Revista da FAEEBA- Educação e Contemporaneidade

Published by Revista da FAEEBA
Print ISSN: 0104-7043
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Este trabalho propõe-se a analisar a obra Madiba, o menino africano (2011), uma narrativa biográfica que traz como personagem principal Nelson Mandela, por meio da observação dos aspectos gráficos, editoriais e enunciativos do exemplar. A partir disto, objetivamos discutir de que modo os livros infantis publicados após a promulgação da Lei 10.639/2003, tecem suas representações e, ainda, como estas representações estão atreladas às instâncias de poder, como a escola e o governo. Nossas conclusões partem da reflexão de que embora o personagem negro figure como protagonista nestes livros, sua representação tende a ser baseada em percepções colonialistas; ademais, estas percepções inclinam-se a selecionar certos aspectos da sua trajetória que podem construir um imaginário social que vê o sujeito negro como pacífico ante às situações de racismo/preconceito. Deste modo, embora os relatos biográficos acerca de personagens negros sejam de grande relevância social — uma vez que ressignificam o imaginário coletivo quanto a aparência e origem do herói —, estes relatos ainda se atrelam a uma representação simplista tanto da África do Sul quanto do líder político, devendo ser repensados enquanto elementos representativos dos grupos étnico raciais nos livros literários.
 
O presente artigo objetiva refletir sobre a aplicação da Lei 10.639∕2003, em especial, sobre os aspectos das religiões de matriz africana, tendo em vista que a lei sancionada tornou obrigatório o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira em todas as unidades escolares do País. Entendemos que falar sobre racismo não é tarefa fácil, principalmente no ambiente escolar, que, embora possibilite a construção de conhecimento, cultiva a manutenção de preconceitos e estereótipos em relação adeterminados grupos, em especial, negros e indígenas. Esse preconceito é acentuado quando se coloca em relevo as religiões de matriz africana, frente ao crescimento de denominações pentecostais e neopentecostais que têm praticado diversos desrespeitos religiosos por todo o Brasil. Idealmente, a escola brasileira deve fornecer informações históricas relativas às matrizes que deram origem ao País; entretanto, há uma maior valorização do pensamento e culturas eurocêntricas, descuidando-se abundantemente das diversidades culturais, econômicas e tecnológicas do continente africano. O método utilizado é o qualitativo, baseando-se na pesquisa documental e no contato com os professores, revelando assim que a não aplicação da Lei 10.639∕2003 resulta de um conjunto de ações e comportamentos, com destaque para o racismo. A partir disso apresento o texto.
 
Para muitos autores, a criação do Colégio Pedro II (CPII) foi uma experiência inovadora no século XIX. Na historiografia acerca desta instituição despontam duas tendências: a ênfase em seus alunos e professores, como se tivessem sido os únicos sujeitos no interior da escola, e a utilização de um determinado documento – a Memória Histórica do Colégio de Pedro II (MHCPII) – sem realizar uma crítica de seu conteúdo. Neste artigo abordo a possibilidade de investigar a situação dos inspetores de alunos do CPII entre 1837, data de criação do colégio, e 1857, ano no qual foi dividido em dois estabelecimentos de ensino. Após apresentar breve panorama sobre os estudos a respeito da escola, analiso o modo como estes trabalhadores são representados na MHCPII e, em seguida, confronto estas informações com os dados extraídos de outras fontes, tais como os dispositivos legais, o Almanak Laemmert e o material trocado entre os reitores do CPII e os representantes do Império. Concluo demonstrando omissões na MHCPII sobre as condições laborais dos inspetores e as tensões delas decorrentes.
 
O presente artigo analisa os jogos linguísticos presentes em fontes de diferentes naturezas, no projeto educativo e civilizacional orientado para os indígenas brasileiros, manifestado por um grupo de escritores(as) da virada do século XIX e início do XX. Esse trabalho delimita-se entre 1890 e 1910 e considerou a ambiência intelectual que elegeu a temática indigenista como cerne de um dos projetos educacionais deste período. A análise pauta-se no Contextualismo Linguístico - Pocock e Quentin Skinner - cujo foco encontra-se na dimensão pragmática do discurso político e relação entre a realidade experienciada e a linguagem. Em relação às fontes, as mesmas foram produzidas por diferentes sujeitos, que evidenciaram, na cena pública, concepções acerca do tema deste trabalho. Conquanto os(a) escritores(a) elencados aqui, tenham posicionamentos genéricos sobre algumas questões relativas aos indígenas brasileiros, há um consenso de que a educação seria o condão que viabilizaria o processo de inserção destes povos no processo civilizador, com um viés que tinha como projeto a construção de uma “identidade brasileira”, na qual os indígenas ocupavam um lugar importante.
 
O texto analisa como a mais sistemática e informada reforma do ensino secundário no século XIX em Portugal, datada de 1894-1895, configura os valores preponderantes para reconhecer a herança cultural do país e dessa forma inscrever duradouramente no currículo da educação pública a questão do patrimônio como fator estruturante da consolidação do Estado-nação. A reforma que leva o nome do principal político, pedagogo e investigador que nela participa, Jaime Moniz, atualiza o sistema português de ensino de acordo com as experiências internacionais, marcando um momento fundador da educação comparada e o ponto de adesão a uma pedagogia de âmbito universal. Tal como nas experiências pedagógicas de outros países, o alcance da instrução secundária joga-se, então, na formação de uma classe média com um conhecimento geral que serve de âncora para os estudos superiores e constitui o ponto comum da mentalidade nacional, da formação do espírito público e da união moral da nação.
 
Desde o início 2020, o mundo tem passado por demandas emergenciais devido à disseminação do novo coronavírus, o que exigiu medidas diversas, como implantação de isolamento social e suspensão de atendimento presencial nas escolas. Diante disso, muito se tem visto e discutido a respeito da educação infantil, sendo preocupante a adoção de práticas escolarizantes, preparatórias e, muitas vezes, excludentes, por meio de propostas de atividades não presenciais. O estudo caracteriza-se como estudo de caso e objetiva discutir e analisar ações e documentos de um programa educacional municipal implementado no contexto de pandemia, abordando dilemas e desafios, assim como possibilidades de trabalho. Considera-se que os recursos tecnológicos e digitais podem se configurar como ferramentas potentes de apoio, comunicação, diálogo e estreitamento de vínculos entre os diferentes sujeitos envolvidos na educação e cuidado de bebês e crianças pequenas, no entanto, é preciso atenção, intencionalidade e reconhecimento das limitações, de modo a não aprofundar as desigualdades educacionais e retroceder nas conquistas de direitos e modos de fazer a educação na infância.
 
