Revista Baiana Saúde Pública

Published by Secretaria da Saude do Estado da Bahia
Print ISSN: 0100-0233
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Este estudo versa sobre o Asilo S. Joao de Deus, a primeira e mais antiga instituicao psiquiatrica da Bahia, fundada em fins do seculo XIX. Tenta tracar um relato historico do asilo quanto ao seu funcionamento interno. Tambem aborda a participacao de uma instituicao filantropica, a Santa Casa de Misericordia da Bahia, nessa administracao e o relacionamento que esta mantinha com o governo. No inicio deste seculo, o asilo deixa de ser administrado pela irmandade e passa a administracao publica direta. No capitulo final, o autor tenta interpretar as mudancas na conducao administrativa do asilo, relacionando-as ao processo politico de transicao entre o Imperio e a Republica Velha (AU). Mestre -- Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Medicina, [s.l.], 1985.
 
Com o objetivo de retracar a historia da Psiquiatria asilar no Estado da Bahia,tentando-se apreender os determinantes da permanencia do Asilo enquanto instituicao prestadora de servicos, procede-se, inicialmente, a uma revisao do desenvolvimento historico das estrategias psiquiatricas em sociedades capitalistas. Apos a sistematizacao de algumas questoes teoricas pertinentes a analise da pratica asilar, passa-se ao estudo do nascimento do Asilo no Brasil, de meados do seculo XIX a decada de 20 do seculo atual. Na segunda parte, discute-se os antecedentes e determinantes do surgimento do Asilo na Bahia, ou seja, o movimento pela criacao do Asilo Sao Joao de Deus, que ocorreu em 1874. A seguir sao analisados os dois momentos da primeira fase da historia do Asilo - de 1874 a 1912 - marcada pela vinculacao a Santa Casa de Misericordia. No primeiro momento, o Asilo esteve sob direcao medica que, em 1882, foi afastada pelas suas divergencias tecnico-administrativas com a instituicao religiosa, sendo substituida, por uma direcao "leiga" da propria Santa Casa. E analisada, nesse segundo momento, a luta organizada dos medicos - imprensa, associacao profissional, parlamento - pela retomada da direcao do asilo, conquista que delimita o periodo estudado. Discute-se especificamente ... (AU). Mestre -- Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Medicina, [s.l.], 1982.
 
Objetivos. Conhecer os motivos que levam mulheres residentes em Feira de Santana - BA a buscar a esterilização como método contraceptivo, ao tempo em que se pretende avaliar informações dessas mulheres esterilizadas a respeito das implicações da esterilização. Método. Estudo qualitativo, utilizando a técnica de entrevista semi-estruturada, com vinte mulheres. As entrevistas, realizadas a partir de perguntas norteadoras, foram gravadas e transcritas. Procedeu-se a uma análise, a qual foi realizada segundo a técnica de análise de conteúdo. Resultados. Dentre os motivos apontados pelas mulheres para a escolha da esterilização estão a dificuldade no uso da pílula, rejeição ao DIU, inadequação com outros métodos, satisfação com a prole por Ter atingido o número desejado de filhos e situação socioeconômica. A dificuldade na utilização de métodos reversíveis é baseada em representações formada a partir de informações recebidas nos serviços de saúde e, principalmente, no meio social e vivências anteriores com os métodos. A falta de informação sobre esterilização é uma constante entre as mulheres entrevistadas, assim como sobre métodos contraceptivos em geral, o que dificulta seu uso. Conclusões. A esterilização como método contraceptivo entre mulheres de baixa renda não se traduz, na maioria das vezes, em uma escolha ou opção, mas em uma falta de escolha a elas imposta pelas circunstancias vividas. Os resultados alcançado. Tese (Doutorado).
 
Os residuos solidos domiciliares urbanos (RSDU) representam um problema de saude publica mundial ainda pouco investigado na sua relacao com a saude infantil. O presente estudo tem como objetivo verificar a existencia de associacao entre diarreia aguda em criancas na idade pre-escolar e exposicao aos RSDU, mensuradas nos ambitos comunitario e individual/domiciliar. Este trabalho e apresentado sob forma de coletanea de artigos que organizaram-se em torno do objetivo(AU). Doutor -- Universidade Federal da Bahia. Instituto de Saude Coletiva, Salvador, 2002.
 
O câncer do colo do útero (CCU) é um problema de saúde pública no Brasil, responsável por altos índices de morbimortalidade entre as mulheres de acordo com os indicadores de saúde. O objetivo deste estudo foi analisar e discutir o comportamento da taxa de mortalidade por CCU na 16ª Região de Saúde entre 2010 e 2015. Este é um estudo transversal retrospectivo, com base em dados retirados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM)-Datasus no período de 2005 a 2015. No cenário de mortalidade por CCU na Paraíba, em relação aos respectivos números de óbitos entre os anos de 2005 e 2015 na 16ª Região de Saúde, os municípios de pequeno porte tiveram suas taxas mantidas, porém Campina Grande, região de médio porte, apresentou aumento exponencial a partir de 2012, evidenciando, assim, aumento em todo o estado, além de representar um ponto fora da curva que elevou o índice. Foi possível perceber pouco êxito das políticas de saúde na 16ª Região de Saúde a partir do ano de 2012, pois o número de óbitos triplicou em relação ao ano anterior, mantendo-se crescente até o fim do período estudado, o que demonstrou possível falta de eficácia na gestão e coordenação do cuidado em saúde.
 
