Aspectos comparativos das comunidades de aranhas (Araneae) em dois remanescentes de Mata Atlântica do Estado da Bahia, Brasil
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ASPECTOS COMPARATIVOS DAS COMUNIDADES DE ARANHAS
(ARANEAE) EM DOIS REMANESCENTES DE MATA ATLÂNTICA DO
ESTADO DA BAHIA, BRASIL
Universidade Católica do Salvador, Instituto de Ciências Biológicas, Centro de Ecologia e Conservação Animal (ECOA),
Av. Profº Pinto de Aguiar, 2589, Pituaçu, 41740-090, Salvador, Bahia, Brasil. E-mail: katiabenati@yahoo.com.br
Abstract
The Atlantic Rainforest has suffered a rapid fragmentation process which has directly affected its biodiversity. The
aim of the present study was to inventory of the spider community composition in two Atlantic Rainforest remnants in the
state of Bahia, in order to enable a comparison of the abundance, richness and species diversity between the plots. The aim
is to contribute towards further studies on the dynamics of the forest remnants. The sampled areas were of distinctive sizes,
the Pituaçu Metropolitan Park (PMP) in Salvador with 425 hectares and the Matinha City Park (PMM) in Itapetinga with nine
hectares. The spiders were collected using the nocturnal manual collection method in a 30m x 5m transect for an hour,
totalling 10 hours of sampling effort. A total of 362 individuals were collected, of which 152 were, belonging to 20 families,
and 60 species. Of these, 37 species of 12 families were collected in the PMP and 30 species of 16 families in the PMM. The
abundance of the most frequent families (minimum of ten captures) did not differ between the plots (U=46,00; p=0.7959),
with a Sorensen similarity index of 82,4%. Also, the estimates of the abundance and richness do not differ between the areas
(U=65.000; p=0.2799 and U=20755, p=0.1451, respectively). Nevertheless, the diversity was higher in the PMP (D=8.1922)
than the PMM (D=6.8032). The results suggest that the similarities between the areas may be a consequence of factors
related to the fragmentation processes, such as disturbance history. However, other factors, such as the shape of the
remnants and the type of neighborhood, apart from other variables, eg. the flora composition, may also interfere on the
dynamics of the spider’s communities in these fragments.
Key words: Atlantic Forest, Fragmentation, Biodiversity, Spiders, Bahia.
Resumo
A Mata Atlântica vem sofrendo um acelerado processo de fragmentação, o que está afetando sua biodiversidade. O
objetivo do trabalho foi inventariar as comunidades de aranhas em dois remanescentes de Mata Atlântica do Estado da
Bahia, permitindo uma comparação entre a abundância, riqueza e diversidade de espécies entre estas áreas, visando
fornecer subsídios para estudos da dinâmica de fragmentos florestais. Foram amostrados remanescentes com tamanhos
bastante distintos, o Parque Metropolitano de Pituaçu - Salvador (PMP) com 425 ha e o Parque Municipal da Matinha -
Itapetinga (PMM) com nove ha. As aranhas foram capturadas por coleta manual noturna, num transecto de trinta por cinco
metros durante uma hora, com esforço total de 10h. Foi coletado um total de 362 indivíduos, distribuídos em 20 famílias, com
152 adultos e 60 espécies, sendo 37 spp. e 12 famílias no PMP e 30 spp. e 16 famílias no PMM. Ao comparar a abundância
das famílias mais freqüentes (mínimo de dez capturas) não houve diferenças significativas entre as áreas (U=46,00; p=0,7959),
com um índice de similaridade de Sorensen de 82,4%. Quando comparada a riqueza estimada e a abundância de espécies,
não houve diferenças significativas entre as duas áreas (U=65.000; p=0,2799) e (U=20755, p=0,1451), respectivamente. Já a
diversidade encontrada nas duas áreas, foi maior no PMP (D=8,1922) do que no PMM (D=6,8032). A partir dos resultados,
sugere-se que as semelhanças encontradas entre as áreas podem estar relacionadas a fatores ligados aos processos da
fragmentação, como histórico de perturbações. Contudo, sugerimos que seja feita uma avaliação a posteriori de outros
fatores, como a forma do fragmento, o tipo de vizinhança e efeito de borda, além de outras variáveis, i.e. da composição
florística, que possam estar interferindo na dinâmica destes fragmentos e influenciando na comunidade destas aranhas.
Palavras-chave: Mata Atlântica, Fragmentação, Biodiversidade, Aranhas, Bahia.
