Toxicidade do alumínio e efeito do ácido giberélico em linhas quase isogênicas de trigo com o caráter permanência verde e maturação sincronizada
ABSTRACT O objetivo deste trabalho foi avaliar linhas quase isogênicas de trigo com o caráter permanência verde e de maturação sincronizada quanto à tolerância ao alumínio e à sensibilidade ao ácido giberélico (AG3). O experimento foi conduzido no Laboratório de Duplo-haplóides e Hidroponia da FAEM/UFPel, em delineamento de blocos ao acaso, com parcelas subdivididas com três repetições, através do teste simultâneo utilizando solução nutritiva com concentrações de 10mg L-1 de Al3+ e 100mg L-1 de AG3. Foram determinados: a inserção da 1feminine folha, o comprimento da 1feminine folha, a inserção da 2feminine folha, comprimento da 2feminine folha, diferença da inserção entre a 1feminine e 2feminine folha, estatura de plântula, estatura de planta, área foliar, área radicular e o crescimento de raiz. Os caracteres estatura da plântula, inserção da 1feminine folha e comprimento da 2feminine folha foram os mais expressivos para a seleção de indivíduos com estatura reduzida através da reação do AG3. O grupo do caráter permanência verde apresentou maior insensibilidade à ação do AG3, enquanto o grupo de plantas sincronizadas proporcionou maior tolerância ao Al3+. Contudo, existe possibilidade de selecionar linhas quase isogênicas dentro do grupo permanência verde com tolerância ao Al3+ e insensibilidade ao AG3 através da técnica de cultivo hidropônico com solução nutritiva em ambiente controlado.
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Toxicidade do alumínio e efeito do ácido giberélico em linhas quase isogênicas de trigo...Ciência Rural, Santa Maria, v.36, n.3, p.765-771, mai-jun, 2006
ISSN 0103-8478
Ciência Rural, v.36, n.3, mai-jun, 2006.
Toxicidade do alumínio e efeito do ácido giberélico em linhas quase isogênicas de trigo
com o caráter permanência verde e maturação sincronizada
Simone Alves Silva1 Fernando Irajá Félix de Carvalho2* José Antônio Gonzalez da Silva3
Antônio Costa de Oliveira2 Pedro Jacinto Cruz1 Vanderlei da Rosa Caetano4
Maria Selma Alves Silva Diamantino1 Adriana Rodrigues Passos1
Eduardo Alano Vieira5 Daniel Simioni6
Aluminum toxicity and effect of giberellic acid on stay-green and synchronized maturation wheat
near-isogenic lines
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi avaliar linhas quase
isogênicas de trigo com o caráter permanência verde e de
maturação sincronizada quanto à tolerância ao alumínio e à
sensibilidade ao ácido giberélico (AG3). O experimento foi
conduzido no Laboratório de Duplo-haplóides e Hidroponia
da FAEM/UFPel, em delineamento de blocos ao acaso, com
parcelas subdivididas com três repetições, através do teste
simultâneo utilizando solução nutritiva com concentrações de
10mg L-1 de Al3+ e 100mg L-1 de AG3. Foram determinados: a
inserção da 1a folha, o comprimento da 1a folha, a inserção da
2a folha, comprimento da 2a folha, diferença da inserção entre
a 1a e 2a folha, estatura de plântula, estatura de planta, área
foliar, área radicular e o crescimento de raiz. Os caracteres
estatura da plântula, inserção da 1a folha e comprimento da 2a
folha foram os mais expressivos para a seleção de indivíduos
com estatura reduzida através da reação do AG3. O grupo do
caráter permanência verde apresentou maior insensibilidade
à ação do AG3, enquanto o grupo de plantas sincronizadas
proporcionou maior tolerância ao Al3+. Contudo, existe
possibilidade de selecionar linhas quase isogênicas dentro do
grupo permanência verde com tolerância ao Al3+ e
insensibilidade ao AG3 através da técnica de cultivo hidropônico
com solução nutritiva em ambiente controlado.
