Revista de Educação PUC-Campinas

Published by Cadernos de Fe e Cultura, Oculum Ensaios, Reflexao, Revista de Ciencias Medicas e Revista de Educacao da PUC-Campinas
Online ISSN: 1519-3993
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Após mais de uma década da aprovação da Lei nº 10.639/03, como está o processo de sua implementação? Essa legislação alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, tornando obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio oficiais e particulares. Este artigo busca responder à pergunta, a partir da perspectiva de dois dos principais atores envolvidos no processo de implementação da lei: professores e gestores. O objetivo é entender se, e como, tem sido trabalhada a temática das relações étnico-raciais e da cultura africana e afro-brasileira na rede pública de educação infantil e no ensino fundamental. O artigo toma como base a prática de formação continuada de professores, a partir dos dados acerca da oferta de um curso de aperfeiçoamento de 180 horas, em 12 municípios do Estado de São Paulo, durante o ano de 2014. No primeiro encontro, professores e gestores foram convidados a responder a um questionário em forma de diagnóstico, que contemplava informações pessoais, conhecimentos sobre a temática e suas visões sobre práticas pedagógicas referentes à Lei nº 10.639/03. Este estudo obteve a adesão de 1.272 participantes, sendo 1.134 professores e 138 gestores e, com base nas respostas, foram mapeados os elementos facilitadores e os obstáculos à implementação da lei, dentre os quais o desconhecimento, desinteresse e a existência de posicionamentos políticos conflitivos sobre a temática. Os resultados apontam que o assunto ainda é pouco discutido nas escolas e, também, na formação inicial dos professores e gestores. Palavras-chave: Formação de professores. Educação para relações étnico-raciais. Lei 10.639/03.
 
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Este estudo aponta os desafios das políticas e diretrizes para formação inicial de professores, bem como o papel e compromisso das Instituições de Ensino Superior que ofertam curso de Pedagogia pelo Programa Nacional de Formação de Professores, a fim de promover a construção de conhecimento pedagógico que habilite os futuros docentes a dotar suas aulas de significado e valor voltados às diferentes culturas e à História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, conforme previsto pela Lei nº 10.639/03 e pelas regulamentações dela derivadas. Apresentam-se os resultados do levantamento de dados de instituições do estado de São Paulo, com o propósito de identificar a conformidade dos currículos de formação docente com as diretrizes e a temática citadas. A análise das matrizes curriculares dessas instituições mostrou que o modelo adotado de formação de professores é mediado por currículos conservadores e pouco acessíveis às mudanças, principalmente quanto ao aprofundamento do debate sobre a cultura africana e afro-brasileira na formação docente. Palavras-chave: Ordenação do currículo. Formação de professores. Instituição de ensino superior.
 
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O presente artigo objetiva problematizar as mudanças curriculares que a Lei n°13.415/2017 impõe ao Ensino Médio brasileiro, assim como verificar a percepção que estudantes secundaristas, da Escola Estadual Dr. Augusto Duprat na Cidade do Rio Grande (RS), têm sobre essas mudanças. A base empírica foi construída a partir de uma investigação dissertativa de cunho qualitativo, contando com a participação de 61 alunos de 1º, 2º e 3º ano do Ensino Médio. Como procedimento para produção dedados, formaram-se 4 grupos focais, um com cada turmada escola; ademais, também foi aplicado um questionário fechado. Para a análise dos dados utilizou-se a metodologia de análise do conteúdo, a partir de 4 categorias estabelecidas a priori, sendo o presente trabalho produto de uma dessas categorias. A partir da análise dos dados, aponta-se um discurso reprobatório por parte dos estudantes, no que se refere à determinação de dispor de Língua Portuguesa e matemática como únicas disciplinas obrigatórias nos três anos de Ensino Médio. Os estudantes também discordaram da proposta de tornar uma percentagem do Ensino a Distância, afirmando que atualmente o ensino é precário e que essas disposições iriam fragilizá-lo ainda mais. Nas falas, identificou-se também uma associação da retirada de disciplinas como Filosofia e História com intenções governamentais de controlar a população. Por fim, considera-se fundamental que os jovens sejam ouvidos, visto que são os sujeitos do Ensino Médio os mais afetados com essas mudanças.
 
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O Ensino Médio foi alvo de intensos debates em função da edição da Medida Provisória 746/2016 que institui a “Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral”. Mesmo sob protestos de estudantes e educadores brasileiros contrários à uma reforma sem a necessária consulta à sociedade, a Medida Provisória nº746 foi aprovada em 16 de fevereiro de 2017 e transformada na Lei nº13.415. Para contribuir com essa discussão, o presente artigo tem como objetivos analisar as mudanças mais impactantes da Lei nº13.415 para a organização do Ensino Médio e discutir as perspectivas e desafios para a sua implementação, considerando o que está proposto na Política de Fomento que compõe a Lei. Como abordagem metodológica procedeu-se uma análise documental, tendo como principais fontes a Lei nº13.415; a Medida provisória nº746 e a Portaria nº1.145, de 22 de setembro de 2016, que institui o Programa de Fomento à Implementação de Escolas em Tempo Integral. Após as análises, concluiu-se que é questionável se essa reforma oferecerá as condições necessárias para promover o direito de todos os estudantes do Ensino Médio a uma escola de tempo integral, na medida em que o Programa não considera as condições efetivas dos jovens para fazer suas escolhas quanto aos aspectos flexibilizados pela Lei e não garante os recursos necessários para universalizar as escolas de tempo integral, podendo levar ao aprofundamento das desigualdades que historicamente marcam a educação brasileira.
 
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O presente artigo objetiva problematizar as mudanças curriculares que a Lei n°13.415/2017 impõe ao Ensino Médio brasileiro, assim como verificar a percepção que estudantes secundaristas, da Escola Estadual Dr. Augusto Duprat na Cidade do Rio Grande (RS), têm sobre essas mudanças. A base empírica foi construída a partir de uma investigação dissertativa de cunho qualitativo, contando com a participação de 61 alunos de 1º, 2º e 3º ano do Ensino Médio. Como procedimento para produção dedados, formaram-se 4 grupos focais, um com cada turmada escola; ademais, também foi aplicado um questionário fechado. Para a análise dos dados utilizou-se a metodologia de análise do conteúdo, a partir de 4 categorias estabelecidas a priori, sendo o presente trabalho produto de uma dessas categorias. A partir da análise dos dados, aponta-se um discurso reprobatório por parte dos estudantes, no que se refere à determinação de dispor de Língua Portuguesa e matemática como únicas disciplinas obrigatórias nos três anos de Ensino Médio. Os estudantes também discordaram da proposta de tornar uma percentagem do Ensino a Distância, afirmando que atualmente o ensino é precário e que essas disposições iriam fragilizá-lo ainda mais. Nas falas, identificou-se também uma associação da retirada de disciplinas como Filosofia e História com intenções governamentais de controlar a população. Por fim, considera-se fundamental que os jovens sejam ouvidos, visto que são os sujeitos do Ensino Médio os mais afetados com essas mudanças.
 
