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Revisão sobre alterações hemostáticas na doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG)

Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial 01/2001; DOI: 10.1590/S1676-24442001000400008
Source: DOAJ

ABSTRACT A doença hipertensiva específica da gravidez (DHEG), na sua forma pura, caracteriza-se pelo aparecimento, em grávida normotensa, após a vigésima semana de gestação, da tríade sintomática: hipertensão, proteinúria e edema. Nessa doença, não ocorrem as alterações hemodinâmicas observadas na gravidez normal, que incluem ajustes na fisiologia renal e cardiovascular. A manifestação mais característica da DHEG é uma vasoconstrição arteriolar acentuada, que acarreta um aumento da resistência vascular periférica e tem como conseqüência imediata o aparecimento da hipertensão. Evidências de aumento do consumo plaquetário e de disfunção das células endoteliais têm sido observadas na DHEG. Conclusões conflitantes com relação ao sistema fibrinolítico foram obtidas, onde um aumento, diminuição ou inalteração da função desse sistema em gestantes com DHEG, comparando-se à gestantes normais, foram relatados. Considerando-se que o diagnóstico da DHEG é essencialmente clínico e, muitas vezes, difícil de ser estabelecido, inúmeros têm sido os esforços para se determinar parâmetros hemostáticos que tenham um valor preditivo no diagnóstico e prognóstico da doença. Nesse sentido, a contagem de plaquetas, a determinação da trombomodulina, do complexo trombina-antitrombina III e do inibidor do ativador do plasminogênio tipo 2 foram propostas como parâmetros auxiliares para o diagnóstico da doença. No entanto há ainda muita controvérsia quanto à utilidade desses possíveis marcadores laboratoriais, e nenhum deles é plenamente aceito. Recentemente, foi sugerida uma associação entre a ocorrência de complicações da gravidez, incluindo-se a DHEG, e a presença de mutações genéticas que favorecem a manifestação de eventos tromboembólicos. Dessa forma, foi proposta a avaliação hemostática das gestantes que manifestaram a DHEG, mesmo sem história de episódio tromboembólico anterior, através da determinação de marcadores de tromboembolismo, como um parâmetro para o planejamento de futuras gestações, uma vez que a recorrência da DHEG é da ordem de 20%.

