Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade

Published by Sociedade Brasileira de Medicina de Familia e Comunidade
Online ISSN: 2179-7994
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Introdução: O Ministério da Saúde incluiu a vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) no calendário básico de imunizações em 2014 com a meta vacinar pelo menos 80% das adolescentes entre 11 e 13 anos de idade. Objetivos: Frente à baixa adesão à campanha nacional de vacinação contra o HPV no município de Maringá, PR, em 2014, o presente estudo teve como objetivos: 1) identificar o nível de conhecimento das adolescentes acerca do vírus e da vacina; e 2) descrever os motivos pelos quais elas não se vacinaram. Métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal, do tipo inquérito domiciliar com delineamento descritivo, conduzido com 58 adolescentes que não tomaram a 1ª e/ou a 2ª dose da vacina dentro do prazo estipulado pela campanha vacinal de 2014. Para coleta de dados, foi aplicado questionário por meio de entrevistas face a face. Resultados: 86% das adolescentes já ouviram falar do vírus, 74% sabe que sua transmissão é sexual, 49% conhece sua relação com o câncer de colo de útero e 88% já ouviu falar da vacina. A maior parte das meninas entrevistadas não se vacinou por recusa por parte dos pais. Conclusão: Os resultados do presente estudo sugerem que o desconhecimento sobre a infecção pelo HPV e sobre a campanha de vacinação entre as entrevistadas e seus responsáveis, bem como o medo de efeitos colaterais da vacina, como apontado pela população do estudo, interferiram negativamente na tomada de decisão.
 
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A pandemia pelo novo coronavírus causou uma crise sanitária mundial, com repercussões mais graves em sistemas de saúde já sobrecarregados e em sociedades mais desiguais. Neste artigo, revisou-se a literatura sobre pontos importantes no atendimento à saúde da mulher durante pandemias nos serviços de Atenção Primária à Saúde (APS). Destaca-se o papel crucial da APS na prevenção de iniquidades. No tocante à saúde da mulher, é importante o foco na atuação contra a violência doméstica, manutenção de atenção ao ciclo gravídico-puerperal, contracepção e condições potencialmente graves, como Infecções Sexualmente Transmissíveis e seguimento oncológico.
 
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A pandemia da COVID-19 trouxe como uma de suas consequências a necessidade de reorganização dos sistemas de saúde. A Atenção Domiciliar (AD) se apresenta como opção para: interromper a transmissão; identificação precoce e cuidado de pacientes infectados; possibilidade de alta precoce e continuidade do cuidado fora do hospital; além da orientação aos familiares. Este artigo apresenta as possibilidades de cuidados no domicílio pelas equipes de Atenção Primária à Saúde (APS) e de AD e os cuidados necessários que estas equipes devem ter ao realizar seu trabalho. É necessário manter pessoas seguras em casa, evitar a exposição ao risco, manter o papel de vigilância e cuidado das que dependem da AD, e as equipes devem reorganizar o processo de trabalho para um cuidado domiciliar efetivo. Na APS o cuidado remoto parece ser uma alternativa viável pelos agentes de saúde para o monitoramento, orientação e seguimento dos pacientes, deixando a visita domiciliar com a equipe para aqueles casos indicados. AD na suspeita ou confirmação da COVID-19 é possível, desde que a equipe esteja treinada, disponha de todos os Equipamentos de Proteção Individuais (EPI) necessários e o ambiente domiciliar compatível. Deve-se garantir continuidade do cuidado para pessoas com doenças crônicas durante a pandemia necessitam, sendo possível equacionar ferramentas da telemedicina e cuidado presencial caso a caso. Para os pacientes que foram hospitalizados e evoluíram satisfatoriamente é possível avaliar a continuidade do cuidado no domicílio sob acompanhamento da APS e AD. Devem ser instituídas medidas de precauções para a equipe e pacientes, garantindo que todos os profissionais sejam capacitados para uso de EPI, além de orientações para prevenção da transmissão de agentes infecciosos no domicílio. AD é essencial para acesso a pessoas com condições agudas, descompensação de doenças crônicas, tendo o desafio da organização do serviço utilizando a telessaúde e cuidados domiciliares de forma racional.
 
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In the current situation related to 2019-nCoV β-coronavirus, the National Health Authorities have determined the elaboration of contingency plans (CP) that minimize the contagion and allow the functioning of essential activities. The CP presented defines a set of guidelines that allow the adequacy of the response of a public university in Northeast of Brazil linked to the Programa Mais Médicos para o Brasil. Descriptive and qualitative study, type of comment, from the analysis of the data of the CP for the definition of strategies for coping with public health emergencies. The CP consists of ten measures that include assistance via applications/social networks; monitoring of physicians who are at risk; screening of suspected/confirmed cases; production of guides/protocols; 24h psychological/technical assistance to physicians working at primary health care and provision of online courses. The methodology proposed provides different models from those trivially presented in academia and is essential to promote health education.
 
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Problema: O intercâmbio internacional é um excelente instrumento de formação para estudantes e Portugal apresenta diversas vantagens para os alunos brasileiros. No entanto, a literatura brasileira carece de relatos de experiência sobre tais atividades e os estudantes frequentemente encontram- se preocupados sobre quais atividades serão desenvolvidas, sobre que tipo de sistema de saúde encontrarão e, recentemente, sobre como a pandemia se desenrolou no país de destino. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, referente a um estágio internacional na área da saúde, realizado por um acadêmico brasileiro em Portugal. O trabalho foi elaborado a partir de pesquisas bibliográficas e resgate mnemônico da experiência. Resultados: O sistema de saúde português funciona de forma semelhante ao brasileiro, baseado na atenção primária à saúde e na descentralização, e apresentou bom desempenho em relação à pandemia da COVID-19. O intercâmbio foi realizado na área de medicina geral e familiar e de medicina de emergência pela Universidade de Lisboa, no início de 2020, e foi composto por uma vasta gama de atividades desenvolvidas, principalmente o acompanhamento de consultas. Os aprendizados do estágio incluem os conteúdos técnicos das consultas acompanhadas, os conhecimentos não científicos ensinados durante a rotina e as experiências sociais vivenciadas na viagem. Conclusão: Os estudantes brasileiros encontrarão familiaridades e diferenças positivas no sistema de saúde português e observarão excelentes números em relação ao controle da pandemia da COVID-19. O intercâmbio em Portugal possibilitou o crescimento profissional e pessoal do estudante e é recomendado para os estudantes brasileiros da área da saúde interessados em uma experiência transcultural.
 
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Problema: A demanda em saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS) é alta, e a capacitação das equipes para a detecção e o tratamento desses pacientes é fundamental, sendo o matriciamento, modelo de cuidado colaborativo desenvolvido no contexto brasileiro, uma ferramenta importante para a efetividade do cuidado em saúde mental na APS. Em março de 2020, com o isolamento social consequente à pandemia pelo novo coronavírus, houve necessidade de reorganização dos serviços. O objetivo deste artigo é descrever a experiência de telematriciamento e reorganização do apoio matricial em saúde mental em unidade da APS do município do Rio de Janeiro, nos primeiros meses de pandemia. Método: O Centro Municipal de Saúde Heitor Beltrão localiza-se na Zona Norte do Rio de Janeiro. Nos anos de 2017 a 2019, o matriciamento ocorreu por meio de consultas conjuntas, discussão de casos e grupo de psicotrópicos. No início da pandemia, o trabalho foi reorganizado em duas frentes: teleconsultas conjuntas síncronas e organização da lista de usuários com transtornos mentais. Resultados: Foram realizadas 50 teleconsultas conjuntas no período de 12 semanas, com média de 4,16 consultas/semana, sendo os diagnósticos mais frequentes transtornos depressivos e ansiosos seguidos de transtornos de personalidade e por uso de substâncias. O novo formato permitiu a manutenção do acesso de usuários da saúde mental ao serviço, a absorção de novos casos, a melhoria de acesso a usuários do grupo de risco para infecção por coronavírus e a continuidade do processo formativo em saúde com aquisição de novas competências e modernização do trabalho. As principais limitações foram a falta de equipamentos disponíveis e a dificuldade de acesso à internet. Conclusão: Esta experiência, desenvolvida em razão da pandemia de COVID-19, descreve os desafios e benefícios da utilização do telematriciamento e da criação da lista de usuários da saúde mental. Poderá auxiliar profissionais e gestores de outros serviços a desenvolver adaptações mais adequadas às realidades locais.
 
