Educação & Sociedade

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O texto analisa a nova proposta curricular para o Ensino Médio, particularmente no que se refere a educação profissional, focalizando a diferença entre formação técnica e tecnológica, nos âmbitos do discurso oficial e da implantação da proposta. Aborda-se a questão de contradições no estudo da relação entre a proposta e as mudanças no setor produtivo, ligadas às novas exigências de formação e qualificação profissional. Com base em dados de pesquisa empírica, a partir da implantação da reforma em escolas técnicas, o texto discute propriedades da pratica escolar no ensino tecnológico, sinalizando a perda de identidade dessas escolas, no contexto da reforma, no sentido de viabilizar um processo formativo de educação tecnológica comprometido com a democratização educacional.
 
O texto analisa a nova proposta curricular para o Ensino Médio, particularmente no que se refere a educação profissional, focalizando a diferença entre formação técnica e tecnológica, nos âmbitos do discurso oficial e da implantação da proposta. Aborda-se a questão de contradições no estudo da relação entre a proposta e as mudanças no setor produtivo, ligadas às novas exigências de formação e qualificação profissional. Com base em dados de pesquisa empírica, a partir da implantação da reforma em escolas técnicas, o texto discute propriedades da pratica escolar no ensino tecnológico, sinalizando a perda de identidade dessas escolas, no contexto da reforma, no sentido de viabilizar um processo formativo de educação tecnológica comprometido com a democratização educacional.
 
A tendência atual das reformas educacionais, em curso nas últimas décadas, em vários países do mundo, inclusive no Brasil, tem na gestão da educação e da escola um de seus pilares de transformação. A posição hegemônica nessas reformas defende o início de uma mudança radical na maneira de pensar e implementar a gestão dos sistemas educativos concentrada, principalmente, na instituição escolar e sua autonomia. Nesse sentido, uma das principais políticas educacionais no Brasil é a descentralização educativa e a descentralização escolar. Esta última promove a autogestão institucional. Pesquisas sobre as reformas educacionais feitas em vários países indicam uma tendência à fragmentação do sistema educativo das políticas de gestão em curso, sustentadas pelos conceitos de autonomia, descentralização, flexibilidade, individualização, poder local etc. Nesse sentido, a construção de uma nova institucionalização democrática da escola não se perfila como desafio ao novo modelo de gestão educacional hegemônico. Pelo contrário, o desafio desse novo modelo define-se como a construção de uma nova governabilidade - entendida de forma instrumental e, portanto, como um conteúdo eminentemente normativo e pragmático (Fiori 1995) - no interior do sistema educativo e a contribuição da escola para a governabilidade de toda a sociedade. Este artigo propõe-se analisar as propostas de política educacional em gestão escolar dos governos de 11 municípios de diferentes regiões do país; e discutir a racionalidade dessas novas formas de organização e gestão. A análise das propostas de reforma da gestão escolar foi pautada pelo questionamento que fazem à democracia, ao centralismo, à qualidade do ensino e ao papel dos professores e dos outros atores educativos.
 
Com base na perspectiva de Bourdieu e consultando um texto de 1860 3/4 Estudos sobre o ensino publico, Recife: Typ. Commercial de Geraldo Henrique de Mira & C., de autoria de Aprigio Justiniano da Silva Guimarães 3/4 , o presente estudo analisa as ambigüidades relativas ao econômico e os mecanismos de "cumplicidade objetiva" presentes nos primórdios do processo de constituição e autonomização do campo educacional brasileiro.
 
O artigo propõe-se a discutir quais as especificidades da relação que sujeitos vinculados, em sua origem, a uma cultura em que a oralidade é predominante estabelecem com a cultura escrita. Essa discussão é realizada a partir dos resultados de uma pesquisa concluída que teve como objetivo (re)construir o público leitor/ouvinte e os modos de ler/ouvir literatura de cordel entre 1930 e 1950 em Pernambuco. Pode-se considerar que vários fatores, destacando-se a leitura em voz alta, intensiva e coletiva e o papel desempenhado pela memorização, facilitada pelas situações de leitura e pela própria estrutura narrativa e formal dos poemas, contribuíam para que as relações entre analfabetos e semi-alfabetizados e a leitura de folhetos fossem marcadas pelo prazer e por um relativo desprendimento. Essas práticas permitiam a pessoas que, em sua origem, estavam pouco habituadas ao mundo da escrita, vivenciarem práticas de letramento, ou seja, experimentarem situações em que utilizavam as palavras escrita e impressa.
 