O desenvolvimento motor em crianças de 0 a 18 meses de idade com baixo peso ao nascer é tema de interesse para os estudos da área de saúde, pois será determinante para a evolução gradativa dos padrões neuropsicomotores. O objetivo deste estudo é verificar a existência da relação entre atraso no desenvolvimento motor e baixo peso em crianças de 0 a 18 meses de idade atendidas em Centros de Saúde do município de Jequié (BA). Do ponto de vista da metodologia, trata-se de pesquisa do tipo descritiva com abordagem quantitativa. A amostra foi constituída por 30 crianças, divididas em dois grupos: Grupo A composto por 15 crianças com peso normal; e Grupo B constituído de 15 crianças com baixo peso. O instrumento de avaliação da função motora foi a Escala Motora Infantil de Alberta (AIMS) e a análise dos dados foi realizada por meio de associações das variáveis e sexo apresentadas pormeio de gráficos utilizando o programa GENES. Encontrou-se que a totalidade das crianças do Grupo A apresentou desenvolvimento motor normal enquanto, no grupo B, menos da metade alcançou este desenvolvimento. Com a aplicação do teste do Qui-quadrado não foi encontrada significância estatística entre as variáveis peso e desenvolvimento motor(Qui-quadrado = 7,66). Concluiu-se que o peso normal e o baixo peso leve não tiveram relação com a suspeita ou atraso no desenvolvimento motor, no entanto o baixo peso moderado e grave demonstrou tal relação.
 
Triatoma infestans foi considerado, por anos, o principal vetor da doença deChagas no Brasil. A redução dos índices de infestação predial associados à espécie conferiuao país, em 2006, certificação de eliminação da transmissão da doença por esse vetor.Porém, focos residuais foram encontrados no município de Novo Horizonte (BA), Brasil, apartir do ano de 2010. Diante desse panorama, foi desenvolvido um estudo com objetivode descrever os focos residuais de T. infestans no município de Novo Horizonte, área decaatinga da Bahia. As pesquisas foram realizadas na localidade de Fazenda Queimadas6ª, zona rural do município, nos anos de 2011 a 2013. Os triatomíneos coletados foramidentificados, triados e dissecados para diagnóstico molecular da infecção natural peloTrypanosoma cruzi e avaliação de suas fontes alimentares. Durante o estudo, foramcoletados 502 exemplares, distribuídos em dois focos residuais: em 2011 com 71 indivíduosno intra e peridomicílio; e, em 2013, com 431, apenas no peridomicílio. Desse total, 143exemplares foram selecionados para análises moleculares: todos os coletados em 2011 e 16,7% dos coletados em 2013. O Índice de Infecção Natural pelo T. cruzi foi de 4,2%. O DNA de ave foi detectado em 60% dos triatomíneos analisados, 1 infectado por T. cruzi. Já o DNA humano ocorreu em 3% das amostras, com nenhum triatomíneo infectado. A convivência de seres humanos e animais domésticos com colônias de T. infestans suscita a possibilidade de recolonização dessa espécie na Bahia, aumentando a chance de transmissão vetorial da doença de Chagas.
 
Este trabalho relata a Memória Histórica do Hospital de Isolamento de Mont-Serrat, atual Hospital Couto Maia. Criado em 9 de abril de 1853 pelo Presidente da Província da Bahia João Mauricio Wanderley, com o objetivo de tratar os marinheiros afetados pela febre amarela, embarcados nos navios mercantes nacionais e estrangeiros que aportavam na cidade de Salvador, na Bahia. Afincado na historiografia das ciências, considerando a história social, política, cultural e da saúde, apresenta-se um ensaio da memória do Hospital Couto Maia, reafirmando a existência de prática científica no Brasil no século XIX.
 
Este estudo tem o objetivo de relatar a experiência vivenciada pela equipe de apoio institucional do Ministério da Educação (MEC) no estado da Bahia em relação à supervisão acadêmica no contexto da pandemia de covid-19, no período de 2020 a 2021. Trata-se de uma pesquisa descritiva, do tipo relato de experiência, tendo como referência a atuação do apoio institucional frente à supervisão acadêmica no processo de trabalho dos médicos do Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB). Foram descritas as ações estratégicas e educacionais construídas pela supervisão acadêmica do PMMB no estado da Bahia, no período da pandemia pelo novo coronavírus, relacionadas às potencialidades e fragilidades encontradas no processo de trabalho nesse cenário. O contexto da pandemia impôs um grande desafio para os atores envolvidos no processo da supervisão acadêmica. Enfatiza-se, diante do cenário pandêmico, a importância da comunicação e articulação das instâncias do Sistema Único de Saúde (SUS) na organização do processo de trabalho nas unidades básicas de saúde e no enfrentamento da covid-19.
 
O oxímetro de pulso, por possibilitar a monitorizarão dos níveis de oxigênio no sangue, é um importante recurso no contexto da pandemia de Covid-19. O objetivo deste relato é descrever a experiência de profissionais da Escola Estadual de Saúde Pública (ESPBA) no processo de produção de um conteúdo educacional digital, voltado a profissionais da saúde da atenção básica, intitulado “O uso do oxímetro de pulso como estratégia de monitoramento dos casos suspeitos ou confirmados de Covid-19”. Esse conteúdo integrou o Curso de Identificação e Cuidados Precoces na Covid-19, e fez parte de um bloco de três videoaulas, disponibilizadas no ambiente virtual da ESPBA e na plataforma YouTube, denominado Webaula 5. Dos 1.704 discentes que responderam o formulário final de avaliação da webaula, 97% consideraram que os conteúdos atenderam ou superaram as expectativas. No YouTube, até novembro de 2020, já havia 10.405 visualizações, com 73% de comentários positivos, sendo os outros 27% composto por comentários negativos, perguntas e identificação da audiência. Essa experiência proporcionou uma maior aproximação dos profissionais da ESPBA com ferramentas pedagógicas mediadas pelas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação, maior articulação com técnicos de referências municipais e estaduais, além de contribuir para a disseminação e acesso do conhecimento técnico-científico sobre a Covid19 pelos profissionais da atenção básica. A qualificação das docentes da ESPBA em estratégias de ensino-aprendizagem on-line se faz necessária, de forma a ampliar as ações de educação permanente por meio de tecnologias digitais na Bahia.
 