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Problema: A COVID-19 configura-se como um desafio para toda a rede de saúde, e a Atenção Primária à Saúde destaca-se como um ordenador do cuidado nesse cenário. A equipe de residentes que atua em uma Unidade de Saúde da Família em Itabuna/Bahia tem buscado novas formas de planejar e desenvolver ações perante essa pandemia. Método: Trata-se de um relato de experiência sobre a operacionalização de um plano de ação elaborado pelos residentes de um território de Estratégia Saúde da Família como resposta ao contexto da pandemia da COVID-19. Resultados: Foram produzidas informações, reorganizado os fluxos na unidade, evitando as aglomerações nos serviços, garantido os equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde, produzido material educativo para orientar essas ações e principalmente não perdendo de vista a integralidade do cuidado ao garantir a manutenção das ações e programas anteriores. Conclusão: A adoção dessas novas medidas vem impactando positivamente o processo de trabalho, enfatizando a prevenção como eixo principal.
 
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Introdução: A automedicação para COVID-19 é considerada um problema emergente e que reflete o momento de infodemia e de crescimento da doença no Brasil. Nesse sentido, a Atenção Primária à Saúde, em que ocorre a maior parte do acesso dos casos leves e moderados de COVID-19, tem-se mostrado um lugar privilegiado para a abordagem de pacientes em uso irracional desses medicamentos. Objetivo: Discutir questões sobre a automedicação voltada para a COVID-19, abordando particularidades do processo de trabalho do médico de família e comunidade (MFC) e as perspectivas para esses profissionais num cenário de grandes tensões político-sanitárias. Métodos: Trata-se de um ensaio teórico que se baseia nas premissas do uso racional de medicamentos (URM) e da medicina baseada em evidências para sintetizar uma proposta de atuação de MFC à luz dos principais documentos e normativas produzidas sobre o tratamento da COVID-19 no país. Resultados: Por meio do referencial teórico, são apresentadas duas estratégias principais para a abordagem dos casos de automedicação para COVID-19: uma do ponto de vista individual, que envolve a desprescrição desses medicamentos mediante um entendimento acordado entre o MFC e o paciente; e uma de cunho sistêmico, ligada ao combate à venda irregular de medicamentos voltados para a COVID-19 no território de atuação desse profissional. Conclusões: As disputas políticas em torno da pandemia ainda continuam vivas e devem persistir por longa data no Brasil. Cabe aos profissionais de saúde e à sociedade como um todo defender o URM e combater a utilização de medicamentos desnecessários, inefetivos, inseguros ou potencialmente inadequados no contexto da COVID-19, protegendo assim a vida e o bom uso dos recursos da população.
 
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O que você precisa saber? A maioria dos pacientes com Covid-19 podem ser manejados remotamente com aconselhamento de manejo de sintomas e autoisolamento; Apesar da maioria das consultas poderem ser feitas por telefone, a imagem de vídeo fornece pistas adicionais visuais e a presença terapêutica do profissional de saúde para o paciente; Falta de ar é um sintoma preocupante, embora, hoje, não há ferramenta validada para avaliá-la remotamente; Aconselhamento sobre rede de segurança para o paciente é crucial, uma vez que, alguns pacientes deterioram muito a sua condição de saúde em 2 semanas, mais comumente por pneumonia.
 
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Prevenção quaternária: ação feita para reconhecer pessoas ou populações em risco de supermedicalização e protegê-las, sugerindo procedimentos científica e eticamente aceitáveis. Em 2019, emergiu em Wuhan, uma doença classificada como Coronavirus-Induced-Disease, responsável pela pandemia por COVID-19. Vidas estão sendo ceifadas e a busca por tratamento é uma questão de saúde pública planetária. In vitro, a hidroxicloroquina e a cloroquina inibem esse agente, sendo sugerido que tais medicamentos fizessem parte do tratamento precoce. Realizou-se uma revisão em bancos de dados PubMed e LILACS e busca manual de periódicos no The New England Journal of Medicine (NEJM) e no Journal of the American Medical Association (JAMA), pelos termos: “hidroxicloroquina, cloroquina e COVID-19”, “hydroxychloroquine, chloroquine and COVID-19” e “cloroquina e COVID-19”. Critérios de exclusão: artigos duplicados, hidroxicloroquina e cloroquina fora do contexto da COVID-19, outros aspectos da COVID-19 e revistas patrocinadas pela indústria farmacêutica. Foram encontrados 115 artigos nos bancos de dados, após a aplicação dos critérios de exclusão e 6 foram selecionados para a revisão. Pesquisou-se outros estudos sobre prevenção quaternária, a fim de discutir o excesso de intervenção médica. Ainda não existe um tratamento ideal para controlar o vírus. Cabe aos profissionais de saúde, em especial, os Médicos de Família e Comunidade, o pensamento crítico aplicado a todos os resultados apresentados nos estudos, por mais atrativos que estes pareçam à primeira vista.
 
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Introdução: Em momentos como a pandemia causada pela COVID-19, há evidências de que a morbimortalidade relacionada à saúde mental tende a superar a relacionada diretamente à infecção, sendo resultado da própria pandemia e também das medidas de distanciamento social. Objetivo: Apresentar uma proposta para a atuação das equipes de Atenção Primária no enfrentamento ao adoecimento mental relacionado à pandemia. Métodos: Revisando os fatores de risco e estressores, e resgatando os atributos e potencialidades da atenção primária à saúde, foi escrito um ensaio científico apresentando propostas do papel da APS. Resultados e Discussão: Os principais fatores de risco para adoecimento mental identificados incluem: vulnerabilidade social, contrair a doença ou conviver com alguém infectado, existência de transtorno mental prévio, ser idoso e ser profissional de saúde. O isolamento físico e o excesso de informações nem sempre confiáveis somam estressores à crise. As especificidades do luto durante a pandemia também aumentam o risco de lutos complicados. No contexto brasileiro, há ainda a crise político-institucional aumentando a ansiedade e insegurança da população. Propõe-se que a Atenção Primária à Saúde, com suas características e atributos, deve: identificar as famílias com risco aumentado para adoecimento mental; articular intersetorialmente para que as demandas dos mais vulneráveis sejam atendidas; orientar a população sobre como minimizar os fatores geradores de ansiedade; apoiar as famílias para possibilitar o processo de luto. Conclusões: Este ensaio pretende qualificar a discussão sobre o papel da APS na saúde mental da população e, portanto, subsidiar ações que potencializem o cuidado prestado pelas equipes durante a pandemia de COVID-19.
 
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Objetivos: Analisar a impressão de preceptores dos Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade (PRMFC) sobre as modificações ao modelo do ensino em serviço provocadas pelo contexto da pandemia de COVID-19. Métodos: Estudo qualitativo através da entrevista de preceptores da residência, visando categorizar o discurso dos sujeitos a partir do lugar de fala, usando o método hermenêutico-dialético. O mote foi ampliar a percepção experimental através dos discursos e entender as realidades concretas. Resultados:Permitiram a compreensão dos sentimentos dos preceptores a partir da análise sob a ótica de três categorias: o processo de trabalho, a formação dos residentes orientando o serviço e o foco no atendimento aos sintomáticos respiratórios. Conclusão: O preceptor da residência médica em João Pessoa experimenta a liberdade de atuação como ferramenta de manutenção ao cuidado e na formação individualizada dos residentes, tidos como recursos significativos da comunidade na aprendizagem em Medicina de Família.
 
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Problema: A emergência da pandemia de Covid-19 desafiou a Atenção Primária à Saúde a modificar seus processos de trabalho para mitigar sua ocorrência, sem abandonar as ações programáticas que já vinham desenvolvendo. Método: Trata-se de um relato de experiência sobre a reorganização da Atenção Primária à Saúde (APS) para enfrentamento da pandemia da Covid-19, por meio da descrição das ações e estratégias adotadas pelo município de Diadema (SP). Resultados: Apresenta: rotinas e linhas de cuidados prioritárias; visitas domiciliares e ações no território; atendimento à demanda espontânea; fluxo de atendimento para usuários com Síndrome Gripal; imunização e campanha de vacinação da gripe; vigilância dos casos; Saúde Bucal; ações do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica e os procedimentos de enfermagem. Sintetiza o eixo operacional, as ações para o enfrentamento do Covid-19 e os desafios enfrentados. Desde o início da pandemia até janeiro de 2021, a APS foi o maior notificador municipal, responsável por 58% das notificações de casos suspeitos ou confirmados de Covid-19. Conclusão: A pandemia reforça a necessidade de defesa do protagonismo da APS para a alocação de recursos financeiros, otimizando gastos e organizando fluxos para reduzir gastos desnecessários com internações hospitalares, tanto pela Covid-19, quanto pelas demais causas sensíveis à APS.
 
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A residência médica é considerada o padrão-ouro na formação de especialistas em Medicina de Família e Comunidade. Há uma alta demanda por profissionais adequadamente qualificados nessa área no contexto brasileiro. No entanto, essa residência ainda se mostra pouco atrativa para boa parte dos egressos de Medicina, fato revelado pelas inúmeras vagas ociosas e altas taxas de desistência a despeito de seriadas tentativas de torná-la mais motivante para o candidato. A pandemia intensificou ainda mais esse desinteresse e há sinais de que ela persistirá em 2021. Assim, torna-se necessário e urgente buscar novas estratégias. Entre as alternativas que podem combater esse desânimo estão a reestruturação de ambientes de ensino virtual e a redistribuição da carga horária dos residentes.
 