O artigo propõe-se a discutir quais as especificidades da relação que sujeitos vinculados, em sua origem, a uma cultura em que a oralidade é predominante estabelecem com a cultura escrita. Essa discussão é realizada a partir dos resultados de uma pesquisa concluída que teve como objetivo (re)construir o público leitor/ouvinte e os modos de ler/ouvir literatura de cordel entre 1930 e 1950 em Pernambuco. Pode-se considerar que vários fatores, destacando-se a leitura em voz alta, intensiva e coletiva e o papel desempenhado pela memorização, facilitada pelas situações de leitura e pela própria estrutura narrativa e formal dos poemas, contribuíam para que as relações entre analfabetos e semi-alfabetizados e a leitura de folhetos fossem marcadas pelo prazer e por um relativo desprendimento. Essas práticas permitiam a pessoas que, em sua origem, estavam pouco habituadas ao mundo da escrita, vivenciarem práticas de letramento, ou seja, experimentarem situações em que utilizavam as palavras escrita e impressa.
 
Este artigo se baseia em um estudo sobre um colégio fundado pelos jesuítas no 16e arrondissement de Paris, cuja clientela se origina principalmente da burguesia e da aristocracia. Em particular, este artigo aborda os métodos aplicados de ensino, as trajetórias familiares e profissionais, as estratégias matrimoniais e a divisão de trabalho familiar entre as esposas dos formandos com o baccalauréat por este colégio em 1961. Visa também mostrar como certos colégios particulares podem ser vistos como substitutos da autoridade familiar, encarregados de transmitir um modelo de educação que se torna mais homogêneo pelo fato de pais e professores compartilharem a mesma concepção dos papéis da escola e da família, além de manterem seus alunos isolados de crianças de outras classes sociais, não somente durante o horário de aula, mas também (e esta é uma das "especialidades" deste tipo de colégio) durante a maioria das atividades de lazer, pelas quais são responsáveis.
 
O trabalho trata do movimento dos professores públicos conduzido pelo Centro Estadual de Profissionais de Ensino do Rio de Janeiro, entre 1977 e 1980. Resgatar a história da Entidade por meio de seus registros e documentos e investigar a possibilidade de as organizações docentes se configurarem como "educadoras do educador", inaugurando uma nova etapa na profissionalização do magistério, foram os objetivos da Dissertação de Mestrado que deu origem ao presente texto. Do confronto entre os documentos de partidos políticos (analisando o movimento) e as entrevistas com diversos participantes do movimento, foi reconstruída a história dos primeiros anos da entidade. O papel do sindicato como Aparelho de Hegemonia (no sentido gramsciano, organizador político para além de defensor dos interesses econômico-corporativos) é posto em dúvida diante dos resultados atingidos.
 
Este artigo contribui para a avaliação do Sistema Educacional de Ensino Fundamental gerido pelo governo do estado de São Paulo, por intermédio de sua Secretaria de Educação, no período de 1980 a 1993. Para tanto, foi realizado um estudo empírico do financiamento da educação no estado e agregadas informações de alguns indicadores sociais de educação.Mostra-se que, ao longo do período de análise, o volume de recursos alocado neste nível de ensino não evoluiu positivamente, embora tenha se ampliado significativamente o número de matrículas, bem como, proporcionalmente, a rede física e os recursos humanos. Uma das decorrências desse processo foi a brutal perda do poder aquisitivo do salário dos professores. Além disso, entre outros aspectos, evidencia-se a baixa eficiência do sistema de ensino, com elevadas taxas de repetência, práticas pedagógicas autoritárias, professores desmotivados e deficientes instalações dos estabelecimentos de ensino.
 
Este texto avalia as diretrizes da política educacional da Secretaria de Estado da Educação que outorgaram autonomia pedagógica, administrativa e financeira à rede de escolas. Para análise do discurso oficial foram considerados os principais documentos que justificam as opções políticas na formulação da agenda da Secretaria e que explicitaram suas metas para o período de 1983/1999, bem como as medidas legais que regulamentaram o processo de concessão de autonomia e descentralização à rede de ensino.
 
Examina-se o impacto das reformas neoliberais e da pós-modernização ingênua do pensamento educacional como instrumentos articulados de desconstrução do pensamento progressista e de retorno a teses positivistas/pragmatistas no campo da educação. Mascaradas como incertezas, exaltadas como diferenças e justificadas como caos, sua função é impedir-nos de pensar o futuro e abrir espaço para que ele seja planejado na ótica das necessidades do capital, com plena liberdade de valorização. Procura-se ainda mostrar como as reformas educacionais dos anos de 1990, desenvolvidas nesse contexto, viabilizaram, apoiando-se na avaliação informal, novas formas de exclusão pelo interior do sistema educacional, mantendo intacta sua tarefa de formar para a submissão, por meio da ocultação do debate sobre as finalidades da educação.
 