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O presente artigo, parte de uma pesquisa de doutorado, tem por finalidade apresentar a análise realizada na revista A Escola, Revista do Grêmio dos Professores Públicos do Estado (1906-1910), especificamente sobre a liberdade e o modelo de trabalhador docente, via método intuitivo. A carência de escolas para formação de professores no início do século XX possibilitou outros mecanismos refinados e eficazes para uma ampla divulgação dos ideais vigentes e para a homogeneização do trabalho dessa categoria profissional mediante a uniformização do discurso pedagógico. A revista didática A Escola foi um desses instrumentos, propondo como método mais adequado o Método Intuitivo. O percurso metodológico empreendido para a produção dos dados efetivou-se, primeiramente, pelo levantamento e catalogação da Revista A Escola junto ao Arquivo Público do Paraná e à Biblioteca Pública localizados em Curitiba (PR); em seguida foi feita a seleção dos artigos relevantes para o desenvolvimento do trabalho, para enfim realizar a análise e discussão dos artigos selecionados, tendo em vista o objetivo proposto para a pesquisa, qual seja, discutir a disseminação da ideologia liberal nos primórdios republicanos no Brasil. A análise do periódico demonstrou que a propagação do Método Intuitivo como modelo ideal, por meio da revista, foi oportuna. Ela disseminava a ideologia liberal em nome de seus preceitos de igualdade e liberdade, ao propor um ensino ativo, centrado no interesse do aluno, dando a todos e com equidade a oportunidade de aprender. Esse discurso reforçava a ideia de que era a partir das ações individuais que a sociedade se desenvolveria e, com o progresso individual, cada um teria sucesso. Palavras-chave: Educação. Método intuitivo. Trabalho docente.
 
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Este artigo pretende compreender as estratégias de resolução de problemas por meio do cálculo mental matemático, além de observar a importância dessas estratégias no aprendizado disseminado nas escolas comunitárias luteranas localizadas na região da Serra dos Tapes (Rio Grande do Sul). As escolas dessa região foram formadas com base em um modelo comunitário religioso integrante do processo da imigração alemã no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Para alcançar os objetivos propostos neste estudo, analisam-se narrativas orais de sujeitos escolarizados entre as décadas de 1930‑1970 e discursos veiculados pela revista infantil“O Pequeno Luterano”, no que tange ao conhecimento matemático e ao cálculo mental. Observou‑se, assim, de que forma o aprendizado matemático mantinha relação com a realidade dos alunos de escolas luteranas situadas em zona rural. Para isso, foram abordados os conteúdos matemáticos da revista apresentados por meio de curiosidades e adivinhações, elementos que estimulavam o cálculo mental nas crianças ao instigá-las a participar de charadas e brincadeiras lúdicas. Ademais, as narrativas analisadas auxiliaram a compreender o uso da habilidade do cálculo mental no cotidiano, revelando um decréscimo desses saberes nas gerações mais jovens.
 
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Discute-se, a partir da historiografia da política educativa, a experiência e trajetória de gestão de Vital Didonet entre os anos 1970 e 1990, objetivando acompanhar a sua trajetória político-educativa –, ou como se foi produzindo enquanto figura pública e intelectual na área da educação da primeira infância. Foram analisados documentos inexplorados e que se encontram nos arquivos da Coordenação de Educação Infantil no interior do Ministério da Educação. O recurso investigativo utilizado, partiu, portanto, da história da educação, enfatizando o âmbito da elaboração de políticas educativas e o acompanhamento da trajetória de Didonet junto à circulação de sujeitos nesse cenário. Esse conjunto analítico foi direcionado pela ótica nos momentos de “mudança” e/ou observável incremento nas ações governamentais, por meio de modificações na escrita de publicações oficiais do período e da área em questão ou nas maneiras de articulação com outros contextos, como o acadêmico, o da prática e do próprio âmbito público, considerando as instâncias de poder. Ainda que se note sua relevância como primeiro coordenador ao nível de Ministério da Educação, tem-se a raridade de pesquisas sobre a sua carreira e a trajetória da política educativa e/ou a história da Educação Infantil no período em discussão.
 
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A Educação Profissional no Brasil, na prática de sua implementação, conduz a distanciamentos que são analisados neste texto. Este trabalho é fruto de pesquisa bibliográfica e documental sobre o tema da Educação Profissional e sua condução no Brasil após a vigência da Lei de Diretrizes e Bases de 1996. Analisa as especificidades dos modelos de Educação Profissional implementados pela Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, autarquia do governo do Estado de São Paulo. O objetivo do trabalho é o de orientar a prática da implementação das Políticas Públicas para a Educação Profissional. Os resultados apontam uma maior deserção dos alunos ao modelo que promove a exacerbação da dualidade da escola. Conclui-se apontando que a interação entre a Educação Técnica de Nível Médio e a Educação Superior Tecnológica pode conduzir a uma melhor formação dos egressos da Educação Profissional e sua maior valorização econômica e social.
 
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O artigo analisa a produção acadêmica publicada nas principais plataformas brasileiras de divulgação cientifica acerca da avaliação na Educação Infantil. O estudo utilizou como aporte metodológico a Analise de Conteúdo de Laurence Bardin, tendo como recorte temporal o período de 1996 até 2015. Os dados foram classificados em quatro categorias de analise, que sugerem uma producao acadêmica sobre a avaliação na Educação Infantil ainda escassa, todavia em ascensão, com predominância de producao na área de Educação. Outro ponto tratado no estudo refere-se aos múltiplos focos acerca da temática avaliação e Educação Infantil. Os estudos baseiam-se tanto em aspectos do microcontexto, como o registro e a documentação pedagógica, passando pelo uso de escalas e testes padronizados que objetivam avaliar o desenvolvimento da criança em aspectos de macrocontexto, como nas avaliações da qualidade do ambiente, das instituições e dos sistemas de ensino. Por fim, o artigo destaca ainda que essa temática requer uma ampla discussão a fim de construir uma melhor compreensão dos sujeitos que por ela são influenciados (professoras, crianças, famílias e equipes gestoras).Palavras-chave: Analise de conteúdo. Avaliação. Educação infantil.
 