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Introdução: O mundo foi surpreendido pela pandemia COVID-19, uma infecção viral causada pelo SARS-COV-2, iniciada em Wuhan, na República Popular da China, em dezembro de 2019. Além dessa nova doença, o Brasil inteiro continuou a lidar com outras doenças que atormentam nossos pacientes há décadas. Apresentamos um relato de caso de infecção do sítio operatório da cavidade peritoneal que ocorreu no início da Pandemia pelo COVID-19 no Brasil. Relato De Caso: paciente submetido a prostatectomia radical, evoluiu com infecção do sítio operatório 30 dias após a cirurgia, possuía coleção na parede abdominal e na pelve interconectadas entre si, que poderia ser drenada com dreno de parede. Discussão: A taxa de infecção do sítio operatório pode chegar a 5% em cirurgias de prostatectomia radical, que é uma taxa aceitável. O início da pandemia no Brasil impediu que os pacientes retornassem aos grandes hospitais, de certa forma, devido ao medo ou à incerteza. Conclusão: Apresentamos um caso de infecção do sítio cirúrgico que coincidiu com o início da pandemia de coronavírus no Brasil que pode ser tratada em uma unidade básica de saúde.
 
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Introdução: Diante da pandemia causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), evitar aglomerações e garantir o acesso aos serviços de saúde para aqueles que necessitam tem sido uma grande preocupação de profissionais e gestores. Na zona rural, as barreiras de acesso são ainda maiores. Métodos: Trata-se de relato de experiência da implantação de telemedicina via aplicativo de mensagens e chamadas por preceptor e residentes do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade de Ouro Preto, em uma Unidade Básica de Saúde rural. Após três semanas da introdução da ferramenta, foi gerado manualmente um banco de dados por meio do programa Microsoft Excel® 2016, com posterior análise estatística descritiva. Resultados: No período analisado houve 329 interações por meio do WhatsApp, uma média de 25,3 pessoas por dia. Todas as demandas foram atendidas no prazo máximo de 24 horas. As teleconsultas foram realizadas nos formatos de mensagem escrita, áudios e videochamadas. A demanda para renovação de prescrições de medicamentos de uso continuado correspondeu a 20% dos atendimentos e a solicitação para análise de resultados de exames 9%. Dúvidas administrativas representaram 22% dos contatos realizados. Setenta e quatro por cento das teleconsultas foram resolvidas virtualmente e em 26% dos casos foi necessária avaliação presencial. Houve uma percepção positiva em relação à satisfação dos pacientes atendidos virtualmente, de acordo com os relatos dos Agentes Comunitários de Saúde e por meio de mensagens recebidas diretamente pela equipe médica pelo aplicativo. Conclusão: O uso de aplicativo de mensagens e chamadas, como ferramenta de telemedicina, mostrou ser uma estratégia viável durante a pandemia de SARS-CoV-2, especialmente importante no meio rural. Outros estudos serão necessários para investigar seus impactos no sistema de saúde e nos desfechos relevantes para a população.
 
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Artigo de opinião com reflexões sobre o papel da Atenção Primária à Saúde (APS) na pandemia de COVID-19 a partir da definição de seus atributos: acesso, longitudinalidade, integralidade, coordenação, orientação familiar, orientação comunitária e competência cultural.
 
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Introdução: As redes sociais têm possibilitado, nos últimos anos, novas formas de interação entre pessoas e entidades e a partilha escalável de conteúdos de diversas áreas, embora nem sempre de forma criteriosa. Objetivos: Caracterizar a presença de páginas das Unidades de Saúde Familiar da Área Metropolitana do Porto (Portugal) na plataforma Facebook à data de dezembro de 2020, suas métricas de idade, seguidores, publicações e interações num dado intervalo de tempo e sua distribuição por modelo organizacional (Unidades de Saúde Familiar–A/B) e Agrupamento de Centros de Saúde; verificar a tendência de criação de páginas em 2020 – ano de pandemia por COVID-19 – e aferir as temáticas abordadas pelas 50 publicações dos últimos 60 dias que obtiveram mais interações. Métodos: Estudo exploratório transversal, descritivo e analítico, com verificação individual das páginas das Unidades de Saúde Familiar da Área Metropolitana do Porto a 30 de dezembro de 2020 e obtenção de métricas relativas a um intervalo de 60 dias de atividade por meio da página Fanpage Karma. Foram calculadas frequências, intervalos, médias e medianas e aplicados testes paramétricos e não paramétricos. Resultados: Das 135 Unidades de Saúde Familiar funcionantes (64% Unidades de Saúde Familiar–B), 53% tinham página ativa (61% Unidades de Saúde Familiar–B, p<0,05), variando entre 0 e 81,3% das Unidades de Saúde Familiar em cada Agrupamento de Centros de Saúde, criadas nos últimos dez anos (mediana 4,6 anos, Unidades de Saúde Familiar–A 1,5 versus Unidades de Saúde Familiar–B 5,3, p<0,05), com crescimento de 44% no ano de 2020. O número de seguidores distribui-se heterogeneamente entre diferentes Unidades de Saúde Familiar e Agrupamento de Centros de Saúde, contudo sem diferenças entre modelos de Unidades de Saúde Familiar, não ultrapassando o milhar em 69% das páginas, e com apenas cinco páginas alcançando mais de 2 mil seguidores. Das páginas ativas, 75% (54/72) publicaram em média 0,3 vez por dia nos últimos 60 dias. Não se verificam associações significativas entre o número de seguidores ou entre modelos Unidades de Saúde Familiar–A/B e o tempo da última publicação ou o número de publicações a 60 dias. Durante esse tempo, foram geradas 15.913 interações (média de 18,8 por publicação). Analisadas as 50 publicações com mais interações dos últimos 60 dias, verifica-se o predomínio de temas relacionados com a COVID-19 e com questões organizacionais e burocráticas, efemérides relativas às Unidades de Saúde Familiar e informação/promoção da vacina contra a COVID-19. Discussão: Admite-se haver aplicação reduzida pelas Unidades de Saúde Familiar (embora crescente em ano de pandemia) do potencial comunicacional e colaborativo das redes sociais. Havendo margem de progressão, estas podem constituir uma ferramenta complementar e interativa para a promoção do acesso e a melhoria da qualidade dos serviços, o combate à desinformação, a capacitação para a saúde dos cidadãos e a melhoria de resultados em saúde.
 
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A maior mobilização recente da comunidade da saúde em relação ao meio ambiente ocorreu este ano. Consistiu em uma carta assinada por mais de 350 organizações de saúde de todo o mundo, incluindo importantes organizações de Medicina de Família e Comunidade. Isto demonstra o crescente entendimento da comunidade científica e da saúde acerca da saúde planetária.
 
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A pandemia do COVID-19 tem permitido analisar crises sistêmicas em diferentes aspectos da vida social. A crise da Racionalidade Biomédica parece ser reiterada, de um lado pela narrativa estatística dominante por meio da contabilidade de casos e mortes a cada dia. Por outro lado, pela escassez, até o momento, de evidências científicas acerca de exames diagnósticos e tratamentos medicamentosos para a nova doença. A profusão de protocolos clínicos e a necessidade de lidar com tamanha incerteza no encontro com pacientes em sofrimento são elementos que exigem retomar uma pergunta fundamental, em especial para a Medicina de Família e Comunidade: como exercitar o Cuidado em Saúde em um contexto de rupturas dos vínculos de confiança?
 
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Introdução: O suicídio constitui-se em uma das principais causas de morte evitáveis. A pandemia da COVID-19 pode contribuir para reforçar os fatores de risco e a ideação suicida em razão da diminuição da capacidade de enfrentamento emocional ante a crise sanitária mundial. Ao mesmo tempo, os serviços de Atenção Primária à Saúde (APS) foram demandados a construir uma resposta rápida a questões relacionadas à saúde mental. Objetivo: Refletir sobre os fatores de risco e as possíveis intervenções para a prevenção do suicídio na atenção primária no contexto da pandemia da COVID-19. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa pautada na construção de uma análise crítica da literatura internacional sobre os fatores de risco e a prevenção do suicídio na APS durante a pandemia do novo coronavírus. Esta revisão foi construída por meio do levantamento de evidências na literatura internacional, feito pelo acesso às bases de dados científicas Web of Science, Science Direct e Scopus usando os descritores suicide AND prevention AND COVID-19 AND Primary Health Care. Foram incluídos artigos científicos disponibilizados entre dezembro de 2019 e setembro de 2020 e publicados em português, inglês e espanhol. Resultados: O corpus de análise foi composto de 15 artigos, com predominância da descrição de fatores de risco, da implementação e das adaptações de estratégias de intervenções específicas mediadas por recursos de tecnologia da informação e comunicação para oferecer cuidados de saúde mental. Conclusões: Os cuidados colaborativos pautados pelos atributos essenciais da APS destacaram-se como estratégias prioritárias para ofertar cuidados contínuos e longitudinais no contexto da pandemia.
 