Este trabalho, apoiado no esforço de análises de pesquisadores e intelectuais que não declinaram do pensamento utópico e, portanto, do esforço de produção de um pensamento crítico a todas as formas de colonialismo, discute a política de educação básica nos dois mandatos do Governo Fernando Henrique Cardoso. A conclusão a que chegamos é a de que a "era FHC" neste particular, também, foi um retrocesso tanto no plano institucional e organizativo quanto, e particularmente, no âmbito pedagógico. Esta conclusão se fundamenta, primeiramente, na análise do tipo de projeto social mais amplo e do projeto educativo a ele articulado, ambos associados de forma ativa, consentida e subordinada aos organismos internacionais. No plano mais específico fundamenta-se na relevância da educação básica à luz das questões mais gerais postas à educação por um mundo em transformação e às políticas educacionais em relação à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e ao Conselho Nacional de Educação, ao Plano Nacional de Educação, ao ensino fundamental e aos Parâmetros Curriculares Nacionais e à reforma do ensino médio e técnico.
 
Examina-se o impacto das reformas neoliberais e da pós-modernização ingênua do pensamento educacional como instrumentos articulados de desconstrução do pensamento progressista e de retorno a teses positivistas/pragmatistas no campo da educação. Mascaradas como incertezas, exaltadas como diferenças e justificadas como caos, sua função é impedir-nos de pensar o futuro e abrir espaço para que ele seja planejado na ótica das necessidades do capital, com plena liberdade de valorização. Procura-se ainda mostrar como as reformas educacionais dos anos de 1990, desenvolvidas nesse contexto, viabilizaram, apoiando-se na avaliação informal, novas formas de exclusão pelo interior do sistema educacional, mantendo intacta sua tarefa de formar para a submissão, por meio da ocultação do debate sobre as finalidades da educação.
 
O artigo busca fazer uma análise das principais medidas tomadas no Governo de Fernando Henrique Cardoso com reflexos no financiamento da educação. Constata-se que, no período, aproveitando-se da hegemonia obtida no Congresso pela coalizão de centro-direita por ele articulada, foram aprovadas várias leis com forte impacto no financiamento da educação, tais como a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), o FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) e o Plano Nacional de Educação. Entende-se que a diretriz mestra adotada por este governo para o setor foi a de que os recursos já existentes são suficientes, cabendo apenas otimizar a sua utilização. Conclui-se afirmando que este governo será lembrado como aquele que gastou 4% do PIB com ensino e 8% do PIB com juros e encargos da dívida pública.
 
As transformações tecnólogicas exigem o domínio de habilidades cognitivas mais complexas. A pesquisa proposta desenvolverá novos instrumentos de avaliação das competências básicas usadas na compreensão de prosa e poesia, documentos e operações quantitativas. Os novos instrumentos deveriam ser aplicados numa amostra probabilística de base domiciliar no Rio de Janeiro (RJ) e em Campinas (SP), para identificar potencialidades e lacunas no domínio das competências básicas da população jovem e adulta. Pretende-se treinar pessoal na elaboração de instrumentos novos , nos procedimentos do trabalho de campo e nas técnicas de análise em psicometria, permitindo ainda outros estudos das qualificações básicas de mão-de-obra brasileira no futuro próximo.
 
No presente artigo proponho-me caracterizar a evolução recente do sistema educativo português (no nível dos ensinos básico e secundário) tomando como referência as transformações ocorridas nos processos de organização e regulação dos seguintes domínios: currículo, oferta escolar, recrutamento e formação de professores, gestão escolar e recursos financeiros, partenariado socio-educativo. Como eixo central de análise utiliza-se o conceito de "regulação institucional" como intervenção das autoridades públicas para introduzir "regras" e "constrangimentos" no mercado ou na acção social. O objectivo do presente texto consiste, por isso, em utilizar a evolução dos modos de regulação como analisador das transformações recentes do sistema educativo português, pondo em destaque a coexistência de medidas de reforço da autonomia das escolas e de novas formas de controlo, bem como a sua inserção nas políticas de combate às desigualdades escolares. Serão analisados, igualmente, os sentidos que essas medidas assumem num contexto de mudança global dos modos de regulação da educação, que ocorre em vários países, tendo em vista a redefinição do papel do "Estado educador" e a emergência de uma "regulação pelo mercado".
 