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O artigo aborda a “Outra Infância”, ou seja, a que foge da infância dita normalizada na sociedade, no contexto do século XIX e parte do XX, nas suas conceções ou enfoques que a reconstroem no tempo e na memória histórica. A presente análise hermenêutica circula à volta daquela infância, abandonada, marginalizada, em risco, delinquente e desamparada, sem a presença física e moral da família, sem escolarização e afetividade normal para o seu desenvolvimento, inserida em dispositivos jurídico-social, médico-pedagógico, assistencial e institucional. Serão tratadas as conexões históricas relacionadas com essa infância, as condições e fenômenos sociais interligados com a sua problemática e realidade. Essas infâncias são aqui problematizadas, contextualizando-as historicamente no momento contemporâneo português e fazendo digressões argumentativas de teor antropológico, epistemológico, pedagógico e histórico social. Aquelas infâncias eram assistidas e/ou institucionalizadas em internatos asilares e estabelecimentos assistenciais e de reeducação, onde recebiam uma formação para a vida. Portugal foi prolífero em criar diversos tipos de instituições, especialmente os asilos e acolhimentos do século XIX e outras instituições reeducativas que perduraram no século XX. Em três pontos assenta a argumentação aqui apresentada: emergência dos problemas e condições sociais da infância; a imagem da outra infância na voz dos periódicos; a infância à margem da sociedade e as medidas assistenciais e (re)educativas de encerramento.
 
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A educação parental é um recurso psicoeducativo, relacional e comunicacional na adaptação escolar. A entrada das crianças no ensino básico, provenientes da pré-escola (transição), é um momento de mudanças para elas e para os pais. A literatura, em geral, refere como fatores essenciais para o sucesso dessa adaptação escolar: o contexto; a família; a escola; a etnia, a cultura e linguagem; as características pessoais da criança. O estudo realizou-se em 2014, numa turma (N= 24 alunos) de uma escola urbana portuguesa (Escola Básica Cidade de Castelo Branco), de forma integrada com o Projeto de Inteligência Emocional em contexto escolar. A pesquisa apresenta uma metodologia mista (quantitativa e qualitativa), com o objetivo de interpretar a relação dos comportamentos interativos e comunicativos dos pais e a adaptação dos filhos ao 1º ano da escolaridade obrigatória. As técnicas de recolha de dados foram: observação participante, escala de percepção sobre competências parentais, entrevista semiestruturada com os pais (N=18) e notas de campo. Realizou-se uma triangulação de dados, de base categorial e estatística, que confirmou a boa comunicação entre pais e filhos, na medida em que aqueles recorrem frequentemente ao diálogo com a escola para abordar situações de aprendizagem e comportamento. Os pais revelaram estar ‘presentes’ e preocupados com a prática de atividades dos filhos e com a adaptação ou integração escolar, insistindo no cumprimento das regras de convivência, disciplina, postura em sala de aula, concentração e atenção. Palavras-chave: Adaptação escolar. Competência parental. Educação parental. Ensino fundamental. Interação comunicativa.
 
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Lula da Silva assumiu o governo com um discurso de promover um modelo alternativo de desenvolvimento, conciliando crescimento econômico com redução das desigualdades sociais. Defendeu um amplo pacto social entre as diversas classes sociais concedendo benefícios para os grandes grupos econômicos e implantando políticas sociais para os setores populares. Nesse cenário, o artigo discute as contradições e as opções das políticas de expansão da Educação Superior que foram implantados tanto para a rede federal como para rede privada e privada-mercantil nos dois mandatos (2003‑2010). O trabalho utilizou-se da análise teórica, bibliográfica e documental. Apesar da forte expansão da rede federal, persistiu a hegemonia da rede privada e privada-mercantil na concentração de instituições e de matriculas. As políticas de redistribuição de renda, dentre elas, as políticas de expansão, acesso e permanência nesse nível de Ensino para permitirem uma transformação social significativa necessitam ser universais e de longo prazo.
 
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Apresentam-se resultados de um estado da arte da produção sobre gênero e sexualidades publicada na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, focada, no caso deste artigo, em análises relatadas no Grupo de Trabalho 23 (Gênero, Sexualidade e Educação) sobre os posicionamentos docentes relativos à diversidade sexual na escola. O corpus documental desta pesquisa compreende o período de 2004 a 2011. Os estudos selecionados retratam um cenário no qual o posicionamento docente, no que tange às manifestações de homoafetividade ou de homofobia no ambiente escolar, configura-se como instável e empenhado em manter os conceitos heteronormativos de relações sexuais e afetivas. Palavras-chave: ANPEd. Diversidade sexual. Homofobia. Pesquisa bibliográfica. Produção científica. Trabalho docente.
 
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A percepção em torno do aumento da visibilidade dos movimentos sociais de afirmação da diversidade é relativamente recente em nossa história. Contudo, a defesa do direito a igualdade e da afirmação das diferenças se consolida a partir da segunda metade do século XX. Partindo de uma pesquisa bibliográfica e documental, o artigo analisa essa temática no campo educacional, tendo como objeto a concepção de diversidade presente no Eixo II do Documento-Referência da Conferência Nacional de Educação 2014. Para tanto, discorre sobre a temática e os conceitos subjacentes ao seu entendimento e compara as mudanças em relação ao documento subscrito e o Documento Final da Conferência Nacional de Educação 2010. Assim, fica evidente a emergência de alguns segmentos sociais não contemplados no documento anterior, além da necessidade em se modificar as incipientes políticas públicas destinadas à interlocução entre diversidade e educação, no intento de que possam se efetivar como verdadeiras políticas de Estado. Palavra-Chave: CONAE. Diversidade. Movimentos sociais. Políticas públicas educacionais.
 
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El estudio aborda las diferencias entre la competencia científica de Perú y Portugal ante los resultados de PISA 2012, las cuales obedecerían a la divergencia de contenidos que configuran los respectivos currículos de estudio. En tal propósito, se siguió un proceso de análisis documental y comparación de los contenidos curriculares de la competencia científica. Los hallazgos se organizaron en categorías curriculares confrontables entre si y contrastables con lo especificado por PISA. Los resultados evidencian, en el caso de las capacidades, que Portugal prioriza ampliamente a la explicación científica, mientras que Perú a la identificación de las cuestiones científicas. Respecto al conocimiento, Portugal incide en los sistemas físicos, de la tierra y del espacio por sobre el realce de la tecnología en Perú, mientras que, en las actitudes, varían ligeramente. Las diferencias de organización curricular hacen apreciables las disparidades en los tiempos curriculares, dado que Portugal destina mayores periodos que Perú, lo cual explicaría el interés por dicha competencia. Palabras Clave: Análisis curricular. Educación básica. Competencia científica. PISA.
 