Biota Neotropica v5 (n1a) – http://www.biotaneotropica.org.br/v5n1a/pt/abstract?article+BN005051a2005
Kátia Regina Benati, João Pedro Souza-Alves, Elizabete Alves Silva, Marcelo Cesar Lima Peres e
Érica Oliveira Coutinho
Recebido em 07/12/2003
Aceito em 01/02/2005
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Benati, K.R. (et al.) - Biota Neotropica, v5 (n1a) - BN005051a2005
1. Introdução
As florestas tropicais são conhecidas por sua alta
biodiversidade (Briggs 1996, Burslem et al. 2001), são os
biomas mais ricos e diversos, apresentando uma
complexidade estrutural que favorece a existência de muitos
nichos ecológicos (Mantovani 2003), porém, são pouco
estudadas (Myers 1997) e sujeitas a várias ações naturais e
não naturais (DeSouza et al. 2001). Inúmeras espécies
diminuíram rapidamente sua abundância, e algumas até fo-
ram extintas em conseqüência da caça predatória, destruição
de habitats e ação de novos predadores e competidores
(Primack & Rodrigues 2002).
No Brasil, a devastação de áreas florestais vem
atingindo proporções bastante significativas. Na Mata
Atlântica, a maior parte dos remanescentes florestais
encontra-se na forma de pequenos fragmentos (Viana 1995).
Este bioma é considerado uma área prioritária para
conservação biológica do planeta (Dário & Almeida 2000)
devido ao seu nível de ameaça, taxa de endemismo e
diversidade da fauna e flora, estando em quarto lugar dentre
os 25 hotspots mundiais (Myers et al. 2000).
Os remanescentes florestais constituem hoje um dos
maiores desafios para a conservação biológica (Espírito-
Santo et al. 2002), pois ao se diminuir uma área florestal,
pode-se reduzir significativamente o número de espécies,
afetar a dinâmica das populações de animais e vegetais,
além de comprometer a regeneração natural das florestas
(Harris 1974), tornando-as mais susceptíveis a modificações
ambientais ou a variações demográficas (Metzger 2003). O
número de espécies que um fragmento pode suportar, e suas
respectivas taxas de extinção, dependem do seu tamanho,
estrutura do habitat e povoamento (MacArthur & Whitmore
1979), além do grau de isolamento, tipo de vizinhança,
histórico de perturbações (Viana & Pinheiro 1998) e
conectividade (Metzger 2000). Estes remanescentes são
ainda pouco conhecidas, pois os inventários, mesmo que
rápidos, são quase inexistentes para várias regiões (Vieira
2003), exigindo o desenvolvimento de estratégias para
conservação, bem como a recuperação de áreas degradadas
(Conroy & Noon 1996).
Os efeitos da fragmentação vêm sendo usualmente
analisados a partir de estudos de ecologia de comunidades
em remanescentes com diferentes características espaciais
(Kelt 2000, Metzger 2000, Collinge & Palmer 2002, Steffan-
Dewenter 2003), podendo ser avaliados em nível biótico -
por meio de mudanças na estrutura e dinâmica das
comunidades vegetais, na diversidade e abundância da
fauna e nas interações entre ambas (Murcia 1995) - e abiótico,
que são efeitos mais facilmente perceptíveis e quantificáveis,
como o aumento da temperatura, redução da umidade relativa
do ar e retenção da precipitação (Kapos 1989). Contudo,
esses estudos ocorrem em diferentes áreas ou têm curta
duração. Para avaliar o impacto dessas fragmentações, o
primeiro passo é inventariar a fauna e a flora de uma
determinada área, obter um conhecimento mínimo sobre os
organismos ocorrentes no local e, a partir daí, desenvolver
projetos de conservação ou preservação (Pearson 1994).
É muito difícil, se não impossível, determinar a riqueza
total de espécies de uma determinada área, por menor que
seja este ambiente, pois existe uma alta diversidade de
organismos (May 1988). A seleção de organismos
indicadores de diversidade deve levar em conta as
características biológicas e ecológicas do grupo, o
conhecimento disponível sobre a sistemática e as
dificuldades de coleta (Lawton et al. 1998). Desta forma,
estudos sobre a biodiversidade de táxons megadiversos,
como os artrópodes, podem contribuir muito com o avanço,
tanto do conhecimento básico sobre o funcionamento dos
ecossistemas, quanto para monitoramento e planejamento
de programas de conservação e uso sustentado (Kremen et
al. 1993). O conhecimento sobre os invertebrados de Mata
Atlântica é bastante escasso, tornando-se necessário um
esforço conjunto para inventariar áreas remanescentes,
avaliar a possibilidade de proteção e manejo, além de
fundamentar a conservação efetiva daquelas de maior valor
biológico (Conservation International do Brasil et al. 2000).
