Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica

Published by Revista Brasileira de Pesquisa Auto Biografica
Online ISSN: 2525-426X
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O clérigo Jan Hus (1369?-1415), que estava no exílio desde 1412, inicia, no final do ano de 1414, uma viagem para a cidade de Constança, onde se realizaria um Concílio. Ao longo dessa viagem, ele escreveu uma pequena quantidade de cartas nas quais, entre outras coisas, narra os eventos do percurso, defende suas opiniões e posições, analisa as questões de seu contexto histórico e, por meio dessas ações, constrói uma imagem de si e do outro (de diversos outros). Este artigo se propõe a analisar a construção dessas imagens de si e do outro e suas modificações, ao longo de sete cartas escritas, pouco antes, durante e logo depois da viagem. A análise é subsidiada por estudos sobre cartas e histórias de vida, com inspiração teórica nas reflexões historiográficas de Carlo Ginzburg, e contextualizada a partir das pesquisas sobre Hus, realizadas por Matthew Spinka. O texto dialoga com nossas pesquisas recentes sobre a temática. Conclui-se pela mudança da imagem de si, de alguém que estava diante da morte para alguém que se sente forte e em luta, pela transformação da imagem inicial dos alemães como inimigos e pela construção de diversas imagens dos diferentes destinatários como sujeitos que necessitam das palavras de Hus.Palavras-chave: Cartas. Século XV. Histórias de vida. Narrativas de viagem.
 
Este artigo analisa a trajetória e as memórias de três professoras que ocuparam posições distintas no campo educacional no Estado de São Paulo e na cidade de Niterói, entre 1870 e 1985. Além da docência, as três assumiram o cargo de direção escolar, sendo que duas atuaram no ensino primário e uma delas teve sua carreira voltada à Escola Normal e à escrita de livros sobre Didática e Pedagogia. Tal análise visa dar visibilidade às concepções e às práticas que evidenciaram a preocupação em assegurar a aprendizagem de todos os alunos, buscando alternativas para as dificuldades apresentadas por eles e, assim, promover o sucesso escolar, a despeito das condições de trabalho adversas. As histórias das professoras são construídas a partir de uma série de fontes orais e escritas, entre as quais estão narrativas das próprias professoras acerca de seu trabalho e memórias de alguns de seus ex-alunos. Figuram, ainda, livros, relatórios de inspetores de ensino e matérias da grande imprensa, em que foi possível localizar referências à atuação das professoras. A discussão apresentada colabora com estudos sobre a produção do sucesso e do fracasso escolar e acerca da presença inovadora das mulheres na educação e, reconhecendo a importância de se procurar variar “o foco da objetiva” proposta por Revel (1989), evidencia novos olhares sobre o fenômeno.
 
Trata-se da história do médico e missionário protestante, George William Butler, no período da introdução do protestantismo no Maranhão, em época de transição da Monarquia à República. Embora se conheça a importância da inserção protestante para o processo de laicização do Estado no Brasil, há ainda a necessidade de compreender como essas transformações macrossociais foram vivenciadas no nível microssocial pelos agentes históricos. O objetivo aqui é, a partir da vida deste missionário, entender, sob um novo prisma, as mudanças nos fluxos e refluxos do processo de secularização, no extremo norte do Império. Para tal, serão úteis as contribuições da micro-história, especialmente sua noção de agência e algumas correlações entre insights da antropologia política e acontecimentos da vida de George Butler. Compreende-se que sua trajetória revela as tensões resultantes das coerções e contradições de uma ordem social em crise.
 
Este artigo é parte da pesquisa em andamento intitulada “Biografias das vítimas do COVID-19” e se propõe comunicar as primeiras análises desenvolvidas. Trata-se de uma pesquisa interdisciplinar e seu objetivo é analisar os sentidos de vida das narrativas biográficas das vítimas do novo COVID-19 no Brasil, apresentadas no programa Fantástico, da rede Globo de televisão, a partir do portal Memorial Inumeráveis. Para dar conta deste recorte inicial, em diálogo com o campo da Psicanálise e do Patrimônio Cultural, desenvolve-se a noção de memória cultural em Eleida Assmann (2011) e Jan Assmann (2016) para pensar a função do Memorial Inumeráveis ao acolher os sentidos de vida comunicados nas narrativas dos entes queridos das vítimas e, posteriormente, disseminados na revista semanal. Esse acolhimento funciona como um amparo, na perspectiva freudiana, quando conecta sentidos de humanidade. Esses sentidos de vida foram capturados a partir da análise de conteúdo das narrativas e são reveladores de memórias comunicativas sobre aspectos banais da vida ordinária que ganham estafe de notícia diante do trauma humano de desamparo que a pandemia instala.
 