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O suicídio representa atualmente um sério problema de Saúde Coletiva, sendo a segunda causa de morte em jovens na Itália, na França e no Reino Unido e a terceira nos EUA. Este trabalho objetiva estudar a mortalidade por suicídio em adolescentes residentes nas cinco regiões do Brasil, comparativamente, no período de 1991 a 2001, revendo também os principais fatores de risco (FR) descritos na literatura. Metodologia: trata-se de um estudo epidemiológico, com enfoque sobre a Saúde Mental Juvenil. Foram utilizados os dados do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde. Realizou-se a revisão da literatura por meio dos Sistemas Lilacs e Medline, além de livros temáticos. A discussão, de forma contextualizada, teve por base o Pensamento da Complexidade proposto por Edgar Morin. Resultados: foram registrados 69.811 óbitos por suicídio no período estudado, sendo 6.985 casos no grupo dos adolescentes. Os maiores Coeficientes de Mortalidade/100 mil habitantes ocorreram preponderantemente na região sul (1992 a 1994; 1996 a 1998; 2001), seguida pela região centro-oeste. Os principais FR descritos foram história de tentativas anteriores, ideação suicida, maus tratos, condições socioeconômicas precárias, doenças crônicas severas, impulsividade, depressão e esquizofrenia. O suicídio reflete características e valores relevantes de uma sociedade. Representa um sistema complexo e deve ser sempre analisado no contexto individual, social e coletivo. A atuação do profissional de Atenção Primária à Saúde (APS) é fundamental para a prevenção, por meio da identificação dos fatores e situações de risco, no contexto individual, familiar e comunitário.
 
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No dia 1 de agosto de 2019, o presidente Bolsonaro e seu Ministro da Saúde lançam o Programa Médicos pelo Brasil como aquele que, segundo os mesmos, substituirá o Programa Mais Médicos. O propósito deste artigo é contribuir para uma análise desta mais recente proposta de política de saúde no âmbito da Atenção Primária à Saúde no contexto do Mais Médicos e das demais políticas de desenvolvimento e qualificação da ESF no país no período de 1994 a 2019.
 
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Este estudo pretende, por meio da perspectiva das ciências econômicas, ampliar a compreensão sobre funcionamento do sistema de saúde, utilizando o instrumental disponível nesta área do conhecimento, as avaliações econômicas, para avaliar uma importante política pública proposta pelo governo federal e implantada em todo o país: o Programa de Saúde da Família. Nesta primeira aproximação será feito um estudo de caso do município de Porto Alegre, no período de 1998 a 2002. O objetivo do estudo é criar um instrumento de gestão dos custos do programa, que permita o monitoramento e redirecionamento das ações quando se fizer necessário. Foi feita extensa revisão da literatura e, para a construção do instrumento de gestão de custos, foi necessário o levantamento dos processos de trabalho, da estrutura gerencial da secretaria e por fim dos dados de despesa e produção para o calculo dos custos do programa. O estudo demonstrou que não houve variação importante dos custos totais do programa no período, mas houve grande variação em algumas categorias especificas de custo. Além disso, mostrou que as diferentes unidades de saúde possuem diferentes custos que estão relacionados com o tamanho da equipe ou com a população adscrita.
 
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Introdução: A Espiritualidade Humana vem sendo tema exaustivamente discutido na atualidade e se torna cada vez mais necessária na prática de assistência à saúde. Pode ser definida como um sistema de crenças que enfoca elementos inatingíveis, que transmite vitalidade e significado a eventos da vida. Objetivo: O presente estudo tem como objetivos conhecer a opinião dos estudantes de graduação de enfermagem sobre aspectos da espiritualidade no ser humano e verificar sua importância no ensino e sua abordagem na vida acadêmica. Método: Trata-se de pesquisa exploratória qualitativa, que utilizou como instrumento de coleta de dados um questionário composto por questões semi-estruturadas. Os sujeitos da pesquisa constituíram-se de acadêmicos do 1° e 8° semestres do curso de graduação em enfermagem de um centro universitário da rede particular de ensino superior da cidade de São Paulo. O tratamento dos dados teve como referencial teórico o método de análise de conteúdo de Bardin. Conclusão: Conclui-se que os entrevistados apresentam dificuldade em diferenciar espiritualidade de religiosidade, o que pode vir a influenciar no cuidado espiritual a ser prestado quando enfermeiros formados. Os depoimentos dos acadêmicos ingressantes (1º semestre) revelam que esses suprimiriam o tema do conteúdo programático, enquanto que os formandos do 8º semestre consideram a espiritualidade um tema essencial para discussão, após terem enfrentado o sofrimento humano em seu período de estágio prático. Quanto ao ensino da espiritualidade, verificou-se pelos discursos dos entrevistados que o tema é abordado de maneira superficial e subjetiva durante a vida acadêmica. Sugere-se que deve ser proposta a inclusão efetiva de conteúdos sobre a espiritualidade humana na grade curricular dos cursos de graduação em Enfermagem, considerando, inclusive o estudo dos diagnósticos de enfermagem relativos à espiritualidade da North American Nursing Diagnosis Association como um objeto de estudo essencial para o futuro enfermeiro compreender o paciente como um todo, buscando elevar sua qualidade de vida no enfrentamento do processo do adoecer.
 
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Os participantes do 1º Simpósio Internacional de Saúde Planetária, reunidos em Porto Alegre, propõem que se dissemine a discussão do tema e se articule a resposta e a contribuição do sistema de saúde aos crescentes desafios que enfrenta a saúde da população decorrentes da mudança climática, poluição, redução da biodiversidade e outros fatores ambientais
 
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Objetivo: Descrever a série temporal das internações por condições sensíveis à atenção primária (ICSAP) no estado do Espírito Santo, no período de 2000 a 2014, segundo sexo, faixa etária, porte municipal, macrorregiões e grupos de causa, e investigar os fatores associados à ocorrência dessas hospitalizações. Métodos: Estudo ecológico de série temporal das ICSAP ocorridas de 2000 a 2014. A análise da série temporal foi realizada pelo método Cochrane-Orcutt, e para a análise de regressão multivariável multinível usou-se o modelo de regressão binomial negativa. Resultados: As ICSAP diminuíram 28,79% no período. As maiores taxas foram observadas entre os idosos e as crianças menores de cinco anos, e reduziram mais entre idosos e adultos. Os principais grupos de causas foram as gastroenterites infecciosas e complicações, a infecção no rim e trato urinário, e a insuficiência cardíaca. Houve redução das taxas de ICSAP na medida em que cresceu a taxa de cobertura da estratégia saúde da família (0,60, IC: 0,56-0,66), a proporção de médicos (0,90, IC: 0,84-0,96), de pretos e pardos (0,88, IC: 0,83-0,93) e de pessoas com ensino médio (0,87, IC: 0,76-0,99), enquanto houve acréscimo dessas hospitalizações a cada aumento do produto interno bruto per capita, do índice de Gini, da taxa de urbanização, dos leitos hospitalares e dos planos de saúde. Conclusão: A expansão e consolidação da estratégia saúde da família são importantes para a redução das ICSAP no estado dentre outros fatores, como recursos de saúde e fatores socioeconômicos.
 
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Resumos dos Trabalhos sobre Educação Apresentados no VI Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade Hotel Glória Rio de Janeiro — Abril de 2004.
 
Prevalência de HAS em idosos de acordo com grau de escolaridade e região geográfica entre 2006 e 2010. *Prevalência significativamente maior com relação aos outros níveis de escolaridade dentro da região. Fonte: dos autores, elaborado com dados coletados no DATASUS.  
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Objective: to observe the evolution of the prevalence of hypertension in the Brazilian elderly population between 2006 and 2010. Methods: descriptive, ecological, quantitative study of the prevalence of hypertension among the Brazilian population aged 65 years or above, with data collected through telephone interviews from 2006 to 2010, obtained from the Information Technology Department of the Brazilian Public Health System (DATASUS), related to sex, region and education. Results: we found no significant difference in the prevalence of hypertension across Brazilian regions in the period analyzed. In women aged 65 years or above, the prevalence of hypertension was higher than in men in that same age group. With regard to education, we found that in people with 9-11 years of schooling the prevalence of hypertension in 2006 was significantly lower than in 2008 and 2009. Across Brazilian regions, the lower the education level the higher the prevalence of hypertension. Conclusion: The prevalence of hypertension in the population aged 65 years or above did not follow a linear trend but remained elevated, predominantly in elderly females and elderly people with low schooling, calling attention to the importance of preventing risk factors and to the long-term follow-up of people with hypertension.
 