Palavras-chave: Triticum aestivum L., estatura de planta,
crescimento de raiz.
ABSTRACT
The objective was to evaluate wheat near-isogenic
lines differing from the trait stay-green and synchronized
maturation regarding their alluminum tolerance and sensibility
to the giberellic acid (GA3). The experiment was conducted in
the Double-haploids and Hydroponics Laboratory of FAEM/
UFPel, in random block with split plot design with three
replications, using the simultaneous test in nutrient solutions
with 10mg L-1 of Al3+ and 100mg L-1 of GA3. The following
characters were evaluated: insertion of the 1st leaf, length of the
1st leaf, insertion of the 2nd leaf, length of the 2nd leaf, difference
between the 1st and 2nd leaf insertion, seedling stature, plant
stature, leaf area, root area and root growth. The characters
seedling stature, insertion of the 1st leaf and length of the 2nd
leaf were the most expressive for the selection of individuals
with reduced stature caused by the GA3. The group stay-green
presented higher insensibility to GA
synchronized plants showed larger tolerance to Al3+. However,
it is possible to select near-isogenic lines within the stay-green
group with Al3+ tolerance using hydroponic culture under
controlled environmental conditions.
3 compared to the group of
Key words: Triticum aestivum L., plant stature, root growth.
INTRODUÇÃO
Um fator importante para aumentar a área
cultivada com trigo é o ajustamento da arquitetura da
planta aos ambientes de áreas consideradas periféricas
através do desenvolvimento de cultivares de porte
baixo com menor incidência de acamamento e com
elevada tolerância ao alumínio, principalmente em solos
que apresentam níveis tóxicos do elemento. Isto
1Departamento de Fitotecnia, Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia (AGR-UFBA), Cruz das Almas, BA, Brasil.
2Departamento de Fitotecnia, Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Caixa
Postal 354, Campus Universitário, 96010-900, Pelotas, RS, Brasil. E-mail:carvalho@ufpel.tche.br. Autor para correspondência.
3Departamento de Fitotecnia, FAEM/UFPel, Pelotas, RS, Brasil.
4EMBRAPA-Centro de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado, Pelotas, RS, Brasil.
5EMBRAPA-Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados, Planaltina, DF, Brasil.
6Departamento de Ciência e Tecnologia Agroindustrial da FAEM/UFPel, Pelotas, RS, Brasil.
Recebido para publicação 22.03.05 Aprovado em 12.12.05
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possibilita uma melhor utilização de técnicas agrícolas
e, conseqüentemente, um aumento do patamar de
potencial genético de rendimentos de grãos. Além
disso, a obtenção de constituições genéticas providas
do caráter permanência verde poderá auxiliar o
melhorista de trigo na obtenção de plantas mais
produtivas, mais estáveis e com maior adaptabilidade.
Desta forma, selecionar genótipos providos do caráter
permanência verde que apresentem maior tolerância à
toxicidade ao alumínio, evitando o crestamento, e
identificar plantas insensíveis ao ácido giberélico
portadoras dos genes de nanismo poderá proporcionar
efetivos avanços na agregação de valores para a
cultura do trigo brasileiro.
O caráter permanência verde possui a
propriedade de manter o colmo e as folhas verdes até o
término do enchimento da semente, permitindo maior
resistência ao acamamento e maior tolerância ao
estresse hídrico. Além disso, este caráter tem sido
relatado como sendo de alta herdabilidade, controlado
por um a dois genes independentes, com ação
predominante da variância de aditividade, portanto, de
fácil seleção (SILVA et al., 2000).
