Capital humano e crescimento: impactos diretos e indiretos
ABSTRACT The objective of this study is to evaluate the different channels in which human capital affects income level and growth and to use a proxy of human capital variable that incorporates quantitative and qualitative aspects of this factor. The human capital proxy that will be used is years of schooling (h) times HDI (Human Development Index) and h times HDI squared. HDI utilization is to measure countries degree of development. The assumption is that the more developed a country is, the better is its system of human capital formation. The empirical analysis is based in a model that incorporates several channels in which human capital affects the rate of income per worker growth: 1) improving the marginal productivity of labor; 2) through creation of technology; and 3) diffusion of technology. The consideration of several channels in which human capital affects income is due to the complexity of the relationship between these two variables. Therefore, if we consider only some channels we can incur in model specification errors.
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TEXTO PARA DISCUSSÃO N° ° 267
CAPITAL HUMANO E CRESCIMENTO:
IMPACTOS DIRETOS E INDIRETOS
Luciano Nakabashi
Lízia de Figueiredo
Junho de 2005
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Ficha catalográfica
330.34
N163e
2005
Nakabashi, Luciano.
Capital humano e crescimento: impactos diretos e
indiretos. / Luciano Nakabashi, Lízia de Figueiredo. -
Belo Horizonte: UFMG/Cedeplar, 2005.
35p. (Texto para discussão ; 267)
1. Desenvolvimento econômico – Modelos
econométricos. 2. Macroeconomia - Modelos
econométricos. 3. Capital humano - Modelos
econométricos. I. Figueiredo, Lízia de. II. Universidade
Federal de Minas Gerais. Centro de Desenvolvimento e
Planejamento Regional. III. Título. IV. Série.
CDU
2
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS
CENTRO DE DESENVOLVIMENTO E PLANEJAMENTO REGIONAL
CAPITAL HUMANO E CRESCIMENTO: IMPACTOS DIRETOS E INDIRETOS
Luciano Nakabashi
Professor Substituto do departamento de economia da Universidade Federal do Paraná e das Faculdades Eseei.
E-mail: nakaba@ibest.com.br
Lízia de Figueiredo
Professora Adjunta do departamento de economia da Universidade Federal de Minas Gerais.
CEDEPLAR/FACE/UFMG
BELO HORIZONTE
2005
3
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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 6
2. CAPITAL HUMANO E TAXA DE CRESCIMENTO.................................................................... 10
2.1. Efeitos indiretos do capital humano........................................................................................... 10
2.2. Comércio internacional e difusão............................................................................................... 13
2.3. Difusão de tecnologia e investimento estrangeiro direto (IED)................................................. 14
3. O MODELO...................................................................................................................................... 16
4. METODOLOGIA E DADOS........................................................................................................... 20
5. RESULTADOS................................................................................................................................. 21
6. CONCLUSÕES................................................................................................................................. 25
7. REFERÊNCIAS................................................................................................................................ 27
8. ANEXOS........................................................................................................................................... 30
Anexo I - Resultados das regressões sem correções.......................................................................... 30
Anexo II – Testes das regressões do anexo I..................................................................................... 32
4
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RESUMO
O objetivo do presente estudo é o de avaliar os diferentes canais pelo qual o capital humano
afeta o nível e a taxa de crescimento da renda por trabalhador através do uso de uma variável que
incorpora aspectos quantitativos e qualitativos deste fator. A proxy para capital humano a ser utilizada
é anos de escola (h) multiplicados pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e h vezes IDH ao
quadrado. A suposição por trás do uso desta proxy é que quanto mais desenvolvido for o país, melhor
é seu sistema de formação de capital humano. A análise empírica é baseada em um modelo que
incorpora diversas canais pelo qual o capital humano afeta a taxa de crescimento da renda por
trabalhador: 1) através da melhora na produtividade marginal do trabalho; 2) criação de tecnologia; e
3) difusão de tecnologia. A consideração de variados canais em que o capital humano afeta a taxa de
crescimento da renda se deve à complexidade da relação entre estas duas variáveis. Assim, caso ocorra
a omissão de alguns canais, podemos estar incorrendo em erros de especificação do modelo e obter
coeficientes enviesados.
Palavras Chaves: Capital Humano; Renda por Trabalhador; Aspectos Qualitativos do Capital
Humano; Produtividade Marginal do Trabalho; Criação de Tecnologia; Difusão de Tecnologia.