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    ABSTRACT: OBJETIVO: avaliar parâmetros do plaquetograma comparando os valores em gestantes normais e com pré-eclâmpsia. MÉTODOS: realizou-se estudo transversal controlado. Foram revisados os prontuários das mulheres internadas em hospital universitário, no período de 1 de janeiro de 2001 a 31 de julho de 2002. Foram pré-selecionadas aquelas que tinham plaquetograma realizado a partir da 28ª semana de gravidez. Foram analisados dois grupos de estudo: grupo PE (36 portadoras de pré-eclâmpsia) e grupo GN (58 gestantes normais). Os parâmetros plaquetários analisados pelo método automatizado foram: contagem de plaquetas, volume médio de plaquetas (MPV), largura de distribuição de plaquetas (PDW) e razão de células grandes de plaquetas (P-LCR). A análise estatística usou o teste t de Student e o teste do c² para comparar os grupos, e para avaliar o grau de dependência entre as variáveis utilizou-se o coeficiente de determinação (r²). Para todos os testes, o nível de significância considerado foi p < 0,05. RESULTADOS: a contagem de plaquetas não foi diferente entre os grupos, porém os demais parâmetros plaquetários estavam significativamente mais elevados no grupo PE. A gravidade da doença foi documentada em 91,7% das portadoras de pré-eclâmpsia, apesar de nenhuma das pacientes incluídas ter apresentado trombocitopenia como critério de gravidade. Detectaram-se correlações negativas entre a contagem das plaquetas e entre os demais parâmetros plaquetários analisados, e correlações positivas entre MPV e PDW, MPV e P-LCR e entre PDW e P-LCR. Observaram-se ainda correlações positivas entre MPV, PDW e P-LCR e as pressões sistólicas e diastólicas máximas. CONCLUSÕES: a pré-eclâmpsia esteve associada com estes novos parâmetros plaquetários, sugerindo alterações funcionais das plaquetas. A aplicabilidade clínica destes parâmetros, como marcadores mais precoces de gravidade da pré-eclâmpsia, exige mais estudos.
    Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. 01/2004;
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    ABSTRACT: OBJECTIVE: to evaluate platelet parameters in normal and pre-eclamptic pregnant women. METHODS: a controlled cross-sectional study was carried out. The medical records of the women who had delivered in the Hospital Universitário Júlio Müller-Cuiabá/MT, from January 1, 2001 to July 31, 2002, were reviewed. The pregnant women were pre-selected based on their platelet parameters analyses performed after the 28th week of gestation. Two groups of study were analyzed: PE group (36 pre-eclamptic women) and NP group (58 normal pregnant women). The platelet parameters analyzed by the automated method were: platelet counts, mean platelet volume (MPV), platelet distribution width (PDW) and platelet – large cells ratio (P-LCR). For statistical analysis the Student t-test and the chi-square test were used to compare the groups, and to evaluate the degree of dependence among the variables, the coefficient of determination was used (r²). For all these tests, the significance level considered was p < 0.05. RESULTS: the platelet counts did not show difference between the two groups. However, all other platelet indices (MPV, PDW and P-LCR) were significantly higher in the PE group. The severity of the disease was documented in 91.7% of the pre-eclamptic women, despite the fact that none of the patients included had shown thrombocytopenia as a criterion of severity. Negative correlation was detected between the platelet counts and the other platelet parameters analyzed and there was positive correlation between MPV and PDW, MPV and P-LCR, and PDW and P-LCR. Positive correlation was also observed between MPV, PDW and P-LCR, and the maximum systolic and diastolic blood pressures. CONCLUSIONS: pre-eclampsia was associated with these platelet parameters, suggesting alterations of the platelet functions. The clinical applicability of these parameters, as early markers of severity of pre-eclampsia, needs more studies.
    Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia 04/2004; 26(3):201-206.
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    ABSTRACT: RESUMO Hemostasia é um processo complexo que envolve o equilíbrio entre a coagulação e o sistema fibrinolítico. O objetivo deste estudo foi avaliar as alterações hemostáticas (fibrinogênio, tempo de protrombina (TP) em gestantes atendidas na UBS-Bairro Progresso, Erechim/RS; o prontuário médico também foi avaliado. Participaram do estudo 30 gestantes, das quais foram coletados 5 mL de sangue por punção venosa. As amostras foram analisadas no Laboratório Universitário de Análises Clínicas da URI-Campus Erechim. Observou-se que a maioria das gestantes estava no 2° e 3° trimestre de gestação; das variáveis estudadas somente a taxa de fibrinogênio (452,7 ± 81,0mg/dL) apresentou valor estatisticamente aumentado quando comparado com o do valor de referência. Observou-se que gestantes com histórico de aborto apresentavam TP mais elevado das que não possuíam histórico de aborto. Gestantes que estavam no 3° trimestre gestacional apresentam TP diminuído quando comparado com o 1° trimestre de gestação. Não houve diferença significativa nos valores de fibrinogênio e TP entre gestantes hipertensas e normotensas e nem em relação a faixa etária. Conclui-se que durante a gravidez normal a taxa de fibrinogênio pode aumentar em até 2 vezes seu valor normal, enquanto que o TP encontra-se dentro dos valores de referência. Palavras-chave: Hemostasia, Fibrinogênio, Tempo de Protrombina, Gestação. SUMMARY Hemostasis is a complex process that involves the balance between the coagulation and fibrinolytic system. The purpose of this study was to evaluate the changes haemostatic (fibrinogen, prothrombin time (TP)1 in pregnant women in the UBS-Neighborhood Progress, Erechim / RS, the hospital doctor was also evaluated. Study participants were 30 women of which were collected by 5 mL of blood venipuncture. The samples were analysed in the University Laboratory of Clinical analysis of the URI-Campus Erechim. It was observed that most of the women were at 2rd and 3rd trimester of pregnancy, the variables studied only the rate of fibrinogen (452.7 ± 81.0 mg/dL) presented value statistically different from the reference value. It was observed that pregnant women with a history of abortion had higher TP in comparison to pregnant women without history of abortion. Pregnant women who were in the 3rd trimester of pregnancy have TP reduced when compared with the 1st trimester of pregnancy. There was no significant difference in the values of fibrinogen and TP between hypertensive and normotensive pregnant and not regarding age. It was concluded that during pregnancy the normal rate of fibrinogen can increase up to 2 times their normal value, while the TP is within the range of reference.

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