ÁCIDOS FENÓLICOS E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE EM FRUTO DE PHYSALIS PERUVIANA L
ABSTRACT Physalis peruviana (physalis) é uma fruta exótica com produção crescente no Brasil, havendo poucos trabalhos científicos realizados sobre a mesma. O objetivo deste estudo foi investigar o potencial antioxidante da fruta physalis e seu perfil de ácidos fenólicos. Foram determinados o conteúdo total de compostos fenólicos através do método Folin-Ciocalteau e a atividade antioxidante através do método ABTS (2,2´azino-bis-3-etilbenzotiazolin 6-ácido sulfônico) em diferentes extratos. O perfil de ácidos fenólicos presentes em diferentes frações na fruta também foi determinado. O teor de compostos fenólicos totais obtido para o extrato metanólico foi de 57,9 mg GAE 100g-1 fruta fresca e a atividade antioxidante de 31 μMol g-1. Foram encontrados 10 ácidos fenólicos nas três frações avaliadas, predominando os ácidos salicílico e protocatequínico. A fração de ácidos fenólicos esterificados solúveis apresentou maior conteúdo de fenólicos totais (346,1 mg 100g-1) refletindo na maior atividade antioxidante, expressa como valor TEAC (185,3 μMol 100g-1). Os resultados obtidos mostraram alto conteúdo de fenólicos totais e considerável atividade antioxidante para o fruto physalis, comparáveis a diversas outras frutas tradicionalmente consumidas no Brasil. Assim, o fruto physalis pode ser considerado uma boa fonte de compostos antioxidantes naturais.
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ISSN 0103-4235
Alim. Nutr., Araraquara
v.19, n.3, p. 271-276, jul./set. 2008
ÁCIDOS FENÓLICOS E ATIVIDADE ANTIOXIDANTE EM
FRUTO DE PHYSALIS PERUVIANA L
Ismael Ivan ROCKENBACH*
Eliseu RODRIGUES*
Ciriele CATANEO**
Luciano Valdemiro GONZAGA***
Alessandro LIMA****
Jorge MANCINI-FILHO****
Roseane FETT*****
* Químico Industrial de Alimentos – Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos – UFSC – 88034-001 – Florianópolis – SC –
Brasil.
** Curso de Graduação em Farmácia – UFSC – 88034-001 – Florianópolis – SC – Brasil.
*** Técnico – Laboratório de Química de Alimentos – Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos – UFSC – 88034-001 –
Florianópolis – SC – Brasil.
**** Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental – Faculdade de Ciências Farmacêuticas – USP – 05508-900 – São Paulo – SP –
Brasil.
***** Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos – UFSC – 88034-001 – Florianópolis – SC – Brasil.
?RESUMO: Physalis peruviana (physalis) é uma fruta
exótica com produção crescente no Brasil, havendo poucos
trabalhos científi cos realizados sobre a mesma. O objetivo
deste estudo foi investigar o potencial antioxidante da fruta
physalis e seu perfi l de ácidos fenólicos. Foram determina-
dos o conteúdo total de compostos fenólicos através do mé-
todo Folin-Ciocalteau e a atividade antioxidante através do
método ABTS (2,2´azino-bis-3-etilbenzotiazolin 6-ácido
sulfônico) em diferentes extratos. O perfi l de ácidos fenó-
licos presentes em diferentes frações na fruta também foi
determinado. O teor de compostos fenólicos totais obtido
para o extrato metanólico foi de 57,9 mg GAE 100g-1 fru-
ta fresca e a atividade antioxidante de 31 μMol g-1. Foram
encontrados 10 ácidos fenólicos nas três frações avaliadas,
predominando os ácidos salicílico e protocatequínico. A
fração de ácidos fenólicos esterifi cados solúveis apresen-
tou maior conteúdo de fenólicos totais (346,1 mg 100g-1)
refl etindo na maior atividade antioxidante, expressa como
valor TEAC (185,3 μMol 100g-1). Os resultados obtidos
mostraram alto conteúdo de fenólicos totais e considerável
atividade antioxidante para o fruto physalis, comparáveis a
diversas outras frutas tradicionalmente consumidas no Bra-
sil. Assim, o fruto physalis pode ser considerado uma boa
fonte de compostos antioxidantes naturais.
?PALAVRAS-CHAVE: Physalis peruviana; atividade an-
tioxidante; compostos fenólicos; ácidos fenólicos.