No momento atual da pandemia por COVID-19, surgem questionamentos sobre a disseminação de informações a toda a população mundial. É nesse contexto, que procuramos evidenciar possibilidades de comunicação para as pessoas com surdocegueira. Nosso objetivo é compreender como as informações sobre o COVID-19 tem chegado às pessoas surdocegas. A pergunta que norteia essa pesquisa: Como os guias-intérpretes tem atuado nesse período de pandemia para que a informação chegue de maneira adequada as pessoas surdocegas. Do ponto de vista teórico, tomamos como referência estudos realizados pela Organização Mundial de Saúde (2020), na perspectiva da inclusão de pessoas surdocegas nos aportes de Vilela (2018) Carillo (2008), Galvão (2013) e Febrapils (2020). A metodologia baseia-se na investigação qualitativa com o uso da pesquisa narrativa autobiográfica sugerida por Connely e Clandinin (2015). As narrativas evidenciam as possibilidades de comunicação frente à privação sensorial, articulando estratégias e evidenciando perspectivas de disseminação de informação de maneira segura e eficaz. Concluímos que essa tomada de consciência do outro é essencial para o fazer inclusivo de surdocegos sobretudo no momento atual da pandemia por COVID-19.
 
-Live da Festa da resistência no Zoom meetings
-Produção visual dos corpos
-Paquera on-line.
Com a pandemia da Covid-19 fomos estimulados por governos e profissionais de saúde a ficar em casa, em isolamento físico. Para as pessoas conectadas o isolamento físico não significa isolamento social. Nossas experiências ciberculturais são repletas de redes sociotécnicas que reconstroem e impulsionam a nossa vida social, sobretudo no contexto da pandemia, por meio, por exemplo, do fenômeno das lives. Nesse contexto, o objetivo do artigo é analisar arranjos, vínculos e narrativas gerados a partir das performances humanas e não-humanas em uma live de uma festa virtual. O argumento central é que a live é uma pedagogia cultural que nos orienta a festejar a vida, cuidar do corpo, explorar outras possibilidades para a paquera e a sexualidade online, ao mesmo tempo em que continuamos a defender nossas pautas políticas e ativistas. O método usado foi o da pesquisa pós-qualitativa, por meio da estratégia da observação participante. Concluímos que as lives rapidamente se popularizaram como redes sociotécnicas dinâmicas, repletas de pedagogias culturais que nos ajudam a organizar a vida social em meio ao isolamento físico e que a live da festa da resistência, com suas performances celebradas, mostra que reinventamos o social, agora na esfera do online, promovendo diversos hibridismos.
 
Discute-se como o cenário imposto pela pandemia da Covid-19 impactou no desenvolvimento das pesquisas de estudantes do Mestrado Profissional do Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT), no Rio Grande do Norte, Brasil. Investiga-se que alternativas foram criadas pelos estudantes para aplicar os seus produtos educacionais no contexto do isolamento social. Mediante uma pesquisa narrativa, estudantes de duas turmas afetadas pela pandemia narraram, por escrito, as suas experiências na aplicação dos seus produtos educacionais. Conclui-se que, apesar das dificuldades, os mestrandos conseguiram reorganizar, reelaborar e aplicar os seus produtos educacionais, constituindo-se, esses momentos, em experiências autoformadoras.
 
A pesquisa situa-se no campo da História da Cultura Escrita, nas interfaces com estudos de acervos pessoais e correspondências epistolares. Investigaram-se cartas enviadas para Abraão Silverston, entre 1903 e 1912, que por ele foram guardadas. Metodologicamente, reuniram-se os documentos, agrupando, de um lado, aqueles que envolvem diretamente os laços familiares, e, em outra perspectiva, examinaram-se as epístolas escritas por seu amigo Franz. A análise contemplou essas categorias: materialidades, protocolos, redes de sociabilidades, produção de sensibilidades, relações de afeição, questões econômicas e culturais pertinentes à sociedade em que se inseriam. No que se refere às correspondências familiares, pode-se dizer que promoveram a expressão de subjetividades movidas por sentimentos de bem-querer que uniam remetentes e signatário. As cartas de Franz também evidenciam a estima que ambos construíram desde a infância, em meio à abordagem de assuntos cotidianos, pelos olhares juvenis do escrevente. Entende-se que esses manuscritos, datados do início do século XX, importavam a seu receptor, que estava longe de suas referências por residir em Porto Alegre. Assim, as epístolas foram merecedoras de cuidado por Abrahão, pois representavam vínculos afetivos, entrelaçados por familiares e amigo, permitindo que ele se mantivesse perto de sua comunidade de origem, apesar da distância.
 