A tolerância ao Al3+ em trigo depende, além
das concentrações de alumínio na solução e da
concentração dos sais, também do pH, da temperatura,
do tempo de duração do ensaio e das variedades
utilizadas (MOORE et al., 1976; FOY et al., 1978). A
dose de 10mg L-1 na solução nutritiva tem sido o ponto
determinante para alcançar níveis tóxicos do alumínio
à planta (CAMARGO & OLIVEIRA, 1981; FEDERIZZI
et al., 1988; DORNELLES et al., 1997). Solos com pH
suficientemente baixo, geralmente abaixo de 5,0,
provocam decomposição nas estruturas minerais da
argila, migrando o alumínio para a fração trocável ou
para a solução do solo. Entretanto, o alumínio, nas
camadas superficiais dos solos ácidos, pode ser
precipitado pela prática de calagem; porém, no subsolo,
pode permanecer solúvel e tóxico às plantas,
restringindo o crescimento das raízes dos genótipos
de trigo sensíveis (FOY et al., 1978; CAMARGO &
OLIVEIRA, 1981). O efeito primário da toxicidade do
alumínio em trigo é a paralisação do crescimento da
raiz devido a uma inibição da elongação das células
(KERRIDGE et al. 1971). Além disso, raízes danificadas
pelo acúmulo de Al3+ tóxico apresentam a região
meristemática engrossada e de coloração mais escura,
sendo ineficientes na absorção de nutrientes e água
(FOY et al., 1978).
A resposta diferenciada do ácido giberélico
em genótipos de trigo foi primeiramente descrita por
ALLAN et al. (1959), quando compararam genótipos
de estatura reduzida e estes foram insensíveis ao ácido
giberélico. Sendo assim, a identificação de genótipos
portadores dos genes que exibem estatura reduzida
pode ser efetuada por meio da avaliação da
insensibilidade ao AG3. A estatura é considerada um
caráter controlado por genes de grande efeito,
simbolizados por Rht (Reduction Height),
denominados genes de nanismo, que foram
identificados inicialmente na variedade japonesa
“Norin 10” (GALE et al., 1981). A identificação de
genótipos portadores destes genes pode ser efetuada
através da avaliação da insensibilidade ao ácido
giberélico. Os genes que controlam essa insensibilidade
têm sido simbolizados por Gai 1 e Gai 2, sendo a
associação entre o caráter insensibilidade ao ácido
giberélico e o caráter estatura de planta observados
por ALLAN et al. (1959), GALE & GREGORY (1977),
FEDERIZZI et al. (1988), CANCI et al. (1997) e
DORNELLES et al. (1997).
Os caracteres estatura de planta, inserção
de primeira e segunda folha, diferença entre a inserção
da primeira e segunda folha, comprimento da segunda
folha, aspecto clorótico visual da plântula e
comprimento do coleóptilo têm sido empregados como
critérios de avaliação da sensibilidade ao ácido
giberélico por vários pesquisadores (GALE &
GREGORY, 1977; FEDERIZZI et al., 1988; CANCI et al.,
1997). Além disso, doses de 100mg L-1 têm sido
reportadas como as de melhor resultado em trabalhos
feitos com trigo, com a aplicação exógena de ácido
giberélico (ALLAN et al., 1959; FEDERIZZI et al., 1988;
DORNELLES et al., 1995).
A separação das classes de trigos tolerantes
ao alumínio e insensíveis ao ácido giberélico tem sido
possível por meio do emprego de solução nutritiva,
permitindo imediata observação dos efeitos de danos de
alumínio pela inibição do crescimento da raiz e pela ação
do ácido giberélico no crescimento da parte aérea, evitando
os inconvenientes do uso de solo onde a intensidade de
seleção não pode ser quantitativamente controlada. Além
disso, DORNELLES et al. (1997), utilizando a técnica de
cultivo hidropônico, avaliou simultaneamente genótipos
de trigo para tolerância ao alumínio e a sensibilidade ao
ácido giberélico, demonstrando que um único experimento
representa estratégia viável na seleção de plantas de
diferentes estaturas e tolerantes ao alumínio tóxico. Sendo
assim, este trabalho tem por objetivo avaliar linhas quase
isogênicas de trigo diferenciadas quanto à presença e
ausência do caráter permanência verde, simultaneamente
para o caráter tolerância ao Al3+ e sensibilidade ao AG3, na
seleção de plantas de trigo tolerantes ao crestamento e
de reduzida estatura.