Servidor de Discord para la asignatura «Heurística y Experiencia de Uso Digital»
Fuente: Captura de pantalla tomada por los autores.
La pandemia de COVID-19 obligó a las autoridades españolas a declarar el estado de alarma y suspender la enseñanza presencial, por lo que fueron necesarias nuevas iniciativas para atender la demanda educativa. Este estudio describe la experiencia de 20 profesores de la Escuela de Nuevas Tecnologías Interactivas de la Universidad de Barcelona durante los primeros meses de docencia digital con la plataforma Discord. Discord permite crear múltiples secuencias de clases, reducir la carga del sistema y puede usarse en diversas plataformas y dispositivos con pocos recursos. Mediante la observación de clases, entrevistas y una revisión bibliográfica, estudiamos (1) las competencias de enseñanza en línea del profesorado antes de la pandemia; (2) el uso de Discord y técnicas pedagógicas; (3) los problemas detectados y (4) sus recomendaciones. Los resultados pueden ayudar a otros docentes a organizar la enseñanza en línea en contextos críticos con Discord como plataforma de enseñanza virtual. Palabras clave: enseñanza en línea, aprendizaje, pandemia, COVID-19.
 
Neste estudo, tivemos o objetivo de analisar as transformações dos sujeitos após estudar a História e Cultura dos povos indígenas na perspectiva da educação intercultural no âmbito do Ensino Remoto implementado em Altamira-PA durante a pandemia da Covid-19. A abordagem qualitativa desta pesquisa vincula-se a teoria-prática e pensamento-ação, através do planejamento e estratégias pedagógicas que inserem conteúdos de história e cultura indígena em uma turma da Educação Básica. As análises foram realizadas sob o aporte teórico de Walsh (2009), Fleury (2003), Grando (2007), Geertz (1989) e Baniwa (2008). Apesar dos limites encontrados com a suspensão das atividades presenciais e dos desafios na utilização de ferramentas digitais, verificamos que o processo intersubjetivo da prática pedagógica intercultural provocou reflexões capazes de transpor as narrativas estereotipadas e estabelecer diálogos que favoreceram o respeito a diversidade étnico-cultural.
 
O artigo situa-se como um estudo teórico-conceitual, que objetiva discutir os conceitos de inovação, inclusão digital e educação ao longo da vida. Em meio à pandemia do COVID-19, a discussão em torno de inovação e tecnologia, na relação com o binômio inclusão/exclusão digital, vem ganhando corpo. Demarca a latência da desigualdade social desvelada pela exclusão digital e a reflexão sobre o modo como a linguagem hipermídia é inserida nos diferentes contextos escolares. No debate educacional, os conceitos de inovação, inclusão digital e educação ao longo da vida vêm se apresentando como arenas de disputa semântica entre concepções antagônicas. O polo hegemônico procura situá-los a partir de uma racionalidade instrumental, com viés econômico, individualizante e autoritário. O polo de resistência posiciona seus significados sob enfoque humanístico, de subversão das relações de poder, com vistas à construção de uma sociedade democrática. Este estudo procura contribuir para o campo da educação e comunicação, ao propor uma chave analítica para os conceitos supracitados, em tempos de pandemia e recrudescimento do autoritarismo.
 
Apresenta os discursos dos alunos liceístas nos jornais estudantis maranhenses no período de 1907 a 1930 a fim de identificar e analisar a dinâmica escolar e as representações sobre o cotidiano do ensino secundário.. Para tanto, este estudo baseia-se no mapeamento e na análise dos seguintes jornais: O Progresso (1907); O Brazil (1907); O Canhoto (1912-1914); Excelsior (1914); O Estudante (1915); Lábaro (1921); Alma Nova (1929) e o Sangue Jovem (1930). O estudo da imprensa periódica educacional liceísta possibilitou compreender as ideias sobre o desenvolvimento do país, a criação de escolas e a implantação de métodos na instrução pública secundária maranhense. Contatou-se que os jornais escritos pelos alunos do Liceu se configuraram como um importante veículo de identidade e de resistência entre o ideal e o concreto vivenciado pelos estudantes dessa instituição.
 
Por meio das memórias de doze sujeitos, analisam-se, nesta investigação, algumaspráticas de escolarização que determinaram pistas sobre a sistematização daeducação na região rural do município de Bom Jesus, localizado no Rio Grandedo Sul, nos chamados Campos de Cima da Serra. A pesquisa teve o objetivo deinventariar e analisar determinadas maneiras de contornar a carência de escolas, naregião referida, entre os anos de 1910 e 1940. A metodologia utilizada foi a HistóriaOral, as memórias escutadas pertencem ao Acervo Municipal de Memória Oral daCidade. No contexto pesquisado, vários elementos compõem o processo de entenderas práticas que institucionalizaram, em certa medida, o que foi denominado de “aulascom professores em casa”, prática adotada no meio rural em razão da ausência deescolas. Os elementos discutidos na pesquisa dizem respeito às relações de gênero,questões econômicas, culturais, políticas e religiosas. A relação entre eles vai, aolongo da investigação, tecendo um cenário de educação, com suas especificidadesculturais interligadas às políticas públicas da educação em âmbitos estaduais enacionais.
 
Por meio das memórias de doze sujeitos, analisam-se, nesta investigação, algumaspráticas de escolarização que determinaram pistas sobre a sistematização daeducação na região rural do município de Bom Jesus, localizado no Rio Grandedo Sul, nos chamados Campos de Cima da Serra. A pesquisa teve o objetivo deinventariar e analisar determinadas maneiras de contornar a carência de escolas, naregião referida, entre os anos de 1910 e 1940. A metodologia utilizada foi a HistóriaOral, as memórias escutadas pertencem ao Acervo Municipal de Memória Oral daCidade. No contexto pesquisado, vários elementos compõem o processo de entenderas práticas que institucionalizaram, em certa medida, o que foi denominado de “aulascom professores em casa”, prática adotada no meio rural em razão da ausência deescolas. Os elementos discutidos na pesquisa dizem respeito às relações de gênero,questões econômicas, culturais, políticas e religiosas. A relação entre eles vai, aolongo da investigação, tecendo um cenário de educação, com suas especificidadesculturais interligadas às políticas públicas da educação em âmbitos estaduais enacionais.
 