ABSTRACT
The objective of this study is to evaluate the different channels in which human capital affects
income level and growth and to use a proxy of human capital variable that incorporates quantitative
and qualitative aspects of this factor. The human capital proxy that will be used is years of schooling
(h) times HDI (Human Development Index) and h times HDI squared. HDI utilization is to measure
countries degree of development. The assumption is that the more developed a country is, the better is
its system of human capital formation. The empirical analysis is based in a model that incorporates
several channels in which human capital affects the rate of income per worker growth: 1) improving
the marginal productivity of labor; 2) through creation of technology; and 3) diffusion of technology.
The consideration of several channels in which human capital affects income is due to the complexity
of the relationship between these two variables. Therefore, if we consider only some channels we can
incur in model specification errors.
Key words: Human Capital; Income per Worker; Quality Aspects of Human Capital; Marginal
Productivity of Labor; Creation of Technology; Diffusion of Technology
JEL Classification: C23; C60; C82; C87; E13; F43; I2; O11; O31; O33; O41.
5
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1. INTRODUÇÃO
O papel do capital humano sobre o nível de renda e a taxa de crescimento foi enfatizado e
formalizado no final dos anos 50 e começo dos 60 por três autores. Inicialmente, a introdução do
capital humano na análise econômica foi associada à preocupação dos pesquisadores em entender a
dinâmica da distribuição de renda entre os indivíduos. Esta foi a principal preocupação de Mincer
(1958), em um dos primeiros trabalhos a elaborar o conceito de capital humano na forma em que ele é
entendido atualmente. Um de seus objetivos centrais era explicar o aparente paradoxo em que os fatos
sugeriam que a distribuição de probabilidade das habilidades dos indivíduos fosse normal, enquanto a
variação de renda entre eles tivesse uma distribuição não normal, com o seu lado direito sendo
assimétrico com uma cauda alongada (positive skewed). Ele enfatizou a importância de fatores
econômicos sobre a distribuição de renda
Non-economic factors undoubtedly play an important role in the distribution of incomes. Yet,
unless one denies the relevance of rational optimization behavior to economic activity in
general, it is difficult to see how the factor of individual choice can be disregarded in
analyzing personal income distribution, which can scarcely be independent of economic
activity. (1958, pg. 283).
Assim, ele introduz indivíduos racionais maximizadores como um ponto de partida em seu
estudo sobre a distribuição de renda. Essa preocupação do papel da educação sobre a distribuição de
renda é natural, estando ela intimamente relacionada aos impactos da acumulação do capital humano
sobre o crescimento e o nível de renda dos países. A diferença fundamental é que a primeira é, em
geral, um estudo em âmbito microeconômico, enquanto que a segunda é no macro, apesar de ser
possível estudar a distribuição de renda em uma esfera macroeconômica quando se está comparando
diferentes países, como feito por Krueger (1968) e Lucas (1988).
Becker (1962) foi uma figura expoente no tratamento de vários assuntos econômicos através
da utilização do conceito de capital humano. Partindo da suposição de que os indivíduos adquirem
educação e treinamento, como uma forma consciente de investimento, Becker conseguiu explicar uma
ampla gama de fenômenos para os quais eram fornecidos interpretações ad hoc. Entres seus objetivos
estavam a explicação do padrão de rendimento dos trabalhadores e da distribuição de renda, além de
fornecer uma explicação lógica para os seguintes fatos: 1) os rendimentos, usualmente, se elevam com
a idade a uma taxa decrescente. A taxa de crescimento tende a ser positivamente correlacionada com o
nível de qualificação, enquanto que o seu decréscimo tem uma correlação negativa; 2) taxas de
desemprego tendem a ser negativamente correlacionadas com o grau de qualificação; 3) firmas, em
países subdesenvolvidos, tendem a ser mais “paternalistas” com os empregados em relação aos países
desenvolvidos; 4) pessoas mais jovens mudam de trabalho com maior freqüência e recebem mais
investimento, tanto no trabalho, quanto fora dele; 5) a distribuição de renda tende a ser “positively
skewed”, principalmente entre trabalhadores mais qualificados; 6) pessoas com mais habilidades
recebem mais educação e outros tipos de treinamento; 7) a divisão do trabalho é limitada pela extensão
do mercado; e 8) o investidor típico em capital humano é mais impetuoso e, portanto, mais propenso a
cometer erros, em relação ao investidor típico em capital físico.
6
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Finalmente, Schultz (1960, 1961, 1962) foi fundamental no estabelecimento das relações
macroeconômicas entre capital humano e crescimento econômico:
..., the hypothesis here advanced is that the inclusion of human capital will show that the ratio
of all capital to income is not declining. Producer goods – structures, equipment and
inventories – a particular stock of capital has been declining relative to income. Meanwhile,
however, the stock of human capital has been rising relative to income. If the ratio of all
capital to income remains essentially constant, then the unexplained economic growth which
has been so puzzling originates mainly out of the rise in the stock of human capital.
