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Qualidade de ensino e gênero nas políticas educacionais contemporâneas na América Latina

01/2007; DOI: 10.1590/S1517-97022007000100002

ABSTRACT Resumo Este artigo examina o conceito de qualidade de ensino no contexto das principais políticas globais e regionais propostas por agências financiadoras internacionais – como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento –, por acordos internacionais – como, por exemplo, as políticas previstas pelo Educação para todos e os Objetivos de desenvolvimento do milênio – e também pela sociedade civil global – como o Fórum Social Mundial e o Fórum Mundial de Educação. A análise do conteúdo dos discursos desses grupos distintos e influentes revela que a qualidade é definida e avaliada exclusivamente em termos cognitivos e reduzida a duas habilidades básicas: matemática e leitura. A qualidade, portanto, está dissociada de processos de transformação social, aos quais a educação deveria prestar uma contribuição essencial. Políticas globais de grande vulto, como o Educação para todos e os Objetivos de desenvolvimento do milênio, não consideram a importância da introdução da conscientização de gênero na concepção de uma educação de qualidade. Seus objetivos contemplam o gênero somente no que se refere ao acesso igualitário de meninas e meninos à escola. A autora argumenta que a não-inclusão do gênero no currículo e a não-formação de professores para reconhecer as questões de gênero nas práticas cotidianas da escola e da sala de aula contribuem para a persistência de valores e práticas que reafirmam distinções arbitrárias e assimétricas entre homens e mulheres. Numa perspectiva feminista, a autora enfatiza que é necessário que a qualidade ultrapasse a questão do acesso e inclua o tratamento igualitário de meninas e meninos na sala de aula, bem como um conteúdo curricular que despolarize o conhecimento das identidades de gênero que afetam o cotidiano das pessoas, tais como educação sexual, violência doméstica e cidadania. Além disso, é necessária a inclusão de práticas escolares que desenvolvam personalidades positivas e seguras, tanto nas meninas como nos meninos.

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    ABSTRACT: Two copies kept. One at Call number EFA 92 (reference) and one at Call number EFA 26.1 (loanable). Also available on CD-ROM in English, French and Spanish.
    http://lst-iiep.iiep-unesco.org/cgi-bin/wwwi32.exe/[in=epidoc1.in]/?t2000=020261/(100).
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    ABSTRACT: This paper offers a critical appraisal of citizenship and governance in relation to gender. It draws on poststructuralist themes which look at the relationship between power and discourse. This perspective provides an analytical tool for exploring how gender has been understood in the construction of citizenship and governance values in Europe. Whilst the focus of this discussion is gender, the implications of this analysis for disability and race are also highlighted. The paper argues for a broader, more inclusive, ethical definition of active citizenship that, in turn, will influence how people learn to be citizens and take part in governance. A selected literature identifies different ways in which citizenship is portrayed and learned through texts, schooling, family and social behaviours and traditions. The changing European and globalisation contexts provide additional commentary on the demands for new forms of citizenship and governance. Particular attention is paid to the notion of active citizenship with some recent interpretations of the dichotomy between private (family) and public (political) domains in relation to citizenship and gender. The final sections then analyse different attempts to re-define a gender sensitive concept of citizenship, concluding with the argument for an ethical education which would empower women to play a more active, citizen role in governance.
    Compare 01/2002; 32(1):21-33.

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Oct 16, 2014