No Brasil, a pandemia atinge, de forma preocupante, funcionários e custodiados do sistema prisional. As condições precárias na estrutura das instituições, a superpopulação e as dificuldades na assistência à saúde podem prejudicar a prevenção aos agentes infectocontagiosos. Na Bahia, o acompanhamento da Covid-19 no Sistema Prisional é realizado pela Área Técnica de Saúde no Sistema Prisional (ATSSP), parte da Coordenação de Promoção da Equidade em Saúde (CPES), componente da Diretoria de Gestão do Cuidado (DGC), um dos setores da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Essa ação é feita por meio de intervenções diretas nas Unidades Prisionais (UP), publicações de Planos de Ação e elaboração de Notas Técnicas, monitoradas por meio de videoconferências com representantes das áreas da saúde (estado e municípios), segurança pública, administração penitenciária, das UP e delegacias, para articulação e implementação de atividades preventivas, diante da pandemia, voltadas às pessoas privadas de liberdade (PPL). Este artigo descreve as ações de prevenção à Covid-19 desenvolvidas nas UP e delegacias do Sistema Prisional baiano em 2020. É um relato de experiência que utiliza análise de documentos produzidos no processo de implementação e monitoramento das medidas. Como resultados, foram identificadas as ações de superação das dificuldades de cada unidade, que possibilitaram a reorganização dos serviços, oferta de insumos, capacitação dos servidores, vigilância e prevenção dos casos de infecção nas UP e delegacias. Observou-se que as UP da Bahia aplicaram as principais estratégias preconizadas oficialmente, estabelecendo, em alguns casos, um protocolo próprio de combate à Covid-19. Diante desse contexto, é possível apontar que as medidas adotadas colaboraram para a diminuição da disseminação do SARS-CoV-2 na população prisional do estado.
 
A pandemia da Covid-19 acentuou a necessidade de melhorar o planejamento e a gestão da força de trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS), dentre elas, a atenção à saúde dos trabalhadores, com a instituição de medidas de monitoramento dos sintomáticos e contactantes de caso positivo, tais como detecção precoce, isolamento e acompanhamento da evolução dos casos, além de estratégias de humanização do trabalho. Nesse sentido, foi realizado um estudo descritivo com elementos quantitativos, no qual se busca descrever a implantação de 76 centros de testagem para diagnóstico da Covid-19 entre os trabalhadores da saúde na Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), sendo um deles matricial, localizado na capital, e os demais em cada uma das unidades da rede própria, sob gestão direta e indireta. Nesses centros, foram realizados, até fevereiro de 2021, um total de 69.134 testes de diagnóstico da Covid-19 relativos a 43.575 trabalhadores da saúde que atuam na rede estadual, com incidência global de 21,9 casos da doença. Também atendeu-se a uma lacuna de suporte diagnóstico a 12.859 trabalhadores de outras áreas do serviço público estadual consideradas essenciais. Além das testagens regulares que eram feitas dos casos suspeitos ou contactantes diretos de caso positivo, foram realizados dois ciclos de testes, sendo um pelo método imunocromatográfico e outro pelo método RT-PCR. A criação desses serviços demonstra o esforço do governo do estado da Bahia em atuar no bloqueio da infecção da Covid-19, bem como na preocupação com a saúde e segurança de seus trabalhadores e usuários.
 
O primeiro caso de Covid-19 no estado da Bahia foi confirmado em 6 de março de 2020. Diante desse cenário, objetiva-se neste artigo descrever o estabelecimento da rede hospitalar de referência secundária e terciária para os casos de Covid-19, de acordo com a estratificação de risco, a partir do levantamento de dados obtidos nas áreas técnicas da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), sistemas de informação e Plano Estadual de Contingência para Enfrentamento do SARS-CoV-2. Notou-se que a rede hospitalar se mostrou suficiente para o atendimento da demanda proveniente da infecção pelo novo coronavírus. Por fim, conclui-se que a gestão estadual conseguiu demonstrar capacidade técnica e administrativa para planejar, organizar e garantir suficiência de oferta de leitos.
 
A produção científica em saúde é direcionada às pesquisas que geram benefícios para a população. O objetivo geral deste estudo foi descrever a construção da rede de cuidados para acolhimento psicológico aos trabalhadores da saúde em sofrimento psíquico durante a pandemia da Covid-19. Do ponto de vista da metodologia, trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, associado à técnica de observação participante, com coleta de dados empíricos na pesquisa qualitativa. Foram levantados os principais caminhos e fluxos da construção da rede de acolhimento psicológico aos trabalhadores da saúde em um cenário que impôs desafios inéditos. Os resultados apontam para a composição estratégica, ativa, dialógica e interativa da rede de cuidado e acolhimento psicológico a esse grupo. Destaca-se a necessidade de investimento e dedicação contínuos nos dispositivos que compõem o itinerário de serviços e cuidados, com vistas a fomentar a robustez da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), seu alcance, capilaridade e efetividade.
 