O presente artigo discute as concepções políticas das campanhas de saneamento e educação destinadas aos sertões e zonas rurais da Bahia, implantadas, respectivamente, pela Liga Pró-Saneamento, instituída em 1918, e a Campanha Nacional de Educação Rural, em 1952. Examina conceitos de saneamento, educação rural e instrução usados, por esta última, como estratégias para modificar modos de viver e produzir de moradores rurais tendo em vista inserilos, no contexto de 1950, nos mercados nacional e internacional. A pesquisa recorreu à produção bibliográfica de Neiva e Penna (1999), Penna (1923), Santos (1985, 1998), Williams (1989), Brito (1999), Lima e Hochman (2000),Hochman e Armus (2004), Stepan (2004), Hochman (2005), Mariani (1957), Hall (1950a, 1950b), Souza (2009), Monarcha (2009) e Ramos (2017), bem como a artigos e relatos publicados na Revista da Campanha Nacional de Educação Rural (RCNER), cujos propósitos eram moralizar e civilizar moradores de zonas rurais para o desenvolvimento da Bahia.
 
Muitas são as motivações para viajar: descobrir lugares somente imaginados, viver experiências inusitadas, estreitar laços ou encontrar novos interlocutores, por exemplo. Como tantos outros viajantes, os educadores igualmente têm seus motivos para atravessar distâncias, conhecer e se fazer conhecer. Também são muitos os modos de perscrutar viagens de educadores. Todos eles exigem compreender o sujeito que viaja, o contexto da travessia, o destino escolhido, as redes estabelecidas e as repercussões da viagem. Este é o exercício que pretendemos realizar neste texto, que se detém na viagem da educadora católica Laura Jacobina Lacombe a Locarno, Suíça, em 1927, quando representou a Associação Brasileira de Educação (ABE) no IV Congrès International d’Education Nouvelle, evento que objetivou propagar os princípios da educação moderna, e, em particular, o tema da liberdade que amalgamava as preocupações centrais. Para tanto, elegemos como fio condutor o relatório que apresentou ao regressar da viagem, que funciona como um testemunho do visto e vivido, permitindo interpretar a importância de sua participação no diálogo que se instituía entre educadores brasileiros e estrangeiros que gravitavam em torno do Institut Jean-Jacques Rousseau e que se desdobrou em novas viagens e trocas sobre os modelos pedagógicos em construção.
 
Este artigo, ancorado na abordagem da história vista de baixo e baseado, sobretudo, em documentos da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco (Brasil), tem como proposta dar a ver a trajetória de vida da professora primária e presa política Maria Celeste Vidal. Por meio de suas experiências em prol dos trabalhadores rurais foi possível desvelar elementos formativos do ser mulher em que a ação individual se associa ao habitus professoral, a militância política e as redes de relacionamentos nos enfrentamentos às violentas estruturas politica e de gênero da década de 1960. Palavras-chaves: Ligas camponesas, mulher, militância, Pernambuco, regime civil militar.
 
Este artigo visa analisar o processo de organização do laicato católico na cidade de Curitiba no período de 1929 a 1954, enfatizando sua ação no Círculo de Estudos Bandeirantes (CEB). Esta narrativa desloca-se entre a ação dos intelectuais católicos que visava estabelecer o CEB e suas práticas discursivas que objetivavam promover a cosmovisão religiosa entre a juventude curitibana. Em sentido mais preciso, analisaos sentidos dos enunciados promovidos pelo laicato católico, privilegiando suas redes de filiação e de socialização (campo), suas visões de mundo (representações/conhe-cimento) e seus modos de dizer (discursos). Apoia-se nos documentos do arquivo do CEB, particularmente nos artigos publicados em sua revista, os quais são analisados sob a perspectiva da história da educação e da história intelectual da educação, visando restituir o projeto do laicato católico no Paraná, sem esquecer o contexto nacional e internacional como pano de fundo do movimento romanizador da Igreja Católica.
 
Este artigo tem por objetivo analisar o processo de organização do ensino secundário público no Ginásio Paraense, em Belém do Pará, nos anos de 1930 a 1937. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa documental e bibliográfica. Para compreender esse processo, buscou-se reunir uma diversidade de fontes, como legislação do ensino, mensagens de governo e jornais. Os autores base deste estudo são Dallabrida (2009), Nunes (2000), Silva (2018), Souza (2008), Pessanha (2000), entre outros. Trata-se do primeiro estabelecimento de ensino secundário público, criado em Belém do Pará em 1841, tendo, ao longo dos anos, se constituído referência de estudos secundários na região norte do país. No ano de 1937, era o único da região a oferecer o curso secundário fundamental e complementar. Um lugar de difusão do conhecimento científico e literário.
 
Com sua tese sobre a individualização do ensino, Henri Bouchet pertence ao grupo dos pedagogos da Educação Nova, os quais alimentaram os debates em torno da necessidade de reformar o liceu nos anos 1930. Partidários de um ensino racional inspirado na norte-americana Helen Parkhurst, seus trabalhos indagam a maneira como seria possível transpor e difundir o método do Plano Dalton na França. Este artigo mostra como este militante dos métodos ativos, cujos trabalhos serão acirradamente discutidos no meio universitário, estabelece os fatores gerais da individualidade que governa o caminho e o progresso de todo pensamento humano. Pedagogo antes de tudo, Henri Bouchet deseja trabalhar “para e pelo concreto”, convidando aqueles que o lerão a tentarem a experiência dos métodos ativos em suas salas de aula.
 
O artigo trata da formação escolar de Hilda Agnes Hübner Flores – mulher interiorana, professora, historiadora e descendente de boêmios – na interface com o contexto educacional feminino do segundo quartel do século XX, em Linha Duvidosa, no Sul do Brasil. Objetivou-se reconstituir historicamente a biografia de Hilda Flores com ênfase na análise do seu percurso formativo nas escolas riograndenses (1939-1955). Desenvolveu-se uma pesquisa do tipo biográfica, amparada teoricamente na História Cultural e metodologicamente na História Oral, que utilizou entrevistas livres como instrumento de coleta de dados, entrecruzadas com outras fontes. As análises revelaram que Hilda Flores teve uma educação diferenciada, pois, além de cursar o ensino primário em escola teuto-brasileira católica, pôde dar continuidade aos estudos em internatos religiosos e graduar-se em Serviço Social. Ela rompeu paradigmas socioculturais que relegavam à mulher ao semianalfabetismo e à vida doméstica.
 