(As preferências dos alunos e os critérios da carta escolar)  
(Tipologia das escolas)  
O presente artigo visa a reflectir sobre a emergência de lógicas de mercado na regulação da oferta educativa, nomeadamente a partir de processos formais e informais de "escolha da escola" pelos alunos e suas famílias. Com base numa investigação em curso no Centro de Estudos da Escola da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, da Universidade de Lisboa, foi possível identificar "desvios" às normas da "carta escolar" (que estabelece, em Portugal, a obrigatoriedade da frequência de uma determinada escola em função da residência dos alunos). Esses desvios configuram uma evolução, no planeamento da rede escolar, de "uma regulação pela oferta" para "uma regulação pela procura" e põem em evidência o aparecimento de novos espaços de interdependência/concorrência entre as escolas, com visível efeito sobre o modo como é (ou não) garantida a igualdade de oportunidades.
 
O presente artigo propõe-se a discutir as políticas educacionais implementadas no Brasil nos anos 90, do século XX, no que concerne à educação superior. Nessa ótica, parte da compreensão de que tais políticas são demarcadas por opções e interesses sociopolíticos articulados às mudanças no cenário contemporâneo, que se traduzem na apreensão das determinantes históricas que balizam o processo de reforma do Estado brasileiro. Essa lógica implica alterações no campo das políticas públicas, especialmente das políticas sociais, na medida em que estão em curso propostas e projetos que se configuram pela minimização do papel do Estado, marcado pela interpenetração das esferas pública e privada em detrimento da primeira. As políticas para a educação superior, nesse cenário, são analisadas indicando-se seus paradoxos e seus desdobramentos efetivos no que concerne aos processos de diversificação e diferenciação institucional, sistema de avaliação, expansão e privatização desse nível de ensino.
 
O objetivo do artigo é levantar questões relativas à reestruturação produtiva nos bancos e suas implicações sociais (emprego, qualificação, formação e treinamento, salário e ação sindical), no contexto dos anos 90. As observações e conclusões apresentadas resultam da análise de um estudo de caso que teve como objeto um banco estatal em vias de privatização, bem como da utilização de estatísticas gerais sobre o setor. Dentre as conclusões, caberia destacar que os ganhos para a força de trabalho, resultantes do processo em estudo, poderiam ser relativizados, já que os mesmos são acompanhados de efeitos negativos, como maior desgaste físico e mental da força de trabalho, além da ocorrência de altas taxas de desemprego. Nesse sentido, conclui-se que, a uma possível elevação da qualificação dos que permanecem no emprego, corresponderia uma degradação das condições de vida em termos mais gerais.
 
Admitindo, como ponto de partida, que os fenômenos da globalização da economia e das transformações técnico-organizacionais no trabalho desencadeiam desafios e problemas a serem enfrentados no âmbito da educação em geral e da formação profissional em particular, o texto se propõe examinar em que consistem esses desafios e problemas, enfocando-os, primeiramente, da perspectiva da experiência internacional e, num segundo momento, nos marcos da sociedade brasileira. Com relação ao segundo aspecto, são analisadas, criticamente, proposições recentes de órgãos governamentais (Ministério da Educação e Ministério do Trabalho), tendo em vista o desenvolvimento do que se denominou de educação profissional. Tais proposições implicam não apenas uma determinada forma de rearticular as relações entre formação geral e formação específica, mas, também, uma série de mudanças de porte no ensino médio, tendo em vista as novas demandas por qualificação profissional, cujos efeitos sobre a educação da juventude brasileira são objeto de preocupação.
 
A política educacional do Japão dos anos 90, influenciada pela globalização e internacionalização, reforma os jardins-de-infância oficiais. Destinada a crianças de 3 a 5 anos, os jardins-de-infância oficiais definem uma proposta pedagógica em torno do brincar, como forma de levar a criança a conhecer seu ambiente, a socializar-se, a aprender a linguagem, a expressar-se e a criar. Em virtude da predominância do atendimento particular no campo da educação infantil e a pouca participação do governo, o brincar ocupa pouco espaço nas escolas infantis.
 
O objetivo desse texto é registrar reflexões que permitam uma maior compreensão do conceito de simbolização para introduzir a questão da constituição do sujeito simbólico, comprometido pela deficiência mental. As reflexões passam por encontros com diferentes autores, de áreas diversas do conhecimento, com a intenção de marcar a escolha da perspectiva histórico-cultural como a que melhor responde às interrogações sobre o ser humano capaz de dar significado ao mundo, mesmo quando impedido por problemas orgânicos. São fundamentais as contribuições de Vigotski e Bakhtin que concebem o homem como ser que significa e se constitui nas relações concretas de vida.
 