As aranhas (Arachnida: Araneae), apesar de ser um
grupo pouco estudado (Coddington & Levi 1991), são
consideradas de grande importância ecológica (Simó et al.
1994). Compreendem uma porção bastante significativa da
diversidade de artrópodes terrestres (Toti et al. 2000),
constituindo um dos grupos mais diversos e abundantes,
com 38.663 espécies descritas até o momento (Platnick 2004),
amplamente distribuídas em todas as regiões do mundo,
exceto na Antártida (Platnick 1995). A maioria das espécies é
sensível a diversos fatores físicos, como temperatura,
umidade, vento e intensidade luminosa, e biológicos, como
estrutura da vegetação e disponibilidade de alimento (Wise
1993, Foelix 1996). Alguns autores sugerem que a estrutura
do ambiente pode influenciar na composição e riqueza das
comunidades de aranhas (Rushton et al. 1987, Foelix 1996,
Santos 1999). Se considerarmos a grande riqueza em
espécies, a facilidade de amostragem e a sensibilidade a
diversos fatores ambientais, as aranhas são consideradas
como espécies guarda-chuva (Lambeck 1997), i.e.,
apresentam mais exigências do que outros grupos que vivem
no mesmo habitat (Metzger 2003), sendo indicadas para
avaliar as diferenças ambientais entre diversos meios.
Este trabalho teve como objetivo inventariar as
comunidades de aranhas em dois remanescentes de Mata
Atlântica do Estado da Bahia, permitindo uma comparação
entre a abundância, riqueza e diversidade de espécies entre
estas áreas, visando fornecer subsídios para estudos da
dinâmica de fragmentos florestais.
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2. Metodologia
2.1. Áreas de estudo
O trabalho foi realizado em dois remanescentes de
Mata Atlântica do Estado da Bahia. O Parque Metropolitano
de Pituaçu - PMP (12° 58’ 076’’ S e 38° 24’ 746’’ W), localizado
na área urbana do município de Salvador, possui uma
extensão de 425 ha, com áreas de mata secundária, mata
ciliar e restinga; possuindo uma ampla área de transição
entre essas fisionomias, em estágio inicial, médio e avançado
de regeneração (Conceição et al. 1998); e o Parque Munici-
pal da Matinha - PMM (15° 14’ 407’’ S e 40° 14’117’’ W),
situando na região urbana do município de Itapetinga, no
sudoeste do Estado, possuindo uma extensão total de 40
ha, porém com apenas nove ha de mata. Ambas as áreas
sofrem impactos do trânsito regular de moradores do entorno
e público visitante.
2.2. Amostragem
As áreas foram escolhidas aleatoriamente, onde fo-
ram definidos 10 pontos de coleta em ambiente de borda,
obtendo um total de 10 horas amostrais em cada fragmento.
O método de amostragem aplicado foi a coleta manual
noturna (look down e look up), constituída de um transecto
de trinta por cinco metros, sendo as coletas realizadas por
dois coletores, com um esforço de uma hora. No momento
das coletas, as aranhas foram acondicionadas em álcool
(70%) e encaminhadas para identificação no Centro de
Ecologia e Conservação Animal - ECOA / Instituto de
Ciências Biológicas - ICB / Universidade Católica do Salva-
dor - UCSal, onde os espécimes foram depositados.
2.3. Análise dos dados
As análises estatísticas foram feitas usando-se o
programa Bioestat 2.0 (Ayres et al. 2000). Para comparar a
abundância de famílias, riqueza em espécies e abundância de
espécies entre as áreas foi utilizado o teste Mann-Whitney.
As estimativas de riqueza foram obtidas no EstimateS 5.0
(Colwell 1997) e o índice de diversidade através do Diversity©
2.2 (Henderson & Seaby 1998). O índice de similaridade de
Sorensen foi utilizado para avaliar o grau de semelhança da
composição das famílias mais abundantes entre as áreas.