(Schultz,1962, p. 1).
Assim, para Schultz, a inclusão da acumulação de capital humano é um elemento chave na
compreensão do crescimento econômico, no longo prazo, pois ele é a principal fonte desse processo. A
teoria do capital humano fornece, desse modo, a base teórica para o desenvolvimento dos modelos de
crescimento endógeno desenvolvidos na segunda metade dos anos 80, como o de Romer (1986), por
exemplo.
Apesar da teoria do capital humano fornecer muitos insights sobre as relações entre capital
humano e crescimento econômico/nível de renda, ainda existem muitas controvérsias sobre a
importância desse fator no crescimento econômico/nível de renda. Alguns estudos, como Romer
(1990), Benhabib e Spiegel (1994), Hall e Jones (1998) e Pritchett (2001) encontram resultados que
põem em dúvida a suposição de que o capital humano é um importante fator na determinação da renda
de forma direta1. Entretanto, existem muitos outros que dão suporte a essa hipótese. Alguns deles são
Krueger (1968), Easterlin (1981), Barro (1991), Mankiw, Romer e Weil (1992), além de Barro e Lee
(2001), mas a maior parte das evidêndias é proveniente de estudos microeconômicos (Dowrick, 2003).
As razões para o fato da maior parte das evidências serem provenientes de estudos na esfera
microeconômica são erros de especificação do modelo e dados de reduzida qualidade.
Temple (2001, 1999) encontra que alguns outliers influentes podem mudar os resultados
consideravelmente. Caso essas observações sejam omitidas, usando o método LTS2, a conclusão é de
que o capital humano é mais importante na determinação da renda do que realmente parece ser. Nelson
& Phelps (1966) fornecem um importante mecanismo alternativo sobre o papel do capital humano no
crescimento/nível de renda como sendo um facilitador do processo de difusão tecnológica. Alguns
estudos empíricos baseados na idéia deles, como Benhabib & Spiegel (1994, 2002) e Islam (1995),
encontram evidências macroeconômicas que apóiam essa posição.
Apesar de serem minoria, outros estudos tentam analisar o impacto da educação sobre o
crescimento controlando para a sua qualidade. Um exemplo é o estudo de Hanushek e Kimko (2000)
onde eles utilizam como base teórica na análise empírica os modelos de crescimento endógeno em que
o motor do crescimento é a acumulação de capital humano, como o de Lucas-Uzawa e introduzem a
variável que mede a qualidade do ensino. De fato, os resultados encontrados indicam uma forte relação
entre qualidade da educação e crescimento da renda per capita
1 Por forma direta queremos dizer os efeitos do capital humano sobre a renda através da melhora marginal da produtividade
do trabalho mantendo todos os outros fatores constantes (capital e tecnologia).
2 Trimmed Least Square. Este consiste em procurar a parte da amostra para qual o modelo corrente tem o maior poder de
explicação.
7
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The corresponding estimates with the additional of our alternative measures of labor-force
quality, found in the remaining columns, indicate a very strong relationship between quality
and per capita growth rates. In the simplest form, adding either quality measure (QL1 or QL2)
boosts the adjusted R2 to about 0.7, a substantial increase from the simpler models (p. 1190).
A base de dados utilizada para mensurar a qualidade educacional é composta por resultados de
testes internacionais em ciências e matemática disponíveis para uma série de países (39 no total)3.
Outro estudo que vai nessa direção foi realizado por Barro (2000) utilizando a base de dados montada
por Barro e Lee (2001), também com 39 países e para as matérias matemática e ciências, baseados no
TIMMS4 para estudantes e no IALS5 para adultos. Barro (2000) também encontra uma relação positiva
entre os testes e taxas de crescimento da renda real per capita em dados de corte. Com a introdução da
proxy para a qualidade, a proxy que mede a quantidade de educação perde importância e continua
apenas marginalmente significante o que o leva a concluir que “... quality and quantity of schooling
both matter for growth but that quality is much more important.” (p. 24). Adicionalmente, Hanushek e
Kimko (2000) encontram evidências de que a relação causal vai da medida de qualidade do capital
humano para o crescimento econômico, pois ela está relacionada positivamente com a produtividade
dos indivíduos.