Quadro 3. Os seis códigos mais frequentes do componente Sinais e Sintomas do Capítulo de Problemas Sociais (Z) da CIAP-2 por ano, entre 2006 e 2011. 2006 2007 2008 2009 2010 2011 (Z)S (Z)A (Z)S (Z)A (Z)S (Z)A (Z)S (Z)A (Z)S (Z)A (Z)S (Z)A 
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Objective: To study the classification trend in ICPC-2, Z Chapter, in the period 2006-2011, in terms of frequency in variation of the total number of sign and symptom components; volume of “population-adjusted classification”; and - based on SOAP for collecting information - which of its components were more frequently recorded in the Subjective (S) and Assessment (A) fields. Methods: Cross-sectional, observational, descriptive study of electronic registries in the SAM (Serviço de Apoio ao Médico - medical visit assistant software) using data collection tool (SAM-Statistics) in August 2012 in Coimbra, central Portugal. Classification volume was studied using codes/1000 inhab/day. The population for each year was calculated based on the middle of each study period. The six most frequent codes in each year were selected. Results: A positive increasing trend was found between 2006 and 2011 in the Subjective and Assessment recording fields, in terms of the total of codes (S:+4,83; A:+6,44) and classification volume - codes/1000 inhab/day (S:+4,40; A:+6,44), as well as in the percentage of different components of the Z sign and symptom codes (S: +0,30; A: +0,56). Conclusions: From 2006 to 2011, a positive trend was found in the ICPC-2 Z Chapter classification, which was more important in Assessment (A), and the type of components recorded through the SOAP method. Hence, continuing medical education is still necessary to improve performance in the crucial task of classification, registering and clinical noting to avoid lack of clinical information.
 
Relação entre o número de casos notificados de dengue e o índice pluviométrico mensal, em mm, no município de Aracaju, Sergipe, 2008. Fonte: SINAN/Centro de Meteorologia da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, (2012) 14 .  
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p class="Textoabstract"> Introduction: Dengue is a major public health problem in Brazil, characterized as acute febrile illness with clinical spectrum ranging from unspecific febrile to severe manifestations such as bleeding and shock. The dengue epidemiological surveillance (ES) must be agile enough to detect early outbreaks and cases of severe outcome, reducing lethality. Objectives: To study the epidemiology of dengue in the city of Aracaju in 2008. Methods: We performed a cross-sectional study, which used the following variables: sex, patient age, race, epidemiological week of notification, health district, classification of the clinical form of the disease, serological test results (Mac-Elisa) and death. The information was collected from the database of the Information System for Notifiable Diseases of the Secretary of Health of Sergipe. The data were formatted in another database, using the Microsoft Office Excel Ò , and later transferred to Stats Direct (version 2.7.9), which we performed a statistical analysis. Results: We reported 11348 suspected dengue cases and 10165 confirmed cases of dengue, assuming an incidence rate of 1.89 cases/1000 inhabitants in 2008. The incidence rate (cases/1000 inhabitants) were most affected females (20.5), 5 to 15 years (26.1) and brown skin color (28.1). With regard to epidemiological week, it was observed the period between the 9 th and 24 th week was the most epidemic. The most affected district was the fourth (22.3). As for the serological test, 43.1% of the serious cases were confirmed without their realization. Of the confirmed cases, 96.1% were classified as dengue fever, 2.6% such as dengue fever with complications and 1.2% such as Dengue Hemorrhagic Fever and only 2 patients (0.02%) with dengue shock syndrome. The final diagnosis of dengue compared to serology had had a sensitivity of 99.4% and a specificity of 97.0%. The fatality rate in severe cases was 4.6%. Conclusion: better understanding the epidemiology of the disease will allow the improvement of surveillance, detecting earlier and avoiding new epidemic disease. Introducción: El dengue es un problema importante de salud pública del Brasil, que si caracteriza como una enfermedad febril aguda con espectro clínico que van desde fiebre inespecífica a manifestaciones más graves como la hemorragia y el shock. La vigilancia epidemiológica del dengue debe ser lo suficientemente ágil para detectar los brotes y principios de los casos graves, y reducir la mortalidad. Objetivos: Estudiar la epidemiologia del dengue en la ciudad de Aracaju, en 2008. Métodos: Se realizó un estudio transversal, que utiliza las siguientes variables: sexo, edad del paciente, color de la piel, la semana epidemiológica de declaración, el distrito sanitario, clasificación de la forma clínica de la enfermedad, los resultados de serología (Mac-Elisa) y la muerte. La información se obtuvo a partir de la base de datos del Sistema de Información de Enfermedades de Declaración Obligatoria de la Secretaría de Estado de Salud de Sergipe. Los datos se formatearon en otra base de datos, con el uso de Microsoft Office Excel Ò , y más tarde transferida al software Stats Direct (version 2.7.9) que se realizó un análisis estadístico. Resultados: Se registraron 11348 casos sospechosos e 10165 casos confirmados del dengue, asumiendo una tasa de incidencia de 1,89 casos/1.000 habitantes en 2008. Las tasas más altas de incidencia fueron mujeres (20,5), edad entre 5 y 15 años (26,1) y piel de color pardo (28,1). Con respecto a la semana epidemiológica, se observó el período comprendido entre el 9 º y 24º semana con el mayor número de casos. El distrito sanitario con mayor coeficiente fue el cuarto (22,3). En cuanto a la serología, 43,2% de los casos más graves se han confirmado sin su realización. De los casos confirmados, 96,1% fueron clasificados como dengue, 2,6% como dengue con complicaciones y 1,2% como el dengue hemorrágico. Apenas 2 casos (0,02%) como síndrome de choque del dengue. El diagnóstico final en comparación con la serología tiene una sensibilidad del 99,4% y una especificidad del 97,0%. La tasa de mortalidad en los casos graves fue del 4,6%. Conclusión: una mejor comprensión de la epidemiología de la enfermedad permitirá la mejora de la vigilancia, la detección temprana y evitar nuevos brotes. Introdução: a dengue é um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil, caracterizando-se como doença febril aguda, com espectro clínico variando desde quadros febris inespecíficos até manifestações graves com hemorragia e choque. A Vigilância Epidemiológica (VE) da dengue deve ter agilidade suficiente para detectar precocemente as epidemias, e juntamente com a organização da rede de assistência, minimizar os casos de evolução grave, reduzindo a letalidade. Objetivos: estudar o perfil epidemiológico da dengue na cidade de Aracaju no ano de 2008. Métodos: foi realizado um estudo transversal, sendo utilizadas as seguintes variáveis: sexo, idade do paciente, cor da pele, semana epidemiológica de notificação, região de saúde, classificação da forma clínica da doença, resultado do exame (Mac-Elisa) e óbito. As informações foram colhidas do banco de dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe. Os dados foram formatados utilizando o programa Microsoft Office Excel Ò e transferidos para o Stats Direct (versão 2.7.9), onde foi realizada a análise. Resultados: foram notificados 11348 casos e 10165 casos confirmados de dengue, com taxa de incidência de 1,89 casos/1000 habitantes em 2008. A maior incidência (por mil habitantes) foi sexo feminino (20,5), entre os 5 e 15 anos (26,1) e cor de pele parda (28,1). No que se refere à semana epidemiológica, o período compreendido entre a 9 a e a 24 a semanas apresentou o maior número de casos. A região de saúde com maior coeficiente foi a quarta (22,3). Quanto à realização do exame, 43,1% dos casos graves foram confirmados sem a sua realização. Dos casos confirmados, 96,1% foram classificados como dengue clássica, 2,6% como dengue com complicações, 1,2% como febre hemorrágica da dengue e apenas 2 casos (0,02%) como síndrome do choque da dengue. O diagnóstico final de dengue comparado à sorologia apresentou uma sensibilidade de 99,4% e uma especificidade de 97,0%. A taxa de letalidade nos casos graves foi de 4,6%. Conclusão: o melhor entendimento epidemiológico da doença permitirá o aprimoramento da vigilância, detectando mais precocemente e evitando novas epidemias da doença.</p
 
Fragilidades e fortalezas: Matriz SWOT/Comparação com dimensões da PNAB.
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Objetivo: descrever os aspectos da expansão da Estratégia Saúde da Família à luz dos relatórios gerenciais e documentos oficiais de uma área da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro no período 2009-2012, identificando fortalezas e fragilidades. Métodos: as análises foram sistematizados considerando as dimensões das mudanças ocorridas na estrutura e processos e resultados em curto prazo; sistematizados na matriz SWOT. Resultados: identificou-se investimentos em processos formativos para diversas categorias profissionais, implantação da Carteira de Serviços, Protocolo de Enfermagem, Prontuário Eletrônico e Academia Carioca, ampliação do acesso aos serviços e participação mais ativa das lideranças locais. Conclusão: ainda há fragilidades, como a articulação das Redes de Atenção à Saúde, porém todo esse processo é contínuo, em sintonia com a Política Nacional de Atenção Básica, na perspectiva da integralidade, coordenação do cuidado e superação de paradigmas no campo da saúde, possibilitando uma mudança na concepção do processo saúde-doença. Foi possível observar mudanças incrementais e algumas inovações importantes, tais como a ampliação da cobertura e do escopo das ações no âmbito da atenção primária à saúde.
 