INTRODUÇÃO
A associação entre uma dieta rica em frutas e vege-
tais e a diminuição do risco de doenças cardiovasculares
e certas formas de câncer é baseada em evidências epide-
miológicas e, por hipótese, é devido ao conteúdo de an-
tioxidantes. 8, 12 A ação dos compostos antioxidantes está
relacionada à atenuação de eventos oxidativos que podem
contribuir para a patofi siologia dessas doenças. 10, 22
Dentre os compostos antioxidantes, destacam-se
os ácidos fenólicos presentes nas formas livres ou com-
plexadas. Estes compostos foram identifi cados e quantifi -
cados nas mais diferentes frutas e vegetais, apresentando
alta correlação com a atividade antioxidante demonstra-
da pelas mesmas. 7, 11, 15, 27 Entretanto, há grande variação
no conteúdo de fenólicos encontrado em diferentes frutas
ou vegetais, ou até para as mesmas frutas ou em vegetais
avaliados em diferentes estudos. 3 Estas diferenças podem
ser devido à complexidade desse grupo de compostos, aos
métodos de extração e/ou à metodologia de quantifi cação
empregada. Além disso, o conteúdo de fenólicos de plantas
depende de fatores intrínsecos (gênero, espécie, cultivar) e
extrínsecos (condições ambientais e de cultivo, manejo e
condições de armazenamento). 29
As frutas são fontes signifi cativas de compostos an-
tioxidantes. Neste contexto o Brasil é destaque, visto que
possui uma produção elevada de diferentes variedades de
frutíferas nativas ou exóticas, o que é decorrência da exten-
são do território e sua inserção, em grande parte, nas zonas
de clima tropical e temperado. 9 A fruticultura nacional, no
entanto, tem ainda grande potencial de expansão, pois há
inúmeras frutas nativas e exóticas muito pouco exploradas
economicamente. Estudos para transformá-las em culturas
racionais, na sua maioria, estão em andamento, como por
exemplo, atemóia, maná, canistel, mirtilo, lichia, physalis,
carambola, entre outras. 19
A Physalis peruviana (physalis) é uma fruta exótica
da família Solanácea, originária da Amazônia e dos An-
des, possuindo variedades cultivadas na América, Europa
e Ásia. Essa fruta é produzida comercialmente no Equador,
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África do Sul, Kênia, Zimbábue, Austrália, Nova Zelândia,
Hawai, Índia, Malásia, Colômbia e China. Atualmente sua
produção tem se estendido aos planaltos dos países tropi-
cais, subtropicais e aos países do Caribe, sendo a Colômbia
o maior produtor mundial. 21 No Brasil a physalis é popular
no Norte e Nordeste e ainda é novidade no Sul e Sudeste.
Já é encontrada nos supermercados, principalmente em São
Paulo e no Rio de Janeiro, entretanto grande parte é im-
portada da Colômbia a preços altos, visto que a produção
comercial no Brasil é pequena.
Na maioria dos países a fruta é cultivada em
quintais, para consumo direto. No entanto, seu prestígio
é grande em alguns mercados internacionais, como na
Europa, onde são altos os valores pagos pela fruta, que é
coberta com chocolate para uso em decoração de bolos
e tortas. Além de possuir grande potencial como produto
in natura, a P. peruviana pode ser empregada como
ingrediente em saladas, pratos cozidos, sobremesas,
geléias, aperitivos naturais, e em conservas. 23 Além disso,
é uma planta medicinal largamente usada na medicina
popular como anticancerígeno, antibacteriano, antipirético,
imunomodulatório e para o tratamento de doenças como
malária, asma, hepatite, dermatite e reumatismo.
Extratos de Physalis peruviana apresentaram atividade
antihepatotóxica1 e extratos de Physalis angulata L.
apresentaram atividade antimicrobiana e fototóxica. 20
Apesar disso, existem poucos estudos científi cos
acerca desta fruta, especialmente no Brasil. Assim, o ob-
jetivo neste trabalho foi determinar a atividade antioxidan-
te in vitro e o perfi l de ácidos fenólicos da fruta Physalis
peruviana L.