Em um estudo para 48 estados americanos separados em cinco regiões, no período 1880, 1900,
1920 e 1950, Connolly (2004) utiliza como proxy para capital humano os gastos reais anuais (em
dólares de 1967), baseado em um modelo de estoques perpétuos (perpetual inventory model). Segundo
ela, esses dados são importantes para mensurar a qualidade do capital humano porque além de
significar um maior grau de investimento no setor, também incorpora outras medidas de qualidade do
capital humano como maiores salários dos professores, maior período de aula durante o ano e maior
proporção de professores por aluno, com todas sendo positivamente correlacionadas com a quantidade
de gastos no setor. Os resultados encontrados indicam que o aumento de produtividade devido à
experiência do trabalhador é maior quanto mais capital humano embutido ele tiver.
O objetivo do presente estudo é analisar os diferentes canais pelos quais o capital humano
afeta a taxa de crescimento da renda, além de incorporar uma proxy desse fator que leva em conta
aspectos qualitativos e quantitativos. A introdução dos vários canais pelos quais o capital humano
influencia a taxa de crescimento da renda por trabalhador tem como objetivo a utilização de um
modelo mais completo para evitar possíveis erros de especificação, pois no caso de omissão de uma
variável relevante que esteja correlacionada com pelo menos uma outra variável independente,
obteríamos coeficientes enviesados e inconsistentes. De fato, a determinação das taxas de crescimento
da renda por trabalhador entre os países é um asssunto extremamente complexo e as formas em que o
capital humano afeta essas taxas é variada. Além disso, é de se esperar a existência de algum grau de
correlação entre as diversas formas em que o capital humano afeta essa taxa, pois um país que esteja
engajado em criação de tecnologia provavelmente tem pessoas altamente capacitadas envolvidas no
3 A variável que mede a qualidade do setor educacional é composta por testes de matemática e ciências. Quatro desses testes
foram realizados pelo International Association for the Evaluation of Educacional Achievement (IEA) e dois pelo
International Assesment of Educational Progress (IAEP). Os anos em que os testes foram realizados são 1965, 1970, 1981,
1985, 1988 e 1991.
4 The Third International Mathematics and Science Study in 1994 and 1995.
5 International Adult Literacy Survey.
8
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processo direto de produção de bens e serviços e no processo de difusão. Não há porque esperar que o
capital humano de um determinado país esteja todo alocado em um setor, ainda mais se levarmos em
consideração que existem forças que tendem a igualar o retorno desse fator empregado nos diferentes
setores.
O método proposto de mensuração das proxies para capital humano consiste em multiplicar
anos de escola pelo IDH e IDH2. A suposição por trás da utilização dessa proxy é de que a qualidade
do sistema educacional depende do nível de desenvolvimento do país em questão, sendo o IDH a
variável utilizada para tal mensuração. O emprego do IDH se deve por este ser um indicador bem
estabelecido na literatura sobre desenvolvimento econômico e para os quais os dados estão disponíveis
para uma ampla gama de países, além de eles serem de razoável confiabilidade. Duas amostras serão
utilizadas no estudo empírico. Uma delas é composta por 96 países em quatro períodos de tempo
(1985, 1990, 1995, 2000), mas a quantidade de observaçoes não se iguala a 384, pois alguns países
não possuem dados para todo o período. A outra amostra é composta por 29 países com uma base de
dados mais completa e de maior confiabilidade6.
Segundo nossos resultados, a taxa de crescimento da renda não é influenciada diretamente
pelo investimento em capital humano (ou este apresenta um impacto negativo na mesma). Esse
resultado é o oposto ao encontrado em alguns estudo empíricos, como o de MRW, quando eles
analisam o caso de convergência condicional, por exemplo. O capital humano destinado à criação de
nova tecnologia parece ter um impacto negativo sobre o crescimento, o que é um fato um tanto quanto
intrigante. Esse resultado contradiz a intuição dos modelos de crescimento endógeno baseados em
P&D como, por exemplo, Romer (1990), Grossman e Helpman (1991a, 1991b), além de Aghion e
Howitt (1992). No entanto, Jones (1995a, 1995b, 2002) apresenta evidências de que não há correlação
positiva entre o capital humano destinado a P&D e crescimento econômico. Algumas evidências, no
presente estudo, apontam que o capital humano atua através da aceleração do processo de difusão
tecnológica, o que dá suporte ao modelo de Nelson e Phelps (1966), além de estar de acordo com
evidências de alguns trabalhos empíricos, como Islam (1995) e Benhabib e Spiegel (1994). A difusão
tecnológica é intensificada pelas importações e pelo investimento direto estrangeiro. Entretanto, o
único fator que parece afetar a taxa de crescimento por trabalhador de forma consistente é a taxa de
investimento em capital físico.