Texto apresenta questões sobre o ensino secundário no estado do Paraná, assinalando o final da década de 1940 como marco do processo de expansão do nível de ensino. As fontes mobilizadas indicam aspectos sociais que modificaram a demanda pelo ensino secundário, as ações governamentais para procurar atender às necessidades e as contradições do processo de expansão. Tais questões dão contornos a uma rede de estabelecimentos públicos de ensino secundário numericamente superior às instituições da esfera privada, embora os óbices da expansão possam ter dificultado a garantia de acesso ao ensino secundário para uma parcela mais significativa da população. Ao final, localiza o engendramento de debates e ações visando à transformação desse nível de ensino.
 
O propósito do artigo é discutir as tendências de ampliação das oportunidades socioeducacionais do ensino secundário para a juventude escolar do Rio Grande do Norte no âmbito das políticas públicas da Lei Orgânica do Ensino Secundário (1942-1961). Para tanto, fez-se uso extensivo de documentos institucionais e de mensagens governamentais. Metodologicamente, o trabalho fundamenta-se nas categorias expansão escolar e extensão educacional, analisadas à luz da estatística descritiva, aplicada aos dados oriundos da matrícula inicial do ciclo ginasial e do colegial científico e clássico, bem como dos dados referentes à conclusão desse nível de ensino médio. Os documentos analisados revelaram, que, a tendência da ampliação das oportunidades socioeducacionais do ensino secundário no Rio Grande de Norte (1942-1961) apresentava-se, principalmente, impulsionada pelo aumento da rede de estabelecimentos de ensino secundário particulares, em sua maioria femininos.
 
Este estudo tomou como ponto de partida a Reforma de Capanema, em vigor no Brasil nos anos de 1942 a 1961, pela Lei Orgânica do Ensino Secundário, a fim de analisar seus reflexos nas práticas educativas discentes. O texto apresenta os desdobramentos de tal legislação notadamente no Atheneu Sergipense, centrando-se no papel do aluno não apenas como partícipe do cotidiano escolar, mas como produtor deste. O processo investigativo seguiu as recomendações de Viñao Frago (2000), que englobam três pontos de vista: o teórico, o legal e o real. As fontes recorridas neste estudo foram: peças legislativas que determinaram ações efetivas no colégio, ofícios e, sobretudo, jornais estudantis e comerciais que revelaram práticas discentes de destaque, como a organização de agremiações, redação de jornais, criação, direção e encenação de peças teatrais, apresentações musicais, enfim, manifestações artístico-culturais, recreativas e de formação complementar, elaboradas pela classe estudantil sergipana, fomentadas naquela “Casa de Educação Literária”.
 
Este artigo analisa como ocorreu a expansão do ensino secundário no estado de Santa Catarina de 1942 (Reforma Capanema) a 1961 (LDB), considerando as redes privadas e o ensino público. Para tanto, adota a perspectiva de Pierre Bourdieu que concebe o espaço social formado por campos e subcampos, constituídos por leis, jogos e capitais específicos. Assim, o ensino secundário é considerado um subcampo que integra o campo educacional catarinense. Constata que, de 1942 a 1961, o ensino secundário catarinense teve uma expansão inédita devido ao aumento dos colégios católicos, à fundação de educandários luteranos, ao oferecimento de cursos ginasiais e colegiais pelo governo estadual em escolas normais e institutos de educação. O subcampo do ensino secundário em Santa Catarina, portanto, foi marcado pela privatização dominada pela rede escolar católica.
 
-Horários do Curso Fundamental e Complementar do Ginásio Mineiro (1913)
Apreendeu-se a expansão do Ensino Secundário em Minas Gerais, no Brasil, entre 1942 e 1961. Examinaram-se informações no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos e no Ministério da Educação e Cultura; legislação de ensino na Assembleia Legislativa de Minas Gerais; historiografia sobre o Ensino Secundário. Houve crescimento populacional de 42,5% no período, com expansão de 621,5% no número de matrículas no Ensino Secundário (21.439, em 1942, para 154.688, em 1963) e de 137 estabelecimentos, em 1945, para 437, em 1959 (219% de crescimento). Houve intenso movimento legiferante estadual até 1930, mas, depois, o governo central assumiu a legislação educacional. A historiografia sobre o Ensino Secundário mineiro localizada compreendeu 57 trabalhos, com predomínio da História das Instituições Escolares. Houve forte expansão do Ensino Secundário em Minas Gerais, com oferta privada predominante, notadamente católica, mediante subvenções públicas.
 
Este artigo busca discutir a expansão do ensino secundário na Bahia durante o período compreendido entre os anos de 1942 e 1961. Com seu início no ano de 1836, o Ensino Secundário baiano contava com o Liceu Provincial na Capital, que em 1895 passou a chamar-se Ginásio da Bahia, e com a Reforma Capanema, de 1942, Colégio da Bahia, permanecendo como o único estabelecimento em Salvador até 1947. Objetivamos demonstrar que o início de expansão ocorre a partir do governo de Otávio Mangabeira, eleito democraticamente. Utilizamos das fontes do Arquivo Público da Bahia (APBA), Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHBA), Biblioteca Pública da Bahia (BPBA) e Arquivo Municipal de Salvador, além da consulta aos Jornais A Tarde e Diário de Notícias. As fontes foram analisadas, chegando à conclusão de que o período mais democrático contribuiu para a expansão.
 
Este artigo tem o objetivo de investigar a expansão do ensino médio no estado do Rio de Janeiro no arco de tempo de 1945 a 1955, com ênfase sobre a escola secundária. Trata-se de um trabalho ancorado em pesquisa bibliográfica e documental no campo da História da Educação. Percebe-se a discreta participação do poder público na criação de escolas dessa modalidade e, mais do que isto, a política de prover bolsas de estudo para a frequência em escolas privadas. Busca-se, ainda, abordar os problemas relativos aos baixos índices de conclusão e ao desafio de alargar o atendimento a um número expressivo de estudantes que se mantinham a margem do ensino médio no estado do Rio de Janeiro.
 
Este texto apresenta resultados de pesquisa sobre a história do ensino secundário no estado de Pernambuco, no período de 1948 a 1963, considerando a atuação dos atores políticos e sociais envolvidos na expansão dos ginásios públicos. Com base em diversificadas fontes documentais como relatórios de governo, legislação educacional, anais da Assembleia Legislativa, dados estatísticos, projetos de lei e artigos veiculados na imprensa, o texto trata em primeiro lugar das iniciativas levadas a termo nos anos 40 do século XX para a ampliação do secundário público no estado. Na sequência, analisa o processo de interiorização dos ginásios públicos destacando a ação dos municípios, dos deputados e governadores. A lenta e tardia expansão do secundário público no estado de Pernambuco põe em evidencia aspectos da produção das desigualdades regionais no campo da educação e os limites da política estatal para a educação média.
 