34
MATERIAL E MÉTODOS
Frutas da espécie Physalis peruviana L., safra
2005/2006, foram doadas pela empresa Italbraz® localiza-
da na região serrana do Rio Grande Sul, Brasil, e situada
entre as coordenadas geográfi cas de 28° 0’ 44” de latitude
Sul e 50° 56’ 02” de longitude Oeste de Greenwhich. Fo-
ram coletadas três amostras de 1,0 Kg em pontos distintos
do local de produção. As amostras foram transportadas para
laboratório a -5°C, onde foram armazenadas em freezer a -
18,0 ± 0,5°C por 15 dias até serem analisadas. Inicialmente
as amostras foram submetidas a tratamento térmico a 80°C,
por 10 minutos, para inativação enzimática. 31 Em segui-
da foram preparados os extratos para análise de compostos
fenólicos totais e atividade antioxidante da fruta fresca. Já
para a identifi cação dos ácidos fenólicos as amostras foram
previamente secas em estufa com circulação de ar, a 40ºC
por 24 horas. Posteriormente foram trituradas em moinho
IKA, A11 Basic, e tamisadas (Tamis 60 Mesh). A separação
da fração lipídica das amostras foi realizada em aparelho de
Soxhlet, utilizando hexano por 6 horas, com recirculação
do solvente e, em seguida, foi feito o fracionamento dos
ácidos fenólicos.
Preparo dos Extratos da Fruta Fresca
Os extratos foram preparados com 5g de fruta fres-
ca e 50 mL de solvente. Foram utilizados, como solventes
extratores, metanol de grau analítico e água desionizada. A
extração foi realizada sob agitação mecânica e ao abrigo
da luz, por duas horas, tendo sido utilizada atmosfera de
nitrogênio nos frascos de extração como medida preventi-
va à oxidação dos extratos. Em seguida os extratos foram
fi ltrados em papel fi ltro Whatman nº 1.
Determinação de Compostos Fenólicos Totais (FT)
A quantifi cação de compostos fenólicos to-
tais foi realizada pelo método espectrofotométrico de
Folin-Ciocalteau. 25 Os resultados obtidos foram expressos
tendo o ácido gálico como padrão de referência (nas con-
centrações de 0 a 600 mg L-1), em mg de equivalentes a
ácido gálico (GAE) 100g-1 de peso fresco.
Determinação da Atividade Antioxidante pelo Método
ABTS
Para determinar a atividade antioxidante foi utili-
zado o método ABTS (2,2´azino-bis-3-etilbenzotiazolin
6-ácido sulfônico) descrito por Re et al. 24 A absorbância
foi medida em espectrofotômetro modelo Hewlett-Packard
8425A, no tempo de sete minutos após a adição da amostra.
A capacidade antioxidante total da amostra foi calculada
em μMol g-1 de TEAC (atividade antioxidante equivalente
ao Trolox).
Extração, Identifi cação e Quantifi cação dos Ácidos Fe-
nólicos
Para a extração dos ácidos fenólicos foi utilizada
metodologia descrita por Krygier et al.,16 obtendo-se de for-
ma seqüencial ácidos fenólicos livres (AFL), ácidos fenóli-
cos de ésteres solúveis (AFES) e ácidos fenólicos de ligan-
tes insolúveis (AFEI), conforme descrito a seguir:
Ácidos fenólicos livres (AFL)
Inicialmente, foi pesado 1g da amostra desengordu-
rada que foi submetido à extração com 6 volumes de 20 mL
de solvente tetrahidrofurano, com homogeneização por um
minuto. O sobrenadante obtido de cada extração foi fi ltrado
e desidratado em sulfato de sódio anidro em balão prote-
gido da luz. Ao fi nal de todas as extrações, o solvente foi
evaporado em rota-evaporador, sob vácuo, à temperatura
de 38°C e os ácidos fenólicos livres foram ressuspensos
em 5 mL de metanol e armazenados em frascos âmbar, em
freezer a -20°C.
Ácidos fenólicos solúveis (AFES)
O resíduo obtido na etapa anterior foi submetido a
uma nova extração por seis vezes com 20 mL de uma so-
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lução de metanol:acetona:água (7:7:6) para cada extração,
sendo homogeneizado por cinco minutos. A cada extração,
o sobrenadante foi fi ltrado e desidratado em sulfato de sódio
anidro em balão de rota-evaporador. Finalizada a extração,
o fi ltrado foi evaporado em rota-evaporador sob vácuo, a
38ºC, até a fase aquosa. Com o objetivo de liberar esté-
reis solúveis esterifi cados com proteínas ou polipeptídios
foi adicionado à fase aquosa o mesmo volume de NaOH
(4 M). A hidrólise foi conduzida por 4 horas, sob agitação,
em temperatura ambiente e protegida da luz. Em seguida, o
pH da solução foi ajustado para 2 (± 0,1) com HCl (6 M). A
solução resultante foi medida e transferida para um funil de
separação e submetida à lavagem com volume igual de he-
xano por cinco vezes, para eliminação de ácidos graxos li-
vres e outros contaminantes (glicosídeos) presentes na fase
superior, que foi desprezada a cada extração. Novamente, o
volume foi medido e nova extração foi realizada com uma
solução de éter etílico:acetato de etila:THF (1:1:1) por cin-
co vezes. A cada extração, o conteúdo da fase superior foi
fi ltrado, desidratado em sulfato de sódio anidro e recolhido
em balão de rota-evaporador protegido da luz. O solven-
te da fração resultante foi evaporado em rota-evaporador
a 38ºC e, os ácidos fenólicos solúveis foram ressuspensos
em 5 mL de metanol e armazenados em vidros âmbar em
freezer a -20oC.