As infecções provocadas pelo coronavírus afetaram todos os países do mundo. Com a pandemia, surgiram muitos desafios a serem enfrentados para superar essa crise global. A quantidade de óbitos, o isolamento social e a incerteza das consequências futuras desse problema têm sido alguns dos principais fatores responsáveis por gerar instabilidade emocional nos indivíduos. Entre os grupos populacionais afetados, as crianças são as vítimas mais vulneráveis devido à prematuridade psicológica e à inabilidade de lidar com crises. Assim, foi realizada uma pesquisa de revisão integrativa nas plataformas Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e PubMed, a fim de investigar quais os efeitos da pandemia na saúde mental do público infantil. A amostra final foi composta de dez artigos. A partir da análise desses textos, pode-se perceber reflexos nas transformações de humor e de comportamento em crianças no contexto de isolamento social. O aumento da permanência em casa, a necessidade de se adaptar a atividades escolares virtuais, a privação do convívio social com outros da mesma idade e a maior exposição a telas nomearam os principais pontos percebidos. A pesquisa mostrou efeitos esperados da pandemia e identificou o despreparo das escolas e dos familiares em promover suporte emocional para esses menores. Dessa forma, é fundamental a realização de estudos sobre a temática com o objetivo de compreender as melhores medidas a serem adotadas para reduzir os efeitos negativos da pandemia na vida desse público.
 
O cenário de pandemia ocasiona perturbações psicológicas e sociais que afetam toda a sociedade, assim como sua capacidade de enfrentar a situação. Sendo assim, o medo e a insegurança podem atrapalhar os processos de trabalho em desenvolvimento. O objetivo deste estudo é relatar a experiência da Escola de Saúde Pública da Bahia Professor Jorge Novis (ESPBA) com a oferta da ação educativa intitulada Orientações para o Autocuidado no Contexto da Covid-19. O curso de curta duração foi estruturado em módulos, respeitando os níveis de escolaridade dos profissionais da ESPBA. As aulas foram realizadas no período de maio a junho de 2020, de forma presencial, com turmas divididas com limite de até dez pessoas. Houve grande participação dos profissionais das áreas de recepção, portaria, vigilância patrimonial e higienização oriundos de empresas terceirizada. Desse processo, se derivou também a proposta de construção de um Roteiro de Avaliação das Condições de Trabalho. O empenho no desenvolvimento dessas ações permitiu visualizar fragilidades no processo de formação e qualificação dos profissionais terceirizados no que diz respeito à pandemia, além de evidenciar situações não condizentes com o manual da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na estrutura e organização da ESPBA. Os resultados promovem reflexões acerca dos critérios de contratação de empresas terceirizadas e seu compromisso com os contratantes, trabalhadores e os próprios profissionais. A Educação Permanente em Saúde se torna aliada das ações de enfrentamento da pandemia, servindo como um “termômetro” ao permitir que, a partir de sua realização, sejam identificados outros problemas e desenvolvidas novas intervenções.
 
Em dezembro de 2019, com a eclosão da epidemia pelo novo coronavírus, em Wuhan, na China, e diante do risco de rápida disseminação para outros países, instituiu-se alerta internacional para uma possível pandemia, que veio a ser confirmada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em março de 2020. O SARS-CoV-2, agente etiológico da Covid-19, é transmitido de forma eficaz entre humanos, podendo provocar doença respiratória aguda e grave. Sua transmissão ocorre entre pessoas, principalmente por meio de gotículas respiratórias, mas também pode ocorrer através do contato com objetos e superfícies contaminadas. Aproximadamente 80% das pessoas infectadas apresentam doença leve, enquanto 15% podem evoluir para um quadro grave e 5% apresentar doença crítica, evoluindo para óbito. A literatura aponta que a gravidade da doença está associada à idade avançada e à presença de comorbidades. Além de requerer mudanças radicais de comportamento, nos níveis individual e comunitário, a Covid-19 tem exigido respostas rápidas no que se refere a ações preventivas, ampliação e aquisição de insumos e leitos hospitalares, redimensionamento de recursos humanos em saúde, dentre outras estratégias de controle.
 
Com o advento da pandemia de Covid-19, tornou-se mais desafiante a manutenção das ações do Programa de Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), que tem como finalidade geral reduzir a prevalência de tabagistas no país por meio de ações individuais e, majoritariamente, atividades coletivas. O objetivo deste estudo é analisar a adesão dos municípios e a oferta e procura de atendimentos no Programa de Controle do Tabagismo na Bahia no contexto da pandemia da Covid-19. É um estudo transversal, de caráter descritivo, abordagem mista, composto por uma etapa qualitativa e outra quantitativa. Foram analisados os relatos e as informações fornecidas pelos gestores municipais quanto à adesão e ao monitoramento do PNCT por meio do preenchimento de formulário on-line, no período de 2018 a 2020. A análise das unidades de saúde cadastradas evidenciou o predomínio da oferta de tratamento na Atenção Básica quando comparada à Atenção Especializada. Com relação à adesão, observou-se diminuição no quantitativo de municípios cadastrados. Entre os fatores citados pelos coordenadores para diminuição ou interrupção dos atendimentos estão a pandemia de Covid-19 e a falta de insumos e de equipes qualificadas. Muitos pacientes deixaram de procurar atendimento por medo da infecção e alguns serviços tiveram suas atividades redirecionadas para o enfrentamento da pandemia. Perante o exposto, observamos que a pandemia acarretou uma diminuição da procura e da oferta de atendimentos do PNCT/BA, levando a um impacto direto na vida das pessoas assistidas, bem como na adesão de novos pacientes. Palavras-chave: Tabagismo; COVID-19; Programa Nacional de Controle de Tabagismo; Atenção básica.
 