O autor, que ensina ética e filosofia política, deseja com este artigo indicar o perigo da inflação de palavras como "ética" e "moral" no vocabulário de nossos dias. Ele considera que o desgaste de tais termos, o seu uso indiscreto e indiscriminado, apenas auxilia o niilismo dos valores que domina a sociedade moderna. Como exercício para uma retomada dos conceitos na sua ordem própria, apresenta uma tradução do verbete, apresentado na Enciclopédia de Diderot e D´Alembert, sobre a ciência moral. Ali, são dadas as bases filosóficas do conceito, desde a antigüidade até os tempos modernos. A leitura do verbete pode ajudar no estabelecimento de padrões mais definidos sobre a moral, a ética e os valores que definem os direitos e deveres sociais, o que é relevante para a educação.
 
Este artigo estuda as mudanças na cultura acadêmica que ocorreram nas universidades públicas nestas últimas décadas. A partir de uma perspectiva histórica e comparada (que descreve os casos da Argentina e do Canadá), analisam-se as características das universidades e da cultura acadêmica no período do pós-guerra (1950-1970) e do final do século (1980-2000). No contexto das políticas neoliberais de mercadorização do conhecimento, de diminuição do financiamento público e do redirecionamento dos fundos vinculados por agentes externos à universidade, um modelo de capitalismo acadêmico instaurou-se gradualmente durante esse segundo período e a universidade autônoma transformou-se paulatinamente numa universidade heterônoma.
 
Este artigo analisa a produção acadêmica sobre a ação coletiva do professorado no Brasil, nas décadas de 1980 e 1990. Procura destacar as principais tendências na análise da organização docente e suas contribuições para o exame da realidade paulista, bem como verifica a maneira como esses trabalhos refletiram ou não sobre a importância das relações de gênero na constituição da militância.
 
Este artigo é o resultado de uma pesquisa do SOCED/PUC-RIO sobre as relações das elites acadêmicas com a escolarização dos filhos que cursam o ensino fundamental. Foi desenvolvida com base em um survey com 110 professores de uma tradicional universidade privada do Brasil. Fundamentada nas referências de Pierre Bourdieu e situando a população estudada no contexto da população brasileira (Pesquisa de Padrões de Vida/IBGE-1998) e no contexto dos professores universitários no Brasil (dados do INEP/MEC), a pesquisa oferece interessantes resultados para a discussão das estratégias educativas dessas elites. Um importante subproduto da pesquisa está nas questões levantadas sobre o fundamento empírico do conceito de capital cultural.
 
Este artigo analisa o impacto que as políticas públicas australianas para a educação superior tiveram sobre a pesquisa e a produção de conhecimento nas universidades desse país. A tendência política desses últimos anos levou a educação superior à competição de mercado, à diversificação dos orçamentos e à mercadorização do conhecimento. Isso provocou uma redefinição do valor da pesquisa universitária em termos comerciais e desvalorizou as pesquisas de algumas áreas tradicionais. Este artigo argumenta que, embora o fato de a educação superior ter se adaptado ao mercado tenha tido aspectos positivos, a política do governo, ideologicamente comprometido com a privatização quase completa do setor da educação superior pública, não é do interesse da nação no longo prazo.
 
1. Hace cinco anos, en 1997, aparecio una obra que por su ori-ginalidad, ha contribuido a enriquecer las interpretaciones en torno ala reestructuracion de la educacion superior – y mas especificamentede las universidades de investigacion – como resultado de los proce-sos de globalizacion apoyados en politicas de corte neoliberal. Me re-fiero al libro de Sheila Slaughter y Larry Leslie,
 
O ensino superior brasileiro, nos debates atuais sobre sua reforma e expansão, tem diante de si o desfio de encontrar soluções que respondam à questão das desigualdades raciais no acesso às suas instituições e na permanência nelas. Algumas universidades públicas já adotaram ações nessa direção, ao estabelecerem cotas raciais ou sociais em seus processos seletivos. Contudo, essas experiências têm gerado significativas controvérsias. Neste artigo, com a intenção de explorar o debate sobre políticas de igualdade racial e o que motiva algumas de suas disputas, analisam-se dois de seus pontos mais polêmicos, a complexa relação de igualdade e a identificação racial que supõem, além de observar as maneiras com que foram implementadas em uma universidade norte-americana e as dificuldades enfrentadas nesse processo.
 
