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O impacto da depressão pós-parto para a interação mãe-bebê

Estudos de Psicologia (Natal) 12/2003; 8(3). DOI: 10.1590/S1413-294X2003000300007

ABSTRACT

Resumo O presente artigo examina algumas questões teóricas e estudos empíricos a respeito do impacto da depressão pós-parto para a interação mãe-bebê. Analisam-se as características da depressão pós-parto e fatores de risco associados à sua ocorrência. Discutem-se, em particular, as repercussões do estado depressivo da mãe para a qualidade da interação com o bebê e, conseqüentemente, para o desenvolvimento posterior da criança. Os estudos revisados sugerem que a depressão pós-parto afeta a qualidade da interação mãe-bebê, especialmente no que se refere ao prejuízo na responsividade materna. Por outro lado, apontam que os efeitos da depressão da mãe na interação com o bebê dependem de uma série de fatores, o que não permite a realização de um prognóstico baseado em fatores isolados. Palavras-chave: depressão pós-parto; interação mãe-bebê; desenvolvimento sócio-emocional Abstract The impact of postpartum depression to mother-child interaction. The present article examines some theoretical aspects and empirical studies related to the impact of postpartum depression to mother-child interaction. The characteristics of postpartum depression and the risk factors related to its occurrence are also examined. Furthermore, it discusses the consequences of maternal depressed state to mother-child interaction and to child development. The revised studies suggest that postpartum depression negatively affects the mother-child interaction quality, particularly maternal responsivity. On the other hand, studies show that postpartum depression effects on mother-child interaction depend on various factors, which makes it impossible for us to make predictions based on any isolated factor.

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Available from: Cesar Augusto Piccinini
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    • "A Depressão Pós-Parto, como a manifestação sintomática do conflito da mulher diante da maternidade, tem origem no intrapsíquico feminino, pode ser agravado por circunstâncias externas, mas indiscutivelmente traz consequências nefastas para o bebê, pois perturba, dificulta e às vezes impossibilita a relação com ele. Até mesmo as formas mais brandas e camufladas da depressão da mãe podem afetar a criança, na medida em que ele percebe a pobreza de interação, a ausência ou a pouca harmonização afetiva (Schwengber& Piccinini, 2003). O tratamento psicoterápico da depressão pós-parto Conforme destacado acima, a exposição ao caráter eminentemente regressivo das emoções do recém-nascido suscita inúmeras e perturbadoras experiências inconscientes , bem como novos e exigentes reajustes pessoais às mulheres que se tornam mães. "

    Preview · Article · Dec 2011
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    • "Os sistemas periféricos próximo e distante, localizados, respectivamente, nos quadrantes superior direito/inferior esquerdo e no quadrante inferior direito da Figura 1, parecem desdobrar o conceito unificador de " aperreio " nos elementos denotativos de " pensamento ruim " , que envolve opressão, ideação suicida e desejo de doar o filho indesejado. Ficar aperreada, enquanto senso comum das mães puérperas, revela o conjunto de sintomas presentes no sentimento de abandono ( " solidão e carência " ), no " choro " , revelador de " angústia, desespero, impaciência e infelicidade " , e nas queixas psicossomáticas, do tipo " doença, fraqueza e desânimo " (Schwengber & Piccinini, 2003). Essa constatação também vem reforçar a convergência do senso comum com os estudos eruditos, as pesquisas científicas, que manifestam conceituações da vivência do adoecer psíquico, que ultrapassam a esfera físico-orgânica. "
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    ABSTRACT: Resumo Neste estudo, a depressão pós-parto foi abordada sob a ótica psicossociológica, objetivando apreender e descrever a estrutura central e periférica das representações sociais de mães puérperas. Foram aplicados a técnica de associação livre de palavras, um questionário biodemográfico e a Escala de Edinburg, em 84 participantes de baixa renda e usuárias de um serviço público de saúde. Observou-se uma incidência de 33% de mães puérperas com sintomatologia de depressão. Para o estímulo indutor "depressão", emergiram, no núcleo central, os elementos de tristeza e aperreio, e na zona periférica evidenciaram-se as representações sociais que se alternaram entre paraíso e padecimento. A condição de ser mãe e ter filho, de acordo com o núcleo central, causa contentamento, gera alegria e prazer e, simultaneamente, está associada ao sofrimento psíquico, à representação social da depressão pós-parto. A constatação desses elementos antagônicos presentes nas representações sociais sinaliza para a necessidade de estudos mais aprofundados. Palavras-chave: Representações sociais; Depressão pós-parto; Puerpério; Maternidade; Núcleo central. The social representations structure of postnatal mothers about postpartum depression Abstract In this study, the postpartum depression was dealt with under the psychosociologic view, aiming to learn and describe the central and peripheral structure of postnatal mothers' social representations. To eighty-four participants of low income and users of health public service were applied the free words association, a bio-demografic questionnaire and the Edinburg's Scale. An incidency of 33% of postnatal mothers with depression symptomatology was noticed. For the inductor stimulus "depression", emerged, on the central core, the elements o f sadness and harassment, and on the peripheral zone became evident the social representations that changed between paradise and suffering. The condition of being mother and have child, in accordance with the central core, causes contentment, produces happiness and pleasure and, simultaneously, is associated to the psychic suffering, the social representation of postpartum depression. The verification of these antagonistic elements present on the socia l representations signalize for the necessity of more deepen studies.
    Preview · Article · Jan 2007
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    • "Os sintomas tendem a ter uma duração razoável de tempo e podem prejudicar as atividades normais da mulher (O'Hara, 1997), ainda que, de modo geral, a literatura indique que a depressão materna ao longo do primeiro ano de vida do bebê tende a ser leve (O'Hara et al., 1984; Steiner & Tam, 1997; Whiffen & Gotlib, 1989). De acordo com Steiner e Tam (1997), o fato de a depressão ser geralmente de intensidade leve ou moderada, faz com que freqüentemente ela não seja diagnosticada (Frizzo & Piccinini, 2005; Schwengber & Piccinini, 2003), podendo eventualmente tornar-se tão severa que uma internação seja necessária. Para Maldonado (2000), a severidade da depressão da mãe parece estar relacionada com uma grande frustração das expectativas relacionadas à maternidade, ao seu papel materno, ao bebê e ao tipo de vida que é estabelecido com a chegada da criança. "
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    ABSTRACT: O presente estudo examinou as eventuais diferenças na interação triádica (pai-mãe-bebê) e diádica (mãe-bebê, pai-bebê e mãe-pai) em famílias com e sem depressão materna, com bebês de um ano de idade, durante uma sessão de interação livre. Participaram do estudo 19 famílias, das quais 9 de mães deprimidas e 10 de mães não-deprimidas. Foram investigados os padrões de interação triádico e diádico através de um protocolo envolvendo diversas categorias. Contrariando a hipótese do estudo, não houve diferenças estatisticamente significantes nas interações triádicas entre as famílias com e sem depressão materna. Já nas interações diádicas, dentro de cada grupo de famílias, apareceram diferenças estatisticamente significantes no grupo sem depressão materna. Nas famílias com depressão materna, apenas a categoria estimulação cognitiva obteve significantemente maior incidência, indicando que, embora deprimidas, as mães conseguiam prover uma estimulação adequada para seus bebês. No conjunto, os dados sugerem que a depressão materna pode acarretar mudanças, ainda que sutis, no padrão familiar.
    Full-text · Article · Jan 2007 · Psicologia Reflexão e Crítica
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