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MATERIAL E MÉTODOS
Nos anos de 1999 a 2001, utilizando duas
épocas de semeadura por ano, verão e inverno, sob
condições de campo e telado, foram feitos os avanços
de gerações do cruzamento entre a linhagem de trigo
TB 188 (maturação sincronizada) com TB 438
(permanência verde). Por meio de autofecundação até
a geração F6, foram obtidas linhagens quase isogênicas
para o caráter permanência verde (F6-SG: linha quase
isogênica permanência verde) e sincronizado (F6-SZ:
linha quase isogênica sincronizada). Além disso, foram
obtidos retrocruzamentos um e dois, respectivamente
RC1 (P1 x F1) e RC2 (P2 x F1), autofecundados até a
geração F6, onde foram selecionadas plantas RC1F6 e
RC2F6 para a presença e ausência do caráter
permanência verde.
Para a condução deste experimento, foi
utilizada a técnica descrita por CAMARGO &
OLIVEIRA (1981) para avaliação da tolerância ao Al3+
adaptada por DORNELLES et al. (1997), que inclui a
avaliação simultânea para estatura de planta com o uso
do ácido giberélico (AG3). Dez sementes de cada planta,
variando em torno de 35 plantas para cada linha quase
isogênica avaliada, dentro do grupo permanência verde
e de maturação sincronizada, foram desinfestadas em
solução de hipoclorito de sódio a 20% por 20 minutos
e lavadas com água destilada para retirar o excesso do
produto desinfestante. Em seguida, foram semeadas
em gerbox, sobre papel filtro umedecido, e levadas para
germinar em câmara BOD, à temperatura de 20 oC com
iluminação permanente, onde permaneceram por três
dias até o início da germinação visível.
As sementes pré-germinadas, com 2mm de
raiz, foram transferidas para uma tela de plástico
adaptada à tampa de um recipiente com capacidade de
5,5L, contendo solução nutritiva completa, de modo a
permanecerem em contato com a solução. Esses
recipientes contendo a solução foram colocados em
tanque banho-maria em água, à temperatura de 25±1oC,
com iluminação permanente, com o auxílio de
resistências adaptadas ao tanque, e ligados a um
sistema de aeração para dotação de oxigênio necessário
ao desenvolvimento do sistema radicular, por um
período de 48 horas. Depois de concluído esse período,
as telas com as plântulas foram transferidas para
recipientes com solução tratamento contendo 10mg L-1
de Al3+, onde permaneceram por mais 48 horas.
Posteriormente, as telas retornaram à solução nutritiva
completa por 72 horas. Após este período, as telas com
as plântulas foram transferidas para novos recipientes
com solução nutritiva mais 100mg L-1 de AG3, com pH
7, por 168 horas. Depois de completado esse processo,
foram aferidos os caracteres indicativos de tolerância
ao alumínio e insensibilidade ao ácido giberélico.
Para aferição dos caracteres medidos em
laboratório, foi instalado em condições de hidroponia
um experimento em delineamento de blocos ao acaso
com parcelas subdivididas, sendo a parcela constituída
pelo grupo (permanência verde = SG ou sincronizado =
SZ) e, na sub-parcela, as linhagens com o caráter
permanência verde (linha quase isogênica permanência
verde: F6-SG, RC1F6-SG e RC2F6-SG) e do tipo de
maturação sincronizada (linha quase isogênica
sincronizada: F6-SZ, RC1F6-SZ e RC2F6-SZ). Além disso,
foram adicionados no experimento os genitores que
deram origem às linhagens estudadas.