O artigo visa reconstituir as experiências formativas, autoformativas e formadoras da vida activa escolar, e em profissão, da aluna, professora e pesquisadora Maria Salonilde Ferreira no intervalo do tempo correspondente à sua primeira escolarização (1951) e no seu estágio conclusivo do magistério superior (2014). A abordagem teórica utilizada para análise do corpus documental da pesquisa ancora-se nas aprendizagens experienciais de Marie-Christine Josso (2010), essencialmente por ser este arcabouço que possibilita a apreensão dos processos de aquisição dos saberes culturais e das aprendizagens, implicados nos componentes da formação e da autoformação, bem como nos componentes formadores. As principais conclusões resultantes da pesquisa revelam a interseção de fatores complexos à semelhança do acesso às oportunidades socioeducacionais e análogos às experiencias intervenientes na vida escolar, e em profissão, dessa educadora e pesquisadora da área de educação. Palavras-chave: Vida activa. Aprendizagens experienciais. Experiências formativas e formadoras. Educação de mulheres.
 
Neste artigo, objetivou-se compreender em que medida bailes classificados como de Primeira e de Segunda funcionavam como lugares educativos para mulheres na sociedade de Axixá/MA, da década de 1960. Ancorou-se na dimensão da História Cultural; metodologia da história oral. Realizou-se pesquisas bibliográfica e de campo. Usou-se entrevista[1] semiestruturada com 05 (cinco) pessoas idosas locais. Sustentou-se teoricamente em: Chartier (2002a; 2002b; 2010) e Bourdieu (2012; 2007). Identificou-se, na sociedade axixaense da década de 1960, a existência de bailes classificados em de “Primeira” e de “Segunda”, sendo para as mulheres rigidamente definido os que poderiam frequentar. Concluiu-se que os “Bailes de Primeira” e de “Segunda” funcionavam como lugares educativos para mulheres, na medida em que, por meio de sua dinâmica e práticas educavam as mulheres sobre quais os seus lugares na sociedade local. [1] As entrevistas foram realizadas mediante assinatura de Termo Livre e Esclarecido. Neste artigo, objetivou-se compreender em que medida bailes classificados como de Primeira e de Segunda funcionavam como lugares educativos para mulheres na sociedade de Axixá/MA, da década de 1960. Ancorou-se na dimensão da História Cultural; metodologia da história oral. Realizou-se pesquisas bibliográfica e de campo. Usou-se entrevista[1] semiestruturada com 05 (cinco) pessoas idosas locais. Sustentou-se teoricamente em: Chartier (2002a; 2002b; 2010) e Bourdieu (2012; 2007). Identificou-se, na sociedade axixaense da década de 1960, a existência de bailes classificados em de “Primeira” e de “Segunda”, sendo para as mulheres rigidamente definido os que poderiam frequentar. Concluiu-se que os “Bailes de Primeira” e de “Segunda” funcionavam como lugares educativos para mulheres, na medida em que, por meio de sua dinâmica e práticas educavam as mulheres sobre quais os seus lugares na sociedade local. [1] As entrevistas foram realizadas mediante assinatura de Termo Livre e Esclarecido.
 
As edições comemorativas foram produzidas nas décadas de 1990 e 2000, como fruto de reuniões de associações de ex-alunos de três escolas secundárias renovadas da década de 1960: os Ginásios Vocacionais (1961-1969), o Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP (1957-1969) e o Ginásio Israelita Brasileiro Scholem Aleichem (1949-1981). Nas comemorações os ex-alunos/editores denominaram a “renovação educacional” como uma “vanguarda pedagógica”. O objetivo é comparar os discursos dos livros/artigos comemorativos e compreender quais as motivações de transformar, o reencontro de antigos colegas de classe, em divulgação das suas experiências escolares do passado para um público mais amplo. O aporte metodológico foi baseado nos debates de história, memória e comemoração e partimos da premissa teórica de que o acontecimento comemorado visa sempre o seu devir. As comemorações cumprem a função de guardiões de um imaginário social e expõe ao público a construção da autoimagem de um grupo. Portanto, a recuperação dessas memórias propunha a retomada da expansão do ensino renovado nas escolas públicas, cujo projeto havia sido derrotado na década de 1960 com a instauração do Regime Militar.
 
O que faz uma Universidade não são só os seus regimentos, suas normas, seus regulamentos internos. O que faz uma Universidade é também o seu projeto e o espirito que este cria dentro e ao redor dela. Os recursos financeiros, embora necessários, não substituem a idéia de Universidade que se constrói. O tempo também, por si só, não faz de uma Universidade um projeto. Para tanto, é preciso que haja um empenho permanente, esforço continuado, perseguição de objetivos. É uma caminhada que encontra obstáculos, resistências: o novo brota do velho não espontaneamente, brota vencendo a resistência do velho.
 
Este artigo tem como objetivo analisar a política de Educação Especial do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), de modo a identificar sua contribuição para a construção de um sistema educacional inclusivo. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa, voltada à análise de conteúdo de fontes primárias e secundárias, respectivamente, documentos nacionais e internacionais e produções científicas. A análise dos dados permitiu constatar que o então governo, mesmo tendo atuado na reestruturação do sistema educacional mediante a promoção de amplo conjunto de intervenções no campo legal, preservou o modelo de atuação das administrações anteriores na Educação Especial. Desse modo, mantiveram-se, majoritariamente, a oferta de serviços educacionais apartados às pessoas com deficiência e o investimento em instituições especializadas privadas, prejudicando a inserção de todos os indivíduos no sistema educacional comum.
 