A covid-19 já causou milhares de mortes pelo mundo e ainda preocupa as autoridades sanitárias devido a sua alta infectividade e transmissibilidade. Trata-se, portanto, de uma emergência de saúde pública mundial. O objetivo deste artigo é descrever o perfil epidemiológico de casos de covid-19 no município de Salvador, Bahia, Brasil, nos primeiros quatros meses de pandemia. Trata-se de um estudo epidemiológico, retrospectivo, descritivo. A partir de uma abordagem quantitativa, foram analisados os dados secundários das notificações de covid-19 no município mencionado. O período analisado foi o de março a junho de 2020. Foram confirmados 34.692 casos da doença, com maior número de registros em adultos com idades entre 20 e 49 anos (77,3%), do sexo feminino (53,7%). Por outro lado, o número de casos em crianças e adolescentes foi menor (4,4%). O distrito sanitário Barra/Rio Vermelho, região com os melhores indicadores socioeconômicos da cidade, apresentou o maior número de casos notificados. As doenças cardíacas (10,4%) e o diabetes mellitus (7,8%) foram as patologias pregressas mais relatadas entre as pessoas infectadas. Conclui-se que a cidade de Salvador (BA) se apresentou como uma região com forte tendência de aumento dos casos e, consequentemente, propensa ao agravamento da doença, o que impõe a necessidade de elaboração de estratégias públicas para a diminuição de propagação do vírus SARS-CoV-2.
 
O planejamento se configura numa importante ferramenta para a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das diretrizes do planejamento do SUS consiste em formular Planos de Saúde (PS) e Programações Anuais de Saúde (PAS), a partir das necessidades de saúde da população, e em face da emergência em saúde pública de importância internacional decorrente do novo coronavírus (Sars-CoV-2), o Governo Federal recomendou, por meio de normativas pactuadas nas instâncias colegiadas, revisitar o PS e PAS para avaliar a aderência desses instrumentos aos esforços dos governos subnacionais para o enfrentamento da pandemia da Covid-19. Este trabalho tem como objetivo descrever o processo de readequação dos instrumentos de planejamento e gestão, com vistas ao enfrentamento da pandemia decorrente do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no estado da Bahia, em observância às diretrizes políticas que norteiam o planejamento do SUS. Trata-se de um estudo descritivo-observacional, cujo processo ocorreu em cinco fases, no período de junho de 2020 a abril de 2021. Como resultante desse processo, foram incorporadas aos instrumentos de planejamento governamental e do SUS uma nova meta e uma iniciativa correspondente, bem como criou-se um Sistema de Planejamento e Gestão em Saúde (SPGS) para monitorar a operacionalização do Plano Estadual de Contingência para Enfrentamento do Novo Coronavírus. O planejamento em saúde se constitui num ato vivo, processual, portanto, numa prática técnica e política permeável às situações de contexto, e que requer a participação dos mais distintos atores, tendo como norteadoras as necessidades de saúde da população, seus determinantes e condicionantes.
 
Em períodos de crise humanitária ou de grandes desastres, impõe-se a organização de frentes de trabalho, de forma ágil, para prestar assistência às populações atingidas. Diversas condições de sofrimento podem evoluir para transtornos mentais manifestos. Na Bahia, a Diretoria de Gestão da Educação e do Trabalho na Saúde estruturou o Centro de Acolhimento Psicológico para Trabalhadores da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), em parceria com outros setores. Este trabalho relata a experiência da equipe multiprofissional designada para compor o centro, sua implantação e a organização dos processos de trabalho desenvolvidos durante o período de pandemia. Trata-se de uma abordagem descritiva, com uso de técnicas de análise documental, abordando o período de abril a outubro de 2020. Procedeu-se alinhamento da oferta de atenção psicossocial, emergencial e remota, considerando procedimentos técnicos de apoio profissional em crises sanitárias e a Política de Humanização do SUS. Para todo(a) trabalhador(a) contaminado(a) com Covid-19, foi oferecido acolhimento remoto, seguido ou não de quatro sessões de psicoterapia. Os trabalhadores que necessitavam de mais sessões foram encaminhados para o Serviço de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (Siast), para outros serviços e/ou para atendimentos de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). A equipe multiprofissional realizava reuniões semanais e mantinha contato com os Siast das unidades. O atendimento remoto promoveu acolhimento e propiciou a escuta de trabalhadores(as) que apresentavam sintomas de sofrimento psíquico ou condição de vulnerabilidade individual e social. Recomenda-se o fortalecimento dessa experiência de apoio e sua ampliação para as demais regiões de saúde do estado.
 