A professora Pórcia Guimarães Alves, nascida em 1917 e falecida em 2005, dedicou boa parte de seu tempo à educação. Pórcia teve acesso a uma formação educacional e docente privilegiada, possibilitada tanto por sua família quanto pelo Estado. O período de sua instrução elementar, até a conclusão do curso de Pedagogia, foi marcado pela paulatina inserção dos conhecimentos científicos da Sociologia, da Biologia e da Psicologia, intuindo o desenvolvimento de novos padrões em educação e na especialização científica dos professores. Pórcia enfatizou os estudos da Psicologia ligada às questões educacionais, no Curso de Pedagogia e em congressos e cursos complementares. Seus conhecimentos da Psicologia aplicados à Educação concretizaram-se nas ações que transitaram entre sua docência, na Universidade Federal do Paraná, com a instalação e a direção do Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais (CEPE), da Escola Mercedes Stresser e do Instituto Decroly. Logo, nesse estudo, procurou-se responder ao questionamento: como se deu a formação e a atuação docente de Pórcia Guimarães Alves, entre o período de 1917 a 1962? Elencaram-se os objetivos específicos: identificar, na composição familiar de Pórcia, elementos que colaboraram para sua formação docente; pesquisar as influências institucionais na sua formação docente; e investigar a formação complementar, a inserção profissional e alguns aspectos da atuação docente de Pórcia. Nessa perspectiva, a pesquisa seguiu o caminho da busca bibliográfica e documental, com abordagem qualitativa. Como aporte teórico-metodológico, foi basilar o estudo de Viñao Frago (1995) sobre a possibilidade de estudos na História da Educação por meio da História Cultural; Goodson (1992), no que tange à integração do professor e a pessoa do professor em um único ser, e de Loriga (2011) acerca das perspectivas da biografia na historiografia. Ao longo de sua vida, Pórcia constituiu um diversificado acervo de documentos que variaram desde dados de seus familiares, informações e certificados de seu período escolar, diários, recortes de jornais, cartas, publicações, até pesquisas que compõem um extenso arquivo pessoal. Para a análise desses documentos,a pesquisa valeu-se dos estudos de Gomes (2004) e Farge (2009) e da análise de conteúdo proposta por Bardin (2015). Quanto à utilização da memória como fonte histórica, foi importante a contribuição dos conceitos de “arquivar a própria vida”, de Artières (1998), e de “memória silenciada”, de Pollak (1989). Para a contextualização histórica, cultural, social, econômica e política da pesquisa, deram apoio os estudos realizados por Miguel (1997); Maluf e Mott (1998); Gomes (1999; 2013); Del Priore (2005); Souza (2008) e Vieira (2015; 2017). As análises dos documentos evidenciaram que a formação docente de Pórcia foi resultado de sua vontade de ser rofessora,somada ao ambiente proporcionado por sua família e pelo Estado.
 
Explorar os sentidos da escrita de si nas narrativas de um educador viajante é o objetivo deste texto. Comissionado oficialmente como representante do Rio Grande do Norte, em 1923, Nestor dos Santos Lima lançou-se a conhecer o ensino dos centros de maior desenvolvimento educacional no Brasil, Uruguai e Argentina. Durante o deslocamento, o educador registra suas observações e representações, apresentadas no relatório Da Organização do Ensino Normal, Profissional e Primário no Sul do Brasil e no Rio da Prata (1923). Nas páginas deste escrito, é apresentado o viajante que transita por diversos lugares, estabelece novos contatos e aproveita seu espaço privilegiado de observação, escrita e reflexão, para emitir opiniões acerca do que viu, ouviu e experimentou. Procuro, nesta investigação, problematizar a escrita do relatório de viagem que se constitui, para além dos requisitos oficiais, também através da escrita de si, dos relatos, impressões e modos de enxergar o mundo, próprios do sujeito eleito para desempenhar a missão.Palavras-chave: Relatório de Viagem. Educação. Escrita de Si.
 
Este estudo tem por pretensão analisar a história e os fatores que levaram Anísio Teixeira, enquanto Diretor Geral da Instrução Pública, no antigo Distrito Federal, e a Associação Brasileira de Educação – ABE a investir em viagens de professores brasileiros aos Estados Unidos. O objetivo de Anísio Teixeira e da ABE concorriam para que esses professores imbuídos de uma formação pedagógica eficiente, adquirida no país considerado à época como referência, pudessem ser os principais atores na renovação e regeneração do ensino e da sociedade brasileira.Palavras-chave: Viagem pedagógica. Professores brasileiros. Experiências de formação. Narrativas educacionais.
 
Examinar e compreender a série de discursos que trazem a trajetória de Victório Caneppa, diretor penitenciário entre as décadas de 1930 e 1950, é objetivo do presente trabalho. O gestor criou a revista A Estrêla – Órgão da Penitenciária Central do Distrito Federal e a utilizou como lugar de memória. Em seu periódico, ele buscou criar sua identidade profissional e exaltou a sua trajetória enquanto grande referência na área. Nesse sentido, a referida revista se configura como uma fonte (auto)biográfica, na medida em que nela Caneppa escreve sobre si mesmo e outros sujeitos escrevem sobre ele. Diante do exposto, suscito as seguintes questões: quem foi Victório Caneppa? Que representações acerca do diretor perpassam o impresso mencionado? O que a imprensa, autoridades e especialistas falam a respeito do diretor? Quais foram suas contribuições para o sistema prisional? Para tanto, busco trazer à tona a série de discursos que envolvem a construção da memória de si do gestor e as contradições e ambiguidades que perpassam os trajetos e a vida desse sujeito. Interpretar as facetas de Caneppa por meio da revista A Estrêla e de outras fontes pesquisadas possibilitou-me, ainda, levantar hipóteses acerca do silenciamento de sua trajetória em âmbito acadêmico.
 
