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Anormalidades motoras e pressóricas no corpo do esôfago em pacientes com hérnia hiatal e esofagite, antes e após tratamento cirúrgico anti-refluxo

01/2010;
Source: OAI

ABSTRACT Resumo: Este estudo tem a finalidade de: 1) avaliar a peristalse do corpo do esôfago, 2) identificar o tipo das alterações motoras do corpo do esôfago, 3) comparar o comportamento das alterações motoras do corpo do esôfago, antes e depois do tratamento cirúrgico, nos pacientes com hérnia hiatal e esofagite. Para este propósito determinaram-se os parâmetros normais para a motilidade do esôfago a partir de um grupo de 35 voluntários com idade entre 17 e 68 anos, saudáveis e assintomáticos para o aparelho digestório. Foram estudados os exames de manometria esofagiana de 181 pacientes entre 19 e 79 anos, sendo 128 mulheres e 53 homens. O seguimento foi possível em 33 pacientes, 22 mulheres e 11homens, com idade entre 24 e 75 anos, permitindo análise do padrão motor e pressórico esofagiano antes e após o tratamento cirúrgico, totalizando 214 exames estudados. Os pacientes apresentaram hérnia hiatal de 3 cm (n=118), 4 cm (n=51) e maior que 5 cm (n=12). Esofagite grau I foi encontrada em 75, grau II em 57, grau III em 28, grau IV em 5 e grau V em 16. Em relação à motilidade do corpo do esôfago 84 pacientes (46,4%) foram normais e 97 (54,6%) apresentaram alterações motoras. Os distúrbios motores encontrados foram: aumento da força de contração em 10 pacientes (5,5%), aperistalse em 6 (3,3%), diminuição da amplitude no corpo do esôfago distal em 39 (21,5%), diminuição da amplitude no esôfago distal associada à presença de ondas não conduzidas em 26 (14,4%), distúrbio motor não específico em 7 (3,9%), espasmo difuso em 2 (1,1%), esôfago em quebra-nozes em 3 (1,6%), espasmo hipotensivo em 3 (1,6%). Foi empregada a técnica de Nissen com reparo crural. O intervalo entre a operação anti-refluxo e a avaliação manométrica variou de 1 mês a 48 meses. Considerou-se melhora do padrão motor quando o paciente que apresentou no pré-operatório padrão motor deteriorado demonstrou no pós-operatório, aumento na força de contração ou retorno aos padrões de normalidade. Isto ocorreu em 11 pacientes (33,3%). Nenhuma alteração ocorreu em 13 (39,4%). Alterações no padrão motor foram observadas em 5 pacientes (15,2%), expressaramse pelo aumento da força de contração no esôfago distal, sendo que em 2 pacientes o traçado foi compatível com esôfago em quebra-nozes. Piora do padrão motor ocorreu em 3 pacientes (9%). Através deste estudo foi possível concluir que: 1) quanto maior a hérnia hiatal e o grau de esofagite maior o distúrbio motor. 2) As alterações motoras mais comuns são: diminuição da amplitude das ondas peristálticas, presença de aperistalse e distúrbios motores não específicos no esôfago distal. 3) Pacientes com hérnia hiatal e esofagite dividem-se em três grupos relacionados com o comportamento motor no corpo do esôfago e o tratamento cirúrgico: a) pacientes com função motora normal, independente do grau de esofagite, que não se altera após o tratamento cirúrgico. b) alterações motoras proporcionais ao grau de esofagite, com melhora na capacidade motora após cura da esofagite. c) distúrbios motores permanentes, independentes do grau de esofagite, que não se alteram após a cura da esofagite por tratamento cirúrgico.

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