O objetivo deste artigo é apresentar e discutir condições teórico-práticas da execução de um projeto de ação educativa de cunho interdisciplinar na escola, tendo como base a teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas. Inicialmente, apresentamos aspectos significativos dessa teoria. A seguir, apresentamos linhas norteadoras que adotamos como ponto de partida e suporte da pesquisa-ação, e que fornecem também as categorias para análise e interpretação da experiência.The purpose of this article is to present and discuss theoretical and practical conditions for the implementation of a project of interdisciplinary educational action at school, based on Jürgen Habermas' theory of communicative action. Initially we present significant aspects of this theory. Next, we present guidelines that we adopt as point of departure and support of the research, and which also supply the categories for analysis and interpretation of the experience.
 
Nos últimos sete anos tem ocorrido no Brasil uma progressiva municipalização do ensino fundamental, da educação infantil e de jovens e adultos decorrente de induções/programas do poder central que assumiu a descentralização como um dos princípios das políticas educativas. Embora não se desconheça que estas medidas têm contribuído para o aumento das matrículas nesses níveis, no presente artigo problematiza-se o seu pouco alcance para garantir processos de escolarização com efetiva qualidade. Pontuando-se as principais características que passaram a nortear a ação do Estado, particularmente no que concerne às mudanças da administração burocrática para a gestão gerencial, procura-se mostrar as implicações dessas mudanças na educação municipal, tendo-se por referente resultados de pesquisa sobre impactos de programas do governo federal voltados para o financiamento da escolarização nos espaços locais.
 
Considerando que a ética na escola e a formação do caráter do aluno têm sido discutidas em todo mundo, este artigo trata o tema com base em três eixos. O primeiro apresenta algumas visões filosóficas de ética e de moral, buscando investigar se as distinções teóricas têm ou não significado social. O segundo eixo se relaciona aos fundamentos da ética e da moral como disciplinas práticas. A principal questão colocada é: os princípios gerais devem legitimar os juízos de valor éticos/morais ou vice-versa? Finalmente, é abordado o papel cumprido pela escola na formação ética/moral do cidadão. Certas concepções educacionais como a de Comênio, a de Dewey e também as práticas pedagógicas homogeneizadoras, assim como as propostas relativas à ética presentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais, são discutidas.
 
En este texto el autor simula un debate, del qual es el moderador, entre un defensor de la privatización de la educación y un defensor de laescuela pública. Partiendo de la constatación de la existência de una crisis educativa en la cual es difícil mejorar los resultados acadêmicos, el autor abre el debate planteando el problema de lo público y de lo privado em términos del duplo interés em juego em la actividad educativa: el bien privado del alumno y el bien público que se manifiesta em los benefícios que ella aporta a la sociedad. Quando estos dos tipos de interés no son compaginados entre si entonces surge el campo de tensiones y conflitos que constituye el nudo central de la crisis. Después de que cada uno de los dos interlocutores definiera sus respectivas posiciones en relación al problema de la privatización de la educación, el autor plantea como objecto de la discusión cuatro cuestiones que el considera centrales para el debate de los efectos de la privatización quanto a igualdad social de aceso a los bienes y recursos de la sociedad.
 
El artículo presenta la disminución de las tasas de alfabetización en América Latina, mostrando sin embargo que, incluso en los países en que esas tasas son muy reducidas, la población adulta con escolaridad incompleta representa un alto porcentaje. Más adelante, expone algunas conclusiones de la investigación - patrocinada por UNESCO/OREALC - que intentaba estudiar el alfabetismo de la población adulta en la capital o ciudades principales de Argentina, Brasil, Colombia, Chile, México, Paraguay y Venezuela, tanto en su fase cuantitativa como cualitativa. Como principal resultado destaca que en esos países, la escolaridad completa no garantiza un verdadero dominio de las competencias de lectura y matemáticas. Igualmente señala la importancia del uso de las habilidades, especialmente en el trabajo, y la relevancia que tienen en los resultados variables como la escolaridad de los padres, la zona de nacimiento, entre otras. Es, al mismo tiempo, una llamada de atención acerca de la importancia de considerar en las reformas educacionales emprendidas por los países a la Educación de Personas Jóvenes y Adultas, especialmente dadas las exigencias que demanda la sociedad de la información y el conocimiento a personas que ya se encuentran insertas en el campo laboral.
 