O objetivo deste artigo é analisar as correspondências enviadas pelos presos da cadeia da Cidade de Goiás durante a década de 1930, ressaltando o seu potencial para pesquisa. Esse conjunto de documentos está localizado no importante arquivo do Museu das Bandeiras, mais precisamente no Fundo Delegacia Especial de Polícia de Goyaz e encontra-se disponível para consulta e pesquisa. Esperamos que este ensaio possa contribuir para dar publicidade a essa documentação, visando servir de fonte a trabalhos posteriores. O artigo encontra-se dividido em quatro partes: na primeira, apresentamos o Museu das Bandeiras e o seu arquivo; na segunda, aprofundamos no conjunto de documentos relativos às correspondências; na terceira, analisamos as correspondências dos presos enviadas ao delegado; e, por fim, na quarta parte, analisamos as correspondências dos presos enviadas aos amigos e familiares.
 
Considerando como fonte as crônicas de viagem de Cecília Meireles, colecionadas no álbum intitulado “Diário de Bordo”, esse trabalho tem como objetivo investigar os vestígios autobiográficos nelas contidos. Publicadas no final dos anos 1934 pelo jornal carioca A Nação, as crônicas registravam o cotidiano do navio e publicizavam as impressões da primeira viagem da poeta e educadora a Portugal para conferências educacionais e literárias. Como escrita autobiográfica ou autorreferencial, tece os sentidos, as impressões e as expectativas da travessia num claro entrelaçamento da vida profissional com a esfera íntima da educadora, permitindo compreender parte do universo de quem escreve, de quem questiona o seu lugar e também o panorama cultural, político e educacional brasileiro do período.Palavras-chave: Escrita autobiográfica. Cecília Meireles. Diário de viagem.
 
Refletir sobre os elementos educacionais e pedagógicos que influíram na formação escolar da prof.ª Margarida de Jesus Cortez, em suas interações intergrupais no Grupo Escolar “João Tibúrcio” da cidade de Natal, de 1937 a 1941, é precisamente o objetivo do presente trabalho. Nesta abordagem de cunho histórico, utiliza-se como fonte documental uma entrevista realizada com a referida professora e a legislação educacional vigente à época de sua educação primária. Esse registro orienta-se, metodologicamente, no processo de análise do corpus, pelo entendimento de Delory-Momberger (2008), para quem a narrativa é o procedimento que se elabora pela reflexão e pela interpretação de uma história de vida e de vida escolar. A constatação conclusiva é a de que a formação escolar, considerada à luz dos elementos educacionais e pedagógicos referentes à educação primária da prof.ª Margarida de Jesus Cortez, no Grupo Escolar “João Tibúrcio”, revela-se fundamental para a construção da narrativa de uma vida humana, permeada por alcances em nível educacional, cultural e mesmo existencial. De modo mais verticalizado, a formação escolar, em nível primário, da prof.ª Margarida de Jesus Cortez foi essencial para os progressos de sua vida social.
 
O objetivo deste artigo é analisar, no contexto da história da educação matemática, os registros constantes do diário de Alfredo José Eichel, engenheiro civil e agrônomo nascido na Polônia que, aos trinta anos veio ao Brasil como turista, mas que, devido à Revolução de 1930, no Brasil, não conseguiu retornar ao país de origem. Fixando-se no município de São José dos Pinhais/Colônia Malhada, escreveu, entre 1946 e 1954, um diário, no qual anotou acontecimentos do seu cotidiano e da comunidade. Pesquisar o conteúdo desse diário possibilitou identificar, como categorias de análise, registros alusivos às profissões que exerceu, a acontecimentos domésticos e da comunidade, bem como ao uso dos saberes elementares matemáticos no cotidiano. A pesquisa, de caráter bibliográfico e documental, apoiou-se na história cultural, fundamentando-se nos estudos de Bacellar (2005), Bardin (2016), Chartier (2002), Cunha (2013), Le Goff (1992), Vieira (2013) e Viñao Frago (2000), entre outros. A principal fonte documental foi o diário de Alfredo José Eichel. Os resultados possibilitaram constatar que as anotações do diário estudado fizeram parte de um contexto histórico local e singular, podendo-se afirmar que os saberes elementares matemáticos foram essenciais para a inserção e a compreensão de aspectos da realidade da época.
 