Este estudo teve por objetivoanalisar as repercussões do FUNDEF/FUNDEB na valorização dos profissionais do magistério da rede estadual de ensino de educação básica do Pará, no período de 1996 a 2009. Configura-se como uma análise de políticas públicas, tendo como foco o exame das implicações da política de fundos para a efetivação/materialização da valori-zação docente no estado. Na rede estadual de ensino do Pará, a partir da implementação da política de fundos, foi possível perceber que, com o estímulo financeiro, ainda que mínimo, proporcionado pelo FUNDEF/FUNDEB, houve uma tendência ao longo do período no sentido de reduzir o número de professores leigos. Embora se perceba aumento no número de professores com o ensino superior completo, os mesmos não possuíam formação em cursos de licenciatura, o que se confi-gura como um grave problema para a educação no estado. Em termos de vencimento-base, constatou-se que esses profes-sores recebem valores abaixo do valor do piso salarial estabe-lecido pela Lei 11.738/2008. A análise dos dados tornou evidente que a remuneração do professor no estado é baixa, tanto em relação aos profissionais com ensino médio, quanto em relação às profissões de maior prestígio social com formação superior. No que se refere à carreira, mesmo com a conquista da categoria ao aprovar o PCCR, nem este instrumento e tampouco o Estatuto conseguiram estabelecer regulamentações capazes de dar conta, efetivamente, da valorização do magis-tério no estado. Faz-se necessário garantir, em termos percen-tuais e financeiros, aumentos reais à remuneração dos professores com a obtenção das progressões e titulações.
 
Este artigo apresenta o detalhamento da organização de uma investigação relacionada à Universidade Aberta do Brasil (UAB) em estudo de caso no estado de Sergipe, e a sua constituição como sujeito de direito, a partir da investigação de uma relaçãodialética baseada na racionalidade comunicativa de Jürgen Habermas. Ao buscarmos nos trabalhos correlatos a questão do 1º na família (first in the Family) identificamos a mudança na concepção pessoal, familiar e sociocomunitária daqueles que são os primeiros na sua família a ter acesso à formação superior. Aliado a isto consideramos aoportunidade de cursar uma graduação na modalidade a distância (EaD), como cenário emancipatório e de oportunidade para construção da cidadania e o acesso à educação superior. Os processos executados nesta fase piloto demonstram a oportunidade destapesquisa, a sinalização da importância em ampliar as ofertas inclusivas associadas à educação superior, por meio da oferta de EaD.
 
Este artigo discute as origens e os usos do Método Harvard de estudos de casos em educação empresarial. Ele argumenta que os princípios socioconstrutivistas incorporados nesta técnica de ensino são mais relevantes em nossa sociedade pósmoderna do que na era industrial em que ela foi concebida. Recentes evoluções tecnológicas, principalmente com advento da Web 2.0 e ferramentas colaborativas on-line, tornam oportuno experimentar com versões de estudos de caso mediadas por interfaces digitais, a fim de aumentar o seu potencial de pensamento crítico e criativo em ambientes autênticos – o que denominamos potencial de “Interatividade Colaborativa”. Após analisar cuidadosamente os méritos pedagógicos da abordagem original, discutimos possíveis inovações para versões de casos na web que poderiam ser incorporadas a essa tradição centenária. Apresentamos os resultados de nossas experiências anteriores no Brasil com o Sistema Panteon para resolução colaborativa de problemas (LIMA, 2003), bem como uma utilização mais recente do Facebook e Google Sites como ferramentas para a discussão de um caso fictício chamado “Organixis” na EMLV, uma Escola de Gestão em Paris. Conclui-se que, se por um lado essas ferramentas têm um enorme potencial em termos de interatividade colaborativa, por outro lado várias barreiras se apresentam, incluindo a resistência de professores e alunos a novos métodos baseados em aprendizagem à distância e os desafios tecnológicos de gestão de plataformas on-line.
 
Este artigo discute as origens e os usos do Método Harvard de estudos de casos em educação empresarial. Ele argumenta que os princípios socioconstrutivistas incorporados nesta técnica de ensino são mais relevantes em nossa sociedade pósmoderna do que na era industrial em que ela foi concebida. Recentes evoluções tecnológicas, principalmente com advento da Web 2.0 e ferramentas colaborativas on-line, tornam oportuno experimentar com versões de estudos de caso mediadas por interfaces digitais, a fim de aumentar o seu potencial de pensamento crítico e criativo em ambientes autênticos – o que denominamos potencial de “Interatividade Colaborativa”. Após analisar cuidadosamente os méritos pedagógicos da abordagem original, discutimos possíveis inovações para versões de casos na web que poderiam ser incorporadas a essa tradição centenária. Apresentamos os resultados de nossas experiências anteriores no Brasil com o Sistema Panteon para resolução colaborativa de problemas (LIMA, 2003), bem como uma utilização mais recente do Facebook e Google Sites como ferramentas para a discussão de um caso fictício chamado “Organixis” na EMLV, uma Escola de Gestão em Paris. Conclui-se que, se por um lado essas ferramentas têm um enorme potencial em termos de interatividade colaborativa, por outro lado várias barreiras se apresentam, incluindo a resistência de professores e alunos a novos métodos baseados em aprendizagem à distância e os desafios tecnológicos de gestão de plataformas on-line.
 
Quadro 1 -Produção sobre o ensino secundário analisada -2010-2016
Neste texto tomamos como fontes e objetos dissertações na investigação da educação secundária regionalizada, defendidas nos Programas de Pós-Graduação em Educação nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Para as análises pretendidas, buscamos identificar a presença (ou ausência) do diálogo com a historiografia consagrada e/ou analítica da historicidade. Para tanto, incursionamos pela versão da comparação nominada “estudos comparados” que, no contexto da história da educação, problematiza a ‘interpretação/representação do eu-outro’, provocando rompimentos, no caso da História, com o conceito cronológico de tempo e, no caso da Educação Comparada, com o conceito geográfico de espaço. Em conclusão, a reescrita historiográfica aponta a necessidade de aprofundamentos e desdobramentos dos aspectos singulares da regionalidade, que mantêm conexão e alimentam interdependências entre si e na relação com práticas políticas, econômicas, culturais e educativas.
 
Este artigo analisa a relação entre a Mensagem Presidencial relativa ao Planos Plurianuais (PPA) e a programação dos recursos resultantes do investimento público federal em programas e ações destinados a este nível de ensino nas Mensagens Presidenciais, no que se refere ao financiamento da Educação Superior Brasileira, cotejando o prometido e o programado em seus anexos com o conteúdo referentes ao período de 2004 a 2016. Extraiu-se da mensagem presidencial o conteúdo relacionado à temática em estudo, e os dados relativos à programação orçamentária foram obtidos no portal do Ministério do Planejamento. A análise considerou os compromissos políticos, as prioridades e procedimentos expressos na Mensagem Presidencial e concretizados na definição orçamentária de cada Plano. Constatou-se que as Mensagens Presidenciais têm caráter de definições políticas que não são, necessariamente, concretizadas em previsões orçamentárias definidas no respectivo PPA. Identificou-se ainda que a relação entre o que foi prometido e o que foi programado vem evoluindo desde o primeiro PPA do período (2004 a 2007) até o último (2016 a 2019).
 