Os trabalhadores da saúde se tornaram vítimas da contaminação pelo novo coronavírus, reafirmando a propensão do ambiente e dos processos de trabalho à propagação e disseminação do vírus. A sistematização de informações sobre esse segmento é fundamental, posto que os trabalhadores estão no enfrentamento direto à pandemia. Instrumentos de comunicação, como boletins informativos, contribuem para o conhecimento da situação de saúde, bem como da evolução da contaminação de trabalhadores no ambiente de trabalho. Relatar a experiência de elaboração do Boletim Informativo Covid-19 para Trabalhadores da Saúde do estado da Bahia configura-se como uma estratégia de difusão de informações adequadas e oportunas que colaboram para a proteção e promoção da saúde dos trabalhadores. O boletim apresenta informações referentes à atenção à saúde, ao acolhimento psicológico e ações de humanização desenvolvidas para os trabalhadores. Entre março de 2020 e fevereiro de 2021, foram realizados 69.134 testes para detecção da Covid-19 em 48.894 trabalhadores, o que corresponde a 89,1% da força de trabalho ativa, sendo detectados 9.561 resultados positivos para o Sars-CoV-2. Foram também realizados 2.419 atendimentos psicológicos/psiquiátricos e implantadas inúmeras ações de valorização da dimensão subjetiva, de fomento à grupalidade, promoção do autocuidado, ampliação do diálogo e autonomia dos sujeitos. Compreende-se, portanto, o boletim como uma ferramenta essencial que organiza e publiciza o processo de monitoramento e acompanhamento dos eventos relacionados à gestão do trabalho e dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia.
 
Considerando a legislação e as atribuições regimentais no âmbito estadual, a Escola de Saúde Pública da Bahia (ESPBA) tem como finalidade desenvolver ações de qualificação, formação e educação permanente para os trabalhadores de saúde, em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e a Política Estadual de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde. Com o cenário adverso durante a pandemia da Covid-19, a ESPBA teve que redobrar os esforços para atender, além das ações já planejadas, as necessidades de ações contingenciais impostas pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). Este artigo tem como objetivo discutir as mudanças do processo de trabalho da ESPBA e as ações realizadas no contexto da pandemia. As informações foram coletadas dos registros de trabalho de cada área técnica (dados secundários oriundos de fichas de inscrição, relatórios dos cursos e relação de certificados), que fazem parte da sistematização de dados, utilizando o software Microsoft Excel, para as devolutivas quadrimestrais nos relatórios. A ESPBA realizou um número significativo de ações educativas a partir da reorganização e reestruturação do processo de trabalho, com a adequação das ações presenciais para modalidades de ensino a distância e remoto, sendo possível descentralizá-las para trabalhadores de outros municípios. Dessa forma, proporciona articulação intra e interinstitucional nas ações educativas específicas para enfrentamento do novo coronavírus. Apesar do contexto, a pandemia foi um momento estratégico para a instituição, pois proporcionou oportunidade de se organizar e de identificar fragilidades quanto aos equipamentos e estruturas para incorporação da tecnologia da informação. Mesmo com os desafios e limitações, conclui-se que a ESPBA cumpriu com seu papel de ordenadora da formação no SUS.
 
A pandemia pelo Covid-19¹ levou o Brasil ao maior colapso sanitário-hospitalar de sua história. O Programa Mais Médicos (PMM) prevê a qualificação profissional dos médicos, além de contar com as instituições públicas de educação superior por meio da supervisão acadêmica2. Contudo, a situação pandêmica restringiu as visitas de supervisão, as quais passaram a ser realizadas virtualmente. Com isto, este artigo busca conhecer o olhar dos supervisores acadêmicos na atuação dentro do PMMB, no contexto da pandemia do Covid-19, a luz das fragilidades e potencialidades no que tange à atuação na atenção básica. Trata-se de um relato de experiência realizado com base nos relatórios de acompanhamento do processo de supervisão acadêmica. Foram realizados nos momentos de avaliação das supervisões, elaborado pela tutoria, com os 16 supervisores, entre 2020 e 2021. Como resultado, notamos a indisponibilidade de internet estável nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), perda da vinculação, devido a distância física não propiciar o fortalecimento do vínculo com os gestores das secretarias de saúde, dificuldades no manejo clínico das infecções respiratórias, a realização de diagnósticos diferenciais, a gestão da demanda reprimida e prejuízos frente à saúde mental dos profissionais. Portanto, o uso de ferramentas virtuais para manter o vínculo com seus supervisionados foi a estratégia mais efetiva nesse período de distanciamento social. A pandemia pelo Covid-19 trouxe desafios para os profissionais médicos, porém mesmo diante das fragilidades apontadas, à presença do supervisor acadêmico, se possibilitou a educação permanente, diante de uma doença nova e com atualizações de propedêutica recorrentes, bem como o apoio organizacional e ético.
 
A Covid-19, doença causada pelo Severe Acute Respiratory Syndrome – Corona Vírus‑2 (SARS-CoV-2), que surgiu no final de 2019, tornou-se rapidamente uma emergência de saúde pública internacional, e mais especificamente, impactou de modo importante a assistência materno-infantil.Embora tenha se passado mais de um ano, ainda enfrentamos dificuldades na atualidade para dimensionar as consequências da pandemia pelo SARS-CoV-2 no âmbito da saúde da mulher, o que exige cautela e avaliação crítica das evidências propostas, não apenas relativas à evolução da doença, mas também às proposições de condução terapêutica.
 