El artículo presenta la disminución de las tasas de alfabetización en América Latina, mostrando sin embargo que, incluso en los países en que esas tasas son muy reducidas, la población adulta con escolaridad incompleta representa un alto porcentaje. Más adelante, expone algunas conclusiones de la investigación - patrocinada por UNESCO/OREALC - que intentaba estudiar el alfabetismo de la población adulta en la capital o ciudades principales de Argentina, Brasil, Colombia, Chile, México, Paraguay y Venezuela, tanto en su fase cuantitativa como cualitativa. Como principal resultado destaca que en esos países, la escolaridad completa no garantiza un verdadero dominio de las competencias de lectura y matemáticas. Igualmente señala la importancia del uso de las habilidades, especialmente en el trabajo, y la relevancia que tienen en los resultados variables como la escolaridad de los padres, la zona de nacimiento, entre otras. Es, al mismo tiempo, una llamada de atención acerca de la importancia de considerar en las reformas educacionales emprendidas por los países a la Educación de Personas Jóvenes y Adultas, especialmente dadas las exigencias que demanda la sociedad de la información y el conocimiento a personas que ya se encuentran insertas en el campo laboral.
 
O artigo analisa como se distribuem pelo território nacional os 8,1 milhões de crianças e adolescentes brasileiros de 4 a 17 anos, que em 1996 não freqüentavam escola. Questiona-se em particular a tese segundo a qual a universalização do acesso à escola estaria assegurada no Brasil desde os anos 80, a qual reduz o não-acesso a algo como 5%. As taxas de não-freqüência à escola em 1996, para as pessoas de 4 até 17 anos, são sempre superiores a 5%, ultrapassando o nível de 20% nos grupos extremos, isto é, dos 4 aos 6 anos e dos 15 aos 17 anos. O não-acesso à escola, portanto, ainda é um problema real no Brasil. Elevadas taxas de pessoas que nunca ingressaram na escola não se limitam ao Nordeste, estendendo-se também a estados como Amazonas e Pará, na Região Norte. As taxas de exclusão da escola são sempre mais elevadas para o sexo masculino do que para o feminino. Sob o aspecto conceptual, a noção de não-acesso deve compreender não apenas os que nunca freqüentaram escola, mas também aqueles que, tendo freqüentado e ainda em idade escolar, se encontram fora da escola.
 
Based on higher education indicators produced by the INEP, IBGE and UNESCO, this study analyzes the problem of access to higher education in Brazil these last 40 years, considering the differences in admission and enrollment according to the administrative regions and fields of study, graduates profiles and teacher qualifications. The gross enrolment ratio and level of privatization indicators for this sector in Brazil are also compared to those of other countries in Latin America and the world. Lastly, the latest actions of the Ministry of Education and Culture (MEC - Tarso Genro administration), aimed at increasing supply and democratizing access are briefly discussed. The data show that, although the federal government policy for this sector since the 1960s has been to increase enrollment via privatization, Brazil's Gross Schooling Rate for Higher Education is still one of the lowest in Latin America, while its level of privatization is one of the highest in the world. This process has resulted in an overall elitization of the profile of students, especially in the fields with the highest demand and in private institutions, where the presence of African-descendant or poor students is still very low. The proposals presented thus far by the MEC reflect a guiding principle oriented toward an increase in enrollment without additional resources for the public sector, and the granting of subsidies to the private sector in exchange for scholarships, as well as quotas, in both the public and private sectors. These are palliative measures that do not address the main point: expanding the public sector without losing quality. This would mean an increase in higher education expenditures, from the current 0.8% of GDP to about 1.4% of GDP.
 
O presente texto aborda o financiamento da educação superior no Brasil, tendo como recorte temporal o início da década de 1990 até o presente. Parte-se do pressuposto de que esse período refletiu, em alguma medida, o esgotamento dos modelos político e econômico vigentes até a primeira metade dos anos de 1980, para se analisar o papel atribuído à educação superior nos programas de governo da década seguinte. Discorre sobre o avanço do setor privado a partir de meados dos anos de 1990, além de tratar da suposta dicotomia entre educação superior e educação básica. No que se refere ao financiamento stricto sensu, analisa a participação dos entes públicos e privados, e compara a situação brasileira com a de países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Ainda sobre o tema, analisa as possibilidades de autofinanciamento das instituições federais de ensino superior, a partir de estudo de caso realizado no âmbito da Universidade de Brasília (UNB). Por fim, apresenta as primeiras medidas que integram a proposta de reforma da educação superior, que tem sido coordenada pelo Ministério da Educação (MEC). À guisa de conclusão, aventa possíveis implicações e desdobramentos das políticas de financiamento da educação superior, implementadas nos últimos anos.
 