3. Resultados e Discussão
Foi coletado um total de 362 indivíduos, distribuídos
em 20 famílias. No PMP foram registrados 159 espécimes e
11 famílias, e no PMM 203 e 18 (Figura 1). As áreas não
apresentam diferença na abundância das famílias mais
freqüentes (mínimo de dez capturas), que representaram
90,33% do total de indivíduos (U=46,00; p=0,7959), e
apresentam um alto índice de similaridade de Sorensen
(82,4%). Dentre estas famílias, quatro representaram 63,6%
das aranhas amostradas, Pholcidae (18,3%), Araneidae
(16,8%), Salticidae (14,7%) e Theridiidae (13,8%),
observando-se um elevado número de aranhas construtoras
de teia (48,9%). Ao avaliarmos as duas áreas separadamente,
o PMP teve predominância de Salticidae (25,7%), Pholcidae
(17,8%) e Araneidae (15,8%), já o PMM Theridiidae (20,0%),
Pholcidae (18,9%) e Araneidae (17,7%).
Considerando-se o fato das amostras terem sido
realizadas em ambiente de borda e que os fragmentos têm
histórico de intensas perturbações antrópicas, a
predominância de aranhas construtoras de teias em ambas as
Figura 1: Freqüência das famílias encontradas nas áreas de estudo. PMP = Parque Metropolitano de Pituaçu (Salvador - Bahia) e PMM =
Parque Municipal da Matinha (Itapetinga - Bahia).
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Benati, K.R. (et al.) - Biota Neotropica, v5 (n1a) - BN005051a2005
áreas sugere que algumas espécies destas famílias podem estar
bem adaptadas a viver em ambientes abertos, como bordas de
mata ou áreas perturbadas, como foi demonstrado por Santos
(1999) para algumas espécies de Araneidae e Theridiidae.
Resultados semelhantes foram encontrados por outros autores,
como Whitmore et al (2002), que encontraram uma elevada
freqüência de espécies da família Araneidae (31 spp.)
representando cerca de 12% das espécies coletadas em
ambiente de Savana na África, e Peres (2001), que verificou
duas espécies de Araneidae (Alpaida antonio e Alpaida sp.)
exibindo preferência por ambiente de clareira natural em um
remanescente de Mata Atlântica inserida na cidade de Recife
(Pernambuco – Brasil). Desta forma, embora os ambientes de
borda geralmente apresentem menor complexidade estrutural,
o que possivelmente reduz a oferta de substrato adequado
para a fixação de suas teias, as espécies coletadas, pelo menos
as mais freqüentes (Metazygia gregalis e Eriophora sp.),
provavelmente adaptaram-se às alterações que ocorrem na
borda, buscando substratos alternativos para a fixação das
teias. A elevada ocorrência de Pholcidae em áreas de borda
não era esperada, visto que, segundo Santos (1999) alguns
gêneros desta família, como Priscula, Mesabolivar e
Metagonia exibem preferência por ambientes úmidos e
sombreados. No entanto, nossos resultados demonstram que
algumas espécies dos gêneros Priscula e Mesabolivar podem
ser tolerantes a ambientes de borda, que possuem menor
umidade e sombreamento. Peres (2001) verificou que embora
a espécie Priscula sp. exibisse preferências por ambientes de
Figura 2: Estimativas de riqueza de espécies no Parque Municipal da Matinha (Itapetinga - Bahia). Sobs = espécies observadas.
Figura 3: Estimativas de riqueza de espécies no Parque Metropolitano de Pituaçu (Salvador - Bahia). Sobs = espécies observadas.
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FamíliaMorfoespécie PMP
0
2
1
0
3
2
2
6
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0
1
1
7
2
2
0
1
0
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1
3
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1
1
3
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2
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1
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0
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1
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0
1
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0
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0
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0
0
0
1
0
0
81
PMM
2
0
0
1
0
1
2
1
1
7
0
0
0
0
0
1
0
4
0
3
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1
0
5
1
0
23
1
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0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
1
0
0
0
1
0
0
0
1
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0
1
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0
1
2
71
Total
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2
1
1
3
3
4
7
1
7
1
1
7
2
2
1
1
4
1
3
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1
1
8
2
13
23
2
1
3
1
1
5
1
1
1
1
4
2
1
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1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
3
1
1
2
1
1
2
152
%
Amaurobiidae
Anyphaenidae
Amaurobiidae sp.
Anyphaenidae sp.
Wulfila sp.
Xiruana sp.
Araneus tijuca
Argiope argentata
Cyclosa sp.
Eriophora sp.
Eustala sp.