Este artigo aborda registros de viagens e de passeios localizados em cadernos de alunos de um acervo específico. Os cadernos correspondem ao que hoje se denomina de anos iniciais do Ensino Fundamental e cobrem o período dos anos de 1950 até os dias atuais. Assim, procura-se analisar, sob a ótica infantil, os registros tanto de viagens – entendidas como deslocamentos de mais longa distância, ou seja, intermunicipais e interestaduais –, quanto de passeios – entendidos como deslocamentos na própria cidade ou na zona de localização da casa e/ou da escola. São apresentados, primeiramente, textos que permitem problematizar as experiências familiares das crianças – portanto pessoais e privadas – com passeios ou viagens. De tal modo, foi possível apreender como elas se referem a essas atividades, feitas, em geral, durante as férias, às redes de relações familiares ampliadas que vivenciam e a alguns acontecimentos que consideram relevantes de serem registrados, especialmente no que tange às brincadeiras, ao estudo e a pequenas tarefas executadas no âmbito doméstico. Na sequência, são destacados textos das crianças que indicam viagens e passeios realizados na esfera escolar. Uma das conclusões possíveis é a de que a escola promove, via de regra, passeios culturais (cinema, teatro, biblioteca) e “passeios-informação”, a fim de trabalhar determinados conteúdos curriculares.
 
O presente artigo tem por propósito refletir sobre os saberes docentes e a prática pedagógica, produzidos e/ou reproduzidos no período de 1964 a 1988, a partir dos resultados da pesquisa de Mestrado em Educação/PPGE/UFPB “História e Memórias de vida professoral: Maria do Carmo de Miranda nas configurações do magistério (1960-1988)”. Conforme Nóvoa (2007), pesquisas sobre história de vida de professores se inserem como instrumentos elucidadores para a História da Educação, ao permitirem a discussão de aspectos educacionais a partir de trajetórias individuais, numa relação entre o privado e o político-social. O aporte teórico-metodológico discute com os fundamentos e procedimentos da memória, da história oral e da abordagem biográfica, articulados aos estudos de Le Goff (2012), Nóvoa (1999; 2007), Dosse (2009), entre outras fontes. No processo de constituição da docência, vida e contexto se entrelaçam, de forma que os saberes docentes e a prática pedagógica vivenciados pela Professora Maria do Carmo de Miranda, ora reforçaram, ora enfraqueceram as relações autoritárias de poder e opressão, presentes no contexto da docência paraibana no período investigado.
 
A pesquisa contempla uma investigação que busca dar visibilidade às memórias educativas (1960-1980), da cidade de Vilhena/RO. Período marcado por forte migração e por negligências políticas. É neste contexto que surge esta pesquisa qualitativa de cunho historiográfico que conta ainda com entrevistas semiestruturadas advindas da metodologia da História Oral. Procura compreender as relações de sociabilidade, assim como as representações da infância no período de 1960 a 1980. Durante a pesquisa, torna-se importante abordar aspectos políticos, econômicos e sociais do período de colonização/migração, que se desenvolveu durante o Governo Militar (1960-1985). Portanto, tendo em vista essa realidade histórico-social, justifica-se a realização de uma pesquisa que compreenda o cotidiano das crianças de Vilhena, no período historicamente delimitado, enfatizando as relações que estas mantinham com a escolarização. Através das narrativas podemos perceber que precisamos registrar, na história da educação de Vilhena, os sujeitos que fizeram e fazem parte do desenvolvimento desse percurso que foi construído por muitas mãos.
 
Refletir sobre a história de vida de Dom José Maria Pires, tendo em vista contribuir com os estudos biográficos, é o objetivo desse artigo. Resultante das investigações e pesquisas realizadas no curso de Doutorado em Educação/PPGE/UFPB, que se encontra em andamento, problematizamos a trajetória episcopal de Dom José Maria Pires, Arcebispo da Paraíba, a partir de cartas pastorais, discursos e homilias por ele elaborados, entre outras fontes, como memórias individuais e/ou coletivas, estudos e escrituras sobre ele produzidos. Para realização desse trabalho, recorremos aos pressupostos epistemológicos da nova história cultural e da ciência hermenêutica como fundamentos teóricos que alicerçam as discussões sobre biografia, história e memória. O projeto episcopal realizado por Dom José Maria Pires, denominado Do Centro à Margem, repercutiu no cenário da época, de forma que suas ações pastorais revelam enfrentamentos e conflitos com as ações do governo ditatorial militar, como também, reflexões sobre os processos de escrita de si e as interseções desse processo enquanto elemento de escrita do(s) outro(s).
 
Este estudo teve como objetivo analisar pesquisas acadêmicas brasileiras da região Norte, com foco na história de vida de professores de Matemática. Os trabalhos selecionados fazem parte do projeto Mapeamento da pesquisa acadêmica brasileira sobre o professor que ensina Matemática, coordenado pelo Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Formação de Professores de Matemática (GEPFPM). Tomamos como corpus de análise as pesquisas que se coadunam com a tendência teórica história de vida de professores, em particular, a história de vida de Professores que Ensinam Matemática (PEM), totalizando análises de sete dissertações. Utilizamos como metodologia a pesquisa qualitativa, na modalidade Estado da Arte, buscando compreender características apresentadas por essas pesquisas, que as colocam no contexto da referida tendência teórica, bem como identificar suas bases teórico-metodológicas e as potencialidades para a formação docente do PEM, na região Norte. O estudo mostrou que as pesquisas que tomam como foco as histórias de vida de PEM foram produzidas em uma diversidade de contextos, nos espaços de formação continuada, sendo perpassadas, ainda, pelo trabalho efe­tivo dos professores, ou seja, no que tange à prática pedagógica docente. Foi possível perceber, também, que há um longo caminho a percorrer, no que diz respeito ao entendimento das abordagens teórico-metodológicas que podem ser utilizadas em pesquisas envolvendo PEM, o que requer uma reflexão acerca da necessidade de um direcionamento metodológico em tais pesquisas.
 
