Alimentação da piava (Leporinus obtusidens) com diferentes fontes protéicas
ABSTRACT A piava (Leporinus obtusidens) é um peixe nativo de grande importância nas bacias hidrográficas do Sul do Brasil. Neste estudo, verificou-se o crescimento de juvenis de piava alimentados durante 60 dias com três dietas contendo diferentes fontes protéicas: levedura de cana (L), farinha de carne e ossos (FCO) e farelo de soja (FS). As biometrias foram realizadas a cada 20 dias para verificação de desempenho em peso, de comprimentos total e padrão, de taxa de crescimento específico, de fator de condição e de sobrevivência. Ao final do experimento foram calculados os rendimentos de carcaça, quociente intestinal e índices digestivo e hepato-somático. Verificou-se maior crescimento nos peixes alimentados com farelo de soja (FS), nos quais o peso e a taxa de crescimento específico foram superiores (P<0,05). Os valores de índices digestivos foram menores nos juvenis alimentados com a dieta contendo farinha de carne e ossos (FC). O rendimento de carcaça em todos os tratamentos foi superior a 90%, não existindo diferença significativa. Conclui-se que o farelo de soja como fonte protéica principal na ração proporciona bom crescimento para juvenis de piava (L. obtusidens).
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Alimentação da piava (Leporinus obtusidens) com diferentes fontes protéicas.Ciência Rural, Santa Maria, v.36, n.5, p.1611-1616, set-out, 2006
ISSN 0103-8478
Ciência Rural, v.36, n.5, set-out, 2006.
RESUMO
A piava (Leporinus obtusidens) é um peixe nativo
de grande importância nas bacias hidrográficas do Sul do
Brasil. Neste estudo, verificou-se o crescimento de juvenis de
piava alimentados durante 60 dias com três dietas contendo
diferentes fontes protéicas: levedura de cana (L), farinha de
carne e ossos (FCO) e farelo de soja (FS). As biometrias foram
realizadas a cada 20 dias para verificação de desempenho em
peso, de comprimentos total e padrão, de taxa de crescimento
específico, de fator de condição e de sobrevivência. Ao final do
experimento foram calculados os rendimentos de carcaça,
quociente intestinal e índices digestivo e hepato-somático.
Verificou-se maior crescimento nos peixes alimentados com
farelo de soja (FS), nos quais o peso e a taxa de crescimento
específico foram superiores (P<0,05). Os valores de índices
digestivos foram menores nos juvenis alimentados com a dieta
contendo farinha de carne e ossos (FC). O rendimento de
carcaça em todos os tratamentos foi superior a 90%, não
existindo diferença significativa. Conclui-se que o farelo de
soja como fonte protéica principal na ração proporciona bom
crescimento para juvenis de piava (L. obtusidens).
Palavras-chave: crescimento, farelo de soja, juvenis, farinha
de carne e ossos, levedura.
ABSTRACT
The piava (Leporinus obtusidens) is a important
native fish in the South Brazil Rivers. In this study it was verified
the growth of piava juveniles fed 60 days with three diets having
different protein sources: yeast (L), meat and bone meal (FCO)
and soybean meal (FS). Fishes were measured each 20 days to
obtain the performance in weight, total and standard length,
specific growth rate, condition factor and survival. At the end
of trial the carcass yield, intestinal quotient and the digestive
and hepato-somatic index were estimated. Higher growth was
verified in fish fed with soybean meal (FS), where the weight
and specific growth rate were higher (P<0.05). Digestive index
values were smaller in fish fed with meat and bone meal diets
(FCO). The carcass yield was higher than 90%, had no
significative differences. We concluded that soybean meal as
main diet protein source provide good growth for piava juveniles
(L. obtusidens).
Key words: growth, soybean meal, juveniles, meat and bone
meal, yeast.
INTRODUÇÃO
A piava (Leporinus obtusidens) pertence à
família Anostomidae, encontrada ao longo do sistema
hidrográfico do Rio da Prata e nas regiões Sul e Sudeste
do Brasil (HARTZ et al., 2000). A exemplo das demais
espécies do gênero Leporinus, possuem hábito
alimentar onívoro, alimentando-se de insetos, restos
de peixes e vegetais (SANTOS, 2000). Outros autores,
por meio de pesquisas de conteúdo alimentar,
classificam este peixe como onívoro de amplo espectro,
o que, do ponto de vista da nutrição, proporciona
vantagem no aproveitamento dos alimentos
(ANDRIAN et al., 1994; RIBEIRO et al., 2001).