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Este artigo apresenta resultados de pesquisa que investigou como o material didático do Programa Ler e Escrever vem sendo explorado nas classes de 4º e 5º ano do Ensino Fundamental de uma escola estadual em Campinas (SP). O material empírico foi produzido por meio de observações realizadas nas duas classes e de informações fornecidas pelas professoras. Os resultados evidenciaram que: (i) há pouca variabilidade organizacional das aulas e pouca interação entre os alunos para discutirem as atividades propostas; (ii) as dificuldades das professoras em relação ao uso do material, às vezes, eram transferidas para os alunos; (iii) o professor pode cometer o engano de ver as práticas de leitura e de escrita como naturais e de fácil aprendizagem, considerando a linguagem escrita como um objeto transparente, que se revela por si só. Há necessidade de reflexão sobre as ações cotidianas que se automatizam devido às condições de trabalho, que dificultam a concretização de espaços para discussão. Palavras-chave: Material didático. Política educacional. Práticas pedagógicas. Programa Ler e Escrever.
 
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A proposta do artigo é enfocar o planejamento educacional em uma perspectiva histórica, apontando os fatores econômicos, sociais e políticos que contribuíram para a criação do planejamento como ferramenta de intervenção racional, particularmente para a educação, na América Latina, nas décadas de 1950 e 1960. Para o desenvolvimento do texto, apresentam-se, em primeiro lugar, alguns acontecimentos históricos que estimularam a utilização do planejamento econômico nas sociedades capitalistas, como a Crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial, além do desenvolvimento teórico sobre o planejamento nas sociedades capitalistas. Em segundo lugar, discorre-se sobre a realidade latino-americana e os estímulos que organismos internacionais, fundamentalmente a Comissão Econômica para a América Latina e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, deram para o desenvolvimento da lógica de planejamento, orientado pelas perspectivas do subdesenvolvimento e do estado desenvolvimentista. Finalmente, apresentam-se algumas características do planejamento educacional que, no contexto de seu surgimento, estavam estreitamente vinculadas às intenções de desenvolvimento econômico dos países latino-americanos, assumindo uma posição setorial no planejamento econômico mais amplo dos governos.
 
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Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa qualitativa, do tipo bibliográfica e documental, sobre as abordagens teórico-metodológicas desenvolvidas nas pesquisas em educação não formal e animação sociocultural em âmbito brasileiro e internacional, a partir do levantamento de dados em publicações nas áreas de Educação, disponibilizadas no site do Scielo até 2014, pois se nota uma lacuna com relação a esse conhecimento sistematizado. Para tanto, o procedimento de investigação visou levantar e identificar as produções acadêmicas e de pesquisa no âmbito dos Programas de Pós-Graduação em Educação e áreas afins, brasileiros e internacionais, para sintetizar e refletir sobre suas principais características, de forma a constituir um mapeamento inicial, provisório e parcial desse campo. Teoricamente, percebe-se que o referencial teórico que embasa tanto a educação não formal como a animação sociocultural advêm dos Estados Unidos e da Europa, especialmente Espanha e Portugal, carecendo de um embasamento nacional, embora essa tarefa já esteja em andamento. A formação dos educadores tem se dado em serviço, embora haja tentativas e esforços para que se criem e consolidem cursos de formação em nível técnico e, eventualmente, em nível universitário, como acontece fora do Brasil. As pesquisas mostram o quanto tem sido feito, ao mesmo tempo que apontam a necessidade de maior e constante direcionamento para o campo educativo e as problemáticas além do escolar, pois que o campo da Educação tem privilegiado o campo da educação formal em detrimento de experiências formativas e de socialização que acontecem fora dos espaços escolares, apesar da proliferação de ações socioculturais para diferentes tipos de públicos na contemporaneidade. Palavras-chave: Animação sociocultural. Educação não formal. Formação de educadores.
 
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Este artigo apresenta e discute estratégias elaboradas e aplicadas no âmbito da formação inicial de professores de matemática, as quais buscaram integrar recursos da História Oral e narrativas a abordagens pedagógicas problematizadoras. Defende que o trabalho com a História Oral, ao implicar uma problematização de um passado recente e uma criação de discursos sobre assuntos do presente, tem potencial para influenciar compreensões e práticas envolvendo educação matemática. Apresenta a disciplina Fundamentos da Matemática Elementar do curso de licenciatura da Unesp, Rio Claro, como o contexto em que tais estratégias foram elaboradas e aplicadas, bem como apresenta e discute as etapas e resultados dessa aplicação. Considera que o trabalho como o desenvolvido em tal disciplina colabora com um tipo de ação para a formação de professores que vê este profissional como um representante de diversas comunidades de memória no processo de constituição da educação, da matemática e da educação matemática escolares.
 
Articulações reveladas nas práticas da docência. Fonte: Elaborado pela autora (2015). 
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Este artigo busca conceituar e explicar o construto da autorregulação da aprendizagem, entendida como o controle e a regulação do próprio estudante sobre seus pensamentos, cognição, afeto, motivação, comportamento e a imbricação deste construto na formação de professores. A pesquisa apresentada é resultado da análise de três investigações que mostram a atuação estratégica de professores como aprendentes e ensinantes. Analisa-se o enfoque teórico-metodológico das intervenções realizadas e, ao final, pontuam-se os resultados encontrados nas referidas pesquisas, explicitando as articulações feitas entre elas e os resultados emergidos desses estudos. Palavras-chave: Ensino. Estratégias de aprendizagem. Formação de professores.
 
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Os cursos de pós-graduação em educação no Brasil desenvolvem estudos sobre a prática docente e a pesquisa científica. Esses processos são transversalizados pela escrita acadêmica, objeto deste estudo, que faz emergir questões como “O que torna a escrita na academia um processo tão desafi ador para os estudantes?” ou “Afi nal, por que é tão difícil escrever?”. Esta investigação tem o objetivo de analisar ponderações e argumentações de acadêmicos de um curso de pós-graduação em educação do Rio Grande do Sul acerca das dificuldades inerentes à escrita acadêmica. Quanto aos procedimentos metodológicos, utilizou-se uma análise qualitativa exploratória, realizada por meio de um estudo de caso. A coleta de dados envolveu uma pesquisa-ação que contou com a técnica de análise de conteúdo para a análise dos resultados. Evidenciou-se neste estudo significativa preocupação com a escrita de teses e dissertações, sobretudo quanto ao atendimento de especificidades de forma textual e formatação dos textos de acordo com as normas técnicas adotadas pelo curso. Os acadêmicos reconhecem a importância e a necessidade do engajamento ligado à aprendizagem e à capacidade de tomar decisões, assim como enfrentar complexos desafios na escrita acadêmica. Para os estudantes a escrita acadêmica é uma tarefa difícil, influenciada por fatores como escassez de leitura, insegurança sobre as próprias ideias, dificuldade de realizar registros por escrito, falta de familiaridade com a escrita acadêmica na graduação e dificuldades na (re)construção de conhecimentos gramaticais, semânticos e sintáticos.
 
