfação com a imagem corporal encontrado foi maior nas meninas, naqueles com sobrepeso/obesidade e ativos fisicamente.
... A positive difference indicated dissatisfaction with the desire of reducing the silhouette, and, when negative, dissatisfaction with the desire of increasing the silhouette. The comparison between the calculated BMI percentile and the self-reported BMI percentile was performed in order to identify BI perception distortion (Laus, Costa, & Almeida, 2009). Data analysis was performed with software SPSS Statistics version 20 and by software Open Epi. ...
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O objetivo deste estudo foi investigar a ocorrência de distúrbios de atitudes alimentares e sua relação com a distorção da auto-imagem corporal em atletas de judô do estado do Paraná. Foram sujeitos 101 atletas, sendo 71 participantes do JOJUP’s (42 masculino e 29 feminino) e 30 participantes do JAP’s (18 masculino e 12 feminino). Como instrumentos utilizou-se o EAT-26 e o BSQ. Em relação aos distúrbios de atitudes alimentares as judocas-JOJUP´s, apresentaram maior probabilidade de desenvolver distúrbios de atitudes alimentares. Com relação à distorção na imagem corporal, as judocas-JOJUP´s apresentaram pontuação mais elevada sendo sete casos de distorção leve, seis casos de distorção moderada e três de grau grave. Ocorreram diferenças estatisticamente significativas tanto para a presença de distúrbios de atitudes alimentares quanto na distorção de auto-imagem corporal entre o gênero. Foram evidenciadas correlações estatisticamente significativas entre distúrbios de atitudes alimentares e distorção de auto-imagem na categoria JOJUP’s masculino e quando os judocas foram agrupados independente da categoria ou gênero
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This article describes the most useful instruments and methods that measure general and specific psychopathological features of the eating disorders. Thirteen self-report measures and two interviewer-based instruments are reviewed. The authors present, for each instrument, a brief description of its structure, their preferential utilization and the availability of a Portuguese version. At the end, a proposal of a psychometric protocol for the assessment of anorexia nervosa, bulimia nervosa and binge eating disorder is suggested.
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OBJECTIVE: This study aimed at evaluating the relationship between overweight/obesity and body dissatisfaction among adolescents in a private school in Santo André, São Paulo, Brazil. METHODS: For the assessment of overweight/obesity, the body mass index for age and gender was used and for the body dissatisfaction evaluation, the body parts satisfaction scale was applied. RESULTS: One hundred and forty-seven adolescents were studied (35.40% males and 64.60% females). It was shown that 44.23% of the males and 18.93% of the females were overweight/obese, 1.92% of the males and 3.16% of the females were underweight and the others were normal. A statistically significant association between body dissatisfaction and overweight/obesity was found for the stomach, waist and body weight in boys and the hair, buttocks, hips, thighs, legs, stomach, shoulder/back, muscle strength, body weight and overall appearance in girls. CONCLUSION: Girls who were overweight/obese were more dissatisfied with a greater number of body areas than boys. It was recommended that middle and fundamental level schools develop prophylactic activities aimed at stimulating consciousness of personal and social perception in the adolescent and of the pressures to which he is submitted.
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Background: The self-perception of and the satisfaction with their body image are deter- minant factors for the self-acceptance of the adolescents, and may generate inadequate attitudes that impair their growth and development. Objective: To investigate the asso- ciation between nutritional state in adolescents and the self-perception of the satisfaction with body image. Methods: We obtained body mass index (BMI) through anthropometric data in order to classify the nutritional state of the adolescents. We also used standardized silhouettes to evaluate their self-perception of their body image, and a self-completing questionnaire to determine their satisfaction with their body image. Results: Most of the population was eutrophic. The girls, however, did not regard themselves that way. Even Perception and satisfaction with body image in adolescents and correlations with nutrition status
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O presente estudo abordou a construção dos testes psicológicos, em especial no que se refere à padronização e aos estudos de validade e precisão. O objetivo da pesquisa foi verificar a presença ou a ausência de validade e precisão nos testes de inteligência, bem como identificar se os testes estrangeiros possuem padronização brasileira. Foram analisados 26 testes de inteligência comercializados no Brasil, e os resultados indicaram que grande parte dos testes nacionais e dos internacionais apresenta estudos de validação e de precisão, embora nem todos tenham indicado nos respectivos manuais, os dados referentes à padronização, como amostra de padronização e variáveis relacionadas. Sugere-se a realização de outros estudos com diferentes testes ou novas análises sobre os testes de inteligência.Palavras-chave: avaliação psicológica; precisão e validade; construção de instrumentos.
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To stablish the energy and macronutrient intake pattern and to determine the behavior stage in relation to physical activity and anthropometric characteristcs in an adolescent population according to the self-evaluation of body appearance, were evaluated 28 female adolescents from 14 to 17 years of age (x = 16.16 + 0.83) divided according the self-evaluation of body appearance in G1: obese, G2: normal weight and G3: thin. To stablish the diary energy intake pattern was used 4-day-food register. The anthropometric variables measured was body weight, height, adiposity (by mean of seven skinfolds) and body mass index. The sexual maturation was determined according to Tanner stages (pubic hair x = 5.5 + 0.9 and breast x = 5.0 + 0.5). The statistical analysis used was One-Way Anova with post-hoc Scheffé. The level of significance adopted was p < .01. The G1 presented high but not significant values of body weight, height and BMI and significant high values of adiposity than the other groups.The energy intake values were lower in the G1 in relation to G2 and G3. Other factor of the energy intake pattern of G1 is the result presented in the self-evaluation of the body weight, that may be contribute to the lower food-intake of adolescents for control body weight. In relation to physical activity behavior, the adolescents were classified in the pre- contemplation stage of physical activity.