Para uma espécie ser utilizada em
piscicultura, deve-se conhecer sua biologia e seu
comportamento frente a manejos intensivos, sendo este
um fator importante no sucesso da criação (WURTS,
Alimentação da piava (Leporinus obtusidens) com diferentes fontes protéicas
João Radünz Neto1 Rafael Lazzari2 Fabio de Araújo Pedron2 Cátia Aline Veiverberg3
Giovani Taffarel Bergamin3 Viviani Corrêia3 Jorge Eugênio da Silva Filipetto4
Piava’s fed (Leporinus obtusidens) with different protein sources
1Departamento de Zootecnia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 97105-900, Santa Maria, RS, Brasil. E-mail:
jradunzneto@smail.ufsm.br. Autor para correspondência.
2Programa de Pós-graduação em Zootecnia, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil.
3Curso de graduação em Zootecnia, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil.
4Setor de Piscicultura, Departamento de Zootecnia, UFSM, Santa Maria, RS, Brasil.
Recebido para publicação 19.10.05 Aprovado em 29.03.06
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Ciência Rural, v.36, n.5, set-out, 2006.
2000). A nutrição influencia no crescimento e representa
o maior custo da produção de peixes (EL SAYED, 1999).
A composição, a disponibilidade, o custo, a
digestibilidade de nutrientes e fatores antinutricionais
são aspectos relevantes na escolha de um ingrediente
(LOVELL, 1991). A farinha de carne e ossos, a levedura
de cana e o farelo de soja são alimentos bastante
empregados em rações para peixes.
Entre os ingredientes de origem vegetal, o
farelo de soja é o de melhor composição, utilizado para
várias espécies por apresentar homogeneidade,
equilíbrio em aminoácidos essenciais e bom teor
proteico (45-47%PB), adequado ao crescimento dos
peixes (LOVELL, 1988). O baixo fornecimento de energia
e fatores antinutricionais são limitantes na inclusão
deste alimento nas rações (WEBSTER et al., 1995).
A digestibilidade aparente da matéria seca e
da proteína bruta do farelo de soja para juvenis de
piavuçu (Leporinus macrocephalus) foi de 82% para
MS e 97% para PB, sendo maior que a farinha de peixe,
considerado ingrediente padrão em rações para peixes
(GONÇALVES & FURUYA, 2004).
A levedura de cana (Saccharomyces
cerevisiae) contém geralmente 37-45% PB, boas
quantidades de vitaminas hidrossolúveis,
principalmente do complexo “B”. Pode apresentar
problemas de palatabilidade, além de elevados níveis
de ácidos nucléicos residuais (RUMSEY et al., 1990).
A farinha de carne e ossos apresenta boa
palatabilidade, níveis altos de cálcio e fósforo e
bom equilíbrio em aminoácidos essenciais
(PONGMANEERAT et al., 1993). Pode apresentar
desuniformidade de composição, dependendo da
matéria-prima utilizada em sua fabricação (NRC, 1993).
Existem poucos trabalhos a respeito da
nutrição de juvenis visando à engorda de piavas,
fazendo-se necessários
desenvolvimento deste peixe frente a diferentes
composições dietárias. Desta forma, o objetivo deste
trabalho foi avaliar o crescimento de juvenis de piava
alimentados com diferentes fontes protéicas.
estudos sobre o
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado no Laboratório
de Nutrição de Peixes do Departamento de Zootecnia
(altitude 95m, latitude sul 29°43’ e longitude oeste
53°42’) da Universidade Federal de Santa Maria, com
duração de 60 dias, nos meses de abril e maio de 2005.
Foram utilizados 135 juvenis de piava (peso inicial
médio: 8,7 ± 0,2g; comprimento inicial: 9,0 ± 0,3cm),
distribuídos em nove tanques de amianto revestido
com capacidade de 350L (15 peixes/tanque), em sistema
de recirculação de água, com temperatura (26,9 ± 1,1ºC)
controlada.
Semanalmente foram aferidos os parâmetros
físico-químicos da água: amônia total (mg L-1), nitrito
(mg L-1), alcalinidade (mgCaCO3/L), pH e oxigênio
dissolvido (mg L-1). A temperatura foi mensurada
diariamente. Para a medição da temperatura, utilizou-se
um termômetro com bulbo de mercúrio; para o oxigênio,
um oxímetro digital; para pH, um pHmetro digital e,
para as demais análises, um kit colorimétrico (marca
“Alfa-Tecnoquímica”).