O presente texto retoma pesquisa que consistiu no estudo da produção dos Congressos Internacionais de Pesquisa (Auto)biográfica (CIPA), tendo em vista o levantamento de indícios sobre os movimentos teórico-metodológicos do campo. Partilhamos, aqui, um recorte do trabalho que focalizou 11 capítulos do livro do I CIPA e 34 da coleção de 9 livros relativos ao V CIPA, tendo como filtro a formação de professores, especificamente os textos voltados para uma abordagem geral/teórica sobre as dinâmicas de formação docente em diálogo com a perspectiva (auto)biográfica e os trabalhos voltados para práticas de formação, incluindo formação inicial, continuada e desenvolvida no contexto escolar. Iniciamos com o olhar dirigido para o I e o V CIPA, tecemos um diálogo entre os referenciais teórico-metodológicos que fundamentam as pesquisas desenvolvidas e finalizamos com reflexões que apontam para a continuidade do estudo.
 
O presente artigo tem como objetivo conhecer as pesquisas (auto)biográficas desenvolvidas em Programas de Pós-Graduação (PPGs) em Educação, História e Música no Brasil. Para tanto, analisam-se teses finalizadas entre os anos de 2015 e 2019. A seleção foi feita por meio do catálogo de teses e dissertações da CAPES. Buscamos pelas palavras: (auto)biografia e música, história de vida e música, narrativas e música. Após a aplicação de diversos filtros, a amostra final deste artigo consiste em 16 teses. Para o desenvolvimento da análise de dados, foram selecionados os elementos abordados com mais constância entre os estudos. Os resultados apontam que as mulheres são maioria entre os autores, tanto das teses como dos textos de embasamento epistêmico-metodológico. Contudo, são minoria entre os sujeitos investigados. A maior parte dos trabalhos foi desenvolvida em PPGs do Sul. Identificou-se também que diferentes terminologias foram utilizadas para se referirem a procedimentos epistêmicos-metodológicos. Por meio da análise desses trabalhos, foi possível identificar que as pesquisas (auto)biográficas acolheram e valorizaram o conhecimento de diferentes pessoas e de diferentes contextos, buscando compreender seus processos de formação pessoal/profissional/musical.
 
Neste artigo de pesquisa autobiográfica, ocupo o lugar de artista-pesquisador. Como principal objetivo, desejo analisar a criação dramatúrgica do espetáculo LGBTIQ Sofia -35, monólogo em que eu, enquanto ator e dramaturgo homossexual, me descontruo e reconstruo durante a peça, na tentativa de peceber como realidade e ficção se relacionam na construção da personagem Sofia. A partir das discussões contemporâneas sobre gênero, abordo questões como migração, saúde pública, educação e direitos da comunidade LGBTIQ. Utilizo a metodologia de livre expressão, amparada pela pesquisa bibliográfica e narrativas pessoais que fazem parte deste percurso, onde descrevo, analiso e reflito. Como resultado, percebi que a narrativa autobiográfica e LGBTIQ do espetáculo Sofia -35 consegue ajudar a desmontar os discursos dominantes heteronormativos através da arte, tensionando também a ilusão da realidade que coube ao espaço teatral até a primeira metade do século XX. As questões LGBTIQ, retratadas a partir da estética teatral autobiográfica, possibilitam ao espectador a reelaboração de realidades possíveis e mais justas, a partir do teatro.
 
João Baptista (ao centro) em frente à Igreja do rosário.
Neste trabalho, analisam-se as biografias dos membros de uma família afrodescendente, os Baptista da Silva, no pós-abolição, no Rio Grande do Sul. Busca-se investigar a trajetória de vida de cada um de seus membros, do pai Major João Baptista da Silva (1858-1937) e de seus dois filhos, Felippe Baptista da Silva (1883-1923) e João Baptista da Silva Junior (1891-1920), na sociedade porto-alegrense da época. O objetivo da análise é mapear os mecanismos de inserção social desses sujeitos negros na sociedade porto-alegrense e problematizar estereótipos e preconceitos raciais atribuídos aos negros nesta época, particularmente, a imagem de anomia social das famílias negras. Inicialmente, discutem-se estudos realizados sobre biografias, nos âmbitos internacional, nacional e regional, e também a historiografia brasileira recente sobre famílias de afrodescendentes. Em termos teórico-metodológicos, trata-se de uma pesquisa documental, fundamentada teoricamente nos estudos sobre biografias, em particular, de biografias de afrodescendentes, cruzando-se várias fontes de pesquisa: os jornais O Exemplo e A Federação, Livros de Registro de óbitos, Termos de Juramento de Irmãos da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, além de Registros da Cúria Metropolitana. A pesquisa demonstra o envolvimento dos membros da família Baptista da Silva no jornal de imprensa negra O Exemplo, em irmandades negras e sociedades recreativas e culturais. Os fragmentos biográficos revelam também que estabelecer laços familiares, trabalhar regularmente e educar-se eram estratégias de inclusão social que faziam parte da trajetória de vida dos afro-rio-grandenses, em Porto Alegre/RS no pós-abolição.
 