A pandemia de Covid-19, maior acontecimento sanitário e com diversas implicações no cenário sociopolítico mundial nos últimos cem anos, trouxe consigo a necessidade de ir além das recomendações iniciais voltadas ao distanciamento físico, imposto como medida sanitária para passar a articular diferentes ações. Nesse sentido, este texto tem como objetivo apresentar a experiência da Diretoria de Atenção Básica (DAB), relativa ao desenvolvimento de estratégias com os municípios baianos para o enfrentamento da Covid-19. Algumas estratégias foram definidas, entre elas: ações de telessaúde; de apoio institucional; e de avaliação e monitoramento. O advento da pandemia tem exigido respostas rápidas e inovadoras da DAB diante do desafio de reestruturação desse nível de atenção, como o uso das tecnologias de informação e comunicação, que possibilitaram uma aproximação ainda maior entre a gestão estadual e municípios, assim como permitiram um melhor monitoramento e apoio às ações no nível local. As três estratégias têm se mostrado de grande relevância para o fortalecimento das ações da Atenção Básica.
 
O tema da cooperação federativa tornou-se fundamental na agenda política e de pesquisa no Brasil. Isso ocorre porque a dicotomia centralização versus descentralização mostra-se cada vez mais desgastada como chave para entender a dinâmica do federalismo brasileiro. Parte importante dos estudos internacionais e nacionais realça a necessidade de construir mecanismos de coordenação e parceria entre os níveis de governo para resolver dilemas de ação coletiva e problemas das políticas públicas. A cooperação intergovernamental ganhou terreno a partir de formas de colaboração federativa. Uma delas foi estabelecida no âmbito do desenho das políticas públicas e teve como precursor o Sistema Único de Saúde, cujas bases colaborativas já estavam no texto constitucional por meio dos princípios de hierarquização e regionalização dos serviços. Trata-se de um modelo que supõe articulação federativa nacional, com importante papel coordenador, indutor e financiador da União, mas que mantém relevante autonomia nas mãos dos governos subnacionais. Fatores internos e externos provenientes da instabilidade política e econômica brasileira induzem mudanças na forma de execução de políticas públicas, notadamente na área da saúde. A atual conjuntura da política de saúde no Brasil toma uma condução desafiadora diante da pandemia: governos subnacionais atuando por meio da cooperação interfederativa, mediante ações já comprovadamente eficazes no combate à Covid-19, em contraponto ao governo federal, onde prevalecem ações baseadas na opinião e vontade do presidente da República, contrariando evidências científicas. Assim, o objetivo deste artigo é demonstrar a cooperação ocorrida entre o Governo do Estado da Bahia e a Prefeitura do Município de Salvador no combate à pandemia da Covid-19, por meio de ações conjuntas desenvolvidas. A natureza do método desta pesquisa foi classificada como descritiva, a partir de uma abordagem qualitativa, com análise de documentos e observação não participativa. Os resultados apresentaram os números sobre a Covid-19 no Brasil e na Bahia, o quadro dos leitos programados e habilitados para o enfrentamento da doença e as ações implementadas. Discutiu-se sobre as ações em diversas frentes, efeitos do isolamento social e medidas regionalizadas. A pesquisa conclui que a experiência da cooperação interfederativa entre o Governo da Bahia e o município de Salvador está bem alinhada com a literatura de administração pública, que indica o ganho potencial de arranjos de cooperação intergovernamental.
 
Este relato apresenta a experiência da elaboração e desenvolvimento da primeira etapa (turmas 1 a 5) do Curso de Biossegurança para Equipes de Saúde Bucal em tempos de Covid-19, por docentes da Escola de Saúde Pública do Estado da Bahia Professor Jorge Novis (ESPBA), instituição pertencente à Superintendência de Recursos Humanos da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). A experiência decorre do enfrentamento da pandemia da Covid-19 no estado da Bahia, considerando as formas de transmissão da doença pelo contato direto entre pessoas, pela fala, tosse, espirro e aerossóis. As glândulas salivares são reservatórios do SARS-CoV-2, vírus responsável pela doença, e o ambiente odontológico possui grande risco de propagação desse microrganismo. Trata-se de um curso autoinstrucional, que utiliza a plataforma Moodle EAD-SUS da ESPBA, composto por cinco videoaulas, contemplando a parte operativa e a prática clínica sobre biossegurança em tempos de Covid-19. O curso foi ofertado por regiões de saúde, priorizando as turmas iniciais de acordo com os indicadores epidemiológicos do número de casos. Foi contabilizado o número de inscritos por região de saúde, o número de acessos e o número de avaliações de conteúdo e do curso. Notou-se interesse dos profissionais da área na temática de biossegurança, mas questões estruturais e de sobrecarga de trabalho podem ter comprometido a realização de todas as etapas do curso. Ainda assim, o curso obteve ótima avaliação pelos discentes, revelando sucesso da ação educativa.
 
O estudo tem como objetivo evidenciar a necessidade de construção de propostas educativas que discutam o lugar do negro na sociedade brasileira e sua relação intrínseca com as determinações sociais de saúde, no contexto da pandemia da Covid-19. Trata-se de um relato de experiência da primeira turma do Curso de Atualização em Cuidado à Saúde da População Negra, desenvolvido pela Escola de Saúde Pública da Bahia Professor Jorge Novis (ESPBA), em parceria com a Diretoria de Gestão do Cuidado (DGC). O referido curso nasceu da necessidade de investir na implementação da política voltada para esse segmento social. No processo de estruturação do curso, foram realizadas reuniões com atores sociais relevantes, potenciais docentes, escolhidos pela aproximação com a temática e experiência com movimentos e causas sociais. No âmbito do SUS, as Escolas de Governo são responsáveis pelos processos formativos dos trabalhadores da saúde, sob a perspectiva da educação permanente. A inserção da temática da saúde da população negra nos currículos trabalhados se tornou imagem-objetivo a ser alcançada pela instituição, não apenas a partir dos cursos desenvolvidos, mas também com a realização de um estudo piloto para enfrentamento da Covid-19 em comunidades quilombolas do estado. Reconhecendo o racismo como um dos determinantes sociais do processo de adoecimento e morte, defende-se que gestores e profissionais de saúde tenham acesso a ações educativas que oportunizem a reflexão sobre os processos sócio-históricos de construção da nossa sociedade, ampliem o conhecimento sobre a saúde da população negra e a importância do preenchimento do quesito raça/cor em todos os protocolos da rede SUS.
 