As dietas experimentais foram formuladas
utilizando-se três fontes protéicas: levedura de cana
(L), farinha de carne e ossos (FCO) e farelo de soja
(FS). A composição das mesmas está descrita na tabela
1. Para a fabricação das rações, os ingredientes foram
pesados e posteriormente misturados, até completa
homogeneização. Em seguida, as dietas foram
umedecidas, peletizadas em máquina de moer carne e
levadas para a secagem (50-55ºC); a seguir, foram
moídas e peneiradas para obtenção de grânulos
adequados ao consumo dos peixes.
A alimentação foi ministrada uma vez ao dia
(2,5% do PV), às 9h; e os resíduos, sifonados
Tabela 1 - Composição bromatológica das rações experimentais
(%).
L FCOFS
Farinha de carne e ossos
Levedura de cana
Farelo de soja
Glúten de trigo
Milho triturado
Farelo de arroz desengordurado
Óleo de soja
Sal comum
Fosfato bicálcico
Mistura vitamínica e mineral1
-
45
-
3,25
22,5
21,25
3
1
1
3
Composição analisada
91,591,3
30,6 34,1
6,511,3
7,115,8
3,33,8
44,026,3
40
-
-
3,25
22
26,75
3
1
1
3
-
-
39
3,25
27
22,75
3
1
1
3
Matéria seca (MS)
Proteína bruta (PB)
Extrato etéreo (EE)
Matéria mineral (MM)
Fibra bruta (FB)
Extrativos não nitrogenados (ENN)
92,3
32,1
8,5
9,2
4,7
37,9
Tratamentos: L: levedura de cana; FCO: farinha de carne e ossos;
FS: farelo de soja.
1Composição da mistura vitamínica e mineral (por kg de produto):
Ác. Fólico:250mg, Ác. Nicotínico:8.000mg, Ác.
Pantotênico:3.750mg, Cobre: 2400mg, Colina:66.000mg,
Ferro:12.000mg, Iodo:120mg, Manganês:14.000mg,
Selênio:48mg, Vit.A: 2.750.000UI, Vit. B1:550mg, Vit.
B2:1.875mg, Vit. B6:1.000mg, Vit. B12:3.750mcg, Vit.
D3:750.000UI, Vit. E:6.000mg, Vit. K3:500mg, Zinco:13.000mg.
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diariamente, às 17h. As biometrias para coleta dos dados
foram realizadas aos 0, 20, 40 e 60 dias do experimento.
Para tais procedimentos, os animais passaram por jejum
de 24 horas e foram anestesiados com fenóxietanol
diluído na água (0,03%). Os parâmetros de carcaça e
índices digestórios foram avaliados somente ao final
do experimento (60 dias).
Foram estimados, a partir dos dados
coletados, os seguintes parâmetros: comprimento total e
comprimento padrão (cm); peso médio individual (g);
sobrevivência (%); taxa de crescimento específico, de
acordo com a fórmula TCE = [100 (In Peso final – In Peso
inicial)] / tempo (dias) (FILIPETTO et al., 2005); fator de
condição (FC), segundo a fórmula (Peso final – Peso
inicial)/Comprimento Total3 (FILIPETTO et al., 2005);
rendimento de carcaça: [(peso peixe eviscerado (g).100)/
peso inteiro (g)]; conversão alimentar aparente = consumo
de alimento (g) / ganho em peso (g); quociente intestinal
= comprimento do trato digestório/comprimento total;
índice hepato-somático (%) = (peso fígado/peso vivo) x
100; índice digestivo-somático (%) = (peso trato digestório
/ peso vivo) x 100 (GONÇALVES et al., 2002).
O delineamento experimental utilizado foi
inteiramente casualizado (DIC), com três tratamentos e
três repetições. Os dados foram submetidos a testes
de normalidade por meio do procedimento
“UNIVARIATE” do pacote estatístico “SAS” (1997).
Após isso, realizou-se análise de variância e
comparação de médias pelo teste de Tukey (P<0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os parâmetros de qualidade de água
verificados (Tabela 2) estiveram dentro dos limites
considerados adequados para a criação de peixes
(ARANA, 2004). Observou-se sobrevivência de 100%
em todos os tratamentos. Da mesma forma, FARIA et
al. (2001) verificaram que o tipo de fonte protéica não
afeta a sobrevivência do piavuçu.