A avaliação dos caracteres para tolerância
ao alumínio tóxico foi feita pela medição do crescimento
da raiz (REC) com o auxílio de uma régua graduada, a
partir do ponto de dano causado pela toxicidade do
Al3+, na raiz principal. Para a medição da área radicular
(AR), as raízes foram cortadas na base e inseridas no
equipamento de medida de área foliar, sendo o resultado
obtido em cm2 (ROSSIELO et al., 1995). Os caracteres
indicativos de sensibilidade ao ácido giberélico foram
aferidos com o auxílio de régua milimetrada e os
resultados expressos em cm, a saber: inserção da 1a
folha (IPF), tomada da base do colmo até a altura do
encontro de emersão da 1a folha; inserção da 2a folha
(ISF), da base da 1a folha até o encontro da 2a folha;
comprimento da 1a folha (CPF) e 2a folha (CSF);
diferença da inserção da 1a e 2a folha (DIF); estatura de
plântula (EPL), medindo da base ao ápice da plântula, e
área foliar (AF) incluída toda a parte aérea e determinada
com medidor de área foliar.
Paralelamente ao experimento conduzido em
condições de laboratório, foi mensurado em campo
experimental o caráter estatura de planta (EST),
utilizando os mesmos genótipos que foram avaliados
em hidroponia. O delineamento experimental foi o de
blocos ao acaso com parcelas subdivididas, utilizando
mesma estrutura de parcela e sub-parcela como
indicado no experimento de laboratório. As medições
foram realizadas após 21 dias da antese, medindo cada
planta individualmente da base do colmo até o ápice
da espiga, excluindo as aristas. Os dados obtidos foram
submetidos à análise de variância (teste de F), as médias
comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade
e estimadas as correlações fenotípicas de Pearson
(STEEL & TORRIE, 1980).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resumos das análises de variância do
experimento de laboratório estão incluídos na tabela 1.
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Para a maioria dos caracteres, ocorreram efeitos
significativos nas linhas quase isogênicas (L), exceto
para os caracteres comprimento da 2a folha (CSF) e
para a diferença entre a inserção da 1a e 2a folha (DIF).
Os grupos do tipo de maturação permanência verde e
sincronizada não diferiram significativamente, somente
para o caráter DIF sendo que os demais caracteres
evidenciaram comportamentos distintos pelo teste F.
Isso indica que para as linhas quase isogênicas existe
presença de variabilidade, apresentando diferentes
níveis de tolerância ao alumínio tóxico (Al3+) e resposta
diferenciada quanto à sensibilidade ao ácido giberélico
(AG3). Dessa forma, é possível afirmar que as
concentrações avaliadas foram adequadas para separar
genótipos tolerantes e sensíveis ao Al3+ e AG3,
confirmando os resultados obtidos com metodologia
similar por CAMARGO & OLIVEIRA (1981) e adaptado
por DORNELLES et al. (1997). Os coeficientes de
variação para todos os caracteres avaliados foram
considerados adequados para as condições
experimentais, variando de 6,61 a 28,32%.
A interação grupo vs. linha (GxL) esteve
presente na maioria dos caracteres, o que indica
dependência entre grupos e linhas quase isogênicas,
ou seja, a classificação das linhas quase isogênicas
quanto aos caracteres avaliados seria diferente
dependendo do grupo de plantas do tipo permanência
verde e sincronizadas. Portanto, foi importante avaliar
o comportamento de cada isolinha através da
comparação de suas médias pelo teste de Tukey a 5%
de probabilidade e verificar, entre os grupos a que
pertencia, qual a isolinha que melhor agrega altos níveis
de tolerância ao Al3+ e menor sensibilidade ao AG3.
As médias dos dez caracteres avaliados
estão inseridas na tabela 2. Para o caráter área radicular
(AR), as linhas quase isogênicas RC2F6-SG e RC2F6-SZ
demonstraram melhor desempenho. Contudo, o
crescimento de raiz (REC) foi mais expressivo no
genótipo padrão para estatura mais elevada (TB188). A
isolinha obtida do retrocruzamento RC2F6-SZ
demonstrou o segundo maior crescimento de raiz,
diferindo das demais linhas quase isogênicas. Para os
caracteres indicativos de sensibilidade ao AG3, a
linhagem TB438 indicou ser adequada como padrão,
evidenciando uma estatura mais reduzida (EST) quando
avaliada em condições de campo, coincidindo com
valores menores para todos os caracteres indicativos
de sensibilidade ao ácido giberélico, obtidos em
laboratório (Tabela 2). Para o caráter área foliar (AF), as
duas linhas quase isogênicas do grupo permanência
verde (F6-SG e RC1F6-SG) revelaram menor sensibilidade
ao ácido giberélico.