Ácidos fenólicos insolúveis (AFEI)
O resíduo proveniente da extração dos ácidos fenó-
licos esterifi cados solúveis foi hidrolisado com 15 mL de
NaOH (4M) por 4 horas, à temperatura ambiente e prote-
gido da luz. Em seguida, o pH da solução foi ajustado para
2 (±0,1) com HCl 6M. A partir desta etapa, todo o proce-
dimento de extração dos ésteres de ácidos fenólicos inso-
lúveis das amostras seguiu o mesmo procedimento para a
obtenção dos ácidos fenólicos esterifi cados solúveis, des-
crito anteriormente.
Derivatização dos ácidos fenólicos
Alíquotas de 0,5 mL das frações de ácidos fenólicos
obtidas foram transferidas para vials contendo 0,1 mL de
padrão interno (éster metila de ácido heptadecanóico) e o
metanol foi evaporado com nitrogênio gasoso. Realizou-
se então o processo de derivatização pela adição de BSA
(N,O-bis(trimetilsilil)acetamida) (0,2 mL). Este processo
de derivatização fez-se necessário a fi m de esterifi car os
ácidos fenólicos para uma melhor separação por cromato-
grafi a gasosa. Para a completa derivatização, a solução foi
incubada a 60ºC por 30 min, obtendo-se as amostras pron-
tas para serem injetadas no cromatógrafo.
Separação e quantifi cação dos ácidos fenólicos
A separação dos ácidos fenólicos foi realizada em
cromatógrafo a gás marca Shimadzu, modelo 17A, equi-
pado com detector de ionização de chama e coluna capilar
DB-5 (J&W) de 30m de comprimento por 25 mm de diâ-
metro interno.
A separação dos ácidos fenólicos foi realizada atra-
vés da comparação dos tempos de retenção nas diferentes
frações com os padrões de compostos fenólicos. As condi-
ções cromatográfi cas foram: temperatura inicial da coluna
a 150ºC, isotérmica por três minutos; de 150ºC para 300ºC,
aumentando 5ºC min-1; isotérmica a 300ºC por três minu-
tos. A temperatura da câmara de injeção foi de 250ºC e a
do detector foi de 300ºC. O hélio foi utilizado como gás de
arraste a uma vazão de 3 mL/min.
Análise Estatística
Todo o experimento foi realizado em triplicata e os
resultados apresentados como média ± desvio padrão. Para
comparação das médias realizou-se análise de variância
(ANOVA) e o teste de Tukey, com auxílio do software Sta-
tistica® 6.0, versão 2001. O nível de signifi cância conside-
rado para a diferença entre as médias foi de 5 % (P<0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Compostos Fenólicos Totais (FT)
Na Tabela 1 estão apresentados os conteúdos totais
de fenólicos dos extratos obtidos a partir da fruta Physalis
peruviana. O extrato metanólico apresentou maior teor de
compostos fenólicos totais, com diferença estatística signi-
fi cativa (P<0,05) em relação ao extrato aquoso. Isto é coe-
rente com o fato de que o conteúdo de fenólicos totais e a
atividade antioxidante dos extratos são signifi cativamente
dependentes dos solventes empregados. 13
Tabela 1 – Conteúdo de fenólicos totais (FT) e Atividade
antioxidante (TEAC) de extratos de Physalis peruviana.
Extratos
Metanólico
Aquoso
FT (mg GAE1 100g-1) TEAC2 (μMol g-1)
57,9 ± 0,6 a
47,8 ± 1,8 b
31 ± 1,1 a
29 ± 1,0 a
Valores, em peso fresco, expressos como média ± desvio padrão,
n = 3.
1Equivalente a ácido gálico; 2Atividade antioxidante equivalente
ao Trolox.