O Programa Mais Médicos (PMM) faz parte do pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Visa atender as regiões de maior vulnerabilidade social do Brasil e suprir a ausência de profissionais médicos na Atenção Básica (AB). Com o PMM, a Bahia aumentou a média de médicos por habitantes, beneficiando cerca de 5,6 milhões de pessoas. O surgimento da Covid-19 impôs a adoção de medidas sanitárias e de ações estratégicas que motivaram mudanças nos fluxos e na readequação estrutural das Equipes de Saúde da Família. Buscando qualificar esses profissionais, foi desenvolvido na modalidade de Educação a Distância (EAD) o curso de capacitação Manejo Clínico da Covid-19 para Médicos do PMM. Este artigo tem como objetivo relatar o processo de elaboração e implementação de tal curso no formato de um relato de experiência da execução. Foi realizada a análise dos produtos das webreuniões de supervisões longitudinais, do conteúdo dos vídeos e do manual de recomendação para o enfrentamento da Covid-19. O curso apresentou protocolos de atendimento da Covid-19 na AB, articulados em três módulos, com videoaulas produzidas por médicos. Foram capacitados 365 médicos do PMM e apoiadores da AB do estado, que ampliaram as ações para os 417 municípios da Bahia por meio dos coordenadores da AB. As contribuições do PMM no contexto da pandemia da Covid-19 no estado da Bahia estão sendo significativas na perspectiva de qualificação profissional e aperfeiçoamento dos serviços da AB no atendimento da população.
 
Na década de 1920, a Bahia teve sua política de saúde reformulada e, por meio dessa reforma, o governo estadual organizou as ações de saúde pública em todo o estado. Com isso, o objetivo desta pesquisa foi descrever as características da política de saúde baiana no período entre 1925 e 1930. Os dados foram coletados em quatro acervos documentais e se constituíram de diferentes fontes históricas. Os resultados apontam que a implantação da política estadual de saúde em 1925 foi induzida pelo governo federal e sua base ideológica foi o higienismo. O foco dessa política de saúde era a educação sanitária e o controle das doenças infectocontagiosas prevalentes em diferentes espaços geográficos da sociedade baiana. Entre 1925 e 1929, realizaram-se modificações na legislação sanitária e na organização das ações e serviços de saúde pública no estado; contudo, com o golpe de Estado de 1930, a política de saúde foi reformulada, demarcando o declínio do projeto de reforma sanitária elaborado pela elite médica higienista brasileira. Conclui-se que a política de saúde baiana, no período de 1925 a 1930, ampliou formalmente o escopo de ações do Estado no território baiano. Entretanto, após outubro de 1930, essa política foi modificada e adequada às novas diretrizes do governo federal.
 
Neste ano de 2013, o Hospital Couto Maia (HCMaia) faz 160 anos de fundado. Para registrar este evento, procurou-se identificar, na produção científica dos últimos 60 anos (1951-2011), a utilização deste hospital como fonte de pesquisa de trabalhos desenvolvidos por pesquisadores e estudantes de pós-graduação sob a forma de artigos publicados em revista médicas nacionais e internacionais; de resumos de trabalhos publicados em congressos nacionais e internacionais e das teses e dissertações. Também são registrados os capítulos de livros escritos pelo corpo clínico do hospital nos manuais de conduta hospitalar criados neste hospital. As fontes desta pesquisa foram as bibliotecas do HCMaia, do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz (CPqGM) da Fiocruz, do Curso de pós-graduação da Faculdade de Medicina da Bahia (Fameb), a virtual da Biblioteca Virtual da Saúde (Bireme) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), usando-se como termos os nomes das doenças mais frequentes no hospital com os nomes dos professores e pesquisadores que também tiveram seus currículos Lattes analisados. A análise deste levantamento bibliográfico mostrou 54 capítulos dos manuais e 263 trabalhos: 78 artigos publicados sendo 55 (70,5%) em revistas nacionais e 23 (29,5%) em internacionais; 155 resumos publicados, 142 (91,6%) em congressos nacionais e 13 (8,4%) em internacionais; na pós-graduação foram 22 (73,4%) dissertações e 8 (26,6%) teses. A produção científica elevou-se nos últimos 20 anos (1991-2011), com 208 trabalhos (79,3%). Os temas mais estudados foram meningites-meningoencefalites com 130 (49,4%) trabalhos e leptospiroses 68 (25,8%). Ainda que este levantamento esteja subestimado, em razão do número de publicações científicas encontrado, conclui-se que o Hospital Couto Maia é uma fonte efetiva e de grande valor para a pesquisa na área de doenças infecciosas.
 
Top-cited authors
Tânia Maria Araújo
  • Universidade Estadual de Feira de Santana
Fernando Carvalho
  • Universidade Federal da Bahia
Maiara Bordignon
  • University of Campinas
Lucimare Ferraz
  • Universidade do Estado de Santa Catarina
Lauro Porto