Neste texto pretendo discutir sobre a importância de se promover um ensino de espanhol língua estrangeira (ELE) inclusivo “de nossas referências étnico-raciais” (LIMA, 2015, p. 25) e que proponho aqui a partir de um trabalho pedagógico com o romance infanto-juvenil Perro viejo (2005), da escritora afro-cubana Teresa Cárdenas, a ser realizado com estudantes do Ensino Médio, considerando as possibilidades que a obra oferece para o exercício de uma prática docente sensível às identidades que compõem a sala de aula e pautada no resgate da memória da diáspora negra na América Latina. Para justificar a pertinência desse trabalho, retomo o debate promovido por intelectuais negros, como Nazaré Lima, Florentina Souza, Petronilha Silva, Ione Jovino, Sueli Carneiro, Nilma Lino, Luis Alberto Gonçalves, Stuart Hall e Achile Mbembe sobre temas como representação, diáspora, e acesso da população negra à educação, ensino e aprendizagem em perspectiva étnico-racial.
 
Orientada pela tríade “campo, educação e políticas públicas”, a Educação do Campo é um fenômeno concreto recente da realidade brasileira. Este artigo analisa a produção científica sobre o tema da Educação do Campo presente na agenda de pesquisas acadêmicas consolidada em artigos científicos disponíveis nas bibliotecas eletrônicas SciELO e Educ@. Do ponto de vista metodológico, o estudo está ancorado na abordagem bibliométrica e na análise de conteúdo dos artigos. Os resultados obtidos mostraram que a literatura científica publicada abrange o período entre 2007 e 2015, e que os principais temas tratados nos artigos são: políticas públicas, formação de educadores de campo, multisseriação, história da educação do campo, currículo, desenvolvimento, ensino de ciências, movimentos sociais e juventude, e trabalho e educação.
 
O objetivo deste artigo é conhecer, através de uma revisão sistemática, as pesquisas relacionadas com trabalho docente e Atendimento Educacional Especializado, entre os anos de 2013 e 2016. Observou um aumento no número de pesquisas que relacionam esses 2 elementos. Entretanto, houve um predomínio dos estudos nas regiões Sul e Sudeste em detrimento das outras regiões do País. Foi possível perceber que os estudos encontrados sobre trabalho docente e AEE tiveram como foco os seguintes elementos: políticas públicas, prática pedagógica, formação de professores, tecnologias assistivas, discurso dos professores, identidade docente, bem-estar docente, avaliação e produção do conhecimento. Entre os instrumentos metodoló-gicos encontrados, ainda que variando em nomenclatura e abordagem, percebeu-se prioritariamente o uso da entrevista, presente em 30 estudos, seguido da análise documental em 13, da observação em 15, da análise documental em 13, do grupo focal em 9, do diário de campo e da dinâmica conversacional em 1 cada.
 
As inovações que se desenvolvem nas universidades contem-porâneas refletem exigências das agências de avaliação ou de fomento à pesquisa, ou ainda demandas do setor produ-tivo. De certa forma, tais inovações têm caráter de inovação tecnológica e se destinam a ampliar as alternativas de inserção nos mercados globais. A inovação tecnológica tem relevância para os países integrados ao mundo competitivo. O desafio da universidade, no entanto, está em colocar ao lado da inovação tecnológica, a inovação pedagógica. Neste artigo, discuto o tema com apoio em pesquisas recentes.Entendo que a inovação pedagógica responde ao compro-misso social de formação do humano docente e do humano aluno. Ela se afirma em uma universidade socialmenteempreendedora, uma universidade que forma para a cidadania democrática nos contextos contemporâneos, em suas contradições e paradoxos.
 
Este trabalho, que tem como finalidade estudar a maneira de caminhar de Jean-JacquesRousseau (1712-1778), está configurado em duas partes. Por um lado, mostra a última etapa da vida do autor como o momento em que se percebe mais explicitamente seu verdadeiro homo viator. Durante esse período – tal como revelam suas obras autobiográficas –, ele estava submetido a duras acusações dos enciclopedistas, e o ato de caminhar acaba se convertendo na atividade mais adequada, visto que lhe permitia pensar, relembrar o passado e, ao mesmo momento, satisfazer o seu eu doído, triste e desprezado pela alta e ilustrada sociedade francesa. Nesse sentido, a forma de transitar rousseauniana foi solitária – uma espécie de autoexílio das cidades e dos aparelhos sociais – e caracterizada pelo contato com a natureza, como bem demonstra sua novae principal ocupação: a herborização. Por outro lado, este artigo pretende realizar uma reflexão sobre a tendência educativa que surgiu no final do século XIX (neonomadismopedagógico), já que a ação pedestre desse autor, que podia ser concebida como uma excursão, é um claro antecedente do Romantismo pedagógico.
 
Diferentemente do que se imagina, as crianças escreveram sobre si mesmas em agendas, diários e cartas que, ainda, não mereceram suficiente atenção para a guarda e investigação, uma vez que não se valorizava o universo não adulto. Publicações, eventos acadêmicos e exposições sobre a escrita infantil expressam uma inflexão na historiografia e historiografia da educação. Entendendo que uma primeira aproximação com o universo infantil, a partir da escrita, remete de imediato à compreensão de que há uma diferença entre escrever sobre a infância e escrever na infância, este artigo volta-se para as cartas escritas por crianças. Para tanto, elege três estudos, no âmbito da historiografia da educação, sobre a aprendizagem e exercício dessa escrita autobiográfica no espaço doméstico, no exílio e no espaço escolar, o que permite interrogar sobre a centralidade que a escrita de cartas teve na aprendizagem dos códigos de civilidade, no autoconhecimento, na formação moral e na internalização de normas gramaticais. Em diálogo com historiadores da educação que têm produzido uma reflexão sobre a escrita infantil, a interpretação aqui tecida indica que, longe de serem escritas livres, as cartas analisadas não estão imunes ao controle dos adultos e trazem, ainda que invisíveis, as marcas dos pais, preceptores e professores que incentivam, aplaudem, corrigem. Defende-se, por fim, ser preciso sennsi-bilizar o poder público sobre a imperiosa necessidade de estabelecer uma política de preservação das escritas infantis, em especial as das escolas.
 