Letras diferentes na mesma coluna representam diferenças estatis-
ticamente signifi cativas (Tukey HSD, P<0,05).
O teor de compostos fenólicos obtido para o extra-
to metanólico da fruta Physalis peruviana foi de 57,9 mg
GAE 100g-1 fruta fresca. Wu et al. 35 encontraram valores
de compostos fenólicos totais em diferentes extratos de
Physalis peruviana variando entre 14,53 e 90,80 mg g-1 de
extrato. Os teores de fenólicos totais observados neste es-
tudo são superiores aos encontrados por Kuskoski et al. 18
em polpa de abacaxi, cupuaçu e maracujá, que foram, res-
pectivamente, de 21,7; 20,5 e 20,0 mg GAE 100g-1 em peso
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fresco. No mesmo estudo, foram observados teores de fe-
nólicos totais superiores em graviola e uva, respectivamen-
te, de 84,3 e 117,1 mg GAE 100 g-1 em peso fresco. Sun
et al. 28 encontraram em frutas como uva (182,0 mg GAE
100 g-1) e morango (147,8 mg GAE 100g-1) valores também
superiores aos apresentados para o fruto physalis.
Atividade Antioxidante
Os dados de atividade antioxidante dos extratos
metanólico e aquoso da physalis, apresentados na Tabela
1, permitem verifi car que, diferentemente ao teor total de
fenólicos, a atividade antioxidante apresentada pelos dois
extratos não possui diferença estatisticamente signifi cati-
va (P<0,05). Os valores observados no presente estudo são
superiores aos valores encontrados em estudos com mo-
rango (20,6 μMol TEAC g-1 peso fresco ORAC), realiza-
do por Kalt et al.; 14 suco de uva tinta (14,6 – 25,0 μMol
TEAC mL-1), descrito por Dávalos et al.; 4 mirtilo (médias
de 27,6 e 14,83 μMol TEAC g-1 peso fresco pelo método
ABTS), descrito por Sellappan et al. 26 e inferiores na com-
paração com o estudo realizado com polpa de açaí (48,6
μMol mL-1 ORAC), por Del Pozo-Insfran et al. 5
Em outro estudo Kuskoski et al. 17 determinaram
atividade antioxidante das polpas de frutas de grande con-
sumo no mercado sul brasileiro (amora, uva, açaí, goiaba,
morango, acerola, abacaxi, manga, graviola, cupuaçu e ma-
racujá), aplicando método ABTS. Os valores de atividade
antioxidante equivalente ao Trolox obtidos oscilam entre
valores mínimos e máximos de 2,0 e 67,6 μMol TEAC g-1
em peso fresco.
Perfi l de Ácidos Fenólicos
O perfi l de ácidos fenólicos presentes na fruta
physalis é apresentado na Tabela 2.
Tabela 2 – Ácidos fenólicos (mg g-1) das frações de ácidos
fenólicos livres (AFL), ácidos fenólicos esterifi cados so-
lúveis (AFES) e ácidos fenólicos esterifi cados insolúveis
(AFEI) de Physalis peruviana*.
Ácidos fenólicos
Salicílico
Gentísico
o-cumárico
Protocatequínico
Quínico
p-cumárico
Pirogálico
Ferúlico
Sináptico
Clorogênico
Total
*Média de análises realizadas em triplicata.
nd = não detectado.
AFL
15,59
Nd
0,21
6,61
0,19
0,26
Nd
Nd
Nd
Nd
22,86
AFES
22,54
0,05
nd
22,55
0,06
0,10
0,17
0,39
0,05
0,06
45,97
AFEI
10,88
nd
0,05
nd
nd
nd
0,13
0,08
0,06
nd
11,20
Conforme observado na Tabela 2, foram encontra-
dos dez ácidos fenólicos nas três frações avaliadas, predo-
minando os ácidos salicílico e protocatequínico. A fração
AFES apresentou maior concentração de ácidos fenólicos
com 45,97 mg g-1, ou seja, mais de 57% do teor de ácidos
fenólicos presente nas três frações. O ácido salicílico tam-
bém foi encontrado em elevadas concentrações na casca
do café (Coffea arabica L.) e no macambo ou cacau do
Peru (Theobroma bicolor L.), fruto originário da Ama-
zônia. 2, 30 Esses mesmos autores encontraram expressiva
atividade antioxidante para todas as frações avaliadas. Em
estudos de atividade antioxidante em alimentos, o ácido
protocatequínico apresentou boa atividade em sistema li-
pídico, 6 apresentando atividade antioxidante maior que o
α-tocoferol e o BHT. 33
A Tabela 3 apresenta o conteúdo de fenólicos totais
e a atividade antioxidante obtido nas diferentes frações de
ácidos fenólicos do Physalis peruviana. Observou-se que
todas as frações apresentaram um elevado valor TEAC.