Médias do segundo semestre X médias do primeiro semestre. Fonte: Elaborado pelos autores (2019).
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Este estudo se propõe a mapear o desempenho acadêmico dos estudantes do primeiro ano do curso de Estatística da Universidade Federal de Goiás, em 2017. Para isso, foram analisados os históricos acadêmicos de todos os alunos que cursaram os dois primeiros semestres letivos com regularidade, sem abandonar ou trancar o curso. Essa escolha foi feita para que se pudesse comparar o desempenho acadêmico dos alunos no primeiro e no segundo semestre. Os dados dos históricos foram analisados por meio de estatística descritiva para avaliar medidas de posição e dispersão. Testes não paramétricos foram aplicados para analisar a igualdade entre médias e medianas. Além disso, um modelo de regressão linear simples permitiu fazer previsões da média do segundo semestre, tendo como variável preditora a média do primeiro semestre. Como resultado, o estudo evidenciou uma significativa exclusão no primeiro ano do curso, além de percentual importante de reprovação nos dois semestres letivos, no caso dos estudantes que permaneceram na graduação.
 
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Este estudo de caso integra uma investigação mais abrangente na área da violência e criminalidade e analisa a construção narrativa das vivências de violência na escola, relatadas por um grupo de reclusos portugueses, tendo como pano de fundo seus percursos escolares. Os dez participantes, com idade entre 19 e 46 anos, foram entrevistados nos Açores. Foi utilizado um roteiro de entrevista, especificamente construído para esta investigação, com o conjunto de tópicos a serem abordados em tom informal. O tratamento de dados de nível descritivo e interpretativo seguiu a Análise de Conteúdo segundo Bardin e centrou-se em dados retrospectivos, colhidos por entrevista, relativos a episódios específicos de violência e bullying em contexto escolar. Foram identificados quatro tipos distintos de percursos de violência infantil e juvenil, principalmente bullying, envolvendo vítima e agressor, defensor da vítima, vítima com coping eficaz e observador passivo. O estudo analisa os fatores de desencadeamento e manutenção desses percursos, com impacto no desempenho escolar, bem como discute as implicações para a prevenção secundária e o diagnóstico diferencial.
 
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O objetivo do trabalho é reunir e interpretar a produção acadêmica (teses e dissertações) acerca do livro didático de educação física. Focalizou-se o período entre 1987 e 2018, utilizando as informações do Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. A justificativa reside na recente inclusão da educação física no Programa Nacional de Livro e Material Didático e a necessidade de encontrarmos subsídios para o acompanhamento desse processo de implementação e os desdobramentos no âmbito da prática docente da educação física. Tendo como referência o pragmatismo de Richard Rorty para recontextualizar a produção e apresentar um novo texto, destacam-se a esperança e os receios presentes nas produções acadêmicas, com realce para um conjunto de trabalhos “exploradores do potencial do livro didático” que possui esperança nas maneiras experimentais e humildes. Essa conjuntura de trabalho se diferencia de outro grupo (os “analistas de conteúdos”), crentes nas maneiras teóricas amplas de encontrar justiça e a verdade. Por fim, sugere-se outro ponto de vista aos professores de educação física, para que possam receber os livros didáticos da área com afeição a uma esperança humilde e experimentalista identificada, em especial, no grupo que será denominado “exploradores do potencial do livro didático”.
 
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O objeto de análise deste artigo é o curso de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional, PROFMAT, especificamente quanto à sua matriz curricular nas três diferentes versões que se sucederam à sua implantação, em 2010, até o ano de 2012. Este estudo justifica-se pela dimensão e abrangência do referido curso. Os documentos de pesquisa, constituídos pelas versões da matriz curricular, serão analisados à luz da teoria sociológica de Bourdieu, da qual se destacam para esta análise os conceitos de habitus, capital e campo. Buscar-se-á delinear o campo da matemática no âmbito desse Programa a fim de entender o que Bourdieu chama de estratégias de reprodução das relações hierárquicas – nesse caso, entre a prática matemática dos matemáticos e a prática matemática dos professores no âmbito da escola –, assim como as estratégias de conservação e legitimação de um modo de fazer matemática. Nesse sentido, serão enfatizados aspectos que aproximam ou afastam o Programa do que preconizam as recentes pesquisas a respeito da formação docente. Palavras-chave: Campo científico. Formação de professores. Matemática acadêmica e escolar. Mestrado profissional.
 
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O presente artigo aborda as Ações Afirmativas no Ensino Superior, mais especificamente a aplicação da Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Para a construção deste estudo, foram revistas discussões polarizadas que trouxeram argumentos favoráveis e contrários à implantação das Ações Afirmativas, buscando-se compreender o ciclo de desenvolvimento dessa política pública. Para além das discussões teóricas e políticas sobre a implementação da Política de Ação Afirmativa nas Instituições Federais de Ensino Superior, buscou-se verificar estratégias e táticas empreendidas pelos sujeitos de modo a se beneficiarem de tal política de acesso. Com base na pesquisa de mestrado “Caminhos de estudantes participantes da política de ação afirmativa: oportunidades e desafios no ensino superior”, realizada por Mariza Aparecida Costa Pena, a partir de levantamento feito no Registro Acadêmico, de denúncias e de percepções de funcionários, foram selecionados três casos diferenciados de estudantes de cursos da Universidade investigada, ingressantes por meio da Política de Ação Afirmativa entre 2013 e 2016, os quais utilizaram táticas para se beneficiarem da referida política. Os casos apresentados servem, principalmente, para a reflexão sobre a necessidade de uma ação conjunta de diversos agentes no sentido de coibir as táticas para ocupação de vagas em curso de graduação por estudantes que indevidamente se beneficiam da Política de Ação Afirmativa implementada a partir dessa Lei.
 
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Políticas de ações afirmativas vêm buscando aumentar o acesso ao ensino superior de estudantes das camadas populares que, em geral, consideram o ingresso em universidades públicas fora de seus horizontes de possibilidades. Assim, o objetivo do presente trabalho é discutir de que maneiras esses estudantes passam a cogitar o ingresso em uma universidade pública como algo passível de ser alcançado. Para isso, analisará aspectos de entrevistas em profundidade, realizadas com duas estudantes do ensino superior público provenientes de camadas populares. Discute-se que a possibilidade de ingressar em uma universidade pública surgiu casualmente nas trajetórias analisadas, havendo a necessidade da mediação de uma pessoa ou circunstância próxima socialmente para que oacaso fosse aproveitado e rentabilizado. Por fim, discute-se a importância da esfera do trabalho nas trajetórias das estudantes ao proporcionar a circulação por diferentes espaços sociais. Palavras-chave: Camadas populares. Trajetórias escolares. Universidades públicas.
 