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Podemos dizer que 2011 foi um bom ano para a Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMFC). Neste ano, a RBMFC lançou seu site (disponível em www.rbmfc.org.br), disponibilizando seus artigos com acesso livre e irrestrito para a comunidade leiga e científica; obteve várias indexações em bases de dados nacionais e internacionais importantes; assistiu a submissão de manuscritos crescer consideravelmente; e fechou o ano com um incremento na sua classificação Qualis-CAPES, conjunto de procedimentos utilizados pela Capes para medir a qualidade das revistas científicas nacionais e internacionais, saindo do nível C, em 2010, para B4, em 2011 (área de Saúde Coletiva). Isso significa, entre outras coisas, uma maior pontuação para os pesquisadores e programas de pós-graduação que tenham artigos publicados na RBMFC. Indexar a RBMFC em bases de dados nacionais e internacionais promove a visibilidade e a consequente elevação da qualidade do periódico científico, e a elevação de nível no Qualis-CAPES é resultado desse trabalho. Uma conquista fundamental em 2011 foi a obtenção do digital object identifier (DOI), e nos estenderemos um pouco mais nessa inovação para a RBMFC. O DOI é utilizado para identificar um conteúdo na Internet por meio de um número único. Assim como o número do Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou a impressão digital, o DOI nunca se repete, e cada arquivo ou artigo tem o seu número exclusivo. Um arquivo da rede que recebe o DOI tem seu conteúdo registrado em um endereço único, possibilitando a estabilidade do link. O DOI também valida o documento ou objeto eletrônico que o usuário está acessando. Se o usuário acessar o documento pelo link DOI, ele estará acessando o documento oficial e autêntico. O sistema DOI foi criado em 1990 juntamente com a International DOI Foundation na Inglaterra para implementar e inovar sistemas existentes1. Há diversas agências que centralizam e gerenciam o DOI, sendo a maior delas a Crossref2 (criada por editores científicos pela International Publishers Linking Association, Inc. – PILA, em 2000). A RBMFC esta afiliada à Crossref desde 2011, recebendo o prefixo 10.5712. Já serão registrados os artigos a partir da edição 19 com links personalizados, e os DOIs das edições anteriores serão acrescentados progressivamente, num futuro próximo. Ainda em 2011, a RBMFC passou a ser listada em alguns indexadores nacionais e internacionais, tais como: Portal do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER/IBICT)3, Portal Periódicos da Capes4, Journal List Public Knowledge Project (PKP)5, Latindex6, Sumários.org7 e Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CNN)8. Em janeiro de 2012, foram colhidos frutos do trabalho realizado em 2011 com a entrada no Directory of Open Access Journals (DOAJ)9. O objetivo do DOAJ é aumentar a visibilidade dos periódicos científicos de acesso aberto, os quais usam um modelo de financiamento que não cobra dos leitores o acesso a seu conteúdo, promovendo assim sua maior utilização e impacto. Ainda, o DOAJ pretende ser abrangente e cobrir todas as disciplinas científicas e acadêmicas em todas as línguas. Atualmente, este indexador já ultrapassa 7.500 periódicos e 790.000 artigos indexados e está presente em inúmeros países. A RBMFC adota a política de direitos autorais Creative Commons Atribuição-Uso não comercial 3.010, pois defende o direito dos usuários de “pesquisar, ler, baixar, copiar, distribuir e imprimir os textos completos desses artigos e ainda criar obras derivadas citando os autores”. Esse é um dos critérios obrigatórios para que o periódico possa ser incluído no diretório DOAJ, além do cumprimento da cientificidade e normalização: ter registro na International Standard Serial Number (ISSN), além de um conselho editorial não endógeno e acessível com indicações de afiliação institucional. A maioria dos textos publicados no periódico deve ser fruto de uma pesquisa científica original e todo conteúdo deve ser disponível em texto integral, com critérios de publicação explícitos nas normas de submissão para autores. Exige ainda que os periódicos utilizem um sistema de controle de qualidade para garantir o conteúdo. A revista deve exercer peer-review, ou seja, os artigos são submetidos em um sistema que o editor indica no mínimo dois avaliadores, mantendo-se o anonimato entre os autores e revisores. Por meio da informação dos metadados no Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), é possível coletar, organizar e disseminar os artigos da RBMFC de forma que permita que bibliotecas em todo o mundo possam integrar RBMFC em seus catálogos online. Como parte da política de expansão e divulgação da Revista, exemplares da RBMFC impressa foram enviados para mais de 780 programas de pós-graduação, distribuídos nas áreas de Saúde Coletiva, Enfermagem, Odontologia, Gerontologia, Promoção da Saúde e Psicologia, além de 110 bibliotecas, periodicamente. Sempre solicita-se que as bibliotecas que recebem a Revista cadastrem-na no CNN8 para eventuais permutas, por meio do Programa de Comutação Bibliográfica (Comut)11. Ainda são muitos os desafios presentes e futuros. Além da manutenção dos níveis elevados de qualidade e da busca por novas indexações (LILACS, Scopus, ScIELO, MEDLINE, entre outras), um dos grandes desafios da Revista (e da maioria das revistas científicas do mundo afora) é a sustentabilidade financeira. A edição de uma revista científica é cara, envolvendo o suporte técnico de uma editora especializada, com gastos que ultrapassam R$ 30.000 por cada edição lançada, variando com o número de exemplares impressos (tiragem impressa). Nesse momento, a RBMFC é financiada pela Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), com verbas provenientes das anuidades de seus associados e dos convênios com o Ministério da Saúde e outros órgãos. Como essas verbas podem variar, o desafio é garantir outras formas de financiamento, lembrando que a SBMFC tem a (boa) política de não aceitar patrocínios da indústria farmacêutica (que é a principal patrocinadora da maioria das revistas científicas brasileiras e internacionais). A outra parte do desafio é diminuir custos sem perder a qualidade do periódico, e um dos caminhos seria racionalizar a tiragem impressa, o que já está sendo estudado. Continuamos afiliados à Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC), participando dos cursos e eventos promovidos com o objetivo de aperfeiçoar o trabalho e atualizar as técnicas de editoração. Essa evolução e transposição dos desafios colocados apenas são possíveis com a confiança de nossos leitores, autores e revisores na qualidade editorial da RBMFC. Vale sublinhar aqui o excelente e árduo trabalho de nossos revisores, que se voluntariam e altruisticamente dedicam várias horas para a revisão minuciosa dos manuscritos, sempre com o cuidado de não somente criticar, mas fundamentalmente auxiliar para a melhora da qualidade dos artigos submetidos. Nessa edição, será listado num documento separando todos os profissionais, docentes e pesquisadores que contribuíram com a RBMFC em 2011. Finalizamos desejando um excelente 2012 para a RBMFC!
 
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Objetivo: Este estudo pretendeu conhecer aspectos dos utentes e consultas em que se fez pela primeira vez o diagnóstico de depressão. Métodos: Estudo observacional, transversal e descritivo. População obtida por aplicação de critérios de exclusão aos utentes que, em consulta durante 2011, tiveram em “Avaliação” a codificação “Perturbações depressivas”. Pela análise do registro da consulta, estudaram-se as variáveis: idade, sexo, mês, tipo de consulta, consulta presencial/não presencial, sinais/sintomas depressivos anotados e/ou codificados, prescrição de psicofármacos, prescrição pela primeira vez/renovação de receituário. No caso de prescrição pela primeira vez: psicofármacos segundo grupo farmacológico e Denominação Comum Internacional, prescrição de antidepressivo na dose terapêutica e referência ao tempo de tratamento antidepressivo. Resultados: População de 105 indivíduos. Consultas maioritariamente presenciais (79%). Maior codificação de sinais/sintomas depressivos que anotação apenas ou que anotação e codificação. O sinal/sintoma mais codificado foi “Sensação de depressão” (28%). Houve prescrição de ansiolíticos isoladamente e um caso de prescrição subterapêutica do antidepressivo. Quanto à duração do tratamento antidepressivo, em 13,7% das receitas houve menção de que o tratamento deveria prolongar-se no mínimo por 6 meses. Conclusão: A obtenção de uma população pequena e possíveis vieses de informação foram limitações encontradas. Achamos curioso que o sinal/sintoma depressivo mais codificado fosse “Sensação de depressão”. É necessário melhorar os registros clínicos e prescrição na depressão.
 