Dentre as frações, a AFES apresentou maior conteúdo de
fenólicos totais (346,1 ± 2,3 mg 100g-1) refl etindo na maior
atividade antioxidante, expressa como valor TEAC (185,3
± 2,7 μMol 100g-1). Villaño,32 ao avaliar a atividade antio-
xidante de vinhos, constatou um valor TEAC de 67 μM
100 mL-1 para os vinhos brancos e de 693 μM 100 mL-1
para os vinhos tintos após seis minutos de reação. Também
avaliou o valor TEAC de vários padrões fenólicos puros e
encontrou um valor TEAC de 198 μM 100g-1 para o ácido
gálico; 101 μM 100g-1 para o ácido caféico, 99 μM g-1 para
a epicatequina e 183 μM 100g-1 para a procianidina B2, de-
monstrando dessa forma que os ácidos fenólicos presentes
no fruto em estudo possuem elevada atividade antioxidan-
te, sendo comparáveis a padrões de ácidos fenólicos puros.
Tabela 3 – Conteúdo de fenólicos totais (FT) e Atividade
antioxidante (TEAC) das frações de ácidos fenólicos livres
(AFL), ácidos fenólicos esterifi cados solúveis (AFES) e
ácidos fenólicos esterifi cados insolúveis (AFEI) da Physalis
peruviana.
Frações FT (mg GAE1 100g-1) TEAC2 (μMol 100g-1)
AFL217,1 ± 1,7 b92,6 ± 1,6 c
AFES346,1 ± 2,3 a185,3 ± 2,7 a
AFEI220,2 ± 1,7 b106,2 ± 2,3 b
Valores, em peso seco, expressos como média ± desvio padrão,
n = 3.
1 Equivalente a ácido gálico; 2 Atividade antioxidante equivalente
ao Trolox.
Letras diferentes na mesma coluna representam diferenças estatis-
ticamente signifi cativas (Tukey HSD, P<0,05).
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CONCLUSÃO
Os resultados obtidos mostraram alto conteúdo de
fenólicos totais e considerável atividade antioxidante para
o fruto physalis, comparáveis a diversas outras frutas tradi-
cionalmente consumidas no Brasil. Assim, o fruto physalis
pode ser considerado uma boa fonte de compostos antio-
xidantes naturais, com destaque para os ácidos salicílico e
protocatequínico.
ROCKENBACH, I.I.; RODRIGUES, E.; CATANEO,
C.; GONZAGA, L.V.; LIMA, A.; MANCINI-FILHO,
J.; FETT, R. Phenolic acids and antioxidant activity of
Physalis peruviana L. fruit. Alim. Nutr., Araraquara, v. 19,
n.3, p. 271-276, jul./set. 2008.
?ABSTRACT: Physalis peruviana (physalis) is an exotic
fruit with an increasing production in Brazil, but few
works are available about it. The aim of this work was
to investigate the antioxidant potential of physalis and its
phenolic acids content. Total content of phenolic compounds
was determined by Folin-Ciocalteu method and antioxidant
activity by ABTS (2,2’-azino-bis-3-ethylbenzthiazoline-6-
sulfonic acid) method in different extracts. Phenolic acids
profi le of different fractions of the fruit was also determined.
Content of total phenolic compounds in methanolic extract
was of 57.9 mg GAE 100g-1 of fresh fruit and antioxidant
activity was of 31 μMol g-1. Ten phenolic acids were
detected in the 3 fractions evaluated, being salicylic and
protocatecuic the predominant acids. Fraction containing
soluble esterifi ed phenolic acids presented the higher
content of total phenolics (346.1 mg 100 g-1) refl ecting on
a higher antioxidant activity, expressed as TEAC value
(185.3 μMol 100g-1). The results show high content of total
phenolics and notable antioxidant activity of physalis fruit,
similar to several fruits traditionally consumed in Brazil.
So, physalis fruit can be considered as a good source of
natural antioxidant compounds.
?KEYWORDS: Physalis peruviana; antioxidant activity;
phenolic compounds; phenolic acids.
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Phenolic
Physalis
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