As atuais mudanças na divisão e organização do trabalho capitalista colocam, como uma das exigências ao trabalhador, o acesso a novos conhecimentos. Buscamos compreender o que é o novo nestas mudanças, e o fazemos através de duas hipóteses. A primeira concerne à mudança de governo do trabalho, ou seja, dos homens como trabalhadores. Este governo não mais se escora na forma taylorista, porém repropõe seu ideal político. A segunda refere-se à vivência pelo trabalhador do acesso aos conhecimentos enquanto profissionalização e/ou qualificação de sua força de trabalho. Desenvolvemos nossas reflexões tanto em nível teórico quanto empírico. Em nível teórico discutimos a política reduzida à instrumentalização, no exercício do governo dos homens, na situação de trabalho. Relacionamos este governo com a concepção do trabalho como uso de si, do homem, como trabalhador. Esta concepção colocou como necessário ouvir os trabalhadores sobre suas atividades de trabalho através de entrevistas. Articulamos este nível empírico e o teórico com as questões do sujeito e do agente social presentes nessas hipóteses.
 
Estudo teórico que se dedica à análise das implicações pedagógicas da teoria de Galperin sobre a Formação das Ações Mentais por Estágios, discorrendo sobre a utilização de ferramentas cognitivas como recursos auxiliares para o pensamento e a promoção da aprendizagem. Galperin critica os modelos de ensino adotados pela escola, apresentando como alternativa o modelo formativo-conceitual, que preconiza o aprender por meio da prática, não só a fazer, mas a compreender e depois a explicar como e porque age desta ou daquela maneira diante de determinada situação-problema. O objetivo é ensinar a aplicar um esquema de referências conceituais (dicas) dirigidas para a aquisição de um método global de análise do conteúdo a ser aprendido (identificação dos invariantes). O aprendiz deve descobrir a melhor maneira de conjugar, ao mesmo tempo, todas as características da ação (orientação, execução, problema e contexto), tomando a decisão sobre como agir para resolver o problema.
 
** ao e novidade para ninguem que a ciencia transformou-se rapidamente em forca produtiva no contexto da producao capitalista, principalmente a partir da segunda metade do seculo XIX, situacao que se intensificou no decorrer do seculo XX e que, ao final deste, atinge um plano elevado e complexo, de tal forma que, hoje, com a automacao e a utilizacao crescente da informatica, o conhecimento tornou-se materia vital para o processo de acumulacao capitalista. Isto traz consequencias importantes nao apenas para a producao em si, mas para toda a organizacao social. O interesse crescente do capital pelo conhecimento produzido e pela producao cientifica o faz investir cada vez mais em setores que antes lhe eram perifericos, como o da educacao, nao apenas porque ela propria tende a se transformar em mercadoria, mas tambem porque a competicao exige a producao de conhecimento cientifico cada vez mais sofisticado, alem de que a introducao de inovacoes tecnologicas na base fisica, tanto quanto na organizacao das empresas, acaba criando novas demandas em relacao aos trabalhadores. O conhecimento em geral e o cientifico em particular tornam-se alvo de disputas acirradas e de investimentos vultuosos, bem como de investidas ideologicas que pretendem transforma-los na chave de sucessos pessoais e empresariais. No campo da ciencia, as relacoes entre o Estado e o setor privado sao marcadas ora pela luta com vistas a propriedade intelectual do
 
O texto busca elucidar alguns dos mais relevantes aspectos da educação moral no contexto do mundo plural contemporâneo. Parte-se do suposto de que a educação moral é possível e necessária, mesmo no cenário atual de desestabilização dos valores fixos e universais da tradição. Esta educação moral, portanto, já não pode ser concebida como transmissão de valores e comportamentos morais, mas como a introdução dos educandos no mundo conflitante das concepções morais, objetivando consensos mínimos que sirvam de base para o seu agir moral. Por meio de uma relação pedagógica reflexivo/comunicativa espera-se sensibilizar os alunos para a problemática da moralidade, bem como promover a estruturação de uma subjetividade a partir da qual cada um possa tomar suas decisões morais com responsabilidade.
 
Top-cited authors
DALILA ANDRADE OLIVEIRA
  • Federal University of Minas Gerais
Bernardete A. Gatti
  • Fundação Carlos Chagas
Jefferson Mainardes
  • State University of Ponta Grossa
Acacia Kuenzer
  • Universidade Feevale
Luiz Fernandes Dourado
  • Universidade Federal de Goiás