Metazygia gregalis
Araneidae sp.1
Araneidae sp.2
Araneidae sp.3
Araneidae sp.4
Araneidae sp.5
Caponiidae sp.
Elaver sp.
Nothroctenus sp.
Deinopis sp.
Dictyna sp.
Gnaphosidae sp.1
Gnaphosidae sp.2
Gelanor sp.
Peucetia rubrolineata
Peucetia sp.
Blechroscelis sp.
Mesabolivar sp.
Lyssomanis sp.
Thiodina sp.
Salticidae sp.1
Salticidae sp.2
Salticidae sp.3
Salticidae sp.4
Salticidae sp.5
Salticidae sp.6
Salticidae sp.7
Scytodes itapevi
Scytodidae sp.1
Scytodidae sp.2
Olios sp.
Leucauge aff. argira
Nephila clavipes
Tetragnathidae sp.1
Tetragnathidae sp.2
Tetragnathidae sp.3
Episinus sp.
Tidarren sp.
Theridiidae sp.1
Theridiidae sp.2
Theridiidae sp.3
Theridiidae sp.4
Theridiidae sp.5
Tmarus sp.1
Tmarus sp.2
Thomisidae sp.1
Thomisidae sp.2
Uloborus sp.
Uloboridae sp.1
Uloboridae sp.2
Uloboridae sp.3
1,32
1,32
0,66
0,66
1,97
1,97
2,63
4,61
0,66
4,61
0,66
0,66
4,61
1,32
1,32
0,66
0,66
2,63
0,66
1,97
0,66
0,66
0,66
5,26
1,32
8,55
15,13
1,32
0,66
1,97
0,66
0,66
3,29
0,66
0,66
0,66
0,66
2,63
1,32
0,66
1,32
0,66
0,66
0,66
0,66
0,66
0,66
0,66
0,66
0,66
0,66
0,66
0,66
1,97
0,66
0,66
1,32
0,66
0,66
1,32
100,00
Araneidae
Caponiidae
Clubionidae
Ctenidae
Deinopidae
Dictynidae
Gnaphosidae
Mimetidae
Oxyopidae
Pholcidae
Salticidae
Scytodidae
Sparassidae
Tetragnathidae
Theridiidae
Thomisidae
Uloboridae
Total
Tabela 1: Lista de espécies das áreas amostradas. PMP = Parque Metropolitano de Pituaçu (Salvador - Bahia) e PMM = Parque Municipal
da Matinha (Itapetinga - Bahia).
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Benati, K.R. (et al.) - Biota Neotropica, v5 (n1a) - BN005051a2005
mata, a mesma também foi bastante abundante em ambiente
de clareira natural, que se caracterizam por temperatura mais
elevadas, pouca umidade e intensa luminosidade.
A família Theridiidae foi a mais abundante no
fragmento menor (PMM), o que pode sugerir que esta
família seja mais tolerante à perda de habitat, como
foi indicado por Miyashita, et al. (1998) que
verificaram uma correlação negativa entre a
abundância desta família e o tamanho dos fragmentos
estudados em florestas de Tokyo e Yokohama,
considerando que espécies desta família sejam menos
sensíveis a tamanho do fragmento. A predominância
da família Salticidae em ambientes de borda do PMP,
sugere que estas famílias são mais tolerantes as
alterações ambientais que são freqüentes em
ambientes de vegetação mais aberta. Fato semelhante
foi observado por Coyle (1981), que verificou que
estas aranhas foram bastante abundantes em áreas
desmatadas, Whitmore et al (2002), que encontraram
um elevado número de Salticidae em ambiente de
Savana na África, e Oliveira-Alves et al. (neste vol-
ume), que verificaram preferência de algumas espécies
desta família por ambiente de borda. Este último
estudo foi realizado no PMP.
Com relação aos indivíduos adultos, foram
identificados 152, agrupados em 60 espécies e 19 famílias,
sendo 37 espécies e 12 famílias no PMP e 30 espécies e 16
famílias no PMM (Tabela 1). Foram estimadas 46 espécies
para PMP e 38 para PMM. No entanto, a curva do número
estimado de espécies não alcançou a assíntota, indicando
que as áreas apresentam riqueza ainda maior (Figura 2 e 3).
As áreas não diferem quanto à riqueza estimada (U=65.000;
p=0,2799) ou abundância de espécies (U=20755, p=0,1451).