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Introdução: As poucas avaliações de implementação de programas de telessaúde no Brasil mostram uma pequena utilização de seus serviços, devendo-se conhecer as razões disto. Objetivou-se analisar as taxas de utilização do serviço de teleconsultoria do Programa Telessaúde Espírito Santo no período de 2012 a 2015, verificando a influência de estratégias de fomento à sua utilização. Métodos: Estudo descritivo com base em dados secundários de perfil dos profissionais cadastrados e produção de teleconsultorias e webconferências. Resultados: No período analisado, foram 3076 profissionais cadastrados, sendo que 381 (12,4%) realizaram 2182 consultorias (41,4% solicitadas por enfermeiros), configurando uma utilização do serviço inferior ao seu potencial. Os dados sugerem que a utilização do serviço de teleconsultoria está associada à participação em seminários regionais (aumento de 15,5% no número de profissionais atuantes; p=0,037); que a gestão de cadastros dos profissionais tem impacto limitado; que há correlação positiva forte (r=0,73; p=0,016) entre uso de teleconsultoria e de teleducação; e que a monitoria de campo pode influenciar positivamente. Conclusão: O uso dos serviços de Telessaúde é pequeno, sendo que o foco de suas ações deva ser seu usuário final com vias a sua sustentabilidade.
 
Cobertura da vacina meningocócica C em criancas menores de um ano de idade segundo (A) Renda média per capita e (B) Coeficiente de Gini. Brasil, 2012.  
Cobertura da vacina meningocócica C em crianças menores de um ano de idade e cobertura da Estratégia de Saúde da Família das cinco regiões do Brasil. Brasil, 2012. no Nordeste. Ainda, foi observada uma relação negativa entre a cobertura vacinal e o coeficiente de Gini, e positiva com a renda média per capita. Comparação com a literatura Embora a vacina meningocócica C faça parte do calendário de vacinação infantil desde 2010 e que suas doses sejam obrigatórias, 19 existem fatores que contribuem para que a primeira e a segunda dose da vacina tenham atingido um maior percentual da população alvo. Entre eles, está a maior utilização de serviços de saúde nos menores de um ano em relação às crianças mais velhas, devido à puericultura e aos cuidados de Saúde da Mulher, 20 podendo justificar a diferença na cobertura entre essas doses e o reforço. Outra possível justificativa é o fato de que a dose de reforço não é considerada no cálculo da cobertura vacinal, podendo resultar em menor intensidade na busca dos usuários não vacinados por parte da unidade de saúde. 21 No entanto, independentemente do motivo da menor cobertura, o baixo percentual da dose de reforço é preocupante, uma vez que a administração dessa dose é o que garante a imunidade da criança a longo prazo. 19 Estudo realizado por Sáfadi e Barros 22 evidenciou que a proteção conferida pela vacina meningocócica C conjugada mostrou-se diretamente relacionada à idade em que esta é administrada, ou seja, nas crianças que recebem a vacina com mais de um ano de idade, a proteção foi maior e mais duradoura do que naquelas que a recebem em esquemas de rotina nos primeiros meses de vida. Esses resultados enfatizam que a dose de reforço é indispensável e deve receber maior atenção. 22  
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Objetivos: Descrever a cobertura da vacina meningocócica C em crianças menores de um ano de idade, em 2012, nos estados e regiões do Brasil, e correlacionar com variáveis socioeconômicas e cobertura da Estratégia de Saúde da Família. Métodos: Estudo ecológico. A cobertura vacinal foi calculada utilizando o número de doses da vacina em 2012, disponível no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações, como numerador, e população residente menor de um ano, também em 2012, como denominador. Ainda, foi realizada uma correlação de Pearson (r) entre a cobertura vacinal e as variáveis socioeconômicas. Resultados: As regiões Norte e Nordeste não atingiram a recomendação de 95% para cobertura. A cobertura vacinal apresentou correlação positiva moderada com renda média per capita (r=0,6) e negativa e moderada com o coeficiente de Gini (r=-0,5). Conclusão: São necessárias ações educativas e políticas para aumentar a cobertura vacinal com objetivo de reduzir a incidência da doença meningocócica, além de estudos com delineamentos mais robustos.
 
Fluxograma da população amostral. 
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Objetivo: Avaliar as dimensões de qualidade dos dados de prontuários eletrônicos de gestantes acompanhadas na Atenção Primária à Saúde de Vitória, Espírito Santo, e comparar sua completude por modelos de assistência em saúde (Unidades Básicas Tradicionais e Saúde da Família com e sem Apoio Matricial). Métodos: Estudo transversal, das dimensões de qualidade da ficha clínica de pré-natal do prontuário eletrônico de gestantes do município de Vitória, Espírito Santo, Brasil, no período de 1 de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2014. Foram avaliadas: cobertura, não duplicidade, acessibilidade, oportunidade, clareza metodológica, completude, consistência e confiabilidade. Resultados: Excluídas as duplicidades de cadastro, foram analisados 690 prontuários. A cobertura pré-natal, considerando o início do pré-natal, foi de 80%. Mesmo com a restrição de acesso, de oportunidade e a falta de clareza metodológica, a ficha clínica apresentou consistência e completude excelentes nos campos de procedimentos obstétricos e exames laboratoriais. As variáveis raça materna, situação conjugal, planejamento da gravidez e risco gestacional apresentaram completude ruim, variando conforme modelo de assistência em saúde. A confiabilidade mostrou discordâncias com o Sistema de Informação de Nascidos Vivos. Conclusão: Há potencial do prontuário eletrônico como fonte de informação epidemiológica sobre a assistência pré-natal. Contudo, sua confiabilidade é prejudicada pela falta de integração dos dados com os demais níveis de atenção e sistemas de informação e sua completude é deficiente em alguns aspectos. Os dados sugerem que a presença do Apoio Matricial não influencia significativamente a completude do prontuário. Maior ênfase no preenchimento do prontuário e integração com outros níveis de atenção é necessária.
 
Diagrama de etapas para a busca e seleção dos artigos. Fonte: Autores (2018).
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Introdução: De acordo com a Resolução nº 3, de 2014, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Curso de Graduação em Medicina, o(a) graduando(a) em Medicina deve ter formação geral, humanista, crítica, reflexiva e ética, com capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde, dentre estes, a prevenção. A investigação diagnóstica deve ser realizada com base nas melhores evidências científicas e conforme as necessidades da pessoa. Nesse sentido, a prevenção quaternária e seus princípios têm relação com os objetivos da DCN. Objetivos: Realizar a intersecção a partir de periódicos científicos brasileiros entre a prevenção quaternária e o ensino médico após a implantação da DCN de 2014. Métodos: Revisão integrativa dos artigos disponíveis nas plataformas da CAPES, Scielo, PubMed e Google Acadêmico, a partir do ano de 2014 até outubro de 2017, por meio das palavras chave “prevenção quaternária” e “educação”. Critérios de exclusão: artigos patrocinados por indústrias farmacêuticas, indisponíveis na íntegra, sem resumo e estrangeiros. Resultados: Foram encontrados 33 documentos e 9 artigos selecionados para análise, voltados principalmente para a prática da prevenção quaternária. Apenas 3 estudos fazem alusão à educação médica. Conclusão: A prevenção quaternária é um tema de grande relevância na prática médica, entretanto, ainda é deficiente na graduação, baseado nas restritas produções disponíveis. Apesar da nova DCN do curso de medicina, o ensino médico no cenário atual é predominantemente voltado para especialidades, dificultando a atuação integral e centrada na pessoa.
 