Na tabela 3, apresentamos os resultados de
desempenho dos peixes após 20 e 40 dias de
alimentação. Observou-se maior peso nos juvenis
alimentados com a dieta contendo farelo de soja (dieta
FS), com valores de 12,4 e 14,4g, respectivamente aos
20 e 40 dias. Não houve diferença significativa no peso
dos peixes alimentados com as dietas contendo
levedura de cana (dieta L) e farinha de carne e ossos
(dieta FCO). Da mesma forma, os valores de conversão
alimentar e taxa de crescimento específico das piavas
do tratamento FS foram superiores aos demais. Aos 20
dias, não ocorreu diferença (P>0,05) na conversão
alimentar aparente entre os tratamentos L (1,5:1) e FS
(1,4:1). Aos 40 dias, melhor CAA foi verificada no
tratamento FS (1,6:1). Estes valores são superiores aos
obtidos com piavuçu, que, quando alimentados com
ração contendo 38% de farelo de canola, apresentaram
CAA de 1,2:1 (GONÇALVES et al., 2002).
Em relação aos valores de comprimento total
e padrão, não ocorreram diferenças significativas entre
os tratamentos aos 20 dias (P>0,05). Aos 40 dias, os
juvenis alimentados com a dieta FS diferiram
significativamente em relação aos valores de
comprimento dos peixes alimentados com a dieta FCO.
Quanto ao fator de condição, não se
verificou diferença significativa entre os tratamentos
(P>0,05) em nenhum dos períodos avaliados. Isto indica
que a proporção entre os valores de peso e de
comprimento total, dentro de cada tratamento, manteve-
se constante, não sendo afetados pelas dietas
experimentais. Ao contrário deste estudo, SOUZA et
al. (2004) observaram que o FC em L. macrocephalus é
afetado pela composição da dieta, tendo obtido valores
de 1,3, superiores aos observados no presente estudo.
As proporções entre as medidas morfológicas da piava
são variáveis em função da idade, do tamanho e do
estado fisiológico. Esta espécie, na época reprodutiva,
apresenta aumento no FC em função do maior ganho
em peso, oriundo de formação gonadal; entretanto, seu
crescimento durante a vida é considerado isométrico
(ARAYA et al., 2005).
Ao final do experimento (Tabela 4), os
juvenis alimentados com a dieta FS tiveram maiores
valores de peso, comprimento total, padrão e taxa de
crescimento específico. Não ocorreu diferença de
crescimento entre os peixes dos tratamentos L e FCO.
A melhor conversão alimentar aparente foi nos peixes
do tratamento contendo farelo de soja (1,8).
Não se observou diferença entre os
tratamentos (P>0,05) para rendimento de carcaça, sendo
que os valores obtidos em todos os tratamentos foram
superiores a 90%. Isto demonstra bom potencial da
Tabela 2 - Parâmetros de qualidade da água observados no
experimento*.
ParâmetroValor (média ± desvio padrão)
Temperatura (ºC)
Amônia total (mg/L)
Nitrito (mg/L)
Oxigênio dissolvido (mg/L)
pH
Alcalinidade (mgCaCO3/L)
26,9 ± 1,1
0,5 ± 0,2
0,06 ± 0,01
5,5 ± 0,6
7,3 ± 0,3
48,9 ± 13,4
* Coletas de amostra realizadas antes da alimentação diária.
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piava quando comparada a outras espécies de peixes,
que apresentam RC entre 60 e 80% (SOUZA et al., 2000).
Os animais alimentados com a dieta FCO
apresentaram menores valores de quociente intestinal,
índices hepato e digestivo somático. Os valores de
IHS encontrados no presente estudo para os
tratamentos L e FS (1,0%) são semelhantes aos
verificados para o piavuçu (1,1) (GONÇALVES et al.,
2002). O peso do fígado, como também do trato
digestório, são influenciados pela composição da dieta,
principalmente em relação aos lipídios (WEBSTER et
al., 1995).
Tabela 3 - Desempenho das piavas (L. obtusidens) após 20 e 40 dias de experimento.
Dietas
VariáveisL FCO FS dpr
Inicial
8,5a
9,1a
7,4a
Peso – P (g)
Comprimento total – CT (cm)
Comprimento padrão – CP (cm)
8,8a
9,0a
7,5a
8,8a
8,9a
7,4a
0,1
0,2
0,1
20 dias
11,5b
9,9ª
8,3ª
1,2b
1,6a
1,2ª
Peso – P (g)
Comprimento total – CT (cm)
Comprimento padrão – CP (cm)
Taxa de crescimento específico - TCE (%/dia)
Conversão alimentar aparente – CAA
Fator de condição – FC
11,6b
9,9ª
8,3ª
1,3b
1,5ab
1,2ª
12,4ª
10,1ª
8,4ª
1,6ª
1,4b
1,2ª
0,3
0,1
0,1
0,1
0,1
0,1
40 dias
13,2b
10,5b
8,5b
0,9b
1,9b
1,1ª
Peso – P (g)
Comprimento total – CT (cm)
Comprimento padrão – CP (cm)
Taxa de crescimento específico - TCE (%/dia)
Conversão alimentar aparente – CAA
Fator de condição – FC
13,0b
10,7ab
8,6ab
0,9b
2,1a
1,1ª
14,4ª
10, 8ª
8,7ª
1,1ª
1,6c
1,2ª
0,5
0,1
0,1
0,1
0,1
0,1
Médias com letras diferentes na linha diferem pelo teste de Tukey (P<0,05).
dpr: desvio padrão residual.