Além dessa introdução, o presente trabalho é composto pela próxima seção que discute os
impactos indiretos do capital humano sobre a renda. Não discutimos os efeitos diretos pelo fato deles
serem os mais tratados na literatura. Por efeitos diretos do capital humano, nós nos referimos àqueles
que afetam a renda através da melhora na produtividade marginal do trabalho mantendo todos os
outros fatores constantes (capital e tecnologia), isto é, da maior habilidade dos trabalhadores na
realização de suas respectivas tarefas. Ele é representado pela introdução do capital humano de forma
direta na função de produção. Os efeitos indiretos são aqueles que afetam a quantidade de tecnologia
disponível para ser utilizada no processo de produção. Assim, são os fatores que influenciam na
criação e difusão de tecnologia. Na terceira seção está o modelo a ser utilizado na análise empírica,
que foi baseado na discussão realizada na seção anterior. A seção subsquente apresenta a metodologia
e os dados. Finalmente, na quinta seção, são apresentados e discutidos os resultados.
6 Assim, as regressões são feitas utilizando dados de painel com dados incompletos (não balanceado).
9
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2. CAPITAL HUMANO E TAXA DE CRESCIMENTO
2.1. Efeitos indiretos do capital humano
Os impactos indiretos do capital humano no nível e crescimento da renda por trabalhador são
os efeitos desse fator sobre o avanço tecnológico. Ele é um importante insumo na criação de
tecnologia, além de ser um elemento essencial no processo de aquisição de tecnologia criada em
períodos anteriores. O progresso tecnológico é tido como o principal fator na determinação do
crescimento e nível de renda por trabalhador, no longo prazo
Science, technology and innovation increasingly determine the performance of modern
economies and the competitiveness of industries. They influence macroeconomic variables
such as employment, production and trade, and they contribute to economic prosperity by
supporting the emergence and expansion of new industries, encouraging organizational
changes and driving productivity improvements. (OECD, 2002, p. 23).
Desse modo, promover a produção e difusão de tecnologia é um elemento chave na
determinação do crescimento de longo prazo. Para países que não participam de atividades voltadas à
criação de tecnologia, o meio pelo qual eles podem experimentar melhoras tecnológicas é através do
processo de difusão. Assim, esse canal passa a ser essencial na determinação do sucesso econômico
dos países que não se engajam na criação de tecnologia. Nas palavras de Keller (2003):
International technology diffusion is also a major determinant of the world income distribution
because most of the world’s technological investments are undertaken by only a handful of
highly developed countries. In consequence, international technology diffusion determines
which less developed countries will succeed in catching-up with the currently rich countries,
and which will not. (p. 2)
O capital humano é o principal fator na criação de novas idéias e, portanto, para o avanço
tecnológico de uma forma geral. Boa parte dos estudos voltados para se entender esse mecanismo de
criação de tecnologia surgiu em meados dos anos 80. Nesse período ocorreu um esforço no sentido de
se entender quais forças internas ao sistema econômico eram capazes de gerar o crescimento
econômico de longo prazo (Romer, 1994). Alguns dos expoentes da literatura sobre crescimento
endógenos são Romer (1986, 1990), Grossman e Helpman (1991a,1991b) e Aghion e Howitt (1992).
Nessa classe de modelos, seguindo Jones (1995a), o motor de crescimento pode ser representado por
(1)
At
t
t
CL
A
A
=
•
em que C é uma medida de eficiência do trabalho na criação de tecnologia e LAt é a quantidade de
trabalho alocada às atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
Outro meio pelo qual o capital humano afeta o crescimento da renda é enfatizado por Nelson e
Phelps (1966) que ressaltam a ligação entre capital humano e difusão de tecnologia: “education
10
Page 11
enhances one’s ability to receive, decode, and understand information, and that information
processing and interpretation is important for performing or learning to perform many jobs.” (p. 69).