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O presente trabalho problematiza a polêmica educação de surdos, mais especificamente na educação infantil em escolas inclusivas. Algumas reflexões são tecidas no que tange à política educacional e linguística em escolas inclusivas bilíngues e, ainda, o desafio da manutenção de programas bilíngues que tomam a surdez pela centralidade da língua de sinais, como língua de instrução e de diferença no ensino. O olhar se dará na ação de uma escola polo de um dos municípios no interior do Estado de São Paulo. Evidencia-se a urgência de mudanças para a composição da diferença surda no espaço escolar e, com isso, a necessidade de quebras de paradigmas, travando diálogo entre as Secretarias de Educação e os movimentos surdos. Como método de análise utilizou-se um recorte da pesquisa em uma cena escolar a qual será usada como alegoria da teoria apresentada, promovendo um adensamento nos construtos foucaultianos. Usou-se a perspectiva genealógica de Michel Foucault que toma as relações de poder como efeito de saberes os quais circunscrevem o espaço institucional escolar. O leitor é, assim, convidado a desbravar algumas tensões presentes na perspectiva bilíngue a qual rompe radicalmente com o olhar da surdez a partir da deficiência e convoca a escuta da diferença na mais radical singularidade que a língua de sinais proporciona nos sujeitos surdos. Palavras-chave: Educação bilíngue. Educação de surdos. Educação inclusiva. Língua Brasileira de Sinais.
 
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Este trabalho insere-se no campo dos Estudos Surdos e das Relação-Étnicos Raciais, realizando uma discussão interseccional entre surdez e raça e tendo por objetivo analisar a ocupação de vagas por estudantes negros/as surdos/as nos cursos de graduação em instituições federais de ensino superior. O percurso metodológico de abordagem quantitativa contemplou uma análise de microdados do Censo do Ensino Superior relativos às matriculas de negros/as surdos/as em cursos de Letras Libras e em outros cursos de graduação em instituições federais de ensino superior, com recorte temporal entre 2009 e 2016. Os dados foram sistematizados através do Statistical Package for the Social Sciences. A criação do curso de graduação em Letras Libras, na modalidade a distância, em 2006, apresenta-se como principal fator da significativa ampliação no número de matrículas de estudantes surdos/as no ensino superior no período. A situação de negros/as surdos/as, contudo, não acompanha essa curva ascendente. Entre 2009 e 2013, houve um decréscimo significativo de matrículas desse grupo, apesar de os negros constituírem 50,06% da população surda. A partir daí, com a aprovação da Lei de Cotas no ensino superior em 2012, ano após ano tem-se observado um aumento significativo na ocupação de vagas pela comunidade negra surda em diferentes cursos de graduação, sinalizando a importância de ações afirmativas que contemplem a interseccionalidade entre a questão racial e a diferença linguística que singulariza as identidades de pessoas negras surdas.
 
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O texto tensiona duas importantes peças das atuais políticas governamentais para a melhoria da qualidade educacional em municípios brasileiros: o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica e o Plano de Ações Articuladas. Tem por objetivo verificar em que medida os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, obtidos por escolas públicas de redes municipais de ensino, servem de orientação para o planejamento de ações destinadas à melhoria da qualidade na educação básica. Toma como instrumento de recolha de dados o Plano de Ações Articuladas de onze municípios do estado de Santa Catarina, para o quadriênio 2011– 2014. Com base em estudo documental, delimita correlações entre dimensões e áreas consideradas prioritárias, ações eleitas por gestões municipais visando ao atendimento de prioridades e os resultados obtidos em avaliações do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Evidencia tendência, nos municípios amostrados, a uma concepção de qualidade educativa reduzida às condições de melhoria da infraestrutura física e de ampliação dos recursos pedagógicos das escolas das respectivas redes, manifestada pela (falta de) correlação entre dimensões e áreas prioritárias e ações eleitas por gestões municipais para assegurar resultados intermediários do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.
 
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Este artigo integra uma pesquisa mais abrangente, ainda em andamento, sobre os avanços teóricos e metodológicos propostos pelo anarquista-geógrafo francês Jacques Élisée Reclus (1830-1905), para a compreensão da dinâmica social entre o final do século XIX e início do XX. O objetivo do trabalho aqui apresentado é analisar a contribuição do pensador para a construção do modelo de educação defendido pelos libertários, bem como da escola e do ensino de geografia aos moldes ácratas. Defende-se a tese de que a contribuição desse intelectual ocorreu no bojo de um processo mais amplo, voltado à construção de uma sociedade livre e não dogmática, amparado por uma rede de intelectuais dedicados à construção de uma base teórica que fundamentasse as premissas anarquistas voltadas à transformação social. Para isso, foi realizada uma extensa pesquisa bibliográfica sobre o movimento libertário europeu, bem como sobre a vida, obra e método de Reclus. Após a seleção, leitura e análise dos textos, realizou-se o cruzamento das informações históricas, políticas e metodológicas para subsidiar as análises da contribuição do pensador tanto para a consolidação do movimento libertário na Europa, quanto para a educação e o ensino de geografia.
 
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Este artigo tem como objetivo identificar as contribuições das pesquisas sobre atividades epilinguísticas e práticas pedagógicas, pressupondo que a ampliação da compreensão leitora e da produção textual é a principal meta do ensino e da aprendizagem de Língua Portuguesa. O foco se volta para os trabalhos sobre os anos iniciais do Ensino Fundamental. Trata- -se de um estudo bibliográfico, com uma revisão da literatura realizada em um levantamento de trabalhos em diferentes bases de dados. Três temáticas foram identificadas: as práticas pedagógicas observadas ou recomendadas; o lugar das atividades epilinguísticas no ensino de Língua Portuguesa; e concepções sobre atividades epilinguísticas. Na análise dos estudos, sobressaíram-se práticas pedagógicas de produção textual e de análise linguística, por vezes articuladas, relatadas ou recomendadas, notando-se a ausência das atividades epilinguísticas nas práticas de leitura. Quanto ao lugar das atividades epilinguísticas, as pesquisas indicam que ainda são pouco trabalhadas nas aulas, em detrimento das metalinguísticas. As diferentes concepções e discursos sobre as atividades epilinguísticas detalham aspectos conceituais e podem marcar variações nas práticas pedagógicas.
 