Considerando a inserção da 1a folha (IPF),
foi possível verificar que as linhas quase isogênicas
Tabela 1 - Resumo das análises de variância para os caracteres estatura de planta (EST), área radicular (AR), crescimento de raiz (REC), área
foliar (AF), inserção da 1a folha (IPF), comprimento da 1a folha (CPF), inserção da 2a folha (ISF), comprimento da 2a folha (CSF),
diferença da inserção da 1a e 2a folha (DIF) e estatura de plântula (EPL). FAEM/UFPel, 2004.
Valores de quadrado médio
Fontes de VariaçãoG.L
EST
Cm
AR
cm2
REC
mm
AF
cm2
IPF
cm
CPF
cm
ISF
cm
CSF
cm
DIF
cm
EPL
cm
Bloco2 28,6 0,080,331,08 0,121,40 0,066,23 0,27 15,43
Grupos (G)13232,8* 0,11* 3,71*26,56* 4,02* 25,8*0,08226,2*1,86516,2*
Resíduo (a)19 26,10,01 0,52 0,890,351,24 0,0310,500,58 22,14
Linhas (L)3 586,1* 0,14* 7,66*4,01*3,34*14,3*0,55*9,290,4290,94
Interação (GxL)3 3510,8*0,06*1,923,43*2,89*5,24*0,05 90,86*4,38* 155,9*
Resíduo (b) 11427,90,010,900,680,180,730,044,730,3310,69
CV Resíduo (a)%6,61 10,3728,3218,5816,3311,5019,0920,88 24,4916,01
CV Resíduo (b)%6,8412,6937,1316,2411,788,8521,6014,0118,5811,13
Média77,160,766,985,083,65 9,68 0,9815,51 3,1329,38
*significativo a 5% de probabilidade pelo teste de F.
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RC1F6-SG e RC1F6-SZ apresentaram comportamento
similar, o mais próximo da linhagem padrão com 2,75cm
da IPF. Tanto a média do caráter CSF quanto do DIF
não diferiram pelo teste de Tukey (P<0,05), o que
confere a ausência de significância no resumo das
análises de variância apresentado na tabela 1.
Na comparação das médias entre os dois
grupos avaliados, os resultados evidenciaram que as
plantas providas do caráter permanência verde
mostraram superioridade quanto à insensibilidade ao
ácido giberélico nos caracteres AF, IPF, CSF e EPL
(Tabela 2) e também revelaram correlações significativas
com EST (Tabela 3), o que confirma a hipótese de
obtenção de ganho genético na seleção de plantas de
estatura reduzida em linhagens portadoras do caráter
“stay-green”, quando selecionados para estes
caracteres em cultivo hidropônico. Quanto à tolerância
à toxidez por alumínio, o grupo de plantas com
maturação sincronizada (trigo comum) evidenciou
valores mais elevados dos caracteres AR e REC ,
indicando ser mais tolerante ao alumínio tóxico no solo
do que grupos de plantas permanência verde.
Os genótipos avaliados obtiveram
diferentes estaturas quando conduzidos em
experimento a campo (Tabela 2). Entretanto, a separação
desses genótipos através da sensibilidade ao ácido
giberélico, se observada em condições de laboratório,
permite, com mais rapidez e controle de ambiente,
identificar e selecionar genótipos de reduzida estatura
somente em estádio de plântula em cultivo hidropônico.