O presente artigo desenvolve reflexões sobre aspectos teórico-metodológicos da abordagem biográfica na educação, apresentando o delineamento metodológico elaborado para uma pesquisa narrativa no campo da formação continuada, que se desenvolve no contexto da educação infantil. O intuito deste estudo é refletir acerca dos enunciados que evidenciam os modos como os sujeitos atribuem sentidos à articulação entre vida e formação, em suas narrativas, identificando as marcas da dimensão biográfica imbricadas à dimensão formativa. Como resultados, evidencia-se explicitamente a articulação entre o eu pessoal e o profissional, reivindicando oportunidades para o diálogo sobre a formação continuada e a sua atuação docente.
 
Este estudo insere-se num projeto de investigação sobre o desenvolvimento do sentido de identidade e do profissionalismo dos professores no curso das suas vidas. Em forma de estado da arte, propõe analisar de que formas a investigação (auto)biográfica tem contribuído para a construção de conhecimento sobre as questões da identidade e do profissionalismo docente. Nesse sentido, apresenta-se como uma síntese dos trabalhos de natureza empírica realizados sobre estas temáticas, e metodologicamente ancorados na pesquisa biográfica, entre 2005 e 2015, no Brasil e em Portugal. A recolha de dados foi realizada a partir de bases de dados de repositórios científicos dos dois países (OASIS; RCAAP; SCIELO), utilizando como conceitos-chave identidade profissional; narrativas biográficas; histórias de vida e profissionalismo docente. Definimos como critério de seleção dos artigos a publicação em revistas da área da Educação com revisão de pares. Selecionamos e analisamos 17 artigos e 12 teses de doutoramento. Os resultados do estudo manifestam a produtividade das pesquisas (auto)biográficas, quer numa perspetiva de pesquisa quer como práticas de formação. Encontramos e mapeamos uma grande diversidade de referenciais teóricos, de apropriações e aproximações à pesquisa (auto)biográfica, nos investigadores de ambos os países. Encontramos no universo brasileiro um maior número de investigações de caráter interventivo, com o uso de estratégias metodológicas apostadas na construção da identidade dos sujeitos-professores e nas investigações de pesquisa-formação.
 
Este estudo objetiva investigar representações sociais sobre “ser normal” no passado escolar por mulheres com o nível 1 do Transtorno do Espectro Autista. Dá ênfase à abordagem (auto)biográfica, que, atrelada à Teoria das Representações Sociais, permite um olhar mais atento à necessidade de dar escuta a esses sujeitos em suas histórias individuais, sem perder de vista o social. Menciona algumas das teorias para explicar a grande prevalência “masculina” nos diagnósticos de TEA, endossando a hipótese de manifestações distintas no “feminino”, resultando em subdiagnóstico. O modelo de entrevista adotado foi o semidirigido, com elementos de entrevista-conversa. Entre oito narrativas de vida, serão apresentadas três. Os resultados apontam para um “ser normal” ligado à ideia de ser como as “colegas”, ainda que haja momentos de bifurcação em um “ser normal” para os professores, sob uma possível ótica de “normalização” escolar. Apesar de estarem avançando, faltam às pesquisas um olhar mais atento aos gêneros para além do binarismo “feminino” e “masculino”, que não se confunda com sexo biológico. É reforçada a necessidade de pesquisas acadêmicas que proporcionem aos sujeitos com deficiência a escuta necessária, em prol de uma sociedade mais inclusiva.
 