Já a diversidade foi maior no PMP (D=8,1922) do que no
PMM (D=6,8032). Estes resultados são considerados
inusitados, já que fragmentos maiores geralmente possuem
uma maior heterogeneidade de habitat e são capazes de
comportar uma maior abundância e riqueza de espécies
(Zimmerman & Bierregaard 1986, Turner 1996, Rego et al.
2004). Porém, a semelhança encontrada nas áreas pode estar
relacionada ao fato de que ambas as áreas sofrem processos
semelhantes, como isolamento de área, perturbações e
habitação no perímetro do parque. Tais eventos podem atuar
de forma negativa na riqueza de espécies (van Dorb & Opdan
1987, Viana & Pinheiro 1998), principalmente no PMP.
Outro fato importante é o de que as coletas ocorreram
na borda da mata, onde geralmente a vegetação nativa é
alterada devido à perda de habitat, o que afeta o equilíbrio e
a dinâmica das comunidades (Murcia 1995, Laurence et al.
1998). No entanto, isto parece não ocorrer no PMP pois
Oliveira-Alves et al. (neste volume) encontraram na borda
da mata uma elevada diversidade (H’=3,3741 - borda; H’ =
3,0844 - centro). A semelhança encontrada na diversidade
não era esperada, pois fragmentos menores que 10 ha,
geralmente possuem maior vulnerabilidade, provocada por
fatores ecológicos e ambientais (Azevedo et al. 2003,
Sobrinho & Schoereder 2003) que os tornam menos
heterogêneos (Zimmerman & Bierregaard 1986). Desta forma,
o PMM deveria possuir uma diversidade inferior em relação
ao PMP, já que a complexidade do ambiente influencia na
capacidade de suportar um grande número de espécies (Rego
et al. 2003). Porém, o fato do PMP ter o domínio de restinga
arbórea e sofrer forte interferência antrópica pode estar
influenciando negativamente sua diversidade já que,
segundo Sá (2002), estes ecossistemas têm dificuldades de
se regenerar após perturbações.
Desta forma as semelhanças encontradas entre os
dois fragmentos de tamanhos tão distintos (PMM= nove
ha e PMP= 425ha), sugere que a relação espécie-área, que
parte do pressuposto de que quanto maior a área, maior
será a riqueza e abundância em espécies, como foi observado
por Schoereder et al. (2003), pode ter baixa influência na
comunidade de aranhas que habitam fragmentos com
histórico de perturbações antrópicas, possivelmente devido
à substituição de espécies especialistas por espécies que
tenham maior tolerância à variação ambiental, se adaptando
a ambientes perturbados. Contudo, sugerimos que seja feita
uma avaliação a posteriori de outros fatores, como a forma
do fragmento, o tipo de vizinhança, efeito de borda, além de
outras variáveis, i.e., composição florística, que possam
interferir na dinâmica destes fragmentos e influenciar a
comunidade destas aranhas.
Após as análises dos resultados obtidos, podem se
estabelecer algumas hipóteses: (1) as semelhanças entre as
áreas podem ser relativas a fatores históricos e ecológicos
ligados à fragmentação, tais como isolamento de área,
perturbações antrópicas e habitações no perímetro do
parque, fatores estes que reduziriam a riqueza e diversidade
de espécies, principalmente no PMP; (2) a dinâmica estrutural
das áreas amostradas podem estar alterando a abundância,
diversidade e riqueza de espécies.
4. Agradecimentos
Aos coordenadores do Centro ECOA, Moacir Tinôco
e Anderson Abbehusen pela revisão dos manuscritos. Em
especial para o Moacir Tinôco pela tradução do resumo. A
Conder e a diretoria do Parque Municipal da Matinha, pelo
apoio nos trabalhos de campo.
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Benati, K.R. (et al.) - Biota Neotropica, v5 (n1a) - BN005051a2005
Título: Aspectos comparativos das comunidades de
aranhas (Araneae) em dois remanescentes de Mata
Atlântica da Bahia, Brasil.
Autores: Kátia Regina Benati, João Pedro Souza-Alves,
Elizabete Alves Silva, Marcelo Cesar Lima Peres e Érica
Oliveira Coutinho
Biota Neotropica, Vol. 5( número 1a): 2005
http://www.biotaneotropica.org.br/v5n1a/pt/
abstract?article+BN005051a2005
Recebido em 07/12/2003 - Aceito em 01/02/2005
ISSN 1676-0603
ZIMMERMAN, B.L. & BIERREGAARD, R.O. Jr.1986. Rel-
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