A quantidade de capital humano incorporada em cada indivíduo depende de sua ocupação. Se
um indíviduo possui um emprego no qual as mudanças tecnológicas são freqüentes e ele está em um
ambiente de trabalho que requer adaptação constante, a quantidade de capital humano demandada para
esse cargo será maior. Tendo essa idéia como pano de fundo, Nelson e Phelps (1966) desenvolvem um
modelo onde o capital humano tem um papel decisivo no processo de difusão de tecnologia. No
modelo deles, os retornos dos gastos em capital humano são positivos se a tecnologia está em
constante progresso. A hipótese básica do modelo é a seguinte:
We suggest that, in a technologically progressive or dynamic economy, production
management is a function requiring adaptation to change and that the more educated a
manager is, the quicker will he be to introduce new techniques of production. To put the
hypothesis simply, educated people make good innovators, so that education speeds the
process of technological diffusion. (p. 70)
Algumas evidências dessa hipótese foram apresentadas por Foster e Rosenzweig (1996) em
um estudo sobre a revolução verde na India (green revolution):
Not only did the returns to (primary) schooling increase on average during a period of rapid
technical progress, but the returns increased at a higher rate in those areas that grew the most
rapidly over the relevant period: educated individuals are either more able to manage new
technologies or they become aware of productive innovations at earlier stages of growth than
their less-educated counterparts. Regardless of which of these two components is responsible
the implication is the same: faced with new information, educated individuals are better able to
take advantage of technical change (p. 951).
No modelo formal, a suposição feita é de que a absorção e uso de novas tecnologias são
dependentes do nível de educação e do gap tecnológico existente entre o nível de tecnologia do país i
em t (Ait) e a fronteira tecnológica (Tt), definida comos as melhores técnicas disponíveis para a
produção, em t. Tt é uma medida do conhecimento e técnicas disponíveis para a produção. Ele é,
supostamente, exógeno é avança a uma taxa constante (γ)
eTT
0
=
Com γ > 0. O crescimento do nível de tecnologia é dado por
( )(
itti
it
ATHA
−Φ=
em que H é o nível de capital humano, que é constante por hipótese, Φ(0) = 0 e Φ´(H) > 0. A equação
(3) pode ser apresentada, de forma equivalente, como
(2)
t
t
γ
(3)
•
)
11
Page 12
(4)
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
−
A
Φ=
•
it
itt
i
it
it
AT
H
A
A
)(
Por essa equação, a taxa de progresso tecnológico é uma função crescente do nível
educacional e proporcional ao gap entre a fronteira tecnológica e o nível de tecnologia do país.
Islam (1995) encontra evidências que dão suporte ao modelo de difusão de tecnologia de
Nelson e Phelps (1966). Sua medida de tecnologia é altamente correlacionada com o estoque de
capital humano por trabalhador de cada país. Em sua análise empírica, Benhabib e Spiegel (1994)
fazem uso de uma especificação semelhante à equação (4), mas que incorpora o efeito direto da capital
humano sobre a criação de tecnologia:
(5)
()
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
−
A
Φ+=
•
it
itt
ii
it
it
AT
HHg
A
A
)(
em que g(Hi) representa o termo que mede o impacto do capital humano empregado na criação de
nova tecnologia. A equação (5) pode ser apresentada como:
(6)
()
[]
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
Φ+Φ−=
•
it
t
iii
it
it
A
T
HHHg
A
A
)()(
Como uma aproximação de (6) e utilizando o nível de renda como uma proxy para o nível de
tecnologia, Benhabib e Spiegel utilizam a seguinte função na realização da análise empírica7:
(7)
()()
[]
()
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
⎛
Φ+Φ−+=−
i
ii
i
ttt
Y
Y
HHgcHAHA
max
0
log log
Se empregarmos a diferença do ln na seguinte função de produção Yt = At(Ht)Kt
empregarmos a equação (7), chegamos a
⎛
Φ+Φ−+=∆
αLt
β, e
(8)
()
iiii
i
iii
HKL
Y
Y
HHgcY
εγβα
log loglog loglog
max
∆+∆+∆+∆+
⎟⎟
⎠
⎞
⎜⎜
⎝
em que ∆logX = logXT – logX0, sendo X uma variável qualquer. Na equação (8) podemos ver que o
capital humano pode afetar o crescimento da renda através de diferentes canais: pela criação de
tecnologia (primeiro termo), incentivando a difusão de tecnologia (segundo termo) e diretamente pela
melhora na capacitação da força de trabalho (último termo).
7 Note que na equação (7) a opção dos autores foi pela utilização de uma função linear em H.
12
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2.2. Comércio internacional e difusão
Comércio internacional é um importante meio de difusão de tecnologia porque esta se
encontra embutida em bens comercializáveis. Portanto, quando um país compra bens de outro e os usa
no processo de produção, a quantidade de tecnologia utilizada aumenta. Um exemplo é um país que
compra máquinas de um outro que seja mais desenvolvido no setor em questão (de máquinas) para
utilizá-las na produção doméstica. A idéia é de que quando se emprega bens intermediários
estrangeiros no processo produtivo, o país está fazendo uso de tecnologia que foi desenvolvida com
investimentos em P&D do inventor estrangeiro. O comércio internacional disponibiliza bens que
incorporam conhecimento externo, fornecendo tecnologia que, de outro modo, não estaria disponível
ou que seria muito mais custosa para ser obtida.