Este artigo tem o objetivo de investigar as potencialidades dos dispositivos biográficos na formação de babás. Para tanto, apoia-se numa pesquisa realizada com babás migrantes, brasileiras que trabalham na França, desenvolvida com base nos fundamentos teórico-metodológicos da pesquisa (auto)biográfica e da história oral. A hermenêutica das narrativas de vida que compõem o corpus de tal estudo traz à luz a centralidade dos processos de biografização, colocados em ação pelas profissionais do cuidado infantil no ato de narrar a experiência vivida. Conclui-se que o papel social de educadoras informais da infância é construído por essas trabalhadoras do care a partir do estabelecimento de relações entre, de um lado, seus percursos vividos e os saberes a partir deles adquiridos e, de outro, as culturas – familiares, linguísticas, nacionais etc. – com as quais se deparam nos lares que constituem seu ambiente de trabalho. Nesse espaço intersticial, a abordagem biográfica se configura como pesquisa-formação, na medida em que convida essas mulheres a assumir o papel de “pesquisadoras de si”, a construir sentidos ao vivido, tomar consciência de suas reservas de saberes biográficos, lidar com as proximidades e distanciamentos presentes no encontro intercultural com as crianças e famílias empregadoras, agenciar temporalidades e projetar-se em direção a um porvir. Reconhecida em sua dimensão transcriativa, a operação de colocar em palavras aquilo que é da ordem do não dito, do experienciado, revela-se como potente ferramenta de formação de babás-educadoras-da-infância e inscreve-se numa perspectiva de valorização de saberes invisibilizados.
 
Ao longo dos anos, temos acompanhado como a pesquisa no campo da formação de adultos e, em especial, no campo da formação de professoras/es, tem se constituído a partir de um pressuposto de que a formação docente se dá em múltiplas temporalidades, por meio de um esforço consciente e desejante do sujeito pela sua própria formação. Desde modo, temos percebido o crescimento de uma produção fundamentada nos estudos narrativos (auto)biográficos, delineando um campo fundamentado em concepções teórico-metodológicas que se constitui de referências epistêmicas e uma potência instituinte. Neste estudo, objetivamos refletir sobre os modos como o Grupo Interinstitucional de Pesquisa-Formação Polifonia (UNICAMP/FFP-UERJ) tem pensado a pesquisaformação como uma palavra-conceito que traz princípios dialógicos para pensarfazer ciência, na Educação. Retomamos a trajetória epistêmico e teórico-metodológica da pesquisa autobiográfica, no que se refere à sua construção paradigmática complexa; trazemos para o diálogo a contribuição da literatura estrangeira e os movimentos que já se desdobravam nas pesquisas em Educação no Brasil e, em especial, partilhamos a experiência de uma pesquisaformação desenvolvida no contexto do referido grupo.
 
O presente artigo apresenta reflexões sobre as questões teórico-metodológicas e epistemológicas que perpassam a abordagem (auto)biográfica nas pesquisas do campo educacional. Procurou-se fazer uma análise dos dez autores mais citados nos artigos aprovados para comunicação oral, na última edição do CIPA, identificar a qual ou quais linhas epistemológicas estes autores fazem referências, implícita ou explicitamente, em seus escritos, bem como de que forma conceituam os recursos biográficos ou (auto)biográficos em questão: como técnica ou como método de pesquisa. O objetivo foi o de realizar um mapeamento dos direcionamentos epistemológicos dos autores que embasaram teoricamente a produção científica divulgada na última edição do Congresso Internacional de Pesquisa (Auto)biográfica, observando, assim, quais os enfoques privilegiados em cada eixo temático, e se há ou não coincidências entre eles. Como resultados principais, apontamos, por um lado, a diversidade de conceitos e entendimentos dos pesquisadores quanto ao (auto)biográfico, sugerindo uma pluralidade de enfoques epistemológicos, que priorizam ora os aspectos sociológicos, ora os históricos ou psicológicos, no tratamento das narrativas e histórias de vida das pesquisas em educação. Por outro lado, há um número, ainda que reduzido, de pesquisadores que se posicionam epistemologicamente, reivindicando o status de método para o (auto)Qubiográfico.
 
Este texto tiene como propósito reflexionar sobre las visualidades construidas en el uso de las tecnologías y medios contemporáneos a partir de pequeños episodios de la biografía personal. Quiero compartir breves anécdotas de mi vida como profesor – pero también como padre –, para pensar y reflexionar acerca de cómo armamos nuestras maneras de relaciones cotidianas y nuestras identidades de pertenencias múltiples. Las narrativas biográficas deben concebirse como objetos que pueden ser abordados desde la mirada de la investigación, es decir, en su posibilidad de observar y analizar los movimientos vitales – en este caso propios – y sacar de ellos nuevos aprendizajes y conocimientos. La inclusión que realizo acerca del lugar de las tecnologías no ignora a las grandes corporaciones que están detrás de la estructura de la comunicación digital ni de Internet. Por el contrario, considero posible producir micro-espacios de oportunidad y alternativa -aún dentro de esos dominios- para crear lugares y prácticas de cercanía, para incluir la perspectiva de un uso sensible en tanto tienen un carácter de acción humana. Este texto pretende mostrar, además, que los trazos biográficos de las personas no se producen en solitario, necesariamente involucran a otros y dan cuenta, por eso, de acontecimientos colectivos e individuales que se entremezclan.
 
Top-cited authors
Tania Lucía Maddalena
  • Universidad Internacional de La Rioja
José Contreras
  • University of Barcelona
Daniel Suárez
  • Universidad de Buenos Aires
Valeria Davila
  • Universidad Peruana Cayetano Heredia
Hervé Breton
  • University of Tours