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O objetivo deste artigo é investigar a contribuição da Psicologia de Carl Rogers na formação e atuação de orientadores educacionais no Estado de São Paulo. O estudo realizado atende às características da abordagem qualitativa de pesquisa. Foram analisados depoimentos de duas ex orientadoras educacionais, uma de escola pública e outra de escola particular. Para a análise dos depoimentos empregou-se a “análise da prosa”, proposta metodológica de Marli André. Para contextualizar a Orientação Educacional no Estado de São Paulo, evidenciando seu entrecruzamento com a abordagem rogeriana, é feita apresentação sucinta da Orientação Educacional na legislação brasileira e uma referência ao primeiro concurso público de ingresso de orientadores educacionais na rede pública estadual de ensino de São Paulo. A análise evidenciou que a psicologia de Rogers, em especial as condições ou atitudes facilitadoras, consideração positiva incondicional, autenticidade e empatia, fizeram parte do repertório formativo das orientadoras. Também evidenciou que, no contexto escolar, a incompreensão do não diretivismo da proposta rogeriana ocasionou a deturpação das ideias de Carl Rogers.
 
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O artigo analisa três pesquisas que tinham em comum a formação de professores de Matemática a partir do uso de narrativas. A primeira aconteceu durante a formação inicial das professoras no curso de Pedagogia; a segunda, durante os primeiros anos de docência após a conclusão da graduação; a terceira diz respeito a uma formação em serviço com professoras de vários anos de profissão. Nas duas primeiras pesquisas, a escrita de narrativas ocorreu ao longo de todo o processo de formação inicial e em serviço, sendo indicadas pelas professoras participantes as vantagens na utilização das narrativas. Na terceira investigação, não ocorreu a adesão das professoras ao processo de reflexão de práticas a partir das narrativas, gerando um questionamento sobre como construir esta adesão e constituir um grupo, de fato, colaborativo num trabalho de formação em serviço. As propostas serão analisadas, buscando identificar fatores que contribuíram para a adesão das professoras e fatores que implicaram a não adesão.
 
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No presente texto, num primeiro momento, trazemos para discussão a introdução ao campo da educação de tendências gerencialistas. Neste cenário, identificamos, na realidade portuguesa, a partir dos anos noventa, componentes de tais tendências na administração da escola, ainda que combinadas a outras lógicas, designadamente o controle pela tutela sobre as organizações escolares. Para além dessa análise, situada no plano das orientações para a ação, num segundo momento, privilegiamos o plano da ação, e, nesse contexto, procuramos conhecer e refletir sobre as perspectivas dos professores quanto às mudanças ocorridas na gestão da escola. Com esse objetivo, realizamos, em 2006/2007, um conjunto de entrevistas com professores de uma escola pública do ensino secundário. Os seus discursos apontam para uma concepção de gestão de escola sujeita aos princípios da eficácia, eficiência e competição e apontam para a centralidade do órgão de gestão no interior da escola. Apresentamos, apenas a título hipotético, que, a partir dessa centralidade, será mais fácil e operacional a tutela exercer o controle sobre essas organizações. Palavras-chave: Administração das escolas. Concentração e poderes. Gerencialismo. Realidade portuguesa.
 
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O artigo objetiva analisar razões promotoras do bullying, bem como a maneira como alunos portugueses e brasileiros se posicionam diante do problema e como eles avaliam os encaminhamentos tomados pela escola. A base empírica é uma investigação, de cunho exploratório e de natureza quantiqualitativa, tendo uma amostra aleatória de 235 alunos, matriculados nos anos finais do Ensino Fundamental (7º, 8º e 9º anos), na faixa etária de 13 a 16 anos, procedentes de duas escolas públicas, uma do Brasil, da região oeste catarinense e outra de Portugal, da região Norte, do Minho. Como procedimento de coleta de dados utilizou-se um questionário. As respostas das questões fechadas foram tabuladas com a utilização de uma ferramenta online (Google Docs), enquanto as respostas à única questão aberta foram submetidas a análise do conteúdo. Quanto às razões que promovem o bullying, houve convergência entre as respostas das amostras, tendo prevalecido a menção a variáveis intrapessoais. Sobre o posicionamento em relação ao bullying, a resposta mais indicada pelos alunos brasileiros foi de que se afastam e não se envolvem com o que está acontecendo, enquanto a amostra portuguesa indicou pedir aos agressores que parem com esse tipo de comportamento. Tais atitudes revelam maior empatia e solidariedade por parte da amostra portuguesa, e, também, podem indicar que os alunos da amostra brasileira temem ser as próximas vítimas. O bullying é um problema sério que demanda encaminhamento daqueles que fazem parte do meio escolar e familiar dos educandos.
 
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Trata-se de uma pesquisa qualitativa com objetivo de construir uma proposta interventiva lúdica, tendo o xadrez como ferramenta de aprendizagem em aulas de produção de texto para o desenvolvimento de competências ligadas à habilidade escrita e à construção de novos projetos de vida. O estudo envolveu 32 adolescentes que cumpriam medida de internação em uma unidade socioeducativa. Os dados foram obtidos por diário de campo e análise de conteúdo das redações e rodas de conversa. Durante 13 encontros semanais, os adolescentes aprenderam e jogaram xadrez, produziram textos e reflexões a partir de metáforas enxadrísticas associadas às suas realidades e que resultaram no incentivo dos sujeitos à aprendizagem, socialização, cognição e afetividade pela presença do lúdico; na diminuição da resistência em produzir textos, apesar do não domínio da habilidade escrita; e na construção coletiva de uma ação interventiva diferenciada dos projetos de vida que levaram ao cumprimento de medida restritiva de liberdade. Palavras-chave: Afetividade. Integração social e educação. Jogos. Processo ensino-aprendizagem. Valores educacionais.
 
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Ter projetos de vida refere-se a ter um objetivo central no futuro para o qual é possível progredir por meio de esforços no momento presente. Evidências indicam que adolescentes que possuem projetos de vida apresentam maiores índices de afetos positivos como felicidade, satisfação com a vida, esperança no futuro e bem-estar psicológico. O objetivo deste estudo foi apresentar a aplicação de um Programa de Intervenção, baseado na Psicologia Positiva, para a promoção de projetos de vida em adolescentes do Ensino Médio. Participaram do estudo 18 estudantes do 3º ano do Ensino Médio de uma escola pública do interior de São Paulo. Foram realizados oito encontros de 50 minutos cada. Os instrumentos utilizados foram Ficha de Dados Sociobiográficos e Escala de Projetos de Vida para Adolescentes. Os dados foram avaliados por meio de análise de conteúdo, seguindo o modelo misto de categorização. Os resultados mostraram que o Programa de Intervenção propiciou reflexões sobre o futuro a médio e longo prazo, de maneira a contribuir com a construção de projetos de vida, e promoveu uma aproximação entre o adolescente e sua família. O Programa de Intervenção apresentado neste estudo mostrou-se uma contribuição para a área da Psicologia Positiva e pode ser aplicado em escolas que querem estimular seus estudantes a terem projetos de vida.
 