Como sugerido por Keller (2003), esse método de difusão de tecnologia deve ser chamado de
“passive technology spillover” (p. 6)8, pois apesar do fato do país que importa possuir acesso indireto
dos resultados do P&D externo, o conhecimento tecnológico que está incorporado no bem importado
não está disponível aos inventores domésticos. Neste sentido, o comércio internacional conduz a
aumentos de produtividade porque apenas um país precisa inventar um novo produto, enquanto que,
potencialmente, todos podem se beneficiar do uso dele através da importação e, desse modo, fazerem
proveito da nova tecnologia estrangeira (Keller, 2002). Além disso, na presença de comércio
international, apenas um país precisa inventar e produzir uma nova variedade de produto, assim os
países podem se especializar na produção daqueles bens em que são mais competitivos gerando um
aumento de produtividade devido à melhor alocação de recursos.
Connolly (2003a, 2003b) argumenta que a importação de bens pode gerar oportunidades
através de engenharia reversa (reverse engineering). Connolly (2003b) ainda sugere que bens de
capital estrangeiros podem reduzir os custos de imitação. Assim, por esses dois argumentos, a
importação de bens eleva a probabilidade de imitação e difusão.
De acordo com as idéias discutidas anteriormente, na presença de comércio internacional, a
relação entre acumulação de conhecimentos e produtividade total dos fatores (PTF)9 se move do nível
nacional para o internacional e os países que não mantêm nenhuma atividade de P&D podem se
beneficiar das atividades dos demais. Quando um país tem livre acesso à utilização de qualquer
insumo disponível na economia mundial, sua produtividade depende das atividades de P&D mundiais,
pois ele pode comprar qualquer insumo como os outros países e utilizá-lo no processo produtivo (Coe
and Helpman, 1995). Este é um caso extremo onde todos os insumos intermediários são tradables,
inclusive capital humano, além de que P&D doméstico e estrangeiro possuem os mesmos efeitos de
produtividade sobre a economia doméstica10. Um efeito adicional do comércio internacional no
processo de difusão de tecnologia é que ele pode gerar economias de escala na medida que as
economias vão se tornando mais especializadas.
8 Spillovers são as parcelas públicas do retorno de um determinado investimento. Um exemplo é um determinado
investimento na criação de uma tecnologia que beneficia firmas e/ou indivíduos que são externos ao processo inventivo.
9 Onde TFP = Y – βK – αL e Y é produto, K e L são os fatores capital e trabalho empregados na produção, β e α são as
parcelas dos fatores capital e trabalho na renda, respectivamente.
10 Cabe lembrar que devido a existência de patentes e outras formas de internalização do retorno dos investimentos em P&D,
os efeitos positivos da criação de um novo produto são maiores na economia que o produziu e que se não existissem certas
barreiras, legais ou não, para garantir a internalização desses retornos, não haveria incentivo para tais investimentos.
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Coe e Helpman (1995), por meio de um modelo no qual uma economia produz bens
manufaturados finais através do emprego de uma gama de insumos tradables e nontradables,
encontram que economias mais abertas ao comércio internacional extraem maiores benefícios dos
gastos em P&D estrangeiros quando comparadas com economias mais fechadas. Eles estimaram a
seguinte equação com dados dos países da OCDE para o período 1971-1990:
SmSF
log loglog
ααα++=
(9)
f
ii
f
i
d
i
d
iii
0
em que logF é o log da PTF, Sd e Sf representam o estoque de capital em P&D doméstico e
estrangeiro, respectivamente, onde o ultimo é definido como o estoque de capital em P&D doméstico
de cada parceiro comercial ponderado pela parcela das importações do país em questão provenientes
de cada um deles, e m é a proporção das importações em relação ao PIB. Os resultados encontrados
foram de que enquanto o estoque de capital em P&D doméstico tem um impacto muito maior sobre a
produtividade em grandes economias, as pequenas, que são em geral mais abertas ao comércio
internacional, beneficiam-se mais do P&D estrangeiro. Quando a análise é estendida de modo a
englobar 77 países em desenvolvimento provenientes da África, Ásia, América Latina e Oriente
Médio, e se inclui o capital humano na análise, Coe, Helpman e Hoffmaister (1997) encontram que
spillovers provenientes de atividades de P&D de países desenvolvidos da região norte para os países
menos desenvolvidos da região sul são substanciais. Estimando equações de regressão baseadas na
seguinte especificação:
EMSF
αααα
+++=
loglog
(10)
tt
T
it
f
it it
SE
i
f
it it
SM
iit
E
i it
M
i
f
it
S
ii it
TSESM
µααα
++++
loglog
0
em que i e t representam países e período de tempo, respectivamente. Os coeficientes αIs representam
parâmetros que são específicos a cada país, M é a parcela de máquinas e equipamentos importados de
países industriais, E é a taxa de matrícula no ensino secundário, T denomina tempo, µ é um termo de
erro aleatório e as outras variáveis são as mesmas que foram especificadas na equação (9). Eles
encontram que a PTF dos países em desenvolvimento é mais elevada quanto maior o estoque de
capital em P&D estrangeiro, mais aberta a economia for para a importação de máquinas e
equipamentos provenientes de países desenvolvidos e mais educada a força de trabalho.