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É com muita satisfação que publicamos o número 34, volume 10, da Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMFC), inaugurando o ano de 2015. A partir deste número, estamos indexados na base LILACS de forma condicional, a decisão final estando dependente dos próximos dois números da revista. Para consolidar essa conquista e buscar novas indexações, estaremos ao longo deste ano implementando novas melhorias, como reformulação do corpo editorial, qualificação do processo de revisão por pares, aumento do número de artigos publicados, adaptações no layout, criação de novas seções (p.ex., resenhas e clube de revista) e publicação ‘Online First’ (disponibilização online dos artigos após sua aprovação, antes de sua efetiva publicação). Essa iniciativa visa dar mais dinamismo ao periódico e sintonizar com as tendências internacionais de produção de artigos científicos. Assim, a RBMFC passará a publicar os artigos aprovados pelo corpo editorial de forma mais continuada na medida em que os artigos tenham seus processos de editoração finalizados. Desse modo, a edição trimestral será composta pela seleção do conjunto de artigos já publicados. Os PDFs dos artigos passarão a estar disponíveis no website www.rbmfc.org.br com links para os artigos online. Estamos dessa forma buscando garantir um fluxo de publicação mais contínuo dos temas mais pesquisados na área da Atenção Primária à Saúde e medicina de família. Cada artigo online possui um identificador único, ou DOI. Este identificador deve ser usado ao serem citados quaisquer artigos publicados pela RBMFC. A forma da citação, como no exemplo a seguir http://dx.doi.org/10.5712/ rbmfc10(34)1111 aparece em todos os artigos já publicados pela RBMFC. No entanto, a revista não fará mais a numeração continuada de páginas que impossibilitava tal adequação ao dinamismo exigido atualmente pelos periódicos científicos. Essas inovações ocorrerão de forma gradual ao longo deste ano. Os médicos de família e comunidade Gustavo Gusso e Paulo Poli assumirão como os editores-chefes, contribuindo com sua bagagem clínica, de gestão e de ensino universitário. Passaremos também a contar com um maior número de editores associados, para acelerar e qualificar o processo de revisão por pares. Além disso, a Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC), à qual a RBMFC é filiada, firmou acordo com o sistema iThenticate, o que permitirá que todos os artigos submetidos à revista passem por avaliação quanto ao teor de plágio. Neste número, aumentamos a proporção de artigos originais e revisões sistemáticas, contando com 7 artigos originais e 2 revisões sistemáticas. Os temas são variados, refletindo o amplo escopo da nossa especialidade e do campo da Atenção Primária à Saúde (APS). Os temas dos artigos originais incluem: Medicina Centrada na Pessoa; associação entre depressão e hiperutilização de serviços de saúde; percepções dos profissionais de saúde sobre a Estratégia Saúde da Família; acolhimento e Núcleo de Apoio à Saúde da Família; conhecimento na comunidade sobre parasitoses intestinais; conhecimentos dos agentes comunitários de saúde sobre crack e outras drogas; e associação entre risco familiar e saúde bucal. As revisões sistemáticas abordam o burnout de médicos da APS e a produção científica sobre avaliação na APS no Brasil. Publicamos também um ensaio que descreve o modelo de acompanhamento do pré-natal e do parto de risco habitual por obstetrizes na Inglaterra e propõe sua adaptação para a realidade brasileira, bem como um relato de dois casos clínicos sobre fluorose dentária e um relato de experiência sobre o uso de metodologias ativas no ensino da medicina de família e comunidade na graduação. A entrevista deste número é com o subsecretário geral de saúde do Rio de Janeiro, José Carlos Prado Jr, em que este relata as estratégias utilizadas pelo município para aumentar o número de vagas de residência em Medicina e Família e Comunidade efetivamente ocupadas. Por fim, inauguramos neste número uma seção de resenhas de livros relevantes para a nossa prática clínica, abordando desta vez o livro Estratégias da Medicina Preventiva, de Geoffrey Rose. Desejamos a todos uma boa leitura! Michael Schmidt Duncan Armando Henrique Norman Leonardo Ferreira Fontenelle Editores
 
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Objetivo: Analisar o estado atual da cobertura vacinal (CV) de crianças menores de três anos no município de Fortaleza, CE, e sua relação com a condição socioeconômica das famílias. Métodos: Pesquisa transversal de base populacional com amostragem aleatória. As informações foram obtidas por meio da aplicação de questionários e conferência de Cadernetas de Saúde quanto ao estado vacinal, bem como de dados ecológicos de desenvolvimento humano. A CV foi estimada em crianças na faixa etária de 19 a 36 meses. Resultados: Observou-se que 45,2% das crianças estudadas apresentavam-se com a CV recomendada pelo Ministério da Saúde (MS). Além disto, verificou-se fatores socioeconômicos determinantes de cobertura vacinal e que áreas descobertas de Agentes Comunitários de Saúde apresentaram pior cobertura. Conclusão: O presente estudo revela que é necessário fortalecer as ações que aumentem as cobertura vacinais no município.
 
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A Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMFC) agradece aos Avaliadores listados abaixo que atuaram como revisores ad hoc durante o ano de 2018, dedicando horas voluntariamente para a emissão de pareceres técnicos sobre manuscritos submetidos a esta revista.
 
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Durante los días 13 y 14 marzo de 2018 en Cal, Colombia se realizó la VII CUMBRE IBEROAMERICANA DE MEDICINA FAMILIAR con el tema: “CUARENTA AÑOS DE ALMA ATA: MEDICINA FAMILIAR Y SALUD DE LA FAMILIA, UN CAMINO PARA LA PAZ”.
 
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O ano de 2019 marcou a estruturação das bases para uma profunda reforma na Atenção Primária à Saúde (APS) do Brasil. Os desafios enfrentados através dessa reforma foram a falta de priorização política real da APS, o financiamento insuficiente da APS e focado na estrutura de serviços, os obstáculos ao acesso de primeiro contato, a escassez de profissionais qualificados, a necessidade de maior informatização da APS e a ausência de integração de dados clínicos, a fragilidade clínica e necessidade de ampliação do escopo profissional e a falta de informação de qualidade para tomada de decisão clínica e gerencial. Com ações direcionadas a cada um desses desafios, a Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde criou estratégias sistêmicas e integradas entre si que representam mudanças estruturantes e investimentos em governança clínica para transformar a APS brasileira, garantindo mais e melhor saúde para a população, com mecanismos transparentes e técnicos para seu financiamento, organização, oferta, monitoramento e avaliação.
 
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Formar novos médicos de família é um desafio em qualquer cenário e muitas variáveis podem influenciar o sucesso ou o fracasso de um programa de residência. Este artigo é o resultado final de um trabalho colaborativo iniciado em junho de 2019, na Conferência Regional WONCA África em Kampala, Uganda, durante um workshop liderado pelo Centro Besrour do Colégio Canadense de Medicina de Família. Apresentamos aqui a perspectiva de um pequeno grupo de jovens médicos de família africanos sobre a experiência de ser residente em medicina de família na África em 2019, esperando que a imagem que representamos aqui ajude a promover as melhorias necessárias nos programas de residência na África em um futuro próximo.
 
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Neste editorial, são apresentadas as novas práticas editoriais e instruções aos autores que nortearão a Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMFC) a partir de 2019. Com elas, a RBMFC renova seu compromisso com a publicação de trabalhos acadêmicos de qualidade para médicos de família e comunidade e outros profissionais da Atenção Primária à Saúde, contribuindo para a melhoria do cuidado à população.
 
Quadro 1. Resultados retornados para as buscas e avaliados neste artigo.
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Introdução: A mídia é um importante elemento na construção de significados sobre os acontecimentos de saúde, influenciando nas crenças e na formação da opinião popular, tendo especial papel nos processos epidêmicos. No atual cenário epidemiológico do Brasil, que está vivenciando o recrudescimento do sarampo, reintroduzido no país em 2018, os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) devem estar instrumentalizados sobre os sentidos que estão sendo construídos pelos veículos de comunicação. Objetivo: Avaliar o conteúdo midiático que está sendo produzido acerca do atual cenário epidemiológico do sarampo no Brasil, observando que sentidos estão sendo construídos e analisando-os criticamente, traçando um paralelo com o papel que a APS ocupa neste cenário, principalmente no que diz respeito à educação em saúde. Métodos: Trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória, na qual realizou-se duas buscas através da ferramenta de busca online Google Notícias. Buscou-se pelo termo ‘sarampo’ e pelos termos ‘sarampo’ e ‘autismo’. Foram catalogados os 50 primeiros resultados, sendo o critério de inclusão que fossem notícias. Utilizou-se a análise de conteúdo, inicialmente, para categorização e inferência, porém foi necessário utilizar instrumentos da análise de discurso para aprofundar algumas subjetividades encontradas. Resultados: A busca retornou resultados das cinco regiões do país, todos com postura pró-vacina. A APS foi citada em praticamente todos os resultados encontrados, que frisavam a disponibilidade da vacina gratuitamente neste nível de atenção. As três áreas temáticas encontradas a partir da análise do material foram: “gravidade, sequelas e morte: a produção do sentido do medo”; “vacinação, medidas e ações; e “justificativas para a queda da cobertura vacinal, responsabilização do indivíduo e atribuição do cenário ao movimento antivacina”. Conclusão: Conclui-se que o atual cenário epidemiológico do sarampo tem sido encarado como unicausal, o que precisa ser revisto para que as campanhas governamentais e as ações das Equipes de Saúde da Família tornem-se mais efetivas. A estratégia do convencimento pelo medo ou pela obediência mostra-se ineficaz. Pouco ou nada se discute sobre as recentes políticas de desmonte do Sistema Único de Saúde, que têm impacto direto na cobertura da Estratégia de Saúde da Família. Também pouco foi discutido sobre questões de acesso. A compreensão deste cenário sob uma ótica multifacetada e contextualizada ao momento sociocultural e histórico é o ponto central para o sucesso do desfecho.
 
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A Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMFC) agradece aos Avaliadores que atuaram como revisores ad hoc durante o ano de 2020, dedicando horas voluntariamente para a emissão de pareceres técnicos sobre manuscritos submetidos a esta revista.
 
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A Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (RBMFC) agradece aos Avaliadores listados abaixo que atuaram como revisores ad hoc durante o ano de 2021, dedicando horas voluntariamente para a emissão de pareceres técnicos sobre manuscritos submetidos a esta revista.
 
Top-cited authors
Maria Inez Padula Anderson
  • Rio de Janeiro State University
Marcelo Demarzo
  • Universidade Federal de São Paulo
Francisco Arsego de Oliveira
  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Airton T Stein
  • Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Gustavo Gusso
  • Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo