Revista Brasileira de Educação Médica

Publications
The objective of this study was to conduct a diagnosis of the comprehensive inclusion of ethics in Brazilian medical training with a problem-based learning methodology and to describe students' and graduates' perceptions of ethical attitudes. The methodological design was a descriptive and documental case study with a qualitative and quantitative approach. The sample consisted of 20 students per course year, totaling 120 students and 40 alumni from two graduating classes at the ESCS School of Medicine. The project was approved by the Institutional Review Board of the State Health Secretariat, Federal District, Brazil. ESCS students and graduates showed that they approach ethical conflicts and respect for patients. However, an analysis of ethical sensitivity revealed weak perceptions and inappropriate attitudes by medical students, especially in the early years of medical school, requiring more systematic discussions on ethical and bioethical aspects integrated with practical activities, in order to increase and strengthen ethical reflection by students.
 
Group activities with medical students represent a key teaching technique, offering them a space for critical reflection on the development of their professional role. Thus, as a theoretical reference for group work, we highlight educational sociodrama, a line of action-based research in Educational Psychology. The aim of this study was to evaluate the effects of reflective group activities with sociodrama as the reference, developed with medical students in a public university. Ten previously selected second-year to fourth-year students participated. The activities were held in nine weekly meetings and concluded with a role-playing exercise, the theme of which was enrollment in medical school. The students rated the exercise positively, highlighting the benefits of sharing their difficulties in medical training with the group, integration of students from different classes, fostering positive links between the members, the experience of putting oneself in another's place through role-playing, and opportunity for more critical reflection on the development of their professional role.
 
A democracia deve promover a satisfação de interesses diversos (o bem comum), o que é imprescindível à construção dos consensos, quando possível, entre os distintos atores. A partir de meados da década de 1970, o Brasil passa por importantes transformações político-democráticas, configurando-se em anos de mudanças nos paradigmas da saúde. Com a Constituição de 1988 e a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), os gestores, trabalhadores e usuários do sistema se deparam com uma nova forma de pensar, estruturar, desenvolver e produzir serviços e assistência em saúde - modelo de produção social em saúde. Entretanto, para promover o desenvolvimento da real ruptura com o modelo sanitário anterior - flexneriano -, as relações trabalhistas devem superar a precarização do trabalho por meio de medidas como investimentos consistentes nas áreas da gestão de recursos humanos, com a criação de meios de discussão para uma gestão democrática. O presente artigo tem como proposta repensar as relações entre a democracia e a saúde, a partir da análise reflexiva das práticas de gestão do trabalho no Programa de Saúde da Família (PSF), no contexto das reformas políticas. Entende-se que a efetiva consolidação do PSF como reorganizador da Atenção Básica, possibilitará configurar novos arranjos institucionais, capazes de repercutir na cultura sociopolítica do País, e contribuirá para a construção de políticas mais eficazes, justas e solidárias propostas pelo SUS.
 
The authors studied the choice of Obstetrics and Gynecology (Ob-Gyn) by medical graduates, in relation to personal features, program-related features and historical context. The study involved 792 students who graduated from the University of Brasilia in the period from 1994 to 2006. Data included demographics, learning attributes, early career preference, peer-tutoring experience, academic achievement, selective training in the final semester, and choice of residency training. Contingency and logistic regression analyses were performed with the graduates grouped according to choice of Ob-Gyn or any other option. Overall, 8% graduates selected GO of whom 33% had indicated early attraction to the specialty. No significant temporal trend was observed for either choice or early attraction. However, during a 5-years period, fewer graduates than the initially attracted by the specialty chose Ob-Gyn, a fact associated with program-environment changes. The logistic regression analysis identified six independent predictive factors: selective training, peer-tutoring and incremental achievement in Ob-Gyn, early preference for the specialty, (female) gender and date of graduation. In conclusion, the study revealed that the predictors of Ob-Gyn choice in a 13-years timeframe involved personal features, curricular events and the phase of the institutional conjuncture.
 
Study sample stratified by year
Background Although overall cultural differences exist between individuals from the X and Y generations, to our knowledge few previous studies have contrasted their expectations regarding what good doctors are, and their perceptions on the training processes they undergo. Aims To conduct a study exploring perceptions on what good doctors are and their perceptions about training among a sample of Brazilian medical students at the University of Sao Paulo Medical School, comparing groups from 2000 and 2014. We aimed to provide information that can be used to guide curriculum development in medical schools. Methods We conducted a mixed methods study of a series of open questions asked to medical students from the University of São Paulo, Brazil, in 2000 and 2014. This qualitative analysis focused on uncovering emerging themes related to students’ perceptions regarding what good doctors are and how they see their training process. A subsequent quantitative analysis through Natural Language Processing was undertaken. Results Gender distribution was balanced between the 2000 and 2014 groups, with most students being in the early 20s. Our main emerging concepts involved four themes: Skills and qualities of a good doctor, positive and negative aspects of the curriculum, as well as expectations related to students’ future career. From a qualitative perspective, the 2014 group focused their criticisms on the School of Medicine itself and the study overload, while the 2000 group focused its criticism on the faculty and competition. Therefore, the 2014 group experienced more criticism and less idealization in relation to the School and the medical training process. There were no statistically significant differences between the 2000 and 2014 groups, as well as across genders. Discussion Students in this sample have demonstrated little change over time in relation to their characterization of what good doctors are and how they should be trained. Their preferences for a practical, patient-centered education should guide future curriculum development in medical schools.
 
Resumo: Introdução: A atividade de mentoria pode ser vista como um relacionamento especial entre mentor e mentorado que pode contribuir para a transição entre o ensino médio e a universidade. No ano de 2020, com a pandemia de Covid-19, houve a necessidade de migração súbita das atividades presenciais acadêmicas para o ensino utilizando as plataformas digitais, o que desencadeou mudanças na estratégia pedagógica das escolas médicas e, consequentemente, impactou as atividades de mentoria. Relato de experiência: Por meio de análise do discurso dos mentores do primeiro ano do curso de Medicina de uma universidade particular, ao longo do ano de 2020, discutimos os registros que ocorreram em tempo real após cada encontro semanal em sala virtual exclusiva, na qual os mentores podiam compartilhar livremente suas impressões, considerações e depoimentos sobre o desenvolvimento de cada sessão de mentoria. Discussão: A mentoria não trata apenas do desempenho acadêmico, mas também proporciona uma visão mais ampla das questões relacionadas ao estudante e ao seu contexto, favorecendo o desenvolvimento do docente, do discente e da instituição. A mudança para as plataformas digitais não se mostrou um problema, com rápida adaptação dos envolvidos. A percepção de pertencimento e a participação do grupo foram fatores importantes no desenvolvimento da mentoria, e o acolhimento saudável dos estudantes e mentores demonstrou um fortalecimento no senso de auto humanidade. Conclusão: Estudantes e mentores cultivaram um espaço para discussão de suas rotinas no desenvolvimento do ensino e aprendizagem. Diante do cenário epidemiológico atípico, houve a percepção de que os estudantes enfrentaram problemas semelhantes e buscaram, em conjunto, sugestões para soluções. Os mentores concluíram que uma programação comum, formal, para as sessões de mentoria não deveria ser aplicada rotineiramente.
 
Resumo: Introdução: Tão rápidas e destrutivas quanto a doença pandêmica,a propagação de inverdades em cenários de pandemias tem levado a muitas mortes. Para tanto, intervenções contrainfodêmicas são hoje um dos maiores desafios para o setor de saúde Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as confluências da desinformação na gripe espanhola e na Covid-19 e como atuam os influenciadores de notícias falsas no campo da saúde brasileira. Método: Trata-se de estudo documental com abordagem qualitativa feita por meio da triangulação de dados em diferentes fontes e nos períodos da gripe espanhola (de 1918 a 1920) e da Covid-19 (de 2020 a 2021). Resultado: Observou-se que as pandemias foram e continuam cenários férteis para a produção e propagação dos influenciadores da desinformação e que se faz necessário problematizar os desafios da formação do trabalhador em tempos de modernidade líquida e em contextos de infodemias, já que os discursos profissionais têm sido fragilizados diante da desinformação. Conclusão: O estudo possibilitou compreender as confluências da desinformação entre a gripe espanhola e a Covid-19, e o papel da formação em saúde no enfrentamento da disseminação em massa de notícias falsas na saúde brasileira.
 
Introdução: A pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19) promoveu mudanças em todo o mundo, gerando modificações na estrutura organizacional do ensino superior. A educação médica teve que suspender atividades presenciais e estágios práticos, e adotar a metodologia de ensino a distância e avaliações on-line para os discentes de Medicina. Objetivo: Discorrer sobre o impacto da pandemia na saúde mental dos universitários e na educação médica. Método: Trata-se de uma revisão de literatura realizada nas seguintes bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE). Utilizaram-se, na busca de artigos, os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “saúde mental”, “pandemia”, “educação superior”, “estudantes” e “Covid-19”. Foram considerados estudos com seres humanos e estudos de literatura publicados de 2018 até o momento do levantamento de dados. Resultado: Nas bases de dados, encontraram-se 1.473 artigos que foram submetidos aos critérios de inclusão e exclusão. Desconsiderando a duplicidade em outras bases de dados, obtiveram-se 43 artigos, dos quais 31 foram utilizados nesta revisão de literatura. Tem-se um grande número de estudos experimentais sobre a educação superior que são úteis na disseminação de conhecimento e possibilidade de replicação. Os dados referentes à saúde mental dos estudantes universitários abordam aspectos sobre a presença de transtornos psiquiátricos relacionados à temática, como depressão, ansiedade, e estresse pós-traumático, a partir de testes de triagem diagnóstica, nas variações presencial e on-line. Conclusão: Como os estudantes de Medicina apresentam incertezas sobre o futuro de sua formação em decorrência dessas transformações, são submetidos a uma carga emocional que causa/deflagra danos à saúde mental deles. Existem ainda dúvidas sobre os reflexos desse contexto no período “pós-Covid” e seus impactos na educação médica, assim como sobre a manutenção de medidas adotadas em tempos de crise.
 
Introduction: The COVID-19 pandemic can be considered a severely stressful event and trigger negative repercussions on the mental health of medical students, such as psychological distress and the development or worsening of mental disorders, harming the academic, social and professional life of these students. As a result of the interruption of classes and the social distancing measures advocated by health agencies during the pandemic, the mental health care sector for medical students at the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ) needed to cancel the face-to-face care at the Clementino Fraga Filho University Hospital in early March 2020 and think of other forms of mental health care for these students. Experience report: This is an experience report about the implementation of telemental health care for medical students at UFRJ during the pandemic, for the continuity of mental health care program using remote assistance, started in late March 2020. The service is being offered by a team of five psychiatrists, a psychologist and a social worker, all university employees. Discussion: The teleservice has served as an important space for listening and embracement in face of these students’ psychosocial demands, whose challenge consists in overcoming some barriers that hinder the availability of and access to mental health services on the university campus, including the preservation of the doctor-patient relationship, the guarantee of confidentiality and quality, and the offer of a space for mental health care when the physical presence is not possible. Conclusion: Despite the difficulties inherent in the rapid process of implementing this service, the potential of technology to help the population at this critical moment is perceived, especially regarding the attention to the mental health of specific groups, such as medical students. The telehealth represents a potential for learning and change in the ways how the access to care is offered, with the perspective of bringing benefits to the students’ mental health, even after the current period of the pandemic, with the goal of expanding these services to other courses of the UFRJ.
 
Introduction: The COVID-19 pandemic can be considered a severely stressful event and trigger negative repercussions on the mental health of medical students, such as psychological distress and the development or worsening of mental disorders, harming the academic, social and professional life of these students. As a result of the interruption of classes and the social distancing measures advocated by health agencies during the pandemic, the mental health care sector for medical students at the Federal University of Rio de Janeiro (UFRJ) needed to cancel the face-to-face care at the Clementino Fraga Filho University Hospital in early March 2020 and think of other forms of mental health care for these students. Experience report: This is an experience report about the implementation of telemental health care for medical students at UFRJ during the pandemic, for the continuity of mental health care program using remote assistance, started in late March 2020. The service is being offered by a team of five psychiatrists, a psychologist and a social worker, all university employees. Discussion: The teleservice has served as an important space for listening and embracement in face of these students’ psychosocial demands, whose challenge consists in overcoming some barriers that hinder the availability of and access to mental health services on the university campus, including the preservation of the doctor-patient relationship, the guarantee of confidentiality and quality, and the offer of a space for mental health care when the physical presence is not possible. Conclusion: Despite the difficulties inherent in the rapid process of implementing this service, the potential of technology to help the population at this critical moment is perceived, especially regarding the attention to the mental health of specific groups, such as medical students. The telehealth represents a potential for learning and change in the ways how the access to care is offered, with the perspective of bringing benefits to the students’ mental health, even after the current period of the pandemic, with the goal of expanding these services to other courses of the UFRJ.
 
Introduction: The challenges for medical education due to the COVID-19 pandemic require new pedagogical strategies to train ethical, humanistic, critical and reflective professionals. Objective: To identify the pedagogical strategies used for medical education during the COVID-19 pandemic around the world. Method: A review of the academic literature indexed in international databases was conducted according to the scoping review methodology. The information was collected in the PubMed, LILACS, SciELO, Virtual Health Library, Web of Science and Scopus databases. The keywords used were “Education, Medical” AND “Pandemics” OR “Coronavirus Infections”. We found 1,350 articles and 27 met the inclusion criteria. Results: Pedagogical strategies for medical education during the COVID-19 pandemic are centered on remote education, with the use of digital distance learning platforms through the internet and technology. The literature pointed out the need for teachers to be involved in the pedagogical process, planning activities and identifying appropriate digital platforms. There is no consensus on the inclusion of students in practical activities. Studies point to the existence of technology-mediated education even before the pandemic and its link with telemedicine. The need to incorporate disciplines to help manage pandemics with a focus on public health was identified. Conclusion: The experiences found were concentrated in high-income and developed countries. In addition, they are dependent on the internet and information and communication technologies. Omissions were identified regarding the limitations and weaknesses of this new pedagogical strategy, especially the lack of universal and equal access to digital media, the disregard of minority and underdeveloped realities and the devaluation of interpersonal relationships essential to medical training.
 
Univariate and multivariate analysis for variables associated to the presence of volunteer activities during COVID-19 pandemic.
Introduction: during the COVID-19 pandemic, the universities suspended in-person activities and medical education adapted from the traditional format to virtual scenarios. Thus, the volunteering activities might improve the apprenticeship in critical situations and constitute a way to obtain competences and clinical skills. Objective: to identify the frequency of student volunteering during the COVID-19 pandemic and the associated factors. Methods: a cross-sectional study was performed targeting medical students in their last 3 years at a medical school in Brazil. Three hundred and fifty invitations were sent by email to ask students to participate in a self-administered, anonymous electronic survey during the pandemic. The primary outcome was the frequency of volunteer activities. Sociodemographic variables and characteristics of the medical students’ activities were the dependent variables for the multivariate analysis that calculated the factors associated with volunteering. Results: One hundred and twenty-five respondents (35.8% response rate) were included in the analysis (no missing data). The frequency of volunteering was 52% and most of the participants were females (63.2%) and all had access to online activities. Telemedicine was the most frequent activity (56/65). After the multivariate analysis, it was found that a family income of 5.1-10 minimal wages (OR=2.32[0.94-6.42]), expressing the ability and confidence in a pandemic situation (OR=4.91[1.49-16.2]) and considering e-learning important before the pandemic (OR=16.46[1.35-200.32]) and exposure of more than 120 minutes to social media platforms were less motivating for volunteering. Conclusion: About half of the medical students volunteered during the COVID-19 pandemic. The presence of self-confidence, with previous training in a pandemic situation motivated the students to volunteer.
 
Introduction: The current outbreak of the new coronavirus or SARS-CoV-2, which causes COVID-19, was first reported to the World Health Organization on December 31, 2019, being declared a pandemic on March 11, 2020. As for the clinical spectrum of SARS-CoV-2 infection, it is a broad one, ranging from asymptomatic, mild upper respiratory tract disease to severe viral pneumonia with respiratory failure and death. With a chance of severe clinical presentation close to 25%, SARS-CoV-2 infection can lead to health service overload and increase the demand for material and human resources. Aiming to increase the availability of health professionals directly involved in care during the pandemic, the Ministry of Education authorized the early graduation for students pursuing careers in health, including medicine. Objective: The aim of this article is to obtain preliminary results of the impact of early graduation for medical students during the COVID-19 pandemic. Method: Observational and cross-sectional study, carried out by applying a questionnaire with 13 questions, five of which used a Likert scale of assessment, six in multiple choice format and two descriptive, via Google Forms, applied to medical students from the universities of Curitiba-PR that graduated earlier in mid-year 2020, due to the COVID-19 pandemic. Results: 113 recently graduated students answered the questionnaire.101 participants reported that they are working as physicians and, among them, 63.36% stated that they are working directly in the treatment of COVID-19 cases. Regarding the importance of an early graduation, most participants fully agree or agree, while only three participants totally disagree. More than half of the interviewees do not feel harmed by the early graduation. However, 43.3% believe they have failed to acquire important information for their training. Finally, regarding their performance in the pandemic, 79.6% consider important their role in the fight against COVID-19 pandemic. Conclusion: The study shows that, at first, the efforts to give the Class of 2020 an early graduation were successful, since these new physicians are contributing to alleviate workforce shortages and provide better care for patients during the pandemic.
 
Introdução: Este artigo relata as experiências da representação estudantil da Faculdade de Medicina de uma universidade federal brasileira, incluindo organização de eventos, participação nas decisões em instâncias superiores e interrupção do ensino em uma pandemia. Relato de Experiência: Inicialmente, houve a mobilização do movimento estudantil para regulamentar as atividades remotas. Em seguida, outras instituições da universidade movimentaram-se para regulamentar as atividades acadêmicas remotas emergenciais. Por fim, realizou-se um evento para informar aos estudantes os planos para a implementação dessas atividades e dialogar sobre questões da educação médica nesse contexto. Discussão: A importância da integração das instituições de representação estudantil com órgãos superiores é notável e ocorre pela proatividade dos(as) alunos(as) e pelo consenso com docentes e técnicos(as) administrativos(as). Foi preciso considerar o contexto socioeconômico dos envolvidos e manejar seus interesses. Assim, lidar com conflitos e propor soluções abrangentes foi fundamental para garantir, de forma democrática, condições viáveis para aplicação das atividades acadêmicas remotas emergenciais por meio da promoção da inclusão digital para professores(as). Além disso, criaram-se meios de assistências para os(as) estudantes. Portanto, percebeu-se o protagonismo dos(as) acadêmicos(as) na resolução de conflitos por meio da participação ativa em conselhos e realização de eventos informativos e consultivos destinados ao restante da comunidade, o que resultou também em pesquisa, extensão e atividades para a melhora da saúde mental no contexto atual. Conclusão: Percebe-se que a participação acadêmica nas deliberações da universidade possibilitou decisões mais democráticas que consideraram os impactos da pandemia na vida dos(as) estudantes e as futuras consequências na formação médica. Além disso, esse processo despertou o interesse da comunidade em atividades de gestão acadêmica.
 
Introdução: Com base em portaria nacional que regulamenta e operacionaliza a telemedicina como uma das medidas de enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente da epidemia de Covid-19, firmou-se uma parceria entre a universidade federal e a gestão municipal para a rápida implementação do serviço de telessaúde para Covid-19. Relato de Experiência: Trata-se de relato de experiência do processo de implementação do serviço de telessaúde específico para Covid-19, uma parceria entre academia e serviço. Discussão: O processo de implementação requer dimensionamento da equipe, espaço físico e recursos tecnológicos, treinamento e capacitação contínua da equipe para alinhamento das ações, pactuação e articulação do fluxograma de teleatendimento e telemonitoramento com a rede de saúde local em todos os níveis de atenção, divulgação do serviço para a população, atenção a aspectos éticos e critérios de emissão de documentos, com destaque à apropriação da equipe quanto à abordagem clínica na teleconsulta e no telemonitoramento. Conclusão: A experiência de implementação do serviço Telessaúde Covid em 27 dias relatada neste artigo é passível de replicação por outros municípios como medida de contingenciamento da Covid-19. No relato, destacam-se o número expressivo de atendimentos após dois meses de funcionamento, a missão social da universidade pública e a articulação dela com o sistema de saúde local.
 
Introdução: A Organização Mundial da Saúde definiu a obrigatoriedade do direcionamento das atividades de educação, pesquisa e serviços para atender às preocupações prioritárias de saúde como responsabilidade social das escolas médicas. Considerando a emergência em saúde pública em decorrência da Covid-19, decidiu-se utilizar a telemedicina e implementar o ensino remoto para continuar a programação curricular e prestar apoio à gestão municipal a partir do pressuposto da social accountability. Relato de experiência: A dois meses do fim da graduação, discentes de Medicina acompanharam as 43 instituições de longa permanência para idosos (Ilpis) - públicas e privadas - do município de São José do Rio Preto com o intuito de monitorar residentes e funcionários em relação à Covid-19. Por meio de ligações diárias para as Ilpis, eles solicitaram ao representante de cada unidade, geralmente enfermeiro responsável, ou ao proprietário do estabelecimento informações sobre os principais sintomas da Covid-19 detectados nos moradores e funcionários das instituições. Cotidianamente, essas informações eram registradas numa plataforma on-line, na planilha de organização do trabalho, e depois relatadas para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e discutidas com o professor responsável pela mentoria. Um plano de contingência para a Covid-19 foi elaborado pela equipe, autorizado pela SMS e repassado às Ilpis, para orientá-las durante a pandemia. Discussão: A Covid-19 apontou as fragilidades, as limitações e a capacidade de adaptação do sistema educacional de saúde, o que possibilitou o aprimoramento da formação dos novos médicos. Durante o monitoramento, os discentes encontraram diversos desafios: dificuldade no contato telefônico com algumas Ilpis, informações omitidas ou fornecidas de forma equivocada pelos funcionários e atrasos na comunicação de casos suspeitos. Contudo, o contato diário permitiu reconhecer as Ilpis que se apresentavam mais adequadas e as que necessitavam de investigação e orientação, criando vínculo com as Ilpis. Conclusão: Durante a pandemia, foi possível realizar ações na lógica da social accountability, evidenciando que o teleatendimento é uma ferramenta que, ao mesmo tempo que mantém os internos nos cenários de práticas, presta assistência à comunidade e à gestão municipal durante a pandemia.
 
Introduction: Members of the LGBT+ community have historically faced structural obstacles denying them the protections and rights guaranteed by full citizenship. The COVID-19 pandemic has caused the vulnerability of these individuals to become even more intense and explicit. In light of these developments, this experience report presents and critically analyzes an action executed by medical students to promote equal representation and a care/support and solidarity network among LGBT+ students during the pandemic. Experience Report: This report describes the creation of a video entitled “Evoluiu Challenge” by medical students and graduates from a Brazilian public university. In the face of social isolation and the need for LGBT+ equal representation, encouragement and empowerment in medical schools, actions, such as producing the video, were identified as necessary in order to help the most vulnerable academics find a network of support, solidarity and empowerment among their peers. The project was developed with 20 students and 3 graduates from the same institution, with the video being viewed more than 85,000 times. Discussion: The experience reported here highlights the importance of technological advances to promote “togetherness” in times of isolation and social distancing. In this regard, the video increased the visibility of the LGBT+ population in the medical sphere. Furthermore, it fostered equal representation and the construction of a student support network promoting care, as described in the National Curriculum Guidelines. Conclusion: This experience report clearly demonstrates the need to implement strategies for actions that support the LGBT+ community at universities, such as care/solidarity networks. Such strategies, like the video, will therefore leverage the construction of a more inclusive teaching-learning space, representing an oasis of thought against oppression and space for contestation.
 
Introdução: As Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Graduação em Medicina (DCN) de 2014 definem que o(a) graduando(a) deve ser formado(a) para abordar a diversidade biológica, étnico-racial, de gênero e orientação sexual. Entretanto, essa temática costuma ser invisibilizada, reiterando a LGBTI+fobia institucional que perpetua desigualdades e iniquidades no ensino e cuidado em saúde. Essa situação se tornou mais explícita durante a pandemia da Covid-19. Objetivo: Analisar as DCN sob a ótica das diversidades de gênero e sexual, de modo a problematizar “o que” e “como” pode ser aprimorado na educação médica em relação às questões LGBTI+. Desenvolvimento: Considerando que a aprendizagem de adultos ocorre a partir da problematização de vivências do cotidiano, serão apresentados três casos relativos ao atual momento da pandemia da Covid-19, com base nos quais se podem abordar temas sobre a saúde LGBTI+ no curso médico. Após, serão problematizadas algumas competências específicas sobre saúde LGBTI+ que podem ser aprimoradas durante a formação médica, inclusive no período da pandemia da Covid-19, a fim de visibilizar a temática LGBTI+ no currículo como uma estratégia de combater a LGBTI+fobia na escola médica e promover o cuidado integral em saúde. Conclusão: É possível abordar sobre a saúde LGBTI+ a partir de situações vivenciadas durante a pandemia da Covid-19. Entretanto, é necessário ter clareza de como as DCN se traduzem em competências específicas sobre saúde LGBTI+. Essa pode ser uma das estratégias a fim de tornar os currículos mais acolhedores e compromissados com as necessidades de saúde dessa população.
 
Introduction: As fast and destructive as the pandemic disease is the spread of untruths in pandemic scenarios, which led to many deaths. Therefore, counter-infodemic interventions are currently one of the biggest challenges for the health sector. Objective: To understand the convergence of disinformation on the Spanish Flu and COVID-19 and how fake news influencers act in the Brazilian health field. Method: this is a documentary study with a qualitative approach, carried out through the triangulation of data from different sources and in the periods of the Spanish Influenza (1918 to 1920) and COVID-19 (2020 to 2021). Result: It was observed that the pandemics were and continue to be fertile scenarios for the production and dissemination of disinformation influencers and that it is necessary to problematize the challenges of worker training in times of liquid modernity and in contexts of infodemics, since the professional discourses have been weakened bydisinformation. Conclusion: the study allowed us to understand the convergence of disinformation between the Spanish Flu and COVID-19 and the role of health education when facing the mass dissemination of fake news in the Brazilian health field.
 
Introduction: The current outbreak of the new coronavirus or SARS-CoV-2, which causes COVID-19, was first reported to the World Health Organization on December 31, 2019, being declared a pandemic on March 11, 2020. As for the clinical spectrum of SARS-CoV-2 infection, it is a broad one, ranging from asymptomatic, mild upper respiratory tract disease to severe viral pneumonia with respiratory failure and death. With a chance of severe clinical presentation close to 25%, SARS-CoV-2 infection can lead to health service overload and increase the demand for material and human resources. Aiming to increase the availability of health professionals directly involved in care during the pandemic, the Ministry of Education authorized the early graduation for students pursuing careers in health, including medicine. Objective: The aim of this article is to obtain preliminary results of the impact of early graduation for medical students during the COVID-19 pandemic. Method: Observational and cross-sectional study, carried out by applying a questionnaire with 13 questions, five of which used a Likert scale of assessment, six in multiple choice format and two descriptive, via Google Forms, applied to medical students from the universities of Curitiba-PR that graduated earlier in mid-year 2020, due to the COVID-19 pandemic. Results: 113 recently graduated students answered the questionnaire.101 participants reported that they are working as physicians and, among them, 63.36% stated that they are working directly in the treatment of COVID-19 cases. Regarding the importance of an early graduation, most participants fully agree or agree, while only three participants totally disagree. More than half of the interviewees do not feel harmed by the early graduation. However, 43.3% believe they have failed to acquire important information for their training. Finally, regarding their performance in the pandemic, 79.6% consider important their role in the fight against COVID-19 pandemic. Conclusion: The study shows that, at first, the efforts to give the Class of 2020 an early graduation were successful, since these new physicians are contributing to alleviate workforce shortages and provide better care for patients during the pandemic.
 
Interference of the social isolation imposed by the Covid-19 pandemic on the responses of medical students to the Self-Reporting Questionnaire.
Introduction: Common mental disorders (CMD) have been frequently identified among university students in the health area, especially in Medicine. It is believed that characteristics inherent to the course have a potential influence on the student’s mental health. When adding the pandemic context, with its inherent social restrictions, the psychological determinants related to the unknown pathology and the fear of the rapid spread of the new coronavirus, there is the possibility of increasing the risk factors for psychological distress in this population. Objective: To estimate the prevalence of CMD among medical students during the COVID-19 pandemic, analyzing its main determinants in the academic, social and economic spheres. Method: Cross-sectional study, carried out with 388 medical students in Salvador/BA., Data on sociodemographic and academic aspects, life habits, comorbidities and symptoms of non-psychotic disorders were collected using the Google Forms platform, measured by the Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20). Results: The prevalence of CMD was 39.7% among medical students, with 47.4% in the basic cycle, 40.3% in the clinical cycle and 12.3% in the internship period. Among the factors associated with the emergence of CMD are sedentary lifestyle, smoking, use of substances that enhance academic performance, dissatisfaction with one’s academic performance, poor sleep quality, lack of appetite, frequent headaches, poor digestion, suicidal ideation and sadness. There was a higher rate of non-psychotic mental disorders among women, with no difference regarding the academic cycle and the administrative type of the educational institution. Conclusion: During the COVID-19 pandemic, a significant prevalence of CMD was demonstrated among female, white, single medical students who live with family members and do not have their own income. Although studies suggest an increase in the prevalence among university students at the present time, the data from the present study remain in agreement with the literature data prior to the pandemic, showing that the medical course itself is the main risk factor for higher rates of CMD in this population. However, further studies on the long-term impact of the pandemic on the mental health of university students are still necessary.
 
Resumo: Introdução: A pandemia da Covid-19 provocou milhares de mortes e levou a incontáveis mudanças na forma de organização de serviços de saúde e nas escolas de Medicina mundo afora. Relato de experiência: Este artigo relata a experiência da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), cujas aulas foram suspensas em função da pandemia. Discussão: Descrevem-se as motivações para a suspensão e os procedimentos para a retomada das aulas do internato, depois de 15 semanas da interrupção. Conclusão: Ressalta-se a importância das decisões coletivas, da comunicação empática, do acolhimento e cuidado com a saúde mental e da parceria com o Hospital das Clínicas na realização de rastreamento para a presença do vírus entre os estudantes. Por fim, destaca-se o aprendizado para o professor ao se defrontar, por um lado, com a impotência diante da morte e do desconhecido, e, por outro, com a potência do cuidado que pode ser oferecido em situação tão singular quanto uma pandemia.
 
Introdução: Durante pandemias, as incertezas e a falta de evidências permitem que cada país conduza sua resposta da maneira que convencionar mais correta. Esse cenário abre oportunidade também para que medidas sejam aprovadas sem a devida análise ética, pela urgência implicada. Com isso, o objetivo deste estudo é promover uma abordagem hermenêutica das propostas do governo federal do Brasil para a inserção de estudantes de Medicina no combate à coronavirus disease 2019 (Covid-19) a partir de uma perspectiva ética. Desenvolvimento: As resoluções governamentais, publicadas no Diário Oficial da União, foram debatidas à luz da Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (DUBDH) e do Código de Ética do Estudante de Medicina (CEEM), porque aquela pauta a discussão em uma bioética plural, multi, inter e transdisciplinar e este traz orientações destinadas ao grupo populacional estudado. Para melhor estruturar a discussão, as principais medidas foram subdivididas em três seções: “Sobre a avaliação de risco”; “Sobre a participação dos alunos do quinto e sexto anos”; “Sobre a antecipação de colação de grau”. Na primeira, propôs-se a elaboração de alternativas para sua participação de modo remoto ou sem contato direto com os pacientes, a fim de garantir a integridade dos estudantes e maximizar os efeitos positivos com o mínimo de prejuízos. Em seguida, avaliaram-se a prevista obrigatoriedade de adesão dos alunos dos últimos anos do curso de graduação e a possibilidade de substituição da carga horária do estágio curricular obrigatório pela participação na ação estratégica “O Brasil Conta Comigo”. Por último, questionaram-se a antecipação de formatura e a garantia de que os recém-graduados possuam os conhecimentos e a perícia necessários à profissão médica. Conclusões: Para o combate eficaz à doença, é necessária uma estruturação coletiva das ações adotadas, beneficiando-se das capacidades que os estudantes já oferecem, com respeito às suas limitações, vulnerabilidades e liberdades. Deve-se ressaltar que quaisquer decisões éticas no contexto da medicina e das futuras gerações de profissionais podem ter repercussões inquantificáveis para esses indivíduos, seus pacientes e suas comunidades, devendo-se ter a garantia de que os benefícios serão os melhores e maiores possíveis.
 
Introduction: Human Anatomy is an essential subject for medical education. In addition to the theoretical content, practice is an irreplaceable way of learning. However, the COVID-19 pandemic brought up new challenges to the teaching of Anatomy. Therefore, new strategies were implemented aiming to adapt the medical curriculum. Experience report: At UNICAMP, Anatomy was taught virtually, through synchronous and asynchronous activities. For practical sessions, teachers and teaching assistants recorded lessons using real anatomical structures. The students had tutoring sessions with content review and quizzes. The anatomy final exams were taken on Google Forms. At the end of each semester, questionnaires were applied so that the students could evaluate the teaching tools. Discussion: The new method had both positive and negative aspects, but it was important to assure the maintenance of the teaching-learning process. All tools were approved by the students and the objectives of the course were achieved with no additional funding. Conclusion: This experience demonstrated that a teaching team consisting of teachers and monitors is of great value in the learning process. Furthermore, it showed that low-cost technology tools are helpful in overcoming adversities. Nevertheless, this model does not replace face-to-face teaching.
 
Introdução: Em dezembro de 2019, na China, surgiu o primeiro caso de infecção da Sars-CoV-2, causadora da Covid-19. Em março de 2020, após se alastrar pelos continentes, a Organização Mundial da Saúde conferiu característica de pandemia. Para tentar conter o avanço, foi criada a política de distanciamento social, responsável pela interrupção de inúmeras atividades, incluindo aulas presenciais. Assim, ampliou-se a busca por meios de ensino remoto, a fim de amenizar os prejuízos causados na educação. Nesse ínterim, a Universidade Federal de Alagoas propôs realizar a monitoria on-line como forma de promover interação entre estudantes e docentes na pandemia. Relato de Experiência: A construção do curso ocorreu de forma remota por meio de plataformas digitais, como Google Meets® e portal do serviço de conferência web da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Foram 54 inscrições de alunos de Medicina, e 38 (70,3%) cumpriram os requisitos para certificação e finalizaram. Produziram-se 22 podcasts, hospedados nas plataformas Anchor® e Spotify®, além de seis formulários do Google® com questões acerca dos conteúdos dos podcasts. Utilizaram-se as plataformas Kahoot®, um jogo com questões para aumentar a interação e o Padlet®, um “mural virtual” no qual eram postados conteúdos do curso. Discussão: A implantação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação Medicina (DCN) instigou nos estudantes autonomia no aprendizado, conferindo espaço para a inserção de tecnologias na educação. Apesar da insuficiência para sanar os prejuízos causados na educação pela pandemia, essas tecnologias conferem aos professores, aos alunos e às instituições de ensino a capacidade de adequação aos meios disponíveis para minimizar prejuízos. Conclusão: A monitoria on-line permitiu que, mesmo um assunto predominantemente prático como a anamnese, fosse discutido e praticado graças ao suporte tecnológico. Percebe-se, portanto, efetividade na utilização de tecnologias no processo de ensino-aprendizagem quando se utilizam plataformas interativas.
 
Resumo: Introdução: A COVID-19, nova doença infecciosa aguda causada pelo SARS-Cov-2, descoberta na China em dezembro de 2019, é caracterizada - hoje, pela OMS - como pandemia. O regime de distanciamento social implementado em todo o mundo causou importante impacto sobre vários setores, em particular o da educação. As mudanças ocorridas, no Brasil, no âmbito dos cursos de saúde de nível superior, impactaram de forma significativa o desenvolvimento das atividades de internato desempenhadas por acadêmicos de medicina. Objetivo: O estudo buscou identificar as principais mudanças ocorridas na realização do internato dos estudantes de medicina e a visão do interno mediante tais mudanças. Método: Foi elaborado questionário na plataforma Google Forms acerca do impacto da pandemia por COVID-19 nas atividades do internato de medicina. O universo pesquisado era composto por internos de medicina das universidades públicas e privadas de Fortaleza. Os dados coletados foram armazenados em planilhas de Excel e depois analisados no software SPSS. O teste do qui-quadrado e o de associação linear foram utilizados para avaliar a associação entre as variáveis categóricas nominais e ordinais. Em algumas comparações foi também calculado o V de Cramer. O nível de significância para todos os testes foi considerado com base no p
 
Introdução: A pandemia do novo coronavírus trouxe consigo uma infodemia, ou seja, um excesso de informações, que, em populações com baixa análise crítica e falta de conhecimento técnico-científico, pode gerar e disseminar fake news. No Brasil, esses déficits são encontrados frequentemente nos idosos, que representam 13% da população, e na maior parte dos analfabetos absolutos e funcionais, o que os torna tanto vítimas quanto propagadores. Relato de Experiência: Foi realizada uma atividade multicêntrica baseada no projeto-piloto da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná que promoveu educação em saúde para a população idosa por meio de redes sociais e comunicação on-line. Assim, os estudantes de Medicina ficaram disponíveis para esclarecer dúvidas e mitos relacionados à Covid-19 e enviar materiais informativos. Doze instituições de ensino superior da Região Sul do Brasil replicaram o projeto de 4 de julho a 6 de agosto de 2020, com o objetivo de combater às fake news e estimular a criação de canais de comunicação confiáveis com essa população. Discussão: A inclusão digital do idoso é algo recente, e a proporção daqueles que são usuários da internet vem crescendo no país. Entretanto, ainda há baixa interpretação crítica de informações, dificuldade de acompanhar o fluxo de notícias e pouca habilidade com ferramentas da internet. Nesse sentido, dar protagonismo a essa população digitalmente invisibilizada e permitir a ampliação do conhecimento médico geriátrico durante a pandemia, por meio do contato de acadêmicos com as demandas dos idosos, é uma forma efetiva de possibilitar um entendimento maior acerca das vulnerabilidades e necessidades do público geriátrico no que tange à educação em saúde. Conclusão: A construção do canal de comunicação entre acadêmicos e idosos apresentou uma possibilidade inovadora para a população idosa obter informação científica de forma acessível, de modo a conscientizá-la do novo coronavírus e da propagação de notícias falsas.
 
Introduction: The Covid-19 pandemic interrupted and challenged the traditional structure of medical education, based on face-to-face teaching, and, as a measure of support for the efforts of government agencies to reduce the risk of spreading the disease, distance became necessary. medical/patient care and the increase in the supply of telehealth services by health systems. In Brazil, the telehealth model seeks to improve the quality of care in primary health care (PHC), integrating education and service through tele-education and tele-assistance activities, such as teleconsulting, the Second Formative Opinion (SOF), tele-education and telediagnosis. Thus, this article reports the experience of medical students in telehealth actions during the Covid-19 pandemic in Brazil, seeking to clarify the contributions and limitations of this experience in the teaching-learning process in the context of medical education. Experience report: Participation in the project allowed the experience of various telehealth activities under the supervision and guidance of professors in the health area, in addition to the production of informative and educational materials. The proposed activities allowed for the improvement of clinical reasoning through evidence-based medicine (EBM), especially in helping teleconsultations and frequently asked questions. Discussion: The use of technologies became indispensable during the pandemic, and, within this scenario, a telehealth project proved to be an important and effective strategy for continuing education among professionals and health education for the community, avoiding crowding and preventing the spread of the virus. In addition, remote actions, such as teleconsultations, resolution of frequently asked questions and tele-education, proved to be an important strategy for accessing health care not only in times of pandemic. Conclusion: Our experience made it possible to foster critical thinking and disseminate content in a safe, technical and evidence-based way. The exercise of clinical reasoning led us to an experience of great value and to believe that the inclusion of the practice of telehealth can bring important gains to the curriculum of Medicine courses.
 
Resumo: Introdução: O curso de Medicina apresenta alta prevalência de transtornos mentais, e essa situação é agravada com a pandemia da Covid-19. Objetivo: Assim, o objetivo deste estudo foi analisar os fatores associados aos sintomas de ansiedade, depressão e estresse em estudantes de Medicina durante o período pandêmico. Método: Trata-se de um estudo transversal analítico com abordagem quantitativa. Foram aplicados dois questionários: um sobre dados sociodemográficos, pessoais e acadêmicos, e a DASS-21. Resultado: Investigou-se uma amostra de 274 estudantes de Medicina. A maioria dos participantes era do sexo feminino (63,5%) com idade que variava de 21 a 25 anos (58,4%). Dos entrevistados, 40,1% raramente encontraram os amigos. A maior parte estava insatisfeita com o rendimento acadêmico (79,9%) e acusou piora na qualidade de vida (54,7%). Em relação aos dados sociodemográficos, foi evidenciada uma incidência muito maior de depressão, ansiedade e estresse em estudantes do sexo feminino (p < 0,0001). No que diz respeito aos dados pessoais e clínicos, os estudantes que já tinham doença psiquiátrica apresentaram mais comumente ansiedade, estresse e depressão (p < 0,0001), e aqueles já faziam terapias psicológicas tiveram o mesmo resultado (p < 0,0001). Quanto aos aspectos acadêmicos, no grupo que referiu já ter pensado em abandonar o curso, houve maior incidência de depressão, ansiedade e estresse (p < 0,0001), bem como quem referiu piora na qualidade de vida durante a pandemia teve depressão, ansiedade e estresse com maior frequência (p < 0,0001). Conclusão: Este estudo evidenciou aspectos sociodemográficos, pessoais e acadêmicos, e, consequentemente, os fatores que estiveram associados a maiores níveis de ansiedade, depressão e estresse em estudantes de Medicina durante a pandemia da Covid-19. Tendo em vista o impacto da pandemia na saúde mental dos estudantes, é essencial a adoção de medidas e programas específicos que visem à diminuição e à prevenção dos transtornos psíquicos no ambiente estudantil.
 
Introdução: Em janeiro de 2020, a OMS reconheceu a pandemia do novo coronavírus no mundo, chegando os casos ao Brasil em fevereiro e ao Acre em março. Uma das respostas para enfrentamento da pandemia no estado foi o telemonitoramento dos casos suspeitos e confirmados de Covid-19, que se viabilizou a partir da parceria entre o Núcleo Telessaúde Acre, as Secretarias de Saúde e os cursos Medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Centro Universitário Uninorte. O objetivo do artigo é relatar a experiência do projeto de ensino de apoio ao telemonitoramento dos casos de covid-19 em Rio Branco. Relato de experiência: O telemonitoramento tem sido realizado por uma equipe composta de 210 alunos de Medicina dos últimos períodos do curso e por um grupo de oito professores. Atenta às necessidades de fortalecimento das ações de enfrentamento do novo coronavírus, a Pró-Reitoria de Graduação da Ufac lançou um edital para projetos de ensino que pudessem cumprir esse papel social por meio da sistematização de conhecimentos sobre o tema. Discussão: A partir daí, o projeto foi executado através de reuniões virtuais sistemáticas da equipe executora do telemonitoramento pela plataforma Zoom, com discussões dos casos acompanhados, de rodas de conversa com especialistas sobre temas clínicos específicos, apresentação de artigos, discussão de dados epidemiológicos e aulas expositivas sobre a Covid-19. Além disso, têm sido articulados trabalhos de conclusão de curso a partir dos dados trabalhados na estratégia. Conclusão: Apesar do desafio que é trabalhar a partir do ensino remoto, o projeto tem contribuído de maneira substancial para o aprofundamento dos conhecimentos sobre a pandemia de Covid-19 e para o acompanhamento dos casos em Rio Branco.
 
Resumo: Introdução: O mundo tem milhões de infectados pelo SARS-CoV-2, e o desfio permanece em 2021, com a vacinação e o aparecimento das novas cepas. Este é um texto sobre reflexões de como a pandemia está mobilizando as escolas médicas e se as mudanças induzidas pela emergência sanitária nos paradigmas pedagógicos serão revertidas em mudanças culturais. Desenvolvimento: A experiência de confinamento tem sido emocionalmente rica, entremeada por desafios, mergulhos pedagógicos reflexivos e muito trabalho. Analisamos o confronto entre a pandemia e as escolas médicas, com ênfase nos questionamentos a respeito das adaptações e se serão revertidas em mudanças culturais. O desenvolvimento docente não tem sido priorizado nas instituições de educação médica, e a troca do presencial para o remoto não garante mudanças. Conclusão: O docente tem papel nuclear na formação de médicos com competência, ética e humanidade. É necessário avançar, para além do brilho da hiperconectividade, com a instalação de um fórum permanente sobre desenvolvimento docente.
 
shows the sample description according to the
Sample characterization: students' demographic and academic data.
Age (median and interquartile range).
Percentage of participants with scores >5.
Introduction: The social isolation in Brazil imposed in response to the COVID-19 pandemic has changed the way in which many undergraduate students have been learning, especially those involved in academic activities, as they now have remote rather than in-person classes. These changes may be beneficial if one considers this time favorable for improving non-cognitive skills, such as self-knowledge, resilience, collectivity, versatility, adaptability and leadership. Objective: This study was aimed at investigating how undergraduate health students in Southeastern and Southern Brazil perceived improvement in non-cognitive competencies during the rapid changes imposed in response to the COVID-19 pandemic. Method: This study evaluated 954 undergraduate health students at Brazilian higher education institutions. An online questionnaire consisting of 25 items was used to collect demographic and academic data as well as the subjects’ perception of non-cognitive feelings and skills during the remote continuation of the undergraduate course. The undergraduate health students’ perceptions were measured using a 10-point Likert intensity scale ranging from “very little” to “very much”. This questionnaire was previously validated in a group of 20 undergraduate students attending different health courses at a higher education institution in the State of São Paulo. Result: Correspondence analysis demonstrated that non-cognitive skills, including feelings, were perceived with varying intensities by the undergraduate students, thus making it possible to observe positive and negative impacts resulting from the changes they experienced. Students in the first and second semesters of their first year of studies tended to show lower collaboration scores than students in the third and fourth semesters; on the other hand, students in the first semester tended to show higher scores of openness to new experiences than students in the subsequent semesters. Conclusion: Overcoming procrastination, taking the lead in their studies, collaborating with peers, and being open to the new were the non-cognitive skills that were strongly perceived during the pandemic. In addition, frustration, lack of motivation, and emotional instability were strongly felt by the students, who considered that the COVID-19 pandemic had negatively affected their performance.
 
Introduction: Based on a national ordinance that regulates and operationalizes telemedicine as one of the measures to cope with the public health emergency resulting from the COVID-19 epidemic, a partnership was established between the federal university and municipal management for the rapid implementation of the telehealth service for COVID-19. Experience report: Experience report on the implementation process of the specific telehealth service for COVID-19, a partnership between the academy and the service. Discussion: The implementation process requires team sizing, physical space and technological resources, training and continuous education of the team to align the actions, for the agreement and articulation of the call center and telemonitoring flowchart with the local health network at all levels of care, disclosure of the service to the population, attention to ethical aspects, criteria for issuing documents, standing out and integration of the team regarding the clinical approach in teleconsultation and telemonitoring. Conclusion: The experience of implementing the Telehealth Covid service in 27 days is reported in this article, and it is likely to be replicated by other municipalities, as a contingency measure due to COVID-19. The significant number of visits, the social mission of the public university and its articulation with the local health system stand out after two months of operation.
 
Introdução: A pandemia da Covid-19 e as medidas sanitárias de isolamento social impuseram a necessidade de reestruturação do ensino, com migração para tecnologias digitais. Em relação à educação em saúde da população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT), assunto que ainda está em processo de inserção nas escolas médicas, tal mudança trouxe novas oportunidades para a discussão do conteúdo, mas também criou e escancarou vulnerabilidades preexistentes. Relato de Experiência: Ocorreram no Brasil diversas experiências de educação em saúde LGBT durante o período da pandemia da Sars-Cov-2, com auxílio de plataformas digitais. Em uma universidade do Rio Grande do Norte, uma disciplina optativa de Atenção à Saúde da População LGBT, que já seria ministrada no formato presencial, sofreu modificações e acabou por ser ofertada no modelo remoto. A liga de semiologia de uma faculdade de São Paulo se viu obrigada a mudar a sua aula com a mesma temática em decorrência do isolamento social. Discussão: Essas experiências permitiram a análise de uma série de oportunidades e vulnerabilidades trazidas por esse momento de reformulações no ensino. A modalidade remota expôs e expandiu desigualdades sociais por conta da necessidade de equipamentos e internet para acesso aos conteúdos, marginalizando uma parcela vulnerável da população. Além disso, o ambiente digital pode ser inseguro para o pronunciamento de pessoas LGBT. Em contrapartida, essa modalidade permitiu a ampliação do público atingido pelas atividades, resultante da diminuição dos custos e da quebra de barreiras geográficas permitidas pelo ambiente digital. Surgiram inovações nas ferramentas de ensino, como uso de podcasts e vídeos, flexibilizando as formas de ensino e divulgação de informações. Conclusão: Diante das deficiências encontradas com a experiência do ensino remoto emergencial, espera-se que, no futuro, os aprendizados adquiridos levem a uma implementação curricular mais democrática de atividades inclusivas em ensino sobre saúde LGBT nas universidades.
 
Resumo: Introdução: A pandemia de Covid-19 impactou negativamente a saúde mental de médicos e estudantes de Medicina. Muito tem sido discutido sobre as lições aprendidas, no que se refere a aspectos clínicos, de diagnóstico, tratamento e prevenção. Entretanto, os médicos são treinados para o cuidado dos pacientes, o que envolve técnica e humanidade. Objetivo: Este estudo apresenta e discute as lições e reflexões aprendidas por internos de Medicina e médicos recém-formados durante a pandemia de Covid-19. Método: Trata-se de um estudo quali-quantitativo realizado durante a segunda quinzena de setembro de 2020 (seis meses após o início da pandemia) por meio de formulário em plataforma digital. Todos os alunos do internato e todos os médicos formados desde 2018 nas três faculdades de Medicina de Sergipe foram convidados a participar da pesquisa. Resultado: Obtiveram-se 148 questionários respondidos, dos quais quatro não continham respostas nos campos abertos. Quanto ao estágio de formação universitária, 36,5% eram recém-formados (n = 54), dos quais 90,7% trabalharam na linha de frente do atendimento aos pacientes com Covid-19. Ao serem questionados sobre os principais aprendizados que a pandemia havia trazido, 41 respostas estiveram voltadas para a paciência, a imprevisibilidade do futuro e a resiliência no enfrentamento das adversidades. Aproximadamente 42% (n = 62) dos participantes conheciam ao menos uma pessoa que faleceu por Covid-19, e isso se associou à necessidade de aproveitar o tempo, a vida e as pessoas (p = 0,009). Um total de 34 respostas (23%) demonstrou uma atitude positiva de reaprendizado e esperança quando os participantes foram perguntados sobre como imaginavam o trabalho e o ensino médico após pandemia. A necessidade de um retorno cauteloso foi citada em 34 (23%) respostas. Conclusão: Os estudantes de Medicina e os médicos recém-formados relataram aprendizados relacionados à paciência e resiliência. A perda de familiares e amigos por Covid-19 esteve relacionada à necessidade de aproveitar o momento presente.
 
Introduction: Competency-based education has been discussed under the new perspective of the COVID-19 pandemic. The need for social distancing had effects on student activities and educational institutions needed to reflect and redesign the teaching-learning process. It was necessary to incorporate contents related to COVID-19 into the medical training programs and to adapt the teaching tools. Therefore, it is necessary that training be mediated by a collective construction of the competency matrix with the participation of the subjects involved in the process. Objective: This project aims to present the reconstruction of the curriculum in cardiology by observing the collaboration of the students and residents. Method: Exploratory study, involving 13 undergraduate medical students and eight medical residents from the institution’s cardiology program, who comprised the “Students and residents’ panel”. Consensus was reached among the panelists through the Delphi methodology. The first version of the matrix was prepared by the research team and sent, together with the FICF, containing 16 items aimed at COVID-19 content to be achieved at the cardiology internship and residency. The participants attributed their degree of agreement for each proposed item and after returning them, the data were tabulated, stored in an Excel spreadsheet and percentages for each item were calculated and presented in a descriptive manner. Result: The panel consisted of 19 participants. Of the 21 invited, 02 participants did not answer the online questionnaire and were excluded. The initial version of the matrix reached a consensus in the first round, with the lowest agreement rate being 71% in the internship matrix and 89.5% in the residency matrix. Both matrices showed high levels of agreement. There were no disagreements or suggestions for new items for the matrix. Conclusion: The students and residents’ engagement in the pedagogical process may contribute to a better understanding of the competencies for their training and bring sustainable changes to the curriculum.
 
Data obtained from the satisfaction questionnaire at the end of the SARS-CoV2 training course.
Introduction: Preventing and fighting COVID-19 are of the utmost importance. In this context, the importance of using telemedicine tools has grown, including teleconsultations, epidemiological telemonitoring, remote diagnosis, support, and training of health professionals. Objective: This article aims to report the results of a distance-training course on SARS-CoV-2 and COVID-19. We analyze the course adherence, the students’ profile, pre, and post-test proficiency index and satisfaction with the course. Methods: This is a cross-sectional study that evaluated data from the course on SARS-CoV-2 and COVID-19. The data were analyzed in terms of distribution and comparisons of means and frequencies. A paired t-test was used to compare the pre and post-test grades. A p-value <0.05 was considered significant. Data were collected from the Moodle teaching platform, without identifying the participants. Results: From March 23 to May 14, the course was offered to 1,008 medical students and health care providers. Most were from the state of Minas Gerais, some from other Brazilian states, and Mozambique. The majority completed the course, with an 89.8% adherence. The evaluations related to the course, the tutors, the degree of satisfaction, and the security for the professional performance after the course obtained maximum scores. The comparison between the pre and post grades showed proficiency gain (p<0.0001). Conclusion: The course has contributed to the training of medical students and health professionals from Brazil and Mozambique. The organizing committee was able to prepare students and provide knowledge to professionals with difficulty to access good technical and evidence-based information. After the training, the students were selected to work on university projects aiming at supporting city halls, health departments, and the community.
 
Resumo: Introdução: Com a pandemia da Covid-19, foi necessário adaptar o ensino da promoção da saúde para o ambiente on-line. Dessa forma, parte do componente curricular de Saúde Coletiva de uma universidade federal foi realizada em formato de rodas de conversa remotas. O objetivo deste artigo é relatar essa experiência de adaptação ao ambiente on-line, mantendo a coerência entre o aprendizado e a vivência da promoção da saúde durante a pandemia. Relato de experiência: A primeira unidade do componente curricular de Saúde Coletiva consistiu em quatro rodas de conversa sobre promoção da saúde, que foram realizadas em grupos de aproximadamente 15 estudantes. As sessões eram separadas em dois momentos: um assíncrono, de preparação individual, e um síncrono, de discussão em grupos. Assim, os alunos discutiram tópicos sobre a saúde mental e o estresse relacionado à pandemia, além de estratégias de autocuidado e de promoção da própria saúde. Ao final do encontro, cada grupo elaborava suas necessidades de aprendizagem para a próxima sessão. Discussão: As rodas de conversa são pautadas essencialmente no diálogo entre os participantes e permitem a criação de um espaço aberto de troca de narrativas. No caso da experiência relatada, as rodas de conversa foram organizadas de forma a ensinar não somente a promoção da saúde, mas também a promoção do autocuidado no contexto de pandemia. Observa-se, portanto, a coerência no processo de ensino e vivência da promoção da saúde, bem como a preocupação com o bem-estar dos alunos. As principais limitações da experiência foram as dificuldades de acesso às plataformas de ensino remoto e o controle da participação dos estudantes nas atividades, uma vez que foi dada aos alunos a liberdade de ligar ou não a câmera. Conclusão: A realização de rodas de conversa foi uma excelente alternativa para possibilitar a adaptação do componente curricular ao ambiente remoto. Por meio das sessões, os estudantes puderam compartilhar seus sentimentos em relação ao momento atípico vivenciado, além de aprenderem na prática acerca do funcionamento de grupos operativos.
 
Resumo: Introdução: Os estudantes de Medicina vivem experiências de adoecimento e dificuldades em saúde mental frequentes e, muitas vezes, graves. Essas experiências se acentuaram durante a pandemia de doença por coronavírus (Covid-19). Nesse contexto, o treinamento em atenção plena e regulação emocional pode ser uma ferramenta útil de promoção da saúde mental nessa população. Relato de Experiência: Com o objetivo de disponibilizar esse treinamento para os estudantes de Medicina de uma instituição de ensino de Minas Gerais, foi ofertada uma disciplina sobre atenção plena e equilíbrio emocional. Ofereceu-se essa disciplina entre setembro e dezembro de 2020, com 13 aulas síncronas remotas semanais, com duas horas de duração, para 16 estudantes. Após o transcurso da disciplina, aplicou-se um questionário on-line com perguntas abertas e fechadas com três seções: informações sociodemográficas, avaliação da disciplina baseada na Escala de Satisfação com a Experiência Acadêmica (ESEA) e avaliação de impactos no bem-estar subjetivo por meio do Questionário de Saúde Geral 12 (General Health Questionnaire 12 - GHQ-12). Treze estudantes responderam ao questionário da pesquisa. A disciplina foi considerada satisfatória pela maioria dos estudantes em todos os itens avaliados. Nos 12 aspectos de saúde mental pesquisados, a concordância com os impactos positivos da disciplina variou de oito a 12 respondentes. Discussão: Em consonância com as revisões sistemáticas sobre o tema, a disciplina “Atenção plena e equilíbrio emocional” parece ter impactado de forma positiva a saúde mental, a sociabilidade e a autoimagem dos estudantes. Todos os aspectos pedagógicos avaliados foram considerados satisfatórios por mais de 80% dos participantes, com exceção dos que avaliavam especificamente o formato remoto. O caráter optativo da oferta da disciplina pode ter contribuído de forma relevante para esse resultado. Conclusão: Considerando as particularidades do contexto pandêmico, foi possível disponibilizar uma proposta original de disciplina sobre atenção plena e equilíbrio emocional positivamente avaliada pelos estudantes. Novas pesquisas são necessárias para confirmar a associação entre a participação na disciplina e a promoção do bem-estar mental.
 
Introduction: Throughout the SARS-COV-2 pandemic, schools had to adopt social distancing and remote learning, which, according to recent studies suggest an increase in depression, anxiety and behavioral disorders among university students. Medical training, which has a heavy load of psychological issues had to face this aggravating factor, reinforcing the need for support actions for students, such as mentoring programs. Mentoring programs offer empathetic and developmental support that encourages self-care, well-being and resilience. Experience report: A group of teacher-mentors from a medical school adapted the mentoring activities to a remote model, offering them to upper-level students who had already participated in mentoring, and, separately, to students who were newly enrolled in the medical course. In the remote format, the mentoring proposal was maintained as a “place of conversation”, but on a digital platform. The technical follow-up was carried out by remote meetings of the group of teacher-mentors, and consultation with students through a self-administered online questionnaire. The data obtained were submitted to content analysis. Discussion: From March to December, 109 virtual mentoring meetings were held. The students considered the meetings satisfactory in terms of the quality of discussions, the mentors’ attitudes and the emotional environment. The interactive development varied among groups, but it was observed to be easier in the groups of upper-level students. Among the newly-enrolled students, the recurring topic was the fear of poor performance in the tests, losing the semester, or not learning. Upper-level students highlighted the difficulties of adapting to remote learning and organizing their activities, and the decrease in practical activities. All groups reported fear of the pandemic, of death, of the worsening of parents’ financial situation, and sadness about the loss of relatives to COVID-19. It drew the attention of the mentors the fact that the students, even in a welcoming space, kept the cameras turned off. Conclusion: For mentors and students, virtual mentoring worked as an important student support system. Upper-level students and first-year ones reported feeling cared for, supported and grateful, suggesting that the meetings allowed a good interaction and produced beneficial effects. A limitation of this study was the duration of the experiment. Therefore, it is recommended that the research be maintained.
 
Introduction: In times of pandemics, the uncertainties and lack of evidence allow each country to conduct its response as it deems the most appropriate. This setting also facilitates the approval of public measures without adequate ethical analysis, due to its inherent urgency. With that said, the objective of this study is to promote a hermeneutical approach to the Brazilian Government proposals of including medical students in the fight against COVID-19 (Coronavirus Disease 2019) pandemic through an ethical perspective. Development: The governmental resolutions, published in the Brazilian Official Gazette, were discussed in the light of the Universal Declaration on Bioethics and Human Rights (UDBHR) and the Brazilian Medical Student Code of Ethics (CEEM), as the first one guides the debate through a pluralist, multi-, inter- and transdisciplinary bioethics, and the latter brings specified guidance to the studied population group. To better articulate the discussion, the main measures were subdivided into 3 sections: about the risk assessment; about the participation of 5th- and 6th-year students; about the early graduation. In the first one, the creation of participation alternatives has been proposed, including remote participation, without direct contact with patients, aiming to ensure the students’ integrity and to maximize the potential positive effects with minimum harm. After that, the predicted obligatory enrollment for undergraduate students attending the final years of medical school and the possibility of obtaining credit hours for the curricular internship in exchange for participation in the strategic action “O Brasil Conta Comigo” were assessed. Finally, the graduation anticipation and the need for a guarantee that the new graduates have the required knowledge and expertise for the medical profession were questioned. Conclusions: For an effective response against the disease, it’s necessary to collectively structure the adopted measures, benefiting from the capabilities that the students already have, while respecting their limitations, vulnerabilities, and freedoms. It should also be emphasized that any ethical decisions in the context of Medicine and of future generations of professionals can have immeasurable consequences for these individuals, their patients, and communities and thus, one must ensure that the benefits will be the best and greatest possible.
 
Resumo: Introdução: A necessidade de garantir a autonomia do indivíduo na construção do seu bem-estar evidencia a busca de novas formas de levar conhecimento sobre saúde à população. Uma delas, pelos meios de comunicação em massa, como o rádio, pode alcançar públicos nas mais longínquas localidades, de modo a dinamizar o processo de melhoria da qualidade de vida e mudar o paradigma dos processos de saúde. Nesse sentido, nasce o projeto de extensão “A voz universitária” que leva informações de saúde e bem-estar, pela Rádio 93.1 FM, para mais de 400 mil habitantes na região da Transamazônica. Este trabalho tem como objetivo descrever as experiências dos integrantes desse projeto durante sua primeira fase. Relato de experiência: O projeto contribuiu com a distribuição de materiais informativos de formas física (cartilhas educativas) e digital e via rádio sobre temáticas gerais de saúde, qualidade de vida e cidadania. Distribuíram-se mais de três mil unidades da cartilha impressa a comunidades ribeirinhas do Xingu, além da disponibilização no formato digital à Secretaria Municipal de Educação de Altamira. Além disso, ao longo dos primeiros seis meses de implementação, o projeto abordou via rádio mais de 40 temáticas e reuniu mais de 20 profissionais de saúde locais para conversar com o público. Discussão: A garantia da autonomia do indivíduo para identificar sua urgência de ajuda e procurar auxílio quando necessário é uma forma de dinamizar as práticas de saúde, com especial atenção às comunidades historicamente marginalizadas e socialmente vulneráveis como os indígenas e ribeirinhos do Xingu, que sem acesso a outros meios de comunicação, senão o rádio, teriam mais dificuldade em receber essas informações. Assim, os meios de comunicação em massa se mostram efetivos na construção de um saber científico inclusivo para comunidades tradicionais. Conclusão: Os meios de comunicação em massa e comunicação digital são importantes ferramentas para a prática médica, pois permitem que esta saia dos muros do modelo biomédico e curativista e abra novos horizontes para a resolução dos problemas de saúde sem a necessidade da intervenção direta de um profissional, de modo a garantir a autonomia do indivíduo na construção do seu bem-estar e reaproximar a comunidade acadêmica da sociedade.
 
Introduction: The World Health Organization defined the compulsory need to redirect all educational, research and public health service activities of medical schools to meet all priority health needs, attributing to them this social responsibility role. Due to the emergency situation in the public health system caused by the COVID-19 pandemic, as a measure of social accountability, remote medical care services and online education were adopted in order to continue following the curricular program and to provide assistance to local city governments. Experience report: Two months before graduation, medical students followed-up on the monitoring of residents and COVID-19 healthcare professionals of forty-three ILPIs (Long-Term Elderly Care Facilities) in the city of Sao Jose do Rio Preto, state of Sao Paulo, Brazil. The medical students made daily telephone calls to all these ILPI units, requesting information, generally from the head nurses and owners, about the main COVID-19 symptoms that were detected in the residents and employees of these facilities. All the collected information was discussed daily with the teacher in charge of mentoring the program, fed into an online database and into a work schedule chart, then relayed to the local Municipal Health Secretariat. A COVID-19 contingency plan was devised by the team, authorized by the Local Health Secretariat and then presented to the ILPIs, aiming to offer them the best guidance throughout the pandemic. Discussion: the COVID-19 pandemic revealed the Health Education System’s fragilities, limitations and capacity to adapt to this crisis, thus largely contributing to improving the training of new medical doctors. During the program, medical students faced many challenges, especially regarding the difficulty to contact some ILPIs by telephone, omitted or erroneous information provided by employees in these facilities and delays in reporting suspected cases. In spite of this scenario, daily contact with these facilities allowed the team to identify the ILPIs that were more adequately prepared and the ones that needed auditing and further supervision. Also, this daily contact established a bond between the team and the ILPIs. Conclusion: During the pandemic, it was possible to perform actions according to the logic of social accountability, demonstrating that remote online medical practice is a tool capable of both maintaining interns in contact with the practical aspects of medical care and providing medical assistance to the community and to the local government.
 
Introdução: Os movimentos sociais, organizados em torno da reforma sanitária, contribuíram para a institucionalização do processo de formação em saúde no país que deve estar em consonância com as reais necessidades de saúde da população e, dessa forma, promover a inclusão e equidade na perspectiva da social accountability. Isso se torna ainda mais importante no contexto da pandemia da Covid-19, já que se vivencia uma nova prioridade de saúde. Entretanto, o que se tem observado ao longo da pandemia da Covid-19 é um despreparo profissional para um cuidado integral em saúde que considere as pessoas e comunidades historicamente invisibilizadas. Objetivo: Analisar criticamente as questões das diversidades em relação às Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Medicina (DCN). Desenvolvimento: Por meio de três blocos temáticos - “Análise comparativa das DCN de 2001 e 2014 na perspectiva da diversidade”,“Como podemos problematizar as questões da diversidade a partir das DCN de 2014?” “As DCN de 2014 e o que precisamos tornar mais evidente na busca pela diversidade no ensino médico” -, aprofundou-se o debate crítico e reflexivo sobre a educação médica a partir da perspectiva de diversidade. Constatou-se a necessidade de uma articulação formativa e assistencial com as demais políticas públicas em saúde, principalmente aquelas relacionadas a populações marginalizadas. Conclusão: A pandemia da Covid-19 mostra-se como uma oportunidade de a mídia e a sociedade como um todo olharem para as desigualdades sociais em saúde, considerarem a relevância do SUS e enfatizarem os múltiplos apontamentos contemporâneos que evidenciam que os projetos pedagógicos e os componentes curriculares dos cursos de Medicina precisam ser atualizados e se comprometer com a construção de uma proposta de ensino e cuidado em saúde que valorize a diversidade e diminuição das iniquidades em saúde.
 
Resumo: Introdução: A mentoria é uma importante estratégia de ensino em cursos de graduação e no treinamento profissional, especialmente no momento em que o mundo vivencia a pandemia da Covid-19. Essa estratégia possibilita aprendizado dinâmico e coletivo, ao mesmo tempo que minimiza os impactos sociais e emocionais gerados pela pandemia, sem comprometer o isolamento físico. Relato de experiência: A experiência dos alunos da UFMG com a mentoria nos formatos presencial (realizada em 2019) e virtual (durante a pandemia de 2020) demonstrou que, apesar de a modalidade virtual ter aspectos negativos, as vantagens são superiores. O aspecto mais vantajoso elencado por todos os mentorandos foi a possibilidade de discutir temas que iam além do aprendizado da medicina, como uma forma de preparação prática para a vida profissional. Discussão: A mentoria é uma estratégia singular de grande importância na educação médica. O formato misto, composto por reuniões virtuais e presenciais, foi considerado o melhor modelo para sua aplicação. Conclusão: Acreditamos que o presente relato estimulará outras instituições a adotar disciplinas no formato de mentoria, além da utilização do recurso remoto como estratégia de ensino.
 
Top-cited authors
Andreia Gomes
  • Universidade Federal de Viçosa (UFV)
Veronica Albuquerque
  • Centro Universitário Serra dos Órgãos
Nilce Maria da Silva Campos Costa
  • Universidade Federal de Goiás
Sergio Rego
  • Fundação Oswaldo Cruz
Luciano Pamplona
  • Universidade Federal do Ceará