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Considerando a importância do ambiente escolar na trajetória de vida de adolescentes e a relevância atual da temática do cumprimento de medidas socioeducativas no país, o presente estudo buscou compreender a experiência escolar anterior de seis jovens que se encontravam cumprindo a medida socioeducativa de semiliberdade. A pesquisa foi desenvolvida em uma unidade de execução dessa medida, por meio de entrevistas semiestruturadas, realizadas com adolescentes do sexo masculino. Foi possível constatar que, nos contextos de vulnerabilidade que permeiam as trajetórias de vida dos adolescentes entrevistados, a experiência escolar mostrou-se empobrecida, atravessada por situações de evasão, defasagem escolar e infrequência, assim como por baixa participação e incentivo familiar. Os adolescentes referem pouco envolvimento de seus pais e/ou familiares no contexto escolar, revelando, muitas vezes, dificuldades nesse aspecto. Com isso, compreende-se ser primordial que a escola, por meio de relações empáticas, possibilite a construção de novos referenciais aos adolescentes que apresentem pouca vinculação e investimento escolar, sobretudo quando em cumprimento de medida socioeducativa, visto que esta pode disparar preconceitos e estereótipos que precisam ser superados.
 
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Este artigo tem como propósito apontar o campo de tensão entre, de um lado, o escopo legal brasileiro referente a adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas e, de outro, sua normatividade no campo da educação escolar. Trata-se de estudo qualitativo que lança mão de fontes documentais. São apresentadas de forma breve quatro fontes oficiais: a Lei n°8.069/1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente; a Lei n°12.594/2012, que regulamenta o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo; o Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo: Diretrizes e Eixos Operativos para o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo de 2013 e as Diretrizes Nacionais para o atendimento escolar de adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas de 2015. Na sequência, apresenta-se o contexto político e histórico no campo das políticas públicas voltadas para esse segmento e, por fim, discutem-se questões relativas às dificuldades de inclusão desses jovens na escolaridade formal. O artigo conclui que as medidas não podem ser implementadas isoladamente, pois deveriam ser sustentadas por ações integradas que as efetivassem em diferentes áreas sociais.
 
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O presente artigo tem como objetivo investigar as características linguístico-discursivas na comunicação estabelecida entre criança com deficiência intelectual e adulto, em situação de Atendimento Educacional Especializado, bem como os recursos utilizados para facilitar a comunicação e garantir a acessibilidade cognitiva. A pessoa com deficiência intelectual possui impedimentos na comunicação oral, com dificuldades na expressão oral, quando comparada à compreensão da linguagem. A pesquisa foi realizada em uma escola municipal da cidade do Recife. Participaram desse estudo duas crianças que apresentavam deficiência múltipla e impedimentos cognitivos, além da professora especialista. A coleta de dados foi realizada em situação de atendimento, em que foram videografadas as sessões de atendimento de cada criança. Foi possível perceber que o uso demasiado de gestos associado à oralidade é muito comum na comunicação desses sujeitos. Investigar as características linguísticodiscursivas de estudantes com deficiência intelectual pode trazer contribuições para a prática docente. Palavras-chave: Cognição. Inclusão. Linguagem.
 
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O estudo objetivou identificar e analisar os motivos que levaram os alunos com deficiência intelectual a se matricular na Educação de Jovens e Adultos, e quais os fatores que os levaram a concluir ou desistir dos estudos nessa modalidade de ensino. Participaram do estudo sete jovens com deficiência intelectual, que no ano de 2012 estavam matriculados na Educação de Jovens e Adultos, em um município de pequeno porte do interior do estado de São Paulo. A coleta de dados aconteceu por meio de entrevista com roteiro semiestruturado, com questões direcionadas a investigar a inclusão do aluno com deficiência intelectual naquela modalidade de ensino, bem como suas expectativas com o processo de inclusão. Após a entrevista, organizaram-se os dados por categorias de interesse e realizou-se a análise qualitativa de conteúdo. Os resultados evidenciaram que apenas um aluno conseguiu concluir seus estudos na Educação de Jovens e Adultos, tendo sido vários os fatores que contribuíram para tanto: desde seu interesse e dedicação, até o incentivo por parte de todos os envolvidos. Dos demais participantes da pesquisa, apenas um aluno continua estudando, mas não conseguiu avançar nos estudos. Conclui-se que esta pesquisa é relevante para as discussões e reflexões acerca da inclusão de alunos com deficiência intelectual na Educação de Jovens e Adultos, pois, ao analisar os fatores que levaram esses alunos a concluir os estudos ou a abandoná-los, esta investigação acaba apontando os caminhos necessários para que, além do acesso, sejam garantidas a permanência e a conclusão dos estudos. Palavras-chave: Educação especial. EJA. Inclusão.
 
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Este artigo refere-se ao ensino de Álgebra na Educação de Jovens e Adultos do Projeto de Ensino Fundamental de Jovens e Adultos – 2° segmento do Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais. Buscamos refletir sobre como se deu o ensino de Álgebra em uma turma desse curso, ofertada no período de 2012 a 2014, por meio das práticas pedagógicas registradas pelosdocentes. Para isso, tomamos como fonte os cadernos de turma da área de Matemática dos professores que atuaram nesses cursos. Estes cadernos são o meio peloqual os professores descrevem suas aulas e as intervenções pedagógicas adotadas. É importante mencionar que os professores que atuam nesse curso são bolsistas, estudantes dos cursos de licenciatura, e são orientados por docentes da Universidade. Resultados apontam que a Aritmética e a Álgebra aparecem de forma inter-relacionada, demonstrando que o uso de sequências recursivas e não recursivas pode ser uma prática interessante para introduzir a Álgebra aos estudantes do projeto de Educação de Jovens e Adultos.
 
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Este estudo busca evidenciar práticas de letramento escolar mediadas pela leitura de revistas de circulação nacional em uma instituição pública do interior do estado da Paraíba, tendo em vista a imersão dos alunos em uma cultura marcadamente letrada e a inclusão de práticas pedagógicas adequadas ao ensino da leitura para jovens, adultos e idosos (1º ao 5º ano) com histórico de reprovação e de abandono escolar. A pesquisa possui abordagem qualitativa e se caracteriza como uma pesquisa-ação, centrada na descrição e na análise das práticas de letramento em um espaço escolar que reúne discentes na faixa etária entre 15 e 65 anos, fundamentando-se nas teorias sociointeracionista e discursiva. Os resultados contribuem para as reflexões sobre os saberes necessários à formação docente, com vistas à organização de situação didática em torno de textos constituídos de uma representação de sentidos para a vida do alunado.
 
Top-cited authors
Lourdes Maria Bragagnolo Frison
  • Universidade Federal de Pelotas
Teresa Sarmento
Marilda Pasqual Schneider
  • Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC)
Pedro Rosário
  • University of Minho
Soely Aparecida Jorge Polydoro
  • University of Campinas