Assim, alguns caracteres indicativos de sensibilidade
ao ácido giberélico avaliados em laboratório foram
correlacionados com o caráter EST a fim de verificar
uma associação para possível seleção (Tabela 3). Desse
modo, foi possível avaliar a magnitude e a direção das
influências de um caráter sobre o outro, dando um
indicativo simples de associação entre eles. A
magnitude destas correlações evidenciou uma direção
em sua maioria positiva. O maior grau de associação
foi observado entre a estatura de plântula e o
comprimento da 2a folha (0,963), indicando que a EPL
pode ser utilizada de forma mais fácil e eficiente na
substituição do CSF, a qual necessita de medições
minuciosas. Além disso, ambos os caracteres
supracitados obtiveram maior associação com a
estatura de planta (0,542 e 0,577), seguida do caráter
IPF (0,504). Resposta similar foi obtida por CANCI et
al. (1997) utilizando mesma metodologia para avaliação
em laboratório, em que a estatura de plântula foi aferida
pela distância da inserção da raiz à extremidade da folha
mais desenvolvida no momento da aferição, no caso
da segunda folha. O caráter AF também evidenciou
elevado grau de associação com o EPL (0,858), com
ótimo indicativo de viável utilização como parâmetro
de seleção para estatura reduzida por ser medido por
aparelho fotoelétrico, de fácil manipulação. Entretanto,
o EPL, CSF e IPF representam ser de mais fácil utilização,
visto que não necessitam de aparelho medidor de área
foliar.
Tabela 2 - Médias dos caracteres avaliados em laboratório: área radicular (AR), crescimento de raiz (REC), área foliar (AF), inserção da 1a
folha (IPF), comprimento da 1a folha (CPF), inserção da 2a folha (ISF), comprimento da 2a folha (CSF), diferença da inserção da
1a e 2a folha (DIF), estatura de plântula (EPL); e em campo experimental: estatura de planta (EST) para as linhas quase isogênicas
permanência verde (F6-SG, RC1F6-SG, RC2F6-SG), sincronizadas (F6-SZ, RC1F6-SZ, RC2F6-SZ) e média dos grupos, incluindo as
linhagens TB438 e TB188. FAEM/UFPel, 2004.
Genótipos
AR
cm2
REC
mm
AF
cm2
IPF
cm
CPF
cm
ISF
cm
CSF
cm
DIF
cm
EPL
cm
EST
cm
TB438 (P)
F6-SG
RC1F6-SG
RC2F6-SG
TB188 (P)
F6-SZ
RC1F6-SZ
RC2F6-SZ
GRUPOS
“SG”
SZ
0,60 c
0,77 ab
0,74 b
0,83 a
0,77 ab
0,77 ab
0,79 ab
0,81 a
AR
0,74 b
0,78 a
6,79 e
5,56 f
7,96 d
9,73 c
13,56 a
4,46 h
5,05 g
10,54 b
REC
7,51 b
8,40 a
3,87 d
5,04 c
4,77 c
5,28 ac
5,51 ab
5,35 ab
5,19 ac
5,68 a
AF
4,74 b
5,43 a
2,75 c
3,74 ab
3,52 b
3,92 a
3,83 ab
3,96 a
3,45 b
3,96 a
IPF
3,48 b
3,80 a
8,33 c
9,75 b
9,80 b
9,77 b
9,54 b
11,1 a
9,96 b
9,60 b
CPF
9,41 b
10,05 a
0,32 e
0,52 cd
0,46 d
0,60 b
0,19 e
0,43 c
0,69 a
0,71 a
ISF
0,48 a
0,50 a
16,0 b
17,69 ab
17,59 ab
17,14 ab
18,1 a
16,16 b
18,79 a
17,66 ab
CSF
17,10 b
17,67 a
3,13 c
3,34 bc
3,27 bc
3,32 bc
3,64 a
3,52 ab
3,20 bc
3,19 c
DIF
3,27 a
3,39 a
22,8 d
29,1 bc
28,5 c
30,7 ab
31,6 a
31,7 a
30,3 ac
29,9 ac
EPL
27,77 b
30,87 a
62,1 h
75,7 e
66,6 g
86,4 b
94,8 a
82,1 c
76,8 d
72,1 f
EST
72,76 b
81,45 a
* médias seguidas da mesma letra em coluna, não diferem pelo teste de Tukey em 5% de probabilidade. SG= permanência verde e SZ=
sincronizado.