Tratamentos: L: levedura de cana; FCO: farinha de carne e ossos; FS: farelo de soja.
Tabela 4 - Desempenho das piavas (L. obtusidens) após 60 dias de experimento.
Dietas
Variáveis
LFCO FSdpr
Peso – P (g)
Comprimento total – CT (cm)
Comprimento padrão – CP (cm)
Taxa de crescimento específico - TCE (%/dia)
Conversão alimentar aparente – CAA
Fator de condição – FC
Rendimento de carcaça – RC (%)
Quociente intestinal – QI
Índice hepato-somático – IHS (%)
Índice digestivo-somático – IDS (%)
14,4b
10,7b
8,9ab
0,8b
2,3a
1,2ª
90,0a
1,4ª
1,0ª
5,2ª
14,4b
10,7b
8,7b
0,8b
2,4a
1,2ª
91,8ª
1,1b
0,7b
4,0b
16,0ª
11,1ª
9,2ª
1,0a
1,8b
1,2ª
92,2ª
1,2ab
1,0ª
4,4ab
0,7
0,2
0,2
0,1
0,1
0,1
1,5
0,1
0,1
0,6
Médias com letras diferentes na linha diferem pelo teste de Tukey (P<0,05).
dpr: desvio padrão residual.
Tratamentos: L: levedura de cana; FCO: farinha de carne e ossos; FS: farelo de soja.
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Alimentação da piava (Leporinus obtusidens) com diferentes fontes protéicas.
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O melhor desempenho apresentado pelos
peixes alimentados com farelo de soja mostra a boa
capacidade desta espécie em aproveitar alimentos de
origem vegetal. Isso pode estar associado ao hábito
alimentar onívoro (ANDRIAN et al., 1994) e à boa
digestibilidade dos ingredientes de origem vegetal
pelos peixes do gênero Leporinus (GONÇALVES &
FURUYA, 2004). FARIA et al. (2001) ressaltam que a
utilização de ingredientes de origem animal para peixes
do gênero Leporinus é dispensável.
Estudos de FILIPETTO et al. (2005) com L.
obtusidens e RADÜNZ NETO et al. (2001) com L.
macrocephalus mostraram que o farelo de soja
incorporado na ração proporciona bom crescimento
aos peixes. Da mesma forma, outros autores confirmam
que o farelo de soja promove bom desenvolvimento
para peixes do gênero Leporinus (FARIA et al., 2001;
GALDIOLI et al., 2001; NAGAE et al., 2001).
Verificou-se maior quociente intestinal nos
peixes do tratamento L (1,4), variável que não diferiu
da apresentada pelos peixes alimentados com farelo de
soja (1,2), sendo, porém, superior a apresentada no
tratamento FCO. Entretanto, este maior QI observado
no tratamento L não está associado a maior peso, o
que demonstra a ocorrência de menor aproveitamento
da levedura. A morfologia do trato digestório das
espécies do gênero Leporinus está associada ao hábito
alimentar onívoro porém, a composição da dieta é mais
importante em relação ao peso obtido (ALBRECHT et
al., 2001). Peixes onívoros e herbívoros alteram a
estrutura e as propriedades de absorção do sistema
digestório em resposta a mudanças na dieta
(BALDISSEROTTO, 2002). Estas variações estão
associadas principalmente à composição e à quantidade
de fibra do alimento.
Além dos parâmetros avaliados neste
trabalho, deve-se, em futuros estudos, abordar
aspectos associados à digestibilidade dos alimentos,
à composição corporal e à economicidade das dietas.
Desta forma, será possível implementar um manejo
adequado para a criação da piava.
CONCLUSÃO
O farelo de soja como fonte protéica
principal da ração proporciona bom crescimento para
juvenis de piava (Leporinus obtusidens).
AGRADECIMENTOS
À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do
Rio Grande do Sul (FAPERGS), pelo auxílio financeiro (processo
PROCOREDES n.04/0546.0).
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