Diferentemente do que se imagina, as crianças escreveram sobre si mesmas em agendas, diários e cartas que, ainda, não mereceram suficiente atenção para a guarda e investigação, uma vez que não se valorizava o universo não adulto. Publicações, eventos acadêmicos e exposições sobre a escrita infantil expressam uma inflexão na historiografia e historiografia da educação. Entendendo que uma primeira aproximação com o universo infantil, a partir da escrita, remete de imediato à compreensão de que há uma diferença entre escrever sobre a infância e escrever na infância, este artigo volta-se para as cartas escritas por crianças. Para tanto, elege três estudos, no âmbito da historiografia da educação, sobre a aprendizagem e exercício dessa escrita autobiográfica no espaço doméstico, no exílio e no espaço escolar, o que permite interrogar sobre a centralidade que a escrita de cartas teve na aprendizagem dos códigos de civilidade, no autoconhecimento, na formação moral e na internalização de normas gramaticais. Em diálogo com historiadores da educação que têm produzido uma reflexão sobre a escrita infantil, a interpretação aqui tecida indica que, longe de serem escritas livres, as cartas analisadas não estão imunes ao controle dos adultos e trazem, ainda que invisíveis, as marcas dos pais, preceptores e professores que incentivam, aplaudem, corrigem. Defende-se, por fim, ser preciso sensibilizar o poder público sobre a imperiosa necessidade de estabelecer uma política de preservação das escritas infantis, em especial as das escolas.
 
Apresentamos neste texto o percurso seguido ao longo de uma Unidade Curricular, integrada no 2º ano da graduação em Educação lecionada em regime onlinena Universidade Aberta (UAb), a universidade pública de educação a distância de Portugal. Nesta Unidade Curricular os estudantes são chamados a conceber e desenvolver um pequeno projeto de investigação que visa a iniciação ao desenvolvimento de competências base de pesquisa em contextos educacionais. Tomando como base o modelo pedagógico virtual da UAb, a Unidade Curricular foi planeada tendo em conta a sua especificidade que apela à prática da investigação no terreno. Pretende-se apresentar o designcurricular adotado, designadamente como foi alicerçado o percurso de aprendizagem na sala de aula virtual e como foi pensada a interação entre estudantes de modo a promover a reflexão e partilha de saberes entre o grupo. A avaliação proposta foi pensada de modo a testar o desenvolvimento efetivo das competências visadas, mas assumindo expressamente uma dimensão formadora, ou seja, constituindo-se como parte integrante do ato pedagógico e do processo de aprendizagem. À reflexão dos docentes sobre o desenvolvimento dos trabalhos na Unidade Curricular, enquanto observadores participantes, junta-se a análise da perspectiva dos estudantes, avaliada por questionário, aplicado às duas turmas do curso.
 
Na esteira de quefazeres e saberes ético-estéticos, investigamos em que medida a (co)autoria de Recursos Educacionais Abertos (REA) potencializa inovação na Educação Básica. Em movimento cíclico-espiralado de pesquisa-ação, (co)autoramos o Small Open Online Course “REA: Educação para o futuro”, ofertando-o a professores da Educação Básica da rede pública estadual do Rio Grande do Sul. Ao longo das atividades de estudo, produzimos dados teórico-práticos que potencializaram, neste artigo, a análise interpretativo-crítica de discursos de professores participantes, sob o recorte temático inovação didático-metodológica e fluência tecnológico-pedagógica. Defendemos que, nas relações dialógicas dos REA com o tripé Educação, tecnologias e inovação, a disruptividade acontece à medida que (co)autoramos em rede à luz de atos éticos e estéticos. Assim, a (co)autoria de REA, responsável e responsiva, depende da fluência tecnológico-pedagógica para fomentar e consolidar inovação educacional disruptiva.
 
Este artigo relata aspectos de uma pesquisa-ação-formação realizada junto a entidades sociais situadas no interior da França. A pesquisa teve o duplo objetivo de investigar as possibilidades de maior abertura das práticas de intervenção aosrecursos dos territórios e às demandas de seus habitantes, e de promover a reflexão dos profissionais sobre o sentido de suas ações. O artigo situa esta problemática no contexto das políticas sociais atuais e destaca a originalidade do dispositivo criado, descrevendo suas etapas e modalidades formativas. Por meio da análise dos enunciados dos profissionais envolvidos, mostra como a experiência de pesquisa por eles realizada provocou um deslocamento que favoreceu mudanças na postura e práticas profissionais, e como a prática do registro escrito e do trabalho coletivo representaram meios privilegiados de desenvolvimento da reflexividade.
 
Este artigo relata aspectos de uma pesquisa-ação-formação realizada junto aentidades sociais situadas no interior da França. A pesquisa teve o duplo objetivode investigar as possibilidades de maior abertura das práticas de intervenção aosrecursos dos territórios e às demandas de seus habitantes, e de promover a reflexãodos profissionais sobre o sentido de suas ações. O artigo situa esta problemáticano contexto das políticas sociais atuais e destaca a originalidade do dispositivocriado, descrevendo suas etapas e modalidades formativas. Por meio da análise dosenunciados dos profissionais envolvidos, mostra como a experiência de pesquisapor eles realizada provocou um deslocamento que favoreceu mudanças na posturae práticas profissionais, e como a prática do registro escrito e do trabalho
 
Este artigo propõe-se a reflexão do ensino de ciências da natureza, na perspectivade uma abordagem contextual para melhor compreender a relação entre ciência e sociedade. Tal abordagem para o ensino de ciências tem sido recomendada pela UNESCO , pela legislação brasileira assim como por pesquisadores que defendema necessidade de repensar o ensino na sociedade contemporânea, globalizada etecnológica. Assim, almeja-se que o ensino das ciências da natureza possibilite acompreensão da atividade científica e, por sua vez, contribua para a superação das ideias distorcidas sobre as ciências. Com efeito, apontaremos trabalhos de estudiosos como Matthews, Gil-Pérez, Martins, Freire Jr. e do filósofo das ciências Gaston Bachelard, que defendem um ensino integrado entre a história da ciência e a filosofia da ciência para permitir que o cidadão adquira um pensamento crítico das ciências e de suas implicações no contexto atual. Além disso, essa concepção de ensino contribui para entender a relação dos fatores históricos e sociais no processo de constituição das ciências da natureza de uma época específica.
 
Top-cited authors
Eliane Schlemmer
  • Universidade do Vale do Rio dos Sinos
Marli Andre
  • Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Ana Cecília Cossi Bizon
  • University of Campinas
Júlio Emílio Diniz-Pereira
  • Federal University of Minas Gerais
Alfredo Eurico Rodrigues Matta
  • Universidade Estadual da Bahia