2.3. Difusão de tecnologia e investimento estrangeiro direto (IED)
Os efeitos da operação de empresas multinacionais no país de origem ou destino não são
claros o suficiente para gerar um consenso
The debate on foreign direct investment (FDI) has ranged from worries that outward FDI may
substitute for domestic investment and erode technology leadership to the argument that firms
must invest abroad in order to stay competitive in an increasingly international environment.
(Blomström and Kokko, 1998, p. 1)
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Rodrick (1999), também aponta para a possibilidade de causalidade reversa nos onde existe
correlação entre crescimento da renda e investimento estrangeiro direto (IED): “Much, if not most, of
the correlation between the presence of [FDI] and superior performance seems to be driven by
reverse causality: multinational enterprises tend to locate in the more productive and profitable
economies” (p.37). Porém, as razões para se acreditar que o investimento estrangeiro direto tem um
papel importante sobre o processo de difusão de tecnologia são muitas. Primeiramente, quando uma
multinacional inaugura uma subsidiária em um país, ela traz consigo conhecimento incorporado em
capital físico e pessoas, além de novos métodos de produção (conhecimento não-incorporado). Ela
também traz novos conhecimentos que serão ensinados para trabalhadores domésticos da nova fábrica
através de vários tipos de treinamento:
The transfer of technology from [Multinational Enterprises (MNEs)] parents to affiliates is not
only embodied in machinery, equipment, patent rights, and expatriate managers and
technicians, but is also realized through the training of the affiliates’ local employees. This
training affects most levels of employees, from simple manufacturing operatives through
supervisors to technically advanced professionals and top-level managers. Types of training
range from on-the-job training to seminars and more formal schooling to overseas education,
perhaps at the parent company, depending on the skills needed. Although higher positions are
often initially reserved for expatriates, the local share typically increases over time.
(Blomström and Kokko, 1998, p. 13)
Segundo Aitken e Harrison (1999): “Several studies have shown that foreign firms initiate
more on-the-job training programs than their domestic counterparts.” (p. 605). De acordo com
Blomström e Kokko (1998) esse tipo de spillovers pode ser ainda mais importante para países em
desenvolvimento porque “… the public education systems in developing countries are relatively
weaker” (p. 14). Adicionalmente, subsidiarias interagem com fornecedores domésticos e alguns
competidores, além de fornecerem insumos intermediários de alta qualidade. Seguindo Dimelis e
Louri (2003): “Strengthening competition, since [MNEs11] usually enter markets with high entry
barriers and consequently strong oligopolistic rigidities, may also be important” (p. 4). Spillovers12
podem ocorrer também quando firmas domésticas se tornam mais eficientes pela imitação através da
observação, por serem expostas a novos produtos e técnicas de produção e de mercado (Aitken e
Harrison 1999), através da contratação de trabalhadores que foram treinados por eles e por engenharia
reversa. Um outro possível efeito positivo ressaltado por Blomström e Kokko (1998) é que
As a result of their own export operations, [MNEs] may pave the way for local firms to enter
the same export markets, either because they create transport infrastructure or because they
disseminate information about foreign markets that can be used also by local firms. (p. 2)
Uma potencial fonte adicional de spillovers é a existência de interações entre as subsidiárias e
os fornecedores domésticos. Estas são chamadas de ligações para trás (backward linkages). As razões
para sua existência são os elevados custos e riscos na dependência de fornecedores que estão situados
11 Multinational Enterprises.
12 “Spillovers from FDI take place when the entry or presence of multinational corporations increases the productivity of
domestic firms in a host country and the multinationals do not fully internalize the value of these benefits.” (Javorcik,
2003, p. 4).
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Available from Luciano Nakabashi · 19 Sep 2012
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